segunda-feira, 20 de novembro de 2017

OS FLAGELANTES



Banana podre não tem futuro, frutátá, frutátá.
“O movimento Flagelante foi um grupo ou seita fanatista e mística cristã durante os séculos XIII e XIV, na Europa. Os seus membros defendiam que a prática da flagelação lhes permitiria expiar os seus pecados, atingindo assim a perfeição, de maneira a serem aceites no reino dos céus. Os primeiros grupos de Flagelantes apareceram em 1260 em Perugia, em Itália. Este movimento é fortemente condenado pela Igreja, que o considera contrário à fé. Os Flagelantes desfilavam em procissões nas cidades, durante 33 dias (33 porque correspondiam à idade em que se supõe que Jesus Cristo foi morto), durante os quais se flagelavam com cordas ou cintos de extremidades cortantes. Esta prática é suposta suficiente para que um fiel pudesse atingir o Paraíso, e os ritos da Igreja não seriam então necessários. Esta foi a principal razão para que a Igreja não tolerasse estas práticas. O movimento surge e ressurge muitas vezes durante os períodos conturbados, como a Peste negra ou a Guerra dos Cem Anos. Durante a Peste negra, tais práticas contribuíram para exacerbar a população e pressioná-la a perseguir os judeus e outras minorias que eram acusadas de ser a causa das epidemias ao ter envenenado os poços”. (Vikipédia)
Algures num dos perigosos bairros de Luanda – depois das vinte, vinte e uma horas, não dá para andar na rua porque a Polícia, como os funcionários públicos, só trabalha de dia e de noite dorme - um vizinho sonhou duas vezes com uma vizinha. De manhã, a pobre coitada de quarenta anos de idade é surpreendida pelos vizinhos que armados de catanas, pedras, paus e ferros lhe prometem que lhe vão torturar, matar e depois queimar, porque como lhe vocifera um jovem, “você é feiticeira porque eu sonhei contigo duas vezes, vamos-te matar.” Surge o filho de nove anos que logo leva com um ferro na cabeça e cai desamparado com o corpo entregue ao solo. A menina, também filha, leva o mesmo tratamento da flagelação do ferro na cabeça. A mãe também lhe flagelam com um ferro na cabeça e nas costas, a missão é matá-la porque está possuída pela feitiçaria. A mãe já não se consegue mexer de tanta flagelação. Já lhe preparam o pneu que lhe colocarão e de seguida incendiarão. A fogueira da inquisição angolana já está pronta, e de certeza que a infeliz encomenda a sua alma a Deus, mas Ele já está tão cansado destas coisas que de certeza absoluta, por ter os ouvidos cheios lhe entrará por um e lhe sairá pelo outro. Mas já nos últimos instantes de vida ela salva-se milagrosamente porque alguém aparece, dizem que era a Polícia. Os incendiários de feiticeiras e de feiticeiros desaparecem de cena. Durante algum tempo permanecerão por aí escondidos, mais tarde aparecerão quando a coisa já estiver esquecida. Mas aqui há uma coisa amigo leitor: será que a vítima escapou devido à intervenção divina? Será que Deus Existe? Opto por deixar isso nas mãos da Igreja, quem sabe, mais uma santa será canonizada?
“Enquanto estatísticas de pessoas desaparecidas são elaboradas para todas as outras demografias, não existe nenhuma para as mulheres Nativas Americanas.” (do filme, Wind River, Rio do Vento, 2017)
Uma mais velha inventou que o filho da vizinha lhe flagelou. Foi-se queixar na mãe dele, ela ouviu-a em silêncio e no fim disse-lhe que iria falar com o seu filho para ver como é. Falou-lhe e ele jurou que não bateu na vizinha, que era pura invenção dela, mais acrescentou que ela deve andar maluca ou fuma ou mais sei lá o quê, disse. A mãe foi falar com a vizinha flagelada, disse-lhe tal como o seu filho lhe jurou que havia aí qualquer coisa que não bate nada certo, do tipo: está a gritar à toa pra quê? Então a flagelada sai-lhe de rompante quase a roçar-lhe o rosto e disparata-lhe: “ Só quero trezentos mil kwanzas!!!” A mãe não lhe ligou e saiu em disparada, foi ter com uma vizinha que tem marido que é chefe na Polícia, pediu-lhe o número do telefone e ligou-lhe, queixou-lhe da invenção da vizinha para lhe extorquir dinheiro. Até ao fecho deste trabalho ainda não se sabe qual o desfecho de tal método de açambarcar dinheiro. Creio que ela frequentou a escola dos corruptos e teve boas notas. Também com tantos bons professores só mesmo burro é que não passa nos exames de corrupção.
