Por favor salvem esta menina. Apelo de Viana. Angola. Filha de 5 anos de idade que acerca de 2 anos está doente com Neoplasia Vesical (um tumor maligno na zona genital). O pouco que cada um pode dar já é muito para quem precisa, não precisamos ter muito para ajudar. Se cada um de nós depositar um pouco podemos ajudar a salvar a vida dessa menina. Quem puder ajudar pode depositar na conta: 000005001760033 ou IBAN A006.0034.0000.0500.1760.0334.1 de Lidia Manuel no banco Millenium

terça-feira, 14 de março de 2017

OPOSIÇÃO, A GRANDE FARSA




República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

De um cidadão devidamente identificado: “Como em Agosto o Mpla vai perder as eleições, vai sair do poder, depois vai governar o inferno, que é o devido lugar que lhe compete. Vá, votem mais na miséria e na fome.”
Parecia que não, as falsas promessas, mas a energia elétrica voltou, regressou mais uma vez do e para o caos.
Está tudo falido. Receio que na altura das eleições angola esteja de rastos.
“O Mpla diz que tem milhões de militantes, a Unita tem biliões.” Deputado, Catchiungo, da Unita.
Para a retaguarda é o caminho. Receberam mandato para governar o inferno, e por engano vieram parar, apagar Angola. Deus enganou-se porque considerou Angola como o inferno, o que na realidade é, e ficou assim. E ainda dizem que a falta de energia elétrica se deve ao calor. Qual calor qual quê! É mas é aos cérebros deles que há muito tempo estão congelados. Votem! Votem no partido da energia elétrica.
A culpa não é da oposição, é dos opositores que fazem discursos cheios de flores.
Quando a oposição é fraca, os tubarões fazem festim.
Da Unita: se votarem na Unita o vosso sofrimento acabará, e a felicidade virá. O vencimento mínimo nacional será o equivalente em kwanzas de quinhentos dólares.
“Porquê aqueles de nós que mais querem viver, morrem. E os que merecem morrer, continuam vivendo?” (Do filme, The Expendables 2, 2012, título em português, Os Mercenários 2)
Ano de 1520 em Tyrol, Áustria, época de Martinho Lutero. Seus 95 seguidores circulavam entre o povo de toda a província. Infelizmente, poucos sabiam ler na época. A educação era um privilégio da elite. Após a invenção da imprensa, a sede de conhecimento começou a abarcar uma porção maior da população. E a Igreja católica reprimiu rapidamente este movimento. A tarefa dos carrascos era executar as decisões da justiça. Eles eram chamados “Intocáveis”, e deviam viver além dos muros da cidade. Na época, como agora, uma aliança fundamentalista entre políticos e religiosos abriu espaço para uma época de trevas. (In filme The Headsman, O Carrasco, 2005)
Depois de uma breve troca de impressões com um vizinho, o qual só o conhecia de bom-dia, boa-tarde, boa-noite, e depois de nos despedirmos, outro vizinho que ouviu a conversa segreda-me: “Cuidado que esse é do Mpla!”
Ah! Ah! Ah! Creio que se houvesse um concurso de anedotas, esta seria a melhor do ano: Manuel Fernandes, da Casa-Ce, disse que pensa fazer manifestações contra a partidarização da Tpa, da Rna e do Jornal de Angola. Grande piada, já ganhou o concurso. Ah! Ah! Ah!
Não se faz manifestação contra a corrupção, a miséria, a fome, agredir selvaticamente mulheres indefesas com filhos nas costas, onde muitas vezes não escapam da morte, e ninguém, ou quase, se importando com isso. Desemprego, partir casas para abocanhar terras com violência e mortes, espoliar terrenos que é uma constante diária como se outra colonização estivesse em curso.
