sábado, 18 de julho de 2015

O Hino de São Paulo SP (01)




Na sua geografia
Ela faz a sua poesia

Ela passeava pela calçada
E no andar se enlevava
E no olhar enfeitiçava
Na sua câmara fotografava

Possuída de vida caminhava
Liberta ninguém a amarrava
Sentia que o destino a amava
E sabia que um hino louvava

No florístico atlântico guardava
A geografia que muito estudava
Muito, muito para além olhava
E segredo nas conchas atirava

No sol da areia pulava
E solenemente atraída ficava
A água vinha e ia lhe deixava
Uma conspiração preparava

Sempre alerta não se cansava
Para além do infinito viajava
Na selva humana se sentava
O drama do paraíso cativava

Uma forte onda brincava
No seu corpo saltitava
A espuma muda se aproximava
O sol do fim do dia a esperava
A serenava

A água cor de cinza do sol amarelo
Entristecia, não, bendizia o belo
A vegetação da margem se escondia
Para a maravilha de um novo dia

Como uma câmara o sol fotografava
As ondas que se espelhavam
No céu se amontoavam
A natureza divina pintavam

Como criar um sonho e nele viver
Numa palmeira uma onda bater
E na sua casa do mar se recolher
E deixar a areia a escorrer

No amanhecer de um novo dia
Esquecendo a anterior nostalgia
Uma profunda esperança a invadia
Oh! Como é difícil sentir alegria

Na sua geografia
Ela faz a sua poesia



sexta-feira, 17 de julho de 2015

O REI DO PETRÓLEO (03)


RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

É impossível uma nação sobreviver no secretismo absoluto das negociatas dos seus governantes.

No palácio, o Rei do Petróleo agigantou uma festança para comemorar mais uma das suas palavras de ordem que dava pelo nome de: ENTREGUEMOS AS NOSSAS TERRAS AOS CHINESES. Antes do imponente acontecimento os serviços protocolares esmeraram-se no envio de aeronaves para transportação dos governadores de todas as províncias e demais generalato do elenco governativo da RCE. Notável, como sempre há quarenta anos, era o comité de especialidade dos bajuladores, do comité de especialidade da Igreja e das igrejas, onde se impunha a sumptuosidade de um cardeal, bispos, padres e demais acólitos religiosos. Dinheiro não havia porque o preço do petróleo não consentia, a população sofria mas o Rei do Petróleo mais se enriquecia. Na RCE o seu soberano imperava como ser absoluto exactamente como os senhores feudais, dos quais seguia escrupulosamente os seus ditames. O fausto e opíparo rega-bofe tinha como abertura um duo de trovadores medievais recrutados na Europa para abrilhantar, fazer jus às laudas etiquetas desses tempos antigos mas na RCE extremamente actuais. O duo compunha-se de um hábil mestre de alaúde e de uma bela musa do canto, que assim inauguraram mais um universo de gastos supérfluos.  E a melodiosa voz feminina abriu o concerto medieval chinês:

O Rei do Petróleo é o único que pensa
Dá as terras aos chineses ficam sua pertença
Como se a RCE fosse deles desde a nascença
E o povo resta-lhe a escravidão como recompensa

