quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O REI DO PETRÓLEO (10)



RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

Libertemo-nos do comunismo ortodoxo!

E na assembleia do povo disfarçada de assembleia nacional, de parlamento da democracia, estampavam-se no lado frontal, triunfal, agigantavam-se as palavras: HOJE HÁ CIRCO.
Quando não se sabe fazer mais nada vem a “Dependência. Sistema de relações económicas, financeiras, políticas e culturais que mantém as nações subdesenvolvidas subordinadas aos grandes centros do mundo desenvolvido. A situação de dependência atinge especialmente os países de passado colonial recente, além dos que se iniciaram mais tarde no desenvolvimento industrial, estruturando-se como um sistema periférico, que se estende pelo chamado Terceiro Mundo (África, Ásia e América Latina). De modo geral, as nações dependentes baseiam sua economia no sector primário (agro-pecuário e extracção mineral), mas a dependência pode subsistir mesmo quando o país possui, como o Brasil, um sector secundário consideravelmente desenvolvido. Essa subordinação processa-se na medida de tecnologia, de matérias-primas elaboradas, de equipamentos e de capitais para investimentos internos ou compras no exterior. Um dos aspectos principais da dependência tem sido justamente o endividamento constante e acelerado dos países dependentes, cujas divisas auferidas com as exportações acabam sendo insuficientes para cobrir os défices do balanço de pagamentos. A importação sistemática de tecnologia para diversificação do sistema produtivo nacional contribui para gerar distorções sociais: a utilização de tecnologias sofisticadas libera, nesses países, grandes contingentes de mão-de-obra, que não encontram trabalho no sector de serviços, como comummente ocorre nos países desenvolvidos. Esses contingentes vão aumentar o número de desempregados e subempregados. A estrutura social das nações dependentes reforça os laços de subordinação, na medida em que há solidariedade de interesses entre as camadas dirigentes locais e os centros económicos externos. Muitos industriais de países subdesenvolvidos realizam suas actividades associando-se a empresas estrangeiras ou mesmo vendendo a elas seus estabelecimentos industriais. Paralelamente, podem subsistir alguns grupos económicos nacionais mais fortes, sem vínculo orgânico com grupos internacionais e com eles concorrendo em escala local e mesmo internacional. As relações de dependência estendem-se à esfera cultural e aos padrões de comportamento, com a adopção de hábitos de vida e de consumo, valores, modas e formas de pensamento gerados nos países mais desenvolvidos.” (Paulo Sandroni, In Novíssimo Dicionário de Economia, 1999, Editora Best Seller)
E sob a marcha da ingloriosa bandeira lá vamos desta vez para o comunismo chinês. “Comunismo: sistema totalitário e ateu no qual o Estado detém a totalidade das indústrias, comércio, meios de transporte, bancos e controla em larga medida, através de um partido político único, a vida social, cultural e económica de todos os cidadãos.” In Dicionário Houaiss.
E o Rei do Petróleo ordenou a caça aos manifestantes, porque os chineses lhe admoestaram. E os cães da Polícia tanto lhes ladraram, tanto lhes dilaceraram. Os chineses mais conjuraram que para conseguirem os seus objectivos, o saque total e completo da RCE, a democracia extinta seria. O primeiro passo será a chacina de qualquer manifestação que não tenha as cores da bandeira da comunista nação. Depois os deputados e finalmente os partidos políticos. O preso político tornou-se tão vulgar como nos tempos do nazismo, do fascismo, do colonialismo.
E o Rei do Petróleo mandatou-se de ordens superiores e internamente, secretamente decretou, acrescentou na época da abertura da caça… a caça ao deputado.
Vamos acabar com os partidos políticos! E bastou o Rei do Petróleo anunciar à nação que os partidos políticos da oposição apoiam as manifestações da juventude para que eles se borrassem de medo. Não se poupando a desculpas como rato encurralado num canto refém do gato que ao mínimo movimento de escapadela acaba liquidado, chacinado. Quem muito arreganha os dentes e ladra mais não faz… nada.
Com o vertiginoso regresso à ditadura imposta pelos chineses, o conflito é inevitável. Filomeno Vieira Lopes, do BD- Bloco Democrático, afirmou que: “Não podemos permitir isso.”
William Tonet, nas cátedras de jornalista e de jurista leccionava na Rádio Despertar, pouco depois do terror de um cerco policial como nos tempos da Igreja que sitiou os Cátaros e depois os queimou, os chacinou. E William Tonet, tal como Jesus Cristo, pregou que só a verdade nos liberta: “A Polícia está partidarizada. Abominaram a democracia. As leis aqui são fanfarra, folclore. Todas as ilegalidades são apadrinhadas. Não são presos políticos, (disse a PGR) mas são acusados de desestabilização. O “crime” (dos jovens presos políticos) admite liberdade provisória. A responsabilidade é do Presidente da República. Neste momento está-se a por em perigo a independência nacional. Estão preparadas as condições para a sublevação. Mais jornalistas estão presos.”
E o polícia não queria, às ordens do seu chefe desobedecia, que lhe ordenava para prender os manifestantes, dizia: “Mas eu vou prendê-los porquê? O que é que eles fizeram!”
Sim, é de plena verdade: Depois da independência nunca mais vi uma pessoa honesta. A corrupção contamina toda a gente.
A resistência popular generalizada é a ideologia dos ditadores que unem o povo contra eles.
Ai de quem deixar uma ditadura avançar, pois de nós nada vai sobrar.
O petróleo era o pai da corrupção, depois morreu e deixou muitos órfãos que agora começam a morrer de fome, porque a RCE é a pátria dos saqueadores.
No parlamento secreto do Rei do Petróleo, debate-se a hipótese de prender toda a população, ou a sua deslocação para um imenso campo de concentração, conforme directiva do Politburo chinês. Com a recomendação de isso se executar com a máxima urgência, senão o dinheiro chinês morre.
E um jovem manifestante alertava que, “prefiro a tal decadência do Ocidente, do que a barbárie actual da RCE e do seu aliado natural, a Igreja.
Um lobo é sempre um lobo.
As ditaduras são como as piranhas, estão sempre prontas para nos devorarem.
Perante a feroz perseguição aos manifestantes da oposição perfeitamente legais, o poder diz que só ele se pode manifestar, e tudo o que lhe seja contrário é para ilegalizar e chacinar. Uma crente de uma igreja militante, meliante confessa, manifesta o seu desagrado, “Ai! Os sinais dos tempos já aqui estão!”
Três assaltos relatados por um jovem vendedor de chourição, mortadela e fiambre na rua: Na baixa de Luanda, pelas treze horas junto ao Baleizão, um português estaciona o seu carro, abre o porta-bagagem, retira de lá uma pasta e prepara-se para ir almoçar. Mas dois assaltantes vigiam-no e um deles de pistola em punho saca-lhe a pasta, dá-lhe uma forte coronhada na cabeça com a pistola, deixa-o a sangrar, junta-se ao outro e voam numa moto, antes deram um tiro para o ar para afugentar qualquer tentativa de perseguição.
No segundo assalto dois batuqueiros entregaram uma mota ao nosso jovem para a lavar. Ele disse que não estava interessado, mas eles disseram que lhe davam mil kwanzas. Ainda a mota não estava lavada mas já o batuqueiro lhe exigia que lha entregasse assim mesmo. Afinal o outro estava junto ao banco e fez sinal para ele vir com a mota. Um cliente do banco saía, arrancaram-lhe a pasta com o dinheiro acabado de levantar.
O terceiro assalto foi num carro V8. Uma mota colocou-se à frente do V8, a outra atrás. Então o da frente travou e obrigou o V8 a parar. O da mota da traseira chegou no vidro de pistola apontada, o condutor resistia à sua abertura, o assaltante partiu o vidro com a pistola e depois saquearam tudo o que lhes interessava. Ninguém ousou se intrometer, era só ver.


