sexta-feira, 27 de julho de 2012

FRASES CÉLEBRES. Quem é que inventou o Povo?


Abro o meu trabalho de hoje com a divulgação de três anúncios interessantes publicados no nosso Jornal de Angola do dia 06 de Julho de 2012.
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NOVA VIDA. COMUNICADO. Servimo-nos do presente para comunicar a todos os moradores, utentes, parceiros, prestadores de serviços diversos e colaboradores do consórcio Imogestim-Africon na Urbanização Nova Vida e não só, que as nossas actividades cessarão a partir de 30 de Junho de 2012, por caducidade do Contrato com o Ministério do Urbanismo e Construção através do Instituto Nacional de habitação. As questões relacionadas com o fornecimento, ligações, cobranças, avarias e gestão das redes de água e energia estão sob responsabilidade das empresas EPAL e EDEL. Para os demais serviços deverão solicitar orientação do Instituto Nacional da Habitação. Luanda, 28 de Junho de 2012. Os sócios. Imogestim SA Africon

Em Angola, a cada momento que passa, os nossos olhos e os nossos corações transbordam perenes de pranto e de infindável tristeza.
"A estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência; a inteligência tem seus limites, a estupidez não!" (Claude Chabrol)
E da tal empresa de informática de que vos tenho falado, não dá para citar o nome, senão os mwangolés vão todos para a rua, é isso mesmo, mais dois portugueses estão a chegar, porquê? Porque os dois anteriores que conseguiram emprego, pretextaram o despedimento de dois “negros”, o que é já uma vulgaridade consumada, e assim já se podem mandar vir mais dois portugueses. Alerto para a gravidade da situação que se verifica em todos os sectores da vida nacional, para as consequências que isto acarreta para o Regime, e para Portugal, que apostou vender os empregos dos angolanos em troca de vulgares lavagens de dinheiro angolano em Portugal. E em Portugal tudo se compra, tudo se vende, em Angola também.
Se estamos constantemente a mudar de treinador na Selecção Nacional de Futebol, porque não mudamos de Poder? Com derrotas consecutivas e nenhuma vitória nos campeonatos nacionais da governação, porquê sempre o mesmo Poder?
“Quando perceber que, para produzir, precisa de obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negoceia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de si;  quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada” – frase pronunciada em 1920 pela filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920)
Quem é que inventou o Povo?
Sair das drogas é muito difícil. Eu que o diga, pois que há quase quarenta anos ando drogado pelo mesmo Governo, e até agora não consegui abandonar esta droga. É mesmo extremamente difícil sair desta droga?
É mais que evidente que a presente situação se alicerça no facto da extrema dependência em relação aos estrangeiros. Tenho casos relatados por um amigo que trabalha com portugueses, simplesmente horrorosos. É que podemos falar de escravidão, porque por exemplo Portugal lava o dinheiro de Angola e em contrapartida recebe a invasão portuguesa. É por demais evidente que daqui surgem sempre os excessos: o meu amigo relatou-me que um engenheiro de informática português não sabia o que era uma penndrive. Sobre os chineses que até nos espoliam a água, acontece na Huíla, portam-se como imperialistas devido ao apoio chinês à nossa Nova Vida. Do Brasil? Basta ver o que lá acontece com a matança de Índios, e conseguiram bons investimentos, vão construir barragens, criar-nos problemas ambientais como lá fazem, é desalojamentos forçados, etc. Basta também ver que nenhum governo até agora condenou o massacre praticado nas manifestações na tentativa da instauração de outra Síria. Bom, com um governo recordista mundial do esbulho, os estrangeiros estão como peixes na água para nos neocolonizarem, o que acontece. Onde há extrema corrupção, há intensa escravidão. E Angola valoriza-se, é que Portugal, China, Brasil, etc, apoiam os desvios vultuosos do erário público, porque beneficiam com isso. Não existe justificação para um estrangeiro ganhar 10.000 ou mais dólares mensais e um angolano com a mesma categoria ganhar mil e quinhentos. Sei também que os portugueses usam o estratagema do tudo fazer para despedirem os angolanos para lá colocarem portugueses, casos já várias vezes denunciados. O caso da banca é um flagrante delito. Quando um governo depende de estrangeiros, os nacionais deixam de ser independentes e passam à dependência extrema. Evidentemente que num ou noutro caso há excepções, mas no fundo trata-se de paternalismos. Os contratos com as empresas estrangeiras não são do domínio público, são-nos impostos, daí nasce a discriminação. Até as terras os estrangeiros nos espoliam em conluio com a actual conjuntura. E muito, muito mais há para dizer. Com um governo neocolonial os nacionais são neocolonizados. Basta ver no fornecimento de água e energia eléctrica que nem sabemos o que isso é. Bom, e com a política do desemprego angolano em favor do estrangeiro, os assaltos multiplicam-se de tal modo que a todo o momento nos criam o clima de terror à espera de sermos assaltados.