Claro que os ouvintes levaram a letra da música para os tempos da Idade Média, não a conseguindo associar ao tempo local. O Rei do Petróleo não quis discursar alegando que estava muito ocupado com os assuntos do Estado, delegando competências ao cardeal seu grande amigo pessoal e das colheitas dos dízimos do petróleo. E o cardeal não se fez rogado e orou a Deus para que lhe concedesse sabedoria, porque sem Ele nesta terra e neste mundo nada é possível, então já possuído por Deus pregou para os beneficiários do petróleo e demais riquezas do país:
- Ao nosso omnipotente Deus que concedeu a graça e o poder divino ao nosso querido irmão crismado Rei do Petróleo porque sem ele nunca seriámos independentes. Meus irmãos, devo confessar que não é possível alguém governar em seu lugar porque o espírito de Deus está com ele na vida e na morte. Isto significa que o nosso bem-amado Rei do Petróleo governará para sempre e não há poder que se lhe oponha, pois o poder de Deus é invencível. Mesmo depois da sua morte o Rei do Petróleo nos governará do além-túmulo em espírito para todo o sempre, portanto não devemos perder tempo com eleições ou qualquer inutilidade similar porque Deus já designou vencedor. Meus irmãos, só Deus tem o poder de ressuscitar mortos e impor o seu governo celestial na RCE. Oremos irmãos para que o petróleo e os seus lucros continuem a jorrar sob a sábia direcção e gestão do único sábio que Deus nos presenteou. Finalmente uma palavra sobre a negociata chinesa: Não estranhemos irmãos a entrega de parte do território da RCE aos chineses. O importante não é o povo que será mais uma vez escorraçado, das suas terras espoliado, para dar lugar aos chineses em troca dos biliões de dólares que eles concedem a esta república em nome do reforço dos laços de amizade e cooperação que unem os dois povos, a República Popular da China e a nossa também ainda república popular. Meu Rei do Petróleo, tu és o maior meu!
Do comité de especialidade dos bajuladores surge uma personalidade bem sinistra. Demonstra-a o seu rosto sinistro, olhar de pelotão de fuzilamento, roupa de verdugo de guilhotina, de conjuntura rodeada por uma auréola de intolerância política, arrogância desmedida, gestos agressivos do estilo, eu faço o que quiser e bem entender, em suma: o demónio em pessoa.
- Jamais na história da humanidade se conheceu tão insigne humanista, tão acérrimo defensor do povo e dos direitos humanos. Nesta república tudo vai bem e a população sente-se imensamente feliz por ter um guardião que vela por ela, e dá às crianças tudo o que elas merecem. Nas centralidades e no partir das casas está o sucesso do nosso futuro. As nossas crianças, os continuadores da nossa gloriosa gesta, nada lhes falta, incluindo o mais importante: o extremoso amor do nosso querido e atraente líder, o camarada Rei do Petróleo. Sem ele, o que seria de nós? Não seriamos nada, apenas uns zés-ninguéns. Confiemos e brindemos ao nosso herói, ao nosso pai, ao nosso arquitecto da paz, ao nosso mais que tudo. Camaradas! Viva o nosso camarada presidente! Viva a nossa riqueza. Abaixo as manifestações! Tortura e morte aos arruaceiros e a quem ouse atentar contra a ordem estabelecida. Viva as chacinas! Viva o empréstimo chinês e a hipoteca das nossas terras! Viva os comités de especialidade!
E ouviu-se um estrondoso bater de palmas como uma ovação da entrada triunfal em Roma de um vencedor dos seus inimigos.
Começava também a primeira reunião oficial do GEC-Gabinete Especial das Chacinas, onde se deliberou, se decretou que a próxima chacina seria nos partidos da oposição. Como nota final recomendou-se que tudo o que fosse religião seria enquadrado no comité de especialidade da religião. E quem resistisse, não concordasse, se manifestasse, seria entregue, purificado pelo fogo da chacina.
Há homens que engrandecem países, há homens que os vendem ao desbarato. A corrupção não andava, por todo o lado galopava como uma manada de cavalos tresloucada. E na rua ouvia-se mais um desafortunado como num pregão: «Mais um saque de um português/angolano. Dupla nacionalidade, duplo saque. Augusto Helder Paiva de Azevedo é o sócio-gerente da empresa Magnum-Protecção e Assistência, Lda. Funciona em Luanda nas instalações do CFL- Caminhos de Ferro de Luanda, nas suas traseiras junto à Unicargas. Nas contas do balanço de 2014 defraudou a conta de Edifícios Administrativos adulterando-a para Equipamento Industrial no valor de Kwanzas, 593.515.896.50 para vigarizar a FESA-Fundação Eduardo dos Santos, que está em negociações para aquisição do espaço. Os valores dos Edifícios Administrativos provêm de facturação falsa de empresas criadas para o efeito. Ora, a Magnum nunca teve nenhuma instalação industrial, basta ver a sua denominação comercial. Uma empresa de segurança tem instalações industriais de quê? Foram também falsificados documentos para pagamento das rendas do ano de 2014 (e anos anteriores) do CFL no valor de 4.500.00 dólares mensais, e os seus valores creditados na sua conta pessoal. O terreno é do CFL, e a sua transacção é mais uma negociata ilegal. Quer dizer, o português/angolano faz a negociata e depois foge de Angola.» E o nosso pregoeiro termina: «Roubar mais e distribuir pior!» Eis o paraíso perfeito para a gatunagem empresarial, de bandidos da pior espécie que sob o disfarce da dupla nacionalidade exercem a sua actividade criminosa, obtendo elevados lucros e gozando da santa total impunidade.
Nas ruas houve-se o clamor do povo, que as igrejas estão cheias, que o povo diz que vai vir aí uma guerra pior que a de 1975. Enquanto os jovens do movimento revolucionário gritam que, sem manifestações não há liberdade.
Pretender acabar com quem vende nas ruas para sobreviver, é como querer acabar com as moscas, porque ao enxotá-las elas vão para outro lado. É o desejo mórbido de esconder a miséria para mostrar a pobreza de espírito dos ricos e das suas riquezas ilegais. Na RCE só há lucros para os ricos, os pobres são para exterminar.
Mais mil casas foram destruídas na zona da Funda, arredores de Luanda. Partir casas continua como a principal ocupação da desastrosa governação. Os desgraçados foram viver ao relento, entregues nos braços da morte, pois com as baixas temperaturas nocturnas, o frio mata-os. Mais uma cidadã agora na condição de expatriada disse na Rádio Despertar que eram três horas da manhã quando “forças de terra, mar e ar”, invadiram a área, para que os seus quintalões sejam entregues aos brancos, (chineses).
Os chineses já estão a cobrar os juros do empréstimo a toda a velocidade. Os chineses estão a ser corridos da África. Acabam de ser corridos de Moçambique, resta-lhes o último reduto, a RCE, e mais um violento conflito à moda colonial surge.


Imagem: autor desconhecido

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Calomboloca, a nossa prisão de Robben Island



Minhas irmãs e irmãos
Aleluia, amém!

Nenhum poder na terra é capaz
de deter um povo oprimido, determinado
a conquistar a sua liberdade.
(Nelson Mandela)

No tempo do Salazar
Não podíamos ler
Livros sobre o marxismo
Porque isso era comunismo
E logo condenados ao ostracismo
Estavam proibidas as reuniões
Nem falar de manifestações
E das políticas associações
E abarrotavam-se as prisões
De políticos presos
Como infantes indefesos

Não havia actividade política
Excepto a do partido no poder
Tudo o mais era para prender
Livros proibidos de ler
Acusados de tomarem o poder

E acabou num golpe de estado
Em Abril
A ditadura acabou
Nada sobrou

Aqui é muita coragem para sobreviver
Pois se nem amigos conseguimos ter
No próximo cacimbo viver mais assim
Que será dos quinze, ai de mim!

E se o meu deus me ajudar
Desejo nunca mais voltar
Enquanto o santo governar
Em Calomboloca me aprisionar

E na miséria que temos para contar
Sem que ninguém nos possa ajudar
E enquanto vamos rezando
Os chineses nos vão colonizando

Já o toque de finados da democracia
Nas celas dos quinze se previa
Na clausura da noite e do dia
Mais presos políticos se anuncia

Em pleno funciona a lei da mordaça
Os seus mentores felicitam a desgraça
De porta em porta se acerca o terror
Sem piedade nos persegue o Senhor!





sábado, 4 de julho de 2015

O REI DO PETRÓLEO (02)




RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

De um intelectual africano da RDC-República Democrática do Congo, durante um debate em Luanda. “O Japão nunca foi colonizado, depois dos primeiros contactos com os americanos, os japoneses admiravam e queriam saber porque é que a Europa era muito forte. Então decidiram traduzir os livros de filosofia, antropologia e outros e estudá-los, e finalmente descobriram porque é que a Europa era muito forte: porque os seus pensamentos duravam muito tempo… os dirigentes africanos assassinam os seus intelectuais porque têm receio que eles tomem o poder, quando na verdade os intelectuais são críticos e não aspiram ao poder.”
A ONU diz que a África perde anualmente sessenta biliões de dólares devido à corrupção.
Isaías Samakuva, presidente da Unita, disse numa conferência de imprensa em Benguela, que ao encontrar-se com um grupo de jovens alunos da oitava classe, perguntou-lhes quantos são cinco vezes quatro. Os alunos recuaram e alguns responderam que são nove.
José Patrocinio, dirigente da Omunga, uma associação cívica de Benguela, escapou à última da hora de ser assassinado por atropelamento por um camião conduzido por um chinês, (!) porque à última da hora ele desistiu de esmagar a motorizada com que normalmente José Patrocinio se desloca.

