segunda-feira, 17 de março de 2014

Quarenta anos de problemas sem soluções





República das obras dos chineses que desabam

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

30 de Janeiro
Quem parte casas, desaloja seres humanos e os abandona no mato sem condições de sobrevivência, quem é que faz isso? São os colonos. Angola ainda é uma colónia que não se libertou do colonialismo!
Outro apagão: das 15.02 até às 16.52 horas.
31 de Janeiro
Garanto-lhes que o futuro de Angola está por um fio, porque um país não pode existir com a eliminação de cidadãos por forças de poder paralelas. Quer dizer: um Governo e vários poderes ocultos que não se sabe quem lhes dá ordens. Já se distingue claramente a violenta explosão!
01 de Fevereiro
A música dos apagões sempre presente! Das 17.02 até às 18.42 horas.
Angola tem uma desgraça, e essa desgraça chama-se MPLA!
Pela prostituição se vê o desenvolvimento de uma nação!
Esta Nação é um projecto de especuladores imobiliários!
02 de Fevereiro
Mais um apagão da nossa desgraçada vida. Iniciou às 14.23 horas, quando terminará? Só o deus do petróleo o sabe!
E para tentar esconder a miséria e mostrar aos estrangeiros que nos neocolonizam, prendem-se as mulheres que vendem nas ruas para que a fome se reforce e a população se revolte!
03 de Fevereiro
A podre energia eléctrica dos aldrabões regressou às 14.22 horas.
Muito obrigado MPLA por destruíres a minha vida. Que o senhor do Inferno te abençoe!
Os homens honestos são muito perigosos para o poder dominado por corruptos!
04 de Fevereiro
De uma mais velha que sempre votou no MPLA e que prenuncia a revolta da fome que passa por cima de tudo e de todos: «Angola é de meia dúzia de ricos que nem cinquenta kwanzas nos deixam ganhar!”
Povo que se lamenta não é povo, é abastecimento de gado para o matadouro!
Povo que ladra não morde!
Povo angolano é um pardieiro!
E os angolanos já conquistaram mais uma proeza. Na cidade de Luanda, depois de luta intensa, conseguiram obter o estatuto de gado humano. E por isso mesmo abundam os matadouros/zangos que os recebem sem dignidade para o abate sem misericórdia.
Desempregados de todo o mundo vinde para Angola, há empregos para todos! Podem à vontade contratar os escravos angolanos para vos servirem, pois em Angola não existem trabalhadores angolanos!
05 de Fevereiro
Neste reino dos apagões a energia eléctrica desapareceu de vez: das 11.52 até às 12.31 horas. Das 12.31 até às 20.40. Das 20.55 até às 21.07. Das 21.08 até às 21.24. Voltou a evaporar-se às 21.29 horas.
As cinco torres do largo do Kinaxixi estão sem luz. Só uma tem luz até meio, a outra metade escureceu. E no largo do Zé Pirão, nas traseiras do prédio de doze andares só se vê um apartamento com luz.
06 de Fevereiro
Ana Margoso no Facebook. “A esposa de um administrador de uma empresa pública foi "apanhada" no aeroporto internacional de Luanda, 4 de Fevereiro com milhões de dólares não declarados. Segundo a fonte que citou nomes, mas prefiro ocultar, por uma questão de ética, os valores terão ficado na alfândega do aeroporto... Sinceramente estamos muito mal.”
A luz do MPLA finge que nos ilumina com um regresso às 00.29 horas. Outra vez, sempre outra vez outro apagão, das 02.02 até às 06.32 horas.
MPLA, o partido da destruição de Luanda!
Forças do MPLA sitiam a cidade!
Entretanto, primeira medida para a resolução da energia eléctrica em Luanda é correr com os chineses da EDEL – mas quem teve a ideia deste nome horrível que nos causa calafrios? Quem foi! – porque onde estão só fazem merda! Chinês é igual a corrupção, a máfia!
MPLA inaugurou mais um centro de formação da destruição de Luanda.
O MPLA é o petróleo e o petróleo é o MPLA! E só de petróleo vive o MPLA!
Quando é que o MPLA vai frequentar a instrução primária?
E está chegada a hora de pedirmos contas à malfeitoria que nos governa, pois quem nos priva de energia eléctrica não merece perdão, tem que ir para o paredão, a aguardar julgamento perante o olhar estrondoso do pelotão sem misericórdia.
O petróleo resolve os problemas deles, os nossos a miséria que os resolva!
Agora, resta-nos o respirar do fumo dos geradores da morte dos vendedores desta Pátria. Quando os estrangeiros governam é assim. Vivemos em caixões para que quando ao morrermos fiquemos preparados para a agência funerária em que este vampirizado regime se formou. Dos outros horríveis países tudo é copiado e aqui implementado. Só as conversas que oiço na rua, arrepiam-me! Mas para os senhores da nossa morte tudo está calmo, porque a vanguarda revolucionária deles está sempre atenta, muito violenta!
E na república dos apagões de Angola eles não cessam: revisitaram-nos das 09.37 até às 11.21 horas. Das 20.27 até às 21.01. Logo depois das 21.04 até às 21.24. Logo outra vez depois fugiu às 21.33 horas.
07 de Fevereiro
A energia eléctrica voltou às 20.33 horas.
Perante o caótico sistema de abastecimento de energia eléctrica à cidade de Luanda, que ao longo dos quarenta anos nos vigarizam sempre que nos próximos anos o fornecimento não terá mais problemas – coisas do leninismo – só que agora vivemos dias e dias de alta tensão, de anarquia nunca antes vista. É o liga e desliga permanente, os cabos aquecem e queimam, os equipamentos eléctricos não suportam tanta destruição. E, claro, o famoso pré-pago da imposição dos financiamentos chineses - que me lembram que durante a famosa ajuda internacionalista da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS, que obrigou Angola a comprar equipamentos militares da segunda guerra mundial – que não suportarão por muito mais tempo as tremendas oscilações da energia eléctrica, e então cairão em cadeia. Questiono: voltaremos ao anterior sistema da factura, do evite desligamentos e cortes na distribuição? Exemplo que me deixa apreensivo: a caixa do vizinho do pré-pago já foi, parece que queimou o fusível, o vizinho está sem luz há três dias, e a EDEL como sempre não tem capacidade de resposta. Esses equipamentos chineses estão fechados à chave e só têm acesso via EDEL, ou chineses? Veremos! Outro vizinho do outro prédio foi lá, a EDEL disse-lhe que daqui a nada estamos lá, depois entramos em contacto consigo pelo telefone. Só ao fim de três dias é que apareceram, e nunca telefonaram, mas não eram necessários pois o vizinho conseguiu resolver o problema com um electricista. Eu estou muito apreensivo. Se me acontecer o mesmo terei que me safar pelos próprios meios. Enquanto estas empresas e Angola não desmontarem o sistema leninista de gestão desintegrada nunca mais sairemos desta inútil ortodoxia.
No tempo dos portugueses a luz e a água não faltavam. Actualmente os colonos que nos governam não têm noção, ainda não aprenderam o que são essas coisas elementares, fundamentais para as populações, porque os seus cérebros (?) estão dementes, possessos pelo fundamentalismo do petróleo.
Em Angola não existe povo, só petróleo!
De uma mais velha do MPLA. Mas eles – do MPLA – vão acabar muito mal. Eles são como essas igrejas onde os pastores têm ordenados pagos pelos crentes. São demónios!
As torres e os condomínios deles crescem, e as nossas vidas desaparecem.
Agora raptaram um navio petroleiro, e quando raptarem o Governo angolano?

