sexta-feira, 6 de abril de 2012

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (18)




Uma vendedora entusiasmada com o negócio pergunta a um cliente:
- Como é que vão essas bebidas?!
- Mais ou menos… para muito mais.
- Nunca imaginei que este colonialismo fosse pior que o anterior. – Assombrou-se o Poeta.

O Presidente cogita:
No Zimbabué há exploração, há dominação e abuso de um determinado grupo social sobre o povo do Zimbabué. Esse povo não pode suportar mais a escravidão. Sobretudo, pensam em instalar o neocolonialismo em cada país africano. Felizmente, Angola não poderia entrar, não entrou, no seu esquema. In Agostinho Neto. 14 De Junho de 1977. Discurso na abertura da reunião do
Comité de libertação da OUA realizada em Luanda.

Dois clientes parecem discutir, um demonstra a sua convicção:
- Novo-rico não, rico novo.
- A polícia vai começar a caça aos novos-ricos. – Assegura o outro.
- Tem propensão para roubar, porque não tem noção de propriedade. É só vender.
- Todos vêm para a capital vender computadores, materiais de construção. Comprar e vender não é investir. É comerciar. É exportar para consumir. É importar para comissionar. É não investir na criação de empregos para neocolonizar.
O Vodka ouviu a conversa e comenta para o Almirante:
- No Jornal dos Anúncios são cerca de vinte os que anunciam a venda e montagem de parabólicas.
- Estamos parabólicos.
- Desculpe interromper, qual é o nome desta rua? – Perguntou um bebedor ao Hepatite.
- Rua dos Apóstolos da bebida.
O bebedor agradeceu e zombou:
- Olhe, moro na rua dos mártires, próxima da rua da fome, antes da rua dos desempregados. Lembrei-me do nome desta rua: é rua dos frustrados e dos parvalhões.
Estamos em Novembro. O vento empurra as árvores com violência. Está desesperado, oprimido, como se a natureza estivesse amarrada, quisesse libertar-se de promessas que não foram, nem nunca serão cumpridas.

O Presidente recorda:
- Trabalharam noite e dia. Não descansaram. Trabalharam arduamente para conseguirmos os resultados que hoje são a glória deste Congresso, são a glória do MPLA-Partido do Trabalho, são a glória do Povo angolano. In Agostinho Neto. 14 De Junho de 1977. Discurso na abertura da reunião do
Comité de libertação da OUA realizada em Luanda.

Duas jovens abrem a porta de um carro. Ao saírem despertam as atenções porque mostram intencionalmente as suas partes íntimas da cumplicidade das suas minissaias. Cheias de lascívia abraçam-se, beijam-se e acariciam-se de modo provocativo. O Vodka não perde a oportunidade. Apreensivo, mas sem tirar o copo dos lábios diz para o Almirante:
- Parece que não se aperceberam que por causa da SIDA, vamos virar homossexuais. Incentivar o lesbianismo e a promiscuidade.
- Uma revolução sexual!
- Correcto.
O Almirante guardou a boa reputação do tempo passado nas academias militares soviéticas. Beber, beber e… beber. Os soviéticos bebiam e bebem por causa do frio, nós bebemos por causa do calor. Despejou mais no seu copo, e bebeu mais. Desabafou para o ar:
- Ah! Como adoro esta tropicalidade. Esta trincheira firme dos pagãos em África. Culpo a Rádio Ecclésia por isso. Se fosse escutada em todo o país, diminuiria a SIDA, a miséria e outros males. Aumentaria a moral e os valores da família. Porque a falta de informação conduz os caminhos dos famintos. Também é, a informação, responsável pelo extermínio de populações através da fome.
- Almirante manda-me descansar!
- Podes descansar!