O Rei do Petróleo está no seu palácio – ele raramente dele sai, vive lá como um eremita palaciano – a analisar os fracos rendimentos do petróleo, porque a maré petrolífera estava sempre em alta, a encher, os preços baixaram e a maré está a vazar e não se sabe quando vai terminar. Naturalmente assim permanecerá porque o petróleo, como tudo, também acaba. Só os otários que nele tudo apostam e dele dependem porque não sabem fazer mais nada, preferindo viver à sombra e água fresca. E depois surge o desastre já devidamente anunciado por quem entende da matéria. O Rei do Petróleo, ou o Rei da baixa do Petróleo?, tinha uma maneira muito atípica de governar. Enviava os colaboradores que faziam parte da sua equipa palaciana por todo o país, como modernos arautos que lhes faziam relatórios, - ele não governava por decretos, ele era o governo, um super-homem que governava por relatórios e ordens superiores onde neles se lia que na república tudo ia, tudo estava muito bem, tudo funcionava normalmente como num paraíso, e que as populações estavam contentíssimas com a governação. E o Rei do Petróleo sentia-se felicíssimo pelas suas altas qualidades de líder, porque no mundo – apesar de ser considerado pela revista Forbes, como o segundo pior governante africano – não existia ninguém que o ultrapassasse em intelecto governativo. Até dava lições de democracia a países africanos, que quando algum presidente violasse a sua constituição para permanecer no poder, ele logo ensinava que não, não senhor, não deve ser assim. Que o poder tem que ser conquistado por via de eleições livres e justas porque sem isso não há democracia. E que o presidente ao defraudar as regras eleitorais para usurpar o poder defendia democraticamente que a oposição deve negociar com ele.
E como a maré vazava fortemente, quase que se via o fundo do mar do petróleo, não permitindo nele nadar, o Rei do Petróleo fazia cortes e mais cortes fora do OGP – Orçamento Geral sem Petróleo. O último foi na empresa do lixo, a Elisal, pertencente à sua filha, a princesa Bela do Petróleo, assim cognominada devido à beleza do dinheiro do petróleo, pois quem fica sentado à espera dos seus lucros, é uma beleza, não é?! Os trabalhadores dessa empresa de limpeza repentinamente sem qualquer comunicação do comité de especialidade médico ficaram sem assistência médica. Amigo leitor, é fácil verificar que quem anda, melhor, nada no lixo sem assistência médica é como se fosse um assassinato dos desgraçados que nem dinheiro de um barril de petróleo têm. Claro que eles fizeram muito bem em decretar greve.
A crise continuava, o seu cerco apertava, mas isso não afectava em nada a Bela do Petróleo, que comprou uma empresa portuguesa apenas por duzentos milhões de dólares.
Tudo estava cansado, mas o Rei do Petróleo acreditava ser amado. No seu palácio fechado, fortemente guardado e ele maniacamente escoltado, apercebeu-se de alguns zunzuns sobre uma insurreição popular que marchava, se revoltava, e por precaução ordenou reforçar a sua guarda com o dobro de homens, tal e qual como fazem todos os déspotas antes do seu trágico final. Sim, governar pela força das armas é o anunciar projectos da má velha vida, onde qualquer opinião contrária é de imediato castrada.
Não muito longe do palácio ouviu-se um tiro. Era de um assalto seguido do roubo de uma viatura de uma jovem que estupefacta, pois estava muito próxima de uma esquadra móvel da polícia, dirigiu-se-lhe e perguntou se não viram o que se passou, ao que um polícia respondeu que não viu nada. A jovem já aterrorizada ainda conseguiu perguntar se não ouviram o tiro, ao que o mesmo polícia respondeu que também não ouviu nada de anormal. E a jovem já a tremer terminou dizendo que como é possível se os bandidos roubaram o meu carro e deram um tiro mesmo aqui ao pé de vocês? Mas o polícia insistiu que ele e os seus colegas não viram nem ouviam nada. Naturalmente que a polícia segue os ensinamentos do Rei do Petróleo que na República dos Comités de Especialidade tudo está bem.
No exterior do palácio ouvia-se numa rádio que uma parturiente numa maternidade já prestes a dar à luz, era torturada sem dó nem piedade.
O Rei do Petróleo firmou relatório em jeito de decreto – ele afogava-se em relatórios – que criava duas classes: uma casta dos detentores do petróleo e demais riquezas e outra classe dos abandonados que a nada tinham direito. Na verdade tinham apenas um direito: o de morrerem à fome.
O Rei do Petróleo era acérrimo defensor da política do caos, porque onde este sistema existe matar é muito fácil, passa despercebido e como os meios de informação eram seus, quase de propriedade pessoal, na verdade ele era dono de tudo, com o caos implantado fácil era dominar a opinião pública. O cúmulo da corrupção elevou-se a tal nível que a Igreja e as igrejas organizavam manifestações em sua honra, enviando para o lixo os evangelhos porque mostravam fotos suas nas manifestações e nos altares da Igreja e das igrejas. Os pastores corrompidos abençoavam o Rei do Petróleo, oravam e obrigavam os crentes também a fazê-lo dando-lhes a conhecer a boa-nova que o Rei do Petróleo foi enviado por Deus para salvar e manter Angola em paz, livre de manifestantes e das suas manifestações. Inclusive ensinando-lhes que Deus estava contra as manifestações e ordenava prender e torturar quem ousasse se manifestar. E que sempre que alguém este decreto divino contestasse, era-lhes dito que em Angola existem duas constituições: uma terrena para o povo e outra divina redigida por Deus para utilização exclusiva do divinizado Rei do Petróleo. Por aqui facilmente se vê que era impossível uma transição pacífica para a democracia, porque a ditadura do poder de Deus jamais o consente.
O Rei do Petróleo tinha dois punhais cravados no seu corpo. Um era o célebre activista Manuel Nito Alves, o outro era o celebérrimo denunciador da corrupção, o cavaleiro sem medo, Rafael Marques de Morais. Bastava ouvir os seus nomes para que o Rei do Petróleo ficasse com dores no estômago, na cabeça e medonhos desarranjos intestinais. Ainda mais quando Manuel Nito Alves lhe chamava de ditador nojento e de lhe jurar que faria com que ele e a sua equipa repressiva e torturadora caíssem do poder através de uma insurreição da população.
E o Rei do Petróleo ria-se imenso das lamúrias da oposição porque ela não tinha poder de manifestação.

