terça-feira, 10 de junho de 2014

As moribundas crianças do petróleo





Ai esta assombrada pátria de poetas
E canteiros de obras de escritores
Das crianças do petróleo repletas
E milhões de outras malfeitores

As crianças invadem os hospitais
Porque a sua desgraça é demais
Desempregados estão os pais
Os estrangeiros vivem marginais

A cidade dorme, acorda sepulcral
Mas os seus algozes em alerta, não
Crianças famintas na cidade capital
Sem merenda sem o patriótico pão

Este petróleo tem muitos mistérios
Barras de ferro educam as crianças
Nele está, vive a corja de galdérios
E colada a igreja da tríplice aliança

O petróleo tem direito a manifestação
E as crianças dormem ao relento no chão
Na miséria da sujeição sem alimentação
Crianças sem amor vítimas da corrupção

Os chineses chegaram
E as crianças escravizaram
E os portugueses apoiaram
E as crianças muito choraram

Neste amar o petróleo de tacanha riqueza
Abundam crianças de tamanha pobreza
Vivem exércitos milícias como fortaleza
Nos braços de Deus e no clero da vileza

Este petróleo continua comunista
Vive, só pensa nele é muito egoísta
As barras de ferro são a sua conquista
Da sua principal actividade belicista

São crianças da inesgotável matança
Dos lordes do petróleo da sua malvadez
E delas só restará uma ténue lembrança
Em cada um a morte impõe a sua vez

Dizem que lutam para salvar a criança
E premiá-la com tudo o que ela merece
Já se ouve o uivo do vento da mudança
A intensa propaganda comunista perece

Os lordes do petróleo são imortais
Dizem que nós estamos aqui a mais
Que somos atrasados, Neandertais
Eis a orquestra dos débeis mentais






segunda-feira, 9 de junho de 2014

18-26Mai14. República das torturas das barras de ferro, das milícias e das demolições





