domingo, 10 de junho de 2012

O Cavaleiro do Reino Petrolífero (16). Reino Jingola, algures no Golfo da Guiné



Ainda existem reinos que por vontade própria regressam, vivem, revivem, convivem na Idade Média. Este é um desses reinos.

Capítulo XI
A Reunião dos R-7

«A armadilha que prende os pobres é impressionante. Os pobres são muitos, e votam. E como são muitos, o que se fizer pelos pobres rende votos. Logo, qualquer medida que favoreça os pobres constitui demagogia, autêntica compra de votos. Ah, se os pobres não pudessem votar, seria ideal, pois poderíamos fazer políticas para os pobres sem que isso deformasse a vontade popular e pesasse nas eleições. Mas votam, e como há eleições a cada dois anos, pode-se fazer política para os pobres uma vez a cada dois anos. Considerando que a desigualdade é de longe o principal problema do país, tentar travar políticas que a reduzam não é oposição, é sabotagem.»
In Oposição a quê? Ladislau Dowbor http://www.dowbor.org/

A atenção de Epok desviou-se pelo som de dois Bips provenientes do ER. E-mail Real. Olhou para o monitor e tentou lembrar-se das teclas de acesso. Esses das escolas ensinam mal, mas com um pouco de esforço conseguirei. Tecla para ali, tecla para aqui e já está. O primeiro e-mail vinha da Rádio Real. Falava de um pai que num mercado ali para os lados do condado de Viana, perguntou ao filho de sete meses porque é que ainda não andava. Muito chateado deu-lhe pontapés. Elevou-o e esmagou-o de encontro à parede. Justificou-se nas calmas. «O filho é meu, faço-lhe o que quero.»
E continuou calmamente a passear pelo mercado.
O outro e-mail dizia que o rei estava no reino Burundi. No Burundi?!! Ah!.. Não está de férias no Brasil?!! Esta é boa! Foi lá passar férias?!! Não entendo…
O texto completo dizia:
Do templo perdido na selva do reino dos Genocídios aconteceu a reunião dos R-7, os sete reinos mais teimosos do mundo. Jingola, Zimbabué, Níger, Burundi, Sudão, Somália, e Reino do Ruanda. Permitiram ao rei Jingola fazer o discurso de abertura. Isso seria apenas o único trabalho da reunião porque confessaram estarem – sempre – muito apressados. Preocupados por se ausentarem dos seus reinos. O rei Jingola sofre um ataque de pânico:
- Temos que acabar com isto rápido… tenho muitos casebres para partir.
- Não sei se a rainha já conseguiu arranjar alguma coisa para o almoço, ninguém tem nada para comer. – Lamentou o rei do Níger.
- Deixei um massacre a meio no Darfur. – Garantiu o rei do Sudão.
- Estão à minha espera para bombardear o aeroporto. – Desabafou o bélico rei da Somália.