Há por aí alguns vigilantes que escrevem a incitação do ódio, obedecendo às ordens superiores do castelo. A questão é muito fácil de deduzir. Como costumam terminar os que incitam ao ódio? Até conseguem transformar Angola numa vulgar república do ódio.
A incompetência da governação edifica a competência da destruição.
A LAC noticiou que em Luanda, outra vez e sempre outra vez, claro. Hoje, 27 de Junho, pela manhã, cinco assaltantes fortemente armados assaltaram o banco Sol no Kassenda. O banco foi devidamente limpo como mandam as regras dos bons assaltos. Seis milhões de kwanzas e vinte e um mil dólares. Balearam um segurança e colocaram o gerente como refém.
O mais importante é defraudar.
E o povo angolano está felicíssimo. De um momento para o outro abandonou a miséria, apenas em alguns dias, alguns meses, graças ao eterno e nosso clarividente Governo. Assim, com a entrada em vigor dos microcréditos, a população de Cabinda ao Cunene jamais voltará aos tempos da miséria. E todos felizes estaremos/ graças ao microcrédito a fome venceremos.
Dia e noite o angolano parte paredes, o chinês também, o português idem, o brasileiro ibidem, etc. Mas que bizarra lavagem de dinheiro nos proporciona a república de Luanda das paredes partidas.
A diferença que existe entre o actual período eleitoral e o anterior é a fraude eleitoral que é demasiado descarada.
A panela da democracia ferve no fogo da ditadura.
E o Poder está como uma fruta madura, só falta abanar a árvore.
Arrepiei-me quando ouvi o nosso ministro da Saúde, José Van-Dúnem, anunciar que a diabetes está a aumentar, o que é um facto porque conheço várias pessoas que de repente alguém me confessa que estão com diabetes. Mas que expiação a que o mwangolé está condenado. Só come coisas importadas, falsificadas, adulteradas, com prazos de validade expirados. Essas porcarias que andam por aí, como a Coca-Cola, a maionese, a mostarda, o vinho a martelo etc. O neocolonialismo impõe a dependência de tudo, incluindo é claro, os hábitos alimentares. Porque querem exportar, preferencialmente o lixo com a conivência dos nossos novos-ricos, porque facturar é preciso, e vale tudo, como na propaganda eleitoral do nosso minoritário. Mas, por acaso sabem os efeitos que a mostarda faz no nosso estômago? Não? Muito bem! Então, por exemplo, peguem numa moeda a mais velha possível, bem cheia de ferrugem, depois despejem uma porção de mostarda num guardanapo de papel, coloquem lá a moeda, embrulhem bem e deixem em repouso aí durante um ou dois minutos. Depois digam-me o que é que aconteceu à moeda.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O pior analfabeto é o analfabeto político



Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Bertolt Brecht, (1898-1956)
Se Angola está infestada por milhares de técnicos estrangeiros, o que garante pleno desenvolvimento, porque é que os angolanos vivem na miséria?
Porque é que o colonizador e o neocolonizador são sempre peremptórios em afirmarem que o colonizado é preguiçoso, burro, gatuno e bêbado?
E o partido que organiza as eleições é o mesmo que nos desorganiza a água e a luz, e o que organiza a nossa miséria. As receitas diárias do petróleo estão garantidas, amanhã, todos os dias, há mais. Cérebros poluídos, inundados de petróleo, pensam?
E só os estrangeiros é que trabalham, o angolano é muito preguiçoso. Isto não é um círculo vicioso?
