sexta-feira, 15 de junho de 2012

Dúvida: o que é mais pesado, um quilo de algodão ou um quilo de chumbo?



Se o conhecimento traz problemas, não é a ignorância que os resolve. Isaac Asimov (1920-1992)
Se a energia eléctrica já berrou definitivamente, como é que as aberrações prometem apoio às pequenas e médias empresas? E ninguém reage?
Eis o nosso PIB/A, Produto Interno Bruto dos Apagões, onde há homens de projectos falhados e que só nos arranjam problemas.
E eles tão felizes/ nos castelos e palácios deles/ com luz e água só deles/ não vamos correr com eles?. Até as sobras nos confiscaram/ nada nos resta neste inferno/ a não ser as noites escuras/ nos casebres deste glacial inverno/ E eles tão engravatados, tão ridículos/ tão imorais, tão corruptos/ têm um império espoliado/ e nele treinam os dissolutos/o séquito de príncipes e princesas/ espojam-se na democrática palhaçada/ e será sempre assim/ no momento da debandada. A justiça será feita/ ao atiçador do ódio, pardieiro/ do coreano do norte/ não haverá ilusão, João Ribeirão. Têm muitos bancos e casinos/ para a lavagem do dinheiro/ e neles está sempre presente/ eles, sempre eles, primeiro. Esfomeados, o nosso orgulho/ nesta Angola que libertámos/ transformámos em esterco humano/ navio negreiro que afundámos. Compaixão nesta podridão?/ quantos mais morrerem melhor/ é a nova vida/ estão à espera do pior?. Votem no partido sem coração/ no minoritário da morte certa/ na miséria que nos fornece/ sem futuro e Síria incerta.
Estamos em prisão domiciliar/ com os cães sempre a farejar.
Já comprei um gerador/ bem poluído estou/ estou na nova vida/ que o minoritário me usurpou. Sem água e sem luz/ e o PIB sempre a subir/ a nossa vida vai piorar/ o que há mais para destruir? Dos biliões do petróleo se alimentam/ corruptos, novos-ricos arrogantes/ grupo de vendedores de Angola/ às matilhas de estrangeiros meliantes. Um reino de vigaristas cresceu/ milhões de famintos assaltam-nos/ ninguém lhes está imune/ armados, disparam, matam-nos. Sempre obcecados pelo Poder/ que fraudulento abateram/ a democracia não é poder/ porque Angola já a venderam.
Mas eles estão sempre a passar, a interromper, a engarrafar o trânsito, muito apressados com escolta e sirenes que se ouvem por toda a cidade. Sempre muito atarefados. Será que vão resolver os problemas da água e da luz ou os das suas empresas, uma vez que são todos empresários?
O partido minoritário, está como, não, consegue ser pior que um enxame de moscas. É que nos incomoda dia e noite, e por mais que se enxotem, as moscas do minoritário são chatas, sempre a perseguirem as pessoas. DEIXEM-NOS EM PAZ!!!
Os corruptos são como os coelhos, multiplicam-se vertiginosamente.
Votar é um dever revolucionário.
Eu não sei responder, só sei é perguntar.
E por isso mesmo, esta ditadura acabará como as outras? Esta ditadura é diferente das outras?
O álcool complica os problemas, e o leite ameniza-os.
Um Poder que se apoia em geradores eléctricos é um efémero Poder.
Quem lutar contra milhões de esfomeados facilmente ganhará a batalha, pois os esfomeados, tuberculosos pelo Poder não têm forças para lutarem. Por isso, contra milhões de esfomeados ninguém combate, eles já estão vencidos.
Confesso que costumo ficar muito apreensivo quando amiudadas vezes oiço os vários intervenientes da nossa política, presidentes de partidos políticos da oposição e outras vozes, que se acomodam como mãos atadas e até resignadas no célebre capítulo da “maldição do petróleo”, referirem-se ao apoio do silêncio dos vários países da comunidade internacional sobre a trágica situação de Angola. Raptos, torturas, desaparecimentos, tudo isto por motivos políticos, numa escalada que pretende fazer de Angola outra Síria. Países como China, Rússia, Brasil, Portugal, que se podem eleger como países da linha da frente no apoio incondicional ao “extermínio” do povo angolano. Então que fazer? Penso que a resposta é muito simples: basta tocar nos interesses desses países e de imediato eles mudam de posição. Não foi assim que se fez na gloriosa luta de libertação nacional?