sexta-feira, 14 de março de 2014

Só falta o porta-aviões




A Sonangol é empresa partidária
Também é, tinha que ser, imobiliária
Mas não é, devia ser, apartidária
Também será, é, agência funerária?
Todo o negócio passa nessa perdulária
É próprio da sua indumentária
Vende-se, come-se tudo, é culinária
Com uma oposição tão otária
Que quando a chuva cai, e se acaba
A obra do chinês desaba

Três ou quatro políticos
E ninguém mais pode ser político
Três ou quatro poetas
E ninguém mais pode ser poeta
Três ou quatro escritores
E ninguém mais pode ser escritor
Três ou quatro jornalistas
E mais os seus amigos e amigas
E ninguém mais poder ser jornalista
Três ou quatro rádios
E ninguém mais pode ter uma rádio
Três ou quatro emissoras de TV
E ninguém mais pode ter
Centenas, milhares de igrejas
E toda a gente pode ter uma igreja
Três ou quatro novos-ricos
E ninguém mais pode ser rico
Três ou quatro gatunos
E ninguém mais pode roubar
Três ou quatro senhores do petróleo
E ninguém mais o pode ser
Três ou quatro estrangeiros
São donos de Angola
Entregaram-lhes Angola
E os guetos são para a negralhada
No aviltar da esmola
Para quê adiar o esperar
Se isto está a rebentar!
E lá segue o comboio da corrupção
Sempre apinhado, esgotado de lotação

E a energia eléctrica acabou
E que Angola se arrastou
E nada dela mais restou
O destino da África terminou

E tu minha amada angolana?!
A tua lealdade não é fantasia
Não sabe o que é hipocrisia
O teu interior é a tua alegria
O teu exterior é a minha euforia
Habitas no meu coração dia-a-dia
Não te poderia esquecer neste dia
(Nunca te esqueço todos os dias)
A tua beleza é a minha primazia
Amar com sinceridade é sabedoria