Diário da cidade dos leilões de escravos

18 de Maio
Às 10.59 horas os senhores absolutos do petróleo desligaram-nos a energia eléctrica.
Vigarices contabilísticas 02: chegado o fim do ano há o fecho das contas, e a elaboração do mapa do balanço, balancetes e demais peças para apresentação de contas nos serviços de Finanças. Só que a conta bancária em divisas, milhares de dólares, não aparece nas contas, na contabilidade.
Agora, os mosquitos atacam de dia e de noite e perseguem-nos em andamento. É simplesmente horrível o que as obras dos especuladores imobiliários nos fazem. Até se estão cagando para as consequências nos seus próprios filhos, pois de tão desumanos que são, a única coisa que lhes interessa é o dinheiro, e os seus filhos que se lixem, quanto mais os dos outros. Definitivamente o demónio instalou-se em Luanda.
António Setas, no Facebook. “Rua! Rua! Por favor, ou sem favor, RUA! Meus senhores estamos à espera... RUA! Saiam! ... É só sair e dar lugar aos outros que estão na fila há mais de trinta anos! Não custa nada.”
Às vezes fico a pensar: mas os governos apenas servem para saquearem as suas populações?
19 de Maio
Depois de vinte e oito horas a energia eléctrica reaparece às 15.24 horas. Pergunto: para que serve a energia eléctrica em Angola?
Brevemente será a primeira peregrinação ao santuário do nosso senhor do petróleo. Esclarece-se que esta peregrinação será muito concorrida, pois este santuário arrasta multidões sem acesso ao tal precioso líquido que faz muitos milagres económicos em Angola.
O Censo. Quando o jovem inquiridor me perguntou sobre a água e a luz, deu-me uma grande vontade de rir à gargalhada, mas contive-me, ri-me censurado, o jovem também riu. E quando também me perguntou se tinha rádio eléctrico, respondi-lhe que não, só tenho rádio a pilhas. Para mim este Censo tem duas falhas graves: uma, não fui questionado sobre a habitação que está, pode-se dizer, em estado de desmoronamento, aliás como todos os prédios de Luanda. A outra é sobre o Governo, se funciona bem ou mal. E ainda falta o questionamento, se é bem atendido nos hospitais. E o quantas vezes já foi assaltado. E se confia na Polícia. Fico a pensar que, para que serve este Censo se há muito tempo todos sabemos como a miséria funciona.
20 de Maio
Este petróleo mata com muita facilidade, foi feito para matar. Segundo a Rádio Ecclesia, um polícia na zona do cavalo branco, em Luanda, matou a tiro um taxista de trinta e seis anos de idade, deixando seis filhos abandonados, pois a sua esposa não trabalha. Acrescento que são mais seis assaltantes, coisa que este Governo é hábil em fabricar. Podemos chamar a esta cidade, a cidade da república do petróleo dos assaltos.
Administradora municipal do Xinguar. “O Censo é bíblico!”
Mais uma epidemia avassala Angola. É verdade! Uma epidemia de poluição religiosa. Escuta-se por todo o lado a pregação do evangelho, e para isso basta qualquer energúmeno andar com uma bíblia. O grande perigo de mais esta epidemia é que a poluição religiosa também é corrupção.
A hipocrisia é o pai e a mãe da corrupção.
Fiquei, ficámos, trinta horas sem energia eléctrica porque os tais engenheiros mexeram nos fios, provocaram um curto-circuito entre fases. A portinhola à entrada do prédio parecia que ia explodir a qualquer momento e incendiar o prédio. Todos a fugirem convencidos de que o fim anunciado das sagradas escrituras se cumpria. Incrível! Passados quarenta anos e ainda vivemos assim, sem futuro. A EDEL veio e resolveu o problema. Mas os culpados da engenharia do poder popular nunca são responsabilizados pelos estragos que causam. Pelo contrário, sem a justiça que lhes caia em cima sentem-se incentivados para prosseguirem, destruírem. Há quarenta anos nisto!