E se emprego queres arranjar/ renuncia à nacionalidade angolana/ e então como cidadão estrangeiro/ facilmente te consegues empregar.
Na Rádio Ecclesia, 19 de Junho, ouvi que em Malanje as entidades locais informaram que a malária diminuiu. É que para mim enquanto a OMS não se pronunciar, validar, trata-se de mera propaganda do combustível eleitoral.
Onde há neocolonialismo, há corrupção, há miséria, não há Educação. Demolir é preciso.
Quando oiço o constante som de ferros serrados pelos chineses, sinto no ar o cheiro do progresso. Angola vai longe. Sem os chineses decerto Angola nunca alcançaria os tão almejados patamares do franco desenvolvimento. E é bom, é chinês, eu gosto.
Quando numa insignificante circunstância um Regime usa o seu aparato bélico, apenas revela a sua extrema fraqueza. Pois só com tal aparato os inseguros se sentem em aparente segurança.
Afinal não havia nenhuma luta de libertação nacional. Era derrubar o colonialismo e implantar o neocolonialismo. Não nos libertaram, apenas fomos substituídos por outros senhores dos escravos. Sim, não nos libertaram, apenas nos escravizaram. E em nome desta república do petróleo e do vale-tudo, inclusive outra Síria. Duvido muito. Hoje os antigos combatentes, amanhã todo o povo. Pouco falta, apenas um cochito.
Bom-dia república das sirenes de Luanda. Os manifestantes saúdam-te.
Entretanto prossegue mais um capítulo da novela de terror, os homens errados nas funções erradas. É também mais um dia de lavagens dos dinheiros de proveniência enganosa. E assim as sociedades democráticas vivem e impingem-nos os seus futuros.
Claro que não existe democracia em Angola, logo não é possível existirem instituições democráticas. O que existe de facto é uma luta de classes. A classe antidemocrática marxista-leninista e a classe dos democratas que lutam pela instauração da democracia. E a característica fundamental que identifica o leninista é a mentira sistemática, tipo alcoólico que diz deste copo de bebida nunca beberei.
E o leninista anda sempre ao contrário, contra os ventos da História. Então, em vez de dizer, o governo deve mobilizar-se, não, diz: as populações devem mobilizar-se.
Acredito piamente que a coisa mais estúpida que o ser humano inventou, depois das barras de ferro, foi o futebol.
Se Angola nada na corrupção, então a população sabe bem nadar.
A caminho de quatro semanas que aqui na bwala só funciona uma fase, claro que a qualquer momento o cabo eléctrico vai queimar. O que impressiona é que ninguém sabe e ninguém quer saber. Não é possível um país continuar assim na dúvida sistemática, se amanhã teremos energia eléctrica e água. Estamos no fim. Salve-se quem puder. Ninguém parece saber o que faz, dá a impressão que se anda e se vive apenas pelos mais elementares instintos animalescos. Pode-se dizer que em Luanda já não existe energia eléctrica.
Era uma cidade muito engraçada/ tinha alguns democratas engraçados/ tinha petróleo, PIB, dólares/ e muitos vulcões desesperados. Os estrangeiros estão em todo o lado/ e nós em lado nenhum, cercados/ até a água os chineses nos espoliam/os próximos dias serão muito complicados.
Conselho da Revolução
Lei 1024/12 de 23 de Junho
Da energia eléctrica e água
Há quase quarenta anos que os nosso inimigos internos e externos, tudo fazem do mais negativo possível para que a nossa super revolução de milhões de militantes não vá avante, não trilhe os caminhos da paz e da felicidade nos lares do nosso povo. Esta revolução tem consumido muitos sacrifícios, e mais exige, porque a nossa revolução é pura, sem mentiras. O nosso sacrificado povo já sente melhorias significativas no seu bem-estar diário, basta ver nas realizações das novas centralidades. Comunicamos à nossa massa militante para mais esforços, para levarmos a bom porto a nossa revolução sedenta de mais e mais sacrifícios. Assim sendo e durante tempo indeterminado, o tempo de permanência no poder, que a partir desta data ficam suspensos os fornecimentos de energia eléctrica e água.
Cumpra-se e publique-se
O Conselho da Revolução
A promoção pelos meios de comunicação social de analfabetos políticos e de falsos académicos constitui um perigo gravíssimo para o futuro de um país. Não é por acaso que muitos e muitos países estão irreconhecíveis como tal.
