quarta-feira, 14 de março de 2012

Movimento miliciano das demolições. Voltaire Ngola


JES-MPLA eterniza-se no poder
o futuro das crianças se extinguirá
o campo de concentração permanecerá
das nossas crianças nada restará
o petróleo podre não nos sustentará
de nada nos servirá

O partido único
vai-nos governar
na senda da corrupção
nos escravizar
500 anos de colonização
e quarenta de corrupção
outra vez acorrentados
condenados na prisão

Às nossas tchavolas
havemos de voltar
é tudo para estrangeiros
onde iremos acampar?
O navio está atracado
na corrupção naufragado
o projecto eleitoral encalhado
levará a mau porto o eleitorado

O português, o brasileiro
e o chinês sempre a facturar
e o mwangolé? A incomodar
dizem que não quer trabalhar
(Parafraseando António Aleixo)
Coitado do corrupto
mente uma vez mente sempre
ainda que fale verdade
todos dizem que mente

Só a corrupção vai votar
nesta eleição
eles têm tudo, o segredo
e a chave na mão
Vão fazer do voto
a corrupção geral
e imporão com certeza
a lei marcial

Nós não queremos
a corrupção que inviabiliza
a Nação
Nós queremos democracia
no acto eleitoral
basta de hipocrisia
neste quintal

Com tantos anos no poder
tem-se a experiência
do saber
para a corrupção manter
viver
E ninguém mais pode ser eleito
isto não é uma democracia
é petróleo da cleptocracia
neste rio sem leito

E nas rádios e televisões
os arautos recebem milhões
que só os corruptos podem vencer
as eleições
E a Tchavola foi a votos?
e as outras que espoliaram
e as imensas praias
que privatizaram?

terça-feira, 13 de março de 2012

Antes do 9 Termidor, o TERROR


«Mas existem situações por esta África fora em que vemos os mesmos promotores da democracia recebendo com “tapete vermelho” declarados ditadores só porque aparentemente seus países possuem petróleo ou urânio.» in Noé Nhantumbo, canalmoz
O perigo não está nas mini-saias, mas na lascívia dos nossos olhos.
Nada das bandejas petrolíferas e diamantíferas nos é servido. E prometeram-nos que depois da independência seríamos felizes, correríamos como as águas nos rios de felicidade libertas. E dormiríamos e acordaríamos banhados pelas aragens das suas margens. E nos perderíamos nos encantos da harmonia florestal. Mas não, afinal a independência eram os tesouros das esmeraldas, dos diamantes, do opulento e poluente petróleo na sua vil e vã magnificência.
E outra espécie também descendente de humanos claros e preclaros, ditos de um Deus superior à nossa virtude, de tudo e da Natureza, encheu-nos de riscos num mapa inventado. E os rios perderam-se, secaram, e o que para nós era espiritual, para os preclaros foi, é grande riqueza material. E gritaram-nos: selvagens!!! Da nossa salutar nudez casada com a vegetação densa verdejante e acariciante, fustigada pelas latejantes, lampejantes e ternas chuvadas, pereceu na espoliação da civilização. E inventaram governos locais que publicaram decretos animados por estrangeiros, que renunciaríamos à nossa terra e a todas as riquezas nela contidas. E os nossos filhos cedo aprenderiam a estender as mãos de mendigos aos novos-ricos. E os rios, os peixes, os lagos, a chuva, o vento, as plantas, as aves, as frutas tropicais, desapareceram, parece que para todo o sempre. Até inventaram que a nossa terra ancestral onde crescemos e vivemos milenarmente, tem que ter documento passado, e também ela nos roubaram.
E quando a vida no meu Titanic se afundar, tocarei, cantarei, e elevar-te-ei numa serenata: foi um imenso prazer conhecer-te e perder-te, Angola!
E as revisões e cortes no orçamento do terror eléctrico são constantes. Estamos na inconstante inclinação das costas porque eternamente gratos ao nosso Politburo, pelo grande favor que nos concede da sua divina providência, mendigar-nos com alguma energia eléctrica de vez em quando, assim como a água, e tudo, tudo o mais que se lhe assemelhe. Eles são muito desligados porque esta nossa energia eléctrica ainda é revolucionária, e a luta exige-se sempre contínua porque ainda não se sabe, nunca se saberá, quando a vitória do terror da involução será certa. O nosso Politburo vive lá no Olimpo dele, e de vez em quando lembra-se de nós, melhor, zomba-nos. Estas coisas são próprias de deuses, e em consonância lança para a terra dos mortais, eles são imortais, alguns raios de luz que nos iluminam e algumas chuvadas que nos abastecem de água. Como deuses de todos os céus e donos de todos nós, nunca justificam os cortes de água e de energia eléctrica. Nós para eles não existimos, não somos nada, somos zeros, lixo. Dos últimos cortes, apagões, muitos e muitos mais se seguirão porque a infindável revolução assim o exige e indetermina.
Um Sem Futuro lavava o carro no passeio. De portas escancaradas donde jorrava berraria musical que ao Sem Futuro não o incomodava, nem aos transeuntes, porque todos já passaram à condição de fantasmas. Eram cerca de vinte horas de um dia igual a todas as misérias. Três fiscais vestidos nas vestes de caçadores apresam-no sem hipótese de defesa, melhor, de fuga. Nesta selva saturada de esfomeados, os cumpridores da lei executam-na de modo pessoal. Arrancam o saco das costas do lavador de carros e revistam-no como que numa de luta contra o terrorismo. Nunca se sabe se tem lá alguma bomba, e espoliam-lhe um chouriço e uma garrafinha plástica do bom uísque. E já o carregam para o seu carro improvisado de prisão celular. Mas a dona do carro aparece e entra em conversações com os zelosos cumpridores da lei. Acabaram-se em negociações e os fiscalizadores exigiram três cartões para recarregarem os seus telemóveis.
Do atoleiro da crendice humana sobressai a radiação da abundante religião. Sob o estigma da revelação divina que Ele está em todo o lado, vigia-nos dia e noite, espera-nos no maravilhoso paraíso celestial para nos pedir contas do que fizemos cá em baixo. Uma jovem aí com vinte e cinco anos conseguiu amealhar quatro mil e quinhentos dólares, e acometida de fervor religioso foi para a igreja, naturalmente, ou muito provavelmente na esperança de conseguir um marido. Já lá nas preces ao Senhor, o pastor prega-lhe que quem entregar todo o dinheiro que tiver, esperará e receberá o dobro. Ela achou por bem e entregou tudo ao bom pastor. Foi para casa e esperou que o seu dinheiro se multiplicasse pela intervenção do milagre, da bênção de Deus. Duas semanas depois comparece na igreja e pede o seu dinheiro mais a igual quantia do milagre. O bom pastor admirou-se e disse que não é assim que o Senhor arranja dinheiro para os seus fiéis. E ela ficou na miséria. As igrejas são como as repartições fiscais das finanças, todo o dinheiro que lá entra jamais de lá sai. A pobre coitada, já em casa dominada pelo sofrimento desmaiou e poucos dias depois foi parar no hospital muito mal.