Mas também é muito bem verdade que viver com o mwangolé está difícil, muito difícil, bwerererere difícil. Então agora inventaram uma moda que não sei como acabará. Com o desabamento dos prédios, claro está mais que evidente. Pois, todos os dias partem paredes, erguem outras, voltam a parti-las e erguê-las. Substituem os mosaicos do chão, as portas da entrada principal da casa, etc, etc. Por exemplo, tenho um vizinho que já mudou os mosaicos do chão e os azulejos das paredes não sei quantas vezes. Outro, em um ano, duas vezes. Outro, andou uma semana a fazer furos no apartamento dele, aquilo deve estar bem furado, mas ninguém sabe para quê, nem eu. Viram-no com um rolo de cabo eléctrico, e os furos são para as abraçadeiras para sustentar o cabo? Mais um incêndio eléctrico à vista? Bom, só nos faltava mais esta. E os estrangeiros têm ou não têm algumas razões para fugirem dos mwangolés? Assim não, estamos numa selva daquelas. Nem os valores sociais mínimos se aproveitam. Definitivamente, apenas temos algumas parecenças com pessoas? Eis o descalabro, o nosso melhor amigo?
A desgraça de uma nação vê-se na venda de geradores. A nossa melhoria de vida acentua-se mercê dos intensos esforços que o nosso partido que nos orienta faz quase quarenta anos, o nosso pai e a nossa mãe, continuam a oferecer-nos a catadupa habitual dos apagões. Assim, iniciamos mais um mês, Junho, da miséria que segue, se avoluma.
Viva o poder popular!
Hoje, 08 de Junho, venderam-se muitos geradores. Isto está a ficar muito complicado, neste Poder arruinado. A campanha eleitoral do minoritário atingiu o auge. Nota-se claramente nos escuros apagões. É uma campanha muito original, mas que poder de destruição.
Agora, também fazem lavagem do dinheiro do petróleo a partirem as paredes, etc., nos apartamentos dos prédios que ainda restam de pé. Que com tanto partir estão a desabar. Põem tudo bonito por dentro e por baixo, no vizinho, os tectos e as paredes exteriores estão a cair. Para fazerem obras carecem de autorização, mas qual quê, isto é deles, é para reduzir a pó. Nunca vi tamanha idiotice. E não vale a pena lhes chamar a atenção que o prédio está a desabar, não querem saber, vão chamar as milícias. Nunca pensei assistir a tamanho analfabetismo. Esquecia-me: faltam os geradores nas varandas que rapidamente farão o desabamento precoce dos prédios.
O que existe é a preocupação com os depósitos dos dinheiros do petróleo. Povo não existe, está depositado nos cemitérios.
Qual é a utilidade de um Governo que não consegue abastecer-nos de água e luz?
Com o minoritário, a luz de vela é certa.
Estou muito convicto de que o minoritário deseja ver-nos nas ruas a vendermos bugigangas. Sem energia eléctrica, a miséria é certa.
Foi mais um dia excepcional para a venda de geradores. Um bom negócio. E é mais uma vitória do povo angolano. Graças ao minoritário e aos seus geradores, Luanda está contaminada, intoxicada, moribunda devido à fábrica de fumo tóxico que finalmente desabou sobre a cidade. No cumprimento de ordens superiores gazear a população é o fundamento partidário. Uma mais-valia.
Tentar fazer da mediocridade uma obra-prima é o apanágio dos medíocres que se abastecem nos cofres dos regimes corruptos.
Estamos na imposição da mais sombria miséria, reduzidos à condição humana mais degradante: a escravatura. De facto, a manter-se o clima de total desprezo pelas nossas vidas, nada de bom se espera. Tudo tem limites, e quando se vive no desespero permanente, basta uma faísca e vem a explosão subsequente. Viver a respirar o fumo mortal da venda anárquica dos geradores, é morrer. Não somos população, mas milhões de mártires esmagados pelo chumbo de uma ditadura que abandona a população como clandestinos num navio atirados borda fora. Abandonar a população à sua sorte é governar? E a fórmula de bem governar está encontrada: tudo para alguns e nada para nenhuns.
Precisam-se de incompetentes para dirigir um país. Ele já tem incompetentes comprovados, é apenas para reforço. Espoliam-nos a luz e a água e ainda nos ameaçam.





quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Cavaleiro do Reino Petrolífero (18)



«O país pobre tem reservas limitadas. O Brasil tem reservas da ordem de 30 bilhões de dólares, a Argentina algo como 10 bilhões. Para comparar, um especulador médio como Edward Jones maneja, segundo o Business Week, 255 bilhões de dólares, a Merril Lynch algo como um trilhão de dólares. Mohamed el Erian, que tanto contribuiu para quebrar a Argentina, algo como 180 bilhões. Joseph Stiglitz, premio Nobel de economia de 2001, explica o processo de forma meridiana, usando o exemplo concreto de uma operação na Tailândia. Um especulador de Wall Street pede um empréstimo de um bilhão de dólares aos bancos tailandeses, em moeda local. Como se trata de um grande investidor internacional, os bancos locais ficam encantados. Com este bilhão, o especulador sai comprando dólares no mercado local. Vendo o dólar sumir do mercado, outros banqueiros e especuladores locais também passam a comprar dólares, cuja cotação sobe vertiginosamente. Depois de um tempo, o especulador revende parte dos dólares para pagar o empréstimo local, e sai com um lucro líquido de 400 milhões de dólares para cada bilhão empatado. Não produziu nada, não precisou movimentar um centavo seu, e como o controle do movimento de capitais é pecado mortal na doutrina dos que Stiglitz chama apropriadamente de “fundamentalistas do mercado”, o dinheiro sai do país. O especulador não precisou sair de Manhattan. A poupança de um país é transferida para outro. Isto se chama “globalização”.» In Altos juros e descapitalização da economia. Ladislau Dowbor http://www.dowbor.org/

- Muito obrigado queridos republicanos. Isto é uma ditadura. O imperador é o culpado disto tudo. Para a semana vamos fazer uma manifestação na embaixada dos EUA. Vamos perguntar pelas contas do líquido negro.
Os esfomeados e as esfomeadas, elas mesmo assim sempre muito belas, parece que a fome as faz ficar mais bonitas, de tal modo que fazem inveja à mais famélica modelo nas passarelas da moda. Aproveitaram mais uma vez e carregaram as piranhas. Ainda a luz da manhã não tinha sido convidada, e já se ouviam os pregões nas ruas.
- Comprem, comprem! É peixe do rei, faço bem barato!
As piranhas vendidas a baixo preço depressa desapareceram. Graças à piscicultura real os esfomeados nesse dia não passaram fome. Uma zungueira reconhece saracoteando o rabo.
- Vivam as ajudas humanitárias do reino da ONU!
Ao raiar do dia na torre de menagem, Epok com potentes binóculos pretende observar o que resta do corpo de La Padep. Vê a corda que flutua ao sabor do vento. Comenta para quem quiser ouvir:
- Porra! Estas piranhas são demais, nem a corda escapa.
Aponta os binóculos na direcção da água, na esperança de ver algum osso a flutuar, mas o fosso está seco.
- Filhos da puta de guardas. GUARDAS!!!!!
- Sim chefe, favoreça!
- Baixa a ponte levadiça!
- Atenção, ordens do chefe Epok, atirar as tábuas para baixo!
- Não foi isso que eu disse caralho!
- Chefe… é a nossa palavra-chave.
Depois de passar a ponte levadiça e antes de chegar ao fosso, um guarda junto da Grande Muralha alarma. Epok aproxima-se, interroga-o:
- Quem roubou as piranhas?
- Ninguém sabe, ou não quer responder.
Epok olha para baixo. Vê um grande buraco cavado por baixo do Grande Muro. Agora já sabe como os géneros e as piranhas desapareceram. Junto ao túnel estava um papel pendurado com uma espinha de peixe que dizia: OS PESCADORES DO ROBIN ALAMEDA SQUAD. Epok previne o chefe da guarda:
- Ponham guardas de metro a metro.
- Já fizemos isso.
- Ponham arame electrificado.
- Quase há cinquenta anos que a luz está sempre a falhar.
- Temos os geradores.
- Roubam as baterias e o combustível.
- Se isto acontece na Grande Muralha do Grande Palácio Castelo-forte, não quero imaginar como será no reino e vice-reinos.