quinta-feira, 13 de março de 2014

Jardim zoológico de Luanda





A hipocrisia é uma arma mortífera

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

25 de Janeiro
Queridos leitores e leitoras! Este Governo não sabe o que é energia eléctrica, para eles isso é uma coisa do outro mundo, é magia, é feitiçaria. Desculpem-me pelos compromissos que assumi junto de vós, mas que já lhes vou dar corpo, se não me cortarem outra vez a luz. Isto não é Governo, é um castelo infestado dia e noite por condes dráculas!
O monumento nacional da estupidez humana, a energia eléctrica, chegou às 07.01 horas.
Os abutres devoram-nos, mas a caravana do povo avança, segue o seu caminho libertador.
Residi durante dez anos nos Olivais-sul, em Portugal, arredores de Lisboa, e a água e a luz nunca faltaram. Aqui, a nossa enxovia primitiva escraviza-nos na permanente falta de energia eléctrica, o que faz com que não haja água, pois que não existindo energia eléctrica, Angola não existe, é como se fosse – é - um deserto. De facto a viver assim é a escravidão da morte. E custa-me a entender o porquê da extremada felicidade que sentem os portugueses quando aqui arribam. O neocolonialismo protege, saqueia os escravos angolanos.
Quem extingue a água e a luz às populações, isso é um acto criminoso! Espero que o Estado totalitário aqui não se faça mais presente. Porquê só para estrangeiros e para nós nada? Porquê sempre a república dos angolanos na miséria?
Conheço uma mais velha que há quarenta anos vive com computadores e não sabe mexer em nenhum. Diariamente diz que o Senhor está a chegar. A religião mal utilizada asfixia os cérebros das pessoas. A religião – repito - muito mal utilizada é a corrupção espiritual!
Antes dos chineses chegarem viam-se gatos na caça dos ratos. Depois da invasão chinesa os gatos desapareceram – os chineses fizeram-lhes opíparas refeições, assim como aos cães, raramente se vê um - e agora temos duas novas invasões: uma de ratos e outra de baratas de todas as espécies: pequeninas, pequenas, médias, grandes e gigantes, que por mais que nos esforcemos não as conseguimos dominar, pois que entram por baixo das portas ou voam para dentro das nossas casas. O risco de epidemias é alarmante, pois, ratos e baratas circulam por todo o lado, por tudo o que é lixo, e aqui ocorre-me o lixo hospitalar!
Bom, vamos à primeira definição de literatura: literatura é o conhecimento das profundezas da alma humana. Estou certo, José Eduardo Agualusa?
Angola é a terra das oportunidades de empregos, a terra da felicidade, o paraíso, a terra dos gestores de contas, dizem os portugueses. Mas uma coisa é certa! Já não há empregos para ninguém, então como é que os portugueses os conseguem? É por isso que Angola é para nós a terra sem oportunidades de empregos, a terra da infelicidade, o inferno.
26 de Janeiro
Dói, mas esta é a verdade! A actuação da inescrupulosa invasão portuguesa em Angola promove uma chacina na qual eles serão as principais vítimas. É muito simples: Angola já não é uma colónia! É que, neste paraíso, são apenas oitenta por cento de desempregados angolanos, e cem por cento de empregados portugueses!
27 de Janeiro
A Igreja Católica é parceira do Governo angolano. Bento Bento, governador de Luanda nas cerimónias do 438º aniversário da cidade de Luanda.
Aos angolanos - como espécie em vias de extinção - restam-lhes o jardim zoológico?
O navio petroleiro que desapareceu no mar, próximo de Luanda, já foi localizado. Noticiou a Rádio Ecclesia.
“Caro Fernando Pereira, compreendi; só aproveitei a deixa para alertar algumas pessoas que ao contrário do que pensavam, existia de facto uns "iluminados" que achavam poder usar o dinheiro público para mostrar uma potenciação que não temos esquecendo que uma casa começa pelo telhado e que foi, gostemos ou não, Eduardo dos Santos travar essa utopia gastadora e absurda (e ainda por cima um navio que ia para abate por velho)” Eugénio Costa Almeida. Facebook. Sobre a compra do porta-aviões espanhol.
