domingo, 8 de janeiro de 2012

Bater no ferro quente (03). O cónego cavaleiro Demónio Marciano


O cavaleiro Demónio Marciano que indo nas cruzadas, espadeirava árabes do Islão em nome de um Deus sedento de sangue.
Quando os políticos falam, discursam, e o palavreado não chega, não é absorvido pelas populações, é preferível, saudável, que se calem, porque ficam como um ciclone, ou outras catástrofes naturais que tudo destroem.

Bater no ferro corrupto, ainda quente do cónego Demónio Marciano.
E moldá-lo a nosso contento, para que salvemos mais uma alma desalinhada e a tornemos útil à sociedade carente. E lhe batermos na forja e já forjado, o desbastemos das hastes malfazejas. Bater no ferro ainda em brasa é a missão salvadora. É para isso que a forja trabalha. E o mestre da forja já sabe o seu labor. Quanto mais bater no ferro quente mais ele se embeleza, se enobrece. E como é belo ver a cor em brasa do metal, transformado na cor da beleza do sangue.
Este cónego, segundo a santa liturgia, não admite o direito do contraditório, por isso se invoca, se admite o direito da retaliação, a Sharia do Santo Islão.
A facção dos cristãos leninistas corrompe a Igreja: será que dos trinta e dois biliões caiu algum? Claro que caiu. Agora até a Igreja virou circo de palhaços.
Nunca a Igreja se vendeu por tão pouco. E depois, devido a este e outros pobres diabos, preocupam-se pelo avanço do islamismo que engole a igreja da pedofilia e também da corrupção.
E o cónego Demónio Marciano é o chefe incontestado do bureau político de uma seita da Igreja. Um santo homem, o único canonizado em vida.
E sua santidade prega-nos: «O nosso Deus é marxista-leninista, o nosso Deus é um Deus da guerra, da divisão, da escravidão do nosso povo.»
Qual é a diferença que existe entre um cónego e a perseguição que o governo chinês faz aos cristãos? E na Nigéria? E antes, no Rwanda? Aqui, não foi outro Demónio Marciano que lhe originou a matança? E em Angola também acontecerá o mesmo? Claro, com acéfalos destes na religião. Uma coisa: mas não existe controlo sobre a idoneidade mental de quem está na Igreja? Qualquer mera merda lhes serve? Este cónego do Demónio, como os outros, é também um instigador, inspirador das matanças dos cristãos?
Mas que diabo de teologia é esta? Mais um frustrado da Igreja? O beato sem mosteiro, mundano, instiga ao ódio. Então e a miséria extrema das populações? E a corrupção que se agiganta como o vulcão Pinatubo?
Estou convencido que dentro em breve, Rafael Marques apresentará, denunciará na PGR – Procuradoria-geral da República, uma queixa-crime contra o nosso Marciano pelo apoio declarado e usufruto da corrupção.
E assim segue a igreja em Angola: a Igreja do Politburo, e a Igreja do Vaticano.
Decididamente, só uma Igreja leninista nos libertará.
Sempre no jogo do pau de dois bicos: um de Deus, e o outro do Diabo.
Esta é a Igreja da desagregação da sociedade.
Afinal pode-se servir a dois senhores: um na Terra, o da maldade e das ditaduras, e o outro lá no Céu, inacessível, inatingível. Um deus para os ricos e poderosos, e outro para os miseráveis.
Até tu ó Igreja! Um cónego corrupto expande a corrupção de Angola e da sua religião.
Quando um cónego/partido está dezenas de anos no poder e não se consegue adaptar aos tempos modernos, o tempo se encarregará de o desabar do doentio altar.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Bater no ferro quente ferrugento da corrupção (02). Voltaire Ngola


Dizem que vão enviar o processo FOLHA8 para o TPI – Tribunal Penal Internacional, sob a acusação de crimes contra a informação nacional de Angola.
O Jornal de Angola, a TPA, a RNA, a LAC, e os jornais recentemente adquiridos com fundos do erário público, praticam a isenção do jornalismo? “Aquilo” é jornalismo? Claro que também não. Então se não é jornalismo, o que é? Bom, só o nosso querido Politburo o sabe.
O Ministério da Informação ordenou ao órgão sob sua tutela, o CNCS – Conselho Nacional da Comunicação Social, e agora o nosso Politburo mandatou o cónego Apolónio Graciano para invocar o castigo divino. Como rezam os ditames: a Igreja sempre ao lado do Poder.
O CNCS nunca condenará os órgãos estatais da informação, verdadeiros departamentos revolucionários do processo também revolucionário sempre em curso.
Mas, a Rádio Nacional de Angola ainda é um órgão do Conselho da Revolução, e do DIP- Departamento de Informação e Propaganda?
O cónego Apolónio Graciano, como militante mais destacado do célebre facho sempre aceso, e em representação condigna de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, humilhou, ou homiliou, de forma carismática os santos ensinamentos e sacramentos da Santa Madre Igreja. Devidamente paramentado para a recepção de mais um poço de petróleo na sua conta, pois esta horripilante cópia de Lutero da Igreja de Angola também recebe alvíssaras. Bom, pelo menos temos a divina representação da facção da Igreja Leninista de Angola também a condenar o FOLHA8. Ah! Pedro, mas que fraco pastoreio este, e de tão satânica teologia. Quem não sabe fazer mais nada vai para a Igreja leninista. Que tempos egrégios estes em que até um simples cónego consegue transformar Jesus Cristo no milagre do petróleo. Isto é, Jesus fez o milagre do vinho, o nosso cónego partidário transformou Jesus em petróleo, que logo em seguida se transformou em dinheiro. Este cónego é muito milagreiro. Ainda será canonizado como santo petrolífero da Igreja dos poços de petróleo de Angola.
Este nosso cónego é o santo padroeiro dos jornalistas angolanos. E sendo assim, aproveito para lhe fazer um pedido: ó meu santo milagreiro e padroeiro da nossa informação, fazei com que o teu cérebro se apague e que Deus Nosso Senhor e Jesus Cristo tenham piedade de vós. Pois seguramente ireis para o Inferno. E não te deixes cair na tentação dos dólares do petróleo, pois Angola não é de meia dúzia de pessoas. Não é por acaso que os crentes abandonam a Católica e se refugiam nas outras igrejas e demais seitas. Um cónego a tecer considerações sobre o jornalismo em Angola? Por este andar a Igreja de Angola chamar-se-á, Jornal de Angola e a sua Igreja Estatizada, órgãos ao serviço de Deus.
E quem for contra nós, é contra Deus, e logo será amaldiçoado, excomungado e entregue ao nosso Braço Secular, que lhe dará o destino conveniente, devidamente torrado nas nossas fogueiras da Inquisição em vigor.
Vivam os ensinamentos da Nossa Igreja do Senhor Jesus Cristo na terra de Angola! Viva!!!
Viva a facção leninista da Igreja de Angola! Viva!!!
Imagem: ... relacionados a esse aumento", afirmou Salas. Corrupção, igreja, dinheiro
pvpd.blogspot.com

Bater no ferro fundido, ferrugento da corrupção (01)


O Folha8 não fez nenhuma fotomontagem. Ela já existe há muito tempo, quem a produziu foi o Projecto Quissonde.
Tal como no anterior 27 de Maio de 1977, agora já há outro, 05 Janeiro de 2012. Iniciado como no antanho, restaura-se com um comunicado do bureau político do quaternário teimoso poder, logo de seguida vai para a Rádio Nacional de Angola, a emissora oficial do partido da massificação, depois para o lídimo Jornal de Angola, o órgão oficial leninista que detêm o uso da verdade exclusiva de toda a informação que circula em Angola, e agora também o CNCS – o isento Conselho Nacional da Comunicação Social, a Associação dos Repórteres de Imagem de Angola, o Ministério da Informação, e todos os comités de especialidade ou não dos poderosos do petróleo, que até agora, pasme-se, nunca responderam nem foram julgados pelas várias acusações de corrupção fundadas e devidamente fundamentadas que lhes estão movidas. Um dos quais é o processo inconfesso dos trinta e dois biliões de dólares que descaminharam.
Também o iminente sociólogo Paulo de Carvalho, ao serviço do poder, não aborda a corrupção, está proibido. Arregimentado pela campanha da Rádio Nacional de Angola, dá também lições de jornalismo. Mas porque omitem sistematicamente a corrupção que grassa incontrolável, a ponto de nos tornarmos noutro México? Ou pelas reivindicações populares, outra Síria com a duração de algumas semanas? Sim, o Estado é, somos todos nós, isto é, eles. Em Angola qualquer um do executivo é, ou lecciona jornalismo.
A miss, a locutora, a secretária, etc, são jornalistas, é tudo jornalista. É por isso que o jornalismo angolano é dos mais evoluídos do mundo. Muitos, milhares de crimes que até agora continuam impunes. Como podem exigir a legalidade do ilegal, da corrupção de biliões de dólares?
A democracia diabólica?
Pelo editorial atirado para o ar na RNA, no noticiário das vinte horas, cujo fraseado segue o do BP de JES-MPLA, os canhões estão apontados para o Folha 8. No perfeito seguimento dos editoriais contra os fraccionistas do 27 de Maio de 1977, Bater no Ferro Quente, vê-se claramente a incitação ao derrube e assassinato de quem trabalha no Folha 8, e aproveitarem a oportunidade para varrerem de uma vez por todas, David Mendes, Rafael Marques, etc?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Na lavandaria, mais 32 biliões. Voltaire Ngola


foram para os lobbies, lobões

Estes lobbies pagam-se
a peso de ouro
e da Nação (?) angolana
que grande estouro
As clericais reverências
ao nosso santo que esmola
cónego Apolónio Graciano
o Lutero da Igreja de Angola

Portugal o dinheiro da corrupção
a lavar
e os corruptos de Angola
a descansar
E contra 32 biliões
ninguém combate
nem reparte
A corrupção deu
mais um grande salto
e a Nação voa
mais alto

Corruptos angolanos, UNI-VOS!

E de escada em escada
lá vamos para o final
da derrocada
Nunca tantos biliões de dólares
contemplaram milhões de esfomeados

Tão abençoados, aconchegados
no vilipêndio da corrupção
nos cofres da religião
também no clero estão
E na Tchavola
está a continuação
jaz a maldição
da sagrada corrupção

E havemos de voltar
e voltaremos pois então
aprisionaram-nos nos bancos
nos bandos da corrupção
E de bilião em bilião
nasce, faz-se Nação
nos javardos do petróleo
da corrupção

Manos e manas pois então
há muito na desespera
mais um ano de corrupção
nos espera
Ah! Campos do petróleo
da espoliação
que das suas torneiras
jorra corrupção
Nas contas do petróleo
da corrupção
se fortalece a revolta
da população

E nas chamas da corrupção
arde esta Nação

Corruptos angolanos, UNI-VOS!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

OVNIs invadem Angola?


