sábado, 20 de outubro de 2012

O OCEANO DAS FRAUDES DE ANGOLA





Ó envelopes navios negreiros/ que navegais na fraude eleitoral/ regressados, tão ocidentalizados/ na rota dos escravos, de Portugal

Estou aflitíssimo a ver se consigo escrever este trabalho para o nosso Folha, porque a água e a luz também se foram na fraude eleitoral, e sem isso Luanda, é Angola, não tem nenhum valor. Mas a grande questão que se coloca é: o que virá a seguir? Decerto um imenso deserto social e económico para as populações porque a outra, a do petróleo, continuará como sempre nele a boiar. Será que continuará assim?!
São cerca de vinte e duas horas de um sábado sem notícias, tirando a desinformação da ditadura radical que nos mostra as maravilhas dos nossos zés, que vivemos num paraíso importado. Os seguranças estão muito tristes, é o habitual na selva desigual. Mas hoje estão muito deprimidos e um deles como porta-voz desvenda o futuro impuro: «Mas eu estava convencido que era outro que ganharia as eleições, agora com este, sempre o mesmo, continuaremos com os mesmos salários baixos e que mesmo assim nos pagam de vez em quando. Oh! Vamos continuar, a nossa miséria vai aumentar, vai sobrar.»
E os chineses estão muito contentes. Logo no depois do clarear deste domingo reiniciaram a sua actividade violenta, barulhenta, agressiva ao ambiente e humano poluente. Estão imensamente felizes, seguros porque podem exercer as suas actividades ilegais sem que ninguém os perturbe, porque a fraude protege-os nesta selva eleitoral.
Está tudo a postos para o célere regresso à espoliação, à escravidão. Do roubo das terras e terrenos. Da contrafacção e exportação dos desempregados, desgraçados chineses e vietnamitas. E das suas obras que se desfazem porque o cimento é pó vulgar, tudo para nos aldrabar. Angola já é por vontade própria uma máfia chinesa. Da invasão portuguesa em troca das transferências para bancos portugueses que dentro em breve também serão corrompidos, já estão, muito dinheiro do petróleo no paraíso da selva monetária portuguesa.
Dos brasileiros na construção de barragens e outras obras que quando chove se descobre serem obras descartáveis. Dos russos que extraem diamantes e outras máfias. A comunidade internacional está desde já convidada para o grande saque de Angola e das suas populações. O desemprego do mwangolé será total e completo. Muita polícia de intervenção rápida, cavalos, cães polícias e o exército de armamento continuarão sempre em prontidão combativa no país que finalmente alterou o seu nome para, República da Selva de Angola?
Num tempo destes, de fim das ditaduras, a imposição do fascismo a um povo resulta em quê?
Seremos governados por um grupo que insiste nas ideias do aqui jaz o fascismo? Por bispos, padres e igrejas da maiuia, chineses, brasileiros, portugueses, russos e outras piranhas? E vai ficar tudo como dantes? Duvido muito, e quem acredita em tal é louco varrido, vencido.
Minhas senhoras e meus senhores, apresento-lhes a grande burricada do invencível Minoritário: Se a oposição decidir juntar todos os seus militantes, por exemplo numa manifestação, o Invencível fica reduzido a menos que minoritário, isto prova a fraude eleitoral, e mais: como é que o Invencível vai governar durante cinco anos uma maioria? Isso não será dukambwá? Com as populações de saco cheio? Vai ser porreiro, vai, vai. É que estou mesmo muito apreensivo porque há muita gente que já mesu ma jikuka. O que é que isto vai dar?
República das Fraudes de Angola
Qual será a fraude de amanhã? Ora deixa cá ver… já sei. Quando a oposição acabar de confrontar os dados eleitorais, e claro, é a coisa mais fácil do mundo provar a fraude eleitoral, aqui lembro mais uma vez que em trinta e três anos de clarividente governação nunca conseguimos ter contabilidade organizada, e os empíricos da CNE virão à tona com o maior despudorado descaramento tumular, que tudo está perfeito, sem falhas e que a oposição não entende nada de contabilidade, e que ainda lhe moverão uma acção judicial por difamação. 
A república da promoção dos analfabetos políticos