“Tudo o que somos é o resultado do que pensamos. Se um homem-mulher fala ou age com um pensamento maligno, a dor o acompanhará como uma sombra. Se um homem-mulher fala ou age com um pensamento puro, a felicidade o segue, como uma luz que nunca o deixa”. (Budha, Sidharta Gautama. 563-483 a. C.)
Mas como é que os investidores vão largar dinheiro, como é que vão acreditar na recuperação económica de Angola, se o seu povo consome o tempo em festas e em mares de álcool. Uma pessoa viver num país assim, sem garantias de nada?
“A História escrevem-na os vencedores.”
Uma jovem vizinha ficou sem o carro, os intrépidos gatunos da nossa praça de armas roubaram-lho. Ela logo comprou outro, mistério, onde ela conseguiu o dinheiro? Qual foi a vítima ou vítimas masculinas que caíram na esparrela? Otário por aqui é coisa que não falta. Assim como homens que seduzem e caçam mulheres com dinheiro que lhes caiem no logro. Sim, há também muitos homens chulos que vivem à francesa. Caçam uma, esgotam-lhe o saldo, logo partem para nova caçada, ou então também largam a mulher anterior por outra com mais posses. Portanto, antes de conduzir o novo carro, a nossa jovem foi falar com o feiticeiro para lhe fazer um feitiço, para que quem o roubar fique enfeitiçado, e não o consiga roubar e morra. Um mais velho que ouvia a conversa deu-lhe vontade de rir, mas conseguiu falar sem se denunciar porque de semblante muito sério disse-lhe, “sim senhor, está certo, vá ao feiticeiro, é o melhor que pode fazer contra os bandidos.” Claro que depois dela se ir embora ele riu a bom rir.
É como o vamos mudar as pessoas e os problemas resolvem-se de imediato. Não é nada disso, porque numa economia inexistente, praticamente a refazer-se a partir do zero, isso demora muitos anos, com muitos sacrifícios, muita feitiçaria, muita mais miséria a desabar sobre a população. E sem investimentos estrangeiros, não sei não. Mas como pouco falta para que o nosso “exonerador” implacável acabe com os corruptos, para que Angola se abasteça dos valiosos e imprescindíveis dólares, então finalmente veremos os corruptos a cair e Angola a subir.
Vida do copo não dá sabedoria.
Garantem-me que ainda persistem por aí os táxis hiace a circularem à noite com motorista, cobrador e passageiros que são espíritos do outro mundo, e que quando apanham passageiros não há paragens, só param no cemitério. Amigo leitor, recomendo-lhe muita cautela porque isto está infestado de feitiçaria. Quer dizer, quanta mais miséria mais feitiçaria. E que devido a isso se mata com tanta facilidade que, é verdade, isto está de meter medo. O amanhã está uma grande incógnita. Não conheço ninguém que não fale de feitiçaria e de alguém que matou para conseguir dinheiro. As casas onde vive a família está um grande problema, pois os familiares que as pretendem usam o feitiço da morte para conseguirem apoderar-se delas.
É caso para parafrasear que dos feiticeiros fracos não reza a História.
“Persiste-se, igualmente, numa visão algo bizarra de reduzir todos os problemas nacionais (sociais, económicos, morais, históricos) a equações matemáticas de onde se extraem medidas de política supostamente adequadas e suficientes para os resolver. Como resistirão à inevitável desvalorização da moeda nacional face ao dólar americano? Empurrando o problema com a barriga, ajustando expectativas, antecipando subidas de preços que façam entrar a inflação numa espiral incontrolável?” (Alves da Rocha, Expansão 03/11/17)