E a exemplo dos anos anteriores, desejo-lhe, amigo leitor e eleitor, e a todo o povo angolano, um ano novo repleto de corrupção.
Aos 2012 chegarás, dos 2012 não passarás.
Agora, o Quénia e a Nigéria estão no abraço do glorioso Islão radical? E depois seguir-se-á o que resta de África, radicalmente islamizada?
Primeiro que tudo há que saber o que são OVNIs, por isso aqui vai um pouco de história. Socorrendo-me da Internet, de lá garimpei do site HowStuffWorks: O que são OVNIs? Em meados do séxulo XX, a Força Aérea dos EUA (em inglês) inventou a expressão "OVNI" como termo geral para qualquer "objeto voador não identificado" - luzes e objetos desconhecidos vistos no céu. Mas entre os ufólogos (pesquisadores e entusiastas dos OVNIs), o termo se tornou sinônimo de espaçonave alienígena. O falecido astrônomo J. Allen Hynek (em inglês) definiu um OVNI como: "A aparente percepção de um objeto ou luz visto no céu ou na terra; o aparecimento, a trajetória, a dinâmica geral e o comportamento luminescente de algo que não suscita uma explicação lógica e convencional e que, além de ser misterioso para quem o viu, permanece não identificado depois de exame cuidadoso de todos os indícios disponíveis por pessoas tecnicamente capazes de fazer uma identificação lógica, se isso for possível". Na maioria das vezes, descobre-se que os OVNIs são algo conhecido: um balão meteorológico ou luzes de um avião, por exemplo. Mas em 5 a 10% dos casos de OVNIs, o objeto continua sendo um mistério. As aparições de OVNIs estão associadas às chamadas abduções por alienígenas, em que as pessoas dizem ter sido transportadas para uma nave espacial extraterrestre e submetidas a vários exames físicos - até mesmo experimentos de cruzamento com alienígenas.
Em Angola, como não podia deixar de ser, talvez devido à sua localização geográfica, os OVNIs andam, melhor dizendo, deslizam, voam, muito activos, e por estranho que pareça, exercem a sua actividade única e exclusivamente na abdução de astronómicas quantidades monetárias do nosso erário público. O mais curioso é que toda a gente, ou todo o mundo?, sabe quem é, quem são esses OVNIs, mas ninguém consegue apanhá-los porque se furtam habilmente com os mais dispares truques ilusionistas, isto é, afastam-se como que por feitiçaria a velocidades incríveis deixando os observadores atónitos, especados, no mais usual, com caras de parvos. E na realidade continuamos a sê-lo, uma cambada de parvalhões.
E o que mais nos interessa na actividade OVNI angolana é precisamente as abduções verificadas ao longo de quase quarenta anos. É que estes OVNIs só abduzem dinheiro, sentem uma estranha atracção por dólares, biliões de dólares. Nos últimos dias conseguiram, abduziram trinta e dois biliões de dólares, e não deixaram rasto, como sempre. Um caso para o famoso detective Sherlock Holmes? Porque não, ele não é a pessoa indicada? É que… são incontáveis, insondáveis as quantias até ao momento raptadas que já perfazem certamente triliões de dólares? Angola está a ser saqueada por OVNIs. Mas porquê o gosto tão doentio, a selecção só por dólares? Algures no espaço existe um planeta que deve estar a abarrotar de dólares. Um planeta do paraíso fiscal dos dólares.
Se não estão interessados na contratação do Sherlock Holmes, porque é que até agora as nossas autoridades de direito, isto é, versadas, inteiradas na matéria astral, não contratam um ufólogo? É muito estranho, não há nada como realmente.
Mais um caso de OVNIs? José Kaliengue, do jornal O País, disse na Rádio Ecclesia, que a empresa ALFA 5 tem as contas congeladas nos bancos porque está carregada de dívidas. E que a TPA também está em greve.
Entretanto, o nosso quotidiano prossegue o mais anormalmente possível. Os seguranças protegem a insegurança dos bens dos novos-ricos. Os bajuladores com as suas espadas enferrujadas desembainham a retórica dos seus discursos da bazófia bolorenta, de pacóvios políticos. A prostituição está tão descarada e escancarada, que até já dá muito bem para organizar o concurso nacional da miss prostituição. As nossas centralidades erguem-se e colidem com a arquitectura mais desorganizada, numa vã tentativa da lavagem dos dinheiros auríferos petrolíferos. Em tudo o mais continua o fingimento de que tudo vai melhorar, quando a realidade nos demonstra que tudo está a piorar. Chineses e vietnamitas desempregados - a China também está na crise da depressão mundial, só Angola é que não – inventam trabalho construindo de um lado e destruindo do outro.
O Poder cerca-nos, encosta-nos à parede, pronto para mais uma solução final de Heinrich Himmler. E por isso mesmo encurralados, exaustos de milhões de promessas como areia atirada sobre os nossos olhos, eis que as reivindicações e manifestações se expandem na exigência do mais elementar. Democracia, liberdade, emprego e dignidade.
Lá porque um país está bem representado no clube da democracia, vai a votos regularmente para eleger os seus representantes preferidos para defenderem os anseios democráticos de quem neles votaram. Mas, isso não significa que a democracia funciona. Vejam-se por exemplo os casos de Portugal, Angola e RDC – República Democrática do Congo, onde os seus povos continuam mais miseráveis que nunca. Quer dizer, por estas bandas a democracia é como o socialismo científico, é uma intenção, uma parvocracia.
De facto, Deus nunca se esquece de nós. Basta ver as guerras que se arrastam pelo mundo, a miséria, e muito especialmente a corrupção dos lobbies em Angola.
Luanda, segunda-feira, 26 de Dezembro, oito horas e nove minutos. Olho para a rua e vejo o trânsito como num domingo, sinal de que o feriado do Natal ainda não acabou.
Luanda, 27 de Dezembro, oito horas e vinte e dois minutos. A “greve” continua. Ainda parece domingo, dia do Natal, o trânsito automóvel escasseia, denotando que a grande “farra” ainda não acabou. Mas que militância mais desgraçada.
Quando se empurra um povo para outro país por motivos económicos e sociais, Portugal está na falência, tem cem mil pessoas na pobreza extrema, Angola, já com problemas internos graves, uma nomenclatura que oprime e mantém na miséria forçada as populações, e se juntarmos a isto também a invasão chinesa, vietnamita e brasileira, isto é sem dúvida um imprevisível rastilho bombástico. Esses países que apoiam a nomenclatura estão-se marimbando se nós morremos de fome ou não. Esses governos apoiam incondicionalmente a repressão da nomenclatura, não se importando com as nossas vidas, a exemplo do que se passa na Síria. Compete aos presidentes dos partidos políticos na oposição e movimentos da juventude encetarem manifestações a exigirem o fim do neocolonialismo, que é o que na realidade acontece.
O vulcão Angola entrou em forte erupção, a lava alastra-se por todo o país.
A vida não é para nela passear, mas para a desfrutar. Afinal as ondas do mar estão sempre a trabalhar. E, importante, é quando nos damos conta que já se gastaram cinquenta anos na nossa vida, e perguntamo-nos? E agora? O que fiz para ser feliz? Afinal perdi a maior parte do meu tempo com coisas supérfluas que não me facilitavam a vida, mas muito pelo contrário, a complicavam. A partir de agora é que vou viver o resto da minha vida, porque encontrei o caminho da felicidade.
Xanax, ou outro tranquilizante para quê? Eu, nós, por aqui quanto temos insónias, ligamos a TV no canal da TPA, ou lemos, ou escutamos um discurso de um qualquer dirigente da nomenclatura, e repentinamente adormecemos. Garanto-lhe amigo leitor que é um bom tranquilizante, e melhor ainda, não provoca efeitos secundários.
O cúmulo do desplante: descaminham com o maior à-vontade biliões de dólares e ainda se lamentam que nas suas empresas a situação é: «Como sabe, a situação económica não é boa, por isso não lhe podemos dar os quinhentos dólares prometidos, assim, o seu vencimento é decrescido.» Isto não é ficção, é a realidade da corrupção descarada dos bilhões de dólares do erário público angolano, e com o apoio incondicional dos amigos revolucionários estrangeiros.
Sobre os últimos desaparecimentos dos milhares de milhões de dólares da República dos OVNIs: se isto acontecesse num país democrático, a primeira coisa que a oposição faria, seria a exigência da demissão imediata de todo o elenco governativo. Mas, como ainda não conseguimos a democracia, nem sei quando isso será possível, vamos assistindo aos comentários de quando em vez da nossa oposição, sem posição, atrapalhada. O meu receio é quando o povo vier para as ruas, o que não tarda muito.
A cada dia vou ficando mais apreensivo: acabo de comprar uma tomada exterior eléctrica de 10 amperes e reparo no, made in China. Não, não é por isso do ser fabricado na China, é que quase tudo o que tenho comprado é, made in China. Preocupado? Pois claro que estou, é tudo clonagem de má qualidade, como essa da triste imitação, uma infantilidade, da clonagem da célebre cola Patex, que não vale nada, é lixo, a que os chineses lhe deram o nome de Betax, com a embalagem exactamente igual à da cola Patex. A minha dúvida é a seguinte: por este andar a nossa governação também será made in China?!
Imagem: Dizer que os OVNIs são naves alienígenas é arriscado e altamente ...
ronaldolima.eti.br

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (07)


As Tchavolas desordenavam-se pelas ruas confundindo-se com o chão, já faziam parte dele, pois as suas vidas dependiam em absoluto do que vendessem ao ar livre, e o seu estatuto de indígenas indigentes ainda estava em vigor, apesar de que o rei lhes prometia há mais do que uma eternidade a nova vida, um milhão de centralidades e outros absurdos. Afinal, é fácil de verificar que reinar é escravizar. E as Tchavolas olhavam para todos os lados, pois que os fiscais não lhes davam tréguas - Jingola parecia, apesar do rei e seus parasitas bajuladores avançarem que não, um teatro de guerra – porque há nove meses que não recebiam, então lançavam-se como tubarões sobre as suas presas, que indefesas e amarradas na protecção das suas crianças, choravam o infortúnio da melhoria das condições de pobreza. Os polícias também aproveitavam, também saqueavam. Jingola estava a saque. As esposas dos polícias revoltavam-se porque eles nem um biquíni e um sutiã lhes conseguiam comprar. Era caricato ver polícias e fiscais espoliarem e vandalizarem as esposas dos colegas, e elas lamentavam-se-lhes: «Hum, afinal foi você que me assaltaste, me roubaste! Hum, afinal vocês são todos bandidos.»
Os Lordes, os senhores todos poderosos de Jingola limitavam-se a observar as suas esposas que para não morrerem de tédio, passavam o interminável tempo a limarem as unhas, a experimentarem biquínis, sutiãs e baby-dolls. Tinham várias criadas, vários motoristas, e então chateavam o tempo a darem desordens nas criadas e a circularem nos carros sempre a esgotarem os estoques das casas de modas, que depois amontoavam num improvisado armazém das suas casas, pois que também tinham mais que uma.
Os Lordes mantinham o seu passatempo preferido, que consistia no arrebanhar das esposas Tchavolas. Como as suas amadas não davam nada para o sexo devido à sua condição existencial, eram muito frígidas, eles então assediavam as Tchavolas que facilmente aceitavam o estatuto de amantes. Os Lordes juravam por entre o tilintar de várias garrafas de uísque que fazer sexo com as Tchavolas era a coisa mais deliciosa do mundo. Elas, afirmavam eles sem pudor, eram como gazelas na cama, e quentes como o sol abrasador da estação do calor.
Os Lordes aumentavam os seus pecúlios constantemente porque usurpavam dos Tchavolas o seu petróleo, diamantes e todas as demais riquezas de Jingola, incluindo a água. O petróleo jorrava e incendiava as contas dos Lordes, que para não darem nas vistas, abriam contas bancárias em nome das suas esposas, dos filhos e das concubinas. Sim, o petróleo não parava, até demais circulava e nos bolsos dos Lordes chafurdava.
Os Lordes tiveram uma ideia genial - aliás todas as ideias deles primam pela genialidade e originalidade – que culminou na importação desenfreada de chineses e vietnamitas que trabalhando como escravos – ainda disso não se libertaram – davam graças aos seus senhores, os Lordes, por lhes proporcionarem o paraíso na terra – agora também do Celeste Império - Jingola. Trabalhavam e deixavam-se recompensar por tuta-e-meia, o que magnificava os cofres dos Lordes, mas miserava os Tchavolas no desemprego e chamava, cultuava Spartacus. Jingola ensombrava-se, tumultuava-se, mas os Lordes marimbavam-se, tinham mais que fazer, para o atroz sofrimento dos Tchavolas que ruminavam planos de revolta, e que a qualquer momento surgiria. Mas os Lordes esperavam-nos com helicópteros, mísseis, tanques, cães, mercenários e todo o tipo bélico deste e do outro mundo.