Fica bonito falar na rádio, dizer sempre o mesmo frasear até ficar impossível, até chegar ao ponto de lhes fugir porque na oposição dos farsantes estes ficam insuportáveis. Sim, porque são políticos de feiras de vaidades, daqueles que ostentam, que se apresentam como puros intransigentes, acérrimos defensores do povo abandonado, e também da justiça, da liberdade, da democracia. Mas que depois na ribalta mostram o que são, hipócritas. Fazem com que se perca a confiança obrigando ao distanciamento porque não servem para confiar. Da minha parte não apoio mais hitleres. Angola sai de um abismo e vai-se afogar noutro que não se sabe quando dele sairá. Creio que não é a oposição que é farsante, os opositores é que o são. E o número dos descontentes com a oposição de fingir aumenta porque os opositores já não dão para escutar, pois se sabe que são falsos, defensores do povo não são, apenas se preocupam com interesses pessoais, pois ser político é uma coisa bonita, uma vaidade pessoal. Ainda não estão preparados para serem políticos, talvez na próxima reencarnação o consigam, mas isso é duvidoso. Basta de tanta falsidade! Basta de bifaciais, de irresponsáveis! Basta de tanta vigarice, de confundir democracia com diabolismo. Ó forças do mal apartai-vos, não esmaguem Angola, não a entreguem aos abutres. Bem lá no fundo comem todos na mesma panela da ignomínia. Dizer que o governo é corrupto, que é incompetente, que é criminoso, etc., e disso não passar, se manifestar, estão-nos a enganar, a fazer o tempo passar, a miséria e a fome a nos matar e nem um dedo levantar para nos safar. Vão mas é passear, jacarés pastar! O partido da miséria e da fome ganha sempre as eleições.
Entretanto, como enxames de moscas, os assaltos sucedem-se a ritmo vertiginoso, como moscas que não nos deixam um segundo em paz. Desta desestabilização social, deste conflito, desta guerra, os políticos de meia-tigela pouco ou nada falam.
Há a sensação de que a Casa está como se não tivesse direção, parece uma voz dissonante. A voz não se faz ouvir, parece amputada.
Quem é que disse que não há povos atrasados e considerados inferiores? Então, quem passa fome as cabeças não funcionam. Quem vive na Idade da Pedra cataloga-se como então? Quem se educou no analfabetismo é o quê então? O alcoolismo, o fanatismo e a feitiçaria são o guião desta população que é formada, pode-se dizer, por duas classes, uma alcoólica e outra seguidora do fanatismo. E quem vive sob a tutela do fanatismo religioso está desgraçado porque apesar de ter olhos não vê, apesar de ter ouvidos não ouve.
Se Angola tivesse contabilidade organizada, decerto não estaria como está. Bom, de certo modo os corruptos são como os vampiros, chupam-nos tudo, e quanto mais desorganização melhor.
Pode-se dizer que a partir das vinte, vinte e uma, vinte e duas horas, Luanda é uma cidade fantasma.
No mês de Fevereiro de 2017, aqui na buala, ficámos dezassete horas sem energia elétrica.
Trânsito entre Luanda e Caxito e vice-versa ficou interrompido devido à visita que o vice-presidente, Manuel Vicente, fez ao Caxito. Denúncia de um enfermeiro: podem vir fazer uma reportagem no Hospital Américo Boa Vida, não há material para curativos e não há medicamentos. (Rádio Ecclesia, Revista da Manhã, 03/03/17)
A última moda em Luanda: “ se não reclamares não te vamos atender.”
Aqueles chineses que fazem os trabalhos descartáveis e que depois lhes chamam aldrabões, não são eles os culpados, não são eles os aldrabões, mas sim quem os contrata. Estes sim são os grandes aldrabões. Mas, por exemplo, sabendo eu que um canalizador é charlatão, vou contratá-lo? Claro que não!
Depois da destruição das famílias, olha-se para a má recordação das fotografias e delas a sorrirem ternamente abraçados, apaixonados. Isto é que é diabólica hipocrisia.
Novas tecnologias dos assaltantes mostram homens-aranhas filmados algures em Luanda a escalarem um prédio para o assaltarem.
“O colono não saiu de Angola. O colono ainda continua em Angola. O colono de Angola agora chama-se Mpla.” “Um país sem cultura é um país sem alma.” (Sdiangane Mbimbi, na Rádio Despertar, Angola e o Mundo em Sete Dias. 05/03/17)