Relatar um facto, como por exemplo a corrupção, isto é jornalismo. E quando se glorifica com jactância um poder, isto é funcionalismo público.
E em Angola constata-se a triste realidade: os biliões de dólares do petróleo não resolvem nenhum problema, muito pelo contrário, complicam tudo, só originam mil e um problemas. O petróleo não é uma solução, é um grande, gravíssimo problema.
Porque é que a ONU não cria uma lei com a seguinte redacção?
Doravante não mais se permitirão mentecaptos e similares na condução de países. Todo o corrupto declarado será alvo de mandato internacional, detido, julgado e condenado conforme as sãs regras de convivência social entre os seres humanos.
A característica fundamental do ser humano é a hipocrisia. Sem ela não será possível a sua sobrevivência.
A injustiça reforça-se por todo o lado. Num mundo perene de injustiçados o que se nota? Parece que está tudo adormecido, ninguém se move para a enfrentar, a injustiça, para com ela definitivamente a encerrar da História.
Bom, e eis-nos chegados à normalidade de um Estado de facto e de tumultos.
Será que também já privatizaram a água?
A que horas é que eles vão apagar a luz e secar a água? E quando é que ligam a luz? E quando é que a água chega? Hoje, amanhã, nunca mais?
Já há muitos anos que não oiço rádios que desinformam a verdade, nem vejo as TPAs porque me provocam lesões irreparáveis no cérebro, além disso é mais terrível que assistir a um jogo de futebol. Mas no dia 22 de Junho deu-me para escutar a RNA - Rádio Nacional de Angola, no seu noticiário das vinte horas, em mais uma das suas emissões em cadeia com a Coreia do Norte. Ao longo de incríveis dezanove minutos só ouvi noticiar o comício que teria lugar no dia seguinte no estádio 11 de Novembro em apoio ao camarada Presidente José Eduardo dos Santos. Falava-se em milhões de manifestantes, depois passou para um milhão, mas o estádio só suporta cinquenta mil. A certa altura deste campeonato partidário, pelo que percebi, Bento Bento, o organizador do comício, esclareceu que os restantes novecentos e cinquenta mil ficariam no exterior do estádio. Depois apareceu um reverendo, nem me preocupei em anotar-lhe o nome, que pregava que o Presidente JES era e é o homem indicado, o salvador, e mais o habitual relambório dicionarista. Ainda tive a santa paciência de escutar um comunicado a informar que, não senhor, o director provincial da educação, André Soma, a obrigar toda a gente a ir para o comício norte coreano, que não era verdade, ele faria lá uma coisas dessas, nem sequer tem nada a ver com isso. Já sentia febre por todo o corpo, mas ainda consegui salvar-me a tempo de não ir parar no outro horror dos cuidados intensivos das outras rádios médicas. Consegui forças para sintonizar a Rádio FM Stéreo da RNA, e escapei-me das milícias da informação da RNA.
Custa a entender, então se lutaram e derrubaram o colonialismo, agora não conseguem lutar e derrubar este neocolonialismo? Então lutaram e derrubaram o quê?
Um anónimo no Club-k.net comentou que o meu amigo Reginaldo Silva merece uma carga de porrada e demais barras de ferro. Pergunto: e os corruptos merecem o quê?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

AS CINCO MAGNÍFICAS (05) Contém cenas eventualmente chocantes





O grupo acabou a refeição e logo de seguida pegaram nos haveres. Roque a rir diz:
- O fim do dia vai chegar. Parece-me que vamos ter outra tempestade. Fiquem atentos ao céu, e cuidem-se. Não se esqueçam que somos vizinhos. Alguma coisa, batam à porta.
A tempestade parece que tem hora marcada, acho que vai ser pior que ontem. – Disse George.
- Não sei se as janelas vão aguentar. Oiço o barulho de coisas a voar. Não sei o que será do barco. – Observei.
Mantinha-se o mesmo cenário anterior, ou pior. Desta vez a chuva era mais intensa.