A capital de Jingola – aliás como em todo o reino – fervilhava de actividade missionária. Por todo o lado e em todas as portas se pregava o santo evangelho e as santas escrituras. Os sacerdotes escrutinavam, descortinavam o fim do mundo que há mais de dois mil anos estava cada vez mais próximo. E as desordenadas ovelhas Tchavolas deixavam-se ir na conversa de que depois do fim do mundo o Senhor os esperava para lhes abençoar e oferecer-lhes uma casa que em Jingola era coisa impossível, porque um dos passatempos do rei consistia em derrubar-lhes, transformar-lhes as casas em pó. Provavelmente era para cumprimento da profecia bíblica de que ao pó voltarás.

Em Jingola, por incrível que pareça existiam mais de mil seitas religiosas. O tal negócio da China. Um bom negócio, diga-se de passagem, pois bastava observar a riqueza fácil que os bispos conseguiam, inventando coisas sobre Jesus Cristo e Deus. E invocavam a promessa habitual aos seus fiéis de que todos ficariam ricos se seguissem os seus ensinamentos, pois eles eram os representantes, os eleitos de Deus e de Jesus Cristo na terra. O rei apoiava-os, pois que dominavam e embaralhavam as suas populações, incutindo-lhes a superstição de que quem se revoltasse, caluniasse, injuriasse, ou até fizesse uma simples greve contra o rei, Deus lhes enviaria pesados castigos. E davam-lhes exemplos: a falta de água e energia eléctrica, a fome, não eram já castigos mais que suficientes? E os Tchavolas refugiavam-se no temor. E o exército sacerdotal de bíblia sempre nas mãos, lá vagueava. E um cónego se destacava, imitava muito mal Lutero, pois que militava do lado contrário. Isto é, defendia, elogiava e bajulava os Lordes, que agradecidos uns barris de petróleo lhe ofertavam.
Como habitualmente o nosso confessor está no seu hábito, no seu púlpito a oficiar na sua capela da Igreja de Nosso Senhor do Kremlin. Nas preces que faz ao seu deus leninista, e sempre consequente no cumprimento de ordens superiores, corrompe-o desmesuradamente com quantias incomensuráveis. Qual é o deus que não se deixa corromper por astronómicas quantias monetárias? Vá, digam-me um que não o faça. Todos os deuses adoram as riquezas terrenas, e de tão corrompidos que estão, debandaram todos para Jingola. É por isso que o céu está tão despovoado, tão imigrado.
E um deus que se preze, ama, chama a juventude para o seu partido – se calhar não sabem, ou fingem, que a religião também é um partido político – com promessas de vida no além mundano, de carros e chorudas quantias de dólares existentes num saco pessoal dos ritmos petrolíferos. A juventude acorria-lhe depois da desgraça das contínuas maratonas em saudação disto e daquilo. Festas partidárias em saudação aos santos leninistas de cada dia do ano, aos aniversários dos chefes, das suas esposas, dos seus filhos, filhas e dos altos e baixos funcionários que atapetavam a casa real.
E depois das maratonas os jovens lá acorriam ao nosso bom cónego missionário na esperança de que caísse alguma coisa generosa para, conforme confessavam, organizarem as suas vidas. O cónego missionário ligava do seu telemóvel e rapidamente chegava uma mala bem atestada de dólares. E o padre interrogava-os, porque quem dá dinheiro a alguém sem mais nenhuma explicação, é porque exige, espera algo em troca: «Bom, eu vou-lhes dar algum, mas já sabem como é.» «Sim, senhor missionário, como é o quê?» «Já tem o cartão da LORDE/JOTA?» «Já!» «Ai é, então mostrem!» Exigia o missionário desconfiado. E os jovens não tinham outra alternativa senão a de se sujeitarem, irem para a capela ao lado e lá registarem-se e obterem o cartão da LORDE/JOTA, que lhes daria, abriria as portas para tudo e mais alguma coisa que fosse necessário ou desnecessário. E se denunciassem todos aqueles do contra, os arruaceiros, os que falassem mal do eterno delfim, os opositores, em troca receberiam uma considerável quantia determinada pelo serviço prestado. Aqui convém esclarecer que alguns cidadãos da nossa praça estão consideravelmente ricos devido a esse expediente do centralismo democrático.
E a Igreja do Kremlin continuava, labutava no ardor, no louvor ao seu senhor. A fama do missionário da juventude já ultrapassava fronteiras, devido há sua proverbial magnanimidade. Quando questionado sobre a proveniência de tantos fundos monetários, o nosso bondoso missionário nem pestanejava, pelo contrário, olhava para o céu, enlaçava as mãos e orava: «Obrigado meu santo leninista pelos desvios milagreiros que fazes do céu jorrar e nas minhas mãos aterrar.»
Num belo momento o missionário recebeu uma missão especial. A conversão de jovens manifestantes/arruaceiros que não aceitavam corromperem-se pelo deus leninista. Intrigado, o sacerdote dirigiu-se à prisão onde os desgraçados se encontravam e abordou-os, melhor, interrogou-os: «Meus irmãos, estais aqui porquê?» «Não sabemos, ninguém sabe.» «Hum! Não é difícil de saber. Manifestaram-se com cartazes a falar mal do nosso deus?» «Sim padre, é isso!» «Logo vi. Bom, vamos dar um jeito nisso. Tenho poderes de como influenciar o Juiz polémico que condenou os nossos irmãos, a converter as penas dos dezassete presos em multas… passando assim todos à liberdade… e prometo-lhes ainda outros bens materiais. Vocês sabem que eu sou o divino empresário da juventude.» Os jovens mantinham-se num silêncio irredutível, até que um deles quebrou-o: «Não somos arruaceiros, xibados, ganzados, kuachas, guerrilheiros, ou outro epíteto pejorativo que insistem em atribuir-nos.» E o eclesiástico sem rodeios elucidou-os a modos de pregação: «Se eu tivesse mandado alguém, podem ter a certeza que nem sequer teriam saído do bairro».
Só que o generoso missionário não se deu conta, não desconfiou, nem tão pouco suspeitou que a conversa foi gravada, e posteriormente denunciada por todos os meios de informação, exceptuando os órgãos estatais do clero leninista. Mas mesmo assim o ministrador da Igreja leninista pregou os santos sacramentos dos cânones da praxis: «Só um partido leninista é que está apto a conduzir os destinos do maravilhoso povo jingolano. Os outros partidos são fantoches, e se não seguirem os paradigmas leninistas estarão condenados ao fracasso. Só um verdadeiro partido condutor de massas garante estabilidade e paz. E com o tenaz apoio internacionalista dos partidos, governos, e de todos os países amigos que seguem a mesma senda - o rumo do desenvolvimento - a vitória é certa. Os povos amantes da paz e da liberdade vencerão. E os nossos inimigos figadais em qualquer esquina tombarão e abandonados lá repousarão.» E um dos arruaceiros tchavolano destaca-se sobranceiro: «Não confiemos nas igrejas, elas estão ao serviço do deus nosso senhor dos Lordes.»

A suave brisa matinal atrai-nos. Já atingimos finalmente o pôr-do-sol onde o amor guarda secretamente os nossos desejos. Nas espumas das marés transparentes e irreverentes dos ciclos que parecem repetitivos, caminhamos incertos nas buriladas areias que escorrem, deitam-se ondeadas. A suave brisa matinal atrai-nos para os confins da irreversibilidade do tempo do amor. O murmúrio dos ancestrais fósseis invade as nossas memórias do início do primeiro amor. E rejubilamos porque finalmente reencontramos o amor perdido, e dele não desejamos mais sair, porque receamos desmaiar nos insondáveis caminhos dos olhares de paixão não retribuídos, não compreendidos. Como na ascensão e queda das ditaduras.

Não acredito em escritores, poetas e demais livreiros ao serviço e galardoados pela corte palaciana dos Lordes. Porque quem apoia a escravidão dos rendimentos do petróleo, neles naufraga. É como no tempo dos pescadores de homens, onde havia, coexistiam intelectuais que compunham odes, liras, enquanto nos campos de concentração milhões de almas eram sacrificadas em nome de um poder eterno… das cinzas. Como se fosse possível um país viver comandado apenas por um grupo de águias de rapina. Os mestres da conspiração diziam que primeiro estava tudo bem, mas que agora caminhamos para o desastre global. Quer dizer que estamos a ser governados por víboras.

As ditaduras vão caindo dos seus poleiros como aves no gélido frio invernal.

