quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Rádio Ecclesia está de aniversário


Os anos, cinquenta e seis, os aniversários vão passando e a Rádio Ecclesia se vai implantando.
Aproveito para felicitar a sua jovem direcção, e os seus colaboradores pelo excelente trabalho que desenvolvem na abertura das portas sociais a toda a população angolana.
Lamento que até agora a nossa Rádio Ecclesia ainda não chegue às populações ansiosas pelo seu sinal rádio até agora (trinta se seis anos), interdito por um Poder que receia a sua evangelização. Mas brevemente a democracia se consolidará definitivamente e a nossa Rádio Ecclesia brilhará com força como um planeta que do céu nos ilumina fortemente.
Só a verdade da informação nos liberta.
Parabéns!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (02)


A
Marina Paiva

- Muito interessante é escutar um secular alaúde. – Sentenciou o Branco, como se estivesse numa aula de música
O Trovador gostou do que ouviu, tocou e cantou: Todos os partidos/ falam em eleições/ não falam no bem do povo/ querem ser mandões/ não ensinam o povo/ que quer ler/ todos querem/ o poder/ Os deputados estão a pensar bem/ querem aumento de vencimento/ enquanto os esfomeados da Tchavola/ dormem ao relento.
- Esse tipo trova de mais. – Provocou o Vodka.
- Já está bêbado. – Disse convicto o Almirante.
- Gosto muito do som do alaúde. – Aplaudiu o Branco.
- São instrumentos musicais dos brancos. Não tem nada a ver com a nossa cultura. – Retorquiu o Vodka.
- Se não gostam, deixem ouvir quem gosta. – Redarguiu o Branco.
O Trovador notou que alguém gostava de o ouvir tocar. Ajeitou-se e recomeçou:
- Neste país sem fim, canto de província em província,
Há mais de quinhentos anos/ com o meu alaúde e uma tela/ toco os sons e retoco as cores/ do que ainda se chama Benguela.
Ruínas vi, só vejo ruínas/ e um rei que governa a ralé/ os mortos e os esfomeados/ aguardam-no no Bié.
Lá começou o Reino do Congo/ parecia uma história linda/ agora dele só resta uma riqueza/ o petróleo para o novo Rei de Cabinda.
Muito lá no fundo muito esquecidos/ como os conquistados de Marraquene/ abandonados na selva perdida/ estão sem reino os do Cunene.
Trinta anos de celeiros vazios/ nem dá para viver do escambo/ as vozes da oposição terminaram/ não há futuro para o Huambo.
Considerada a beleza do Universo/ mulher e gloriosa mumuila/ já nem para turismo servem/ as abandonadas da Huíla.
Também andei pela Argentina/ e de lá trouxe um tango/ temos que mudar a dança/ nas terras do Kuando Kubango.
Vi populações que nascem/ sofrem sem nenhuma sorte/ um destino cruel sem futuro/ no quilombo Kwanza Norte.
Parei no Wako e no Sumbe/ parece que o mar ainda é azul…
O Vodka gostava, ou melhor odiava, pouco de poetas, de filósofos e nada de trovadores. Levantou-se do assento que era uma tábua em cima de dois tijolos. Mostrou o seu corpo alto e muito forte. Ameaçou:
- Mandem calar esse gajo senão ainda vamos presos. Estamos aqui para nos divertir e beber o nosso copo. Essa conversa não nos interessa. Não quero saber de política nem de discussões intelectuais. Vamos beber o nosso copo que é o único amigo em quem confio.
Surgem três indivíduos desconhecidos, provavelmente da secreta, que cercam o Branco. O Almirante pergunta ao Vodka:
- Sabes quem são?
- Não.
Vodka aproxima-se das personagens e exclama-lhes:
- Boa noite! Aqui somos todos militares!
- Sim boa noite. Não há problemas. – Respondeu um deles.
- Ó Branco! Fica aqui no meio de nós. Assim ficas protegido. – Aconselhou o Almirante.
No centro do sítio do Pauauschwitz estava um embondeiro com muitos anos de vida. Lembrava a majestade de uma estátua de elefante. Como não havia onde descansar o trabalho que os rins fazem depois de beberem muito líquido, neste caso cerveja, era o local adequado onde todos urinavam nas muitas dezenas de anos ingloriamente terminados, pelo ataque da urina a destruir a terra onde as raízes humanas da vegetação não resistiriam por muito tempo. E havia alguém que habitualmente gritava:
- É hoje, vou matá-los, vou matá-los!!!
- É pá! Chegou o Parricida. – Alarmou-se o Almirante.
- E está com os olhos muito vermelhos. – Corroborou o Vodka.
- Ninguém se meta com ele. Quando está assim faz confusão com toda a gente. Vou falar-lhe – Disse a Liberdade preocupada.
- Ó Parricida... vem cá meu querido.
- Ninguém gosta de mim.
- Eu gosto.
- Não confio em mulheres, não confio em ninguém.
- Não gostas da Liberdade?
- Não.
- Então és um caso perdido.
- Sou.
- Não gostas de mim?
- Já disse que não. A minha Liberdade é as minhas livres bebedeiras. Hoje vou matá-los. Filhos da puta de pais, hoje vou acabar com eles.
- Pai só há um.
- Filho também.
A Liberdade viu o seu tempo perdido. Apelou para o Almirante. Ele viu a questão devido ao olhar que ela lhe lançou. Ele é o mais culto dos apóstolos. Alto e magro, sempre resolve calmamente qualquer contenda. No tempo colonial era professor do sétimo ano. Os assessores militares estrangeiros sentiam-se envergonhados, inferiores, perante reuniões de estudo às quais comparecia. E falou, ou melhor, dissertou:
- Parte dos meios justificam alguns fins. É um desejo reprimido, frustrado. Como não consegue o que quer, isto é, enriquecer facilmente como toda a gente nesta sociedade, imagina… quer uma mulher e colocá-la em casa… mas os pais estão lá. Então para conseguir isso, bebe para lhe dar alento à selvajaria primária e matar os pais para ficar com a casa. Posteriormente vendê-la e gastar o dinheiro em infindáveis noites com mulheres pouco claras, no aspecto de vida social. Depois tentará o suicídio, insistirá e acabará inevitavelmente com a vida.
- Explicar o suicídio é assim tão simples? – Espantou-se a Liberdade.
- Sim. Não tenhamos ilusões. Em qualquer sociedade o suicídio existe. As regras são muito rígidas. Entre nós é a miséria. E quem não consegue adaptar-se, o único caminho é acabar com a vida.
- Entendo, são os tais alienados.
- Precisamente.
- Almirante, acho que as democracias aumentam o número de suicídios, porque será?
- Acredito que uma das falhas se deve, com o tempo, ao esquecimento das minorias. No início a democracia surge como defensora de pequenos grupos, mas ela de facto não têm nada para lhes dar, ficam a viver à margem da sociedade, e só são lembrados em tempo de eleições. Como sentem que a sociedade os abandonou, resta-lhes esse caminho. O cume é quando surge o suicídio colectivo, como por exemplo o que sucede em todas as épocas porque quando o ser humano não encontra o caminho do seu interior, avança, escolhe o mais fácil, a morte em grupo comandada por um qualquer que afirma que encontrou o caminho para o reino do Céu. Como o que acontece amiúde... não pretendem matar os pais, ao invés, incendeiam carros e desmandos conexos. É um alarme. Se as coisas continuarem, e não forem encontradas soluções, como por exemplo a revisão da democracia para os tempos da globalização, acredito que os suicídios serão uma epidemia mundial.
- Pior que a Sida?
- Acho que sim. O nosso modo de viver é mais preocupante, porque perdemos a noção mais fundamental da nossa existência, que é a família.
O Parricida olha para o embondeiro e começa a falar com ele.
- Ó embondeiro dos seculares segredos. É hoje, vai ser hoje. Vou apunhalar esses malditos pais. Depois vou enterrar o punhal com o sangue nas tuas raízes, para que o parricídio seja lembrado. Malditos pais que me geraram. E maldita seja a sombra cúmplice da tua hipocrisia.
Imagem: ... Blake ilustrando O sonho de uma noite de verão de William Shakespeare.
peregrinacultural.wordpress.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (01)


Prefácio
A
Marina Paiva

A ideia para escrever este trabalho surgiu-me pela caterva de pesadelos ao vivo dos grupos de jovens, que marginalizados pelo despertar das manhãs, em algazarras o mais possível desordenadas, isto é, no cumprimento do dever de despejarem cerveja, vinho e depois uísque pelas goelas abaixo, entregando o país nas mãos de Baco. Creio que é a maior das epidemias que os nossos jovens enfrentam nesta também jovem, incipiente, dolente e dormente democracia.
Curiosamente quase que não existem debates, ou números que nos alertem sobre esta invasão que irá destruir o que em tão pouco tempo foi alcançado, o fim da guerra. Exceptuando os debates das maratonas patrocinadas pela governação, nada mais até agora foi tentado com êxito. Mas os esforços prosseguem… em vão.
A juntar a isto, e creio que tem uma relação, são duas expressões muito utilizadas agora no quotidiano: «depois telefono, amanhã falamos.» Que significam: não vou assumir nenhum compromisso. Alarmado pelo rumo que o nosso futuro está a tomar, já tomou, decidi escrever sobre a grande instituição nacional: o alcoolismo.
O regresso ao deus da mitologia romana, Baco. O bacanal dos alcoólicos que afogam a sua revolta na bebida.
Actualmente quando não se tem espaço em casa para a última despedida de um defunto, ocupa-se o passeio, e depois a rua principal. A maioria dos frequentadores, espectadores, são jovens, meninos e meninas que bebem, melhor, ou pior?, encharcam-se em álcool sem desmamarem/descansarem.
G.G.