Os copos levam-nos a situações das quais não medimos as consequências. Sentimo-nos donos do mundo, do universo. Extravasamos tudo o que sentimos. Aproveitamos para devassar a nossa intimidade, convencidos que os outros nos prestam atenção, quando na realidade tem situações muito mais graves que as nossas, e no entanto guardam silêncio. E nós insistimos. Nesta desordem de ideias o Almirante insiste:
- Acreditei no amor puro e sincero da minha esposa. Com ela tive três filhos e três filhas. Os filhos são uma cambada de bêbados, as filhas não. Quanto mais estudava mais ela me incomodava. Era muito imprudente, pois contava a toda a gente o que se passava em casa. Durante muitos anos tentei ser o mais conciliador possível, mas não resultou. Ela tornou-se uma fanática de uma igreja. Vi que eram coisas do Cristianismo, a que só Deus sabe responder. E eu não sou Deus. Descobri finalmente que são utopias pregadas pelo Cristianismo, como tudo o resto. Essas utopias e coisas de desejos irrealizáveis. Então mudei de esposa, uma mestiça muito culta. Sinto-me feliz.
O Branco segue o mesmo sentimento:
- Também tenho esses problemas. Felizmente tenho uma filha, a Dora, que é a minha única esperança. No fundo sinto-me quase como Van Gogh e o seu irmão, o Theo.
- Van Gogh tinha compromissos com Deus que demonstrava nas suas pinturas. Creio que é a tua aspiração. Admirar Van Gogh, é admirar Deus. E, assim podemos dizer, a sua reencarnação. É pá, evitem de falar de grandes personagens históricas, assim como se bebe uma cerveja. Leiam, leiam e estudem muito. Esse é o caminho da salvação das nossas almas. Quanto mais soubermos, quanto mais aprendermos, mais nos aproximamos do Criador. Isso parece fácil mas não é. Falar do Criador, de Deus, é a coisa mais complexa que existe na nossa vida. Não utilizemos o seu nome em vão.

Todos estavam contentes porque se sentiam livres. Era a liberdade de viver a beber.

O Presidente clama:
- Uma das consequências da falta de liberdade é o subdesenvolvimento económico, científico, técnico e cultural. Os países explorados tornaram-se economicamente débeis e em muitos casos, lançados numa situação caótica que os obriga a retomar ou a continuar a sua dependência dos outros países mais desenvolvidos. Libertar é transformar pela violência uma ordem social estabelecida por minorias. E por isso mesmo libertar uma sociedade, é fazer a revolução. É preciso libertar o Homem não só do esclavagismo colonial, mas ainda de qualquer forma de dominação social no interior de cada país. Nenhuma classe deve poder explorar outra. In Agostinho Neto. 20 De Janeiro de 1978. Discurso na Universidade de Ibadan, Nigéria.

De repente o Almirante ficou agitado, e faz uma grande revelação:
- Agora vou revelar-lhes um segredo: quem ler isto, é um texto que reuni do Génesis da Bíblia, verá grandes catástrofes acontecerem em todo o mundo. Por isso evitem de o ler. É um Segredo Divino que lido nessa ordem, assim como está, nos trará muitas desgraças. É a origem de todos os nossos males. NÃO O LEIAM POR FAVOR!
E disse o Senhor: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.
E feriram de cegueira os varões que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta.
Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem engrossado, diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destrui-lo.
E ao amanhecer, os anjos apertaram com Loth, dizendo: Levanta-te, toma a tua mulher, e as tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade.
Então o Senhor fez chover enxofre e fogo do Senhor, desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra.
E derribou aquelas cidades, e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

SOS. Há 25 dias, banco millennium Angola faz crime. ATENÇÃO UNICEF! A um metro vivem e brincam crianças. PAREM COM ESTE HORROR!



UNICEF! MUITO URGENTE! A um metro vivem e brincam crianças. Parem com este horroroso crime. As crianças vão morrer porque os seus pequeninos pulmões não suportam o veneno que 24/24 horas respiram. Isto não é mais um crime contra a humanidade?

Será suficiente uma indemnização de um milhão de dólares?
TERROR no banco millennium Angola
Este banco abriu uma agência na rua rei Katyavala, frente à ANGOP, espoliou o terreno, instalou super gerador nas traseiras do prédio e deixa-o ligado mesmo com a energia eléctrica da rede, o barulho é demais, e o fumo tóxico é mortal, 24/24 horas como convém à morte. Onde estão as milícias com as suas barras de ferro e acabarem com a manifestação arruaceira deste banco? A nossa fonte garante-nos que para dormir têm que fechar as janelas, senão acorda-se morto.