Os poemas dos poetas da corte Jingola enlevam-nos nas teias da corrupção. Onde há muito petróleo, também há muitos poetastros desbotados nas turbulentas correntes submarinas das jazidas petrolíferas. Não sabemos como será o nosso futuro. Que faremos sem os nossos melhores amigos ditadores que um a um vão desaparecendo. O cão é o melhor amigo do homem, o petróleo é o seu pior inimigo. Este petróleo atrai muita miséria. E imprimir a tolerância zero, é reduzir as finanças a zero, zerar tudo. Quanto mais tempo demorarem com as reformas profundas que a população exige, mais o incêndio tumultuoso se propagará. Não é hora de se perder tempo, adiar, fingir implementar promessas que nunca se cumprem. Isto está a complicar-se, a descontrolar-se. A literatura de Lenine continua presente.
Jingola é pois um estado pirata, o local ideal para todos os piratas mundiais.
Quanta mais a pobreza mental de quem nos governa, mais a pobreza guerreira aumenta.
continua

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (05)


- A minha alma sente-se inundada com tanta cerveja. – Vaporizou o Filósofo.
- A Ilha do Cabo, a Marginal de Luanda e a Ilha do Mussulo vão desaparecer, vão ficar cobertas de água. – Alertou o Branco
- Bom negócio para as cervejeiras. – Previu o Almirante.
- Porquê?
- A água é de borla. A cerveja quase que é só água, os refrigerantes também. A privatização das cervejeiras vai ficar com a equipa.
- Pelas sete pragas que nos afligem. – Praguejou o Pragador.
- Ó senhora traga mais cerveja, mas não aumente a conta porque estamos a controlar. – Preveniu o Vodka.
- Não dá, vocês são os nossos melhores clientes. São os que dão vida ao lugar do Pauauschwitz.
Mais uma festa ia começar, de arrombar. O barulho da música era insuportável. Para ouvir o que conversávamos, elevávamos a voz, quase gritávamos. Dizer aos jovens para baixarem o som não era aconselhável. Isso significaria uma provocação e muito provavelmente garrafas voariam, não se sabendo onde aterrariam. Chegam alguns carros com jovens. Depois deles saídos nota-se que estão muito agressivos. Dirigem-se para a festa. Ouvem-se muitos gritos. Começa a pancadaria habitual. Garrafas são partidas. As suas namoradas vestidas com um calção muito curto, rasgado, partem garrafas e atacam. Parecem piores que leoas. O vidro da montra de um estabelecimento com sapatos resiste à tentativa da pilhagem. Vizinhos ligam para a polícia, mas esta virá mais tarde, ou não virá. Os elementos componentes desta quadrilha estão armados. Se a polícia aparecer no momento crítico será um brutal tiroteio. Depois da demonstração dos filhos da revolução, os apóstolos da violência entraram nos seus carros e abandonaram o local.
- Estamos no ano da grande matança. – Observou o Almirante.
- Porquê? – Quis saber o Vodka.
- Nunca se viu tanta gente morrer. O mundo está dominado pelo terror. Está enfeitiçado.
O Almirante chamou um jovem marinheiro que estava no seu carro. Era, podia-se dizer, um guarda-costas. Ordenou-lhe:
- Ó marinheiro… vai a bombordo do meu navio terrestre e retira de lá umas garrafas… umas cargas de profundidade. Depois faz o mesmo na ré.
O marinheiro chega e faz a entrega de três garrafas de uísque. O Almirante recomenda-lhe:
- Leva uma e guarda-a. Temos que ficar com munições de reserva.
- Parecem as cápsulas de bazucas, ou melhor dito, de mísseis. – Comparou o Vodka.
- O comunismo lixou-nos a vida. Este país está a ficar impossível para viver. – Provocou o Branco.
- Pior que este não há. – Disse convicto o Almirante.

O Presidente acrescenta:
- A Grã-bretanha, por exemplo, país que possui em Angola o maior volume de capitais investidos, ou os Estados Unidos da América com crescentes interesses na economia e ansiando dominar a posição estratégica do nosso país, assim como outros países da Europa, da América ou da Ásia, concorrem para a dominação do nosso Povo e a exploração dos bens que nos pertencem. Muitas vezes se confunde o inimigo da África com o branco. A cor da pele ainda é um elemento que para muitos determina o inimigo. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
Meteorologia para hoje. O céu será azul, o dia claro, a noite será amarela devido ao luar, soprará vento do mar. Boas perspectivas para maus negócios. – Previu o Filósofo.
- Vou votar… não vou votar. – Disse indeciso o Eleitor.
- Tive um sonho. Que a nossa moeda era preferida ao dólar e ao euro. Era a mais forte do mundo. - Sonhou o Poeta.
- Isso não é um sonho, é um grande pesadelo. – Advertiu o Almirante.
- O director geral do FMI chegou e disse: vamos investir três biliões de dólares porque finalmente atingiram a perfeição. – Noticiou o Poeta.
- Isso saiu aonde? – Perguntou o Vodka.
- Na informa com a verdade.
- Uns bons copos de uísque ajudam-nos a sonhar. – Aconselhou o Almirante.
- Para viver tenho que roubar algumas vezes. – Disse desmoralizada a Liberdade.
O Branco começa a beber uísque. Comenta:
- Cerveja com uísque? Parece-me que desta noite não passamos.
Depois de alguns uísques, o Branco sente uma inspiração repentina. Continua:
- A independência era uma intenção, e ainda continua a ser. Não basta um governo, um soberano, com uma guarda, policia e um exército. Povo não existe. Nem é necessário. Basta copiar os modelos feudais, e nasce mais um país, um reino. Basta ter o nome de independente, e já está. Perderam por completo a consciência e voltaram ao estado primitivo. Estão à procura da centelha divina que desapareceu.
O Vodka olha para a Liberdade. Diz-lhe:
- Sobre, o para viver tem que se roubar, lembro-me de um caso caricato. Foi assim: Um segurança acompanhou o gatuno junto com a polícia. Mas os polícias vendo que o segurança tinha dinheiro, consideraram que ele era o gatuno. O gatuno aproveitou, saltou um muro e fugiu.
- Quando Deus criou Adão e Eva eles estavam muito felizes. Mas Deus criou mais alguém para lhes fazer companhia. – Disse enigmático o Filósofo.
O Almirante contra-ataca:
- A questão é: onde estão os nossos intelectuais? Simplesmente quase não os temos. Fugiram, porque só podia existir um. Os que ficaram tornaram-se mordomos. Hoje restam apenas uns poucos. Portanto não temos intelectuais. É verdade que num país onde abunda a ignorância, aparecem sempre milhares de poetas e doutores, que incentivam o aparecimento de falsos profetas. É por isso que é um bom negócio montar uma igreja numa qualquer esquina. Descrentes não faltam.
O Filósofo agita-se. Prepara-se convenientemente para a contenda despejando mais uísque no seu copo. Desfere:
- O que interessa é honrar a memória do nosso herói nacional. Na verdade somos todos revolucionários. É por isso que nos inspiramos na bebida. É ela que nos dá a força e o espírito, porque não temos mais nada que nos inspire. Somos os gloriosos sonhadores das noites tropicais. Sonhar é preciso, desde que haja alguma coisa para beber. Só que não conseguimos concretizar os nossos sonhos, talvez que se acabassem com a bebida…
O Hepatite não vai na conversa:
- Isso nunca, nunca. Perderíamos a nossa liberdade para sempre. Voltaríamos a ser escravos. Somos livres porque bebemos quando e onde nos apetecer a quantidade que desejarmos. Não se esqueçam disto, porque daqui depende a nossa sobrevivência. Somos considerados seres humanos porque bebemos
O Presidente com os olhos tristes, olha para longe e cita:
- A sociedade criada pelos colonialistas, criou vários mecanismos de defesa racial, postos ao serviço do colonialismo. O mesmo camponês pobre, miserável, oprimido e explorado na sua terra, é alvo de atenção especial quando se fixa numa das suas colónias. Ele não é só imbuído de mitos patrioteiros, como também começa a gozar de privilégios económicos e sociais de que nunca pôde dispor antes. Assim, entra no sistema. O colonialismo começa a servir-lhe o apetite e passa a ser o cão de guarda dos interesses da oligarquia fascista. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
Ao longe ouve-se a sirene de uma ambulância. – O Poeta aproveita para lembrar:
- Enquanto espero a ambulância que me vai transportar, pelas ruas onde os carros estão parados. Não vou chegar ao hospital, nem a lado nenhum, pois morrerei pelo caminho. Mas os nossos nobres escapam porque enviam as motos da polícia de trânsito, e logo a seguir um carro equipado com polícias armados para que o nobre chegue rapidamente à sua clínica privada.
A Qualquer Um Serve, olha para uma garrafa plástica de água, vazia. Dá-lhe um nobre pontapé para outro local, como se estivesse a limpar o sítio. Apenas a mudou de posição.
Imagem: Imagem de Stock: Sonho tropical. pt.dreamstime.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Associação Angolana dos Inimigos da Democracia