- O meu avião está quase sem combustível. Vou espoliar um bocado nos depósitos do avião do meu colega Jingola. Combustível não lhe falta. Esmolou o rei do Zimbabué.
- Tenho que acompanhar a invasão do Ruanda. – Disse em tom marcial o rei do Burundi, preparando-se para se levantar.
- Vou dar-te um monte de socos na merda da tua cara infeliz rei do Burundi – Ameaçou o aguerrido rei do reino do Ruanda.
O rei Jingola pediu-lhes calma. Levantou-se e devido às pressas dos presentes improvisou um discurso:
- Camaradas reis! Temos que acabar com as nossas preocupações pessoais. Temos que escolher um desporto mais saudável. Deixarmos… acabemos com essa dos gladiadores no circo africano. Acabar com o desporto de nos matarmos uns aos outros. Não conseguimos entender o porquê da fome que aumenta. As nossas populações fogem dos campos. Ninguém quer trabalhar. Fogem para as capitais, vendem qualquer coisa, sentem-se felizes. Será que é assim tão difícil acabar com a fome? Temos que efectuar mudanças urgentes…
O discurso é interrompido pelo rei do Ruanda.
- Peço desculpa… acabo de ser informado que o Burundi está a invadir o meu reino.
Os reis abandonam o local em correria, receosos de ao chegarem aos seus reinos, estes já tenham os tronos ocupados por outros usurpadores.
Epok assusta-se com o barulho na porta.
- Abre esta merda!
Reconheceu a voz. Lembrou-se que a porta estava fechada por dentro, abriu-a.
- Ó pinturas horríveis e mal-educadas!
- Fechaste a merda da porta porquê?!
- Para não te aturar… diz-me como ficou o trabalho nas cozinhas.
Como resposta ela pegou numa lima e começou a limar as unhas. Apontou com a cabeça para o cozinheiro, este diz:
- Chefe, os géneros acabaram. Estava quase tudo estragado. Vinte quilos de…
- Couve, tomate, etc… já sei. Só sabem é roubar... aprenderam com quem?! A Pinturas esteve lá a fazer o quê?
- Ai é!? Não sabes ler? Isso não faz parte do meu perfil ocupacional.
- Pára de limar as unhas! O rei saberá que são muito mal-educadas?
- Se não gostas tens que te habituar! Melhor que nós não há!
- Há sim! As piranhas. Só que com as tuas pinturas vais poluir a água e as piranhas não sobreviverão. Entretanto o teu belo corpo de real súbdita será um belo petisco. Faremos boas latas de conserva para exportação. Negras com piranhas enlatadas. Ah! Ah! Ah!
- Grande sacana, desgraçado. Vou preparar um relatório para o rei.
Epok marimbou-se e encara o cozinheiro que treme de medo.
- A partir de agora quero ver os géneros estragados!