Os projectos são elaborados por agências situadas no exterior, às vezes na capital do país, em Bissau. Para um projecto de um milhão de dólares destinado ao desenvolvimento rural, por exemplo, cerca de 15% já são consumidos por taxas administrativas da agência de execução, seja ela a FAO ou outra qualquer. A agência de execução recrutará peritos para executar o projecto, já que os técnicos são raros no país. Estes técnicos custam actualmente algo da ordem de 7.000 dólares por mês. Antes de chegarem os técnicos, é claro, há missões sucessivas: missões de identificação de projectos, missões de estudo de factualidade, de estudos de execução técnica. Durante o projecto há missões de acompanhamento de execução. É normal a metade dos recursos fornecidos ser consumida neste processo, voltando assim o dinheiro oferecido para os países ricos, sob a forma dos salários elevados dos técnicos. Depois, vem o equipamento: os carros para o pessoal do projecto, o equipamento de campo, fotocopiadoras, máquinas de escrever, frequentemente instalações de conforto mínimo – mínimo do ponto de vista Norte – que podem perfeitamente comer mais um quarto do financiamento. Caso tudo se passe bem, teremos cerca de 25% dos fundos fornecidos que chegarão ao destinatário oficial, o camponês, sob forma de assistência técnica, de apoio moral, ou às vezes de insumos concretos. In Ladislau Dowbor. Guiné-Bissau. A busca da independência económica. Editora Brasiliense-1983.

Rua das Sirenes, Luanda, Angola.

Na Rua das Sirenes, os doze magníficos apóstolos da cerveja estão reunidos no sítio do pau. Um pequeno largo de terra que chega e sobra para receber os amáveis bebedores. O número tende a aumentar, mas não consegue ultrapassar as noites, porque estas são eternas, eles não. O nome de sítio do pau surgiu devido ao que sobrou de uma árvore, apenas o tronco. Como os ramos incomodavam os vizinhos, optou-se pelo mais fácil, o corte, a destruição. Mais uma noite será consumida. Chegam as primeiras cervejas.
- Senhora traga mais uma dose, esta noite está muito quente. – Pediu o Vodka.
O Almirante chega sempre com a camisa solta. Os três primeiros botões são esquecidos, como se não existissem. O Vodka chama-lhe a atenção com o olhar. Ele encolhe os ombros e diz:
- Não liguem, estou de acordo com a actual conjuntura.
Bebe uma cerveja, sente-se satisfeito e prossegue:
- Já bebi uns bons uísques, acho que estou com os copos. Daqui a pouco estaremos todos bêbados neste campo de concentração do Pauauschwitz. Os campos de concentração onde as pessoas morrem à fome ainda não acabaram. Pelo contrário, aumentaram. Estão espalhados por todo o mundo. O seu comandante é o Presidente das Nações. Não queremos mais campos de concentração. A hipocrisia não tem limites. Milhões de esfomeados a morrerem à fome em todo o mundo. Isto não é campos da morte? Não é o ressuscitar da solução final nazi? Exterminar pela fome as raças inferiores, e proclamar a raça superior, não se nota nenhuma diferença. Tive o cuidado de prevenir. Estamos bêbados porque não temos Liberdade.
- Boa noite Almirante.
- Boa noite Liberdade… deixa-me acabar.
- Como dizia… uma imagem abre-nos o caminho para todas as outras. O que distingue as cores de duas ou mais pessoas são os nossos olhos. Se o nosso cérebro visse uma só cor, não existiriam raças. Se visse tudo escuro, não conseguiria distinguir a noite do dia. Se visse tudo claro, não conseguiria distinguir a noite. E ao surgir um grande incêndio numa noite muito escura, não distinguiria a cor das chamas. Morreriam todos, os claros e os escuros. A palavra Deus aqui é proibida. Assim acaba de falar o Almirante Zaratustra.
- Que poder de retórica, tão eloquente é este nosso amigo. – Elogiou a Liberdade.
- A nossa melhor amiga é a bebida. VIVA A NOSSA LIBERDADE! – Acrescentou o Almirante.
O Vodka e o Almirante olham com reprovação para alguém que se aproxima.
- Pronto, está tudo estragado, chegou a merda do Poeta. – Disse o Vodka.
O Poeta com a inspiração das cervejas escreveu alguma poesia. Começa a gritar:
- Isto é para a minha querida Liberdade.
A sua cor quase escura (chocolate) / melhor que a noite/ como luzes nela perdidas/
Contudo dia e noite/ mostra-me sempre a beleza/ Tenta falar-me/ e mostrá-la/ mas não consigo encontrar/ a luz clara das suas noites/ e entra-me sempre com a sua beleza/ Caminha sempre na minha direcção/ fico sempre com receio/ das tempestades/ porque ela vem sempre abrigar-se/ e mostra-me a sua beleza/ melhor que a claridade/ das noites
Apenas uma pessoa bate palmas. É a Liberdade. Nota-se algum mal-estar nos presentes.
- Gostei muito meu querido Poeta. – Disse a Liberdade.
- Ainda não acabei, tenho mais. – Lamentou o Poeta.
- Nós também gostámos, mas preferimos a poesia arrebatadora da cerveja. – Disse o Almirante.
- Só faltam o Trovador e o Filósofo. – Lembrou-se o Vodka.
- Parece que adivinham, acabam de chegar. – Anunciou a Liberdade.
- Boa noite meus senhores e preciosa Liberdade. – Cumprimentou o Trovador.
- Muito tempo ausente. – Lamentou o Almirante.
- Andei em campanha pelas províncias. Trovei muito. As pessoas riram bastante e perguntaram donde é que este maluco saiu. - Historiou o Trovador.
- A tocares com um alaúde parece que viestes de outro mundo. Aqui ninguém liga a essas coisas. - Esclareceu o Almirante.
Deixem-me cumprimentar o que resta da nossa Liberdade. – Pediu o Filósofo.
- Estão sempre a pensar em mim. – Entristeceu-se a Liberdade.
- Estou a referir-me à cerveja. – Elucidou o Filósofo.
Este pega numa cerveja e quase a acaba. Fica pensativo, claro, e diz:
- É estranho. Quanto mais dialogamos com a Liberdade, mais nos sentimos sós. Quanto mais entramos no seu mais profundo, menos a compreendemos. Será por ser feminina?
- Apesar de ela ser bela, mostrar a sua beleza e isso é indiscutível. – Acrescentou o Almirante.
- É sempre bela como a noite que chega e depois se desvanece. – Continuou o Filósofo.
- Quanto mais trabalham a sua beleza mais desgraça nos trazem. – Ajudou o Vodka.
- Nunca consegui perceber porque é que ela aprecia aparecer no brilho da noite. – Intrigou-se o Almirante.
- Gosta da noite quanto mais escura melhor, não sei bem porquê. – Filosofou o Filósofo.
- Mulher sem usar perfume não tem valor. Trovou o Trovador.
A Liberdade observava os seus companheiros enquanto bebia uns copos. Disse:
- Parece que sou a única pessoa que existe. Não se cansam de falar de mim.
- És uma Liberdade muito oprimida. – Disparatou o Filósofo.
- Opressores são os seres humanos. Terão todo o tempo que vos prometi. Aguardem que lhes mostrarei toda a verdade. Terão toda a verdade que procurais. Aguardem que conhecerão tudo. Todas as pessoas que encontrarem serão aquelas que lhes envio, para lhes ajudarem a conhecerem a verdade. Não as desdenhem, elas são os meus anjos disfarçados de pessoas vulgares. O mais importante na nossa vida é conhecer a alma das pessoas.
Ouve-se o som agradável do alaúde do trovador. Apresenta-se mais um apóstolo.
- Boa noite divinos apóstolos!
- Boa noite ó Branco. – Cumprimentaram em uníssono.
- Pago uma caixa de cerveja! – Prometeu o Branco.
- Isso é bom para clarear as nossas ideias. – Afirmou o Almirante.
- Estou de acordo, até porque as pessoas despertam-me sentimentos desconhecidos. – Disse o Branco.
- Só faltava a aula de retórica. – Aborreceu-se o Vodka.
Imagem: minhavidanaarte.spaceblog.com.br

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Alguns respigos do nosso jornalismo


Assim vão os nossos locutores/jornalistas
No noticiário da LAC das dezanove horas do dia 1 de Dezembro:
«Deslizamento de terras na Indonésia devido às chuvas… a sul da Somália.» Creio que o nosso locutor/jornalista queria referir-se à ilha de Sumatra.

Intimidação no registo eleitoral e voto?
Um jornalista militante da Angop faz a sua propaganda eleitoral:
«Quem não se registar e quem não votar, vai-se arrepender, sofrerá as consequências.»