República democrática dos geradores, algures no Golfo da Guiné.
E sem democratas se faz democracia.
Como é possível o BNA – Banco Nacional de Angola, afirmar que a taxa de inflação está a desacelerar, se todos os meses os preços sobem?
São surpreendentes os olhares de desprezo que os nossos novos-ricos lançam sobre os que espoliaram, e espoliam despudoradamente.
E o comité de especialidade das épocas de caça declara que: até que enfim, já é oficial. A partir de hoje e de sempre, abriu a época de caça ao opositor político. Assim, e durante os próximos tempos os nossos caçadores podem premir os gatilhos das suas armas e dispararem à vontade, estão legais. O número de peças a abater é ilimitado. Podem, e devem, eliminar as peças de caça que quiserem.
Restaurante Kremlin, prato do dia: em alusão à abertura oficial da caça ao opositor político, o nosso célebre Cozinheiro-chefe recomenda vivamente a caça efectuada pelos seus caçadores privativos/furtivos.
E um novo horizonte de esperança nasceu, com a fundação de mais um órgão político: o comité de especialidade dos desterrados e espoliados. E logo outro se lhe seguiu: o comité de especialidade dos sem-terra.
A nossa vanguarda revolucionária continua a assestar golpes demolidores nos arruaceiros e demais oposição. E como a Rádio Ecclesia se ufana, aos nossos inimigos nem um mastro de antena, porque o direito à informação apenas é garantido, está há muito estabelecido, patenteado ao partido revolucionário que guia, comanda a nossa sociedade. E por isso mesmo o nosso querido, ferido e martirizado povo está muito bem informado, e como tal não necessita de democracia. Isso de liberdade democrática há muito que está consagrado na nossa gloriosa Constituição que, como todos sabem, elaborámos, porque só nós sabemos o que o nosso povo deseja. Ele já está muito maduro, e não necessita de apanhadores de fruta. Ninguém se pode arrogar na libertação do nosso povo. E só um partido, o da classe operária e camponesa, pelas gloriosas e inesquecíveis batalhas em prol da luta de libertação encetada, continuada e terminada pelo mais clarividente partido político que dirige a nau popular, de vitória sobre vitória. Uma pátria leninista daqui jamais sairá. E aos incautos políticos sem experiência de governação, pois nunca rodaram o leme do destino do nosso povo, advertimos que a nossa vigilância canina, equídea, e demais forças estão aptas, devidamente super apetrechadas para desferirem qualquer golpe quando se achar necessário, ou desnecessário.
Bom, parece-me que já conseguimos mais um feito notável: é a Angola da China, a Angola do Brasil, de Portugal, dos vietnamitas, dos novos-ricos, e Angola dos mwangolé? Nada, pois claro, a não ser a Angola dos desterrados. Quando a corrupção se avantaja e definitivamente se instala nos tronos, não há rei nem reino que não soçobre. Eles com o petróleo, com tudo, até as praias privatizaram, e nós sem nada, excepto o direito de vivermos ao ar livre, no relento do morticínio, como os campos da morte da Tchavola. Direito a manifestação, não!!!
A nossa vanguarda revolucionária permanece no rumo, somos muito teimosos o que é que querem?, do centralismo democrático, daí a origem das novas centralidades. Faremos de Angola, não um canteiro de obras, mas uma plantação de centralidades. O nosso povo finalmente terá o direito, a dignidade de uma habitação. É verdade que existem esses da Tchavola, dos Zangos, das tendas, devido aos nossos projectos da especulação imobiliária nacional e internacional, e agora com a recessão/depressão mundial a bater forte, fortemente na China no sector imobiliário e outros, há que apostar seriamente no emprego chinês, então há que ocupar muitos, muitos milhões de chineses nas moderníssimas centralidades e nas muitas barragens três gargantas, e Angola será betonada de Kabinda ao Kunene. Angola será centralizada numa nova, República das Centralidades dos Kilambas.
É proibido ter ideias, porque os nossos amos aniquilam-nas e aniquilam-nos. E com arruaceiros se faz história, liberdade, democracia e independência. Dos corruptos não reza a História. Neste sempre tristonho, medonho memorial leninista assalta-me sempre a mensagem da anunciação da imorredoura prisão em que mergulhados no tempo, nas agonias dos dias, trespassados pelas ditatoriais profecias de um Poder que nos abrasa e escurece o ser, como no testemunho bíblico do meu amigo António Setas: «Olha, por aqui está fresquinho, há falta de luz todos os dias e água já nem se pode dizer que falta, pois há quase um ano que não a temos na Corimba.»
E restou-me responder-lhe: «Como estou? Olha, receio que por aqui o amor já acabou, e que dele apenas resta a extinção da chama de uma vela de fabrico chinês.»
Porque será que em Angola existem “milhares” de analistas internacionais? Será porque quem não sabe fazer mais nada, segue esta profissão?!
A nossa querida e revolucionária liderança há muito que luta pelo bem-estar e anseios mais prementes das nossas populações. Apesar de longos anos de luta ainda não conseguiram sair da miséria, porque será? É bem simples: o inimigo imperialista externo e interno não desarma. Agora vem com as promessas de democracia e liberdade… de libertação do nosso povo da opressão, vejam só. O que eles querem é a continuação da pilhagem das nossas riquezas e neocolonizarem-nos, mas o nosso povo já é mais que suficientemente, isto é, tem muita maturidade forjada nos longos anos de lutas sabiamente conquistadas pela nossa sábia liderança. Só os nossos chefes entendem o que é isso de dirigir, e quem nunca dirigiu, governou um país, não está minimamente preparado para governar seja o que for. Agora andam com essa da corrupção, que a nossa veterana equipa é toda corrupta, ninguém escapa, se safa do TPI – Tribunal Penal Internacional. Digam-me uma coisa, e o nosso povo é o melhor juiz, quem é que não é corrupto em Angola? Quem? Apontem só uma pessoa. E no Mundo, também existe alguém que não seja corrupto? O que faz avançar as sociedades modernas rumo ao desenvolvimento económico e social não é a corrupção? Não?! Então o que é, e quem é?! Sem corrupção não é possível existir bem-estar e felicidade na nossa Nação.
Quem retira a essência cultural de um povo, a sua música e os seus cantares, retira-lhe tudo, que é o que está a acontecer. E depois resta-nos a amostragem no jardim zoológico como espécie em vias de extinção? É evidente que estamos a ser invadidos pelo neocolonialismo em todas as suas vertentes, e quase já nenhum espaço de manobra temos, pois que estamos inexoravelmente a sermos empurrados, encurralados em Babaorum, o único reduto que nos resta.
Comentário de um segurança: a esta hora, vinte e duas horas, há bairros em que já não entras por causa dos tiroteios.
Existe alguma diferença entre políticos e banqueiros?
Em Roma sê romano, em Angola sê angolano.
Segundo informação de um familiar, cidadãos brasileiros sentindo-se inseguros fogem do Lubango. Entretanto a invasão chinesa/vietnamita prossegue.
Entretanto, o neocolonialismo avança imparável? Há uns poucos de anos estava numa boate e o canal da TV estava no "Black Music" e um português exigiu à empregada que mudasse para outro canal. Claro, que eu não queria acreditar. Temos que pôr ordem na nossa casa, senão daqui a pouco vamos para o olho da rua, o que aliás já nos acontece.
Quando um governante vê, mas ele não consegue ver, que não consegue fazer o mínimo pelo seu povo, deve demitir-se. Aliás neste momento para que é que nos servem os políticos e os banqueiros?
Na Rádio Ecclesia, 16 Dezembro, ouvi uma senhora pelo telefone que se lamentava da compra de uma viatura a uma empresa portuguesa da qual resultou em vigarice. E mais informou que não tem onde se queixar.
Humor negro: Oh! Não imaginam as imensas saudades que sinto dos constantes cortes de energia eléctrica, a beleza de tantos apagões. Mas como agora já temos (?), teremos (?), centrais térmicas que dão mais energia. Camarada Lenine, não lhes perdoe porque eles sabem o que sabem.
Incitar à corrupção não é incitar à violência? Porque onde há muita corrupção, também há muita violência. A corrupção só é possível, porque vive da violência. Resumindo: Angola é uma gigantesca mina, onde uma família e um partido nela garimpam. Portanto, temos uma família e um partido de garimpeiros.
Pacientes de tuberculose são internados numa pocilga de porcos, no Centro de Tratamento de Tuberculosos Santa Teresinha do Menino Jesus, a quinze quilómetros da cidade de Benguela. In Rádio Ecclesia. Bom, depois de muita luta conseguimos finalmente o cobiçado, aprovado, estatuto social de porcos. Que outro estatuto mais social nos espera?! O da porcaria?! Será que o lixo se tornou mais valioso que nós, porque se recicla, dá dinheiro? E se mais tempo demorar, aonde vamos chegar?!
Neste Natal meus amigos, como lhes desejar um Natal feliz porque sei que isso é impossível. É mais um Natal dos miseráveis que vivemos, cada vez pior, sem que se aviste solução. Um Natal é sempre um sonho sentado numa nuvem. Sonhamos que atravessamos a nuvem e do outro lado deparamo-nos com a realidade do pesadelo que é a vida… desumana angolana. E de tão surpresos desejamos regressar para a nossa nuvem, como a criança que anseia amiúde reentrar no ventre da sua mãe. As nossas devoções encontram-se numa simples folha de uma qualquer planta. É lá que está a nuvem e o sonho, é lá que se realizam os tesouros inexplorados da nossa vivência. E ao explorá-los, é assim que nascem/renascem as palavras que se transformam em poemas de liberdade, em livros, em suma, a literatura angolana que nos falta.
Feliz Natal para os próximos anos, e que as nossas palavras por dias melhores se estabeleçam na fortaleza do nosso amor. Porque unidos venceremos!
Imagem: estrada-para-democracia-em-angola-road-for-democracy-
gazetadeluanda.com

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Sporting Club de Portugal na Tchavola



E às nossas Tchavolas havemos de voltar

O Sporting Club de Portugal na Tchavola

E chegou a Luanda para jogar
o Sporting Club de Portugal
Vai no estádio a céu aberto
da Tchavola/Tarrafal
que desencontro tão desigual

Leva oitocentos mil dólares
para ajudar os vitimados
dos 36 anos sem independência
defraudados
No campo ao ar livre
no estádio 11 de Novembro da Tchavola
abandonados

Do Governo de Angola
há uma grande campanha humanitária
para a população da Somália que padece
e para os nossos irmãos da Tchavola
nem o lixo que apodrece

O Sporting Club de Portugal
jogará com a selecção da Tchavola
a receita arrecadada será para a nossa Somália
jogar à bola
E para os miseráveis da Tchavola
nem uma esmola

E as nossas manas para conseguirem
trabalhar
o sexo do patrão estrangeiro
têm que chupar

Os nossos bombeiros chegaram
não demoraram
o incêndio assustou-se
e apagou-se

Que poços petrolíferos
muito interessantes,
muito intolerantes

Esta Pátria é obra de generais

A corte marcial do 27 de Maio continua
A irmandade têm fome

Nos desportos estamos bem
na arena internacional
Com muitos estádios de futebol
parados, abandonados
Esta Pátria é também obra de uma família
Há muitas sirenes que buzinam
Estridentes, a furarem
Têm carros blindados e seguranças
para protegerem o Grupo Santos, Sarl
Não é possível implementar seja que plano for
enquanto não se acabar com a teia
da corrupção que nos prende
nos ofende

Para que acabe o nosso padecer
que se exorcize o demónio do poder
E o nosso Augusto empareda-nos vivos
como o povo se trasladou
para a oposição
O grande líder se vingou
tudo se acabou
a água, a luz e o pão

Imagem: por favor nao fiques triste por estas,salas improvisadas vao albergar alguns ...
brisadokapangombe.blogspot.com

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Até as praias privatizaram


E a terra angolana treme
dos milhões de miseráveis
freme
que nela deambulam foragidos
pelas forças da repressão e da espoliação
reprimidos
nas imensas Tchavolas
espoliados e esfomeados
em agonia
concentrados

Arruaceiros das manifestações
o GPL-Governo da Pancada de Luanda
saúda-vos… com bastões

E os portugueses vem para Angola
trabalhar
E os angolanos vão para Portugal
passear
Lá não há trabalho, é só
desempregar

Quanto mais no tempo, no poder
mais miséria vamos ter
nos suceder
em Roma sê romano
em Angola sê corrupto
onde a ditadura se implanta
a feitiçaria suplanta-a
que a nossa vida, que está tudo a melhorar
claro, a corrupção até está no altar

Há homens que destroem lares
mas um só homem destrói uma nação

Sem energia eléctrica dão-nos o golpe final
O incremento da miséria não lhes assusta
Eles já estão habituados, programados
e têm muitos chineses
muitos estrangeiros a trabalharem
e os mwangolés?!
É para os desempregarem

Ele quer-nos mortos, humilhados
presos e executados
Nos campos da morte
fuzilados
E não podemos nem devemos
reclamar
Estão de armas aperradas
estão para nos silenciar
matar
Neste diabólico poder
a esperança que nos resta
É o morrer
Eles cada vez mais ricos
em beleza
E nós cada vez mais podres
de pobreza

§ Único. Não são permitidos honestos neste reino.
A nossa força está na corrupção.