Capítulo XII
La Padep e a princesa

O cavaleiro La Padep, depois das injustas marteladas que levou nos ossos conseguiu solidificá-los. Foi a sua amada princesa que conseguiu surripiar dos seus pais o dinheiro necessário para pagar a um físico amigo, e a outro muito conhecido pela fama dos seus unguentos. Tinha-lhe recomendado para evitar a todo o custo as pretensões de qualquer feiticeiro, que não curavam nada, pelo contrário, faziam imensos estragos. Graças aos cuidados da sua querida, que não poupou esforços, sentia-se como um peixe raro, desses dos aquários reais que não lhes falta nada. Incluindo água e temperatura sempre agradáveis, livres de poluição. Como os cães reais, que têm uma clínica privada para o tratamento de uma simples verruga, ou da comida excessiva. Enquanto os súbditos aguardam com impaciência fora dos portões triplamente reforçados com os melhores aços importados, os restos das latas importadas.
La Padep, imprudente, assomou à janela. Viu a imagem habitual do reino. A negra, para sempre a negra, carrega para sempre uma criança às costas. Apanha qualquer lixo do chão e dá na criança que come e ri. Quer dizer, negros e negras para sempre confundem-se com o lixo. Fazem parte dele.
La Padep considerou: os juristas, economistas, advogados e empresários nacionais, que já não existem, políticos que se engasgam ao pronunciar uma palavra, contratam empresários estrangeiros degredados. Bem protegidos vendem-nos toda a merda. Com defeitos de fabrico, estragados, os restos das fábricas alimentares, de bebidas, tudo o que é importado. Toda a merda do seu lixo industrial aqui chega. Os lucros abissais dos dólares do inferno são carregados em malas pretensamente diplomáticas. Parece que ninguém se lembra que esta lavagem de dinheiro alimenta directa ou indirectamente os circuitos do terrorismo internacional. Impunemente já não pagam salários. Ninguém tem direito a receber pelo trabalho digno. Só os que roubam têm direito a salários pagos no estrangeiro. Se alguém reclama, não faz sentido, porque os canos das pistolas aparecem em qualquer momento encostados nas cabeças. Manifestações são proibidas. Ainda bem! Porque fazem aumentar a raiva, o ódio do juízo final, à espera da guilhotina no final da Monarquia Francesa, tal e qual igual como aqui.
São bobos da corte, bobos do rei. Que faremos de alguém que nunca leu um livro?
Toda a família tem uma ovelha ranhosa. Sempre foi assim, certo?
Não! São duas. Um homem ou uma mulher que arruínam a nossa vida. Depois aparece outra para saborear o que resta das ruínas. Sempre assim. Depois mais outra, até que ousamos dizer, se o conseguirmos, basta!
Os fundamentos da vida estão em procurar. Saber procurar e aprender. Essa é a verdadeira essência. Depois de cansados, pontapeados, desprezados, encontramos finalmente o derradeiro Caminho. Essa verdade última, que poucos conseguem descortinar. Finalmente viver em paz com Deus, com o Universo. Mas isso ainda é um pouco da suprema Verdade. Quando estamos prestes dela, o Criador ordena que seja para sempre parado o motor da vida, que é o nosso coração cansado das nossas angústias devido aos pecados cometidos. Porque na nossa vil e vã existência fomos ensinados a odiar.
Subverter a opressão de meia dúzia ao serviço de interesses estrangeiros que nos escravizam, é fazer a revolução. A população aguarda ansiosa.
La Padep desfez o embrulho que a princesa lhe enviara. Era a indumentária vermelha e negra dos mosqueteiros do secreto Santo Oficio. A temida polícia secreta do rei. Vestiu-se e lembrou-se que faltava a espada especial dos paladinos do rei. Isso não seria difícil porque no mercado primevo Roque Santeiro existe tudo. É apenas uma questão de dinheiro. Pediu a uma jovem, das muitas que esperançavam serem suas namoradas. Tantas pretendentes que se lhes perde a conta. Ela aconselhou:
- Olha, vê só La Padep, este dinheiro não vai chegar!
- Fofinha, faz só confusão com o vendedor, quem sabe…
- Não sou dessas. Se faltar algum dinheiro vai exigir que namore com ele, sabes como são esses gajos, não é?!
- Deixa-te disso. Pronto, compra uma espada usada, sei lá.
- Estou no negócio de espadas há muito tempo. Olha, vou comprar uma dessas feitas na Nigéria. Se tiveres o azar de a usar, desfaz-se.