Jornalismo cómico.
«Depois da manutenção, o segundo gerador entrará em funcionamento neste mês de Dezembro.» In RNA

Para terminar mais um devaneio de um dos nossos governantes na RNA:
«O milhão de casas, não foi possível a sua construção devido à conjuntura económica mundial desfavorável.» Bento Souto, director do gabinete da requalificação dos bairros Cazenga e Sambizanga.»
Pobres bairros, descartáveis (?) pois que a conjuntura económica mundial está-nos cada vez mais muito desfavorável.



O Senhor dos geradores


Nunca espero nada de um soldado que pensa. Bernard Shaw (1856-1950)
E de Malthus (1766-1834) que "os pobres vivem do esbanjamento dos ricos".
A criação do céu e da terra e de tudo o que neles se contém
No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã o dia primeiro. In Génesis, 1,2,3,4 e 5.
E o Senhor dos geradores compreendeu a mensagem bíblica, que por sinal não é assim tão difícil, tão ocultista, tão para estudo como os leigos apostam. E vai daí, na sua mente fez-se luz. E sentindo-se que descobriu algo de novo na Bíblia, é sempre assim, como um enviado de Deus, que com Ele têm visões maravilhosas, veio-lhe uma ideia incrível, própria de grandes chefes, grandes líderes, sábios condutores de povos. E como uma centelha divina, mais uma, que lhe penetrou, iluminou no âmago do seu pensamento, eis que a verdade, mais uma vez, emergiu à superfície como talvez alguém em risco de afogamento e que conseguiu salvar-se por milagre, e de imediato chamando os permanentes publicadores de decretos, decretou-lhes: «Finalmente, descobri o modo mais simples e eficaz de iluminar a nossa pátria e a nossa população e demais comunidades… vamos importar geradores aos milhares, aos milhões. Apressem-se na criação das empresas nacionais necessárias, as do costume, e mandem carregar navios, aviões, os oceanos com geradores. A questão da energia eléctrica está definitivamente sanada. Se todos os problemas fossem como este, viveríamos no Universo em paz, em felicidade. Com geradores instalados nos terraços, nas varandas, no interior dos prédios, nas ruas, em todos os cantos e fora deles, a felicidade do nosso povo está garantida. Vendam-nos a crédito porque as eleições aproximam-se. Decreto que a partir desta data a felicidade e harmonia do nosso povo são um facto.»
E o PIB cresceu tremendamente, com a venda dos geradores, claro. Atingiu-se o que há muito se procurava em vão, o desenvolvimento económico e social. E todos os povos do mundo nos copiaram. Abandonaram os métodos tradicionais de energia eléctrica e vá de rompante para os geradores. Vivam os geradores e os seus mentores. Avante, povos de todo o mundo!
É evidente que estes gloriosos pressupostos não duraram, aguentaram muito, porque o que no princípio está errado, no fim sai erradíssimo, isto é, as habituais situações catastróficas dos erros crassos da governação, que só pensa no ambiente político e na corrupção a seu proveito. O sonho desmoronou-se porque eram incêndios, mortes e destruições constantes por todo lado. Nem ao menos se lembraram, parece que o mais importante dos governos é incendiarem as suas populações, da poluição porque o que interessa é vender, vender, morra quem morrer.
Pelos vistos desconhecem o fenómeno humano. O que por aqui se passa é a mais pura originalidade e naturalidade dos sentimentos humanos visíveis em todas as latitudes, longitudes, na terra, mar e ar. Quem não se sente humano, ou ainda não o descobriu, então que se ponha em debandada, isto é, estratégica retirada.
Há homens que fingem lutar pela democracia, e por isso mesmo se perdem nas nuvens e ninguém mais os encontra. Mas, pelo contrário, há homens que lutam, manifestam-se abertamente contra as ditaduras e nos abrem as portas da Democracia e da Liberdade. O seu lugar no Panteão da História da Democracia está assegurado, conquistado. Sem democracia e liberdade jamais haverá paz.
E o Senhor dos geradores encaminha-nos para o único degrau da escada partida, que ele partiu, que nos resta, o grande tombo final do catálogo da irreversibilidade do tempo.
Não necessitamos de políticos, podemos e devemos seguir o nosso futuro sem intermediários. Já viram os gastos para manter a classe política? Como se fossem sacerdotes das mais de mil e uma religiões que aqui fazem morada e dela não querem sair porque são os intermediários entre o Poder e Deus. O povo tem que decidir o seu rumo certo, e não caminhar no incerto rumo dos abutres.
E a campanha publicitária que o Regime faz a William Tonet, catapulta-o facilmente para se candidatar à Presidência da República, e além disso, se ele decide pela criação de um partido político, imaginem os estragos, isto é, a reviravolta que a política angolana ganhará.
Não há nenhum argumento que justifique a permanência no poder de quase quarenta anos. São inimagináveis os estragos causados nos nossos intelectos. Estamos parados, bloqueados no tempo da informação tal como o Club-K e o Angola24horas, sem saída para nenhum local, apenas a forçada, desesperada nomenclatura que estrebucha, sente no chão algo fugir-lhe, o desespero. Presos num túnel do tempo, num temporal sem bibliotecas inauguradas. É impossível manter por tempo indeterminado uma sociedade sob tensão política e social permanente. O seu motor explode, é inevitável. E nós como que ficamos, como que continuamos na selva?
E o futuro da Nação, o exército da prostituição infantil avança pelas ruas ainda não libertas da corrupção. Para quem não saiba, ou não se lembre, a corrupção extrema é a mãe do pai da corrupção. Um casamento perfeito.
E se a oposição o povo quer conquistar no seu seio deve morar, estar. Montem delegações em tendas à Zango, no centro, no interior dos bairros, no âmago da miséria. Então, todos os santos (?) dias centenas, milhares de factos políticos acontecem. É isto a democracia. Mais, na democracia as palavras de pouco valem sem acções, mas quando elas mostram factos então tornam-se muito valiosas. No fundo, é isto que faz a democracia acontecer, viver.
O que complica a vida é a complexidade e a bestialidade de alguns seres humanos. No fundo, não esquecer que ainda somos os animais há pouco saídos das cavernas, na verdadeira acepção da palavra. Basta olharmo-nos num espelho quando nos iramos.
Mais um plano diabólico do nosso poder das trevas? Sem energia eléctrica para acabar com a oposição e entregar mais ainda de bandeja Angola ao imperialismo chinês, ao subimperialismo brasileiro e safar Portugal e os portugueses da bancarrota? É o anátema do rebentar com tudo? As empresas mwangolés não resistirão a mais este diabólico plano de arrasar os que tentam salvar-se da hecatombe da centralidade leninista.
Os amantes do imperialismo interno não desarmam e utilizam o seu principal braço armado, os apagões, para destruírem as inúmeras conquistas obtidas com gigantescos esforços, isto é, sem pão, sem água, sem luz, sem mandioca, sem batata-doce, sem milho… SEM NADA!
Os nossos seguidores do imperialismo, catalogados como o inimigo número um de todos os tempos, o Nero da Humanidade, ousam como lhes é peculiar destruir, derrubar, dezenas e dezenas de postes de alta tensão que, mesmo com o esforço abnegado de todos, demorarão pelo menos metade de um ano, até Dezembro, se eles não os voltarem a destruir, e como são teimosos, não duvidamos que o façam. Vejam os enormes sacrifícios que esta Pátria bem-fadada tem que consentir para que um dia alcancemos a paz, a prosperidade e a felicidade do nosso povo. Não, não, felizmente não estamos sozinhos. Os povos amantes da paz e da liberdade prosseguem no auxílio generoso do internacionalismo proletário. Prova disso é o apoio que a classe operária e os seus partidos de vanguarda e os seus povos, que numa invasão popular internacionalista já quase cobrem toda a extensão da nossa querida Pátria. Eles são a nossa retaguarda segura, a nossa protecção no caso de alguma tentativa de golpe de Estado contra a nossa jovem Nação popular, como essas oposições que andam para aí disfarçadas de partidos políticos. Eles são os guardiães da nossa revolução. Não tentem mais uma vez oprimir-nos, ou verão a força descomunal de um partido comunista da classe operária em acção.
Vamos fazer mais uma manifestação de apoio ao nosso querido partido e seus santos líderes, os guardiões dos cofres da nossa jovem democracia popular.
E louvemos e glorifiquemos as mensagens das imagens do amor. Sem ele não subsistiremos, nada faremos e nesta Angola não venceremos. Deixem-se possuir pelo amor porque ele é sempre o vencedor. Amem as nossas mulheres e, sobretudo, amem-se.
Há um falso amor que usa tentáculos para nos prender, arrebatar. Quando mais tarde descobrimos o logro, sentimo-nos imensamente infelizes. Por isso, ama o amor, e não os seus tentáculos.
Em todos os momentos se desvendam perante os nossos olhos os segredos das mutações constantes que originam a vida. Tudo é composto de mutações, mas o amor não, é imutável.
Nos muros do amor as chamas dos desejos acorrentados invadem as nossas almas e os nossos corações sedentos, nunca saciados de amor.
A vida parou, abandonou-nos e o amor também. Para quê tecer considerações supérfluas, se o amor perdido jamais volta, jamais se reencontra.
Por todo o lado se vê o desespero daquilo em que acreditámos durante as aspirações das nossas vidas. Até no amor que não nos deixou sobras.
Oh! Como são vitalícios os inenarráveis caminhos, esconderijos do amor. Assim como as plantas crescem e florescem, assim o amar o amor se rejuvenesce.
Mulher angolana, minha deusa. A tua beleza arrasta-me até aos confins do Universo. Mas prefiro ficar contigo nos meus braços e nos limites da nossa amada terra.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A cor preta