Há três horas que a tormenta prosseguia. Depois de jantarmos gambas, veio o café e o conhaque. Continuávamos com o candeeiro a gás. Batem à porta com uma chave. Adivinhámos quem seria. George abre a porta, e entram duas jovens. Uma já era conhecida. Vinha com uma mini-saia e um top. A outra deveria ser sua amiga. Tinha um vestido comprido transparente que mostrava a nudez dos seios pequenos. Uma calcinha de renda transparente completava a indumentária. George adivinhou o que queriam:
- Querem um isqueiro, não é? Podem levar este que não necessito dele.
- George, gostaríamos imenso de conversar com vocês. – Pediu a que vinha com mini-saia.
- Estou muito cansado, vou dormir, amanhã falaremos.
Era notório que ele queria livrar-se delas. Depois acrescentou:
- Quanto mais as desprezamos, mais elas nos perseguem.
 Bebemos calmamente e lembrei a George:
- Disseste-me que me contarias tudo o que te aconteceu.
- Ah! Sim, vou continuar.

CAPÍTULO III
GILDA

George fez uma pausa para beber mais conhaque. Depois deu continuidade a outra narração:
- O Roque trabalhou durante uns tempos numa firma farmacêutica. Graças a isso conhecia muita gente nas farmácias. Quando necessitei de um medicamento, fui a uma delas que ele me recomendou. Depois passei lá a ir várias vezes comprar o que me faltava para ajudar a minha saúde. Ganhei amizade com a proprietária que depois me concedia, e atendia com muita atenção. Quando ela recebia produtos, tinha a gentileza de me telefonar. Claro que ganhámos intimidade, e tornámo-nos de certo modo confidentes. Ela passou a conhecer perfeitamente a minha situação. Numa tarde fui comprar pastilhas para a tosse. Ela acreditou que devia tocar-me num assunto delicado:
- George, tenho uma irmã maravilhosa para te apresentar. Muito honesta e competente. Far-te-á feliz.
Foi na farmácia que conheci a Gilda. Acho que rondava os vinte e oito anos. O seu corpo estava bem nutrido, não muito volumoso, aquilo que se pode dizer não muito gordo. Os seios estavam bem proporcionados, e o rosto era agradável. Vestia roupas das mais baratas. A irmã pediu-me para a levar a casa. Aceitei, e antes de chegarmos, pareceu-me que ela mostrava algum receio, porque disse para pararmos num largo próximo. Tentou justificar-se:
- Fui abandonada pelo meu marido. Deixou-me com três crianças. Passamos muita fome. Não temos nada, exceptuando a casa que o meu pai me deixou.
- Ele abandonou-te porquê?
- Arranjou uma mulher rica. Desculpa, tenho que ir porque deixei as crianças sozinhas. Amanhã encontramo-nos na farmácia, pode ser?
Antes de sair beijou-me nos lábios. Sentia que algo estava errado, mas arrisquei.
Depois de sairmos da farmácia, a irmã da Gilda convidou-nos para ir a sua casa. O pretexto era a apresentação à família. Em casa, depois dos cumprimentos habituais, vejo vários livros das Testemunhas de Jeová espalhados um pouco por todo o lado. Adivinhando a resposta, perguntei:
- São das Testemunhas...
A irmã da Gilda não me deixou terminar e respondeu:
- Sim. Pai, mãe e filhos. Ninguém falta a nenhum culto. Manda vir algumas cervejas para festejarmos a tua admissão na família.
Entreguei a quantia necessária. As cervejas chegaram. Gilda lembra:
- Mana, temos que ir embora, já está a fazer-se tarde.
Antes de sairmos a irmã da Gilda tira-me a caneta do bolso da camisa. Diz que é muito bonita. Fica com ela, e acrescenta:
- George, preciso de sapatos novos, estes já estão a ficar gastos e fora de moda.
No outro dia marcámos encontro na minha casa. Gilda fez duas sandes de queijo que acompanhou com cerveja. Depois de comermos pergunta-me:
- Onde é que dormes?
Mostrei-lhe o meu quarto. Sentou-se e deixou-se cair de costas na cama. Sentia-se satisfeita:
- O teu quarto é bonito, e a tua cama é muito fofinha.
Levantou-se e abraçou-me. Deu-me um beijo profundo nos lábios. A sua língua movia-se rápido procurando a minha. Uma das suas mãos apalpou o meu pénis, que cresceu rapidamente. Encostou os lábios no meu ouvido e segredou:
- Ai filho! Há tanto tempo que não fodo. Estou cheia de tesão.