E a quem interessar se informa que aqui todos os tipos de crimes são permitidos.

sexta-feira, 10 de março de 2017

ENGOLIR SAPOS, COBRAS E LAGARTOS



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

O exílio da oposição é o marasmo, como se fosse trapaça política, engolir mais sapos porque se passou para o plano B, engolir cobras e lagartos.
Não votem na morte!
Um mais velho que há muitos anos não via, só de vez em quando lhe acenava ao longe, encontrámo-nos na rua, parámos, abraçámo-nos e sai conversa interminável. A dado momento confidenciou-me que se as coisas continuarem assim, piorarem, com o M a castigar com miséria e fome os seus que lhe apoiaram e apoiam, (?) desta vez a guerra não será como antes contra a Fnla e a Unita, a guerra será Mpla contra Mpla.
A Fnla e o BD vão para a extinção? Ou não?
No Francisco do chourição, os polícias lhe apanharam outra vez ali no poiso do empreendedorismo dele. Carregaram com ele e com os seus chourições e mortadelas, convidaram-no (?) a subir para a viatura policial, andaram e um pouco mais à frente pararam, exigiram-lhe três mil kwanzas, o desgraçado só tinha mil, conseguiu que lhe emprestassem os outros dois num amigo também vendedor de rua, e safou-se, isto é, danou-se mais uma vez como se estivesse num país desconhecido.
Sonhei com um albergue de crianças onde a todas lhes faltava um braço. Como olhava fixamente para uma delas, a criança explicou-me com gestos que ficou sem o braço devido a brincadeiras violentas de torcer os braços até partir. E que isso aconteceu também às outras crianças.
A grande descoberta de um muangolé: mulher angolana não dá nada, é só para satisfazer apetites sexuais.
Para o partido no poder perder apoiantes é irrelevante, mas para a oposição perdê-los fica como erros irreparáveis.
Não vou conseguir pescar porque só consegui a cana de pesca, anzóis não há, é um sonho, pelo que tudo o que o governo e oposição prometem, é mais um fracasso, um corpo sem cabeça.
Esse Deus que deixa morrer milhões de crianças, pois são inocentes, “deixai vir a mim as crianças”, ceifadas pela fome e de outros crimes, esse Deus é um demónio.
Uma das coisas mais anedóticas que vi na minha vida, foi e é, políticos invocarem o nome de Deus. É arrepiante porque não lhes sai do coração, sai-lhes da boca como o veneno das serpentes.
Esta cidade está infestada de criminosos impunes, como é o caso do fumo do gerador mesmo a chegar ao largo do Zé Pirão para quem vem da baixa. Está num terraço de um primeiro andar, mas aquilo é um recorde de fumo, outra das maravilhas de Angola.
Miséria moral e social, por e dispor da vida como se fosse um jogo da morte. Diretora da cadeia feminina de Viana ordenou a uma reclusa que abortasse de uma gravidez de dois meses. (In programa IN, Rádio Despertar, 24/02/17.
Abandonando o espírito de solidariedade e prevalecendo a hipocrisia, com isto não é possível oposição. Fica um bando de cantores de vozes distorcidas, como cordas de violas desafinadas. Um jogo de futebol sem árbitro, uma grande pândega. 
Isto não está difícil, os corruptos é que fizeram isto difícil, e no fim ficará impossível. Fome e mais fome, mas para eles sempre fácil porque o que resta do dinheiro está em poder deles.
Que mãe é esta que gasta o dinheiro na cerveja com a amiga, e manda os seus filhos ainda crianças para a escola com pão e água. Mãe não é certamente, é mais uma demente.
E todos os literatos do petróleo serão esquecidos.
E o que se tornou anormal… é normal.
Basta ficar um bocado a observar quem passa na rua, e é com cada cena de miséria de partir o coração. É o anunciar da solução final da grande fome que se avizinha.
Onde eu me vim meter… nas garras do demónio.
Para aqueles e aquelas que merecem o inferno, não se preocupem que ele depressa chegará, e o abraço da morte lhes dará.
O fim à vista? Parece que sim, senão vejamos: armazéns que faturam sessenta milhões de kwanzas, depositam-nos no banco, como não há divisas vão ao banco levantá-los para comprarem mercadorias locais e safarem o negócio, mas o banco apenas lhes deixa levantar dois milhões de kwanzas. Uma embaixada está em vias de enviar as divisas dos seus trabalhadores para a Namíbia, porque os bancos não estão confiáveis. Segundo a Rádio Despertar, em Cabinda os trabalhadores vão ficar sem os salários do mês de Março para apoio da campanha eleitoral do M.
Na Rádio Ecclesia, as doenças no hospital dos Cajueiros: em primeiro lugar está a malária. Em segundo, as doenças respiratórias e em terceiro lugar os traumatismos devido a acidentes de viação e agressões físicas. 
Mas, o que fazer de um país devastado por alcoólicos e alcoólicas? Nada! Absolutamente nada?!
Creio, ou receio estar fortemente convicto, que os bajuladores aniquilaram Angola e os angolanos.
Manos e manas! Isto não tem nada para pensar, porque sem divisas não há importações. Sem importações não há kwanzas. E sem kwanzas é o colapso, e no colapso é a fome. Não há organização, só existe depauperação. A economia está no exilio. Angola está no exilio, tudo e todos no exilio. A orquestra da gestão desafinada no seu percurso itinerante dá o concerto de finados. Pode-se afirmar sem receio de errar, parafraseando Winston Churchill (1874-1965) que “nunca tão poucos idiotas governaram milhões de idiotas.” Eis a lição que falta nos anais da boa gestão: gerir um país é torturar a sua população.
Manos e manas, o colapso económico saúda-vos!
Miséria e fome é a palavra de ordem.
Na VOA, sobre a sobreposição de poderes de Bornito de Sousa, ministro da Administração Interna: “Parece que vamos ter cinquenta minutos difíceis de comunicação com Angola, estamos com dificuldades em ligar.” (João Santa Rita no Angola Fala Só.) Um ouvinte: “Um cão não pode levar dois ossos porque um cai.”
Entretanto, na manifestação de sexta-feira 24/02/17, dos jovens que exigiam a demissão de Bornito de Sousa, no largo Primeiro de Maio em Luanda, alguns foram mordidos por cães. Viram-se muito aflitos na procura de vacinas contra a raiva, porque estão difíceis de encontrar.
Amantes da paz e da liberdade? Não! Amantes da miséria e da fome, sim!
A economia está nos cuidados intensivos, de prognóstico médico muito reservado. Gravemente doente, sem melhoras, não se vai salvar.
Abandonados neste mar impiedoso, num barco desgovernado atraído para as rochas pontiagudas da margem adversa, o barco se desfará nas rochas e os náufragos não resistirão, totalmente indefesos sucumbirão. É esta a sorte que espera os povos que confiaram os seus destinos a uma governação que se dizia de libertação. Angola é um mar de escolhos, que rapidamente se transforma num areal de parentesco dantesco. Quem nos libertou ainda não o fez, a nossa esperança desfez.
Já a fome se exacerba, mas isso pouco ou nenhuma importância tem, porque verdade seja dita, isso não interessa a ninguém.