Imagem: autor desconhecido

DIÁRIO DE UM PRESO POLÍTICO (04)



Manuel Nito Alves, outro dos presos políticos na prisão sem acusação, à espera que faleça na prisão, para que prevaleça a corrupção, a grande aliada da lei do terror.



Os presos políticos são as flores
Os amores
Que embelezam a podridão
Desta nação

Ó pátria dos escravos esfomeados
Todos os dias condecorados
Dos dólares do petróleo confiscados
Ó pátria dos estrangeiros empregados

Ler livros sobre ditadores dá prisão
Só se pode ler livros de corrupção
Onde estará a rendida oposição
Que muito faz lembrar um camaleão

Já sem nenhum intelectual
O Mpla faz o seu funeral
A constituição não vale nada
E por isso deve ser rasgada

E tudo ruiu, ficou um lodaçal
Está a ruína moral
E também a ruína social
Uma ditadura nunca é sazonal

Com uma oposição ocasional
Tudo fica anormal
Este é que é o grande mal
Surge sempre de modo acidental

E eis chegada a hora
De eles se irem embora
E nunca mais voltarem
Basta de tanto nos desgraçarem

Zungueiras com crianças às costas são arrastadas
As crianças choram como que afogadas
Na república das crianças abandonadas
Para elas tudo o que merecem, pancadas

Não há dúvida que este inferno
Quer a confrontação
Com a população
Sob a absurda passividade
Da oposição
Que tem muito medo
Da manifestação
São apenas políticos
De ocasião

Com presos políticos vai a hipocrisia
Inexorável abismada está a economia
Da sociedade que antes existia
Tanta tortura, tanta morte, tanta razia




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O REI DO PETRÓLEO (09)



Angola e Portugal extremamente juntos na repressão dos angolanos. E o pcp- partido comunista (?) português, também avante na repressão!


RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

“Eu estou solidário com eles.” (Com os quinze mais um da prisão de Calomboloca.) (Pepetela)
Isto não está numa situação perigosa, está numa situação danosa, em polvorosa.
Como é possível depois da independência, a RCE ter presos políticos nas suas prisões?! É verdade! A RCE é uma prisão com milhares, milhões de presos políticos.
O Hotel Katyavala, de cinco andares, do general Ledi, na rua Rei Katyavala, nas traseiras da Pomobel, próximo do largo Zé Pirão em Luanda, está outra vez de quarentena, melhor, em preparação combativa. Foram chineses que construíram o hotel, ligaram o tubo da água ao tubo do esgoto da rua. Os hóspedes fugiram do hotel porque nas torneiras não saía água, saía imundícies do esgoto. Depois foram as infiltrações de água – nisto os chineses são notáveis – que obrigaram a partir os quartos dos hóspedes. A reparação foi feita por chineses. Agora, são outra vez infiltrações de água nos quartos que obrigam novamente ao partir paredes. A seguir ninguém sabe o que será. Talvez o desabamento do hotel devido à notável vigarice dos materiais chineses que duram alguns meses, ou com sorte alguns poucos anos.
Creio que infelizmente a RCE não passa de mais uma mísera aventura colonial dos anos sessenta.
Na RCE ninguém trabalhava porque o petróleo tudo comprava.
Na província do Bengo, arredores de Luanda, a capital da RCE, os jovens sobem nas montanhas, nas árvores, em paus, nos tectos das casas para escutarem a emissão da Rádio Despertar.
Dois jovens gatunos de motorizada assaltaram um transeunte e bazaram nas calmas. Situação vulgar do dia-a-dia onde a fome cilindra os estômagos, e como tal só se vive de assaltos porque os empregos são para os desterrados estrangeiros desempregados. E o transeunte aí na vida dos trinta anos não se conformou, e lhes ripostou, gritou: «Vão lá seus miseráveis!» e os gatunos ouviram, pararam e retrocederam. Chegaram no transeunte e dispararam-lhe dois tiros na cabeça.
E na diversificação da economia, a empresa Mecanagro há sete meses que não paga aos seus trabalhadores. A Mecanagro é uma empresa vocacionada para a mecanização agrícola… da tal palavra de ordem do vamos diversificar a nossa economia arrancando com a agricultura. Mas se até agora – quarenta anos – nunca arrancou. Será que alguém tem noção do que é agricultura? Não sei não, mas se esses trabalhadores estão há sete meses sem salários, então assim nunca teremos agricultura. Bom, como a política é a porca arte da mentira…
No cumprimento dos acordos secretos com os chineses, de que eles não poderão actuar com democracia, com oposição, em toda a extensão da RCE todos os que são da oposição política ou do desagrado do partido consagrado, está no auge a abertura da época da caça ao opositor ou todo aquele que manifestar opiniões contrárias aos nossos deuses, porque a ira dos céus cairá sobre eles. Nenhum líder político escapará, da face da terra da RCE se exterminará.
No calvário petrolífero a actividade bancária continuava exemplar, conforme Daniela Antas Antas realçava no Facebook: “Olha no mês passado no BPC fui ao multicaixa levantei 20 mil (kwanzas) o banco descontou 40 mil. Fui na agência reclamar disseram que era problema do sistema que depois iam repor o dinheiro. Olha, até hoje não dizem nada e era muita gente a reclamar disto. As pessoa ficam sem saber qual é o banco que podemos ter confiança e já cheguei à conclusão que nenhum, e ainda dizem que o país está a melhorar. Sim está realmente mas para os gatunos.”
E uma das cláusulas do acordo secreto chinês era bem visível, como dois amantes que tudo fazem para guardarem os vestígios do seu adultério. Serafim Simeao, também no Facebook: “Denúncia: O presidente da CASA-CE, DR Abel Chivukuvuku, denunciou hoje na praça do Kifica, município de Belas, a intenção de haver por parte do executivo e serviços secretos, a eliminação física da sua pessoa e alguns dirigentes de proa da CASA-CE. Esta denúncia foi feita depois de cumprir a visita de constatação que o líder da CASA-CE fez àquela municipalidade. No dia 11 de Julho membros do executivo, mais membros dos serviços da segurança secreta (Sinse) reuniram sob orientação do Sr. ordens superiores no sentido de estudarem um plano de aniquilarem Chivukuvuku e alguns dirigentes que dão notabilidade à CASA-CE, via as visitas que Chivukuvuku faz ao povo. Chivukuvuku disse ainda que graças aos irmãos patriotas que trabalham dentro dos serviços secretos teve conhecimento deste plano macabro do grupo do ditador que controla a administração do estado desde 1975. Chivukuvuku disse não ter medo da morte que é perseguido desde 1992,1998 etc. Quem não deve não teme lamentado a cultura antiga de assassinatos de adversários políticos da oposição por parte do MPLA, "gostaria de ter JES como meu conselheiro quando me tornar presidente em 2017 porque ele terá naturalmente o papel fundamental para aconselhar e eu um papel também fundamental de como governar diferente, no entanto não entendo porque temos de retornar aos assassinatos", fim de citações. Salientou também que quando a alternância chegar o sofrimento do povo vai diminuir significativamente, porque de 5 ou 10 anos haverá mudanças de governantes e isso ser benéfico para todos. Para a frente é o caminho! Ninguém trava os planos de Deus. Viva a CASA-CE. Viva o PR Chivukuvuku. Todos por Angola e uma Angola para todos.”
E a Igreja e as igrejas deixavam-se corromper pelo poder, porque – rezavam intensamente pela graça concedida - apenas cumpriam a vontade de Deus.
Ninguém sabia que os preços do petróleo iriam baixar?! Isso já era anunciado, há muito tempo previsto. E ninguém, nenhuma empresa tomou as mediadas necessárias que se impunham, porque quem vive dos preços do petróleo não é empresário, é perdulário. E assim a RCE está na generalização das empresas falidas, da sua extinção.
Até o sal de cozinha já é chinês.
Antes existiam muitas árvores e poucos seres humanos. Agora há muitos seres humanos e poucas árvores.
Qual é a diferença que existe entre um especulador imobiliário e um tubarão? Não há nenhuma, são imprevisíveis.
Tinha talvez vinte anos quando a despediram da vida. Era muito atraente, oferecia, tinha ainda muitos promissores frutos proeminentes em frente. Cheios e cheia de saúde e assim morrer tão prematuramente… os frutos saborosos com que nos deliciava e a sua sombra, a frescura terminaram no reino inglório do lixo.