sábado, 9 de junho de 2012

BWALA PRESS. A Jibóia gatuna



E comprei um corruptómetro, não sei porquê mas está muito difícil, muita procura porque há montanhas de corruptos?, liguei-o e ele logo avariou, porque não está preparado para medir o volume de corrupção existente. O que mais me espantou foi no relatório da máquina ver o nome de Deus. Em Angola até Deus é corrupto?
As milícias da defesa popular são o garante da estabilidade e da integridade da democracia revolucionária e do Estado de direito.
Há governantes que com o passar do tempo tornam-se peritos em premiar as suas populações com doses maciças de miséria. E quanta mais miséria, mais imprescindíveis ficam, porque a glória divina coloca-os no pódio dos iluminados. Deuses na Terra disfarçados de humanos. Seres superiores, a raça eleita.
Não é todos os dias que se faz a história de um país perseguindo os seus cidadãos com as milícias armadas das barras de ferro para massacrar os indefesos cidadãos que se manifestam exigindo o mais elementar, água e luz. A história de um país faz-se todos os dias garantindo o mais elementar às suas populações, o emprego.
Parafraseando Luís de Camões, (1524-1580): arrasando deixarei por toda a parte/ com tanta milícia da barra de ferro a torturar-te.
O governante sábio, o que ama o seu povo, deixa rastos de riqueza e grande sabedoria. O governante ditador no seu reinado eterno, por onde passa deixa rastos de vermelhidão de barras de ferro. Eis as barras de ferro, o apogeu da nossa civilização, sem elas não sei o que seria de nós.
A trama está tão degradante que até a mais elementar operação aritmética se desconhece. Pois que os locutores da TPA não sabem contar. Então, na manifestação da UNITA de seis milhões de pessoas contaram apenas seis? Não saber somar é também uma mais-valia? E a propósito: não estaremos já super inflacionados de mais-valias?
Não saber escrever é um dever revolucionário.
Quantos rios de dinheiro o Poder factura com a venda da nossa escravatura? Uma mais-valia?
Há homens que qualquer mulher lhes serve. Há mulheres que qualquer homem também lhes serve.
Para cada ditadura a sua repressão, e para cada povo a sua revolução.
A jibóia gatuna
Num banco algures no Huambo, para os seguranças recaiam-lhes sempre as culpas sobre os constantes roubos de dinheiro. Sofridos com os dissabores que essas coisas lhes causavam, pois até na prisão espiavam o mal do qual não tinham culpa nenhuma, um segurança, farto, farto, de tanto sofrimento decidiu-se pela consulta à pessoa indicada. Um detective? Um polícia? Não, nada disso, um quimbandeiro. E depois da consulta, o segurança começa com a execução da receita. Afinal é uma jibóia que por artes mágicas penetra no banco e rouba dinheiro à vontade. O segurança coloca o feitiço à porta do banco, e quando a jibóia chega fica presa, enfeitiçada. Então, logo a seguir surge uma pastora da igreja protestante a reclamar que a jibóia era dela, e leva-a consigo. E o segurança estupefacto comenta: «oh! Já viram? Afinal a pastora tinha uma jibóia que roubava dinheiro do banco? Estamos mesmo muito mal, até pastoras de igrejas?!»
Neocolonialismo
O texto que segue é baseado no noticiário da Rádio Ecclesia do dia 29 de Maio. O trabalhador angolano de uma empresa indiana ali na sétima avenida do Cazenga, estava doente e necessitava de tratamento médico. Muito naturalmente recorreu à empresa onde prestava a sua colaboração. Mas, o apoio foi-lhe negado. Mas o trabalhador não desiste e pede um empréstimo de três mil kwanzas para comprar medicamentos, o que também lhe recusaram. Ele decide-se num derradeiro esforço, o de ficar sentado à porta da empresa, já não tinha mais forças, e ali a morte lhe decretou os seus préstimos finais. Ele faleceu abandonado como um escravo por um Poder que oferece de bandeja o seu povo à retrógrada escravidão. Já não existem angolanos, apenas escravos na luta pela libertação da espoliação. Enquanto se movimentam biliões de dólares no paraíso petrolífero, nem três mil kwanzas sobram para comprar medicamentos. Isto cheira a Síria.
Racismo empresarial