Faz-me lembrar um livro do Isaac Asimov (1920-1992) que li, onde recrio uma cena muito interessante: na escola, o aluno só escrevia e desenhava tudo com a cor preta. O professor preocupou-se, claro, chamou e falou com a mãe. Acharam por bem consultarem um psicólogo ou um psiquiatra porque a criança não estava bem da cabeça. Decidiram-se pelo psiquiatra. Pegaram na criança e lá foram. Chegaram no consultório do doutor, este olha para a criança e pergunta-lhe: «Porque é que desenhas e escreves tudo com a cor preta?» A criança respondeu muito naturalmente: «Porque é a única cor que tenho.»
Imagem: Buscar o desconhecido, é trazer para si a magia do Universo..."
br.dir.groups.yahoo.com

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (05)


E de repente dei-me a contemplar a beleza da minha companheira Marli. Apesar de olhar para ela, o meu pensamento estava muito longe, num outro planisfério da minha mente, como num mundo perdido que de repente se revelasse dentro de mim, e refugiei-me na força incontida do amor.
Os dias de sol florescem e rejuvenescem as fortalezas do nosso amor. Onde existem seres humanos, há sempre alguns que confiam na sinceridade do amor. A nossa luta, a nossa esperança, são sempre as risonhas primaveras anunciadas no piar dos chegados pardais na nossa janela, na busca de algo para sustento, e também, porque não, do nosso eterno amor.
As velhas árvores contemplam-nos no jardim da nossa infância, na companhia das crianças que aprendem a viver. Não percamos a esperança dos dias sem amor. Plantar o amor, eis o nosso futuro, eis a nossa colheita. O amor é o poder do nosso segredo.
As multidões desorientam-se porque perderam, não sabem o rumo do amor, e mortificam as nossas almas. Temos de conseguir agarrar a última carruagem do amor, antes que removam os seus carris. Pensemos, renovemos os gestos e as carícias do amor. Há sempre tempo para tomar uns goles de amor.
Quando nos damos conta, verificamos que a maior parte dos nossos pensamentos vão para o amor. Amar não é morrer, é viver. O amor é o nosso exército, a chave dos nossos êxitos.
Quando contemplo os campos regados de sol, ondulados pela suave e convidativa aragem, e o plantio sobrevoado por quantidades de insectos e passarada, é mais um hino de amor que recomeça.
Os nossos olhares ainda não se cansaram dos horizontes arrebatados pela angústia da indecisão do amor. Este é o real Universo do nosso sofrer. Quantas surpresas ainda mais nos esperarão neste tempo do amor em vão? A coisa mais preciosa que existe no ser humano é um sorriso de amor. Nele tudo se transforma em beleza. Um olhar terno é o segredo do viver.
Seremos eternamente sábios quando o amor penetrar fortemente nos nossos corações. Temos uma luz forte que nos guia, nos mostra o caminho do nosso interior. Mas é fundamental que ilumine profundamente o nosso coração. Sem ele, o amor, tudo será em vão.

Depois surgiu-me a imagem cândida de uma criança que suspensa de um baloiço numa árvore, enlevada por uma terna névoa, parecendo um sol de neve transparente, talvez um anjo da guarda que a empurrava, balouçava.
Como posso aceitar as lições de moral da igreja, se as crianças à sua guarda ela os mancha com o demónio da pedofilia, que é o seu desastre ecológico?

E os meus pensamentos perseguiam-se, corriam uns atrás dos outros.
Jingola parece a guerra do Vietname envenenada com napalm. As coisas não se fazem num dia, nem em quase quarenta anos de ditadura. E onde houver um terreno, lá está o poder para o espoliar.
As judiarias que constantemente nos acometem, são tantas, tantas, e tão imensas, que fazem com que o nosso ódio se acumule, se concentre, e inevitavelmente acabe por explodir como numa visão de uma poderosa bomba atómica.
Os libertadores libertaram-nos, agora chegou o momento deles nos libertarmos.
É por isso que se interessam e preservam muito a África, o seu rebanho dilecto, da eleição do obscurantismo secular. O terreno fértil da sua espoliação. O deus da África negra nada tem de branco.
Dos cinco cavaleiros do apocalipse, quatro são: a miséria, a fome, a guerra, a peste. O quinto é a Igreja.
Na verdade vos digo meus irmãos, que o céu está infestado de padres pedófilos e de outros que vendem os seus crentes apenas por um litro de petróleo.
Quando a incompetência, a irresponsabilidade e a corrupção teimam na eternidade do poder, a população está condenada à morte? Quanto mais tempo no poder, mais a podridão se alastra, e o cheiro torna-se insuportável de tão nauseabundo.
Quando se houve muito estardalhaço das escoltas policiais, buzinas sempre estridentes no dia-a-dia deste caos irremediável, são os nossos governantes muito apressados, estressados, muito preocupados na resolução dos problemas do nosso sofredor e infeliz, mártir povo.
Os mares estão infestados de tubarões e isso não nos impede de navegar. Jingola é um desses oceanos, e isso não nos impede de lutar. O petróleo exalta os ricos e desespera a revolta dos miseráveis.
Os corruptos são como os alcoólicos. Juram que nunca se corrompem e os alcoólicos também. O álcool comanda a vida. O taxista vinha a cento e cem à hora, é mesmo assim, expressão popular, e voou para o seu eterno lugar. A paz é o que o álcool chama!
É lugar-comum ouvir os lamentos de grande parte dos governantes, de que os problemas de Jingola são muito difíceis e complicados. Quem diz isto não está preparado para assumir os desafios do combate que o espera, não tem competência, e como tal o melhor que tem a fazer é colocar o lugar à disposição para que seja substituído por alguém competente, isto é, que queira e saiba trabalhar. Mas infelizmente não é assim, porque estamos enredados num torvelinho de nada resolver, mas tudo complicar.
Sem contabilidade não há gestão, e por mais volumosas que sejam as receitas petrolíferas, os milhões de dólares desaparecem misteriosamente, como convém dar a entender pela manipulação da informação. E depois aparecem as tais, sempre as mesmas contas bancárias muito gordas, para pagar a compra de veículos limpa-neve onde não a há, e porta-aviões?
Meca tem o seu muro das lamentações. Jingola é o país das lamentações, porque todos se lamentam, não se passa disto, ninguém é capaz de fazer nada. Os tempos mudam, as pessoas de Jingola não.

Breaking news. Martelo demolidor ataca sites angolanos


O martelo demolidor arrasou o Club-K, Angola24horas, e a makaangola do Rafael Marques, foram demolidos para nos seus lugares se edificarem novas centralidades com dinheiros públicos.
Estas medidas estão enquadradas no novo plano de reconversão da informação angolana recentemente aprovado pela mais alta estrutura da Nação, com o apoio dos habituais amigos estrangeiros.
Depois do término destas centralidades por construtoras chinesas, brasileiras e portuguesas, a informação em Angola dará saltos muito qualitativos, antevendo-se uma mais-valia significativa no bem-estar das populações.
É o Governo de Angola a trabalhar para o nosso bem-estar. Só quem não o compreende o pode insultar, sempre pelos mesmos mal-educados, invejosos, arruaceiros que não desejam o bem do povo angolano. Este povo tão escravizado, tão torturado, tão espoliado, das casas desalojado pelo sempre mesmo imperialismo internacional e seus lacaios internos que nunca desarmam.
Angolanos e angolanas, não se deixem levar pelas falsas informações que esses vende-pátrias lhes promovem. A liberdade e a democracia vivem num só partido: O partido de sempre, aquele, o tal da vanguarda revolucionária. Muitas vitórias nos esperam. E a principal delas, a pobreza, em poucos dias terminará.
A coisa está feia, até as praias privatizaram.
Imagem: Cartoon,+Cid[1]. link .cartonista. preço atingido após ataque israelita ao ...
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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Club-k e Angola24horas, os mártires da informação angolana