Era uma árvore, uma mangueira altiva e muito orgulhosa, nunca se deitava e não se cansava de viver sempre em pé. Convivia, participava, acompanhava as nossas vidas. Fincou raízes nas traseiras de três prédios, num grande largo que a juventude utilizava para disputar campeonatos de futebol. Junto dela vivia um homem de idade avançada, numa modesta habitação, e porque a saúde lhe desistia contactou um general para a sua venda. E logo chegaram e tudo consumaram.

DIÁRIO DE UM PRESO POLÍTICO (03)



Dr José Marcos Mavungo. Mais um preso político de uma longa série… condenado a seis anos de prisão sem acusação… como mandam as leis da repressão.

REPÚBLICA DOS PRESOS POLÍTICOS
A corrupção é dos direitos humanos violação

Que o dinheiro não chegava
Para eles muito ultrapassava
Nunca lhes faltava nada
Chupavam os ossos da manada

Já fomos macacos
Somos tudo de negativo
Agora somos presos políticos
E isso é muito positivo
Isto não é uma ditadura
É uma loucura

Estão de cabeça perdida
Sem noção de responsabilidade
Perdeu-se a esperança de vida
Esta nação é uma irrealidade

Este governo não nos dá pão
Este governo só nos dá repressão
Os presos políticos estão a sofrer
Este governo está a morrer

O comité de especialidade da lixeira
Faz do lixo a sua bandeira
Este governo só faz asneira
Comité de especialidade da cegueira

O partido comunista português
Sempre se primou pela malvadez
O paladino da inglória estupidez
Dos presos políticos à chinês

Quarenta anos de miséria semearam
A agricultura nunca lavraram
Nada de proveito nos abonaram
Até a esperança nos espoliaram

Os presos políticos são acusados
Que na corrupção não há culpados
Comité de especialidade dos enjaulados
De Cabinda ao Cunene esfomeados

Agora presos políticos somos todos
A liberdade jaz nas prisões
As prisões enchem-se a rodos
Na pátria dos corruptos aos montões

O petróleo acabou
Os dólares secou
Tudo se esfumou
A corrupção ficou












terça-feira, 15 de setembro de 2015

O PARAÍSO PERDIDO A OCIDENTE (18)


Bom, parece que os testes psicotécnicos que fiz deram os seus resultados. No Regimento de Transmissões de Engenharia no Porto, na localidade de Arca de Água aguardavam-me nove meses de especialidade como radiotelegrafista. Muito tempo, claro, para quem via o tempo da juventude a escoar-se cada vez mais.
A parada era de asfalto, logo à entrada. À esquerda ficavam as aulas práticas com os rádios. À direita o sargento e oficial de dia. Subíamos como se fosse uma pequena montanha e tínhamos as instalações das aulas de morse, e mais acima o refeitório. Nas traseiras havia um caminho ladeado de jardins. O seu aspecto não era agradável devido a restauros que estavam a ser efectuados.

A primeira coisa que fizemos foi formar na parada e aprender um novo estilo de marcha. Tínhamos que levantar os joelhos bem alto e bater com as botas no chão com força. Este estilo de marchar era idêntico ao dos comandos, não compreendendo bem o porquê. O aprumo era rigoroso. Barba sempre bem-feita. A boina com o emblema da aranha que identificava como pertencente às comunicações de engenharia ficava ligeiramente caída na cabeça, e o emblema tinha que ficar sempre na vertical. A gravata e a camisa tinham que estar sempre impecáveis. O blusão tinha que estar com todos os botões abotoados. As calças tinham que ser seguras a meio dos atacadores das botas. Estas tinham que estar sempre bem engraxadas. O rigor era tal que nas revistas de saída até passavam a mão pela face para ver se ela estava bem barbeada.

O nosso comandante de pelotão era um aspirante. Em sua substituição dois primeiros-cabos. Começámos a nossa primeira aula de morse com o cabo Silva. Notou-se algum alarido como é natural. O cabo Silva advertiu imediatamente que a instrução era muito rigorosa, e que qualquer indisciplina o aluno levaria imediatamente uma piçada, ou iria para a prisão.

Primeiro, começámos com aulas de morse a velocidade lenta, com o tempo a velocidade aumentou, de tal modo que se tornava muito difícil escrever as letras dos sons que ouvíamos.
O café Arcádia ficava muito próximo. Tinha bilhar. Era para aqui que vínhamos passar as noites. Estava sempre cheio. Graças a nós fazia bom negócio. Foi aqui que conheci o Neves. Ele intervinha num debate em que defendia o fim da guerra colonial. Pelos argumentos notei que era culto. Contou-me depois que lhe faltavam algumas disciplinas liceais, por isso foi para o contingente geral. Na caserna surpreendeu-me com dois livros. A História me Absolverá, do Fidel Castro, e O Livro Vermelho, de Mao Tse-tung. Os livros circulavam de mão em mão com a maior discrição, sob risco de sermos todos presos. Receei que algum de nós denunciasse este acontecimento, mas não, ninguém o fez.
O colega da cama próxima era catequista. As suas intervenções tinham sempre um cunho religioso, um fanatismo doentio. Devido a isso eu e o Neves passámos a chamar-lhe Padre. Toda a caserna também. Com o Neves e os nossos argumentos púnhamos o homem nas raias da loucura. Os diálogos tornaram-se em verdadeiras batalhas e o Padre perdia sempre.
Quando ouvíamos gritos era o tarado do Madragoa com a sua equipa, que antes encerrava as portas da caserna e com a sua vítima imobilizada puxava-lhe as calças e depois arrancava os cabelos junto ao pénis um a um e ia-os contando enquanto nos perguntava se já chegava ou não. Na próxima vítima seriam arrancados mais cabelos que a anterior, porque se tinha de bater o recorde.
Um açoriano, que nunca soube porquê, não gostava nada de mim. Por mais que tentasse a sua amizade, olhava-me sempre com ódio e desprezo. Comecei a pensar que ele não batia bem da bola. Depois de vir de uma guarda aproximou-se de mim, apontou-me a arma e disse-me que me ia matar. Claro que pensei que era brincadeira. Mas ele insistia, notei que tinha colocado bala na câmara. Vi o seu dedo pressionar ligeiramente o gatilho, enquanto me aproximava dele, e ele afastava-se. Convenci-me que ia disparar. Depois parou, poisou a arma e afastou-se. Disseram-me para fazer queixa dele porque era um tipo perigoso. Não o fiz, porque isso destruiria a sua vida para sempre. Mas a partir daí fiquei com ele debaixo de olho. O Neves disse-me que ele era adepto do Padre, e me odiava devido às minhas intervenções. Disse:
- Amanhã vou-te trazer um bom livro.