domingo, 26 de fevereiro de 2017

FICÇÃO CIENTÍFICA. AS CRÓNICAS DO MARCOS (02)



Ao Marcos
meu neto

“Avô! Avô! Os beija-flores chegaram!” O Marcos fez-me sinal com o dedo no nariz para que eu me calasse. Depois silenciosamente pé ante pé com ele no comando obriga-me a segui-lo, passámos a porta da varanda e espreitámos para os beija-flores que pairavam agitando repetidamente as suas asas como se fossem helicópteros, com os bicos compridos a sugarem o pólen das flores que eu intencionalmente plantei para atrair o casal de beija-flores, que antes de aparecerem anunciavam a sua aparição ruidosamente como que a avisar o Marcos da sua presença. 
Até aconteceu por duas vezes quando o Marcos foi para o zango de Viana, os beija-flores apareceram pouco depois como que a despedirem-se.
Também plantei um jasmim, que creio ser um jasmim-porcelana, também para atrair os beija-flores para gáudio do Marcos. Também apareciam abelhas que poisavam e extraíam o néctar das flores para fabricarem o mel. O Marcos pegava na sua lupa, apontava-a para as abelhas para as estudar mas quando elas mudavam de direcção, ele entrava em pânico, fugia, apanhava objectos e atirava-os para as abelhas que saíam incólumes, mas as plantas que não tinham culpa nenhuma sofriam as consequências, as pobres ficavam como que mutiladas. Outra observação que ele gostava de fazer com a lupa era nas formigas e nas minhocas. Parecia Lineu, (1707-1778) apanhava-as com as mãos, sem antes me perguntar se mordiam, metia-as em embalagens de margarina, acrescentava-lhes terra e lá ficava a brincar durante muito tempo até se cansar. Ao jasmim-porcelana passei a chamar-lhe jasmim do Marcos.
Pode-nos faltar tudo mas creio que ainda nos resta alguma fortaleza quando olhamos para as plantas que se movem alegremente pela força do vento. E isso faz-nos viver.

Há vários dias que o tempo anunciava chuva, porque o céu continuamente mostrava nuvens daquelas escuras de chuva.
E o céu escureceu como breu. O dia fez-se noite. E veio vento muito forte, as árvores pareciam que iam voar. Por todo o lado se ouvia o bater de portas e o barulho característico de chapas metálicas onde algumas não suportando a pressão voavam como folhas de papel. Algumas antenas parabólicas também voaram confundindo-se com óvnis. E a chuva começou a cair com muita força, transformou-se em nevoeiro de tal modo que apenas permitia escassos metros de visibilidade.
Foram três dias entrecortados por algumas horas de chuva fraca.
Desde muito jovem sonhava com tudo inundado de água, apenas restando um monte muito alto, vasto com uma grande árvore, pedras e mais algumas árvores de menor porte.

“Avô, a nave espacial ainda não chegou”! Vou para a varanda e o Marcos foge deixando um rasto de gargalhada, contente por atrair o avô. Persigo-o e ele aumenta a correria e a gargalhada. Preocupado pelo receio de ele bater com a cabeça em qualquer lado, pois faz como que voos rasantes, ou qualquer outra lesão, paro. Mas ele incita-me, não quer parar de brincar, mas faço-lhe uma finta dizendo-lhe que os gatos estão na outra varanda, o que não é verdade. Mas por sorte surge um helicóptero, ele corre na sua direcção e lá fica a gritar e a acenar com as mãos: “Tchau helicóptero! Tchau helicóptero! Tchau! Tchau!

A água da chuva já fazia estragos e pela paisagem do céu mais tempestade viria, cairia. Instintivamente lembrei-me da Arca de Noé, ou melhor, da Epopeia de Gilgamesh.