Perante estes notáveis factos e invocando o poder da crise de que não há dinheiro, o Rei do Petróleo decidiu comprar com o dinheiro da fome do povo, um bruto jacto particular que custou apenas sessenta e dois milhões e quinhentos mil dólares, com autonomia ilimitada, tipo reactores movidos a energia nuclear, para o que desse e viesse, isto é: preparar a sua fuga e dos seus mais chegados, pois as coisas iam de mal a pior e homem prevenido vale por dois, ou mais. Então quando a hora do assalto ao palácio iniciar é só correr para o avião e bazar a grande velocidade para um país que o acolherá de braços abertos, provavelmente os homólogos da Coreia do Norte.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

OS SEQUESTRADOS DE CALOMBOLOCA



A
Sedrick de Carvalho

E vivemos sob o chumbo da mortal
Crueldade
Nas grades das prisões
Da maldade
No democrático terror
Da liberdade
O Sedrick de Carvalho
Ainda um jovem orvalho
Um pobre diabo inocente
No tribunal revolucionário
Se faz presente
Doente
Agrilhoado na corrente
Do poder demente
A sua esposa chora
Pela liberdade que demora
A sua família não sabe que fazer
Neste militarizado país a arder
Que é que ele fez de mal?
Para lhe tratarem pior que a um animal
Ele não faz mal a ninguém
E isso do golpe de estado
Lhes convém
São os biliões de dólares que mandam
Na manada
tresmalhada
chinesada

O Sedrick a ninguém faz mal
Até porque quem está desarmado
Nunca fará um golpe de estado
Só o faz quem pela Igreja
Continua mandatado

O processo dos quinze está em curso
Sem direito a recurso
Quem tiver ideias diferentes
Lhes serão partidos os dentes

Maldita oposição
Que vive de ocasião
Faz refrão
Com o poder do cão
Do ancião

Ah! Sedrick, aquele abraço
A quem um acto não pode reportar
Prenderam-nos o acto de pensar
Porque isso é golpe de estado planear





sexta-feira, 26 de junho de 2015

O PARAÍSO PERDIDO A OCIDENTE (16)







Para trocar ideias tentei algumas vezes aproximar-me de algum oficial, mas desisti. Era proibido, mórbido, um oficial manter relacionamento com um recruta. Na cantina não havia televisão. Livros, revistas, biblioteca eram impensáveis. O fundamental era manter a soldadesca na ignorância, no embrutecimento. Nalguns fins-de-semana quando me dava conta estava só. Todos saíram. Tentava apanhar uma boleia perguntando aos meus companheiros se havia um lugar disponível para Lisboa. Mas não, todos os lugares estavam ocupados. Outros iam para a estrada e tentavam boleia, conseguiam. Não tinha paciência para isso.

Tentava adaptar-me a esta nova vida que me foi imposta. Mas por mais que tentasse não conseguia. Ia à cantina, comprava uma sandes com algumas rodelas de chouriço. O pão era bem confeccionado e o chouriço muito saboroso, melhor do que o de Lisboa. Acompanhava com uma gasosa e enquanto comia meditava na minha mãe, no meu pai, nos meus irmãos. Quantas saudades sentia do café do Frederico, do Mota, do Quitério. Aqui uma grande tristeza me invadia. Sem ninguém para conversar. À medida que a tristeza enchia o meu coração, sentia grande revolta, e pensava: Mas que mal fiz eu para me enviarem, longe da minha casa para aqui? Que tinha eu a ver com as aventuras dos senhores da guerra? Quando terminaria este pesadelo? Quanto tempo mais demoraria este sonho horrível? Mas o que é que eu estou aqui a fazer? E a Belita, tanto tempo sem a ver. Será que a veria mais? Algumas lágrimas começaram a inundar a minha face.

- Olha. Mandaram-nos formar para fazermos os testes psicotécnicos. – Disse o Dário.
Era uma série de perguntas escritas às quais respondi de acordo com os meus conhecimentos. Pessoalmente pensei que não lhes dariam qualquer valor.
- E amanhã vamos ter tiro real. – Disse mais uma vez o Dário.
Antes da minha incorporação, um alferes que terminou o serviço militar ofereceu-me dois livros do curso COM-Curso de Oficiais Milicianos em Mafra. Um, era, Técnica do Tiro, e o outro falava sobre a guerrilha e contra-guerrilha. Sobre este dei pouca atenção, porque já estava familiarizado com o tema devido às leituras que fazia sobre a guerra do Vietname de Jean Lartéguy. Prestei atenção ao do tiro: Como efectuar um bom tiro: A arma deve ficar bem fixa no ombro. Tira-se a folga do gatilho. Suspende-se a respiração e mira-se o alvo. Se a arma estiver em condições o tiro será certeiro. Foi assim que procedi quando chegou a minha vez na carreira de tiro. O alvo foi devidamente atingido.
- Pelo menos vais para atirador especial. – Profetizou-me o Dário.

Um dos treinos difíceis e que eu mais temia era o corta-mato de 10 quilómetros. Uma corrida que parecia não ter fim. Apesar de estar em boa forma física, fui advertido que os fumadores, o que era o meu caso, não aguentariam. Passado pouco tempo as pernas recusavam-se a prosseguir. Eu e mais alguns já estávamos bastante distanciados. Deixámos de ver os que iam à frente. O aspirante Abreu disputava a corrida com alguns que estavam isolados, antes de serem recrutas praticavam atletismo em alguns clubes desportivos, e o aspirante confessava que não os aguentava. Retrocedeu, aproximou-se de nós e gritou:
- Não passam de umas grandes merdas. Não sobreviverão nos matos do Ultramar quando forem mobilizados.
Mandou parar a corrida e deu voz de descansar. Era isso mesmo que eu esperava. Que grande alívio.
Depois veio a semana de campo. Fomos acampar num campo vasto cheio de eucaliptos. Ao fundo havia um rio. Precisava de passar o tempo. Fazia longas passeatas de investigação ao longo da margem. Isto fazia-me bem, porque durante longos momentos me esquecia onde estava. Quando regressava à realidade para junto dos meus companheiros pensava: Deixa-me lá ir aturar estes parvalhões. Que ordens virão a seguir. Sempre a obedecer a ordens imprevisíveis.