O empresário mwangolé está no óbito do tio. Canaliza os fundos da empresa para os comes e bebes. Os dias vão passando e o salário dos trabalhadores, - mas o que é isso, trabalhadores, isto é permitido por lei, existem trabalhadores em Angola? - é pá, eles que se danem, esperem se quiserem, se não estão contentes zarpem para Lampeduza ou Mellia. Mas, os trabalhadores mwangolés dizem que os brancos portugueses já receberam os salários deles sem qualquer problema. Afinal branco é gente, mas os mwangolés dizem que isso é separação. E só no dia 15 de Maio os mwangolés começaram a receber os seus salários. Isto significa que trabalhar numa empresa mwangolé não dá, porque se o dono, ou donos tiverem óbitos, as empresas correm o risco de falência, descontentamentos, greves e tumultos.
21 de Maio
“Em época de tirania e injustiça, quando a lei oprime o povo, o fora da lei assume seu lugar na história.” In filme, Robin dos Bosques 2010.
Próximo, há a loja do indiano, onde quando não temos dinheiro fazemos kilapis. Hoje, ele está a chorar. Perguntamos-lhe porquê, ele sem abandonar o choro responde: «Vou-me embora! Estou cheio de medo! Mataram um amigo meu que tinha uma loja. Os bandidos chegaram para lhe assaltarem a loja, ele resistiu, quis lutar, e deram-lhe um tiro, mataram-no! Estou com muito medo, vou-me embora na minha terra!»
No debate da manhã de hoje na Rádio Ecclesia, um ouvinte comentou que devido à intranquilidade que vivemos, assaltos permanentes, que as FAA - Forças Armadas Angolanas, devem intervir para manter a nossa segurança e acabar com a criminalidade.
O presidente do sindicato dos professores, Manuel Vitória Pereira, disse à Rádio Ecclesia em Benguela, que os professores queixam-se de problemas de saúde devido ao giz importado.
Porque será que em Angola não há nenhum sacerdote de Deus que critique o regime, muito pelo contrário, bajulam-no. Porque será?
E das 17.12 até às 17.48 levamos com mais um apagão.
22 de Maio
Estava próximo de quatro jovens que trocavam opiniões sobre o Censo. Um deles disse: «Com isso do Censo, alguns já estão ricos.»
Vigarices contabilísticas 03: o financeiro da empresa entra em conversações com a máfia bancária. Assim, no banco é criada outra conta em nome da empresa. Numa, fazem-se os movimentos da máfia, especialmente os das transferências bancárias mais valiosas, de valores muito elevados. Os mafiosos bancários e os mafiosos financeiros das empresas movimentam as contas paralelas e enriquecem rapidamente. Assim, a empresa têm dois extractos bancários, o da empresa e o dos movimentos mafiosos. Mas quando se pede um extracto bancário da empresa, todos os movimentos lá estão, excepto alguns, que o banco logo que informado da sua falta “apressa-se” em corrigir.
“Nós vamos encontrar os culpados e entregá-los à justiça.” Quando deveria ser: nós vigiamos incansavelmente para que não aconteçam crimes, e os culpados antes de os cometerem serão detidos e entregues à justiça.
Das 21.34 até às 22.14 horas outro apagão.
23 de Maio
O chinês, serra, serra, tábuas de madeira. Serra, serra, saqueando mais um emprego aos mwangolés. E os assaltos crescem, crescem, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, nesta cidade de abutres.
Importam-se chineses porque onde o chinês está, é só destruição, é só poluição!
24 de Maio
O porquê do repentino silêncio sobre o desaparecimento do avião da Malasian Airlines? O que se descobriu obrigou a isso?
Os corruptos também têm direitos de autor?
Outro apagão das 21.44 até às 22.05 horas.
25 de Maio
Conversa na rua das sirenes: uma jovem disse que ontem outra jovem conduzia um carro, foi assaltada. Os gatunos levaram-lhe tudo, incluindo o carro, só faltou levarem-lhe a roupa que vestia.
Das 09.45 até às 13.12 mais outro apagão.
26 de Maio
Já sei porque é que a Net está lenta desde 25 de Maio. É por causa da manifestação do 27 de Maio.