Capítulo XIV
O Real Santo Ofício

«Esta aliança de interesses empresariais moderados com uma estrutura mafiosa de poder está na base do fato de sermos hoje o país com a distribuição de renda mais injusta do planeta, de não conseguirmos alimentar o povo numa terra tão bem dotada de recursos naturais, de sermos balançados pelos esquemas de especulação financeira como qualquer república de banana. A verdade é que a estrutura mafiosa de poder, e a corrupção sistêmica que a sustenta, tornam inviável qualquer esforço de reforma do Estado, de modernização institucional, de evolução para uma sociedade civilizada.
In O mosaico partido.» Ladislau Dowbor http://www.dowbor.org/

Entretanto, a anunciada manifestação dos estudantes republicanos, que apenas pediam os passes de acesso aos transportes reais, apesar destes estarem autorizados há seis meses – sempre os seis meses – proibiu-se. Parece que ninguém se lembra, ou é cego, que existe espalhado por todos os cantos do reino o seguinte: 
NÃO SÃO PERMITIDAS MANIFESTAÇÕES NO REINO!
Mesmo assim os jovens republicanos não desistem. Animados do mais profundo ideal, com o sangue a escorrer e a ferver nas artérias juvenis do corpo ávido de patriotismo, marcharam contra os diabocratas. O Real Santo Oficio aguardava-os, prevenido pelo zeloso alcaide-mor, vice-rei do condado Jingola.
A guarda pretoriana conduzida em quadrigas puxadas por quatro cavalos brancos simbolizando a vitória real, investiram contra o que lhes tinham dito, que eram milhares de jovens leões esfaimados. Pescaram vinte. Treze leões e sete jovens leoas que parecendo peixes atiraram-nos a esmo para debaixo dos pés dos condutores. Conduzidos à presença do grande inquisidor, antes passaram por um túnel que lembrava as noites muito escuras das ditaduras. Ratos e morcegos circulavam felizes na liberdade oferecida a baratas e restos de lixo. Ouviam-se gemidos que qualquer coração não suporta. Pararam junto a um altar de sacrifícios. O grande inquisidor oferece aos olhares a tranquilidade das suas vestes brancas, que acompanha com uma cruz papal. Levanta-a e começa o interrogatório:
- Acaso procurais o Santo Graal?
Uma jovem pensa que foi transportada para o local errado, devaneia:
- Se procuramos o santo hospital?! Porra! Este gajo está drogado. Ai meu Deus!.. viemos parar num hospital de loucos!
- Silencia-te herege!
Outra jovem reclama das condições.
- Isto não é lugar para uma donzela. Devem interrogar os patrões que criam falsos empregos. Porque trabalhamos e há vários meses que não nos pagam. Isso sim! Seria um trabalho sério. Ah!.. deixem-nos em paz.
Ele lançou um olhar insinuante para a pretensa donzela. Viu a profundidade das pernas abertas na curta saia que ela sem notar (!) deixava ver o início da claridade do prazer eterno. Devia ter quinze anos. Notou que as restantes ofereciam o mesmo quadro que só a mãe Natureza sabe criar. Perguntou para todos:
- Acreditam em Deus ou no rei?
Ao que todos responderam.
- Em Deus!!!
- Estamos mal. Bom, vamos fazer assim. Donzelas para a esquerda, os outros para a direita. Vão ser levados para o braço secular.
Uma voz feminina descontente ouve-se:
- Desculpe, mas não abraço desconhecidos.
- Vão levar tais torturas que jamais ousarão desafiar o rei. Guardas! Levem-nos para o santo lugar.
O grande inquisidor escolheu para o inspirar, um que tinha sido seu antecessor. O seguidor dos prazeres da carne na fogueira que antes experimentara desnudadas aventuras nos corpos indefesos entregues ao sabor de um Deus inexistente. Suplício delicioso num pensar demente. O padroeiro Santo Torquemada do nosso Real Santo Oficio. O grande inquisidor deu ordens para prepararem sete leitos. Um noviço baralha-se:
- Sete? E o que fazemos dos outros?
- Sei lá. Também não te interessa. Nunca ouviste falar da lenda das sete magníficas? E o maldito chefe dos Templários que foi queimado num dia treze?
- Não.
- Essa lenda diz, que por causa delas o mundo nunca terá paz. Noviço quem faz os filhos?
- São os homens.
- Pobre espírito corrompido. Quem faz os filhos são elas. É por isso que não as queremos na Igreja. No dia em que isso acontecer será o nosso fim. Elas quando produzem dois filhos, um é sempre pior que o demónio. Entendes agora porque não as queremos na Igreja?
- Sim, mestre Torquemada.
- Os treze levai para a grande tortura divina. Vai para lá e aguarda até que trate da purificação destas virgens. Duvido muito disso, acho que há muito alguém tratou da sua desflorestação. Desde quando existem florestas virgens hoje em dia? Vai rachando os ossos a esses republicanos.
Sete noviças preparam-se para o martírio das jovens. Ordenam-lhes:
- Dispam-se!
- O quê?! Não me dispo na presença de homens!

Imagem: A pobreza é algo triste, muito triste que não ocorre somente em nosso país, ...
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terça-feira, 12 de junho de 2012

O Cavaleiro do Reino Petrolífero (17). Reino Jingola, algures no Golfo da Guiné



«É importante lembrar aqui que não se trata propriamente de pobreza, de escassez de recursos. O mundo produz atualmente 30 trilhões de dólares de bens e serviços por ano, o que significa, para 6 bilhões de habitantes, uma renda per capita da ordem de 5 mil dólares. Para uma família de quatro membros, isto significa 20 mil dólares por ano, 1.700 dólares por mês. Em outros termos, o que o planeta produz é amplamente suficiente para assegurar a todos uma vida digna e confortável. O nosso problema não é de crescimento econômico, é de distribuição, e da organização social correspondente. O lema de um recente congresso de economistas ilustrava bem esta questão: “Crescer por crescer, é o princípio de uma célula cancerosa”.»
In parcerias e alianças: o bom senso na gestão social
Ladislau Dowbor. http://www.dowbor.org/