Um senhor também caiu nesse negócio de Deus, entregou-lhes tudo, não recebeu nada, claro, ficou maluco e anda por aí a pregar nas ruas. Mas há milhares de casos como estes, todos feitos com envelopes onde obrigatoriamente os crentes têm que colocar lá dinheiro, quantias à farta, senão Deus não lhes vai atender. A miséria é de facto e de jure demais, não acredito que alguém do Governo desconheça o que se passa. É que é muita gente assim universalizada. E em Luanda cada beco é uma igreja. Este petróleo derrama muita miséria. Está claro que do analfabetismo se retiram muitos dividendos, especialmente religiosos e políticos, ou relembrando o adágio popular: quanto mais burros melhor. E se as inconfessas religiões também espoliam as populações e o governo não intervém, deixando as pobres almas como que numa jangada à deriva arrastada pela força da tremenda cascata apolítica, é porque decerto existe alguma conivência, se retiram apoios políticos e divisão do bolo. E quanta mais religião, mais dominação. As ovelhas têm que ser bem tosquiadas, até que nada mais lhes sobre… se a pele também der, vamos embora a isso. O Céu nada na corrupção, Deus também. Deixa-se corromper demasiado facilmente, por isso não admira que a terra esteja tão corrupta, afogada no lodaçal da corrupção. O angolano quando nasce, o primeiro ensinamento que recebe é precisamente o da escola da corrupção. Mas uma questão se impõe: e quando o petróleo acabar? O Politburo perdeu o seu coração e arrasa os nossos. Vende-se o que ainda resta, os terrenos para o cultivo dos biocombustíveis, mas não é o que já acontece?!
Parafraseando o poeta António Aleixo: a democracia não se aprende, não se ensina, nasce e morre com a gente.
Quem passa a grande parte do tempo sentado a conduzir no diabólico trânsito de Luanda produz infalivelmente hipertensão cardíaca, diabetes e deficiência mental. Um quadro clínico de alto risco. Ora, viver assim é impossível, não compensa, porque a degeneração do nosso corpo acelera-se conduzindo-o à morte precoce. É um manicómio ao serviço do terror.
A Teixeira Duarte SA, além da sua actividade principal, desordenar e apoiar na destruição do que ainda resta da cidade de Luanda, exerce uma actividade acessória: onde chega rebenta com os canos de água e com os cabos da energia eléctrica. Ali na Pomobel, junto ao Zé Pirão, a água corre livremente pela berma da rua, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, já há muito tempo. Ali para os lados da Sagrada Família rebentaram com a luz e a água, e marimbaram-se. Os moradores tiveram que lhes mover uma acção judicial, só assim é que eles se decidiram a reparar os estragos. É terror puro ou não é?! Há pessoas que são consideradas muito inteligentes, mas tornam-se muito perigosas porque utilizam a sua inteligência para a maldade. Para nos aterrorizar basta lembrarmo-nos se hoje e amanhã teremos água, energia eléctrica e se seremos assaltados ou presos pelo Senhor 26.
Um barril de petróleo para a Maria do Rosário na Rádio Ecclésia. Campanha lançada pelo jornalista Jorge Eurico, o bom samaritano. Se até Dezembro não pagar a renda, Maria do Rosário, vai para a rua com os seus cinco filhos porque não tem dinheiro para a pagar. De quarenta e cinco anos de idade, é viúva, cega há quatro anos e portadora da SIDA. A insensibilidade dos príncipes corruptos novos-ricos aterra-nos. A morte dos seus súbditos alegra-os imenso porque ela é o seu festim permanente. O nosso petróleo vai longe, ultrapassa a nossa galopante miséria. Quanto mais petróleo mais fome, mais morte, mais riqueza e corrupção para esbanjar. Dos dois milhões de dólares que deram ao Benfica não sobrou nada?!
No campo da Refrinor, no bairro do Cazenga, vão construir uma fábrica de plásticos. É fácil de imaginar a poluição, a morte anunciada de quem por ali habitar. E o que é de mais incrível: é que existe gente que anda por aí a governar (?) não constrói uma única zona verde, um parque recreativo. Ora, isto é um crime abominável que tem que se combater desde já. O mais importante é destruir e têm uma apetência para tal. Sempre na trincheira firme do crime.
Subo as escadas do prédio, cumprimento uma vizinha nova-rica que comprou um apartamento por apenas quinhentos mil dólares, não me respondeu, deu-me a lei da aversão. Continuou como se eu não existisse. De facto e de jure já há trinta e cinco anos que deixei de existir.
A estrada da morte Luanda-Viana não tem iluminação, é mortes quanto baste. Melhor será chamar-lhe estrada do cemitério do terror. Não há dinheiro para iluminar vias principais, mas para tudo o que é futebóis chega e sobra, abundante como o mar petrolífero.
Na zona marítima dos Ramiros, antigos combatentes sobrevivem da pesca com explosivos. Quando a miséria ataca, o pensamento concentra-se na destruição da fome, parece que nada lhe resiste, lhe ficará incólume. Até o terror presente e futuro se hipotecaram. Enquanto Angola não se libertar dos movimentos de libertação clássicos, o seu futuro será muito difícil de encontrar. Entretanto a revolução da corrupção segue imparável. A vida é um dom feita só de baixos, porque os altos acabaram-se definitivamente.
O dia nasceu colado ao desenvolvimento económico, social e do milénio angolano. A imitação de gente com qualquer coisa na cabeça para vender saúda-o efusivamente, aos tropeções neste navio-petroleiro que se afunda. A cada milha que passa a miséria aumenta, tão desregrada que inaugurará um cemitério de zumbis. Entretanto, o desespero assola-nos de tal maneira como a destruição das chuvadas, porque a água não tem por onde sair. A ganância e a corrupção dos novos-ricos geram falsas obras, e a água da chuva não se deixa corromper. Tudo o que se constrói merece desconfiança, porque o mais importante é comissionar. Luanda e Angola já rastejam na cedência ao imperialismo chinês. Os chineses precisam de minérios e Angola está infestada deles. Isto não cheira nada bem. Mais um cataclismo social à vista. Isto é o reino do Terror, da desolação.