sábado, 7 de junho de 2014

O PARAÍSO PERDIDO A OCIDENTE (08)





De posse da minha colecção, Quer Saber? Comecei a devorar um a um os muitos volumes que compunham esta pequena enciclopédia do saber. Andava sempre com um deles na mão, e quando lia perdia-me, alheava-me de tudo. De tal modo me concentrava na leitura que me esquecia do que tinha de fazer.

Para comprar a matéria-prima para abastecer a fábrica de arame, ia ao Rocha Pereira Amado & Latino, na rua da Prata, e os plásticos na Pollux, na rua dos Fanqueiros. Depois ia para a estação do Rossio apanhar o comboio com destino a Queluz. Assim que entrava no comboio e me sentava, a primeira coisa que fazia era ler, e de tão hipnotizado, algumas vezes ia parar noutra estação mais adiante e uma vez fui parar a… Sintra.

Perante estes acontecimentos os Wanzeller começaram a mostrar muita preocupação. Deram-me muitas reprimendas, lições de moral mas acabaram por se cansar, e disseram-me finalmente:
- Assim como és… distraído… nunca serás ninguém na vida! O conselho que te damos é que estudes, e tenta formar-te porque só assim te darão valor. Se não mudares o teu comportamento serás sempre um frustrado, um revoltado contra a sociedade!
Ouvi em silêncio e fiquei a pensar como é que eu poderia estudar, se já há dois meses não me pagavam os salários.

A Noémia, perante o meu gosto de ler teve a ideia de me oferecer um livro. O meu primeiro livro de verdadeira leitura a Antologia do Conto Fantástico Português. Li-o e reli-o, mas a pensar porque diabo me ofereceu ela este livro tão diferente das leituras que até então tinha lido? Seria porque eu vivia no fantástico? No irreal? Ou teria ela, apenas ela, devido à sua formação em germânicas aperceber-se da minha personalidade? Por mais que tentasse compreender, o certo é que nunca o consegui.
Acho que era apenas para uma introdução à literatura portuguesa do conto fantástico. Para mim era um volume considerável, pois continha muitos contos de vários autores portugueses. Depois ofereceu-me outro livro, A Selva, de Ferreira de Castro, aqui sim, fiquei impressionado com a vida que este homem viveu e sofreu nos seringais do Brasil, e o mais surpreendente é que tinha apenas a quarta classe, era um autodidacta.