Ele morava nas imediações do regimento e por isso era-lhe muito fácil trazer livros. Andava sempre com um que lia nas horas disponíveis. O livro que me trouxe era muito volumoso, a História da Filosofia Ocidental, de Bertrand Russell. Não sabia se teria tempo para o ler. Aproveitei as saídas das noites. Como a porta de armas encerrava à uma da manhã, e quem se distraísse ficava na rua, o que aconteceu com alguns, ficava no Arcádia com o pesado volume até ao encerramento. Não dormia o suficiente. Algumas vezes nas aulas o morse era escrito enquanto adormecia. Despertava de súbito e via riscos na folha de papel. Mesmo assim consegui ler a obra.

Quando o cabo Silva se ausentava deixava um de nós a dirigir a aula, e a sala passava a base aérea. Fazíamos aviões de papel e lá iam eles a voar. Ficava sempre alguém a vigiar para não sermos surpreendidos. Um dia alguém se esqueceu de vigiar ou fez de propósito. De repente o cabo Silva aparece e vê o céu cheio de aviões. Ficámos todos em pânico à espera do pior:
- É a última vez que vos aviso, da próxima sereis todos fodidos. Também não me quero chatear porque estou quase na disponibilidade. A partir de amanhã estais mais fodidos ainda, porque me vou ausentar uns dias. Serei substituído pelo nosso aspirante e aviso-os que à mínima coisa ele lhes dá logo uma piçada.
Ficámos apreensivos porque o aspirante nos tratava com desprezo.

Havia um colega que era hipnotizador. Convenceu o aspirante a fazer uma sessão de hipnotismo. Pensei que era mais um desses charlatães de feiras. Mas o certo é que primeiro pôs um de nós a miar, outro a ladrar e ainda outro a imitar um porco. A assistência ria muito com este espectáculo. Achei piada e disse para mim mesmo que não conseguiria hipnotizar-me. Ofereci-me como mais um voluntário. Depois de um grande esforço o homem não conseguiu e desistiu. Dizendo que com este não conseguiria. Perguntou-me porquê. Respondi que apenas tinha ordenado ao meu cérebro que a minha força de vontade era superior à dele.



O REI DO PETRÓLEO (08)


RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

Para explicar o colapso económico da RCE, a fórmula é muito simples: se tudo depende do petróleo, tudo vai falir.
Se os chineses reentrarem aos milhares, ou milhões, em força, os mwangolés rapidamente serão dizimados e as riquezas de Angola saqueadas como nunca jamais visto. Carregarão tudo para a China, e tal como aconteceu nos Estados Unidos da América com os Índios, tal acontecerá com os mwangolés que sobrarem nas reservas criadas, isto é, os jardins zoológicos. Antes, pela Europa e pelo mundo os mwangolés ostentavam a sua falsa riqueza, brevemente andrajosos mendigarão a desgraça da sua pobreza.
Golpe de estado na energia eléctrica. Depois de trinta dias sem falhas de energia eléctrica, o regime dos anos sessenta castigou-nos com treze horas de escuridão nas nossas cavernas. Há três dias que estamos na angústia, sem água. Conseguimos a quinhentos metros de distância no depósito subterrâneo de uma vizinha amiga, cento e sessenta litros de água, distribuídos por oito recipientes de vinte litros que um tarefeiro carregou até ao nosso quarto andar, por mil kwanzas. E dizem que esta falta de água será por duas semanas. Como os chineses estão para aí a trabalhar na manutenção dos serviços da água, ou na nossa rápida exterminação que pelos vistos tudo indica que sim, pois os chineses estão aqui para nos saquearam e nos aniquilarem.
As moscas verdes sentem-se muito felizes, muito orgulhosas pela atenção que o Rei do Petróleo lhes dá, com as novas centralidades do lixo de renda muito baixa. A baixa altitude, de voos rasantes sobrevoam, invadem, atacam o palácio. Como já fazem parte do salutar ambiente, ninguém lhes liga, apenas o único combate que lhes fazem é enxotá-las com as mãos, mas elas logo voltam. Vida de mosca é mesmo assim, é o desenvolvimento económico e social no seu apogeu.
Estão muito mal enganados os que afirmam que isto é uma ditadura. Não, não o é. Muito pelo contrário, é uma aventura dos anos sessenta. A RCE é, e pode-se dizer toda a África negra, são muito saudosistas dos anos sessenta e deles não querem sair. Esta África é uma sucessão de colonialismos porque muita gente continua a desaparecer por motivos religiosos e políticos.
Há debate no palácio, o tema é: como derrubar a oposição. A sala está inundada, apenas a generais reservada, e de outras forças similares fardada. Com semblantes de apocalipse, como se a RCE estivesse no final dos tempos, esperando a vinda de Satanás, de mais chacinas, de mais demolições dos casebres, em suma, os eleitos pela fé da Igreja e das igrejas estavam no altar de Deus, e assim punham e dispunham dos destinos da população da RCE.
Como convinha a sala estava engalanada de vermelho vivo a lembrar a tragédia do sangue dos mártires que não parava, pelo contrário muito aumentava, transbordava. O púlpito, ou melhor, o altar já estava devidamente construído e paramentado por chineses que trabalharam dia e noite para que o Rei do Petróleo discursasse, a cerimónia inaugurasse. Mais um célebre discurso do também célebre divino arquitecto. O Rei entrou. Antes disso as redondezas num raio de vários quilómetros foram passadas a pente fino, melhor, a pentes finos, e centenas de militares da guarda palaciana com equipamentos de guerra como se a terceira guerra mundial eclodisse de um momento para o outro, entrincheirados para contra-atacar a população que a todo o momento se preparava para se revoltar. Quer dizer, a população recebia o tratamento de terrorista e, como tal podia-se dizimar à vontade. Já no altar o Rei do Petróleo começa o seu hino, a celebrar:
- Caros camaradas! Os gigantescos empréstimos chineses que celebrei no mais alto sigilo têm uma componente importante: Os nossos queridos amigos chineses exigem que para poderem funcionar à vontade na RCE, teremos que extinguir as vozes que se elevam mais alto que as nossas e deles. Assim, ao longo do tempo os nossos serviços de segurança têm acompanhado as diversas tentativas de golpes de estado planeadas pela oposição. Esta gente não sabe viver em democracia e nós temos que lhe ensinar como funcionam as nossas instituições democráticas. Quase há cinquenta anos no poder só nós sabemos como se governa e isso vê-se nas nossas grandiosas infra-estruturas que montámos. Escolas, hospitais, estradas, água, energia eléctrica, pleno emprego, recolha do lixo, formação profissional, o fim da miséria e da fome, são exemplos que abundam por aí. Toda a gente o vê, salta à vista, mas essa oposição sedenta do sangue dos golpes de estado, preparou nas trevas das noites um grupo de jovens que especializou nas artes militares e nas artes de tropas especiais… são comandos, tropas de intervenção rápida que depois de actuarem, aparecerão os seus chefes, os cabeças dos partidos políticos da oposição para reivindicarem o poder sufragado finalmente por uma insurreição popular. Os nossos serviços de segurança seguem-lhes os passos, os movimentos dia e noite e em breve as nossas prisões serão insuficientes para tantas detenções em massa que faremos. Já temos dois jovens oficiais subalternos implicados na tentativa de derrube do meu poder. Apesar do óptimo trabalho realizado em defesa da legalidade democrática, isso ainda não é suficiente. Para acabarmos com a oposição definitivamente necessitamos de um peixe graúdo… caros camaradas, só com a detenção, o sacrifício patriótico de um general que defenda a nossa causa… os camaradas estão a perceber, não é?!, então sim teremos motivos mais que suficientes para erradicar de vez do nosso mapa essa torpe oposição que impede por todos os meios o nosso digno e exemplar trabalho. Na vossa actuação sejam discretos. Mantenham-se firmes e vigilantes, usem de todos os meios que a Constituição lhes reserva para a derradeira caça ao homem. Devo esclarecer que os quinze jovens mais um, apodrecerão lentamente na doçura da prisão. Caros camaradas! Declaro aberta a época da caça à oposição!
Depois, num ápice a RCE transformou-se num quartel militar nacional. Tudo e todos estavam sujeitos a um apertado, rigoroso controlo militar cercado. A RCE parecia uma fábrica de armamento e fardamento militares.
Sem se dar conta o Rei do Petróleo comete o erro de todo o filho de deus na terra. Como mau treinador, trata o seu povo como uma equipa de futebol fraca, muito fácil de vencer.
Depois, creio que está impossível, no fim, o como sobreviver numa cidade de bêbados. Esta cidade está escrava do álcool. Já se vê nas lápides: Aqui jaz morto na fogueira do álcool mais um combatente que dele não se conseguiu libertar.
Via-se noutra lápide: os tempos da bebedeira proclamam a nossa bandeira. E ainda noutra: preparem-se na resignação da chinesa escravidão.
Os crentes das igrejas afirmam fanaticamente que na oração está a salvação. Os crentes das confrarias alcoólicas dizem que na alcoolização está a nossa salvação. Em quem confiar então?!
As imposições dos empréstimos chineses mandavam, comandavam nas demolições dos casebres que continuavam em larga escala, mostrando por todos os lados paisagens de destruições ciclónicas, ou destroços de violentas guerras. As vítimas eram consideradas como coisas sem importância, e as crianças não tinham futuro, apenas o da morte, ficavam abandonadas à sua sorte. Se antes nos tempos de ouro do petróleo já era como se não existissem, agora com os preços do brent a estatelarem-se no tapete as crianças caiem como moscas abatidas por insecticidas.

