Vai para três meses que Luanda está sem energia elétrica. Entretanto, há quarenta e dois anos os que governam por direito de sucessão apostam na diversificação da economia… sem energia eléctrica. E o fumo do gerador do banco millennium-atlântico na rua rei Katyavala mata-nos. Em Luanda, matar é facturar.

domingo, 6 de setembro de 2015

As crianças não são filhos deste universo



DESIDERATO, de Gil Gonçalves

É necessário e urgente um TPI para o genocídio de crianças

As crianças não são filhos deste universo, e como tal não têm o direito de o habitar
São muito úteis para tiro ao alvo dos ditadores e de muitos outros predadores
Neste mundo tão impuro, criança não tem futuro
E os pedófilos! a maravilha humana da mente insana
Crianças são criadas para morrerem afogadas
Quem criança permite matar tem urgentemente que se julgar
Vai o barco a naufragar e os meninos a se afogar
Para que os homens muito maus possam facturar
Não vais mais correr, saltar, e com os teus amigos nunca mais vais brincar
os abraçar
Ficarão as tuas sonoras gargalhadas com que amiúde nos alegravas
Não, não, este mundo não foi concebido para crianças, foi criado para as suas matanças
E quantas mais crianças matarem, vê-se o brilho nos olhos dos perversos a festejarem

Criança afogada na areia
Parece uma sereia
Parece dormir, sonhar
Numa canção de embalar

Adeus meu amigo
Estarei sempre contigo
Leva o meu abraço
Do quente do meu regaço

Meu menino que fugiste dos homens maus
Pouco depois de nascer
E noutros procuraste te acolher
Te refugiar
Afinal acabaste por morrer
Porque eles odeiam crianças
Odeiam as esperanças
Das crianças
As crianças já não são futuro
São para desprezar
Para afogar, para assassinar!

Os teus dois cães e o teu gato esperam-te para com eles brincares
Mas como se não vais mais lá estares

O biberão com o teu leite
Está na cozinha para quando acordares
Está quentinho para quando te levantares
Mas não, porque para lá já não irás mais caminhar

Vive-se feliz nos castelos fortificados
Fora deles os meninos morrem afogados

As ondas do mar são a tua derradeira companhia
Nelas jaz para sempre a tua poesia

Imagem G1 - Globo.com