quarta-feira, 17 de junho de 2015

O AMOR TAMBÉM CHACINARAM


Que transformes a amargura dos dias
Em doces gloriosos momentos
E que eles inspirem a nobreza
Das virtudes da tua beleza

Na mansidão da margem as ondas batiam
Com ternas vénias palmeiras te acolhiam
Doces momentos ternas recordações
Da fuga, longe das ruidosas multidões

Ao fundo a espuma branca te acaricia
Sente-se a força do amor, a sua ousadia
A água soltava-se e a areia invadia
A tua voz de deusa ao longe se ouvia

O sol amarelo anunciava o entardecer
De um dia que acabava e outro ia nascer
A água azul-clara convidava a areia
A vegetação, a vida, tudo que a rodeia

Uma pequena montanha se erguia
Em gestos mudos o amor lhe sorria
Já se aproximava o fim do dia
E a vida humana se recolhia

Uma ilha minúscula ao longe acenava
E a ondulação do amor carregava
Prisioneira não escapava
Do tirano que a escravizava

O sol forte surgiu e o amor abrasou
Como um halo divino nos louvou
E o nosso amor na sombra se refugiou
E nunca mais nos abandonou

Coladas nas rochas as palmeiras sorriam
Ao redor despontavam muito verdejantes
Plantações de corais que renasciam
Que cantavam que o amor não é errante

Debaixo de um poder que adultera o amor
As crianças são feiticeiras nesta terra
Em nome do Nosso Senhor
Reina o senhor desta eterna guerra

Do amor ao próximo eis a hipocrisia
O poder do petróleo a proclama
Mais um comité da corrupção doentia
Que apaga o amor com a sua chama

Como vivermos no amor acorrentados
Sempre por este poder violentados
Pelas balas disparadas beijados
Se nos amarmos seremos chacinados














Luanda, Maio de 2015. Chacinaram a energia eléctrica



  
Os preços do petróleo baixaram, os preços dos combustíveis subiram. Os preços da comida subiram. A corrupção ultrapassou o mais profundo abismo. Com a chacina da energia eléctrica nasce a república da miséria e da fome permanente, a chacina de um país.  

Luanda, apagões no mês de Maio de 2015 na Rua das Sirenes

05 de Maio. Das 07.15 até às 17.12 horas.
08 de Maio. Das 14.37 até às 14.58.
13 de Maio. Das 10.21 até às 17.15 do dia 14 de Maio.
19 de Maio. 14.26 às 15.01.
20 de Maio. Das 10.46 às 11.24. Das 15.21 até às 05.10 do dia 21 de Maio.
21 de Maio. Das 12.37 às 16.18. das 16.31 às 20.38.
25 de Maio. Das 16.34 até às 23.58 horas.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A CRISE



A energia eléctrica continua no caos

A beleza da mulher não é exterior
A beleza está no seu interior
E quase nada lhe é acolhedor
Porque desaparece na réstia do amor

A crise veio para ficar
No cemitério da miséria nos enterrar
Da oposição nada há a esperar
A não ser o constante lamuriar
Os seus presidentes não sabem olhar

Tanta gente a orar
E Deus a nos abandonar
Como é possível austeridade
Sem contabilidade

Há tempo para viver
Há tempo para matar
Há tempo para sofrer
Há tempo para chacinar

E quando a miséria nos aliena
Isso é a coisa mais obscena
Na terra do quem mais ordena
Onde a chacina nos acena

Não há dólares para os miseráveis
Só para aviões presidenciais
Para fugir das coisas incontroláveis

No beco sem saída lá vamos
No colapso económico estamos
O povo kioco/kalupeteca também
De modos que não sobra mais ninguém

Se não há dinheiro para comprar
As empresas não vão facturar
As portas vão fechar
E os trabalhadores desempregar
O colapso social vai estoirar

Está tudo bem, diz ele
Para a família e amigos dele

Não se consegue trabalhar
Isto só dá para roubar
E trespassados pela fome acabar
Nada mais há para assinalar
Está na hora desta merda zarpar

Os corruptos financiam a revolta
O fim está próximo!

Foto: Ermelinda Freitas



domingo, 14 de junho de 2015

NÃO HÁ DÓLARES


Saquearam de vez a energia eléctrica!