E quando estas coisas acontecem as pessoas ficam possessas pelo demónio, que afinal existe, pois na luta entre a vida e a morte o demónio está sempre presente, consorte. Como sobreviver num gigantesco cárcere cercado de lixo por todos os lados, que até já impede a ida à consulta pelo menos num hospital. Com tanta miséria e fome a luta pela sobrevivência arvora a sua bandeira da maldade. Sim, isto está um campo de batalha da maldade, da morte há muito anunciada. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Diário de um preso político (02)

Luaty Beirão. Preso político acusado da invenção de tentativa de golpe de estado e de… terrorista.

Era um governo muito desgraçado
(Inspirado em Vinicius de Morais. 1913-1980)

Era um governo muito desgraçado
Não tinha dólares não tinha nada
É um governo que por onde passa
Só deixa rastos de vampiros, desgraça

Não tinha intelectuais só tinha farsa
Tinha mandatários que vendiam trapaça
Não tinha noção de responsabilidade
O que mais provava a sua imaturidade

Era um governo que ao deus dará navegava
Só jovens prendia e os torturava
Acusava-os de golpe de estado e os prendia
Nas prisões não viam a luz do dia

Era um governo que não tinha economia
A Igreja muito solícita o aplaudia
Há muito que se corrompia
Nas manobras de diversão jazia

Era um governo que as mães açoitava
E quando uma mãe se manifestava
A feroz repressão lhe golpeava
Porque contra o poder atentava

Era um governo da população
Que vivia domiciliada na prisão
Só se safava quem era da corrupção
E a oposição ladrava em vão

Era um governo que casas não construía
Mas que aos milhares as destruía
Não tinha noção de propriedade
Era um governo da irresponsabilidade

Presos políticos são aos montes
Servem muito bem de bodes expiatórios
Os preços sobem e os brutamontes
Mais perfídias cozem nos seus laboratórios

Presos políticos acusados de terroristas
Economia no caos e a moeda também
Num pequeno grupo de sadomasoquistas
Tudo é deles e de mais ninguém

Presos políticos nas celas sem acusação
Terrorismo é subir, subir, o preço do pão
Quem prende presos políticos é a corrupção
Liberdade para os presos políticos … senão!






O REI DO PETRÓLEO (07)



RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

Fora do palácio viam-se chineses por todo o lado. A RCE estava finalmente, facilmente inundada de chineses. A miséria das seitas políticas prossegue na competição com as seitas religiosas, e não se vislumbra vencedor.
Entretanto:
E quando o dinheiro do petróleo não bastar para as excentricidades do grupo empresarial governamental, entrega-se a terra aos estrangeiros, aos chineses. Um jovem comentou que agora o inimigo está bem identificado, os chineses. Futuramente quem quiser um pedaço de terra terá que a pedir aos chineses a qual lhe será ostensivamente, colonialmente negada.
Na assembleia do povo, o Rei do Petróleo queria ordenar, impor o registo eleitoral sob seu controlo pessoal.
O Rei do Petróleo quer oferecer à China a RCE como uma província ultramarina.
Na prática, a constituição da RCE não existe. Trata-se de um amontoado de papel que se encontra por aí nos caixotes do lixo.
No Uíje, as mulheres para sobreviverem vendem água imprópria para consumo.
E a oposição estava, falava. Não fazia manifestações e a corrupção avançava, avançava.
Em Viana, arredores de Luanda, os meliantes tomaram de assalto o bairro da Sapu. De noite e de dia assaltam e roubam à vontade. Carregam marretas, partem paredes e à mínima resistência disparam a matar. Vêm em grupos de oito indivíduos, mas têm mais na retaguarda. Os assaltados telefonam para a Polícia e ouvem a resposta de que os números estão desligados.
Era, é, lixo por todo o lado, fechava ruas e amontoava-se chegando à altura de um prédio, diziam. A cidade é do lixo e constituiu-se, prostituiu-se numa república do lixo.
O plano do desenvolvimento económico da RCE, é entregá-la aos chineses, juntamente com a sua população que ficará à sua mercê como escrava.
A terra não é de quem a trabalha, é de quem a rouba.
No país do só roubar, ele muito mal vai acabar.
Para os que têm visão, para a frente é o caminho. Para os corruptos… não há caminho… a destruição é a solução.
Depois do comunismo soviético e cubano, a derrocada do comunismo chinês.
Que a população se revolte e depois a oposição se aproveite sem mexer uma mão.
A preguiça é a mãe de todas as batalhas perdidas.
Já se luta para conseguir um frango.
Duas crianças, uma de três e outra de seis anos agarraram-se desesperadamente na sua mãe porque um maluco estava próximo, ameaçava-as e choravam aterrorizadas: “Vamos ficar sem as nossas pilas!”
E um cidadão na miséria - dos milhões democraticamente eleitos – pergunta sem resposta, onde está o meu dinheiro que durante um ror de anos me foram descontados para a Unta, a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos.
E como se não bastasse, as pobres crentes na sua vulgar santa ignorância, nunca têm dinheiro porque o entregam num envelope à Igreja Universal.
A religião é como os tubarões que devoram os próprios corpos.
Como é possível um pastor afirmar que não é político, pois se a religião carrega o chumbo da sua política. A política é a arte ou a ciência de governar, significa que os pastores e as suas igrejas não têm ciência e andam ao desgoverno.
Na Igreja e nas igrejas não é a democracia – o governo do povo – que governa. É o poder da ditadura divina de uma só voz invisível. Onde há abundante religião há abastada miséria.
Na China, no festival anual do cachorro quente são mortos cerca de dez mil cães e depois comidos por seres humanos. O melhor amigo do homem é por ele traído num ritual canibal.
Na civilização africana estamos perante o que dela resta, apenas resquícios históricos. Na RCE as tochas da guerra civil estão acesas.
Quando há dinheiro todos são bons gestores. Quando não há todos são péssimos gestores. O bom gestor de uma empresa é aquele que numa crise económica consegue arranjar dinheiro. Os outros que não o conseguem não passam de parasitas.
Agora todos falam que é da crise… da crise do intelecto.
Nota-se claramente que á África Negra acontecerá o mesmo que aconteceu com os índios dos Estados Unidos da América. Como eles ficarão confinados em jardins zoológicos a que chamam reservas.
Uma vizinha para a outra: “Isso de ser presidente não é nada fácil.”
As religiões têm lobos com peles de cordeiro.
O segredo da vida está no coração de um homem e de uma mulher.
A democracia só existe dentro da Europa. Fora dela são as trevas dos regimes políticos dos castelos medievais. A África só se usa para negócios comerciais. As rotas dos escravos mantêm-se incólumes.
Sem revolução não há evolução.
Os que mais te defendem – os bajuladores – são aqueles que mais te abandonam.
A RCE será por vontade própria trincheira firme da invasão chinesa em África.
Os que mais te amam são aqueles que mais odeias.
Esta gente, o chamado nosso povo, nem noção têm do que é miséria. E isso permite-nos governar folgadamente.
As igrejas inventadas surgem do nada, como a denominada igreja da expulsão dos demónios.
De avião vêem-se as montanhas de lixo no chão. É a cidade, a capital mundial do lixo.
A vizinha ouviu que na Indonésia um avião despenhou-se algures no mar próximo de uma ilha. Perguntou a uma vizinha doutora onde ficava a Indonésia, e a doutora respondeu-lhe que a Indonésia fica na África.
A mãe estacionou o seu carro, e nele a sua filha de sete anos deixou, num estabelecimento comercial entrou, e muito rápida voltou. Mas um taxista observava o que se passava, e mais rápido que o demónio a sua filha sequestrou. Na loucura do rapto muito rápido bazou e mais uma mãe sem a sua filha ficou, chorou. Mães e pais, muito cuidado com os seus filhos pois as máfias internacionais já estendem as suas redes que pescam crianças, em mais um negócio fácil do comércio infantil. Na RCE tudo serve de negócio inclusive as crianças, que pela facilidade com que são raptadas, claro que há a suspeita de alguém superior por trás disso.
Pelo avanço sem grande oposição, brevemente o Boko Haram ameaçará as fronteiras da RCE? É de prever que com tal instabilidade política isso vai acontecer.
Tudo serve para os pastores das igrejas facturarem, o apocalipse anunciarem e grandes somas monetárias facturarem: «Homem vive com homem, mulher vive com mulher. Isto é o apocalipse, ele está aí!»