Imagem: Luanda: Privatizada praia no morro dos Veados
patriciaguinevere.blogspot.com

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (04)


O Presidente diz:
- Em Portugal, aumenta o movimento de deserções dos soldados. Muitíssimos jovens preferem fugir do país ou correr o risco da prisão a participarem neste crime que é a guerra colonial. O MPLA inclina-se perante estes heróicos e generosos combatentes, muitos dos quais se tornaram imortais pelo sangue que derramaram nos campos. A guerra de libertação nacional que o MPLA começou a dirigir com firmeza, exige orientação, clareza de objectivos, política de acção e honestidade. A luta não poderá desenvolver-se com incitamentos ao tribalismo, à divisão, com apelos à superstição e aos instintos primários e sem claros objectivos políticos. In Agostinho Neto.1 De Janeiro de 1967. Mensagem de ano novo.
As garrafas continuam a despejarem-se, e logo prontamente substituídas por outras cheias. O ambiente está quente, tropical. O Branco pretende distrair os presentes. Grita:
- Kwanzaa! Kwanzaa!
- Já estás bêbado? O que é que estás para aí a dizer? – Perguntou o Vodka.
- Kwanzaa! Kwanzaa!
- Explica lá o que é isso. – Pediu o Vodka.
- Deve ser uma nova marca de cerveja. – Esclareceu o Hepatite.
- Está bem vou explicar. – Informou o Branco.
- Kwanzaa, é um feriado afro-americano baseado no festival africano tradicional da colheita, das primeiras colheitas. Começa no dia 26 de Dezembro e dura sete dias. A palavra Kwanzaa, também soletrado Kwanza, vem de uma frase que significa frutas em Swahili, um idioma da África Oriental. O feriado foi desenvolvido em 1966 nos Estados Unidos por Maulana Karenga, professor de estudos pan-africanos e líder cultural negro. Combina práticas africanas tradicionais com aspirações e ideais afro-americanos. O feriado centra-se ao redor do Nguzo Saba, os sete princípios da cultura negra que foi desenvolvida por Karenga. Estes princípios são Umoja (unidade), Kujichagulia (autodeterminação), Ujima (trabalho colectivo e responsabilidade), Ujamaa (economias cooperativas), Nia (propósito), Kuumba (criatividade), e Imani (fé). Cada dia de Kwanzaa é dedicado a um dos sete princípios. Pela noite, familiares iluminam uma das sete velas num kinara (castiçal) e discutem o princípio durante o dia. Elementos de muitas famílias trocam presentes alguns dos quais são caseiros. Quando se aproxima o fim do feriado, a comunidade junta-se para um banquete chamado karamu. Um karamu típico caracteriza-se na comida africana tradicional, cerimónias que honram os antepassados, avaliações do ano velho e compromissos para o novo, desempenhos, música, e dançando. In World Book. Enciclopédia da IBM.
O Almirante está encostado no seu carro. Olha para o que lhe parece ser uma praia onde acabaram de desembarcar os seus fuzileiros. Com voz triunfante declara:
- Meus fuzileiros! Sentimo-nos orgulhosos quando abandonamos o local da bebedeira e deixamos os despojos espalhados por todo o lado. Trabalho não falta porque o consumo da bebida aumenta, o lixo também.
A Treze Anos vê que o Almirante está com os copos, e aproveita:
- Estão a vender boas aparelhagens. Batem bem, só o barulho…
- Estão a vender aonde?
O Hepatite tenta explicar:
- Eu sei onde estão a vender. Bom, a… a… vai-se na direcção da grande cervejaria, depois vira-se à direita… onde está o grande bar, depois à esquerda até… chegar à cervejaria monumental. É aí.
- Isso não é cerveja a mais? – Disse a Treze Anos.
- Não, por acaso… a da monumental até é muito boa. – Elucidou O Hepatite.
- Daqui a pouco vou para Moscovo, até amanhã. – Ironizou o Almirante.
- O que é que ele quer dizer com isso? – Quis saber a Treze Anos.
- Quando quer ir para casa, diz sempre que vai para Moscovo. Tem saudades dos velhos tempos. – Insultou o Branco.
- Tenho que apanhar um terreno. – Sonhou o Vodka.
- Já apanhei um em Malanje com vinte hectares. – Disse satisfeito o Almirante.
- Suicidar as populações é preciso. – Lembrou o Branco.
- Suicídios são na África do Sul. – Declarou o Almirante.
- Os quinhentos anos foram um ensaio. Agora é que o colonialismo é a sério. – Disse o Branco.
- Isso é porque os que estão em cima são piores que os que estão em baixo. – Rematou o Filósofo.
- É por isso que somos considerados o pior país do mundo para se fazer negócios. – Declarou o Almirante.
- E no entanto temos financiamentos internacionais de biliões de dólares. – Vaporizou o Poeta.
- Os juros serão pagos com a cerveja que consumimos. – Jurou o Vodka.
A Caribenha ouviu e pediu:
- Isso é muita cerveja. Quem é que me paga os juros de uma?
- São todas iguais. – Disse convicto o Poeta.
- São como a cerveja. Todas têm o mesmo sabor. – Foi a opinião do Almirante.
- Vou votar… não vou votar. – Prometeu o Eleitor.

O Presidente discursou:
- É também a expressão mais vasta do desejo comum do Homem sobre a terra, de se considerar livre, capaz de se desligar das amarras de uma sociedade em que estiola e morre, como ser humano. Não pode haver outra tendência sobre a terra. O isolamento é impossível e é contrário à ideia de progresso técnico, cultural e político. Para alcançar a liberdade e sem o qual o comportamento do homem será o de quem sai de uma forma de discriminação para cair numa outra forma tão negativa como a primeira, uma simples inversão dos factores intervenientes. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
O Filósofo lembrou-se do que ouviu na rádio.
- Sabem o que é que o Justino Pinto de Andrade falou hoje? Falou que as empresas de vestuário estão a fechar em Portugal devido aos preços baixos dos tecidos Chineses, então provocou muito desemprego, e um jornalista do Jornal, O Público, disse que era a altura para virem para Angola, que podiam trabalhar na agricultura. Como são originários de um vale, o Justino opinou que podiam aqui ficar no Vale do Cavaco. O Justino também disse que são os vapores do petróleo.
- Ele bebe? – Perguntou o Vodka.
- Não.
- Ah! Se não bebe não tem interesse. Nunca será nosso amigo.
- Ele queria dizer que lá a democracia não consegue arranjar emprego para os desempregados.
- Pois não, por isso envia-os para as novas colónias em África.
O Poeta tenta impressionar a Liberdade:
Preso nos céus dos encontros/ Do centro das suas pernas/ A clamar/ Que isto é a minha beleza/ Nada há melhor que isto/ Mergulha-me no meu melhor/ É apenas isto que tenho/ Não te chega? / Que queres mais? / Isto é melhor que qualquer noite.
Ela diz-me sempre/ Ai! Minha vida! / Mas sou mais bela que qualquer noite/ Peço-te por favor/ Mergulha uma vez na noite/ Do meu ventre/ Tenta compreender/ Ao menos uma vez/ O perfume e o aroma dele/ Passa os teus lábios no meu clítoris/ E sente o desconhecido/ Da vida, do viver/ Não sabes quantos segredos/ Guarda um clítoris.
Os segredos da vida/ Do amor, das nações/ Estão secretamente guardados/ Num clítoris.
Que Deus abençoe o mel planetário/ Dos nossos clítoris.
O Presidente diz:
- Esta forma de colonização visível, clara, aberta, não impede que uma outra exista no nosso continente, outra forma de dominação mais subtil conhecida pelo nome do neocolonialismo, em que o explorador já não se identifica com o nome de colonizador, mas que actua da mesma maneira a vários níveis. Se para uns, colonialismo significou e significa trabalho forçado, para outros é discriminação racial; para outros ainda, é a segregação económica e a impossibilidade de ascensão política. Mas o roubo das terras africanas pelos colonizadores, a escravização do trabalhador, o castigo corporal, ou a intensiva exploração dos bens que nos pertencem, são formas do mesmo colonialismo. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
Imagem: Os jovens angolanos e o alcoolismo;-O limite aqui não é o chão,é o subsolo!
vencendo-o-alcoolismo.blogspot.com




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nunca tão poucos destruiram tantos