À noite poucos carros estão a andar
E pessoas nas ruas não estão a passar
Onde está o que fizeram do dólar
Foi para a China e Portugal
Porque aqui está-se muito mal
Da bandidagem por estas paragens
De Angola restam-nos apenas miragens
E das suas riquezas as pilhagens
Nos campos de cadáveres agricultados
Impossível viver, seremos escorraçados
Ficaremos sepultados
Até os seguranças vivem no terror
De serem assaltados
Por crianças armados
Pelo petróleo gerados
O monarca reforça a guarda presidencial
Porque o caos que criou ser-lhe-á fatal
Dia-a-dia agrava-se a situação
Sem que o monarca lhe deite a mão
O povo virá para a rua em manifestação
O monarca tentará acabá-la a canhão

Dentro de poucos meses ou momentos
Isto rebentará e ouvir-se-ão lamentos
Dos que não têm alimentos
Só têm sofrimentos
As mamãs fogem da Polícia
Com as crianças nas costas
Isto não é país é nação às postas
Nas ruas não se pode nada vender
Neste poder ninguém pode sobreviver
Só existem fardas para o povo abater
A populaça já não tem nada para comer
E depois monarca como vai ser?
Não é hora dos planos à toa rever?
Não, porque só o monarca sabe ver
Nós somos cegos desde o nascer

Muitos refugiados nascerão
Alcançar de barco a Europa tentarão
Muitos no mar perecerão
E lá chegar não conseguirão
Os que escaparem não os receberão
A Europa está em ponto de saturação

Não há dólares, há-os nas esquinas
Das ruas das chacinas
E do petróleo da abastança
Só resta a triste lembrança
Porque para nós já não há esperança











sexta-feira, 12 de junho de 2015

CHACINA




Com os novos colonos
A miséria não se altera
Não são capazes de fazer nada
Os estrangeiros saqueiam a África
Depois dizem que somos atrasados
Os da mata não devem governar
Antes era a guerra colonial
Agora é a violência neocolonial
Nesta terra só se produz miséria

Para destruir uma nação
Basta uma forte dose de religião
E inquisição

Sair de dia é a vida arriscar
À noite em casa vem nos assaltar
Em muitos e muitos anos nada se fez
E querem-nos amarrar outra vez

Nesta injustiça é só sofrer
Que faz alguns enriquecer
E milhões empobrecer

Sem informação nada sabemos
Sumariamente executados seremos
Pagam-se os serviços e não se é servido
Tudo é pervertido

Viver na selvajaria não é solução
Um governo, um palácio não é nação
Com uma estrada asfaltada
Isso não conduz a nada

A reconciliação da destruição nacional
É bom, eu gosto, é irracional
Cheira a perfumes do comité central
Do insensato raciocínio mental

Já não se pode respirar
Até esse direito elementar
Nos acabam de expropriar
Esta democracia vai a enterrar

E se acreditarmos neles
Seremos piores do que eles
O artigo 47 não fala de manifestação
Não sabem ler?! Fala de repressão

Os genocídios fazem-se com facilidade
Negam, é o informar com verdade
Mas que diabólica falta de seriedade
Ninguém pára esta monstruosidade? 


















Há sete anos que a morte te levou


E maravilhosas recordações deixou
O amor de mãe para sempre ficou
O carinho do teu amor enlevou

Para lá do mar vejo montanhas carregadas de denso nevoeiro encimadas por nuvens escuras e ameaçadoras que não me deixam abraçar-te.
Estou na margem sentado no cimo de uma alta rocha contemplando-te sob o agitar naufragado de duas palmeiras.
Estendo as minhas mãos para te acariciar mas o denso nevoeiro não me ousa deixar.
Para lá dessas montanhas onde estás, a morte é a recordação da eterna solidão. Tu, minha mãe, repousas no meu eterno coração.

Ó minha mãe que o tempo levou
O teu amor nunca mais me abraçou
Eis o meu amor que te dou
Neste infortúnio que me arrastou






Há dez anos que me acenaste adeus


E escolheste a morada eterna para nela residires, e de lá jamais saíres. Como se fosse o fim do mundo onde se chega e nunca mais se parte.
Há uma partida e uma despedida.
Nesse descanso eterno repousa a tua recordação.
Anseio muito pelos conselhos que me davas porque as feras humanas perseguem-me e a justiça está invisível para me defender, e não sei como me proteger.
A vida é como uma ilha cercada de perigosos tubarões por todos os lados.
Durante muitos anos quando estavas vivo não consegui abraçar-te porque a família que constituí e o sistema político vigente consumiram-me, destruíram-me os recursos e a alma. Na miséria que me deixaram, obrigaram, ainda luto para dela me libertar. Mas quem vive com o analfabetismo os escravocratas surgem de todo o mundo e a tremenda luta para sair do precipício da miséria torna-se difícil, porque a miséria é o império do edifício da corrupção. Nunca se espoliou com tamanha facilidade e impunidade.