Estava completamente descontrolada. Despiu-me, depois despiu-se. Os mamilos dos seus seios estavam muito inchados. Implorou:
- Oh! Querido! Morde-me nas pontas das mamas. Mama muito, seca-me o leite.
Como ela era forte arrastou-me facilmente para a cama. Pegou no meu pénis e enfiou-o com violência na vagina. Segurou-me com força e comandou as operações. Gritava:
- Porra! Caralho! Não te mexas. Ai! Estou-me a vir.
Ela gritava muito alto. Tive receio que os vizinhos ouvissem, por isso tapei-lhe a boca com a mão. Não consegui aguentar. Esporrei-me copiosamente. Ela reclamou:
- Já te vieste tão depressa?
Senti-me envergonhado, sem palavras, mas gostei imenso do gozo. Ela confessou:
- Porra! Há muito tempo que não dava assim uma foda. Sinto-me outra. George amanhã apanha-me em frente ao aeroporto doméstico, às dezassete horas.
- Trabalhas lá?
- Sim, trabalho.
- O que é que fazes?
- Praticamente nada. Estou na secção do pessoal. Há muita gente a mais. Quem me arranjou o emprego, foi o meu ex/marido. Muitas de nós estão lá só a passar o tempo. Não há nada para fazer.
- Nunca te deram nenhum curso de formação?
- Não. Aprendi a escrever à máquina numa escola de dactilografia. Quem pagou o curso foi ele. Mas nunca nos dão trabalho.
- Como será o teu futuro?
- Não sei. Amanhã estarei à tua espera.
O nervosismo apoderou-se de mim. Estava há uma hora à espera. Gilda caminha calmamente acompanhada de duas amigas. Pára de vez em quando para conversar com quem lhe surge no caminho. Abre a porta do carro, entra, cumprimenta-me e:
- Desculpa, podes dar uma boleia a estas duas colegas?
- Sim, com certeza.
As suas colegas moravam em locais afastados. Conduzir nesta cidade é um verdadeiro martírio. Locais sem luz, buracos, esgotos ao ar livre. E sempre alguém à espera para cometer um assalto. As colegas saíram. Gilda acompanha-as a casa e demora a voltar. Enquanto isso acontecia, meditava no porquê que estes povos não conseguem edificar nada. Perdem o seu precioso tempo com coisas fúteis.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Os Jasmins da Lwena (12)



E estes libertadores libertaram tudo, excepto Angola que ainda não se libertou da tirania destes libertadores.


O segurança com olhos de falcão viu um gatuno a romper a cerca do armazém e deu-lhe um tiro de chofre na cabeça. Ele e demais colegas informaram a polícia, que chega e de modo expedito iniciam a carga das suas duas viaturas com caixas de cerveja. No final os seguranças carregaram o cadáver para a morgue.
As atiradoras são mais rápidas que o vento. Fazem lançamentos como no jogo das escondidas. São finas como ratos na madrugada. Desalentam-se saberem bem ou certo, é mais fácil assim. Nas varandas preparam a comida, desajeitam-se em deitar a água suja na pia. Escolhem o caminho preguiçoso. O entupimento séptico está na Média. Tudo porta a fora.
Revejo as lâmpadas acesas dia e noite. A energia parece gratuita, ninguém assume pagar, ou os Jingola têm cegueira diurna. Estudam o manual de como desperdiçar energia facilmente, que é distribuído gratuitamente. Há intenção de não querer saber, ninguém requerer atenção ao outro. O chamamento de antemão é entonado, destoado: «não chateia pá!» na insistência segredam: «deixa-o falar, vai-se cansar!».
- Maremoto conduto!!!
- Não! É de moto-próprio!
Assustei-me e desassustei-me. Mais uma conduta de água quebrou-se, rompeu-se. A água liberta da prisão jaz caudalosa, persegue os interstícios do solo desestabilizado. Concebe uma via rápida com cratera. O rio chegado arreda coisas e pessoas. A visita líquida é desejada pelas crianças que se fantasiam de rãs e sapos. Atiçam-se:
- Vamos brincar no rio das condutas!