Na imagem, em primeiro plano a chaminé do gerador. E ao fundo um mercenário português ao serviço do banco millennium Angola fotografa moradores para mais espoliação, tipo cárcere privado?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O CAVALEIRO DO REINO PETROLÍFERO (03)


Reino Jingola, algures no Golfo da Guiné.
Fazemos tudo por tudo para mantermos as nossas populações, o nosso povo, sempre infelizes. E têm motivos para isso. Finalmente, crianças e adultos nas ruas procuram comida, como cães vadios, abandonados. Isto não se chama Pátria. É uma coisa ignóbil que inventaram, para nos continuarem a escravizar, neocolonizar… desde a independência.
Com os mesmos revolucionários no poder quase há cinquenta anos, nada de bom nos espera. E com uma imensidão de ministros, vice-ministros, vice-governadores etc, etc, só aqui existe um esbanjamento de dinheiro que afunda a poupança. Isso de austeridade, de sacrifícios é só para os Jingola, para os Politburo não.
Enfiando doses cavalares de futebol e jornais desportivos, os portugueses retornam à antiga alienação da população angolana. Enquanto a Igreja Paulista retoma, reforça o seu hino… impõem uma cópia da população portuguesa, outro Portugal.
Já aprontou a linha de montagem, agora o reino Jingola está apto para o fabrico em série de Somálias, Darfures, Zimbabués, Guinés-Bissaus, Madagáscares, etc.
Os mosqueteiros na grande cavalariça aguardam que o mensageiro chegue com reforços. Os republicanos vão avançando, entrevistam um aldeão:
- Saíram daqui à força?
- Sim.
- Vão para onde?
- Não sabemos. Tiraram-nos tudo. A terra, o que plantámos, os nossos cavalos. Estamos na miséria… nem debaixo das árvores podemos dormir porque as arrancaram para construírem os condomínios deles.
- O rei sabe disso?
- Sabe. São os mosqueteiros dele que fazem isso. Não deixam ninguém passar.
Os mosqueteiros decidem enviar outro mensageiro. Quando atravessa o Morro da Maianga a população mostra-se muito apreensiva.
- Outro?! Desta vez a coisa é mesmo grave.
- Devem ter roubado muito.
- É melhor prepararmo-nos para fugir.
- Para onde? Eles estão em todo o lado.
- Vamos pedir ajuda aos republicanos.
- Isso não, morreremos todos.
- Se passar outro mensageiro, é porque vem aí outra grande guerra.
O outro mensageiro entra no Palácio, exactamente como o anterior.
- Mensagem para o rei!
O chefe da guarda coça a cabeça. Olha para o céu sem estrelas.
- Vou pedir a demissão ao rei. Deixo o meu lugar a um maluco qualquer.
Olha para o novo mensageiro. Não sabe o que fazer, exclama:
- Porra! Não sabia que os republicanos são todos malucos.
De repente o seu cérebro pela primeira vês na vida começa a trabalhar. Chama um guarda.
- Tu aí! Vai às cavalariças reais e traz o mosqueteiro de serviço.
O mosqueteiro de serviço chega, conduzem-no à masmorra. Olha para o preso, admira-se, desconfia-se.
- Mas, é o quê… tá a fazer quê?!
- Trago uma mensagem para o rei, mas prenderam-me.
- Traição! Traição!
O chefe da guarda entra aflito.
- Quem é o traidor?.. prendo-os todos!
Interroga o prisioneiro.
- Não sabes que o rei está fora? Como é que trazes uma mensagem para o rei, se ele não está aqui?
- Chefe! Só me ensinaram a dizer assim: mensagem para o rei. Se ele está ou não, nada tenho a ver com isso. Temos que enviar reforços para as novas cavalariças… os republicanos estão lá.
- E só agora é que me dizes isso?!
O preso silenciou-se, pensou para si.
– É… é só parvalhões, não admira que o rei se eternize no poder.
O chefe da guarda, zombeteiro, rodeador, olhando com desprezo constante o semelhante, enchendo-se de ares que é a personagem mais importante do reino, ordena glacial:
- Enviem um batedor pelas ruas, quero dizer, um arauto a proclamar que a guarda do rei vai passar. Quem nelas for vadiado, pela espada será passado.
- Não é preciso, eles já sabem. – Galhofou um guarda.
O arauto adiantou-se, já prossegue no Morro da Maianga. Grita a plenos pulmões.
- Fora da rua! Fora da rua! Comboio real vai passar!