Há homens que nascem e edificam nações. Pelo contrário, há outros que nascem e destronam tudo à sua passagem.
Épicos, é a designação dos malogrados lutadores da informação, que estoicamente resistem a todas as investidas de um inimigo poderoso, que usa o poder petrolífero para derrubar quem ouse informar as distorções dos poderosos milionários açambarcadores do projecto, há muito que foi por água abaixo, da Nação angolana.
Não se poupando a custos monetários, o petróleo jorra dólares sem parar vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, o nosso inimigo principal da informação desfere golpes sobre golpes, isto é, ataques electrónicos, mais correctamente, terrorismo cibernético contra sites que informam exaustivamente e ao pormenor toda a informação, a verdade que os regimes anti-informação perseguem e destroem.
Ao desenvolver e atacar sites que informam o que o Poder não gosta, contratando profissionais pagos a peso de ouro para o usual ataque DDOS, “"negação de serviço" (Denial of Service, DoS). Mas, afinal, o que é um ataque de "negação de serviço"? Os ataques DoS são bastante conhecidos no âmbito da comunidade de segurança de redes. Estes ataques, através do envio indiscriminado de requisições a um computador alvo, visam causar a indisponibilidade dos serviços oferecidos por ele. Fazendo uma analogia simples, é o que ocorre com as companhias de telefone nas noites de natal e ano novo, quando milhares de pessoas decidem, simultaneamente, cumprimentar à meia-noite parentes e amigos no Brasil e no exterior. Nos cinco minutos posteriores à virada do ano, muito provavelmente, você simplesmente não conseguirá completar a sua ligação, pois as linhas telefónicas estarão saturadas.” In http://www.rnp.br/newsgen/0003/ddos.html
Há uma questão a ressaltar, que como sempre é o erro político que se paga caro quando estas circunstâncias acontecem. Supondo que os dois sites acima referidos têm quinhentas mil visitas, com a publicidade gratuita que o Poder lhes faz, com a constante tentativa do seu silenciamento, então as visitas aumentarão drasticamente para um milhão, dois milhões, e assim sucessivamente até se tornarem os órgãos, os heróis nacionais, de referência da informação angolana, como já é o caso. E como tal ainda mais acirrarão a informação respondendo com mais “violência” e fomentando a resistência nacional contra a opressão da informação.
Quanto mais me oprimes na informação, mais o meu interesse aumenta por ela. Não deixa de ser curioso assinalar que os regimes quando se encontram no desespero, à deriva, sonhando com inimigos por todos os lados, a principal medida é tentar por todos os meios possíveis o fecho, o silêncio de todos os que lhe são contrários. Depois tudo evolui negativamente e lá vem o chavão: nós estamos a lutar contra grupos terroristas que querem desestabilizar a consolidação da nossa democracia, quando na realidade o que se pretende é o bom viver na eterna conspiração da corrupção.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A República das Catástrofes


Também designada por, República das Vinte e Quatro Horas, isto é, em part-time, porque nos fornece luz num dia e no outro não, e também, República do 1 de Abril, isto é, das mentiras. Ou ainda por, República da Manutenção, devido a que há trinta e seis anos, imaginem, estão na manutenção dos grupos geradores das barragens, da água, das estradas, do desemprego, da corrupção, das eleições, etc, e etc.
A corrupção é como um forte terramoto, é um mal necessário.
Provoca-se a falência à la Nosso Super, para depois se obter mais uma bruta negociata. Tá na cara, né?! E assim caminha a impune endemia da corrupção. A propósito: para quando a união de toda a oposição para acabar com a corrupção? Ou têm mais que fazer, coisas mais importantes se levantam? Nós aguardamos a resposta do vosso silêncio sepulcral.
Coisas de Satanás? Então, se não há luz, porque é que as brigadas impopulares da EDEL andam de porta em porta a cortarem/censurarem a luz inexistente de quem não paga o que lhes deve? E quem é que paga a indemnização destes últimos meses em que aconteceram mais apagões do que fornecimentos? Ainda não chegou a hora dos cortes da luz do leninismo?
Há homens que fundam nações, outros afundam-nas.
Breve ponto da situação da escuridão em 22 de Novembro: na loja dos Sênês, (senegaleses), não se vende frango e similares. A Pomobel encerrou porque o gerador foi-se, deixou de ser quem era. Banco Millennium estava sem sistema, e além disso o cartão de crédito entrava mas já não saía, confisco ou quê?! A Rádio de Confiança, Rádio Ecclesia, alertou-nos que o PIB da criminalidade está a subir. Nas nossas casas não vale a pena comprar frescos ou congelados, para quê? Para o lixo, pois claro. As mulheres do peixe que passeiam com ele pelas ruas, também estão no: tô nem aí! É que ninguém lhes compra, não há onde o conservar, excepto novamente o lixo. Acredito que muitas empresas se não forem à falência, pouco lhes restará. Só se houve a gritaria e o fumo tóxico dos geradores. Dos partidos da oposição nada, estão pela lei da escuridão ofuscados, e estão muito exaustos, já não aguentam, perderam as forças, se é que alguma vez as tiveram, devido ao esforço consentido na melhoria de vida das populações. Isto é pura e simplesmente uma CATÁSTROFE NACIONAL! E aqui aplica-se muito bem a sapiência do dito, quem nasce torto, jamais se endireita.
Eu odeio este jogo!
O meu grande receio é que estes observadores da demência independente corrompam o tempo, e eu não possa mover-me nem para a frente, nem para trás. Quer dizer, ficar parado no tempo.
Movo-me pelos labirintos do tempo desencontrado, entre tantas palavras e nada de notável de políticos que já me destoa ouvir, já não os sinto, vejo-os como noutra dimensão, neste tempo que está outra vez em evolução e revolução. Que coisa mais sem sentido: fala-se de tudo e mais alguma coisa, e o amor, que lhe fizeram? Será que o amor e o amar alguém também já é um acto de terrorismo internacional?!
Não acredito em nenhum sonho enquanto o pesadelo da corrupção não terminar.
O nosso eterno líder promete ajudar Portugal a sair da crise. Sai de uma e entra num abismo.
Sempre o retorno do eterno gelo com criaturas Pré-Históricas nele petrificadas, ou a caracterização da demência de Poe ou de Dostoiévski. A lotação do nosso hospital psiquiátrico está esgotada, e por isso muitos loucos andam à solta. O principal sintoma é a bajulação.
Nos países democráticos fazem-se manifestações de repúdio quantas vezes necessárias, até se chegar a um consenso/entendimento. Há mares tempestuosos, mas também há bons navios com bons comandantes que resistem às grandes intempéries político/marítimas, e delas saem vencedores.
O finalmente não existe, porque quando se pensa que o alcançamos, outro começo continua. Resumindo: em política não existe finalmente.
ANÚNCIO. Precisa-se muito urgente: Milhões de cidadãos necessitam urgentemente de partido político para organizar uma manifestação contra a falta sistemática de energia eléctrica e água, imaginem… há trinta e seis anos. Oferecemos bom vencimento mais comissões e demais regalias em vigor.
O primordial dos nossos mestres da tautologia é o quererem ir mais além, mas a cabeça não dá. Querem voar mas as asas neuronais dos seus cérebros engarrafam-se, despistam-se no trânsito da imbecilidade dos comités de especialidade da bajulação. São exímios na arte, pelo que ultrapassam muito de longe qualquer outro bajulador até agora de serviço. Nunca alguns ultrapassaram tantos.
A corrupção e a mediocridade andam sempre de mãos enlaçadas.
Em Angola existem jornalistas ou vulgares comentadores de acontecimentos?
A fé move montanhas e a corrupção move o quê?
Estou baralhado: é o dinheiro que compra a corrupção, ou é a corrupção que o compra?
Mas o que é que se pretende? A nova versão dos campos de extermínio massivo pela fome como na governação de Estaline? Para viver assim, facilmente se prescinde da classe política. Ela deve ser extinta pelo... povo? Então, se os políticos usam a arma da fome para nos liquidarem, não nos fazem nenhuma falta, muito pelo contrário, são apenas um grande estorvo? Então, FORA COM ELES!
Nalguns casos os desmaios já estão solucionados. Quando surge a época das provas, as meninas desmaiam massivamente. Uma desmaia com o medo do exame e logo de seguida, reacção em cadeia, todas desmaiam. Isso já está provado. Em relação aos outros casos, o mistério persiste. Mas, sem dúvida que a miséria e a corrupção se interligam na projecção do golpe do desmaio final.
Hum, quando alguém não entende nada de política e nela se mete, só pode daí advir tragédia social. Não é por acaso que temos muito disto em Angola, e no resto do Mundo nem vale a pena falar.
Campos de concentração infantis. Os mosquitos atacam-nos de acordo com as leis da incúria humana. Há sempre muito dinheiro para maratonas, marchas dos movimentos espontâneos e grandes manifestações a favor da paz. Para apoiar uma simples manifestação contra os amigos declarados do paludismo, os mosquitos, nunca há dinheiro. E assim vamos muito convictos de que a nossa vida vai piorar. E por isso mesmo, facilmente se nota que há um prazer mórbido no padecer das crianças – o tal futuro sem nação – e no incentivo da miséria. Sim, porque as crianças da nomenclatura viajam para o estrangeiro assistidas nas melhores clínicas com o dinheiro do erário público que há trinta e seis anos se privatizou.
E até as praias privatizaram.
Não é possível implementar seja que plano for, enquanto não se acabar com a teia da corrupção que nos aprisiona.
Rádio Ecclesia. Padre Quintino Kandandji carrega agora a cruz da informação. Neste crucial deserto da informação angolana de cactos sempre eriçados, sempre na hipócrita emboscada de que quem informar a verdade da corrupção não escapa, até há quem defenda que Deus elegeu e apoia eternamente o reino dos corruptos, desejo a sua reverendíssima Padre, Quintino Kandandji: só a liberdade nos liberta.
Que Deus lhe dê voz, para que não pereçamos no desabamento dos barris do petróleo.
Como é tão confrangedor o silêncio do deixa andar dos presidentes e seus secretários-gerais dos partidos (?) políticos da oposição (?). ggggrrrr!!!!
Vox populi: ele, José Eduardo dos Santos e os generais, estão a fazer do William Tonet outro Nelson Mandela.
A Justiça da injustice. Ontem saí à rua com vários companheiros do Partido Popular e em uma hora conseguimos angariar mais de mil dólares. Se tivermos em conta que as quitandeiras, os lavadores de carros, os vendedores de rua e ardinas foram os que contribuiram com valores que iam de cinco kwanzas a cem kwanzas, podemos concluir que milhares de pessoas contribuiram pela causa, William Tonet. In David Mendes Advogado Angola no Facebook.
O caso William Tonet. O vulcão está a ficar “complicado”. É que não se fala noutra coisa. A frase mais ouvida é: «Então vão prender quem fala a verdade e defende os pobres?» É imprevisível o que poderá suceder nos próximos tempos. Se a população se aglutinar, o que parece estar a acontecer, não sei como será. Aguardemos. Mas que foi um colossal erro de estratégia política, isso foi. Aliás, como é habitual em quem não resolve problemas, pelo contrário, cria-os às toneladas.
E sobretudo não se esqueçam, jamais se deixem dominar pela hipocrisia. Neste momento e em todos eles, há hipócritas que tentam a todo o custo impor-nos as suas falsas moralidades. É que estamos no momento ideal para o triunfo dos lobos disfarçados de cordeiros. Não se deixem arrastar pelas correntes populistas do caos e de tantos desmesurados revolucionários. O verdadeiro, o lídimo revolucionário costuma surgir ao longo da História apenas um, ou outro, muito poucos, agora de repente tantos, tantos, assim a revolução fica confusa, não se sabe quem é quem, não é?! Evitemos cair na tentação de mais um Triunfo dos Porcos. Onde a hipocrisia reina, que é o caso, virá pois o ocaso.
14 Outubro, Luanda. No cemitério de Sant’Ana, antes para enterrar lá alguém cobravam trezentos dólares, agora são setecentos. E tem bicha, porque só existem duas pás para abrir covas.
Para a oposição: está certo, certíssimo, mas um filme sem acção torna-se monótono, o que é compreensível. Montem delegações em tendas à Zango, no centro, no interior dos bairros, no âmago da miséria. Todos os dias, dezenas de factos políticos acontecem. É isto a democracia. Mais: na democracia as palavras isoladas de pouco valem, mas quando elas mostram factos então tornam-se muito valiosas. No fundo, é isto que faz a democracia acontecer, viver.