Um mais crescido, taciturno, explica solenemente à criançada:
- Chama-se rio das condutas porque tem nascentes em todo o lado mas, ninguém sabe explicar onde nasce.
Um poeta de última geração é rimado pelo ritmo caudal. Refaz-se, impoluto rebrilha o cabedal dos sapatos nos intervalos da calçada. Processa cantante:
Nesta planície de petróleo jorrante, jactante
de sol e solo exuberantes. Descontraídos novos-ricos cativantes
de desconstruídos, expectantes currais eleitorais errantes
requisitados, mal abençoados pela natureza Humana
de festeiros participativos 24 sobre 24 horas
que fortaleza tem esta tristeza! Viver na extrema pobreza!

Muitos… milhares, milhões de jovens deambulam. A facturação dos biliões petrolíferos sobe, o desemprego também. Novas ruas novos nomes: ruas dos desempregados, apinhados. Futuros continuadores da involução Jingola. Sem estudos, sem ciências humanas, morais e sociais. Apoiados por pretensa ciência, lentes na ciência penitenciária. Futuros trapeiros patriotas, neófitos vendedores de tralhas para aquecer. Os cavaleiros andantes nas justas pela libertação descuidaram brechas da neocolonização. Olvidaram o buraco negro da aldeia global, a senda triste da eterna escravidão neocolonialista.
Pode-se ruminar que não há emprego para ninguém. É constante noticiar mais desemprego. Despedidos porque a empresa faliu, ou há trabalhadores a mais. Mil e uma estratégia sem lei nem rei para trabalhadores autónomos, que do pé para a mão, vão para o olho da rua. Os Jingola lixados emparceiram com rebuçados, bolachas, cigarros e cacarecos que as esposas remendam. No mar de lama da magnitude da globalização empresarial, peixe graúdo abocanha peixe a miúdo.
O polícia monta guarda num mercado de rua. De vez em quando volteia, passeia, pára. De olhar frouxo repara, enquanto descansa o peso dos braços nas mãos enlaçadas, nas costas coladas. Está armado e equipado. O telemóvel espalha sem som nem tom o seleccionado timbre horripilante arquivado. À velocidade de cágado dormente desenlaça uma mão, solta o telemóvel da cintura, petrifica-se. Está colocado pelos Órfãos.
- Passa o telemóvel!!!
É um dia de juízo para a polícia. Chegou um carro patrulha com seis polícias diligentes. Apeados, encafuam-se nas ruelas. Um tenro Órfão alarma a combinação. Culpados e inocentes dão nos cascos. A terra freme como cavalos de corrida num hipódromo. Os incansáveis vigilantes dos dias e das noites, polícia não dorme, não é?!, aprofundam-se, aferram-se nos labirintos. A missão seja ela qual for, é sempre para repor a legalidade.
Enquanto aguarda pelo restabelecimento da lei, o motorista afunda-se no assento com as mãos na nuca. Ficou pachorrenta sentinela na viatura. Atira uns réditos para uma donzela bem nutrida de carnes frescas. Ela não dá cavaco. O vencimento de polícia está num escalão tão baixo que não dá para comprar um sutiã, quanto mais um biquíni. Ela pisca-lhe os olhos com tal intensidade que parece que o circuito de voltagem óptico se desregulou. Ele não entende a mensagem semafórica, acredita que ela está no ponto nevrálgico. A carne quente dele rejubila, solta o verbo.
- Estamos muito quentes, vem, vamos arder!
- Seu burro! Os bombeiros chegaram….
Os Órfãos chegaram, cercaram-no à má cara. Crianças com armas de guerra aperradas, e armas brancas afiadas, dos filmes imitadas, cópias de segurança efectuadas. Ainda não têm noção do matar, do coração parar. Por isso matam, como se fosse a brincar. No abandono da inocência pedem meças:
- Sai daí, vamos dar uma volta, depois regressamos.
E foram no popó da polícia dar umas voltas pela cidade com as deselegantes da mesma idade.
- Mentor, este conflito entre Órfãos e Politburo permanecerá por milhares de anos.
- Dou o meu acórdão. Nalguns bairros os Órfãos disputam a invisível força armada da defesa civil militarizada. Sem abrir concurso, os Órfãos impõem soirée até à matina.
Continuo na travessia das endechas do Homo oeconomicus.