Uma das lendas mais fantásticas dos povos sumérios e que mostram a riqueza de sua literatura foi a Epopeia de Gilgamesh. Possivelmente a obra literária mais antiga já produzida pelos seres humanos, ela é composta por doze cantos com cerca de 300 versos cada um. A lenda conta a história de Gilgamesh, rei sumério e fundador da cidade de Uruk que governou a região por volta do ano 2.700 a.C. Esta epopeia é conhecida graças à descoberta de uma placa de argila escrita em caracteres cuneiformes em ruínas da região mesopotâmica, sendo traduzida por volta de 1890 d.C.
A trajetória de Gilgamesh o mostra como um grande conhecedor das coisas do mundo, inclusive de sua origem e de coisas existentes nas profundezas dos mares. Mas o rei Gilgamesh era despótico e dentre as várias obrigações que impunha a seu povo encontrava-se a construção de uma gigantesca muralha fortificada ao longo da cidade de Uruk. O povo amedrontado com o trabalho imensamente fatigante clamou pela ajuda da deusa Ishtar, que os ouviu e enviou Enkidu. Este, que era protegido da deusa e vivia nas florestas de cedros, deveria desafiar e vencer Gilgamesh em um duelo, matando-o em seguida. Ao chegar ao palácio do rei, iniciou o combate. Entretanto, não houve vitoriosos, sendo que Gilgamesh e Enkidu se tornaram amigos. A amizade os levou a diversas aventuras, destruindo monstros e harmonizando o mundo.
Porém, Ishtar sentiu ciúmes da amizade e tentou seduzir Gilgamesh que, sabendo que aquele que amasse a deusa morreria, não aceitou ser seu amante. A deusa com muita ira pela recusa decidiu matar o amigo de Gilgamesh, Enkidu, infligindo a ele uma doença que o deixou agonizando por doze dias antes de morrer. Com a perda do amigo, Gilgamesh resolveu ir atrás de novas aventuras, o que o levou a encontrar Utnapishtim, um homem imortal que revelou um triste mistério dos deuses: em tempos remotos os deuses haviam decidido submergir a terra de Shuruppak, mas que ele, pela sua devoção, havia recebido ordens de construir uma arca no meio do deserto e abrigar seus familiares, amigos e os quadrúpedes e aves de sua escolha. Utnapishtim assim o fez e, depois de seis dias e seis noites, salvou as pessoas e os animais, conseguindo em troca a imortalidade.
Esse trecho da Epopeia de Gilgamesh é um dos mais conhecidos e influenciou várias lendas na Antiguidade oriental, inclusive a lenda bíblica do dilúvio hebreu, famosa pela arca de Noé. Sendo a produção da Epopeia de Gilgamesh anterior à história bíblica, pode-se perceber a influência que a cultura suméria exerceu sobre os povos da Mesopotâmia e do Oriente Médio.
Gilgamesh ainda tentou conseguir a imortalidade, chegando inclusive a descer ao fundo do mar em busca de uma planta que seria capaz de evitar sua morte. Mas o rei perdeu a planta no caminho e, com medo da morte, já em sua cidade Uruk, evocou seu amigo Enkidu, que lhe contou sobre a vida no mundo das trevas.
A epopeia se tornou famosa no mundo pela sua antiguidade e pela semelhança com a lenda do dilúvio bíblico hebreu.
http://m.mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/a-epopeia-gilgamesh-diluvio.htm


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A REPÚBLICA DOS CAIXÕES

 