domingo, 27 de novembro de 2011

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (04)


Antes da pequena porta ultrapassada, destinada apenas a pessoas, um dos guardas, eram quatro, perguntou qual era o motivo da visita e o cavaleiro Mwangolé respondeu secamente: «Turismo!» E o guarda não fez objecções, foi uma entrada muito fácil, daquelas que dá para desconfiar. Na Rádio da Verdade Jingola o locutor entrevistava uma emboaba a propósito da chegada de um alto dignitário também emboaba para discutir os habituais contágios da amizade recíproca desinteressada e duradoura entre os dois povos, dois governos, dois partidos, e a não ingerência nos assuntos internos dos dois países, isto é, dos dois reinos, ufa! E ela, toda emplumada como uma ave-do-paraíso: «Bom, há quatro anos que estou no reino Jingola.» «E o que é que faz?» «Sou empresária na área do management, gestão, recursos humanos, etc. Bom… as coisas por aqui não são nada fáceis, percebe?!»

E quando alguém incomoda o rei, ou os seus lordes, a ordem de execução não demora. O pelotão da extinção está sempre em prontidão selectiva. E quem não aceita o dinheiro da corrupção, encaminha-se para o pelotão.
A morte é como aqueles governantes que transformam o poder em túmulos para neles enterrarem os cadáveres incómodos que em vida apenas disseram o que sentiam, a verdade. O ditador exerce pois com extraordinária eficiência a ditadura da morte.
Os nossos entes queridos continuamente vão de abalada, na balada do eterno destino. E nós por aí andamos, sempre na tentativa da fuga do inevitável encontro. E eles lá do outro lado sempre a acenarem-nos, a convidarem-nos para a grande festa da comemoração do imortal encontro. E nós recusamos, e verificamos o quão os anos são tão breves. E iniciamos a preparação da bagagem, e o comboio já se apronta. Chegou a nossa hora, e resignados partimos, e no outro lado as vozes ouvem-se mais fortes, mais próximas, e pai e mãe alegremente como numa bênção de agradecimento: «Demoraram muito, mas aqui somos muito pacientes, sabíamos que viriam, que não faltariam ao último encontro da vida. Bom, finalmente e desta vez para sempre a família está reunida. Na morte todos juntos permaneceremos. Bem-vindos ao paraíso eterno, onde quem nele entra, jamais dele sai.»

E assim vai, permanece a religião em Jingola, e quem quiser ficar em segurança, basta pedir protecção numa das famosas igrejas existentes. Recebe um pau benzido pelo Senhor, coloca-o escondido no local onde se encontra, e pronto, está devidamente sob a protecção divina. E nada lhe acontece, ninguém lhe assalta. Por exemplo, é óptimo para as kinguilas. Podem manusear com todo o à-vontade o seu dinheiro à vista de todos que nada lhes acontece.

Os corruptos assaltam o poder, e os especuladores imobiliários organizam faustas e lautas festas. Entretanto, nas florestas até os animais tremem porque serão desalojados. O horror selvagem é o homem que desaloja outros sem garantia de realojamento, para construir a sua especulação imobiliária com o apoio de governantes sem escrúpulos. Esse sim é o selvagem que defende a civilização.
Descartes disse: penso logo existo. Em Jingola é: não penso, logo destruo.

Deparámos com um grupo de arrojados manifestantes, que desobedecendo às ordens da realeza sobre a proibição das manifestações, em Jingola quem se atreve a tal é punido como grave crime de alta traição ao rei, e como tal sumariamente executado, um jovem lutador pela instauração da democracia e liberdade sobe numa estátua, há-as aos pontapés, do líder imortalizado e com um megafone inicia o discurso opositor ao regime ditatorial:
- Neste reino há muito petróleo, logo, muita corrupção. E neste poder corrupto há muitas mortes não reveladas, não denunciadas no silêncio cúmplice dos meios de informação, os servidores, seguidores, os executores da corrupção. No nosso povo Tchavola e nas centralidades dos Zangos está a continuação da nossa miséria. O povo Tchavola é a estátua da homenagem ao herói nacional.
Não conseguiu prosseguir, ou melhor prosseguiu a caminho de um carro-forte das forças de todos os ramos policiais devidamente representadas em número e aparato bélico. Os manifestantes detidos seriam entregues ao braço da ditadura milenar, e dos algozes do vício de aniquilar. Pode-se afirmar que quem nas prisões jingolas entrar, delas nunca sai. A vida humana não tem valor. Mas o jovem orador conseguiu ludibriar os guardas e ainda gritou:
- Eu só exijo os dividendos dos lucros do petróleo que me devem, que me pertencem. Dêem-me energia eléctrica e dominarei o mundo.
Coitado, metia dó, com tanta surra que lhe despejaram no corpo, desmaiou, não mais se levantou. Recarregaram-no como se fosse um saco de batata podre, dessa da produção nacional que intencionalmente a deixam apodrecer para importarem, porque isso do desenvolvimento da agricultura jingola é mais um pretexto para desvio de verbas para os ávidos lordes. Só se lá nos campos descobrirem petróleo, então dão-lhes a designação de, campos da agricultura-petrolíferos, isto é, polivalentes.

sábado, 26 de novembro de 2011

Se fazemos tudo na trapaça, o que é que querem que o estrangeiro faça? No fundo é um mero primitivismo.