Pai, onde estiveres recebe o meu abraço
Oh! Como são abundantes as saudades do teu regaço
Desejo fugir, voar deste espaço
E regressar para o aconchego da família, para o seu laço




sábado, 6 de junho de 2015

Mais um saque de um português/angolano





Dupla nacionalidade, duplo saque

Augusto Helder Paiva de Azevedo é o sócio-gerente da empresa Magnum-Protecção e Assistência, Lda. Funciona em Luanda nas instalações do CFL- Caminhos de Ferro de Luanda, nas suas traseiras junto à Unicargas. Nas contas do balanço de 2014 defraudou a conta de Edifícios Administrativos adulterando-a
para Equipamento Industrial no valor de Kwanzas, 593.515.896.50 para vigarizar a FESA-Fundação Eduardo dos Santos que está em negociações para aquisição do espaço. Os valores dos Edifícios Administrativos provêm de facturação falsa de empresas criadas para o efeito. Ora, a Magnum nunca teve nenhuma instalação industrial, basta ver a sua denominação comercial. Uma empresa de segurança tem instalações industriais de quê?
Foram falsificados documentos para pagamento das rendas do ano de 2014 (e anos anteriores) do CFL no valor de 4.500.00 dólares mensais, e os seus valores creditados na sua conta pessoal.
O terreno é do CFL, e a sua transacção é mais uma negociata ilegal. Quer dizer, o português/angolano faz a negociata e depois foge de Angola.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

RÉQUIEM PARA ANGOLA



Não estão aqui para nos governar
Estão aqui para nos espoliar
A liberdade prometida
Está tão corrompida
O banco millennium mata
Na rua Rei Katyavala não se farta
É outro orgulho desta nação
Mais um ás da santa corrupção
Que se cozinhará no caldeirão
De uma sociedade sem abnegação
Aguarda-a a chama da sua destruição
Destaca-se na maldade dos corações
As moribundas multidões
Arrastam-se pedintes pelo chão
Implorando à paz em vão
Embaladas pelos cantos das sereias
Que devoram cadáveres, praias, areias

Estás preso! Acusado de quê?!
São ordens não sabemos porquê!
Onde há muita miséria
Há muitas histórias de superstição
De feitiçaria e de religião
E gastos supérfluos num avião
A miséria é a escuridão do dia-a-dia
E a Igreja lava as suas mãos
À morte entrega os seus irmãos
Cristãos
Os chineses roubam terrenos
O Dubai diploma a má governação
Dos diplomas que nos tumultuarão

Sem dinheiro, não consigo trabalhar
Para a minha família sustentar
Lhe dar o bem-estar
No tempo as boas coisas perecem
Resta a sua recordação
Das más coisas que nos chacinarão
Ninguém consegue partir para a acção
Não interessa acreditar na oposição
Tarda muito para obter uma decisão
Os presidentes dos partidos políticos
Merecem urgente substituição
Queremos ardentes defensores
Que nos libertem da escravidão
E não quem nos lance na oração
Isso não é comunicação
É o divino reino da corrupção
Do prémio da boa governação
Tudo se compõe de exterminação

A jovem mãe com o filho às costas
Apela, comprem-me a fome!
O Ruanda e Burundi estão aqui






quarta-feira, 3 de junho de 2015

TERRA DE CADÁVERES




Deliciam-se os jacarés
Nos rios de cadáveres amontoados
No reino das chacinas
Já não há flores
Na terra dos cadáveres brota o sangue
Do povo exangue
O banco millennium na rua rei Katyavala
Apoia o genocídio dos angolanos
Com o seu gerador da morte
E o seu fumo mortífero
É preciso matar
Sem isso não se pode trabalhar
Destruir para facturar
É a palavra de ordem, matar
E as crianças quem as vai salvar
Da chacina estrangeira a apoiar