Acredito que o êxito da localização do navio petroleiro se deve ao vice-almirante Joaquim José Gouveia, angolano extremamente culto e também extremamente inteligente. Há já vários anos que não o vejo, mas nos muitos anos que com ele convivi mantivemos uma amizade sólida. Um forte abraço para si Chefe Gouveia! As portas desta desgraçada casa continuam abertas!
Os horrendos assassinatos que se praticam como um desporto sobre inocentes crianças e pessoas indefesas levam à conclusão de que o mundo necessita de uma urgente revolução!
O regime da escravidão impôs-nos mais um corte de energia eléctrica das 19.04 até às 22.47 horas. E logo depois das 22.50 até às 22.59 horas.
Notícias do paraíso Angola: os incompetentes para justificarem a corrupção da energia eléctrica tornou-se hábito dizerem: no tempo do calor o consumo é muito elevado, a capacidade instalada é insuficiente. No cacimbo – tempo frio – a humidade afecta as linhas de transportação de alta tensão da energia eléctrica, e daí o colapso dos isoladores que rebentam. Quer dizer: estas duas coisas afectam a incompetência dos não eleitos pelo povo! Os alemães também disseram que foi o frio na Rússia que lhes fez perder a guerra. Aqui o que conta é arruinar a vida do outro, porque o petróleo é nosso!
Se os portugueses em Portugal são muito burros, o porquê de logo que chegam a Angola são muito inteligentes?
Disseram a um português que ele tinha trabalho bem remunerado na RDC do Kabila. Mas ele não aceitou, disse que queria vir para Angola, apesar de estar a passar miséria em Portugal. (Porque o regime apoia a escravidão do angolano?)
Aqui sinto-me como o Tarzan na selva. Já sinto imensas saudades da civilização dos brancos.
Antes, os portugueses eram ferozes inimigos do MPLA porque era comunista. E agora os portugueses são comunistas, acérrimos defensores do MPLA, quer dizer: não são comunistas, são comodistas! E se outro partido ganhar as eleições em Angola – o que não é difícil, pelo contrário é muito fácil – os portugueses passam imediatamente a defender histericamente esse partido. Estão a perceber?
Os vampiros chineses e portugueses sugam o sangue de Angola. Dos angolanos só restam os ossos, e mesmo assim os vampiros sugam-nos!
Luanda não é uma cidade, é uma prisão!
E quando não há luz, o MPLA obriga-me a respirar o fumo da morte dos seus geradores. E as crianças que respiram este fumo mortal? Angola é outra Síria?
Dos detentores do Poder parece que ninguém gosta de paz, porque a vida de um escravo angolano não tem valor! Claro, vida de escravo é mesmo assim, pode-se abater quando o seu proprietário bem entender!
28 de Janeiro
O demónio satanizou outra vez a energia eléctrica. Foi um apagão daqueles a lembrar-nos que os senhores dos nossos destinos querem ver-nos na miséria, destruir-nos de uma vez por todas. Das 09.41 até 11.41 e logo depois das 11.49 até às 23.43 horas. Viva a luz marxista-leninista!
29 de Janeiro
Os angolanos vão ser obrigados a adquirir a nacionalidade portuguesa?
Como é que há gente – portugueses – que dizem que isto é um paraíso? Pois se raramente há energia eléctrica? Cortaram-nos outra vez a luz sem qualquer explicação – leninismo que nunca mais te vais – das 14.18 até às 19.07 horas.
O Kim Jong-un da Coreia do Norte mandou executar o tio e a sua família com a crueldade habitual dos extremos mais horripilantes para impressionar e para que o temam. E como tem armas nucleares, de um momento para o outro lançará mísseis em todas as direcções deste planeta. E enquanto o drácula norte-coreano mata à louco, por aqui o regime imitando o líder dos líderes norte-coreano, mata-nos com os requintes mais sádicos: a tortura dos apagões, não vale a pena mentir: não temos energia eléctrica! É por isso que a África está em convulsões permanentes, porque antes libertou-se de um colonialismo, agora procura libertar-se de outro.
A África é um monte de capim sempre apto para que alguém o incendeie.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Como é possível tomar decisões sem informação credível?