segunda-feira, 12 de março de 2012

«CONTRA A PÓLIO EM ANGOLA E EM ÁFRICA.» E para quando a vacinação massiva da nossa corrupção?


Na LAC – Luanda Antena Comercial, 28Fev, 20.40 horas. Mais uma nova seita abre conta na nossa contabilidade religiosa. Trata-se da Igreja Universo do Fogo de Deus. E a seguir surgirão outras seitas?, como por exemplo: Igreja Universo do Vulcão Divino, Igreja Universo do Todos Queimados, Igreja Universo das Chamas Infernais, Igreja Universo dos Canhões Divinos, Igreja Universo da Lava Purificadora de Deus, Igreja Universo da Grande Queimada Universal etc, etc?
Enquanto o nosso Politburo estiver no poder, qualquer construção em qualquer local considerar-se-á construção de risco?
Eis a apresentação pública de mais um financiamento: bom, o financiamento terá custos directos, indirectos, componentes dos custos e as envolventes dos custos. Este financiamento é fundamentalmente... trata-se de mais uma mais-valia para o desenvolvimento económico das pequenas, médias empresas e também do desenvolvimento da nossa agricultura. Mas também, e isto é deveras fundamental, melhorar significativamente a vida das nossas populações. Não sei se os camaradas estão a ver?
Incêndios de causas desconhecidas. Luanda. No bairro Golfe 2, foram registados até agora incêndios em catorze residências.
Vários blocos de prédios nos Congolenses estão em risco de desabamento, segundo informaram jovens estudantes de arquitectura depois de um estudo feito. De salientar que brigadas de trabalhadores chineses exercem actividade na área, escavando por aqui e por ali, e normalmente desprezam as consequências de tudo o que lhes está próximo. Texto baseado no noticiário de hoje, 29Fev das 12.30 horas da LAC- Luanda Antena Comercial.
Quando um corpo de jurados se apodera de poços petrolíferos, espolia terras, Angola é propriedade privada? destrói tudo à sua passagem como uma violenta calamidade, e divide entre si toda a riqueza de uma nação que jurou solenemente defender, que nem uma migalha divide pelos governados, que se deleita no constante observar dos cortejos moribundos abandonados à morte, e que quem reivindicar os seus mais elementares direitos de cidadania é molestado, nomeado arruaceiro, bandido, torturado e de seguida atirado para uma prisão como preso político. Meus senhores e minhas senhoras, estamos no reino do TERROR que urge combater antes que a coisa alastre e se transforme num reino de epidemias de presos políticos. Já não restam caminhos, apenas escolhos neste cemitério da política da perdição.
Segue um comunicado do nosso Politburo:
COMUNICADO DE GUERRA!
Acho que é engano, o melhor é corrigi-lo para COMUNICADO DE PAZ, pois que já não estamos em guerra, apesar de muitos ainda sonharem com ela, pois que lhes proporcionaria bons e espectaculares proventos: As nossas gloriosas forças populares prosseguem no desmantelamento das bolsas rebeldes dos arruaceiros disfarçados de democratas, que mais não querem senão destruir o nosso Politburo e escravizar as massas populares que não cedem, nem nunca cederão aos ataques do imperialismo internacional e do seu braço armado interno: os reivindicadores por melhores condições de vida e o fim dos trinta e dois anos de governação exemplar. As nossas forças populares sempre vigilantes atacaram o inimigo na composição de algumas centenas de manifestantes, desfechando-lhes rudes golpes nomeadamente: foram presos ou aniquilados e encaminhados para as nossas prisões populares/campos de reeducação: mulheres com filhos às costas, braços, cabeças, pernas, todos partidos, enfim, um mar de estropiados. Outros baleados, e ainda outros, os chefes, os mais ousados que teimam nas manifestações, presos em parte incerta para serem encaminhados aos nossos juízes dos tribunais populares revolucionários, onde serão exemplarmente condenados ao degredo do esquecimento pelos nossos eminentes defensores da ordem, e sumariamente julgados sem direito a advogado… sem quaisquer direitos, pelos mais destacados comités de especialidade dos juízes do nosso Juízo Final.
BWALA PRESS
Hotel Katyavala
O Hotel Katyavala, situado nas traseiras da Pomobel, junto ao Largo Zé Pirão em Luanda, e de propriedade do general Led, construído há cerca de dois anos por uma empresa chinesa, quando se abrem as torneiras, delas não sai água, não, sai trampa. Perante a não resolução da trampa, apesar de várias tentativas por parte dos hóspedes brasileiros, que inclusive já deixaram de receber o pequeno-almoço, decidiram abandonar o hotel e “refugiaram-se” às pressas para outro local residencial na Ilha de Luanda.
Entretanto no Miramar
Chegou aos ouvidos deste BP, que no bairro Miramar em Luanda, as residências são exclusivamente das amantes dos nossos bosses da Sonangol. Quer dizer: os apartamentos, moradias, etc, do Miramar estão amantizados, sonangolizados.
03 Março. Partir e serrar
Neste momento oiço serrar ferros a Sul. A NNO, nor-noroeste, ouço partir paredes. A NNE, nor-nordeste, chinês serra ferros. A ENE, és-nordeste, num prédio, em mais um apartamento derrubam-se paredes. No apartamento de baixo, pela sexta vez em meia dúzia de anos, a proprietária parte-lhes as paredes.
02 Março, 08.10 horas. O assédio sexual do mwangolé
Nas traseiras do prédio surge algo insólito. Um jovem mwangolé, para aí entre os vinte e os vinte e cinco anos, decidiu-se pelo assédio sexual de modo invulgar. Colocou-se em pose tipo modelo, nu, em pelota, isso mesmo, tal e qual. Ostensivamente exibindo o matuba (pila) como um anzol na expectativa de pesca de algum peixe fêmea. Mas elas, as damas, as poucas que depararam com o espectáculo, abanaram a cabeça, não acharam piada nenhuma, viraram-lhes as costas e refugiaram-se no interior dos seus lares. O mwangolé, cansado, bazou talvez frustrado pela atenção negativa que as fêmeas lhe proporcionaram. Espero que isto seja um caso isolado, e que não tenhamos brevemente um fashion diário made in Luanda.
28 Fevereiro, cerca das 22.30 horas. Foi sorte
Aqui na bwala, dois motoqueiros perseguiam um automóvel e obrigaram-no a parar. Já se preparavam para assaltar os ocupantes, quando os seguranças desconfiados decidiram aproximarem-se e os motoqueiros puseram-se em fuga. Foi sorte.
25 Fevereiro. Tragédia numa família
Foi há coisa de duas semanas. Depois de conseguirem construir três ou quatro prédios desses de três ou quatro andares, mobilaram-nos, apetrecharam-nos devidamente para os pôr na renda. Claro que se sentiam imensamente felizes, viam o futuro sem grandes problemas com o aluguer dos prédios. Então, decidiram passar o fim-de-semana em Benguela. Lá para os lados da Canjala aconteceu-lhes um acidente espectacular onde todos, pai, mãe e dois filhos perderam a vida. Conforme testemunhas, o acidente foi de tal ordem que até os rostos ficaram colados nos destroços da viatura.
Outra vês nos “sênês”
Luanda, 25 Fevereiro., 21.20 horas, Avª do Brasil, junto ao Largo Manuel-van-Dúnem.
Três assaltantes que se preparavam para saquear a cantina dos senegaleses, mais conhecidos pela designação popular de “sênês”, não o conseguiram porque o segurança de serviço apercebeu-se dos seus movimentos, fez dois disparos para o ar, e os excluídos da sociedade puseram-se em fuga. Rapidamente outros seguranças dirigiram-se para o local em apoio do seu colega. Entretanto, peritos na matéria juram que os delinquentes vão voltar, cobrar do segurança pelo seu atrevimento.
O lixo chinês da contrafacção no lixo de Angola.
Ontem, 24 Fevereiro, comprei na rua uma simples lâmpada incandescente de 100 W. Olhei para o filamento, estava bom, e bazei. Chegado na cubata, coloquei-a no suporte e nada. Então analisei-a, comecei pela embalagem e vi o meu azar. Made in China. Primeiro, é que deveria proibir-se a importação de lâmpadas incandescentes porque arrasam com a nossa energia eléctrica alternativa da EDEL. Segundo: "obrigando" o uso da lâmpada fluorescente, poupar-se-iam muitos milhares ou milhões de watts. Mas como o que interessa é destruir...
Terceiro: tive que lixar o casquilho da lâmpada, pois a soldadura parecia obra de crianças. Quarto: a rosca do casquilho, incrível, tinha restos de solda. Retire-os com uma lima, coloquei a lâmpada no suporte, e, faça-se luz. E fez-se, acendeu.

domingo, 11 de março de 2012

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (14)