Fiquei muito pensativo desde esse momento. Afinal existiram portugueses que não tiveram meios para estudar, e conseguiram ser grandes escritores. Isso deu-me uma grande força na alma. A Noémia ofereceu-me outro livro, As Vinhas da Ira, de John Steinbeck. Admirei nesta obra a descrição que o autor faz de um cágado, e a Rosa de Sharon com os seus seios a aleitar um esfomeado, mas sobretudo as descrições da grande depressão que para mim eram novidade, pois que me iniciava no conhecimento das coisas.

Já colocava algumas questões pertinentes aos Wanzeller. Já começava a ter um rumo político, já sentia alguma revolta, já sentia alguma percepção perante as diferenças de classes sociais. As minhas questões eram respondidas com: «que eu deveria estudar».

Acontecia que os meus salários continuavam a não ser pagos. Quase há um ano… Quando Wanzeller recebia o dinheiro dos clientes na minha presença, dizia-me que tinha de pagar os estudos dos filhos e o luxo de casa, porque parecia mal se não vivessem assim. Também tinha que comprar boas roupas devido à condição social que aparentemente ocupavam. Dizia-me para esperar um pouco mais, que no próximo fornecimento aos clientes pagaria a minha dívida. A situação mantinha-se, o meu pai disse-me para sair desse trabalho porque me estavam a explorar. Transmiti a preocupação do meu pai ao Wanzeller, e de imediato ele disse-me que iria falar com o meu pai.

Foi, e deixou um cartão-de-visita em poder do meu pai, que já ia em mais de um ano de dívida, uma pequena fortuna, e no cartão declarava o valor, e que se comprometia a pagá-la muito rapidamente. Implorava ao meu pai para que evitasse a todo o custo a queixa, a denúncia junto de alguém competente, porque não queria escândalos.
O meu pai concordou e passaram-se mais três meses e nada. Perante a exploração a que me sujeitavam e ainda o facto de constantemente me apelidarem de mariazinha, e insistirem que era um filho de casa, o meu pai insistiu para abandonar o emprego. Assim fiz, Wanzeller tentou convencer-me do contrário, afirmando que iria pagar dentro de três dias, o que não aconteceu.
Depois despedi-me, com muita mágoa é verdade, com ar paternal disse-me:
- Nunca te esqueças que é graças a mim que conheces todas as ruas de Lisboa, que aprendeste a andar de eléctrico. Eras quase analfabeto quando te conhecemos, fui eu que te ensinei a beber uma ginjinha com elas, e a beber um copo de dois e de três com uma sandes quando estávamos muito apressados. Fui eu que te ensinei tudo o que agora sabes, fui eu quem te preparou para a vida, e poderia ensinar-te ainda mais, mas como me vais abandonar, e isso é grande ingratidão da tua parte, depois de tudo o que fizemos por ti. Por isso pensa bem porque acho que te vais arrepender. Tu és como um filho para nós, gostamos muito de ti. Sempre insisti para estudares mas tu nunca o quisestes. Já que não queres estudar, então aprende a ser um homem.

As palavras eram muito convincentes, mas um ser humano não vive de palavras. Vive sim, mas só depois de se alimentar. Não é possível falar convenientemente sem alimentação. E tudo acabou. A divida que se comprometeu a pagar ao meu pai de quase dois anos, uma pequena fortuna para nós, nunca foi cumprida.
De facto quando um patrão faz muitas promessas a um empregado, e o seu falar é doce, meigo, terno, de muita amizade, e muita música, acreditem que ele está apenas a ser falso. Não é por acaso que as grandes fortunas surgem. Quem é muito rico, roubou muito.
Verdadeiramente nunca conheci ninguém que sendo honesto enriquecesse, e o mundo acabará no caos porque a invasão dos novos bárbaros impiedosos e protegidos por leis internacionais, têm permissão legal para escravizar qualquer trabalhador à escala planetária. Sim, à escala planetária porque quando o próximo planeta for colonizado, serão os famintos que para lá irão extrair os minérios. Tudo em nome da civilização e da descoberta de novos mundos.
Seremos controlados por pulseiras, por coleiras em nome da electrónica. Seremos vigiados por satélites, seremos os novos escravos, seremos exterminados lentamente. Os clones avançarão como exércitos e humanos só restarão meia dúzia, esses que actualmente dominam o mundo, e regressaremos à Idade Média, ao seu sistema social, a um novo reinado em que o senhor do novo castelo do Universo reinará por milhões de anos. E nos escravos planetários nascerá uma nova religião. Um novo Cristo surgirá a anunciar que todos os planetas receberão a boa nova do novo evangelho.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