República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

20 de Janeiro
Espoliaram-nos a luz das 00.02 até às 02.58 horas.
Isto é que é inteligência nata: os estrangeiros espoliam os empregos, Angola é a república dos desempregados, o que origina a venda nas ruas. E a comissão administrativa de Luanda proíbe a venda ambulante e multas a quem comprar nas ruas. VIVAM OS ASSALTOS!
Subjugam-se as pessoas para lhes mostrar que temos poder. Domingos das Neves, comentarista da Rádio Ecclesia.
Muitos assuntos podem-se resolver pela Internet, como por exemplo as inscrições na Universidade Agostinho Neto, mas como a corrupção prevalece, a Idade da Pedra merece.
Às 22.07 horas a luz foi-se, outra vez no caos?
O PIB de Angola sobe e a nossa miséria também!
Jacarés
Um jacaré abocanhou uma mulher e levou-a para o seu esconderijo. Afastou-se para convocar os seus colegas para o repasto. Uma perdiz que por ali andava notou que num pequeno buraco uma coisa se mexia. Com o seu bico furou, furou até que fez um buraco suficiente para a mulher se salvar. Os jacarés já vinham a caminho para o banquete. Chegados, viram que era mentira, pois que não havia comida à disposição. Então, os jacarés sentindo-se frustrados atiraram-se ao jacaré para o comerem. E o jacaré que ia servir de comida fugiu com todos os jacarés na sua perseguição.
Ministro da Saúde de Angola, José Van-dúnem na rádio Ecclesia: é preciso muito cuidado com os medicamentos contrafeitos que vêm da China.
O regresso ao Estalinismo em acção? Forças Armadas Angolanas nas demolições?!
Rádio Ecclesia: Tumultos entre as FAA – Forças Armadas Angolanas, Polícia Nacional e a população da Chicala 2 que dizem que não sabem para onde vão. Os moradores da Chicala 2 revoltaram-se porque as forças da demolição com as pessoas ainda a dormirem, foram surpreendidas com montes de autocarros e máquinas para lhes partirem as casas. Entretanto, continua o braço de ferro entre os moradores e as forças da demolição. O presidente da comissão administrativa de Luanda não faz declarações.
Estou-me marimbando para os tais do chauvinismo, mas que não denunciam a miséria, a escravidão a que obrigam os angolanos, voltando aos tempos das plantações de escravos, mas pelas informações que recolho, portugueses também estão por trás disto, as tais corporações.
TAMBÉM CARVÃO?!
“Luis Mango. MUITO BOM DIA A TODA GENTE! chamo-me luis e sou vendedor de carvao! e trago-vos hoje o carvao de ultima geraçao! carvao k vai vos por o cú em brazas! Carvão piriguete, se não usares, levas um pirete!” In Portugueses em Angola. Facebook
Então, as Forças Armadas Angolanas foram criadas para demolirem casas? E o seu objectivo principal da salvaguarda da Pátria é as demolições? Mas que desprestigio para o Exército Nacional. Por favor, não me façam chorar! Que Pátria é esta que está tão de rastos que não se consegue levantar? Tumultos diários estão na Constituição? Pelos vistos parece que sim!
21 de Janeiro
Aquilo que eles costumam chamar energia eléctrica regressou às 01.54 horas.
Luanda, o caos generaliza-se. Quem está por trás disto? Durante dois meses pensei que o paraíso finalmente chegou. Tive luz e água com fartura. Qual Quê?! Outra vez a energia eléctrica e a água debandaram. São milhares de estrangeiros. Milhares de chineses e portugueses. A água e a luz cada vez pior! Pergunto: o que é que eles estão aqui a fazer? No saque, não é?!
Angola é só facturar e angolanos aniquilar! Depois de arrasar Portugal e os portugueses, o banco millennium Angola, na rua rei Katyavala, Luanda, gaseia crianças… e adultos. Com o potente gerador que instalou nas traseiras dos prédios, mata à vontade crianças que – é fácil de ver – não têm pulmões para resistir ao fumo mortal do gerador assassino. Estes portugueses em Portugal fariam isto? Claro que não, porque a “negralhada” pode-se matar à vontade! Isto não é incitação ao ódio? À violência? À revolta? A tumultos?