O meio mais fácil de enriquecer
É o feiticeiro ir ver
Ministros e outros governantes
Sonham com palácios
E muitas, muitas jovens virgens
Que os salvam da SIDA
O petróleo era a sua riqueza
Secou, agora é a fonte da tristeza
Nos prédios é raro ver uma flor
Quem não ama plantas é um estupor
E assim extinguem o amor

O registo eleitoral faz-se marcial
E as eleições um feito marginal
Sobe o preço do combustível
Sobe, sobe tudo no inconcebível
E as leis não são para cumprir
Rasga-se a Constituição a rir
O poder não quer sair
Mas forçosamente terá que fugir
E quando se viola a Constituição
O povo tem que dizer não!
Na rua vejam a miséria que passa
Do poder que nos trespassa
A propaganda faz da miséria beleza
Neste reino da realeza
Que cairá, isso é uma certeza
Quanta mais repressão
Mais alento há na revolução

Quando o poder se faz
Nos galhos das árvores
O circo da macacada ri
E circula a momice por aí
O rei e a sua corte saúdam
O poder do circo atrai
Multidões de fiéis
Da Igreja do poder
Outro Ruanda se está a ver




segunda-feira, 1 de junho de 2015

03Abr15. República das torturas, das milícias e das demolições



Diário da cidade dos leilões de escravos

03 de Abril
O ultraje não pára, das 10.16 até às 11.20 horas roubaram-nos a energia eléctrica.
“Esta é a costa de Creta. O seu governante fazia as leis e… as colocava num lugar tão alto, que ninguém conseguia ler. E, se infringissem as leis, ele era impiedoso.” In Júlio César, filme de 2014.
Um segurança contou que no Uíje uma criança sonhou que a sua povoação seria alagada pela água. Correu para a sua mãe e contou-lhe o sonho. A mão acreditou nele e avisou a vizinhança para bazarem. Mas ninguém lhe ligou, porque isso de acreditar nos sonhos de crianças é tempo perdido. A mãe e a sua família bazaram, da inundação escaparam. Quando o segurança saiu de lá a povoação continuava inundada.
O mano Felisberto era segurança, chegou e o evangelho pregou. O seu espírito era muito iluminado por Deus. Evangelizava, os vizinhos conquistava. Oferecia-se gratuitamente para carregar a água dos vizinhos. Depressa foi endeusado como um anjo que caiu do céu. Recitava de memória vários trechos bíblicos. Muito educado, muito inteligente, muito simpático, rápido passou a pessoa de grande estimação. Não bebia e tinha horror a quem o fazia, confessava fervoroso. Com a confiança ganha fazia empréstimos que depois se comprometia a pagar quando recebesse o seu salário. Quando saía do serviço ia pintar um apartamento no prédio ao lado, onde recebeu grossa compensação pelo trabalho prestado, e quantidade considerável de bebida, pois nesse dia festejava o seu aniversário, do qual houve generosa contribuição da vizinhança. O mano Felisberto estava encharcado de massa nos bolsos e de álcool também logo se encharcou. Ficou três dias sem comparecer ao serviço porque os vapores alcoólicos eram demasiados. Quando apareceu ao serviço foi a uma vizinha e disse que outra vizinha lhe mandou um empréstimo de cinco mil kwanzas. Claro que não era verdade, logo foi descoberto e a vizinha exigiu-lhe que lhe devolvesse de imediato o dinheiro. Entrou no reino da bebedeira e dele não queria sair, lá encontrou finalmente a felicidade. Perdeu-se nos infernais labirintos da vida. Apareceu duas ou três vezes e depois nunca mais se viu, com a vergonha fugiu, e as dividas não pagou. Os caminhos de Deus são assim, levam-nos ao infortúnio.
Rádio Despertar, noticiário das dezasseis horas: no Lubango, salvo erro, dois jovens motociclistas foram alvejados a tiro por agentes da Polícia nacional. Estão hospitalizados em estado grave.
04 de Abril
Há uns dois ou três meses, os tugas em Benguela a convite do governador já são militantes destacados do Mpla. E a epidemia política dá a entender que atingiu todos os portugueses em Angola, que pelos vistos são a continuação da revolução.
Onde até um general tem poder de vida e de morte sobre as populações.
Os portugueses em Angola ou os portugueses nas riquezas de Angola?
E quando um soberano está aconselhado por víboras e jacarés, os seus súbditos correm o risco permanente de levaram um tiro na cabeça.