Tenho conhecimento de muitos casos de racismo praticados por estrangeiros com a conivência do Poder, que aliás o incentiva. A coisa já transborda porque hoje na Rádio Ecclesia, 28 de Maio, vários cidadãos angolanos entraram em greve numa empresa, não consegui ouvir qual, porque o patrão, branco, pratica o racismo de tal modo como se ainda não saíssemos do colonialismo, o que aliás é um facto. E o Regime enviou polícia anti-motim contra os grevistas, e o patrão a ameaçar a todo o momento que: «VOU DESPEDI-LOS TODOS!!!» Creio que a continuar assim, e vai sim senhor, a coisa vai rebentar de tal modo que não sabemos bem o que pode acontecer? É que estas coisas costumam acabar muito, muito mal?
Neocolonialismo total e completo
O trabalho dignifica o estrangeiro e desemprega os angolanos. E o neocolonialismo fortalece-se nos braços abertos dos seus agentes internos. Na empresa de informática já antes aqui citada a coisa complica-se. Uma empresa de informática angolana dos novos-ricos que mandaram vir um português, decerto amigo?, com a função de controlar (?). Pois, e passados dois meses e alguns dias, portanto a caminho dos três meses, os angolanos não recebem porque retornaram à saudosa condição de colonizados com a santa bênção de todos os santos. Antes do tuga os vencimentos estavam em dia, agora o tuga ameaça que vai despedir os mwangolés, como todos os seus patrícios abusam para mandarem vir o rebanho que aguarda no país do Império a vinda para a terra da promissão. As caldeiras deste navio a vapor não suportam mais a pressão que sobe, sobe, bum!!!
E os chineses cortam, serram
E os chineses cortam ferros, martelam em chapas, desempregam os mwangolés, e trabalham dia e noite, nunca dormem (?), pelos vistos são os únicos que trabalham, então, os outros povos são preguiçosos? As regras são as das enxovias. E os chineses contribuem para o desenvolvimento económico e social de Angola, e também para o PIB que cresce desmesuradamente. Angola é o único país do mundo com quase toda a população desempregada que faz altear o PIB. Oxalá que todos os países do mundo aprendam com Angola como se domina um PIB, uma mais-valia.
E o neocolonialismo exacerba-se.
Emprego está muito, muito difícil. O Poder prefere-o para os estrangeiros em troca do apoio incondicional dos lucros petrolíferos. Ocupam tudo o que é empresa, até carregam lixo. Ainda, portugueses fazem o regresso ao esclavagismo. O mwangolé chega um pouco depois das oito horas e descontam-lhe. Mas, obrigam-no a trabalhar fora de horas e não recebe. Trabalho escravo do Poder neocolonizado que nos traiu, nos vendeu. Para quando a libertação desta escravidão?
E perguntem aos corruptos que passam notícias do sangue dos massacrados, e os corruptos nada lhes dizem, as barras de ferro também não, e o petróleo também nada lhes diz porque é unipessoal e das companhias petrolíferas. Não é assim, Manuel Alegre?!
Mas que mundo este, queremos mas não nos deixam viver, mas temos por enquanto?, a grande arma do sonho, o invento mais poderoso que o ser humano inventou.
É que a Natureza por natureza não se deixa corromper. É que não se pode impor uma nação a um povo como se fosse um jogo de futebol.
Será que os ratos e ratazanas também vão votar? É que são tantos, uma invasão. E os prejuízos que fazem, pois danificam tudo o que os seus dentes suportam, e as epidemias que nos provocam. Isto não é motivo para preocupação? Será porque já gozamos do estatuto de ratos?
A grande questão que mexe com o Politburo, é que ele ainda está em 1975 e de lá não quer sair. E nós estamos em 2012, queremos outro rumo, sair das algemas do passado leninista e abraçar o nosso futuro.
Cada povo merece a corrupção e os corruptos que tem?
A melhor de todos os tempos cá na República? Que o transporte marítimo de passageiros descongestionará o trânsito na cidade de Luanda. Cheira a mais um cambalacho, não é? O trânsito só se descongestionará quando a actual governação definitivamente nos deixar, nos desafogar.
E o mano JP, o saltador? Só aqui para nós: desconfio que ele quer chegar até ao sofá presidencial. Então, há pouco tempo bombardeava, assediava com aríetes o partido que dizia ele, sem coração, agora apegou-se-lhe de tal modo que até diz que afinal tem coração.
Para não dizerem que só fala mal do Governo, aí vai: na minha bwala, há já vários anos que a recolha do lixo é exemplar. Oxalá fosse assim em toda a Luanda e Angola.
Imagem: A cruel seca mata os animais e pessoas impiedosamente;
unificante.blogspot.com