República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

Para um exército de esfomeados, um exército de caixões.
Pelo andar da fome até parece uma grande negociata de caixões.
Oh! Como é belo contemplar a miséria e a fome, a principal maravilha de Angola.
Na guerra do Vietname, quem a ganhou foi o rei do aço. Na guerra da fome quem a ganha são os negociantes de armas e de caixões.
É preciso salvar as crianças da fome. Na RDC já há vandalismo contra as igrejas católicas. São três milhões que estão a morrer de fome e que estão a ser abastecidos por uma ponte aérea. No Sudão do Sul são cem mil, dentro de um mês serão um milhão, e dentro de alguns meses serão três milhões de famintos. E em mais alguns países o cenário é mais ou menos idêntico. Em breve o flagelo chegará a Angola, na África do continente da pandemia da fome.
Sobre as crianças que sem misericórdia são abandonadas à fome: Eu vos amaldiçoo pelo mal que me têm feito, e pelo mal que fazem às crianças.
Desvanece-se a esperança, dela só resta uma ténue lembrança. Os dias passam como que céleres, muito tristes, a aguardarem pelos momentos mais tenebrosos, cruciais, mortais e nada mais, dos caixões aos montões. Do Novo Jornal, “A revisão da legislação cambial e do sistema bancário nacional, anunciada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, para regular a movimentação de divisas, deverá passar pela redução considerável de utilização de moeda física. Segundo fonte do BNA, as operações com divisas deverão ser garantidas entre instituições bancárias, sem que os clientes tenham acesso à moeda estrangeira, como sempre aconteceu. "Vamos ser mais rigorosos na cedência de divisas. Quem precisar de dinheiro poderá requerer uma transferência bancária interna ou externa", explicou um dos administradores do banco central. A outra forma de utilização de divisas prevê a massificação dos cartões de crédito para "facilitar a vida", sobretudo, de quem viaja”.
Economista Precioso Domingos na DW. “Até já existem rumores de que provavelmente o nível de reservas internacionais que o país possui talvez não seja o que o Banco Nacional de Angola (BNA) vai divulgando. E isso depois vai se evidenciando também pela apatia do BNA em vender divisas.”
Homem que arranja mulher maluca, francamente, com tantas mulheres que há por aí, também é maluco, muito mais maluco que ela.
“Quando nasci, perdi a maior parte da minha visão porque aplicaram um colírio errado nos meus olhos. Na adolescência, fiquei totalmente cega e entrei em depressão profunda.” – Paqui, uma mulher de meia-idade cujo marido também é cego. (Despertai! Novembro de 2015)
Apesar das apostas feitas, o reino das mentiras da energia eléctrica continua. Hoje, 15/02/17, aqui na banda foram oito horas sem a tal popularmente chamada de luz.
O alcoolismo, a grande aposta do muangolé. Um cunhado recebeu em kwanzas o equivalente a três mil dólares do aluguer de uma casa. Ligou-me, só o faz quando está bêbado, e sempre, claro, de conversa incoerente, pediu para passar o telefone na irmã. Fiz-lhe sinal para quando ela acabasse de falar me passasse o telefone. Pedi no meu cunhado um modesto empréstimo, uma vez que ele está balado e nós na desgraça acentuada. Respondeu-me que “ não tenho nada que ver com isso.” (!!!) Vai ser bebedeira de uísque todos os dias até o dinheiro acabar, ou ele acabar com a vida, pois da última vez esteve quase. De salientar que conheço muangolés que alugam as casas e que também passam a vida a beber até morrer, como aconteceu a dois jovens que eram vizinhos. Quer dizer, vida de muangolé é beber.
Disseram-me que abriu aí uma igreja onde lá as mulheres grávidas, os seus filhos não conseguem nascer.
Enquanto tivermos um governo de capatazes de escravos, a nossa escravidão não terminará.
Louvo os taxistas porque com eles os escravos de Luanda e arredores, leia-se Angola, fazem com que consigamos sobreviver aos esclavagistas que nos governam.
Não parece, mas é a dura realidade: Angola também tem um impressionante exército de bajuladores que obriga por todos os meios a que haja também um exército de burros. E deste exército nasce outro: o exército dos analfabetos, a matéria-prima de quem reina sem oposição.
Presidiárias da cadeia de Viana estavam a receber cursos, de repente ficaram sem eles porque lhes estão a exigir que façam relações sexuais. (In Revista da Manhã. Rádio Ecclesia, 17/2/17)  
Como só temos políticos que falam da boca para fora, de nada adianta ter esperança que isto melhore.
O Governo de Angola é muito jogador porque aposta em tudo … e tudo perde.
E todas aquelas que destroem a felicidade dos outros, que as portas do inferno se abram e as chamas as devorem, mas antes disso têm que sofrer muito.
Só mesmo em Angola: quem emite opinião contrária é porque é da oposição.
Como se pode falar de economia real se ela é irreal.
Comício de um pai para a sua esposa e filhos: “aqui, quem não votar no Mpla, mato-o, porque não quero perder o meu emprego.”
O filho de uma madrinha de uma vizinha queria viajar, mas foi proibido de o fazer porque não tem cartão de eleitor. Aflito, já foi tratar de o obter. Aqui ponho uma questão: se ele não quer tratar do cartão de eleitor, apesar de ser obrigatório, é porque não quer votar, não vai votar, pelo que não se entende tal medida coerciva.
A corrupção não se altera, actualiza-se.
Corruptos a lutarem contra a corrupção?! De nada adianta ter esperança que isto melhore.
Sempre os mesmos, sempre a fazerem a mesma coisa, sempre tudo permanece na mesma, excepto os esfomeados que não param de aumentar.
Em conversa captada na rua ouvi que as mulheres no São Paulo que guardam as coisas para venderem, decidiram também deixar lá o dinheiro com receio do comité de especialidade dos assaltantes, a instituição nacional dos assaltos, os bandidos que as esperam no regresso das suas casas. Mas, segundo elas, os polícias assaltaram o quintal, ou quintais, e levaram-lhes tudo. Algumas não suportando a perda do negócio, a única coisa que lhes resta para sobreviver, desmaiaram. Quanto aos haveres e dinheiro nada há a fazer, pois lei sem lei da sentença não se pode recorrer, não se pode defender.
19/02/17, 22.55 horas. Um pavoroso grito masculino de pessoa adulta que durou alguns segundos, um grito antes do estertor da morte? Não, não era nenhum filme por aí, porque a esta hora a cidade fica uma cidade fantasma.