Disfarçados, meio-escondidos no que resta das suas casas por falta de créditos bancários para manutenção e aquisição, ninguém ousa pôr a cabeça de fora. A guarda do rei é famosa, porque por onde passa deixa estragos. Ouve-se o estrondo de muitas ferraduras de cavalos. Tudo treme. As crianças aterrorizadas berram. Seguem-se os comentários da população economicamente desactiva.
- Parece um tremor de terra a lembrar o coche das maratonas, das passeatas nas ruas.
- Vai haver muitos mortos.
- Devíamos revoltar-nos.
- Não dá. Estamos a morrer à fome e quando apanhamos alguma coisa para comer, faltam-nos as forças. Os dentes esvaem-se.
- Vai ser uma grande chacina.
- Lá se vão mais vidas de jornalistas e políticos da oposição.
- Vejam se falta alguém em casa.
- Ainda não mataram ninguém?
- Não! Hoje somos sortudos!
- Vou mas é mudar de rua. Belita!.. arruma a nossa miséria, vamos para casa da mamã.
- Meu bebé ficámos outra vez sem loiça. O barulho que fazem quando passam, parte-se tudo.
- Deviam construir uma rua só para eles.
Normalmente nestas andanças sofredoras há sempre um número exagerado de humanos frustrados que disputam o dia-a-dia alcoólico. Ao longe ouve-se a voz de um deles, talvez um verdadeiro soldado desconhecido.
- Deixem passar… acabar… os mosquitos do rei.
O chefe ouve, e claro não pode deixar tal agravo consentido e pergunta aos guardas:
- Quem é que nos chamou de mosquitos?
- Deve ser um estrangeiro, chefe.
Nas futuras cavalariças reais, o paladino Divad sempre com as mãos livres, prossegue com êxito a sua actividade. Prometeu que embargaria a construção, sem providência cautelar, devido ao cheiro cavalar. Precisa, que isso desambientará, afugentará o raro oxigénio existente, no que já não merece chamar-se meio ambiente. Alguém corre e interrompe a prelecção da arte, da voluntária jurisdição.
- Paladino Divad, vem aí um poderoso exército. Acho que toda a guarda do reino uniu forças!
Os olhares confirmam. Um pelotão e tal com alabardeiros, besteiros, espingardeiros, e alguns da guarda secreta sinfónica cercam os republicanos. Sem ordens nasce a desordem do soldado. No reino, soldado da guarda é general.
- Atenção formar! Preparar! Ao ataque!!!
O chefe adjunto da guarda, para evitar corte marcial pede reconfirmação.
- Damos cabo deles todos?
- Não! Prendam-nos!
- Chefe não se esqueça, quando saímos é para matar. Os homens frustram-se, depois à noite embebedam-se, e nascem arruaças.
- Ok! Grande surra neles, mas não matem ninguém… por enquanto.
Devido à intervenção do adjunto a ordem final distorceu-se. O chefe recoloca o comboio no lugar.
- Em nome do rei! Ao ataque, e em força meus bravos!!!
Foi uma memorável sessão parlamentar de pancadaria. Até deu para alguns praticantes de artes marciais experimentarem alguns golpes. O chefe executa um escape.
- Parem com essa merda porra!!! Prendam-nos e depois aterrem-nos nas masmorras. Tragam-me o Divad.
O preso é imediatamente presente conforme ordenado.
- Ó paladino Divad das mãos livres. Desta escapas, da próxima ficas com as mãos presas.
- É só isso que fazem. Apenas queremos a república no reino. Acabar com a miséria das populações.
- Belas palavras, disso não passam. Maldito conspirador republicano. Se não fosse o rei, acabaria com as tuas mãos livres. Guardas, ponham-no no seu lugar!
- Chefe, está aqui um da rádio dos republicanos. Não lhe cocei porque acredito no Evangelho. Posso chamar um colega das Testemunhas de Jeová. Gostam-se muito…
… Não. Levem-no com os outros. Não quero problemas com o Cardeal. Ele e a rainha são muito amigos.
Quando a princesa auscultou finalmente a prisão de muitos republicanos, correu com o coração na mão para a rainha.
- Minha mãe… suplico-te. Ajuda-me a tirar esses homens da prisão. Porquê, só os que lutam pela liberdade são presos, e os ditadores não!?
- Se o teu pai sabe que simpatizas com os republicanos, rua-nos do palácio. E como é… como vai ser… quem os tira das masmorras?
A princesa enche-se de ar malicioso, circunflui-se, especa e disparata vitoriosa. 
- O Epok!