- Ó Filósofo, ainda bem que tive a ideia das cargas de profundidade. Parece que atingi um submarino. Continua por favor. – Disse o Almirante a sorrir.
- Muito obrigado amigo Almirante. Pois… e os nossos ricos como importam tudo, construíram obras mortíferas na Ilha, na Chicala, que estão a matar o nosso peixe. Quero dizer, que estamos a consumir peixe da morte. E insistimos em importar aventureiros que nos estão a exterminar. Eles não vêm aqui para investir, mas para nos vampirizar. São os vampiros globalizados. E nós ficamos à procura da cultura perdida, que jamais encontraremos. Delenda Carthago.
O Branco pretende desviar as atenções para si:
- Conhecem a lenda da origem do branco e do negro?
- Não. – Respondeu o Vodka.
- Quando Deus criou o homem enganou-se nas bebidas que lhes deu. O vinho tinto era para o negro e a aguardente para o branco. Deus distraiu-se nas garrafas e deu o vinho tinto ao branco e a aguardente ao negro.
Ninguém achou piada. O Almirante receita:
- Não é ensinar como pensar, mas pensar como querem que pensemos. O mundo tem que funcionar sempre do mesmo modo. As empresas trabalham para obter lucro, quanto mais melhor. Dizem que assim é que é. Isto é a chave do desenvolvimento, o que faz avançar a humanidade. O que não dá lucro não presta. É abandonado, esquecido, como se não existisse. Quanto mais lucros, mais se rouba, alguém foi vigarizado. As empresas têm uma competição feroz, são como o circo romano. Só César sai vencedor.
O Poeta corrobora:
- Exímios libertadores que são escravizadores. Tantos doutores que nos dão tantas dores.
- Pensaram que em quinhentos anos nos moldaram. Não. Nós fingimos e continuamos a fingir. Só que agora é entre nós. Nunca perdemos a nossa identidade cultural. – Reforçou o Almirante.
O Branco e o Almirante espigam-se:
- Vê-se. – Espicaçou o Branco.
- Apesar de tudo somos livres.
- Como na selva, o selvagem perfeito.
- Somos nós próprios. Os nossos costumes estão intactos, nunca fomos, nem seremos dominados.
- Exceptuando o álcool.
- Somos assim e gostamos. Estamos no nosso país, e melhor que este não há.
- Pior também não.
- Para a frente é o caminho.
- E o principio onde está?
- Está no fim.
O Almirante pede a uma senhora que lhe venda um maço de cigarros Angola Combatente. Abre-o, tira um, acende-o e recomeça a fumar. Diz para o Branco:
- Os portugueses estão outra vez a colonizar-nos, já são outra vez aos milhares.
- Os chineses serão quinhentos milhões. – Defende-se o Branco.
- Só estão a colonizar-nos em Luanda. Portanto isso não é colonização. Entendam que Angola é tão grande, e a nossa população é tão escassa que necessitaremos de alguns milhões de estrangeiros para reconstruir o país.
- Depois vai aparecer outro Albert Camus.
O Branco pergunta ao Almirante:
- O Filósofo está sempre a olhar para o profundo da noite escura porquê?
- Pergunta-lhe.
- Ó Filosofo estás a olhar para onde?
- Não consigo ver o nosso futuro. Indefinidamente, contudo, e o dia ainda não cegou.
- Todos os dias são cegos. – Lamentou o Branco.
- É porque estamos sempre bêbados numa pátria de bêbados. Nos fins-de-semana só se ouve o barulho de carros a chocar. Sente-se o terror, parece um filme. – Amedrontou-se o Hepatite.
O Poeta sente o ardor da noite:
Ainda estamos longe da Liberdade/ não aprendemos os primeiros passos/ porque as nossas mães não têm tempo/ porque têm que vender a cerveja/ porque têm que vender qualquer coisa/ por isso não conseguimos gatinhar/ porque também matamos os gatos/ porque são feiticeiros.
O Presidente bebe uma gasosa. Calmamente faz ouvir a sua voz:
- Se nós não temos um contabilista numa empresa, vamos encontrar um contabilista. E não digamos primeiramente, que ele é burguês ou que é pequeno-burguês. Nós queremos é as contas. Em primeiro lugar queremos as contas – e desde que ele as faça honestamente não há razão nenhuma para ele ficar afastado. Houve a certo momento em 1962 um fraccionismo, que foi conduzido por Viriato da Cruz, nome que não é desconhecido dos camaradas, mas que produziu a divisão do Movimento, por não querer submeter-se a essas regras de centralismo democrático. Quando se discutia um problema, no Comité Director, ele assumia, sempre uma atitude contra a maioria. Mais recentemente, (1965/66) um outro grande fraccionismo, que se baseou na tribo, que é o Chipenda. Era membro dirigente do MPLA, estava connosco no Comité Director e, certa altura, foi mobilizar a gente da sua tribo – ele é natural do Lobito. Pensava ele que poderia ser o chefe dos umbundos. «Revolta Activa», chefiado por Gentil Viana. Da mesma maneira, dentro do movimento, formou um grupo para combater a Direcção do movimento. Claro que hoje está preso. Nós temos de combater, sempre e com firmeza, qualquer tentativa de fraccionismo. Isto não pode ser admitido numa organização democrática como a nossa em que há democracia, da base ao topo. Se esse grupo não se convencer com a crítica, é necessário neutralizá-lo imediatamente. In Agostinho Neto. 5 De Fevereiro de 1977. Discurso na assembleia de militantes em Ndalatando.
- Esse Poeta… Oh! Isso é coisas dos brancos. Esse gajo anda a ler muitos livros deles. – Desdenhou o Hepatite.
- Conheces algum filósofo negro? – Perguntou o Filósofo.
- Sim! Sim! Conheço!
- Qual?
- O Black Label.
- Nasceu aonde?
- Na Escócia. Uísque Johnnie Walker Black Label.
Vodka confidencia ao Almirante:
- Estou a ver se consigo um empréstimo bancário, mas não é fácil.
- Contrair empréstimos, para pagar empréstimos. Vê que o país gasta o dinheiro em festas. Quem dera que o gastasse em livros. Que se fizessem grandes maratonas de leitura. Quem sabe, talvez que o último de nós antes de morrer se lembre disso. Deviam colocar anúncios nas cervejas que bebemos e nos cigarros que fumamos: leiam o livro de tal escritor, ou: entre fumar e beber um bom livro há que escolher. Parecemos as queimadas das florestas no tempo do calor. “Estranhos num planeta estranho”. Impor culturas estranhas a povos estranhos. Não são excluídos, mas auto-excluídos. Foi o mesmo que aconteceu aos índios, por isso foram dizimados.
- Acho que a queima de carros se deve a um contrato com os fabricantes. – Deduziu o Vodka.
Um jovem aí com trinta e cinco anos faz a sua aparição. Muito magro devido aos copos, põe-se em sentido e faz a continência. Pede ao Almirante:
- Almirante manda-me descansar!
- Descansa.
- Quem é Almirante? – Perguntou o Vodka.
- É o Mig. Ficou com esse nome devido aos bombardeamentos que fez. Era piloto da força aérea. Depois disso a cabeça deixou de bater bem. Mas é inofensivo.
- Não anda mal vestido.
- Nota-se, a família dele tem posses.
O Almirante dá um breve traço histórico:
- Quando saiu da força aérea foi viver com a esposa numa vivenda, que era do pai dela. À volta da casa havia um jardim perfumado quase com uma única planta, a erva-de-santa-maria. Estive lá algumas vezes e gostava do perfume dessa planta. A esposa estava quase a licenciar-se em contabilidade e gestão. O Mig disse-lhe para abandonar os estudos. Ela obedeceu. Depois ele começou a regar as plantas com água da cozinha. Elas não aguentaram e acabaram por morrer. A esposa também não o aguentou e acabou por o deixar.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Ka Ubu, o Reino Corrupto


Governar é muito fácil… basta fingir que existe ensino para ter um povo analfabeto e facilmente o submeter à escravidão.

Desempoeirava os arquivos na lisbonense Torre do Tombo quando encontrei um manuscrito surpreendente.
A corte do Rei D. João V de Portugal, que reinou de 1706 a 1750, vivia luxuária com as naus que chegavam e descarregavam ouro e diamantes brasileiros. Era o rei dos deuses. Tangou 120 milhões de cruzados no Convento de Mafra. O dízimo à igreja de Roma ultrapassou 200 milhões. O Aqueduto das Águas Livres?.. o povo pagou. Um rei que influencia reis actuais porque o copiam, suplantam-no. Insatisfeito, D. João V queria mais riquezas, o que prova que quanto mais se têm mais se quer, e ordenou os preparos de três embarcações com destino à Africa Ocidental, na deriva da rapina, no saque de mais ouro e diamantes.