OS DEPORTADOS DOS TRÊS CONGOS
Angola é o terceiro Congo.
Deportados! Bem-vindos ao inferno democrático! Ao campo de concentração de Angola. Uma paisagem local e universal onde todos os oprimidos se desencontram. Nunca pensei ver tanta maldade. De tal modo que a realidade ultrapassa a imaginação do inferno. É verdade, a África negra é um gigantesco campo de concentração.
«Mas não encontro quem possa substituir-me. Cerro fileiras para salvar a Pátria. Santos Costa põe a tropa de prevenção e os "craveiristas" acovardam-se, não respingam. Na campanha eleitoral de 1949 um dos meus dissera "daqui não saímos, nem a tiros, nem a votos". Não o digo mas penso o mesmo. Quem controla os cadernos eleitorais e as mesas de voto ainda somos nós e em 1958 quem ganha as eleições para a Presidência da República é o Almirante Américo Tomás, obviamente. Não posso deixar de rir...
A Nação está devastada. Não sei se terei forças para reconstruí-la. Ainda faço uma alteração constitucional: a eleição para a Presidência da República não será mais por sufrágio directo, mas por sufrágio orgânico. Casa arrombada, trancas à porta...»
In António Oliveira Salazar http://www.vidaslusofonas.pt/salazar.htm
Até parece que a nossa vida é assistirmos complacentes, cúmplices com o tempo da morte dos nossos semelhantes. Quanto mais velhos ficamos mais pessoas que conhecíamos lembramos. São a nossa companhia diária, de quase todos os momentos. Lembramo-nos deles, porque não mais lhes podemos falar. Mas mesmo assim continuam ao nosso lado. Mudos, mas eternamente vivos, despertos.
É desalentador confirmar que nos quase cinquenta anos de independência, o povo angolano ingressou no campeonato sem estádios de futebol da miséria mais aviltante, revoltante. Quando pouco antes da independência, a propaganda do poder já catalogava: «E assim o nosso povo continua na miséria.» Ultrapassou-se este obstáculo com um salto gigantesco para a mais infame escravidão e descarado desprezo. Agora podemos afirmar: e assim o nosso povo continua no campo de concentração à espera da câmara da morte, da fome esgazeada.
Se fazemos tudo na trapaça, o que é que querem que o estrangeiro faça? No fundo é um mero primitivismo.
Depois, esta democracia é muito barulhenta, recordista mundial da poluição sonora. É muito obrada, preocupada em falar nas rádios e escrevinhar nalguns jornais, desses da oposição. Mas, não existe oposição política. Apenas alguns pardais, gatos-pingados daqueles de ver a banda passar. Notam-se facilmente, intelectualmente porque soam como um sino a rebate, não é?! Não é não! Parece que numa hora de entrevista dizem para aí mil e tal vezes, não é?! Normalmente são todos doutores, licenciados em qualquer coisa. Poetas com um livro, a cheirar a poesia bolorenta. Adorar, espalhar vaidade engravatada num bruto jipe para apresentarem um ar de novo-rico… na miséria moral e intelectual. Mobilizar a população para uma manifestação impossibilita-se. Porque o povo está farto de conversas, deseja acção, coisa que o intelectualóide não consegue não. Normalmente repete-se até à exaustão. E não se dão conta que já ninguém os quer porque se tornaram insuportáveis. Não se apercebem que estão num solilóquio. Com tanta vaidade, tristeza de intelectualidade, a ditadura do poder avança epidémica. Se os intelectuais não vierem paras as ruas lutarem, a ditadura avançará imparável. E com gatos-pingados nunca se construirá nação. É notável a dispersão de cargos do intelectual: empresário, deputado, jornalista, escritor, poeta, jurista, analista político, doutor, docente universitário, consultor de qualquer coisa, etc.
E os cães ferozes à solta exterminarão os negros? Como monstros que atacam traiçoeiramente. Isto não é Luanda, não é Angola, é o inferno. E a ocidental democracia, onde está ela? Nos poços petrolíferos e diamantíferos. Mais uma tragédia se anuncia. Angola está retalhada, esfarrapada. O lixo é mais valioso que a população. E avantaja-se o receio que os mesmos angolanos de sempre no poder e a sua estrangeirada exterminem os negros para pilharem à vontade. Isso já aconteceu antes, porque não agora?! E bate certo porque o actual poder conluiado com estrangeiros já lança esquadrões da morte contra a indefesa população, ou ataques muito desproporcionados.
O feitiço do Ruanda uniu-nos quando abracei a minha querida amiga Tatiana Rusesabagina. Resta sempre a lembrança da Ocidental matança Que as guerras dos negros só a eles pertencem. Têm o direito ancestral adquirido de se matarem como bem entenderem. É a guerra deles, é entre eles. Que se matem, que óptimo! Exterminarem-se! Quantos mais melhor porque incomodam muito. São desvios da civilização, convertidos à força, à forca do cristianismo. Como sempre os Brancos fugiram. Deixaram, abandonaram nas ruas feitas de pó, que não se comoviam perante o necrotério. Cemitério ao ar livre com improvisados, massacrados, esquartejados. Assim ficaram os corpos, e os seus restos abandonados. Desprotegidos, entregues ao sol que no solo os requeimava, os decompunha. Tudo tão irreal, como sementes lançadas à terra sem estar lavrada. Agricultores loucos que plantam cadáveres e aguardam que nasçam plantas para renovar, continuarem a matar. Estimular o ódio para que sirva de pretexto ao genocídio. E depois apelidá-lo de Estados Bárbaros. Antes eram as cruzadas para libertar Jerusalém, agora são para libertar Negros. E todos os dias há Cruzadas negras, matanças de pagãos. Cadáveres espalhados, habituados porque perderam a importância, ganharam o desprezo da abundância. Os três congos são um Ruanda diário. Os campeões da democracia são perenes na convivência, conveniência, apoiam as ditaduras amigas que garantem a sua sobrevivência. É como a literatura militante que defende o passado. Obscurece o presente, elimina o futuro. Somos nómadas, passamos o destempero a fugir dos tiros, das catanas e dos pneus de fogo. Somos alimento para chacais, hienas e abutres. E os partidos políticos partem-se na mama da dinheirama. Há muitos brilhos nos três congos, mas os sonhos permanecem escuros, muito obscuros.
Nunca pensei ver uma coisa assim, num país dito independente. Militares da UGP-Unidade da Guarda Presidencial, policia anti-terror, polícias com cães e muitas outras feras humanas assaltarem populações para arrasarem tudo. E o mais grave: proíbem a imprensa de entrar nas áreas destruídas. Isto é um hediondo crime. Onde está o Ocidente que não denuncia o que se passa? O silêncio ocidental é cúmplice deste atroz crime. Angola, particularmente Luanda, estão a saque. O lixo do poder humano mora aqui.
Os brancos diziam e lembram sempre: correram com os brancos, são independentes. Agora, guerra é entre os negros. E os proletários de todo o mundo vencerão esfomeados. Não é imaginável que a civilização actual regredisse. Assim, caminhamos para onde? Para o não significado da vida humana? Onde quem quer que seja, mata o outro a bel-prazer? Caminhamos para uma humanidade sem sentido? Sem futuro? Sem fim à vista? Creio que o que se pretende é instaurar mais um reino universal da maldade das trevas. De violentar bebés? Crianças? De destruir por puro prazer? Impor o reino da bestialidade é preciso! Então já não como seres humanos, apenas vulgares bestas tresmalhadas… e nos devoramos. Acho que é um vírus desconhecido, o causador desta catástrofe cerebral. Já não existem pessoas, apenas rostos cadavéricos que deambulam desesperançados. Um mundo de milícias armadas, por todo o lado espalhadas, com governos inoperantes de generais a brincar aos países.
«E, sem dúvida, trata-se de um país muito rico, (a RDC) com minas de zinco, de cobre, de prata, de ouro, do agora cobiçado coltán, com um enorme potencial agrícola, pecuário e agro-industrial. Que lhe faz falta para aproveitar os seus incontáveis recursos? Coisas por agora muito difíceis de alcançar: paz, ordem, legalidade, instituições, liberdade. Nada disso existe nem existirá no Congo por bom tempo. As guerras que o sacodem, deixaram de serem ideológicas (se alguma vez o foram) e só se explicam por rivalidades étnicas e cobiça do poder de chefes e chefitos regionais ou a avidez dos países vizinhos (Ruanda, Uganda, Angola, Burundi, Zâmbia) para se apoderarem de um pedaço do pastel mineiro congolês. Mas nem sequer os grupos étnicos constituem formações sólidas, muitos se dividiram e subdividiram em facções, boa parte das quais não são mais que bandos armados de foras-da-lei que matam e sequestram para roubarem.»
In Mario Vargas Llosa http://www.elpais.com/
Há vários anos, Carlos Contreiras do PRA, Partido Republicano Angolano, afirmou que as fronteiras do Norte e do Sul estavam a descoberto.
Que interesse obscuro há em deixar a situação evoluir até tal estádio? Para ter argumentos? Para invocar um possível conflito com os vizinhos? Mais uma guerra dos diamantes, agora ao desbarato, de sangue? É que as empresas diamantíferas são dominadas por generais. O país está a ser invadido. Significa que Angola será dominada lentamente por outros povos. Angola não consegue controlar as fronteiras. Militares e polícias nas fronteiras quase sem condições cobram qualquer coisa para sobreviverem. Depois cantar-se-á que o país está a ser invadido, apela-se ao patriotismo (?), que a Pátria está ameaçada. Pouco ou nada resultará porque o povo perdeu a identidade cultural. A que lhe resta é a genuína identidade da miséria nacional e social. Evoluíram, são nómadas. Democracia com generais no poder é possível? Claro que não! Continuamos, teimamos em não nos afastarmos de 1975. A máquina marxista-leninista permanece intocável, inquebrável. Não há ninguém que lhe toque? Que lhe quebre? É impossível viver com generais no poder. Os generais de Esparta impõem, militarizam a democracia. Quer queiram quer dissimulem estamos oprimidos por uma junta militar.
Mas, não se cansam de tanta conversa? Já chega, já estamos cansados, agora queremos acção, não é? Não sei qual é o gozo que dá à FAMÍLIA, destroçar, afundar Angola. Ainda me recordo de outro empresário angolano sempre nascente que disse peremptório em 1992. «Agora já não precisamos mais dos portugueses e dos outros estrangeiros para nada.»
Tanto alarde pela austeridade que a crise económica e financeira mundial provocam na governação. E que as populações sempre são as vítimas, as cobaias do laboratório do poder. Invocam constantemente que não há dinheiro, só mais fome. Mas os governantes continuam a viver na luxúria. A austeridade só afecta os governados, os governantes não. São eles, sempre os mesmos… os pobres dementes. Bancos sem dinheiro são bancos? Em Luanda são! Porque são da FAMÍLIA e para generais da junta militar. E o melhor investimento em Luanda continua a ser as fábricas de cerveja. A principal matéria-prima é a água e esta é de borla. É o chamado lucro fabuloso.
Somos carne inumana no matadouro nacional. O tempo vai passando e vamos adorando o exibicionismo dos nossos intelectuais de pacotilha. Um por nenhum e todos por nenhum. Todos isolados, no pântano mergulhados. Escrevem, oram sempre o mesmo palavreado e já está. Vejam-nos deleitados na sua vã e vil magnificência. São os melhores dos piores do mundo. Incapazes de mudarem o que quer que seja do estado e dos estádios actuais das coisas. Estão simplesmente insuportáveis, condenáveis. E assim não futuramos nos nossos três congos.
Imagem: soldados mirins Congo 300x246 Um Paradoxo Social: Drogas e Violência
pedagogiaaopedaletra.com










sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os apagões da intolerância da energia eléctrica. (Actualização)



E que Angola desenvolve-se, basta ver o seu PIB, o seu crescimento económico, as suas receitas petrolíferas, dizem.
O PIB da miséria e da corrupção também sobem, mas deste os habituais amigos do povo angolano não piam.
Alguém da nomenclatura se deu ao trabalho de contabilizar os gastos económicos, um desastre, dos apagões até agora acontecidos? Olhem que são vultuosos… para quê, o petróleo é nosso, deles.

Novembro, apagões:
24Nov 18.26 até às 17.23 horas do dia 25Nov 21Nov 02.20 até às 10.52 do dia 23Nov 18Nov 17.58 até às 19.56 do dia 19Nov 15Nov 20.14 até às 04.28 do dia 17Nov 14Nov 00.13 até às 04.10 do dia 15Nov 10Nov 09.47-10.38 07Nov 00.14 até às 09.27 do dia 10Nov 06Nov 10.32-10.42 03Nov 09.34 até às 17.10 do dia 05Nov 01Nov 19.37-21.06

Com a bandeira da corrupção desfraldada, avante Angola! esquartejada



É uma República muito engraçada
não tem energia eléctrica
não tem nada
Então o que é que tem?!
Corrupção generalizada!

Mais um dia de corrupção
nos espera
E outro de escuridão
nos desespera
e ninguém está acima
da corrupção
Grande líder amigo
a corrupção está
contigo
a corrupção é o grande líder
desta Nação

E um poderoso demónio chegou e se instalou
e de Angola jamais sairá, jurou.
Em nome do Pai
Em nome do pai de Angola, dos filhos
filhas, tantos
amigos e dos espíritos santos

Quanta mais miséria esta fábrica fabricar,
mais vulcões vão rebentar
são já tantos, tantos
que ninguém os consegue contar

Tanto tempo passado
de tanta espera, desesperada
tão cansada
Na desespera da espera da independência
ainda não chegada, abortada
Outros libertadores
farão com que ela fique
libertada
Com a bandeira da corrupção
desfraldada
Avante Angola!
esquartejada
E quem não tiver gerador
espera-o o poder, dominador
que horror
De cadáveres fabricantes
nas ruas deambulantes
como dantes

As casas do povo são para arrasar
e crianças com alguns dias
são para o tractor
triturar, matar
E têm tractores bebés
que trituram para desespero dos pais
Nas contas bancárias
Ilegais

Vós dos mártires da repressão
a todo o momento
no TPI espera-vos
o julgamento
Este é o nosso carcereiro
do viver no cativeiro
Já se houve a explosão
da revolta da população
Os palácios deles sempre incendiados de luz
e os nossos nas trevas
dos espoliados, nus
Como podem carrascos a nossa vida melhorar
com uma mão prometem-nos
e com a outra a nos defraudar

Angola é uma plantação de escravos
dos nossos fazendeiros e estrangeiros
Angola, compra-se, vende-se
aluga-se pela pior oferta

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fraude eleitoral


Quem entender que entenda: por exemplo, pego num arquivo de extensão DBF, e faço-lhe a renomeação para XLS. Faço-lhe as alterações que quiser, apresento-o como arquivo da base de dados principal. Quer dizer: notem que isto, ressalto, é um simples exemplo de como se pode defraudar números para apresentação aos incautos, fico com uma contabilidade paralela, assim como salvo erro o Banco Ambrosiano tinha, ou outro, não me lembro bem… oh! Ou como algumas entidades da nossa praça. E assim se faz fraude nas eleições.
Isto funciona tal e qual assim: quando solicito ao banco um extracto da minha conta, e ele se recusa em facultá-lo, alegando as mais díspares desculpas, estamos em presença de uma fraude bancária.

O presidente da Guiné-Equatorial,Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, chega a Luanda


para estreitar e reforçar os laços tradicionais há muito existentes entre os dois países democráticos. Na agenda está o reforço da democracia e da liberdade com o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos. De salientar que a liberdade de expressão é a tónica dominante, democrática, e a corrupção há muito que foi erradicada nestes países. Outra questão também louvável é o fim da mortalidade infantil. Angola e a Guiné-Equatorial há já vários anos que quase nenhuma criança morre, e quando tal acontece é devido a causas externas ao processo democrático em curso, muito saudável diga-se de passagem, como as brutas tempestades que teimam em deixar cadáveres por onde passam, intempestivas.
Como nota de realce, lembra-se que estes países têm oferecido o melhor dos exemplos no combate á corrupção, sendo os únicos no mundo que actualmente a extinguiram dos seus países, pelo que o futuro das suas populações augura-se promissor.
No tocante às receitas petrolíferas, outro nobre exemplo a destacar, são exclusivamente utilizadas no desenvolvimento das micro e pequenas empresas, o realce vai para a agricultura e saúde, onde se conseguiu atingir tal desenvolvimento que, imaginem, a miséria e as doenças acabaram definitivamente.
Com estes pressupostos, não restam dúvidas que a visita do presidente da Guiné-Equatorial dará imensos saltos qualitativos, evolutivos no rumo ao progresso que caracteriza estes países.
Um outro aspecto que quase nos passava, é o tocante no aspecto reivindicativo das manifestações nestes países que quase não existem, porque a felicidade dos seus povos é tão extrema que não se justificam manifestações, exceptuando as dos movimentos espontâneos e dos seus comités de especialidades que fazem avançar, arrastam as sociedades.
Sem dúvida alguma que as ditaduras são e serão para todo o sempre a melhor forma de governo conseguida. As outras democracias têm ainda muito que aprender com estas ditaduras familiares.
Bem-vindo camarada presidente Teodoro Obiang, a felicidade espera-te.
Imagem: e Teodoro Obiang a UA ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA
pagina--um.blogspot.com

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Trova da Corrupção que Passa


Adaptação para a nossa corrupção
da Trova do Vento que Passa
de Manuel Alegre

Pergunto ao corrupto que passa
pela corrupção do meu país
e o corrupto cala a desgraça
o corrupto nada me diz.

Pergunto aos petróleos que levam
tanta Tchavola descampada
os corruptos não me sossegam
levam tudo desta terra desolada.

Levam tudo desta terra desolada
ai Tchavolas do meu país
sem pátria, sem luz e água
para onde vais? O líder nunca diz.

Se a fome desfolhas
morres sem país
e o bando dos quatro
que morrestes pelo teu país.

Pergunto ao corrupto que passa
porque nos rouba o pão
Tormento - é tudo o que nos deixa
quem vive na corrupção.

Vi florir os verdes dólares
nos leitos revoltados
com tão poucos amos
e tantos trabalhadores espoliados

E o corrupto não me diz nada
e o líder diz nada de novo
Vi minha pátria renegada
nos cadáveres sem braços do povo.

Vi-me pária na bandidagem
dos navios-petroleiros no mar
como quem deseja fugir
mas é obrigado a ficar.

Vi navios-petroleiros de ouro
(apátridas sulcando águas)
perdi a minha pátria, desertou
(verdes dólares, desgraças, mágoas).

Há quem te queira neocolonizada
e são demasiados os atrelados
Eu vi-te espoliada, tchavolada
nos corruptos braços desgovernados.

E o corrupto não me diz nada
mostra-me, na ditadura insiste
Vi os mártires sem pátria
sem eira nem beira, tudo triste.

O corrupto nunca diz nada de novo
fala à Nação tudo omitindo
nas razias ao povo
vejo minha pátria se esvaindo.

E as noites à luz de vela
sem governantes, sem país
peço notícias ao corrupto
e o corrupto nada me diz.

Mas há sempre uma vela
que alumia a nossa desgraça
há sempre um democrata
que canta ao corrupto que passa.

Mesmo na noite mais escura
na ditadura da espoliação
há sempre um mártir que insiste
que se revolta contra o camaleão

que diz basta, não à escravidão.