- Está bem, podes comprar, também é só para ir a uma festa.
- Uma festa?! Vais com quem?!
- Sozinho.
- Hum! Não acredito. Com tantas mulheres que te perseguem.
- É a verdade.
- Lá vou!
La Padep entrou com facilidade no Palácio Castelo-forte. Seguiu os vasos de flores que a princesa lhe indicara na mensagem escrita. O último estava junto a uma porta. Bateu cinco vezes conforme indicado. Antes desta se abrir nota que alguém conhecido surge com passo apressado. É Epok que pára desconfiado como um SS. La Padep simula que está a arrumar a espada e avança em frente. Epok levanta os ombros à não te rales e segue o seu caminho. La Padep olha em todas as direcções. Ninguém à vista.
Novamente bate cinco vezes à porta. A beleza virgem da jovem princesa abre o coração da porta. La Padep entra com a velocidade de quem acaba de efectuar um acto pecaminoso. Apertam-se com força. Desejam que os corpos se derretam nos fluidos do amor. Ele aproveita e simula arrancar-lhe os mamilos. Ela lamenta-se:
- Não fundas as lâmpadas dos meus faróis.
Põe-lhe a mão no ventre húmido e escaldante, ela suplica-lhe: 
- Ai! Não estragues as pétalas da minha rosa.
Quando se ama verdadeiramente, o desejo sexual é incontrolável. Ele atira-a para a cama. Prepara-se para profanar a real virgindade. Ela não vai na conversa:
- Tira a banana do prato.
- Do prato? Da bandeja!
- Não fica bem uma jovem princesa grávida.
- Dizem que assim ficam muito bonitas.
- Não! Não! Dá cá o pepino.
Delicadamente com as mãos retira o vegetal das suas profundidades. Masturba-o carinhosamente. Ele geme.
- Ai! Kituta, Kitutinha!
- Que engraçado! És tu, a única pessoa que se lembra do meu nome.
Aumentou o ritmo do êmbolo humano. O motor acelerado ao máximo gemia descontrolado.
Na vigilância habitual, Pinturas ouve um som distante. Encosta o ouvido à porta. Sabe que as jovens gritam por qualquer coisa. Considera normal, mesmo assim previne Epok.
- Não sei o que se passa com a vizinha do lado.
- Qual vizinha?
- Essa aí…
- A princesa?
- Sim, essa mesma.
- Pinturas de macaca, fala de uma vez.
- Ela está a gemer, será que está com paludismo?
- Ou está a ver um filme pornográfico, ou a masturbar-se.
Ouve-se um gemido muito intenso. Daqueles cheios de prazer. O pepino de La Padep explodiu. Epok e Pinturas batem à porta da princesa. Apenas o silêncio responde. Epok com brutalidade atira-se contra a porta e esta salta.
- Princesa… está bem?
- Sim nobre Epok.
- Ouvimos um gemido.
- Estava a dormir. Acordei com um pesadelo.
Por mais que tentemos disfarçar, existe sempre um pormenor que nos escapa. As mulheres são nisso muito hábeis. Pinturas viu que a parte superior do micro-biquíni da princesa estava molhada, manchada. Como mulher já tinha passado por esses melindres. Voltou-se de frente para Epok, piscou-lhe um olho, depois piscou os dois para debaixo da cama. Epok tira a espada e mergulha-a na direcção indicada. La Padep faz o seu corpo rolar. Salta e põe-se de pé. Pega na sua espada. Apara o golpe fatal que Epok lhe assesta. A sua espada desfaz-se em pedaços. Sente-se arrependido por a ter comprado no mercado Roque Santeiro, quando no reino existem, ou existiam bons aços da F. Ramada. Está tudo como o poder… tudo falsificado. A guarda pretoriana chega. Epok ordena-lhes:
- Levem-no para a masmorra dos republicanos. Ela, (aponta na direcção da princesa), fica com dois guardas permanentes à porta.
Epok revoluteava com a cabeça para descobrir como é que os géneros desapareciam. Tantos controlos e nenhum funcionava. Esta gente para roubar tem uma inteligência fora de série. Também é verdade que mestres não lhes faltam. Os maus hábitos aprendem-se com os de cima, com os nossos superiores, com os nossos governantes. – Sentenciou o nobre Epok.