Acabou-se a aparelhagem das naus que almiranteadas por D. Fuenteovejuna, desacostaram numa manhã sedativa. Usaram a prática de apenas os capitães conhecerem o destino da viagem. Chegaram às ilhas de Cabo Verde, fizeram a Volta ao Largo, depois ficaram à mercê dos bons ventos rumando para sul. Muito navegaram e bordejaram até ao encontro de uma grande tempestade que dir-se-ia os aguardava. As vagas não vagavam as naus que descombinadas perdiam o desejo, o ser de boa paz. Chuva e ventania intensificavam-se o que forçou as naus a largarem-se as mãos, e saírem da rota como países mal governados. Dias aziagos sucederam-se com esforços para não se afastarem, para continuarem como namorados, mas em vão, a nave capitã perdeu-lhes os vultos. O almirante do mar oceano Fuenteovejuna, não se surpreendeu quando se mareou que andava à deriva. Como os homens que fazem guerra, o mar também se cansa e amaina. Seguiu-se a dança do universo visível e um estafado marinheiro soltou algo parecido com um grito:
- Terra à vista!
- Louvado seja Deus Nosso Senhor! - Exclamou o capitão que acrescentou:
- Vamos consertar a devastação da tempestade, renovar os viveres e saber onde acostámos.

Exaustos, deitaram-se na areia fina do imaginário paraíso. A vegetação adensava-se e o sol rompia com a sua fornalha, o que levou Fuenteovejuna a profetizar:
- Chegámos ao país do sol!

Saboreava-se o amável convite da Natureza para bater sorna, mas o deleite não foi demorado porque das sombras da vegetação surgiram alguns seres humanos escuros, achocolatados. Um destaca-se, ergue a mão em sinal de cumprimento e Fuenteovejuna pergunta-lhe:
- Onde estamos, quem são?
- Watula! (já chegámos) saudaram os nativos na sua língua.
Fuenteovejuna, à James Cook na Austrália, sabiamente esclarece os seus homens:
- Meus senhores… parece que estamos no reino dos Watulas!
Viu a inutilidade da sua conversa porque os nativos não o entendiam. Esboçou-se, esforçou-se e marimbou-se. De repente surge uma jovem, uma natividade de extraordinária beleza que faz uma afirmação desconcertante:
- Eu entendo a tua prosa.

Fuenteovejuna olhou guloso para a jovem natividade, como alguém que não comia nada há muito tempo. Admirou-se, admirou-a, despiu-a mentalmente, aparentava vinte e cinco anos. Cor de chocolate claro, lembrava uma estátua de deusa perdida, à muito procurada pelo argonauta, uma lenda das maravilhosas ilhas encantadas que nenhum escultor ainda esculpira. Como um sonho nunca viajado, encontrado, nunca revelado. Os seios nus, erectos e mamilos de endoidecer qualquer hominídio, sugeriam que acabavam de aportar no paraíso perdido. A cobrir-lhe o sexo já publicitava, estampava a maravilhosa invenção da tanga. Fuenteovejuna esqueceu-se de Deus porque sentiu um arrepio de paixão terrena passar-lhe pelo centro do corpo. Rouquejou:
- O meu nome é Fuenteovejuna, como é que sabes a minha língua?
- Chamo-me Kufundisa, (fazer justiça) e a tua prosa aprendi nos computadores dos Dólares.
- Como se chama este reino e quem são os Dólares?
- Este reino, agora chama-se Ajimbila, (ficam perdidos) e os Dólares governam-nos, oprimem-nos... os Dólares chegaram aqui nalgumas naves especiais com pessoas brancas, a que o nosso povo estupidamente chama deuses e que conluiados com o rei absoluto, Ka Ubu (o eterno) nos zeraram as almas. Os nossos filhos precocemente sabem que a vitória da morte é certa. Não temos comida, não temos nada…somos zeros … para sobrevivermos bazámos para a selva. Todas as riquezas do nosso reino são para os Dólares, para Ka Ubu e a sua tribo.
- E vocês não se revoltam?
- Não dá, porque Ka Ubu e os Dólares têm muitos guardas, um exército poderoso e muitas armas sofisticadas. Quando nos apanham, e como somos da oposição, fazem tais feitiços que desaparecemos e os assassinos nunca são descobertos. Também extraem um líquido, a que chamam ouro negro, e é com ele que movem as máquinas dos Dólares, e da tribo de Ka Ubu. Também extraem muitos diamantes. Somos alguns milhões e morremos de fome… infindavelmente condenados às galés infortunadas. Os do Ka Ubu estão sempre em festas, e tem umas máquinas que se chamam rádios, e estendem-nos a tentação dos convites para as maratonas deles. Nesses dias bebemos muito e comida nicles. O nosso povo nesses dias usa o passatempo da bebedeira. Os únicos que lutam ao nosso lado, que nos apoiam muito são os Ecléticos. Eles têm uma rádio, mas é quase clandestina. Apoiam os nossos ideais de justiça e igualdade para todos. São uma verdadeira rádio de Kalunga. Espalham o embrião revolucionário da evangelização, a fraternidade, o amor, e noticiam… clamam, proferem sempre a verdade. As atrocidades dos Dólares e de Ka Ubu são oportunamente denunciadas, mas não deixam que o sinal da rádio vá muito longe. Quando os Ecléticos tentam longinquar o sinal e passar o direito à informação para todos, acusam-nos de malfeitoria, prendem-nos, ameaçam-nos, e se necessário libertam-nos para o universo paralelo da morte. Também contratam muitos estrangeiros aventureiros do piorio… malfeitores para nos perseguirem, nos explorarem… nem as nossas cubatas tradicionais a que eles chamam casebres escapam. Ka Ubu desinteressa-se das nossas vidas. Sobrevivemos mergulhando na prostituição. Ka Ubu aprecia muito a minha beleza, consegui-lhe fugir do harém mas a qualquer momento receio ser recapturada… ele quer que eu seja sua esposa, mas não aceito, não gosto dele… ninguém lhe gosta!

Fuenteovejuna, depois de ouvir tudo o que a bela Kufundisa disse, guardou um profundo silêncio, depois nublou-se e desanuviou:
- Minha beleza espectacular…
- Ah! Muito obrigada…
- … Kufundisa, apoiamos-te a restabelecer a paz, harmonia, justiça, para que não haja mais fome neste reino.
- E como o farás?
Fuenteovejuna não se sentia bem. A fofinha perturbava-lhe abria-lhe a alma. Claro que tinha outras intenções. Depois da aventura, se terminasse a contento comeria, sugaria todo o corpo, a beleza da Kufundisa. Decidiu-se:
- Vamos parlamentar com os Ecléticos, para que espalhem a sua rádio por todo o reino, isso é o mais importante… e quanto às armas que utilizam… tens alguma ideia?
- Sim! Falarei com o papá Akakakula, (dar o primeiro alimento a uma criança) era o nosso rei… continua muito bondoso, o nosso povo gosta muito dele. Foi destronado devido às ambições de Ka Ubu e dos seus amigos Dólares.
- Kufundisa, temos que espiar as instalações dos Dólares e Ka Ubu. Alguns homens vão contigo, depois idealizaremos um plano de ataque.
- Sim! Guardarei eterna gratidão por tudo o que fazes pela nossa liberdade, pelo nosso povo… mas por favor não te exponhas demasiado!
Olharam-se durante um profundo momento no universo dos seus olhos. Sentiram o feitiço inevitável que atrai as duas raças, as duas cores maravilhosas. O efeito do feitiço foi rápido, abraçaram-se, beijaram-se num ímpeto de quedas de Kalandula, avassalador de desejos perdidos, a aguardar o futuro prometido, ferido na angústia de tantas esperas.

Mais tarde, Kufundisa confundindo-se com a selva, reuniu-se com seu pai Akakakula, e o chefe dos Ecléticos, Mutongi (lutador). Akakakula apresentou a Fuenteovejuna algumas armas usadas pelos guardas de Ka Ubu e dos Dólares. Entretanto, os espiões enviados por Fuenteovejuna também se lhes reuniram e deram o ponto da situação.
Depois de Kufundisa conseguir instruir devidamente o manejo das armas, e de Mutongi prometer apoio na sua rádio com palavras em código aos resistentes, assentou-se que os alvos primordiais seriam o líquido, chamado de ouro negro. Sem este líquido, Ka Ubu e os Dólares chorariam amargurados.