A energia eléctrica e a água que se lixem! Safem-se pra aí como puderem seus burros! Desde que haja petróleo, o resto não interessa. O mais importante é resolver os problemas do petróleo. Povo?! O que é isso? O lixo é mais valioso, rende mais, dá para negócio, para facturar! EM ANGOLA JÁ NÃO EXISTE POVO!
E o Senhor disse para o banco millennium: Ide para Angola e lá vos chamareis de banco millennum Angola, na rua rei Katyavala em Luanda. E como aqui em Portugal essas coisas de bancos com geradores da morte não são permitidas, lá em Angola podeis e deveis matar à vontade! Lá, tudo é permitido e a morte é tão insignificante. E para um banco como esse, quanta mais gente matar, mais se irá facturar! E chamam-nos de selvagens!
22 de Janeiro
Os meus indicadores dizem-me que Luanda vai virar uma selva inabitável!
De facto a EDEL tem toda a razão. É uma nova era na distribuição… sem luz!
Se uma universidade em Angola não é capaz de colocar na Internet se os alunos estão ou não inscritos, não é, nunca será universidade. É uma espécie de bordel!
Hoje os apagões visitaram-me, primeiro das 10.54 até às 12.31 horas. E depois das 12.54 até às 15.10 horas.
O caos outra vez, sempre!
Quando vi dois camiões, um com dois geradores e outro com três – geradores grandes, potentes – logo compreendi porque é que as faltas de luz voltaram. É que com energia eléctrica não se consegue vender geradores, e então há que obrigar a isso, aos habituais apagões. E daí os cortes anárquicos sem explicações de quem nos atira com o lixo da governação. A característica fundamental de um regime leninista é a permanência eterna no poder e sempre sem energia eléctrica, e logo sem água. E sem estas duas coisas é impossível viver, trabalhar, mas o regime leninista – sempre revolucionário – diz que estas coisas são próprias de uma revolução e da corrupção… eternas!
Em Luanda, viver é destruir a vida do outro.
23 de Janeiro
Outro apagão das 01.20 até às 03.40. Caminhamos muito bem no rumo da desgraça!
E a desgraça volta a convidar-nos para o seu covil com mais outro apagão das 21.58 até às 22.46 horas.
Só nos faltava mais esta: ao meu redor – nunca aconteceu – só se ouve o barulho de partir paredes, bater em chapas, serrar, martelar, como se todos os prédios de repente ganhassem vida como num naqueles filmes de terror. E nos terraços também. É de facto a selva inóspita de Luanda que se generaliza!
Creio que é mais ou menos assim: a brisa marítima ecoava, a sua doce presença irmanava, nos enlaçava e cegonhas convidava. A maré entretanto vazava e a comida abundava. Era o hino da alegria de Beethoven. Um silêncio que não impressionava porque já a ele nos habituava. Até que não se sabe de onde surgiu das profundezas uma criatura monstruosa. Pôs tudo em debandada, porque vivemos continuamente debaixo de uma cilada!
24 de Janeiro
Angola está a perder em tudo, perde em tudo, está perdida!
Ninguém pode dizer: não sou político, porque este acto envolve uma política: a de não ser político.
E mais desgraça chega: outro apagão das 13.42 até às 19.32 horas. Pouco depois, às 19.40 a idiota da luz acena-nos, a escuridão volta nesta Angola das trevas.
Mais uma de Luanda: anda para aí uma igreja – ainda não identificada – que diz para os seus fiéis que o Governo vai carimbar as pessoas.
Os ventos do silêncio movem os moinhos da ditadura!
Agora também já assaltam e raptam navios petroleiros. É verdade, aconteceu no mar, próximo de Luanda.