Capítulo XIII
O Martírio de La Padep

- Pinturas!
- Fala lá pá!
- Traz-me esse opositor republicano comedor e violador dos bens reais.
Ela está com uma saia tão minúscula como Epok nunca viu no reino. Para chatear não tem nada a cobrir-lhe as partes íntimas, o que se nota facilmente. Pergunta-lhe:
- É a última moda saída da parabólica do Brasil?
- É, pior que isto não há.
- A moda do pronto a foder.
- Vocês perderam a tesão, são todos panilas.
- Porra! Não quero apanhar Sida!
- Agora já entendes. É por isso que andamos quase nuas seu parvo! Estão sempre com medo, é por isso que já não sabem foder!
- Traz-me então o comedor dos bens reais!
- Comedor dos bens reais?!
- Ó macaca, o que anda a comer a princesa!
- Quem me dera ser comida por ele.
- Sua suja, és muito porca!
- Por acaso até não! A minha rata é desinfectada a todo o momento com os perfumes mais caros do mundo.
- Quando o rei chegar vou pô-las vestidas dos pés à cabeça.
- Vais arranjar problemas. Felizmente o rei tem um dom. É o único que sabe apreciar mulheres.
O cavaleiro La Padep sente o julgamento do juízo final quando Epok lhe diz à toa:
- Caramba, vocês são piores que a Revolução Francesa.
- Não entendo, aqui nunca houve revolução…
- Pois fica sabendo que além dos nossos bens, também querem o que de mais íntimo temos.
- Não estou a perceber.
- Não te faças de parvo… violaste a suprema intimidade da princesa.
- Também hei-de violar a tua.
- O quê? Qual?
- O teu real rabo.
- Filho da puta… guardas!!! Levem-no!
Conduziram La Padep para a poterna por cima do fosso das piranhas. Suspenderam-no por uma corda amarrada aos tornozelos de cabeça para baixo, a cerca de um metro do nível da água. As piranhas sempre esfomeadas saltavam tentando trincar um pedaço da sua carne. Algumas conseguiram apanhar-lhe um pouco de cabelo, graças aos esforços que fazia para ludibriar as suas poderosas mandíbulas. As forças enfraqueciam. A noite chegou. Com Epok na dianteira, os convidados cansados de assistir ao fim de menos um republicano, recolheram-se para os seus aposentos reais. A vida de La Padep não chegaria a ver o sol da manhã do dia seguinte.
Aí por volta das quatro horas da madrugada, vários vultos rasgam a escuridão da noite. Movem-se como panteras negras, imperceptíveis aos olhares e ouvidos humanos. São os jovens do condado do Sambizanga onde há sempre zanga, que não resistiram aos apelos das mensagens que lhes tinham sido entregues. Vieram em socorro do seu líder. O local da vala antes aberta ainda era visível. Trabalharam a cem à hora. A água acabou em minutos. Colocaram tábuas de madeira que traziam, no fosso seco. Assim como uma escada que também transportaram. Poisaram-na em cima das tábuas, subiram-na e com uma faca cortaram a corda que prendia La Padep. O nosso herói estava salvo. Um pouco de sangue escorria-lhe da cabeça, devido a uma piranha muito atrevida. Teve forças para agradecer.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

As matilhas de corruptos havemos de caçar



Já comprei um gerador
bem poluído estou
estou na nova vida
que o MPLA me usurpou

Sem água e sem luz
e o PIB sempre a subir
a nossa vida vai piorar
o que há mais para destruir?

Dos biliões do petróleo se alimentam
corruptos, novos-ricos arrogantes
grupo de vendedores de Angola
às matilhas de estrangeiros meliantes

Um reino de vigaristas cresceu
milhões de famintos assaltam-nos
ninguém lhes está imune
armados, disparam, matam-nos

Sempre obcecados pelo Poder
que fraudulento abateram
a democracia não é poder
porque Angola já a venderam