quarta-feira, 6 de junho de 2012

AS MILÍCIAS DA BAJULAÇÃO



Para alguns a riqueza absoluta, para milhões a pobreza absoluta.
E os meninos a queimarem-se na fogueira/ mostram como é que se incendeia uma nação.
Mamã, mamã, eu quero bajular, quero esta chupeta para mamar.
Não dá mesmo para entender. Então, obrigar populações à miséria, isso é que é governar?
Os preços do petróleo sobem, e o desenvolvimento económico de Angola também. Sinceramente, isto não será a apologia do analfabetismo económico?
Este mês de Agosto é de intensa actividade. É o mês dos bajuladores, que correndo das suas tocas reaparecerão em público com documentos forjados provar que o Altíssimo é da família de Jesus Cristo, e como divindade obrigatoriamente venerado. Além das milícias nacionais, apresentar-se-ão também milicianos bajuladores estrangeiros que anunciarão a Boa-Nova: o Altíssimo é o construtor, o criador do Universo. E os corruptos rejubilarão porque os seus bolsos encherão. E as crianças treinadas à Kim-Il-Sung um mar de lágrimas chorarão, verterão. E os dos casebres demolidos as suas mãos estenderão. Viva a bajulação da escrava nação. Bajular é inovar.
Entretanto, por tudo quanto é canto, as populações festejam todos os dias a bajulação do PIB/F, Produto Interno da Brutal Fome. Bajular é uma mais-valia, uma certeza a realizar. Os bajuladores são o princípio e o fim de todas as coisas da farsa desta Pátria. A bajulação é a engenharia da corrupção. E quem conhecer um bajulador a ele se atrele, pois no palácio imperial entrará, e luxos maravilhosos verá, e recompensas ganhará. Não sei não, o que seria de Angola sem as milícias da bajulação. Se nas milícias da bajulação queres entrar, com barras de ferro terás de treinar, e manifestantes terás de esmagar. Viver sem bajular não é salutar. Bajular é um acto lícito para a corrupção libertar.
E com a notável obra já nas livrarias, A Arte de Bem Bajular, patrocinada pelo Fundo da Cultura dos Sempre os Mesmos, donde emanam magistrais poetas das palavras sem sabor a nada, até o vento lhes foge, os candidatos a bajuladores têm agora uma ferramenta indispensável no nosso acervo cultural para desenvolver e aprofundar a nobre arte do bajular. É só sucessos sucessivos à vista. Lídimo e de tão vastos conhecimentos, é o autor que estampou trabalho quiçá deveras superior a Luís de Camões (1524-1580), Fernando Pessoa (1888-1935), Clarice Lispector (1920-1977), e a tantos outros poetas medíocres. A arte de bem bajular é pois seguramente um êxito internacional das bibliotecas, porque nacionais não as há, e quando as haverá? Nos seus lugares destinados estão as bibliotecas das torres e condomínios, e os constantes derrames petrolíferos das bibliotecas do petróleo. A bajulação é a involução da corrupção.
E se Luanda pretendes incinerar e intoxicar, um gerador tens que comprar. Investir num gerador é um dever patriótico. Há sociedades modernas que medem o seu desenvolvimento económico e social pela miséria, fome das suas populações. Assim, quanta mais degradação social significa um óptimo desempenho no aprimoramento sustentável, a aclamada mais-valia.
Sou bajulador, é bom, é nacional, eu gosto. E quanto mais no bajular me empenhar, umas corruptas transferências bancárias para os nossos bancos vou ganhar. O petróleo sempre a jorrar e nós a bajular. Bajular é que está a dar. Bajulação e corrupção são uma mais-valia. O futuro da Nação está na corrupção e na bajulação. Sem bajulação não existiria nação. Se você bajular até nunca se fartar, escreva um livro de poesia, e o prémio de literatura vai ganhar. E no navio Angola a Bajular, há sempre lugar. Não temas, que o petróleo ainda não vai acabar, por isso está na hora de bajular. Eis a vida dos bajuladores: nenhum por todos e todos por nenhum. A união da nação depende da bajulação. Sem bajular não há manjar. Se te queres doutorar, é fácil, vai no chefe bajular.
E os pastores das igrejas… são tantas, tantas, que até já ultrapassaram os campos destinados à agricultura. São um perigo para a unidade da Nação que a desagregam, mas ninguém parece preocupar-se com isso, só quando surgir a desordem, então sim, é que serão elas. Entretanto, essas igrejas já mudaram de patrono, já não é Deus não, é outro, o do petróleo. E já lhe erigiram estátuas, quadros e demais imagens. Este deus do petróleo é muito valioso, e por isso é recomendável a sua adoração. E para convencer os crentes não é nada difícil. Até já os pressionam para a edificação de lugares de culto, catedrais em forma de sondas e oleodutos. Este deus é que está a dar. E os pastores empenham-se em que os fiéis mudem de deus, que afinal Deus é petróleo, o futuro, amor, paz, perdão, etc.