Efectuaram-se vários ataques com sucesso. Ka Ubu e os Dólares preocuparam-se, porque viam as imensas riquezas fugir-lhes como areia ao vento. Ka Ubu convocou de imediato um dos muitos vice-reis e demandou-lhe:
- Não sabes quem está por detrás disto?
- Não, meu rei, não sei!
- Que morbidez…
Ka Ubu tinha que demonstrar a sua zanga, insatisfação, e o melhor para um rei é ver a cólera no seu rosto, gritar, e gritou:
- …seu mórbido, só pode ser essa maldita da Kufundisa, e do seu pai, esse oposicionista Akakakula.
- Sem dúvidas meu rei! O Mutongi dos Ecléticos está a passar uma mensagem na rádio dele da Kufundisa… ela diz que há muita corrupção no reino, e que vai tomar o poder com a ajuda de estrangeiros.
- Estrangeiros!? Quem, os Dólares!?
- Não meu rei, não são Dólares, são outros câmbios.
- Outros!?.. Quem!?.. Confisca-me a Kufundisa e o maldito pai dela. Vai-te e torna-te com ela… maldita azarada!

Com o auxílio dos Dólares facilitou-se imenso o chefe dos guardas de Ka Ubu capturar a fofinha, tenrinha Kufundisa. Já na presença da tirania, ressoa-se o fadário:
- Já nada me alumia… por causa de vocês donzelas caiem reinos, impérios… agora no meu reino nasceu uma revolucionária. Tu e o teu Toussaint l’Ouverture! Dar-te-ei uma bolinação que jamais esquecerás.
- Ai é! E que bolinação é essa?
- Kufundisa, não me omitas, sabes que te desejo, que tenho todas as mulheres que quero. És a eleita, a privilegiada, a princesa do meu harém! Neste reino tudo e todas as mulheres me pertencem, e tu não és excepção!
- Não!!! Como disse um antepassado: até que as leoas tenham seus próprios historiadores, as histórias de caça continuarão glorificando o caçador. Somos corpos à espera no teu matadouro!
- Guardas, tirem-me daqui este tsé-tsé! Prisão com ela! Que o chicote a acaricie!

Na prisão, as encantadoras costas de Kufundisa ardem com o fogo das chicotadas. O sangue da injustiça escorre-lhe porque sempre existirão muitos oceanos injustos e quase nenhuns riachos justos. Mas Kufundisa era muito sacana porque nem lamento, gemido, pedido de misericórdia osculou.
Entretanto, Fuenteovejuna e os seus amigos tomam conhecimento da prisão de Kufundisa. A revolta alastra-se, alcança o auge. Os Ecléticos com a ajuda dos populares estendiam o sinal da rádio a todo o reino, e denunciavam que Ka Ubu e os seus amigos Dólares se aprestavam à rendição. A situação desfavorecia o chefe dos Dólares que tentou negociar com os revoltosos, mas em vão. Ka Ubu, sentindo-se só raspa-se para lugar de incertezas, para o exílio habitual de um reino amigo. Um grupo de pressão chefiado por Fuenteovejuna assola a prisão e liberta Kufundisa. Os dois agora amantes aproveitam-se da situação, saltam-se, abraçam-se, beijam-se interminavelmente. Kufundisa está de rastos.
- Meu amor conseguiu! Oh! Como te amo!
- Também eu… sem a tua coragem nada disto seria possível!

Repôs-se Akakakula no trono. Mutongi rei dos Ecléticos viu a sua rádio definitivamente entronizada. Cânticos, louvores e batucadas a Kalunga foram proclamados, entoados, ritualizados. Uma época de trevas terminara, e uma informação para os sem voz recomeçara. A educação, o progresso do reino democratizaram-se. Akakakula proclamou o novo reino com o nome Azériua. (são felizes).

Fuenteovejuna foi-se, era um aventureiro, deixou Kufundisa com um filho. Foi para as Américas rastreando Francisco Pizarro, Fernando Cortês, e o elixir da longa vida de Ponce de León… onde houver eldorados, misteriosas cidades do ouro, lá estarão e nunca de lá sairão.
Não tardou que aportassem a Azériua as naus com os missionários da evangelização, da espada da delapidação. Aventureiros e pistoleiros sucediam-se na busca incansável da pergunta: «onde está o ouro?» e os nativos respondiam: «aqui não, mas lá muito, muito longe tem» a África Negra é, será o destino dos eternos aventureiros.

Ainda hoje na densidade das selvas do Golfo da Guiné, alguns mais-velhos quentes das fogueiras nas noites frias, contam às crianças a lenda do povo de Azériua.
Civilizar é destruir com o petróleo das minorias as maiorias. Só nos traz tristezas, misérias, fomes.

terça-feira, 6 de março de 2012

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (13)