O frio começou a apertar. Acenderam-se fogueiras onde nos resguardávamos. Dormíamos em grupos de três nas tendas. Juntávamos os nossos cobertores para ficarmos mais quentes, mas isso não era suficiente porque a cada dia que passava o frio aumentava. Custava-me a entender o porquê deste tormento. Pois que, nas colónias era ao contrário. Calor não faltava. O curioso é que surgiu um preconceito. Quem se deitasse no meio dos outros dois era considerado paneleiro. Pensei logo que estes tipos são mesmo parvos, e a sorrir decidi aproveitar a ideia. Deitei-me no meio e não passei mais frio, porque recebia o calor dos dois corpos que me aqueciam. Não queria saber que pensassem o que quisessem.
Lembrei-me de uma coisa que o Quitério me tinha contado quando esteve no curso de sargentos milicianos em Tavira. Chamei o Dário:
- Dário queres ouvir esta?
- Conta lá.
- Parece anedota mas não é. Não me lembro bem se era o oficial Robles Monteiro, ou o Esteves Pinto. Bom, era um deles. Quando ia atender o telefone saltava do segundo andar, porque o telefone estava no rés-do-chão.
- Grandes malucos.
- E ficaram famosos pelos estragos que fizeram no Ultramar. Na guerra existe de tudo. É por isso que se chama guerra.
Ouve-se uma voz:
- Vamos a formar. Vamos embora. Acabou a semana de campo.
- Até que enfim, parece que isto nunca mais acabava. – Desabafei.

O dia do juramento de bandeira aproximava-se. Depois alguns de nós seriam escolhidos para tirar uma especialidade. Preocupado vi-me com a especialidade de atirador especial. Como já iria sair velho da tropa, ao menos que me dessem uma especialidade que depois aproveitaria para arranjar emprego na vida civil.
Na parada um frio de rachar. Todos formados para o juramento de bandeira. Já há muito tempo em pé senti que o meu corpo não aguentaria muito mais. Fiquei sem entender o que pretendiam. Seria que nos queriam matar desta maneira? E aconteceu um desmaio. Depois outro e mais outro. Pensei que se íamos morrer, então seria preferível revoltarmo-nos. A cerimónia acabou. A seguir, o nosso destino seria a estação do comboio de regresso a casa onde ficaríamos alguns dias.

O GOLPE DE ESTADO


E se dos presos políticos
Não houver libertação
Angola conhecerá como antes
Nunca vista uma manifestação

A guerra civil está por um fio
Sob a imposição chinesa do frio
Solta as suas feras o ordens superiores
Sob a batuta dos chineses doutores

Na falência técnica está a Sonangol
Foi atingida por um golpe de estado
Da chinesa imposição
Que obriga à extinção
Da oposição
À chacina da nação
E da população
Os jovens são arrastados sem remissão
E a política oposição (?)
Faz comunicados de ocasião
E a Igreja e igrejas obrigam à oração
E nós arrastados pelo chão
Pela desordem sem compaixão

O ordens superiores sempre a mandar
As leis, a cassação a arrastar a arrestar
Para as leis das chacinas nos levar
Para locais incertos nos atirar
O Estado é para desmandar
Em outra guerra civil nos desgraçar
Como acabam de nos ultimar
Na constituição deles nos aprisionar
A vida a nossa esperança levar
De noite e de dia a nos ameaçar
E os chineses vão nos ceifar
Nas terras agora deles nos escravizar
Os nossos corpos vão semear
E a Igreja e as igrejas a apoiar
O petróleo ainda dá para adulterar
E mais alguma corrupção comprar

E a pobre e ridícula oposição
Com revolucionários de ocasião
Esta angolana oposição
É um camaleão
Nos encheu da fatídica certeza
Quanto mais falam mais incerteza
No espírito da sua vil esperteza
Reina a nossa pobreza

Com casa ou sem ela
Almejamos sem janela
Sem manifestação
Não há oposição

Na tirania sem oposição
Não há governação
Não há manifestação
Há tortura, morte, prisão











domingo, 21 de junho de 2015

O REI DO PETRÓLEO (01)