Com tanta formação de analfabetos políticos pelo eterno gelo do Poder, nada surpreende a renovação da fraude eleitoral. Por este descaminhar estamos condenados a sermos comandados por um balão movido a hidrogénio, dirigível. A anarquia está por todos os estábulos, especialmente nas rádios, jornais e tevês do mecenas do petróleo.
Porque é que a Rádio Ecclesia chutou um democrata e no seu lugar colocou um exorcista?
E onde se decreta o analfabetismo, a irresponsabilidade e a corrupção campeiam.
E o neocolonialismo impõe-se naturalmente, ferozmente. Antes da renovação da fraude eleitoral, o chefe português, são todos chefes, da empresa instalada em Luanda, foge para Portugal abandonando os trabalhadores mwangolés. Antes transferiu, como mandam as boas regras da cooperação, o dinheiro de Luanda para Portugal, deixando os mwangolés sem vencimentos, na miséria. Quantos e quantos mais mwangolés neocolonizados se encontram nesta situação? São tantos os espoliados que ninguém os consegue contar. Talvez que a CNE o consiga.
O império do petróleo sem lei arrasta-se no rumo da convulsão final, sem igual.
Ainda se lembram dos ataques sistemáticos contra o Mobutu, que era um ditador e muitos outros terríveis títulos atribuídos pelos actuais dinossauros que fingem que nos governam? Há muito que o ultrapassaram em crueldade, mas ele afinal comparado com estes era um tipo porreiro.
A actuação desumana dos regimes ditos democráticos, não passa afinal de meras fábricas do terrorismo internacional.
Se os chineses estão a destruir, a pilhar Angola, porquê a insistência neles?
Um país que é subserviente de outro, no caso, Portugal de Angola, esse país existe como tal ou presta-se apenas como colónia de férias ou paraíso de recepção de bens ilícitos?
Bom, o governo português já recebeu o envelope. Agora, muito naturalmente candidata-se a outro. Que criatividade bárbara apoiará contra os democratas angolanos?
Não será um mandato de cinco anos, mas sim cinco anos de luta pela liberdade e democracia. Porque isto revela a má qualidade de um partido Invencível sem intelectos, sem ideias, zerado. Portanto, não admira nada, porque onde não há intelectos há destruição de ideias, desolação.
Se a oposição não conseguir unir-se para lutar, libertar-se da escravidão, então não há nada a fazer. Muita conversa, sempre a mesma, não leva a lado nenhum, e serve os interesses da ditadura. Não se esqueçam que por detrás da actual conjuntura há países estrangeiros sobejamente conhecidos que preferem e executam o tradicional anseio: subjugar o povo angolano e demais África no rumo anterior do esclavagismo. Se preferem a escravidão, então que assim seja e que Deus seja louvado. Sobretudo não vos deixeis cair na tentação das igrejas da maiuia, pois eles conduzem-nos à servidão e à destruição do pouco que resta das sociedades. Aos poucos voltam a embarcar nos navios negreiros. E povo que não se liberta é escravo do seu Senhor e do senhor. Se preferem, ao que parece, os amargos caminhos da escravidão, que assim seja então.
Como é interessante, horripilante, ouvir a todo o momento os corruptos falarem, exigirem legalidade, como se fosse uma doença. Pobres e infelizes corruptos que arrastais esta Nação para a vossa podridão. Mas dela não escapareis, não.
Portugal, o governo dos envelopes
Impressiona-me a promiscuidade virulenta do governo português, que como um lacaio se apresta a lamber os seus donos, e com isso receber um prémio da destruição petrolífera ao apoiar a fraude eleitoral de Angola. Mas que coisa mais torpe. Quando o ser humano desce aos esgotos neles faz concorrência aos ratos, e lá fica, e de lá já não sai. Governo da vulgaríssima corrupção que, como se não bastasse, atiça a lava do vulcão. Portugal jamais se estabilizará com corrupção, Portugal está na proa da destruição. Com tais governantes, Portugal não se salvará, e quanto mais esbracejar mais no lodo se afundará. E quem obteve o doutoramento em fraudes eleitorais, o diploma está impróprio para consumo. Para sobreviver, a escravatura de um povo se deve promover, submeter? Um governo consolida-se com a miséria do povo angolano? Para onde ides negreiros convictos?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