Cooperadores discutiam, não se entendiam. Antes, juntaram-se e consagraram uma cooperativa habitacional. Imaginaram, levantaram habitações cooperativistas. A felicidade eterna nasceu-lhes nos rostos, sentiam-se notáveis. Faziam bom rosto à fortuna. Nas janelas à francesa os casais extasiados vigiavam a filharada que brincava a ter futuro. Tranquilidade absoluta garantida por seguranças privados, armados. Era mais que um jardim, um botânico e outro das delícias. Passaram à história o paradoxo do amor, roubaram o tempo de antena para amar. O casario era embarcação de vento em popa
Começou-lhes a dar o vento no rosto. Atingidos pela magia negra apressada restaram descorados, mitómanos, tensos, enfeitiçados, hipertensos… ficaram a ver navios. Casas construídas em menos de dois anos desfaziam-se aos pedaços. Fendas nas paredes utilizadas para cabeças estreitarem os íntimos lares. Inventou-se a hipótese que dantes o local foi cemitério. Persistiu-se na razão de Estado que os Jingola viviam, viveriam sempre em casebres.
- Mentor, esta magia é contagiosa?
- Muito! O Politburo apoiado pelos seus amigos estruturais de todo o mundo redouram os alicerces da democracia popular. Outra vez guerrear para aqui facturar. As guerras inventaram-se para alguns enriquecerem. Guerra… é o acto ou efeito de destruir, para depois reconstruir. São as filosofias da vida, das visões fantásticas dos canhões que disparam o vinho de Cristo, que nos afogam ou banham em sangue. Suam-nos, que a espécie humana é um tremendo erro da Criação. O Criador errou na manipulação genética. Falseou a costela. Criou o Inferno para os bons e a Terra para os maus. Alguns bons escaparam do Inferno para a Terra. Actualmente lutam ferozmente… luta desigual porque há muito sofrimento, muita miséria, muita fome. Os bons são poucos, os maus por enquanto ainda são muitos. Como alguém afirmou: Todos os Politburo sempre mentem.
- Mentor, antes de aqui cair molhei os pés na biblioteca de Baco. Li textos sobre os Jingola que me surpreenderam. Resumi-os:
Os Jingola odeiam as pessoas, comparam-nas a cães e gatos porque detestam estes animais. Gostam de ratos, da feitiçaria, de vírus e fantasmas. Aprenderam a não confiar em ninguém. O que mais odeiam é a sua sombra. Costumam afirmar que é uma assombração. Convictos, dizem que a inventaram, descobriram.
- Hum! Qualquer na sua superstição milenar vê sombras no seu quotidiano. É como levantar muito cedo, ir para o trabalho e voltar à noite a casa. Biliões de seres humanos desnotaram que os seus cérebros atrofiaram. Desconseguem pensar, e se intentam, lá aparece a mensagem na TV, porque é a primeira coisa que fazem quando chegam a casa. A mensagem é imutável: deitem-se, porque amanhã é dia de trabalho. Levantem-se, está na hora de ir para o trabalho. Exemplificam com um americano que afirma: nasci para enriquecer como empresário, ou ser um homem famoso, trabalhando muito consigo-o. Omitem que ele pouco ou nada dormia, e que acabou na psiquiatria, na psicologia com psicalgia, ou morreu de ataque cardíaco. São bibliotecas de ligação dinâmica, chegam ao trabalho com um chip embutido no cérebro. Muito submissos como a oposição Jingola, não incomodam, não pensam. Se algum consegue remover o chip, começa a pensar, revolta-se… exigindo melhores condições de pensamento. É logo acusado de senzaleiro das ideias incendiárias, não patriota e sumariamente julgado e para um gulag enviado.
- De revolta como Ulisses num gulag marítimo, porque Penélope transcende o amor. Ulisses vai amar na volta do mar
- Ao ir e voltar do trabalho no mar confuso, inúmeras horas irreversíveis são concedidas ao trânsito automóvel. E levantar às quatro, cinco da manhã… essas horas não são pagas. O trabalhador começa a trabalhar logo que se levanta da cama, isso deve ser-lhe pago.
- Não pagam porquê?
- Porque apenas existem quatro classes na sociedade. Presidente, ministro, director e os… lémures.