Introdução

Apenas existem duas espécies de homens, os ditadores e os democratas.
Começo com este texto da Avaaz que me deixou aterrorizado pelo silêncio do deixa andar. “O Mediterrâneo e mar de Andamão estão se tornando cemitérios. Mianmar está expulsando o povo da etnia Rohingya e, com isso, milhares de famílias estão à deriva no mar, impotentes, forçadas a beber sua própria urina porque haviam sido rejeitadas pela Malásia, Tailândia e Indonésia. Todas as semanas, cidadãos sírios e africanos também correm o perigo de morrer afogados na costa sul da Europa ao arriscar a travessia assustadora, tida como a última esperança de escapar de tortura, fome e traficantes. Estamos enfrentando a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, mas até agora os governos estão permitindo que pessoas morram em meio a um clima crescente de xenofobia. Agora que a crise chegou, nossa comunidade tem uma oportunidade única de trocar a cultura do medo por uma onda de compaixão. Se cada um de nós fizer uma pequena doação agora, vamos ajudar a financiar operações de resgate no mar; criar uma equipe com foco em refugiados na Avaaz para apoiar essas missões e reassentamento; fazer pressão para forçar líderes políticos a abrir as fronteiras; e lançar anúncios para combater o racismo.”
Tudo é permitido, desde o assassinato de jornalistas, de crianças… de destruição em massa, da decapitação mundial perante o receio das democracias ocidentais que se escudam na fragilidade das suas fortalezas, perante a ameaça do derrube dos seus torreões porque ao titubearem sem saberem o que fazer, ver-se-ão envolvidas num conflito de vastas proporções. Por incrível que pareça as democracias ocidentais apoiam abertamente as ditaduras mundiais, especialmente na África onde os ditadores eliminam a seu bel-prazer populações sob o olhar complacente dos famosos líderes democráticos. As populações africanas são tratadas como componentes de uma lixeira, nunca se escutando uma palavra de condenação dos poderosos dirigentes ocidentais que fabricam em larga escala multidões de terroristas. A hipocrisia política comanda as operações da diplomacia, como aquela dos acordos de cooperação mutuamente vantajosos.
E a Avaaz termina pedindo doações para apoiar a desgraça dos governos democráticos que parece escolheram o caminho da sua extinção.
“Juntos, podemos ajudar no resgate de refugiados, como também no resgate de nossa humanidade comum.”
Querem-nos impor que dependendo em absoluto de ditadores as nossas vidas e o nosso futuro serão radiosos, e quem ousar se manifestar de imediato será para aniquilar.
Estamos outra vez no mundo de Hitler que nos ameaça com todos os meios para nos subjugar e nos impor a guerra de destruição massiva. Ó EUROPA, DESPERTA!
Não há regras, a não ser o jogo lúdico do matar impunemente. A barbárie avança invencível mostrando que se perdeu a noção do que é ser humano.
Até as famílias estão a desaparecer.
O comportamento das igrejas é como os partidos políticos que fazem promessas que nunca cumprem, como o regresso de Jesus Cristo para nos salvar… não sei do quê, só se for da sua egrégia ditadura.
As pessoas, familiares queridos, amigos e conhecidos, vivem, passam por nós, a maioria morre a grande velocidade e poucos restam vivos. É esta outra lei contrária à vida que nos conduz à solidão e que ninguém quer assumir pois a nostalgia daí resultante rói os nossos corpos, as nossas almas.
Meu Deus! Parece que a última réstia de amor desabou em cima de nós. Sem amor nada das nossas vidas terá esplendor, restar-nos-á o sobreviver da selva animalesca, a dor. Creio que vivemos na esperança do além.
Mais um alarme vem de Justino Pinto de Andrade numa conferência de imprensa em Benguela: “Angola está a ser conduzida para um beco sem saída, estamos no colapso económico.” Um pequeno bando de pessoas destroçou Angola, e creio que os culpados disso são os angolanos, pois permitiram que tal acontecesse.
Enquanto há vida há esperança, sussurram das suas tumbas milhares, não, milhões de mortos que nisso acreditaram. E os vivos continuam a levar essa esperança para debaixo da terra. Mais uma coisa que a Igreja inventou para subjugar os pobres coitados e abandonados crentes além-túmulo.
Neste momento recebo a notícia de que uma feiticeira vinda do Uíje caiu com a sua vassoura algures num bairro de Luanda por falta de combustível. A testemunha que relatou este acontecimento disse que no local estava muita gente e que a feiticeira estava nua, deitada no chão. Ela viajava em negócio para o estrangeiro para carregar mercadorias.
Outro caso foi o de uma albina que faleceu e o seu corpo foi depositado na morgue, que misteriosamente desapareceu sem que ninguém saiba explicar, o mistério decifrar.
O mundo não está em guerra, mas pelas terríveis situações de refugiados e abusos do poder, parece a terceira guerra mundial.
O trabalhador sem trabalho e o que o consegue tem um salário de miséria, de escravo.
Os genocídios tornaram-se tão vulgares como os campos de concentração nazis da Segunda Guerra Mundial.
Neste mundo apenas há lugar para os ricos, os pobres são para esmagar como as moscas. O mais estúpido dos ditadores é tentar parar manifestações de famintos com extrema violência. No seu desespero esquecessem-se que é assim que se inicia o seu fim.
Os chineses já se apoderaram das fábricas de tijolos, da venda de água, do gelo, dos cigarros e em Viana já têm uma casa de prostitutas. Não me surpreende nada que eles também já controlem o Governo, e isso nota-se nas semelhanças do partido comunista chinês com a actuação das autoridades angolanas.
Os portugueses estão no saque desordenado, e o mais curioso é que estando Angola no colapso económico, muitos continuam aqui a chegar, não se sabendo o que vêm aqui fazer, só se for para apanharem algumas migalhas. A expressão mais utilizada por eles é: «Como é que se consegue enviar dinheiro pata Portugal?»
Mas os chineses reinam como donos absolutos de Angola, pois até já lhes dá para utilizarem mão-de-obra infantil, crianças escravas numa impunidade de arrepiar. É demasiado evidente o desprezo pelo semelhante praticado por eles. Um exemplo: quando numa obra, não querem saber se a vizinhança morre ou não, desviam tudo para o outro lado, e quando chove é uma desgraça, pois resolveram o problema da obra atirando com todos os problemas para os vizinhos, e ninguém pode protestar porque por trás deles está sempre a Casa Militar da Presidência da República. Vi numa obra, com um sol terrível, daquele de queimar, de desmaiar, de matar, jovens angolanos a trabalharem, enquanto os chineses estavam na sombra. Colocam-se como capatazes de escravos a vigiarem a mão-de-obra escrava, substituindo a anterior colonização.
A lei existente é a da arma e a da chacina.
Restam apenas dois órgãos de informação livres, a Rádio Despertar e o Charlie Hebdo angolano, o jornal Folha8.
A Lei Eleitoral foi alterada de modo a que um único candidato vença as eleições. Isto é a tragédia anunciada, instalada. A perseguição aos opositores políticos é constante, intolerantemente doentia. Um segurança disse que à noite nos bairros os mortos são demais, a bandidagem constituída por jovens vítimas do desemprego vive dos assaltos, mas presentemente assaltam e matam.
A Rádio Despertar denunciou que na província do Namibe, trabalhadores estrangeiros não especializados roubam os empregos. De facto quem só sabe criar problemas conduz Angola para um beco sem saída.
Tal como os outros regimes idênticos também este cava a sua sepultura. Pelas suas características geográficas Angola não será outra Síria ou Egipto, creio que será outro Congo.
Presentemente os fiscais do Governo da Província de Luanda atacam, isto é, saqueiam ferozmente os bens de venda das desgraçadas e desgraçados que ousam vender seja o que for nas ruas, nem as cadeiras escapam. Decerto a crise também afectou os salários dos fiscais que para sobreviverem saqueiam os bens da população.

E neste ambiente se formou, vive e reina o Rei do Petróleo.

Libertem-me da poluição religiosa!