AS CINCO MAGNÍFICAS (FIM)




Não resisti. Colei o meu corpo ao dela. Senti o quente da sua vagina e o meu pénis a crescer. Neste último momento senti que devia dizer-lhe algo de muito profundo. As lágrimas vieram-me aos olhos. A chorar confessei-lhe:
- Jandira… foste a única pessoa que mais amei na minha vida. Nunca amei ninguém como tu. Nunca na vida que te resta conseguirás imaginar o quanto te amei. O meu coração dificilmente aceitará a separação. Não sei se conseguirei sobreviver sem o teu amor. Vou lançar-te uma maldição: procurarás o amor e nunca o encontrarás. Andarás para sempre perdida nos contentores do lixo. A procurar as sobras. À procura do que nunca encontrarás. Ninguém pode nem deve brincar com o amor puro e sincero. Isso, trás sempre funestas consequências.
- George, meu querido, perdoa-me. Pela última vez, do fundo do meu coração, peço-te perdão.
Larguei-a, e depois abri a porta. Ela saiu. Tudo estava terminado para sempre entre nós.
Assim que o movimento diário surgiu bati à porta da Jandira. Fui atendido pelo filho mais velho da nova esposa. Ele não era filho do avô da Jandira. Ainda estava com os olhos de sono. Ficou surpreendido por eu lhe bater à porta tão cedo. Convidou-me a entrar. Entretanto, disse-me que a sua mãe e o seu padrasto ainda não tinham regressado de uma festa. Preferia falar com o avô da Jandira, mas não estava disposto a perder mais tempo:
- Olha, não quero perder muito tempo. Venho falar sobre a Jandira.
- Sim vizinho, está à vontade.
- A Jandira deu cabo da minha vida, gostava muito dela.
- Vizinho, não estou a entender. O que é que pretendes?
- A Jandira não passa de uma prostituta vulgar.
- Vizinho, é melhor falares com o avô dela. Ele não demora muito a chegar.
- Não, não quero falar mais. Você transmite aos seus pais a mensagem que lhe deixo. Vivi com ela maritalmente, e está tudo acabado entre nós. Repito, ela não passa de uma vulgar prostituta. Abusou durante vários anos da minha confiança.
Minutos depois, muito abatido sentei-me pesadamente no meu sofá. Peguei numa folha de papel e escrevi:

Ela decidiu abandonar-me para sempre
deixando-me apenas o inicio da manhã
nunca mais verei a sua beleza
esquecida nos deleites das nossas noites
ainda que clame nos brilhos esquecidos
do nosso amor
jamais a lembrarei

Ainda que tente voltar
em qualquer noite
nunca me encontrará
A sua beleza de noite e de dia
será para sempre esquecida
apenas lhe restará um leve suspiro
de vez em quando
a sua beleza para sempre será esquecida.

Jandira foi para o hospital de urgência. A sua pressão arterial estava muito baixa. O médico disse que o coração podia parar a qualquer momento. E que o homem que lhe fez isso não deveria repetir tal proeza.
Sentia-me horrivelmente mal. O meu coração parecia que queria parar. Sentia que a qualquer momento teria um ataque cardíaco.
Uma semana depois Jandira começa a recuperar. Recebe alta do hospital e vem para casa, com recomendações médicas de total silêncio e repouso. O seu estado é lastimável. Apresenta uma magreza extrema. Disse que iria também preparar a sua vingança. Inventa uma história que conta aos tios, na qual afirma que eu é que a obriguei a manter relações sexuais em troca de dinheiro. Um dos tios vem conversar comigo:
- George, é melhor você não dirigir a palavra a ninguém, até que as coisas acalmem.
Outro dos tios aborda-me de maneira diferente:
- Se volta a aproximar-se da nossa casa, vamos bater-lhe tanto que nenhum dos seus ossos se aproveitará, e depois vamos buscar a polícia, carregamos consigo para um avião, e vai definitivamente para o seu país com ordens de não mais voltar. Não tem vergonha de andar a abusar da minha sobrinha? Vamos apresentar queixa na polícia.
Nem dava para acrescentar fosse o que fosse. Era evidente que não tinha qualquer hipótese de defesa. Todos deixaram de me falar. Mas isso para mim era óptimo. Pelo menos deixavam de me incomodar.
O dia chegou. Viam-se duas palmeiras caídas. O barco estava na areia. Interroguei o George:
- Nunca mais a viste ou falaste com ela?
- Ela tinha medo de falar comigo porque os tios ameaçaram-na que se tal acontecesse, a colocariam à força na minha casa para sempre. Poucos meses depois encontrei-me com ela ocasionalmente e cumprimentámo-nos normalmente. Vive actualmente quase em extrema pobreza. A família devido ao que aconteceu votou-a ao desprezo. Ninguém lhe dá atenção. Circula por aí vivendo do que é possível. Actualmente sinto muito receio perante qualquer intimidade com mulheres. Aquelas que mais amei na minha vida foram precisamente as que mais me traíram. A questão é que elas aparecem e desaparecem, como se viessem do nada. Acredito que ela e a sua família queriam apenas ficar com a minha casa.
Acho que George tinha acabado a sua narrativa. Levantou ligeiramente a cabeça numa determinada direcção, obrigando-me a olhar para lá. Comentou com ironia:
- Vem aí os três mosqueteiros.
- George, falta um.
- O quarto é o barco.
Os três sócios estavam a retirar o barco da areia. Avaliaram se havia estragos. Conseguiram facilmente colocar o barco na água, devido a estar maré-cheia. Experimentaram o motor e este arrancou à primeira tentativa. Aproximam-se e saúdam-nos, Roque faz uma vénia, depois afirma:
- Foi uma grande tempestade… conseguimos sobreviver.
Virgílio acrescenta:
- Parecia que o céu nos caía em cima.
João com ar sério exclama:
- Eh pá! Vamos comer qualquer coisa e depois zarpamos. Nada mais há aqui a fazer.
Virgílio responde com sarcasmo:
- Aqui não dá para fazer ralis.
Ao que João responde na mesma moeda:
- Também não existe nada para roubar aos sócios.
Roque intervém pondo ponto final na questão:
- Não vale a pena chorar sobre leite derramado. Acabámos com a empresa. Já não somos sócios. A partir de agora quem tiver unhas é que toca guitarra.
Depois deles se afastarem olhei para George, como que a pedir-lhe auxílio. Ele percebeu e falou:
- Normalmente estes países têm o futuro permanentemente adiado. Quando estive num país da América Latina, para assinar um contrato de comunicações, tornou-se difícil porque os oficiais militares estavam sempre bêbados. E continuavam a beber com as garrafas em cima da mesa. É como naquele país que para resolver qualquer assunto dizem sempre: amanhã, amanhã! Ora, isto torna-se muito difícil. Com o dinheiro que ganho, e com a ajuda da minha família, reconstruí uma herdade considerável. Produzo carnes, hortícolas, frutas… vários produtos, comida para as pessoas. Acho que isto é fundamental para a sobrevivência do ser humano. Na minha modesta opinião, se todos assim procedessem, a fome no mundo deixaria de existir.