Pobres e inúteis pastores que intencionalmente omitem que as crianças brincam de: «Polícia lhe matou!» E por isso mesmo a comunidade internacional acha que com tão desprezíveis agentes da má fé cristã, não adianta perder tempo. Pois com tal pocilga intelectual não é possível nada de contratual. 

domingo, 6 de setembro de 2015

As crianças não são filhos deste universo



DESIDERATO, de Gil Gonçalves

É necessário e urgente um TPI para o genocídio de crianças

As crianças não são filhos deste universo, e como tal não têm o direito de o habitar
São muito úteis para tiro ao alvo dos ditadores e de muitos outros predadores
Neste mundo tão impuro, criança não tem futuro
E os pedófilos! a maravilha humana da mente insana
Crianças são criadas para morrerem afogadas
Quem criança permite matar tem urgentemente que se julgar
Vai o barco a naufragar e os meninos a se afogar
Para que os homens muito maus possam facturar
Não vais mais correr, saltar, e com os teus amigos nunca mais vais brincar
os abraçar
Ficarão as tuas sonoras gargalhadas com que amiúde nos alegravas
Não, não, este mundo não foi concebido para crianças, foi criado para as suas matanças
E quantas mais crianças matarem, vê-se o brilho nos olhos dos perversos a festejarem

Criança afogada na areia
Parece uma sereia
Parece dormir, sonhar
Numa canção de embalar

Adeus meu amigo
Estarei sempre contigo
Leva o meu abraço
Do quente do meu regaço

Meu menino que fugiste dos homens maus
Pouco depois de nascer
E noutros procuraste te acolher
Te refugiar
Afinal acabaste por morrer
Porque eles odeiam crianças
Odeiam as esperanças
Das crianças
As crianças já não são futuro
São para desprezar
Para afogar, para assassinar!

Os teus dois cães e o teu gato esperam-te para com eles brincares
Mas como se não vais mais lá estares

O biberão com o teu leite
Está na cozinha para quando acordares
Está quentinho para quando te levantares
Mas não, porque para lá já não irás mais caminhar

Vive-se feliz nos castelos fortificados
Fora deles os meninos morrem afogados

As ondas do mar são a tua derradeira companhia
Nelas jaz para sempre a tua poesia

Imagem G1 - Globo.com














sábado, 5 de setembro de 2015

A EXTINÇÃO DAS CRIANÇAS



Três anos de vida entregues ao contentamento da morte das desumanas serpentes venenosas. No assédio diário do horror das crianças abandonadas à morte perante a conivência de um mundo governado por criminosos Esta civilização é a extinção das crianças. Estão tão vulneráveis aos mais atrozes sofrimentos e assassinato que tudo leva a crer que os psicopatas estão no poder para definitivamente as abater. 

(Imagem G1 - Globo.com‎)