A mais velha tem sessenta e tal anos, cortaram-lhe a água, vive num quarto andar e faz sacrifícios para a carregar porque as suas pernas estão quase paralíticas, pouco falta. Vive da caridade dos vizinhos prometendo que quando o seu marido, filho, só tem um, ou irmãos, quando receberem pagará a dívida. Na televisão só falam do Mpla e dos outros partidos não, até lhe sublimam que isso é fraude. Mas ela defende o seu Mpla dizendo que quando os outros forem para o poder também farão o mesmo. Já conseguiu o cartão de eleitor e apesar da miséria em que se encontra diz para os seus mais próximos que vai votar no seu Mpla, no seu grande amigo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O PARAÍSO PERDIDO A OCIDENTE (22)


 
Um pelotão foi lançado numa operação. Comandado pelo alferes Santos interceptaram uma coluna de guerrilha que carregava abastecimentos. Não houve tiroteio porque conseguiram fugir, mas deixaram para traz uma jovem que capturaram e trouxeram para o aquartelamento. Era muito magra e alta deveria ter aí uns trinta anos. Apesar de mal vestida notava-se que era bonita. Com ela vinha um carregamento considerável de liamba também capturado. O capitão partiu para o Toto na companhia do troféu de guerra. Uma pobre jovem que seria entregue à Pide.

Com o capitão ausente alguém teve a ideia de experimentar fumar liamba. Não queria acreditar no que acontecia. Primeiro foram os oficiais e furriéis, com um a vigiar que não tinha fumado para que possíveis casos de reacções imprevisíveis fossem controlados. Depois deles foi a nossa vez com os furriéis a vigiarem-nos. Disseram-me que as sementes faziam mais efeito. Fiz um cigarro e fumei. Depois senti sono e deitei-me. Surgiu uma visão maravilhosa da Belita. Estávamos no paraíso. Rodeados de flores muito bonitas, ela estava num baloiço suspenso numa árvore. À nossa volta nuvens brancas transparentes. Enquanto empurrava o baloiço ela sorria maravilhosa. Sentia-me a pessoa mais feliz do mundo. Acho que dormi cerca de três horas, depois veio um apetite devorador. Uma vontade louca de comer. Tornei a fumar mais uma vez e veio a mesma visão. Os mesmos sintomas. Disse para mim que se droga é isto, nunca dependerei dela, e nunca suportarei ser dominado pelo irreal. Prefiro enfrentar a realidade e nunca mais fumei. Um ou outro companheiro a quem perguntei se sentiram alguma coisa disseram-me que não. Um furriel explicou-nos que os sintomas são imprevisíveis nas pessoas.

De vez em quando para mudar de ares formava-se uma coluna que ia de passeio até ao Ambriz. Como lá havia praia, durante dois ou três dias ali ficávamos. Aproveitei e fui lá duas ou três vezes. Havia um restaurante semi-improvisado de um casal português onde comíamos batatas fritas com bife.
Numa dessas excursões que não participei o alferes levou o pessoal até ao rio Loge, e apanharam muitos lagostins com iscas de pão.No aquartelamento os meus colegas disseram-me admirados que havia festa nos pelotões:
- Estão a comer marisco. Apanharam uma tonelada de lagostins.
Fiquei contente e a pensar que ia ter um bom petisco:
- Vamos lá pedir-lhes?
- Eles não nos dão. Dizem que se quiserem vão lá apanhá-los. Esta comida não é para aramistas.
- Sacanas de colegas, é o que são.

Entretanto chega uma mensagem a informar que havia uma grande actividade inimiga na nossa zona. O alferes Lopes comenta:
- O melhor é não arranjarmos problemas. Se não nos metermos com eles, eles não se metem com a gente. Se não atacarmos eles também não nos atacam. Estamos aqui para passar o tempo e regressarmos todos vivos.
Depois disto passei a utilizar um rádio de reserva a escutar noutras frequências o que se estaria a passar com outras companhias. De vez em quando escutava que foi accionada uma mina, e que havia alguns feridos. Significava isto que a situação não era agradável.