FIM

Luanda, Maio de 2005

Imagem: blogdosquadrinhos2.blog.uol.com.b


























quinta-feira, 11 de outubro de 2012

AS CINCO MAGNÍFICAS (16) Contém cenas eventualmente chocantes




Custava-me a acreditar no que o jovem me dizia. Quanto mais me falava, mais me sentia noutro mundo. Naturalmente que ele compreendeu facilmente o que se passava:
- Vizinho, essas mulheres não servem para ti. São muito perigosas. São viciadas. São mulheres socialistas. O que elas querem é arranjar dinheiro e gastarem-no com outros homens. Tens que ter muito cuidado. Deixa essas mulheres. Sentem-se muito felizes a roubarem tudo o que podem. E se não ficas atento, vão buscar o resto da quadrilha e ficas sem casa. Elas só querem é andar na moda. Qualquer homem lhes serve.
Era mais do que suficiente. Tinha jurado a mim mesmo que mais nenhuma mulher me faria pouco. Iria preparar a minha vingança.
Jandira vem muito sorridente. Faço um esforço para retribuir. Mostra-me a sua hipocrisia:
- George, este mês está a acabar. Não te esqueças da minha mensalidade.
- Pois não querida.
- Vejo que já te passou a má disposição. Despe as calças. Deves estar muito cheio. Vou-te despejar tudo.
- Não, não me sinto bem.
- Hoje é sábado, por acaso vais sair?
- Não! Daqui a pouco vou-me deitar.
- Óptimo. Vou levar alguma coisa para comer. Também estou muito cansada. Estudar, parece que não, é muito cansativo. Também me vou deitar cedo. Tchau meu querido. Desejo-te uma noite muito feliz.
Iria fazer-lhe a maior surpresa desagradável da sua vida. Uma lição que jamais esqueceria. Decidi que não dormiria. Sentia-me como um louco do amor. Quando se ama verdadeiramente, é como se estivéssemos próximo de Deus. Sentimos um poder incrível. Não tememos nada. Desafiamos a morte. Depois desse amor profundo, surge um ódio carregado do que dele resta.
Fiquei atento aos sons da porta da sua casa. Não parava de beber cerveja. Pelas vinte e três horas ouvi um som familiar. O som dos seus passos na escada era inconfundível. Eram os seus sapatos de salto alto que bem conhecia. Ia muito apressada. Corri para a varanda e esperei pela sua passagem. Ia apressada, via-a entrar num carro que a esperava. Entrou e tive tempo de ver o abraço e o beijo que deu àquele que a esperava.
Mudei para o conhaque. Não sentia sono. Fiz da varanda quase uma cama. Esperaria que ela chegasse. Adormecia encostado ao gradeamento da varanda, e quando acordava bebia um pouco de conhaque. Era a noite mais terrível da minha vida. Quando me levantava não conseguia caminhar regularmente. Estava tonto por causa do sono e da bebida. Depois da longa vigília, por volta das cinco da manhã, vi um carro chegar. Um vulto saiu apressadamente e entrou no prédio. Pelas características só podia ser ela. Corri para a porta e fiquei atento. Ouvi um leve barulho na porta em frente. Abri a porta silenciosamente, mas um leve barulho denunciou-me. Ela desconfiada voltou-se e encarou-se comigo. Ficou como uma estátua. Abriu a boca com espanto. Não conseguia fechá-la. Disse-lhe:
- Jandira, entra para conversarmos.