Porque será que os portugueses apenas investem no curto prazo inviabilizando o seu futuro? Porque viver o dia de hoje é muito fácil, mas pensar no dia de amanhã é muito difícil.
05 de Abril
Desejo sinceramente que não nos deixemos arrastar pela barbárie – que como chamas – devora África, Angola. Pelos sulcos visíveis deixados no deambular sem nexo das suas picadas, também se deixará consumir pelos ventos trágicos que nos açoitam. Novos tempos, velhas desgraças para Angola.
Angola é uma selva densamente povoada por aventureiros caçadores de cabeças, que vindos do desemprego e da miséria anunciam que querem para morada um apartamento de renda mensal de cinco mil dólares.
A Rádio FM Stéreo também no Lubango e a Rádio Ecclesia só em Luanda. Porque há dois países, um é Luanda e o outro é Angola.
06 de Abril
Mais um golpe da quadrilha da energia eléctrica. Roubaram-nos a luz das 14.41, até às 15.00, e das 15.20 às 16.57 horas.
Há homens que se convencem que quando nascem são eternos, nunca morrem. Estes são os homens que desgraçam as suas nações e as suas populações.
Por incrível que pareça ainda é possível nestes tempos modernos alguém conduzir um país para a Idade Média.
Ainda mais esta: há muitos mwangolés que quando batem nos seus filhos, batem-lhes, batem-lhes, até ficarem mutilados ou mortos. Com esta selvajaria também não adianta construir nação.
Se um governo aposta forte no analfabetismo da sua população, como é que lhe pede que: «O êxito desta medida só sortirá efeito com o auxílio da população.» Alguém já viu um paraíso sem energia eléctrica? Só mesmo nesta banda de Luanda, não é?!
07 de Abril
A diferença que há entre o futebol e a religião, é que na religião aplaudem-se imagens sem vida, e no futebol ora-se a jogadores, santos vivos.
Um mwangolé proprietário de uma empresa e filho de um general, sem vocação para empresário, engravidou duas mulheres e foi com elas para Portugal, para elas lá darem à luz, e os trabalhadores ficaram sem vencimentos. O dinheiro deste petróleo é muito inspirador, não é?!
Um jovem mwangolé armado com um cão pitbull vai pela rua muito seguro, porque o seu cão amedronta, mata quem dele se aproximar. E se destroçar uma, ou mais crianças? Para ele será uma façanha, pois nesta cidade quem comete crimes é considerado um herói – antes era do trabalho – do crime.
Milhões de dólares para serem lavados em Portugal. Um regime corrupto lava o outro.
08 de Abril
11.27 horas, a energia eléctrica desapareceu… para a China?
Quem quiser aprender como se destrói um país, basta falar com o Mpla – ele tem cursos bastante desenvolvidos sobre isso – pois em experiencia não existe pior.
Se os portugueses não conseguem desenvolver Portugal, e mal chegados aqui logo são peremptórios que Angola se está a desenvolver. É caso para dizer: sem eles que seria de Angola.
Angola não tem energia eléctrica – a que tem é só para o Natal, ano-novo e carnaval.
09 de Abril
Continuamos às escuras, sem energia eléctrica, abandonados na mata do Mpla.
Filhos de portugueses residentes em Angola estão a fugir de Portugal para Angola. A justificação é que metade do salário vai para os desempregados.
Mas que porra de Mpla é este que não me consegue acender uma lâmpada e de me garantir uma merda de uma cerveja fresca? Continua um desastre comprar carne, peixe e outros congeláveis para pôr na arca congeladora. Quando conseguiremos? Isto inté parece outro estado islâmico. O Mpla é o petróleo e o petróleo é o Mpla.
10 de Abril
Mas afinal para que serve a energia eléctrica? Aqui não serve para nada, e duvido muito que esta governação saiba o que é isso. Continuamos às escuras.
O vizinho indiano iniciou a sua oração às 06.25. Creio que reza para o prédio, pois o barulho escuta-se em todo o lado. Ele não está a rezar, está a gritar.
11 de Abril
A energia eléctrica foi restabelecida às 15.34 horas. Para esta gente miséria é desenvolvimento.
Seis horas da manhã, o vizinho indiano reza, barulhento, fica como um despertador.
Um dos aspectos fundamentais de uma ditadura são os constantes cortes de energia eléctrica, para que todos dependam da imposição da miséria e da fome.