República das torturas das barras de ferro, das milícias e das demolições





Diário da cidade dos leilões de escravos

09 de Maio
Publicidade enganosa, parva: «O Nelson aprendeu a pescar pargos com o pai, e hoje é dono de uma frota de pesca.» Com toda a certeza pescava parvos.
Até hoje a minha melhor amiga tem sido a miséria, nunca me traiu. E espero que ela jamais me abandone, porque se isso acontecer ficarei imensamente triste, porque ela é a minha companheira inseparável. Comparando-a com os poços de petróleo, ela é muito, mas mesmo muito mais valiosa.
"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade." Confúcio
É por demais evidente que um governo idiota nunca fornecerá água e energia eléctrica a um povo idiota. Naturalmente que um governo idiota assegura a miséria a um povo idiota.
Um bom jornalista é aquele que recebe inspiração dos poços de petróleo. E por isso mesmo se diz, jornalista onshore e offshore.
10 de Maio
Mais um corte de energia eléctrica das 23.19 até às 23.58 horas.
Este Governo já conseguiu o cumprimento de um dos seus mais notáveis objectivos económicos: impor a miséria em todo o território nacional.
O nosso Governo não tem cabeça, e como quem não a tem não pensa.
O comunismo é a ditadura do proletariado, e a Igreja é a ditadura do rebanho.
11 de Maio
Das 07.15 até às 08.02, ficámos sem luz. E das 09.45 até às 10.28 horas também.
Quando o deus de Angola fala, a Igreja aplaude. O Censo não vai resolver a miséria das populações de Angola, porque é partidário, e tudo o que é partidário é desgraça. E a Igreja aplaude.
12 de Maio
Das 09.51 até às 10.27 horas sem luz, continuamos no subdesenvolvimento económico.
E os lordes da morte deste mundo e do outro disseram que: “Ruandas nunca mais.” Mas o que se vê é ruandas mais, mais, e mais. A hora da hipocrisia universal não acaba, porque no petróleo da África há guerras, genocídios.
13 de Maio
Alguém viu por aí três pastorinhos malucos que viram a virgem Maria? Na Igreja tudo se inventa para dominar. E naquele tempo, 1917, a Igreja utilizava a ditadura salazarista como instrumento pleno da religião para conseguir a ignorância do povo português muito temeroso de Deus. Não é por acaso que em Angola utilizam a mesma política, mas sem grandes resultados porque a população prefere outros feiticeiros. Nesta e noutras terras está a continuação da ditadura do céu. 
E das 14.48 até às 22.08 roubaram-nos a energia eléctrica.
14 de Maio
Há menos de um ano comprei um interruptor chinês, desses para colocar no interior das caixas eléctricas das nossas habitações, pois, já se está a desfazer. Mais uma vez coloco a questão: para quê insistir na merda chinesa se tudo é lixo? E ainda renovam os contratos pendentes e outros projectos futuros? Isto só tem uma explicação: em caso de conflito aqui na área, os chineses vão intervir em defesa do seu amigo corrupto. Onde há corrupção há comunismo chinês do canhão!
Por volta das vinte e uma, vinte e duas horas, a casa da vizinha escapou de ser assaltada. A sorte é que o marido estava em casa e como tem uma pistola usou-a e conseguiu por os assaltantes em fuga.
15 de Maio
Das 12.15 às 13.07 horas, os lordes do petróleo saquearam-nos a energia eléctrica.
Vigarices contabilísticas 01: No final do ano a empresa apresenta um lucro, pode-se dizer, astronómico. Então, o director financeiro reúne-se com o director-geral e decidem retirar as facturas de valor monetário mais volumoso dos clientes a crédito, até se conseguir um lucro mínimo para efeitos fiscais. É muito fácil enriquecer em Angola, não é?!
A meio da manhã um cliente é detectado pelas câmaras de vigilância na Pomobel, ao lado do banco Millennium na rua rei Katyavala, com duas garrafas de uísque, uma debaixo de um braço e outra debaixo do outro. De imediato ligam para a Polícia que rapidamente surge com um grande aparato, do estilo, polícias por todos os lados. Segundo Rafael Marques de Morais, o dono da Pomobel, senhor Raul, é sócio do comandante geral da Polícia. Um polícia chega junto de um segurança e pergunta-lhe em segredo junto ao ouvido: «Eles estão armados?»
Afinal os sons do inferno são assim? Vinte e três horas e quarenta e cinco minutos. Pânico, há brutais oscilações na rede de energia eléctrica que fazem com que os electrodomésticos e tudo o que é equipamentos eléctricos façam barulheira incrível como se fossem explodir. É que o barulho é assustador, do tipo do Titanic a afundar-se. Em pânico corro para o quadro eléctrico e desligo o disjuntor. Espreito para os prédios vizinhos e apenas vejo uma ou outra luz. Escaparam à destruição? Com receio, durante toda a note não liguei a luz, apesar de ver já vizinhança com lâmpadas acesas. Quantos estragos teriam acontecido? Qual o seu montante? Quem se responsabiliza pelos danos? Esta avaria é devida à tecnologia chinesa? Claro que não me surpreende.
16 de Maio
A Net também está a ficar como a água e a luz. É a santíssima trindade.
“Lisboa. Maria Sala (angolana) foi inclusive algemada frente à sua criança de cinco anos de idade como se fosse uma criminosa. Após a sua detenção, Maria Sala continuou a sofrer agressões, tendo que ser assistida num hospital da área. Foi igualmente alvo de insultos racistas, segundo contou a vítima pelo agente que a deteve alegando desacato à autoridade. Maria Sala identificou o agente de polícia agressor, como tendo o nome Jorge Manuel Pires Sebastião, afecto à Esquadra de Massamá. (Bloco Democrático) ”
Um país repleto de petróleo, um país repleto de miséria.
Das 20.18 até às 20.48 horas, os idiotas cortaram-nos a luz.
17 de Maio
Anúncio funerário no Jornal de Angola: “Joaquim do Espírito Santo, Camaty. Faleceu. O Conselho de Administração da Agência de Noticias Angola Press, ANGOP-E.P., e o colectivo de trabalhadores cumprem o doloroso dever de comunicar o falecimento do Administrador Executivo, Senhor JOAQUIM DO ESPÍRITO SANTO CAMATY, ocorrido no dia 16/5/2014. O funeral realizar-se-á em data a anunciar oportunamente.” Este texto serve para recordar, quando uma minha familiar perseguida pelos fiscais da Ingombota, sem dó nem piedade saquearam-lhe tudo o que ela tinha. Em consequência ficou na miséria, pois o que ela tinha para venda era do kilapi. Então o mano Camaty, cheio de compaixão retirou dez mil kwanzas da sua carteira e deu-lhos para que ela refizesse o negócio. Mano Camaty, tu mereces repouso eterno, porque não és como essas merdas que andam para aí só para chatear e destruir a vida do próximo.
Um vizinho já a subir as escadas do prédio em direcção à sua casa é surpreendido por dois assaltantes que lhe ordenam: «Dá o código do cartão de crédito!»
Outro vizinho, pelas vinte e duas horas apercebe-se que os assaltantes lhe estão a montar emboscada. Corre a toda a velocidade para a entrada do prédio e consegue-lhes escapar devido aos seguranças de serviço. Não é a primeira vez que tal lhe acontece, e de certeza que não será a última.
De manhã, o segurança vinha para o seu posto de trabalho. Confronta-se com cinco assaltantes que lhe cantam a célebre sentença: «Estás colocado!» Carregaram-lhe com tudo, inclusive os documentos pessoais, - não se sabe para quê, e duvido que alguém saiba – deixando-o com a roupa e o calçado no corpo. O segurança rogou-lhes que lhe deixassem ao menos o bilhete de identidade, ao que eles responderam-lhe: «Bilhete de identidade? Nós somos angolanos e não temos bilhete de identidade e tu tens?!»