Estava como um autómato. Entrou e encostou-se no primeiro local que encontrou, o lava-loiça da cozinha. Fui buscar o copo e enchi-o com conhaque. Bebi mais. O que restava do nosso amor estava consumido no conhaque, que fluía no meu cérebro:
- Jandira, vou desgraçar a tua vida para sempre.
- George, espera deixa-me explicar.
- Não é necessário, já sei tudo.
- Quem te contou?
- Jandira, podes-me explicar porque é que tens o lábio inferior da boca inchado e muito transparente?
- Ah, é das garrafas de gasosa.
- Passaste a noite a chupar garrafas de gasosa? Jandira, vou fazer escândalo na tua casa.
- Não, por favor não me faças isso.
- Vou fazer sim.
O seu corpo começou a tremer descontrolado. As calças ficaram molhadas. Jandira não conseguia aguentar a urina que lhe escorria até aos pés. Suplicou-me:
- Por favor não me exponhas na minha família.
- Dá-me a chave de casa.
Muito atrapalhada, procurou na sua carteira. Teve que despejar o seu conteúdo:
- Está aqui. Mas, por favor não me abandones. O que será de mim?
- Somos marido e mulher, ou não?
- Somos sim, para toda a vida.
- Então vai buscar metade do que eu gastei contigo.
- Não estou a entender.
- Estão aqui as contas, quero metade do valor.
Abriu as portas silenciosamente e voltou pouco tempo depois. Trouxe roupa e algum dinheiro:
- Isto chega para pagar?
- Parece-me que sim. Agora falta o resto. Denunciar tudo à tua família.
Colocou-se à minha frente de joelhos no chão a implorar:
- Não me faças isso. Faço tudo o que tu quiseres. Sabes, eu sou muito fraca de cabeça. Esta minha cabeça não dá nada.
- Mereces umas boas chapadas na cara.
- Sim, tens razão. Bate-me, bate-me com muita força. Mereço isso, vá bate-me, bate-me.
Nunca apreciei bater numa mulher, e condeno os que o fazem. Dei-lhe uma leve chapada na face:
- Isso, vá bate-me, bate-me meu amor. Dá-me mais tempo até aprender a ser mulher. Perdoa-me, perdoa-me.
- Não, não te vou perdoar.
- Então vou-me matar.
- Acho que é a melhor coisa que podes fazer. Assim resolves os nossos problemas do modo mais fácil.
Foi para a varanda, inclinou a cabeça e um pouco do corpo. Olhou para baixo e ficou indecisa. Eu sabia que era um truque para tentar desorientar-me. Antes tinha feito um estudo sobre suicídios, e sabia que os suicidas nunca anunciam os seus actos. Esperam que sintamos compaixão. Isso dá-lhes força. Pelo contrário, reagi brutalmente. Peguei-lhe nas pernas e deixei-a suspensa no vazio:
- Queres matar-te? Vou ajudar-te.
O seu corpo agitou-se freneticamente. As suas pernas de repente ganharam vida. Parecia uma égua que queria dar coices. Pousei-a calmamente no solo:
- Desistis-te de te matar?
Não conseguia falar. Abraçou-me e chorou intensamente. Colocou-se novamente de joelhos:
- Perdoa-me por tudo o que te fiz.
- Então confessas que me fizestes muita maldade?
- Sim, confesso. Fui muito maldosa contigo. Perdoa-me meu amor. Faço tudo o que quiseres. Mas não vás lá em casa. Não me exponhas a isso.
- Já te disse que vou na tua casa queixar-me.
- Olha, acho que a minha pressão arterial está a ficar muito baixa. Não consigo manter-me em pé. Se morrer foi por causa de ti.
- Jandira põe-te a andar. Se morreres, ainda bem. Nunca mais me farás nenhuma maldade.
- Dá-me ao menos um simples beijo de despedida. Para me recordar destes últimos momentos.