As “sondagens” indicam que na próxima remodelação governamental, para os ministérios serão nomeados ministros portugueses, pois a isso o neocolonialismo obriga e a paz legaliza.
República da literatura do petróleo. República dos salteadores do petróleo de Angola. República dos assaltos de Luanda. República do assalto do registo eleitoral. Ó pobres almas que caminhais para as sepulturas.
Sempre na vanguarda do trabalho, os chineses pelas seis e trinta, sete horas, todas as manhãs, atiram com barrotes de madeira para o chão, mudando-os de lugar, fingem trabalhar.E outras coisas genuínas dos subdesenvolvidos, como deixar cair chapas de madeira e de zinco com o maior barulho possível. Depois, como os angolanos ainda não sabem serrar – ninguém lhes ensinou – os chineses com serras eléctricas mutilam madeira a esmo. É o propósito intencional, maldoso do não deixar ninguém dormir. É isto o desenvolvimento de Luanda projectado por salteadores, saqueadores chineses.
E às escravas do petróleo só lhes restam as ruas para venderem algo para comerem - restava-lhes – porque os estrangeiros queixaram-se nos senhores do petróleo que a negralhada a vender nas ruas, obscurece-as, escurece-as.
E para que a nossa vida melhore, vai melhorar, a corrupção é certa, basta nomear alguns chineses para ministros de alguns ministérios, e então Angola ficará numa boa. A nossa vida vai melhorar!
Não é possível mais sobreviver no campo de concentração de Luanda!
Qual a utilidade dos sacerdotes? Para que os nossos corpos alimentem as fogueiras que eles ateiam.
Os lordes do petróleo gostam muito de brincar às revoltas e revoluções.
De uma crente de uma igreja do Senhor: «Brinquem com as coisas, porque quando o Senhor chegar vão-se arrepender.»
Por mais que se tente evitar a escalada da desgraça angolana, Angola não é igual nem melhor que os outros países africanos mergulhados na debandada dos seus povos como errantes, como farrapos humanos. Angola é pior porque o neocolonialismo também é pior.
Quanta mais trampa fizerem nela se atolarão e nela perecerão.
Há homens que fundam a democracia, outros afundam-na.
Não será nada mau se em Angola existirem dois ou três democratas.
O investimento chinês é bom para África, mas para Angola é péssimo para a sua população.
O problema de Angola é que não há ninguém que consiga acabar com a miséria e a corrupção. Pelo contrário, só há quem as exacerbe.
Que Deus nos livre da poluição religiosa, tão nefanda epidemia ardilosa. Os hipócritas estão no poder e a oposição também o quer ter.
Cada cidade da Inglaterra tem uma história bonita. Cada cidade de Angola tem uma história de miséria.
Na república do ter energia eléctrica e água é sorte.
Fiquei muito triste ao tomar conhecimento que uma amiga de quarenta anos de idade está a passar mal, a fome montou-lhe guarda. Surpreendido pela notícia, pois ela vivia desafogadamente sem motivos que justificassem a instalação da desgraça no seu lar. Quantos mais casos existem? Muitos! Muitíssimos! Não há empregos! Luanda está invadida por portugueses que nos rapinam os empregos sob o disfarce da mão-de-obra especializada, o que é notoriamente mentira do sou português e angolano. Como é possível os portugueses serem angolanos?! Aqui da praça política nada há a esperar de uma oposição esquecida. É só falar, falar, enquanto do outro lado os prelados dizem que devemos orar, orar. Manos e manas! A violenta maré que se aproxima traz-nos luto.
Libertem-me da poluição religiosa!
Mais um casal português desembarcou no prédio. Sempre a mesma questão se coloca: como é que saídos da miséria profunda conseguem os cinco mil dólares mensais de renda?
Se os portugueses fogem do sonho irrealizável de Portugal, porque o procurar no pesadelo de Angola? Fugir de um inferno para outro nunca é solução, é expiação.
Os missionários vêm com a missão de evangelizar os mwangolés, mas estes refugiam-se na feitiçaria. Os portugueses vêm com a missão de civilizar os mwangolés, passar-lhes conhecimentos do homem branco, dos ardis colonialistas que levam à escravidão.
Já perdi o interesse em ouvir a Rádio Ecclesia. Parece a Rádio Renascença do tempo de Salazar e da nossa senhora de Fátima. Aliás, Angola está como Portugal antes do 25 de Abril, muito mais feroz.
Faço tudo o que quiserem, mas por favor não me mandem para a embaixada de Portugal em Luanda, porque lá vê-se bem que Deus não existe. ´
Por vezes parece-me ser melhor extinguir os partidos da oposição existentes em Angola e criar novas formações políticas.
O melhor momento da nossa vida, é o saber esperar a chegada do momento ideal para desferir o golpe sem misericórdia no nosso inimigo.
E o nosso petróleo deles é a grande fonte de inspiração, o viveiro da literatura do petróleo, dos poetas, escritores, uma refinaria de intelectos.
A única riqueza nacional de Angola, a sua primeira maravilha é o petróleo.
Continuo a ouvir parvoíces nas rádios de consumismo primitivo. São tantas bocas de aluguer que ao desinformarem como regra, como se fosse possível lavar todos os cérebros. Como é bom despedaçar Angola.
Agora, qualquer um é advogado.
Agora até as mães mwangolés são como as obras dos orientais, são mães descartáveis.
Mas o mwangolé serve para quê afinal, pois que quando contactado para um compromisso, um serviço, diz que: «Daqui a cinco minutos estou aí.» Mas não aparece, tudo não passa de uma grande merda irresponsável. E assim o estrangeiro avança, apodera-se de Angola e depois os mwangolés lamentam-se que Angola está em poder de estrangeiros, e que eles os escravizam. Pois com toda a certeza, é isso mesmo que acontece, deixem de ser burros!
No paraíso das epidemias, Luanda tem mais uma catástrofe na saúde. Estarmos sob uma invasão – é melhor chamar-lhe de república das invasões – de mosquitos de todas as espécies, de dia e de noite os mosquitos ceifam-nos.
O ideal é ter uma imprensa que nunca denuncie os terríveis actos da péssima governação, sim, uma imprensa ao serviço do desgoverno, sim, isso é o ideal.
Nem tudo está mal. Por exemplo, a miséria funciona a cem por cento, isso é muito bom, porque esclarece a meta conseguida pelo governo, promessa cumprida. Aplausos para este governo que trabalha muito bem, e do qual esperamos que continue mais quarenta anos no poder.
O jornalismo que se sujeita às leis do jornalismo do petróleo, não é, não pode ser jornalismo, é um jornalismo comodista. O petróleo ilumina-lhe a corrupção neuronal, e isso não é jornalismo, é criadagem, é serviçal.
A mana Antónia lá foi outra vez com as duas jovens filhas com células falciformes para o hospital. Mais uma vez o dinheiro que conseguiu amealhar desapareceu.
Todos os caminhos de África desaguam em Lampeduza. Já não se chama continente africano, é continente Lampeduziano.

(Amigo leitor, a partir da próxima edição do Folha 8 – o nosso Charlie Hebdo – sairá o primeiro episódio da série O Rei do Petróleo, não perca.)

sábado, 20 de junho de 2015

Ao lado de cada estrangeiro uma angolana para lhe vender o seu corpo.