Se fosse instituído o campeonato nacional da hipocrisia, quem o ganharia? Ela, a hipocrisia, é tamanha que já ganhou foro de poluição nacional.
Fazer manifestações contínuas de apoio incondicional ao grande e incontestado líder, no tempo colonial também se fazia o mesmo, sucediam-se manifestações de apoio pela continuação das também incontestadas chefias colonialistas.
O Jornal, O País, na sua edição do dia 10 de Dezembro noticiou que por mês morrem 24, vinte e quatro pessoas devido ao uso dos geradores. Entretanto, o fornecimento da energia eléctrica vai piorando, até ultrapassarmos o zero?
Parece que não existe ninguém capaz de colocar esta coisa no caminho certo. Na realidade está tudo muito incerto. Para onde vamos? Para a queda, sem alternativa.
Eis os apagões da nossa estatal energia eléctrica alternativa, ou como o Inferno também é futuro.
12Dez 09.01 até às 01.05 do dia 13Dez 11Dez 07.49-16.26 09Dez 18.14 até às 16.56 do dia 10Dez 07Dez 10.51 até às 08.19 do dia 08Dez 06Dez 10.44-10.54 05Dez 15.49 até às 01.57 do dia 06Dez 03Dez 12.25-14-06, 16.52- 18.03 01Dez 12.18 até às 12.43 do dia 02Dez
E quem de Angola quiser fazer/ o seu amor/ e nela conseguir sobreviver/ terá que comprar um gerador.
Mesmo sem luz, todos os meses está lá a factura para pagar o que não se consumiu. Perante tanta macabra idiotice, só nos resta o sorrir com escárnio da condição leninista da transformação, do grande apagão da nossa sociedade.
Os vinte dias da manutenção dos geradores da barragem de Kapanda ainda não terminaram? Estão a negociar mais vinte dias, vinte anos?
E pelas ruas circulando em andores ouve-se o pregão: «Comprem geradores! Acabem com a escuridão, minhas senhoras e meus senhores!»
Será que também é necessário importar estrangeiros para fundarem um partido da oposição? Já nada me surpreende. São demasiadas as nuvens que obscurecem o nascer do sol da oposição.
E essa dos e das mwangoles quando no telemóvel prometem-nos: «Eu já vou ligar, ligo-te daqui a pouco. » Pobres cretinos e cretinas que desconhecem que isso é mais uma tara mental.
Escuridão? Vote no partido da vela. É o Governo a trabalhar, a nos apagar.
Quando a vigarice se instala no poder, é até arder.
Quando o poder das trevas dirige um país, os dias ficam na mais tenebrosa escuridão. Quando o petróleo é muito bruto, os cérebros embrutecem. Os barris de petróleo, de redondos, ficam quadrados na vegetação dos pobres de espírito, mas ricos na riqueza dos caudais dos filões petrolíferos. E governar na escuridão é suma destruição. Este é o fruto colhido da plantação chinesa, brasileira e portuguesa.
É a manipulação da informação, para que não se saiba que reinamos na completa escuridão. Manter a população na escuridão, é o futuro desta nação. É uma governação com os fusíveis há muito fundidos, e até agora não substituídos. É edificante, gratificante, um governo governar, obrigar a sua população a viver na mais negra escravidão? Quando se está sem rumo, de todas as direcções surgem escolhos desmedidos, e não há como evitá-los. É o naufragar no lodaçal petrolífero. E mesmo na mais retrógrada escuridão, promete-nos sempre uma nova vida, o líder da nação.
Já nos resta a sobrevivência da ténue chama de uma vela. Governar é mentir, é o ludibriar, abandonar. Muito tempo no poder até morrer, e um filho segue no poder. Permanecer por longos anos na vigarice do poder, e disso não se dar conta, abdicar, é sem dúvida um caso de patologia irrecuperável. Trinta e seis anos mergulhados na escuridão, e que no próximo ano teremos luz, mais trinta e seis? Mas quem lhes disse que governar é não nos alumiar? Ser irracional é que é o normal?
Brevemente os problemas da água e da luz serão ultrapassados, melhorados, porque há grandes investimentos nestes sectores da economia indispensáveis para o bem-estar das nossas populações.
E se virem por aí algum dos partidos políticos ditos da oposição, digam-lhes para emergirem, para a continuação da escuridão. Algumas pessoas gostam de viver na escuridão, e desgraçadamente impõem-na a todos os outros viventes. Ao insistirem na negação da luz, e nas promessas da escuridão como energia alternativa, o Poder convence-se que nos faz um grande favor.
Se eu descrevesse aqui o que realmente penso, sinto, como milhões de outras pessoas em absoluto desprezadas, creio que se assustariam. É preferível não divulger tais cogitos, porque são demasiado terríficos, mortíferos. E uma boa governação faz-se com uma óptima escuridão.
O nosso glorioso partido da vanguarda revolucionária sem energia eléctrica, nasceu, nos escureceu, para governar até à eternidade. Não surpreende pois que os nossos incontestáveis líderes sejam eternos. Como partido de vanguarda, já resolvemos os problemas candentes da saúde das nossas populações. Não necessitamos de hospitais, ou algo que se lhes compare, porque na nossa república popular… ninguém morre. E mais conquistas surgirão, porque a nossa experiência de governação é inigualável. Avante, pois com os nossos queridos e imortais líderes. E com o apoio das nossas igrejas também dominaremos os céus.
O leninismo é por excelência a única forma de governo que permite governar em paz as massas. Porque neste regime não há descontentes, há pão, água, luz e trabalho para todos. Só este sistema político permite a felicidade duradoura dos povos. Perguntem ao povo angolano se está ou não feliz. Claro que está. E não é necessária essa coisa da democracia que só complica a vida das pessoas, onde toda a gente fala e ninguém se entende. Já viram o que é gastar milhões e milhões de dólares com partidos políticos? Poupa-se muito dinheiro, não é?! O nosso querido Estado e o nosso querido Líder, sempre cada vez mais sábio, não necessita ir a universidades e mais o nosso super-estimado Politburo, garantem-nos tudo o que é necessário e desnecessário para enfrentarmos a vida. E todos os que se opõem a esta mais que provada clarividência, o local indicado é nos canis, sim são piores que os cães, sem direito a pão nem água.
E o involuir da história repete-se a cada momento quando o meu alaúde se solta e me “trova ao vento que passa”. Afinal, para alguns o viver é perseguir indiscriminadamente o seu semelhante. O petróleo simboliza a catástrofe do purgatório humano/angolano. Esta ditadura anuncia, renuncia, inicia o vento Sul da amargura. Mobiliza-nos, já nos aprontamos na formatura da Liberdade! Ordena-nos, solta as nossas asas, porque o voo da democracia, se anuncia. Eis que as nuvens da inspiração descem sobre nós, e outra Excalibur renasce, floresce, e outro ciclo, outra Távola nos desperta. Os novos paladinos cavaleiros Arturianos libertam o Santo Graal, há muito prisioneiro na fraude da ditadura, que teimosamente perdura. Basta-lhe que leve vaia, o seu palácio caia, e tudo à sua volta se desmaia.
Luanda, mas que contemplação. Vi, na rua da Angop, Rei Katyavala, a Odebrecht a asfaltar a rua. Mas, e os esgotos? Taparam-nos, e quando chover com força, ou não, como será?! É sempre a mesma coisa, arranjar de um lado e destruir do outro.
A maioria das pessoas anda com a cabeça no chão, e claro, com os pés no ar. Uma pequena minoria, que se pode contar, anda com a cabeça no ar e com os pés no chão. Será devido a isso que a terra treme muito?
Uma das coisas mais bizarras que acabo de ver em Luanda, foi um, dos muitos e muitos descendentes da luta de libertação de Angola, com um saco de plástico nas costas, UNITEL, a vasculhar nos contentores do lixo algo que se coma, coisa aliás corriqueira por aqui, apesar dos milhões de barris de petróleo que despejam diariamente também milhões de dólares. É o progresso do apoio das democracias ocidentais à nossa mediocracia.
Amigo leitor, esta é demais sobre a cor preta.
Faz-me lembrar um livro que li do Isaac Asimov (1920-1992) onde recrio uma cena muito interessante: na escola, o aluno só escrevia e desenhava tudo com a cor preta. O professor preocupou-se, claro, chamou e falou com a mãe. Acharam por bem consultarem um psicólogo ou um psiquiatra porque a criança não estava bem da cabeça. Decidiram-se pelo psiquiatra. Pegaram na criança e lá foram. Chegaram no consultório do doutor, este olha para a criança e pergunta-lhe: «Porque é que desenhas e escreves tudo com a cor preta?» A criança respondeu muito naturalmente: «Porque é a única cor que tenho.»
Entretanto, o Executivo investe em larga escala num outro empreendimento de vulto: a perseguição e caça ao opositor político, onde em prisões superlotadas, os proibidos da liberdade de expressão e manifestação se encerram em prisões, que depois de lá saírem irão directos para o cemitério, pois que a intenção é acabarem com eles através da morte lenta, isto com o apoio incondicional dos amigos chineses, brasileiros e portugueses.
Cuidado ao se libertarem de um ditador, porque outros chafurdam na forja, como as serpentes venenosas a espreitarem, a aguardarem.
Porque será que o empresariado angolano/estrangeiro, salvo raríssimas excepções, prima pela vigarice/escravidão dos seus trabalhadores?

Imagem: primeira tentativa de lançar o homem na Lua.
Cartoon de Marc S.) maquinaespeculativa.blogspot.com



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (06)


O maior perigo da política é quando os declarados, conceituados idiotas decidem intervir. E como já ninguém acredita na democracia e nos seus mentores, os bancários gestores, é tudo para destruir. Não é por acaso que se fala, que se espera, o alimento do desespero da terceira guerra mundial. Porque o Triunfo dos Porcos permanece omnipotente, com os suínos bem disfarçados no poder democrático. São como as religiões que arrastam as suas multidões para os abismos da miséria e da fome. E sempre insistem que rezar é a única esperança de salvação. A fórmula dos políticos idiotas não diverge muito: «Confiem em mim que melhores dias virão.» Ou: «A nossa governação assenta nos mais grandiosos projectos das nossas centralidades, no rumo de uma nova vida e bem-estar das nossas populações. O futuro é por isso mesmo certo. Brevemente, prometo-vos que a pobreza, a fome, e a miséria das populações melhorarão significativamente.»
Os políticos idiotas são demais, em maior número, claro, têm tudo a seu favor no analfabetismo projectado, bem programado, para vencerem. Estão em todas, por todo o lado. São os senhores, os melhores em tudo, intocáveis, até deixaram de ser pessoas, são génios, deuses, os tais imortais que vindos do Olimpo se disfarçam entre nós de humanos.

Em Cuba, a partir das dezoito horas há recolher obrigatório, o policiamento entra em acção. Os estabelecimentos fecham, logo, ninguém vende nas ruas. Ainda existem destas coisas pelo mundo fora, como se fosse uma partícula que as leis da Física desconhecem.
Vontade dos príncipes jingolanos para implantarem tal saudosismo leninista não lhes falta, mas o povo jingola já jurou: leninismo nunca mais. Apenas se lamenta que a miséria prossegue e que os estrangeiros aos poucos lhes invadem a terra, e os olham como estorvos para o prosseguimento da sua ocupação total e completa. Mas, brevemente isso acabará, prometem muito convictos, os sem a escada do futuro.
Quem tomar o poder pela força, também pela força sem ele ficará.
O jingolano já aprende a manifestar-se. Quase todos os dias assim acontece. Até que mais dia, menos dia manifestar-se-á na totalidade e ninguém o conseguirá apaziguar, parar.
Reino maravilhoso, onde até vulgares contrabandistas de armas são recebidos e honrados como heróis da pátria, no navio alcoólico que nada em álcool e que depois nele se afogam.

Vinte e uma horas. Ouve-se um estrondo muito forte, tipo daqueles dos escapes das motorizadas dos nossos gloriosos malucos das motas voadoras. Espreito da varanda e vejo cinco carros danificados. O causador do infausto acontecimento é um vizinho que mal consegue sair da sua viatura. Acaba por desenvencilhar-se do interior do seu bólide alcoólico mas, mal consegue equilibrar-se. Está escravo, possesso pelo álcool, um dos carros terá que ser substituído por um novo, o motor faleceu. O álcool, tal como uma epidemia alastra-se vitorioso. É caso para dizer: contra milhões de alcoólicos – essa instituição nacional - ninguém combate. O arrasador justificou-se, alegou em sua defesa: fui encadeado pelos faróis do outro carro. Claro, do outro veículo alcoólico.

Estavam mal preparados para a guerra, que não passou de mais uma negociata, quanto mais agora para governar um país.
A única coisa que funciona é os dividendos do petróleo nas contas bancárias da nomenclatura. Esta tragédia vai passar a figurar como um acto normal. É assim como uma espécie de quarto-mundista. E uma espessa cortina de chumbo caiu sobre Jingola.
O melhor indicador da nossa pobreza é o petróleo. Quanto mais o preço sobe, também a nossa miséria. Que paradoxo, não é?!