A Treze Anos está a beber, a Liberdade aproxima-se dela e diz-lhe:
- És uma criança minha filha, ouve o que te digo!
- Sim, Mãe Liberdade!
- Desconfia sempre das palavras bonitas. Desconfia sempre dos aventureiros, porque por trás deles está sempre uma grande empresa de construção.
A Liberdade lança um olhar reprovador para a garrafa de cerveja da menina e acentua:
- Infelizmente não existem leis que proíbam os menores de beber, e se existirem é só para bêbado ver. Devias estar a estudar e não perder noites a beber, que em seguida te levam à prostituição. Isso está ligado, entendes?
- Sim, minha querida Liberdade.
- Pois bem, presta muita atenção ao que te vou dizer e transmite às tuas amigas, a outras pessoas, a toda a gente, a todo o mundo.
Minha filha: Quando ouvires muita gente a falar guarda silêncio porque quando todos se calarem serás escutada.
Minha filha: Não tenhas medo das sombras das árvores. Pelo contrário, congratula-te pelo luar que te é oferecido, porque nos tempos que correm devemos agradecer tão sublime dádiva divina.
Minha filha: Quando vires um miserável passar a teu lado não o desprezes. Naturalmente ele indica-te o caminho que te espera. Os caudais de um rio não se juntam num só?
Minha filha: Quando diariamente te cantarem muitas promessas, lembra-te que já ouviste essa música em algum lado, porque sempre existirão muitos músicos, mas poucos serão escutados. Na tormenta das cidades, aprende a andar entre as multidões, tenta ficar sempre longe e observa cada pessoa. Provavelmente verás um circo com muitos palhaços.
Minha filha: Nas tuas muitas horas vagas conta o tempo que tens para viver. Verás depois que passaram muitos anos. Desesperarás porque não terás mais horas vagas para poderes recuperar o tempo que perdeste.
Minha filha: Se conheces muitas pessoas, nunca conhecerás ninguém se não conheceres profundamente uma delas.
Minha filha: Quando te encontrares só e abandonada, lembra-te que a Liberdade no seu silêncio eterno/ESTARÁ SEMPRE CONTIGO!
- Mais uma falha de luz. Enquanto esperamos que chegue vamos bebendo. – Propôs o Vodka.
- A nossa distribuidora de electricidade vai lançar novos serviços… que para nós são revolucionários. Vai vender luz ao domicílio em cartões de recarga pré-pagos. No teclado do contador digitam-se os números, aguardamos a confirmação e a electricidade é reposta. Um sistema muito simples que vai resolver os nossos problemas da falta constante de luz há mais de trinta anos. – Iluminou o Branco.
- O chefe vai anunciar que será o patrono dos escritores. Vai reunir-se com todos. Quer que cada angolano se habitue a ler. Que a Nação seja uma grande biblioteca. Um canteiro de livros. Serão inauguradas em cada bairro grandes bibliotecas. – Sonhou o Filósofo.
- Estão a estragar o nosso desempenho e a nossa avaliação. Um país não se desenvolve com analfabetos. Não estejam à espera das seitas religiosas. No fim elas dizem sempre que as nossas orações foram escutadas por Deus. Um Deus já cansado e velho… precisa de ser reformado. – Opinou o Almirante.
- O nosso deus inaugurou quatro edifícios gigantescos. Dois para abastecimento de água e luz. Outro para abastecimento de comida, e o outro é uma obra-prima. Um conjunto de vários edifícios com dez andares… creio que são quarenta edifícios para albergar todos os jovens. Aqui teremos a nossa futura massa cinzenta. Não lhes faltará nada. Têm acesso à Internet dia e noite. Só mesmo quem for burro é que não conseguirá aprender. Seremos os melhores do mundo no ensino. O Orçamento Geral do Estado dedicar-lhe-á quatro triliões de kwanzas. – Noticiou o Poeta.
- Isso é obra. – Duvidou o Filósofo.
- Será uma obra! – Exclamou o Vodka.
- Porquê? – Quis saber o Poeta.
- Ainda está no papel. – Respondeu o Filósofo.
- Sim, tens razão. – Concordou o Poeta.
- A teimosia e a maldade têm origem na ignorância. A diplomacia vem da inteligência e do conhecimento. A hipocrisia é o mais atroz conhecimento. Provoca o fim das sociedades, o fim das nações. Imaginem um país com um povo e dirigentes hipócritas. Que acontecerá? – Perguntou o Almirante.
Ninguém respondeu. O Almirante prossegue:
- Em poucos anos deixa de existir. É melhor viver na selva, porque com seres humanos assim, não existe selva igual. A selvajaria só existe no homem.
Ninguém fala. Esperam ansiosos pelas palavras do Almirante. Ele segue com o seu raciocínio:
- A locutora e o locutor são jornalistas. O enfermeiro é médico. O pedreiro é mestre-de-obras. O aprendiz de informática é engenheiro de sistemas. O aprendiz de electricista é engenheiro. O merceeiro é empresário. O aprendiz de contabilidade é técnico de contas. O militante é director de empresa estatal… tudo que fazem não dura muito tempo. Alguém terá que recomeçar tudo o que fizeram. Construir de novo, e os custos aumentam porque os espertos vivem bem com a situação. São nacionais e estrangeiros que enriquecem com estas aldrabices. Como vamos poder garantir o nosso futuro e o dos nossos filhos com este absurdo? De que vale fingir que governamos se os desgovernados fingem que têm um governo?
O Almirante faz uma pausa. Leva o seu Angola Combatente aos lábios e acrescenta:
- Os políticos e as igrejas da maiuia perderam a credibilidade nacional e internacional. Vejam o que se passa com a feitiçaria. Já não é uma república de bananas nem de jinguba, porque até para isto se conseguir se torna assaz difícil.
Porquê? – Interrogou o Poeta.
- Porque o dinheiro mal chega para comprar pão.
- Mas, afirmam que nem todos os ministros são corruptos. – Defendeu o Filósofo.
- É pá, ainda somos uma jovem democracia. – Lembrou o Vodka.
- Basta um ministro não ser honesto para que o governo não funcione. – Replicou o Filósofo.
- A Europa demorou muito tempo a sair da Idade Média. – Bateu na mesma tecla o Vodka.
- Nós ainda lá não chegámos. Creio que daqui a mil anos atingiremos os nossos objectivos medievos. – Prometeu o Poeta.
- Os objectivos já foram atingidos. Temos uma república da cerveja. Evidentemente que tem uma bandeira e um hino. Tem um presidente e ministros que vivem em palácios, como num conto de fadas. Uma guarda presidencial, um exército e polícia para os proteger. – Esclareceu o Filósofo.
- E o povo? – Perguntou o Poeta.
- Vende cerveja. – Respondeu o Filósofo.
A noite convida as suas visitas a prosseguirem na festa do malte e do lúpulo. Enquanto o Almirante aprecia uma mistura de cevada, milho, centeio e trigo, surge nos óculos do Presidente um minúsculo arco-íris. Perspicaz, lança:
- Porque uma vez que o Povo, o Povo angolano, tenha nas suas mãos os meios de produção, este povo pode distribuir, de uma maneira equitativa o rendimento nacional. O operário trabalha durante anos e anos, e quando já não tiver força para trabalhar não tem mais nada. Mas, para utilizar essas máquinas, é preciso conhecer, é preciso saber, é preciso estudar. É porque o país, para poder avançar, precisa de ter quadros que sejam capazes de aprender a utilizar as ferramentas que temos no País. A produção só aumenta se as máquinas forem boas e se os operários forem bons. Nós hoje podemos pôr tractores em cada cooperativa, será que cada cooperativa tem um condutor de tractores? Será que tem um mecânico? Não, ainda não. Chegamos a um momento em que não podemos avançar sem que haja qualificação dos quadros. Quem não estuda é um inútil, fica estagnado, da categoria não passa. In Agostinho Neto. 5 De Fevereiro de 1977. Discurso na assembleia de militantes em Ndalatando.
O filósofo pretende encontrar um caminho para o diálogo:
- Colocados na vida que inventámos para sobreviver, vendemos o que roubamos. Quando a lei não funciona, porque está corrupta, os cidadãos utilizam a justiça por meios próprios. O pobre defende-se dizendo que foi vítima da feitiçaria. O novo-rico tem homens armados, feudos, que utiliza sem ser molestado. Portanto é uma lei violentamente armada. Se os novos-ricos dominam o poder não será possível realizar eleições. Os seus tentáculos viciarão os votos. Isto tenderá à revolta geral. Depois eles, os novos-ricos, como têm o dinheiro e outros bens no estrangeiro, vão para o exílio da abastança. E não nos iludamos: o estrangeiro não vem ajudar-nos. Faz parte da alma humana ganhar dinheiro onde for possível, e sem leis que funcionem, as feras com garras ou com penas correm ou voam, e cravam ou espicaçam o que resta dos nossos corpos.
O Almirante bate palmas e pede para o Filósofo continuar:
- Entregámos o País que só existe como cidade a aventureiros comerciantes que aproveitam o que resta das instalações com alguns sacos de cimento e lixo de muros. Fazem uma pintura que dá para um ano ou dois, tempo suficiente para ganharem, roubarem dinheiro sem investimento. Por exemplo: em trinta anos já vi passar no que foi uma peixaria cerca de dez estrangeiros. Mas o curioso é que eles não vendem nada. Angola é Luanda. Para os governantes também é assim. É: cheguei, vi e roubei. O país limita-se à cidade de Esparta. Ou melhor dizendo: ao Império Romano do Oriente e do Ocidente, com a dúvida que não sabemos quem nos governa. Sabemos que a corrupção desmembrou os impérios e deu origem a vários países. É isso que nos vai acontecer. O império Lunda já pediu a independência.
Imagem: Sonhar é algo necessário e que faz a vida ter sentido.
antenadocomgeografia.blogspot.com