Tendo o nosso Pravda e órgãos associados concluído os estudos levados a cabo na nossa praça, através de competente sondagem realizada junto da massa militante, isto é, todo o nosso povo, onde como um só homem e uma só mulher, opinaram que ninguém aprova manifestações contra o nosso iluminado regime dos bajuladores.
Ouvidas as milícias, o Conselho Espontâneo e demais Comités Especializados:
§ São suspensas de imediato todas as manifestações que sejam contrárias ao regime. Mantendo-se as habituais efectuadas pelos competentíssimos órgãos da bajulação.
Publique-se
O Conselho da Revolução
Entretanto, um analista-bajulador dizia na RNA- Rádio Nacional de Angola, que o conflito no Egipto nada tem a ver com o da Tunísia. Neste houve uma genuína revolta popular, e no Egipto não, é uma revolta comandada por partidos políticos, e como tal não terá sucesso.
Entretanto, o navio da corrupção navega no mar da ditadura, de ondulação insegura. Um cortejo de tubarões bajuladores cerca-o, na avidez constante de que algum opositor político ou de simples crítico do navegar do seu rumo incerto, abismal, seja atirado pela borda fora, e claro, devorado.
Saudemos a gloriosa centralidade do Kilamba-Kiaxi, a três gargantas de Angola.
E os bajuladores ao atribuírem um subsídio tão irrisório, um punhado de dólares, trata-se de uma campanha da milícia financeira para extinguir definitivamente a oposição e restar apenas um partido e seus manos na votação eleitoral? Isto não é o esperado golpe mortal definitivo na mediocracia angolana?
La cucaracha, la cucaracha/ já não pode caminhar/ porque ainda não consegui/ um prato para bajular.
Os portugueses são os campeões da bajulação para conseguirem um emprego? A TV-ZIMBO já tem um director estrangeiro, o que é ilegal perante a lei. Estão as portas abertas para entregar tudo a estrangeiros incluindo a presidência da República?
República de Luanda. E que tal o barulho dos motores dos autocarros chineses que parecem caldeiras a vapor prestes a explodirem? Uma mais-valia dos bajuladores?
Eis a divisa dos bajuladores nacionais e estrangeiros: Neocolonialismo é bom, é nacional, eu gosto!
Ah, se os corruptos conseguissem corromper os honestos, que bom seria viver num mundo só de corruptos.
Muito curioso sim senhor. Na Síria, Assad garante que nada tem a ver com o massacre das crianças, e em Angola, a Polícia, a PGR, etc, também ninguém sabe quem são as milícias que massacram angolanos. Se governos e oposição em alguns países limítrofes utilizaram milícias, será que esses milicianos ficaram desempregados e conseguiram emprego em Angola? Os bajuladores conseguiram-lhes empregos?
Hum, a CASA parece ultrapassada, porque atira-nos com conferências de imprensa, e disso já estamos cansados. É mais um partido do ramo dos clubes desportivos, recreativos e culturais. Ó Senhor Abel, por favor, envie os seus vices para promoverem comícios e agitação política nos bairros. Senão assim não se safam. O gabinete não é para políticos mas para directores administrativos. Política não é nada disso, é no terreno.
E para as coisas se coadunarem com a actual conjuntura, a Angola apenas lhe falta para funcionar em pleno, o Ministério da Corrupção. É que a corrupção necessita de facto de um ministério que crie leis, que oriente os corruptos, porque andam tão desorientados, coitados.
E quanta mais miséria, mais capelas religiosas se constroem para que as populações orem na esperança de que alguma coisa lhes caia do céu, enquanto o demónio da corrupção festeja as delícias das riquezas desta terra.
Chico Buarque vem a propósito, tão actual, quem diria: Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Como sabem, a última moda generalizada é o não pagamento dos vencimentos dos trabalhadores por parte das empresas da institucionalizada corrupção e até, pasme-se, algumas dos democratas, e novos-democratas. Bom, a coisa funciona assim: se por exemplo os vencimentos dos trabalhadores correspondem a cinquenta mil dólares mensais, e durante seis meses não se pagam os vencimentos, isto dá trezentos mil dólares que o gestor (?) utiliza como financiamento noutras negociatas, e depois com os lucros daí advindos paga, por exemplo, os vencimentos de dois meses, e o ciclo repete-se. Ora, isto não é um país, é uma coisa de escravidão neocolonizada, sem lei, de funestas consequências no futuro a muito curto prazo.
Imagem: O TEMA É MILÍCIA nanihumor.com