A mãe com as duas tenras crianças, uma às costas e outra a arrastar os pés pelo chão, já sem forças, dominada pelo doentio poder do petróleo. Senta-se num pequeno muro do diminuto jardim de uma instituição bancária, ou melhor, tentou, porque um zeloso segurança sempre no cumprimento das deificadas ordens superiores, de que essa gente vem para aqui fazerem-nos feitiço, são todas feiticeiras, e as palermices habituais de quem obteve dinheiro sem trabalhar:
- É pá, não podes estar aqui!
- Porquê, vocês também compraram os passeios?
- É pá, ó senhora, é melhor bazares já, não sabes que Jingola tem dono, não é?!
- Esperem só, que a vossa hora está a chegar, vão pagar muito mal pelos males que nos fazem. O castigo será terrível.
E a espoliada até dos passeios ruada, parou mais à frente, encostou-se num pilar, relíquia do tempo colonial ainda milagrosamente viva, e deu de mamar ao mais pequenino, enquanto a outra criancinha chorava-lhe encostada no ombro da fome ainda não melhorada, nada mitigada. E os novos-ricos descem dos seus veículos luxuosos, adquiridos na corrupção petrolífera, e olham-nos, a mãe e as suas crianças como lixo humano. Como são do poder principesco, lá insistiram com os seguranças para que retirassem o estendal humano da rica paisagem petrolífera. O petróleo é a força, o rei dos poderosos, e o inimigo dos andrajosos.
Para onde olhássemos deparávamos sempre com o mesmo incomensurável cenário: um oceano de homens fardados, e outros à paisana da secreta do rei vigiavam para que a manutenção do poder se perpetuasse, porque os reis não reinam na terra mas no tempo eterno. Quer dizer, há dois tempos: um para os reis, imortais, e outro, o dos pobres mortais.
Jingola, como reino exemplar da injustiça, o seu rei marimbava-se para a justiça popular revolucionária dos pneus incendiados na cabeça dos sentenciados desgraçados, imolados. A moda estava de tal modo disseminada que dir-se-ia como os inúmeros concursos de misses disto, daquilo e daqueloutro. Era perfeitamente naturalíssimo despertar de manhã e assistir ao macabro teatro de cadáveres rodeados, queimados pela justiça do pneu queimado enfiado no pescoço das vítimas, que morriam incineradas pelos desmandos do tentarem surripiar qualquer coisa ao êxodo dos esfomeados. Era, de certo modo, uma concorrência desleal aos corruptos petrolíferos, que não cansados do espúrio das terras, dos parcos bens do outro povo. Sim, Jingola, tem dois povos. O dos que usurparam o poder e o dos que nada têm, apesar de hipocritamente lhes chamarem de, o nosso povo.

Imagem: povodearuanda.wordpress.com

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A VELA DA EDEL É A MINHA COMPANHEIRA FIEL


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mia Couto
E esta adaptação de António Aleixo, (1899-1949) adequa-se perfeitamente ao nosso Estado da Nação: Se conheces um corrupto/ e o pretendes enfeitiçar/ chama-lhe honesto/ se o pretendes dominar.
Há trinta e seis anos que se fazem estudos para resolver o problema da energia eléctrica, da água e da habitação. O estudo para combater a pobreza é muito complicado devido às assimetrias abrangentes a jusante e a montante do sistema, o que implica uma menos-valia macroeconómica. O único estudo que se fez até agora e se cumpriu, cumpre, a cem por cento como todos sabemos, e que funciona em pleno é a corrupção. É impossível uma manifestação a exigir o fim imediato dos cortes na energia eléctrica? Da água, da miséria e da fome? Quem não nos consegue abastecer de energia eléctrica e água, ainda nos faz mais promessas? É que não podemos viver como se estivéssemos assolados por terramotos, vulcões, ciclones e todas as intempéries conhecidas e desconhecidas. O que não falta por aí é gente capaz, competente, para dirigir os actuais incompetentes que apenas adquiriram o mestrado da corrupção sem diploma passado, claro, quem sabe se até o têm.
E o que dizem os nossos donos eternos? «O MPLA governa e dirige Angola desde a independência». E mais nos garantem: «Temos que aprofundar a democracia». «E o ocidente impôs-nos a democracia». Claro, em mediocracia nunca pode coexistir a democracia.
E a célebre invenção, invasão leninista: O MPLA tem responsabilidades históricas, da paz e justiça social, do desenvolvimento económico. O MPLA conseguiu a independência de Angola. Não devemos copiar os outros, isto aqui não é nenhuma primavera. Mas já foi um Inverno/Inferno russo/cubano e agora chinês/brasileiro/português/Eternos. No nosso mais que perfeito leninismo ninguém necessita de alimentação, de água e energia eléctrica, pois que o Estado garante-nos as trevas que nos sustentam adequadamente.
Luanda. Falência do sistema da rede eléctrica: Conforme temos vindo a alertar ao longo dos últimos anos, que o fornecimento de energia eléctrica à cidade de Luanda acabaria no caos, devido principalmente às novas centralidades (?), prédios, condomínios, e demais construções anárquicas da nomenclatura que nunca são demolidas, e aí está… um notável desaire devido ao incremento da especulação imobiliária desenfreada. Temos um partido/estado que move gigantescos empreendimentos imobiliários sob exigência de uma classe que: ou fazem o que queremos ou então não há empréstimos nem apoios.
Em declarações à RNA – Rádio Nacional de Angola, no noticiário central das vinte horas, 23 de Setembro, o engenheiro João Barradas da ENE – Empresa Nacional de Electricidade, confessou que Luanda continua com um défice no fornecimento de energia eléctrica. Mais informou que também prossegue a manutenção (?) nas centrais de Capanda e Cambambe, e os projectos de recuperação das turbinas a gás. Lá para Dezembro estará a situação regularizada. Resta comentar que estamos perante mais uma avantajada vigarice para apascentar ao tal milhão de promessas?
No tempo colonial, o da miséria, a electricidade e a água não nos faltavam. E agora, finalmente libertados, essas coisas desaparecerem. Então, libertaram-nos do quê?!
Essas tias novas centralidades que no fundo não passam de meras negociatas, deviam contemplar as províncias, para que Luanda se descongestionasse. Mas não, é precisamente o contrário. Luanda congestionasse ainda mais, até rebentar de vez, sem electricidade e sem água. Isso dos geradores eléctricos, outra grande negociata, é uma utopia, um veneno. Luanda, novas centralidades em execução. A partir das 19 horas os “desperados” assaltam os sacos das senhoras. Enquanto isso os chineses trabalham dia e noite nos projectos imobiliários do Grupo Abençoado, Sarl. O mwangolé desempregado vive do cangaço. Mais um projecto nova-rica. O palmarés da corrupção lança-nos as suas garras. É como a energia eléctrica da fraude, em que se segue mais um apagão. É impressionante como uma família, um grupo de pessoas mantém Angola sobre permanente estado de sítio, isto é, sem energia eléctrica e sem água, como se de sitiados se tratassem, mas é que estamos mesmo sitiados. Mas esta governação nunca mais se acaba, apaga? A Dilma Roussef disse que Angola está no caminho certo, então ela e o Brasil estão no caminho errado? A quadriga do Poder arrasta-nos para a arena deste circo romano, sem bóia de salvação. Sofremos mais uma interrupção no fornecimento de energia eléctrica, coisa muito normal, pois há mais de trinta anos parece que estamos em guerra. E manter-nos no ciclo reprodutivo sem água, sem energia eléctrica, sem direito a nada, apenas com a garantia da miséria, e entregar-nos as almas aos estrangeiros. Pensam e decidem em tudo. Mas esquecem-se que Angola tem população. O dinheiro do petróleo sobra em demasia na minoria. E nunca chega, nunca beneficia a grande maioria. Quando se houve muito estardalhaço sonoro das escoltas policiais, buzinas sempre estridentes no dia-a-dia deste caos irremediável, são os nossos governantes muito apressados, estressados, muito preocupados na resolução dos problemas do nosso sofredor e infeliz, mártir povo.
E a oposição não consegue uma manifestação nacional para a reposição do sinal a todo o espaço da República do Petróleo de Angola. Porque sem informação é impossível acontecer, a oposição sobreviver.
Isso de que a nossa vida vai melhorar… os preços sobem desordenadamente. Está certo, isto é o diabolismo, porque a nossa vida (?) está a piorar. Eles estão a nos infernizar. Este é o trânsito da nossa política engarrafada. Com duas rádios e dois jornais e restrições na internet, estamos no totalitarismo absoluto, absolutismo.

A água para todos e para ninguém.
E vi uma doença que afligia muito os nossos novos-ricos. Derrubavam paredes e voltavam a edificá-las, e tornavam a parti-las e outra vez as erguiam e repetiam esta desgraça, incansáveis. E compreendi o porquê deste mal que tanto os aflige. É que o dinheiro do petróleo é tão imenso nos bolsos deles. Que além do harém concubino, não sabem como o gastar. E assim justificam-no no parte/derruba paredes. É o secador, apagador das nossas vidas. Eu quero governar sem parar. E a água, a energia eléctrica lhes vou tirar.
Uma invasão de mercenários estrangeiros e de bancos da razia com esquemas de nos afastarem e demolirem as nossas casas para construírem os seus prédios. A energia eléctrica e a água estão também nestas condições de espoliação. Roubam-nos os empregos para eles, para as suas famílias e amigos empregarem. Tudo o que é feito com base na trapaça, vigarice, a mentira, corrupção, origina que fiquemos sem o mais importante: a energia eléctrica e a água. Que em Angola nada funciona? Dizem, mas a corrupção abunda em força.

Haverá alguma solução para trinta e seis anos sem soluções?
Que fique bem claro: o insulto infundado é a arma dos imbecis e dos canalhas.
Em Angola não existe ditadura, o que existe de facto é uma feroz repressão, mas ditadura, isso não. No fundo são como os islamitas, não deixam construir igrejas cristãs, nem tão pouco praticar o culto, mas disseminam as suas mesquitas por todo o lado. O clima adensa-se, está carcomido, e será devorado pela sua intolerância política. O nosso futuro e o nosso destino estão traçados na nossa luta correcta rumo ao paraíso celestial que o nosso partido da vanguarda há muito nos traçou. O nosso rumo é só um, o nosso e mais nenhum.
A nossa vanguarda revolucionária segue os trilhos dos grandes líderes mundiais, aqueles que ofereceram as suas vidas pela causa justa das lutas dos povos sofredores, e agora finalmente libertados. Na nossa Pátria, Angola, edificámos finalmente o socialismo científico, a ciência dos povos oprimidos, e o nosso povo caminha feliz rumo ao desenvolvimento. O nosso líder máximo, eleito naturalmente pelas massas está atento, e qualquer tentativa de desvirtuar a nossa revolução, será severamente punida. Vivam os povos oprimidos de todo o mundo! Viva a classe operária e camponesa!

Martelo demolidor ataca sites angolanos
O martelo demolidor arrasou o Club-K, Angola24horas, e a makaangola do Rafael Marques, foram demolidos para nos seus lugares se edificarem novas centralidades com dinheiros públicos. Estas medidas estão enquadradas no novo plano de reconversão da informação angolana recentemente aprovado pela mais alta estrutura da Nação, com o apoio dos habituais amigos estrangeiros.
Depois do término destas centralidades por construtoras chinesas, brasileiras e portuguesas, a informação em Angola dará saltos muito qualitativos, antevendo-se uma mais-valia significativa no bem-estar das populações.
É o Governo de Angola a trabalhar para o nosso bem-estar. Só quem não o compreende o pode insultar, sempre pelos mesmos mal-educados, invejosos, arruaceiros que não desejam o bem do povo angolano. Este povo tão escravizado, tão torturado, tão espoliado, das casas desalojado pelo sempre mesmo imperialismo internacional e seus lacaios internos que nunca desarmam.
Angolanos e angolanas, não se deixem levar pelas falsas informações que esses vende-pátrias lhes promovem. A liberdade e a democracia vivem num só partido: O partido de sempre, aquele, o tal da vanguarda revolucionária. Muitas vitórias nos esperam. E a principal delas, a pobreza, em poucos dias terminará.
A coisa está feia, até as praias privatizaram.