domingo, 4 de março de 2012

Reflexões zoológicas e teológicas


É necessário que clarifiquemos bem as coisas: nacionalistas não são os membros da nomenclatura, somos todos nós, o Povo angolano.
Neste oásis petrolífero há mais prisões que universidades. E quase quatro dezenas de anos de promessas de que a nossa vida vai piorar. Nesta floresta petrolífera/carbonífera de corpos petrificados, de vultuosos gastos em estádios de futebol que já parecendo ruínas arqueológicas de um reino há muito extinto, mas bem preservado, no tempo aprisionado. Parafraseando o poeta de que já ninguém se lembra: Contra milhões de esfomeados ninguém combate, e quem o fizer será vencido. Seremos por vontade própria um Estado da mediocracia em África e um exemplar cemitério para todos os opositores políticos?
O Governo abandona os seus filhos na miséria, e quando as mamãs nas ruas tentam vender qualquer coisa para que eles não morram à fome, o Governo oferece-lhes forças fiscalizadoras que lhes nacionalizam a miséria que lhes resta. Porque a miséria também é propriedade privada. E o GPL – Governo da Província de Luanda, na voz do seu actual chefe da fiscalização: que vai haver mão pesada sobre os vendedores ambulantes e fixos no centro de Luanda. Que é uma vergonha. E para a corrupção? Mão leve, levemente. Porque esta área de Luanda é ocupada maioritariamente por estrangeiros? A miséria incomoda-os? E há que deportar os vendedores para os seus locais de concentração, que é a Angola que lhes resta?
E quem é o vencedor da edição deste carnaval da corrupção, da miséria, da falta de água, de energia eléctrica? Ninguém sabe?
Nenhum convicto democrata usurpa o poder. A ditadura quando nele se senta confisca as populações e promove-as a rebanhos. Investe desmesuradamente em prisões para que os tresmalhados nelas se acomodem. Do poder a ditadura nunca se isenta, mas obriga-se à sua ausência forçada. Quanto mais isolada se encontra, brama que a imposição da democracia pertence-lhe… perdeu a noção da realidade.
Como acabar com a fome?!
Compra-se um quilo de fome para uma semana, locais de venda não faltam, são o que demais existe. Comem-se setecentas gramas e ainda sobram trezentas. O problema da fome está resolvido. Oxalá que todos os problemas fossem assim de tão fácil resolução. A fome combate-se com a fome.
Há pouco, meditabundo, sobressaltei-me com uma chamada de atenção na minha mente. Fiquei na dúvida se devia ou não partilhar com vocês, porém decidi-me. Está bom, podem-me chamar de pessimista. Mas pelos acontecimentos de desumanidade que grassam pelo mundo, cada vez me convenço mais de que caminhamos irremediavelmente para o suicídio colectivo?
Oração da manhã: Hoje, 26.02, a água subiu um coche, se fosse petróleo subiria sempre, e comecei a minha oração matinal: Senhor! Fazei com que em Angola todos os dias de todos os anos sejam de campanha eleitoral. Obrigado Senhor pelo milagre concedido. Ámen.
E que sobretudo nunca pensem com a força, pensem amiúde com a cabeça.
Vejo uma nuvem de pó no horizonte, uma nova Tchavola se aproxima, se confirma.
Mas, se “nós” há quase quarenta anos erramos catastroficamente, como as profecias dos Maias, porquê persistir nos mesmos erros? É vontade divina? Eleitos por Deus? Insubstituíveis? Responsabilidades acrescidas? Mandato internacional? O poder do petróleo é invencível? A nossa miséria é diferente? A nossa corrupção é o segredo do nosso êxito? Fome… é a política do moderno desenvolvimento? Campos de concentração são a chave para a abertura das portas do desenvolvimento sustentável?
E com uma só voz não se resolvem problemas, muito pelo contrário, multiplicam-se. E depois, quem os soluciona?
Para que a nossa vida siga normalmente o seu curso, nunca devemos depender apenas de meia dúzia de pessoas, mas sim de um colectivo, fazer parte dele.
Hum! Tenham muito cuidado comigo: É que já consegui um bom emprego na EPACA – Empresa Partidora de Casas de Angola. Bazem, lamento imenso mas, já sabem como é, cumpro ordens superiores em nome do patriotismo. Partir casas é um dever revolucionário.
Com tantos generais no Poder, significa que nós, população, somos soldados, um exército?
Num ambiente de total e completa corrupção, é possível falar de ética, transparência e não-violência?
A flor é a cama da abelha. (Do meu neto com cinco anos.)
A recusa do não acesso aos arquivos da CNE aos partidos da oposição é como ter contas bancárias em paraísos fiscais?
Quem é que vai fazer, ou chefiar, a auditoria ao ficheiro eletrónico da CNE? A nossa nomenclatura?
Garantiram-me que a nossa política será integrada no nosso Girabola. Será verdade?
Sermos livres e independentes é partirem-nos as casas e atirarem-nos para a rua sem nada, zeros, porque as empresas de construção civil da especulação imobiliária, são tantas, tantas, que ninguém as consegue contar, são mais que bebida. E desejam, oprimem, que isto acabe bem? Não! É impossível. E que Angola não é o Norte de África? Pois não! É, será muito mais horrível?
25.02 08.56 Horas. O jornalista, não consegui ouvir o nome, do jornal Independente, resume na Rádio Ecclesia as matérias jornalísticas. Mas, como ruído de fundo ouvem-se gritos horríveis. Será que estão a torturar alguém?
Que nos interessam as Leis, se nenhuma funciona, nenhuma se põe em prática? Claro, que a Lei da corrupção e do Far West funcionam perfeitamente.
Oração da noite: E que meu deus EUA, livra-nos do regime sírio, iraniano, chinês, russo, norte-coreano, angolano, etc. Ámen!
Aos milhões de desempregados e excomungados petrolíferos
A EPACA – Empresa Parte Casas de Angola, EP, devido às inúmeras solicitações para partir casas por essa Angola afora, ou adentro, deixando-se levar na corrente das exigências futuristas do modernismo das novas centralidades, recruta milhares de desempregados. Robustez física e falta de amor ao próximo, especialmente com crianças sem futuro nesta Nação e atiradas para o olho da rua, são condições preferenciais de admissão. Sob o lema: Vamos todos partir Angola, isto é, as suas casas, caminhemos no rumo incerto da nova, nossa vida.
Publicidade: Atenção beneficiários das casas partidas: A EPACA – Empresa Parte Casas de Angola, EP, tem para venda imediata tendas a preços de concorrência. Aproveite, estoque limitado. A procura é superior à oferta.
Acabo de ouvir na LAC – Luanda Antena Comercial, que a Sonangol pela primeira vez acaba de pedir um empréstimo internacional de quatro biliões de dólares para financiamentos. Penso que não faz sentido algum a Sonangol contrair empréstimos, porque ainda há pouco tempo informou que não havia problemas, porque os cofres estavam inundados. Tá-se na falência técnica? Financeira?
Porque não se altera a designação da actual República de Angola, para: República das Tendas de Angola?
E o nosso candidato pelo partido do petróleo na campanha eleitoral: «Primeiro o petróleo, segundo o petróleo, terceiro o petróleo, quarto, sempre o petróleo.»
E tudo os bancos lavaram.
Há governos que constroem casas para os seus povos, outros governos destroem-nas.
E exclamava o rei para o seu ministro dos Assuntos Secretos: «Ah! Se eu pudesse acabar com a Internet e o Facebook!» E o ministro, como que atacado por uma súbita luz de uma lâmpada incandescente: «Meu rei, e o Club-k?»
O nosso maior perigo, é que nadamos num mar de corrupção sem bóias de salvação?
Dúvida: a RNA - Rádio Nacional de Angola, emite para Angola ou para a Coreia do Norte?
Oração da noite: E fazei com que Senhor, que os nossos novos-ricos mandem para os contentores do lixo, os nossos Kero supermercados populares, restos de comida e outras coisas boas para nós prospectarmos como os cães, que por sinal já não se vêem andar nas ruas. Será que os chineses os comeram? Senhor, nem só de pão vive o homem, porque nós estamos abençoados pelo lixo que nos é concedido neste latifúndio petrolífero. Ámen.
Os partidos políticos defendem os nossos interesses, ou os deles?
Quanto mais rezamos mais a nossa vida se complica, mais a governação nos atormenta. Não é melhor acabar com as rezas? Deixar de perder tempo e utilizá-las em algo mais útil? Como por exemplo, organizar manifestações?
Oração da tarde: Senhor, fazei com que eu seja filho do nosso PR, e tenha direito a um cochito de tudo o que eles têm, isto é, Angola. Senhor, porquê só os filhos do PR têm tudo e nós nem uma sobra? Obrigado Senhor, pensa nisso. Ámen.
P.S. Senhor, é verdade que quando eles aí chegarem vão para a inferneira? Ou já Te corromperam e espera-os um palácio celestial?