E os aventureiros das guerras vão deixando, cadáveres pelos campos semeando. É isto que agora se chama agricultura.
Segundo a Rádio Despertar, nos mercados informais o balde de tomate que antes custava mil kwanzas, agora está a dois mil e quinhentos kwanzas. A batata rena, a cebola e a batata-doce seguem a mesma desgraça. Fala-se de protestos de rua.
Um sindicalista da CGSila disse na Rádio Despertar que era melhor que fizessem marcha atrás com a nova Lei Geral do Trabalho, porque antes de ela sair já começaram os despedimentos à toa, (decerto para serem ocupados por estrangeiros). E que esta LGT vai dar muitos problemas, muita desestabilização. Há várias empresas onde já se preparam movimentos grevistas. Esperam-se também manifestações de rua.
Aqui não se resolvem problemas, cria-se um abismo de problemas. Está tudo descontrolado e quando isso acontece… a cidade foi tomada de assalto. Os bandidos, milhares de jovens desempregados fazem assaltos mortais de noite e de dia. A cidade está em seu poder, a arder.
A África dos ditadores é como um violento terramoto sempre em actividade.
Esta cidade está lotada de comandantes de campos de concentração.
Afinal este movimento de libertação não nos liberta, oprime-nos, chacina-nos.
O ambiente em Luanda é de pavor, de morte.
Já não se consegue vender qualquer coisa para sobreviver porque tudo está tão caro devido à miséria organizada do PT.
Os bandidos não são só os que andam nas ruas e por aí nos assaltos. Nas empresas também têm muitos bandidos e estão impunes, protegidos pela lei.
Exército de desempregados de empregos espoliados por estrangeiros é exército de assaltantes.
Ao lado de cada estrangeiro uma angolana para lhe vender o seu corpo. Como a actual Lei Geral do Trabalho que nota-se clandestinamente parece ser de inspiração chinesa.
Os chineses saqueiam-nos e depois exportam-nos lixo, criando mais miséria e avivando a corrupção.
Na política já se funciona como nas mudanças climáticas. Agora a má governação recebe o prémio de boa governação. Depois do Dubai oferecer o prémio da boa governação ao nosso querido Líder, seguir-se-ão os libertadores das forças oprimidas do mundo, a Coreia do Norte, a China, Portugal e o Brasil não faltarão a tão merecido galardão da má governação.
No dia 13 de Abril a Rádio Despertar noticiou que a Universidade Metodista em Luanda está encerrada desde a madrugada desse dia. Alunos e corpo docente não podem entrar. Está guardada por seguranças de farda preta.
E de noite muitos fazem magia e conseguem importar as coisas para vender a voar e aqui chegarem e depois vão vendê-las nas praças.
Um mwangolé comprou um fio de ouro. Assim que o colocou no pescoço, ele enterrou-se-lhe no corpo.
Um cliente roubou cem kwanzas a um senegalês. Ele disse que não se preocupassem muito com isso, que depois veriam o que aconteceria. Passaram alguns dias e a mão, o braço e o pescoço do cliente enfiaram-se para dentro do corpo.
Quando a energia eléctrica falha, que quase não existe, o fumo dos geradores faz de Luanda a prisão da morte. Na ânsia de facturarem, os aventureiros e criminosos locais e internacionais não querem saber se as suas famílias sobrevivem ou não, – as outras famílias são para chacinar – sem dó nem piedade entregam os seus filhos crianças à morte para transferirem o saque de Angola para os seus países.
Contra milhões de desempregados ninguém combate. Milhões de esfomeados, ei-los na sua máxima força terrorista.
Compraram-me uns chinelos desses do facilita, depois de os usar notei que a planta dos pés estava avermelhada. Assustado, logo pensei que uma doença me atacou. Mas com atenção analisei os chinelos e lá estava o made in China. A tinta dos chinelos desfazia-se nos meus pés. Os chineses estão cada vez pior, não fazem nada que se aproveite, vivem da propaganda como nos bons tempos soviéticos.
Eis a última profissão inventada pelos portugueses para sacarem dinheiro: gestor de frio.
Brevemente em Angola por decreto presidencial decretar-se-á o dia da privatização dos angolanos.
Faz o árbitro e jogador o registo eleitoral da violência do pavor.
Um segurança conseguiu um diamante e ao olhar para ele vê a cruz de Cristo a partir-se e a cair em cima de Deus. Outro vê muita água. São os efeitos da bebida do uísque dos saquinhos de plástico.
A meio da manhã a escolta dos guardas prisionais exige que todos os carros saiam do seu caminho, mas não dá porque o trânsito está doentiamente engarrafado. Então, há que apelar a todos os meios para resolver a contenda, e vai daí: «Tira daí o carro filho da puta!» 
Dois portugueses quase todos os dias ligam e desligam três gigantescos geradores - que quando arrancam parece que tudo vai desabar, sim, isto é tudo para queimar - do hotel na rua Rei Katyavala que dizem é da mana Isabel, para justificarem o saque dos empregos e das transferências milionárias para Portugal.
O banco millennium na rua rei Katyavala segue o exemplo da mortandade da agora república das chacinas. Há pouco mais de dois meses que expele fumo mortal do seu gerador que já quase matou uma criança de dois anos vítima de pneumonia do seu fumo da morte. É a política do todos matamos porque ninguém ousa nos matar. É por isto que estas coisas originam a violência imparável. Quem pela violência mata também pela violência será morto.
E o trabalho escravo dos chineses que obrigam os jovens mwangolés a trabalhar antes das sete horas da manhã, sábados, domingos e feriados. É trabalho forçado, como se estivessem presos num campo de concentração, como se os nazis nos governassem. E não é isso que a nova Lei Geral do Trabalho nos contempla?
Antes, de vez em quando ficávamos sem energia eléctrica de noite e de dia, agora tornou-se uma constante. Vivemos sob uma nuvem de fumo proveniente dos geradores, um extermínio massivo.
Ao que chegámos! Por incrível que pareça, os “governos” democraticamente eleitos são os garantes da instabilidade política, económica e social. É que os ardilosos conseguiram o disfarce da frágil capa negra da democracia.
E em Angola constrói-se um dos maiores aeroportos do mundo, num país com a maior miséria do mundo.
E também as ideologias destroem as nossas vidas.
Os ditadores, todos os dias das suas vidas são de sangue, e os dias do seu fim também.
O dia-a-dia de Luanda é… é os dias das execuções sumárias da bandidagem. E ainda há quem lhe chame democracia.
Falei com uma jovem mãe de vinte e um anos de idade, com um filho bebé de vinte e um meses que ela amamenta enquanto fuma. Ela sabe que não deve amamentar assim o bebé. Ela confirmou que sabe disso, que ao fumar a nicotina passa para o leite. Mas mesmo assim continua a dar de mamar ao bebé. O que é que esta mãe merece?
Os lordes do petróleo são exímios seca torneiras, apagadores de lâmpadas, e os melhores corta empregos do mundo. Neles a corrupção é consanguínea.
A melhor política é não perder tempo com políticos.
Há palavras que ferem como as mordidelas de cães raivosos.
Muito se fala da paz. Que paz! O povo angolano é desempregado. Isto é paz? Não! É guerra social!
E o que está errado, por mais esforços que se façam, nada bate certo. Persistir no erro sistemático é o anunciar da desgraça de um país. E quem sabe disso? Ninguém!
Sobretudo, seja um indivíduo culto, esforce-se, pois sem isso o futuro é-lhe muito incerto, leia o Jornal de Angola.