O alferes Santos saiu com o seu pelotão para uma área de infiltração previamente determinada. O seu radiotelegrafista comunicou-nos que havia intenso tiroteio. Ficámos atentos ao rádio à espera do pior.
Depois, quando chegaram, as informações que nos deram eram muito confusas. Tiveram recontros com o inimigo. Mas que na realidade era apenas um pobre velho que foi abatido. Um dos batedores do pelotão baralhou tudo, de tal maneira, que como era noite confundiram o velho com um grupo muito numeroso. As guerras têm destas situações. Alguma frustração apoderou-se de nós.

Algures ouvi o som de uma viola. Era muito agradável. Fez-me lembrar o Zeca Afonso. Dirigi-me na sua direcção intrigado de quem seria. Fiquei surpreendido, era o Tchipalanca, um dos integrantes do pelotão Angolano. Era natural do Huambo e professor na vida civil. Perguntei-lhe que música estava a tocar e a cantar. Disse-me que era uma balada da zona leste de Angola.
- Gostei muito de ouvir, toca mais por favor.
A melodia dava-me um grande contentamento. De vez em quando ia para junto dele e pedia-lhe para me tocar alguma música.

Uma mensagem acabada de chegar dizia que vinha para a nossa companhia no próximo MVL- movimento de viaturas ligeiras, com castigo, um soldado. Ele chegou e os seus registos diziam que passava a vida a ser punido. Já tinha acabado o seu tempo de comissão. De punição em punição nunca mais sairia da tropa. Era considerado um elemento perigoso. À mínima altercação ameaçava de morte quem quer que fosse. Tinha socado oficiais com tiros à mistura. Rapidamente o nosso ambiente alterou-se com algumas cenas de pancadaria na caserna. Poucos dias depois numa noite fomos surpreendidos com uma grande algazarra no telhado da caserna. Ele estava com uma granada descavilhada e ameaçava lançá-la. Por mais que se lhe falasse não dava ouvidos a ninguém. Alguém sugeriu que era melhor abatê-lo, mas surgiu o furriel do seu pelotão que enquanto falava meteu bala na câmara:
- Saia já daí é uma ordem!
A resposta foi:
- Meu furriel não se meta nisto, vou matá-los a todos!
 O furriel gritou:
- Vou aí em cima ter consigo e se você tiver coragem pode matar-me. Enquanto o furriel se dispunha a subir ele de repente saltou. O furriel aproximou-se e gritou mais una vez:
- Caralho dê-me a merda da granada!
Ele afastou-se e lançou a granada para o pequeno vale que circundava as nossas instalações sem causar quaisquer estragos. Chegou junto do furriel a chorar copiosamente, e enquanto pedia desculpas abraçou-se ao que foi correspondido pelo furriel. Pareciam pai e filho. Depois foi transferido para outra companhia. Nunca soubemos o que lhe aconteceu depois.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

“ATENÇÃO PERIGO”


República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

É com este título de propaganda da Igreja Adventista do 7º dia, do fanatismo religioso que não fortifica o edifício Angola, muito pelo contrário, muito o enfraquece. O texto que se segue é demasiado elucidativo para Angola que é uma seara fácil para qualquer embusteiro agricultor plantar e nela nascerem ervas daninhas a que dizem ser santificadas pelo testemunho de Deus. Ou como em Angola se permitem actividades de desagregação do monumento nacional. Na verdade vos digo meus irmãos, que isto mais parece um atentado contra a segurança do Estado.
Até no bairro Palanca, em Luanda, há uma rua que é conhecida por rua das igrejas.
Quando a maldade impera tudo o que nos é querido desaba. Com árduo trabalho andámos a vida inteira a construir bem-estar para as nossas famílias, mas onde menos se espera surge um insensato que num ápice faz com que o edifício que construímos se desmorone. E as crianças que antes se sentiam seguras, começam a entristecer inseguras. E o exército de amigos que pensávamos ter, vamos ao seu encontro, em busca do seu auxílio, oh!, afinal são um exército de hipócritas. Quer dizer, sem saber, andámos a apoiar um exército de hipócritas, criámos um bando de monstros que como algozes devoram os nossos corpos. “Até tu Brutus!”E das pobres crianças abandonadas que não têm ninguém para lhes tomar conta, ninguém para as criar. Mais tarde os hipócritas dirão que a delinquência aumentou assustadoramente.
A fome também é uma solução final.
“ATENÇÃO PERIGO: este é um Aviso que lançamos para que o Caro Leitor, tome conhecimento de um Perigo eminente que está sobre si! Este é um aviso a nível mundial. Ezequeil3:19; Marcos 16:15-16. É um aviso que provém de uma fonte segura, digna de crédito e comprovada através de todos os tempos: SJo 5.39; Apocalipse 13. … de muitos acontecimentos que se têm concretizado no passado como o Dilúvio; etc. Amós 3:7; Jesus volta a esta terra e o mundo presente tem seu fim pelo fogo. Acaba o mundo de pecado e será substituído por outro, onde não haverá mais dor, nem clamor e a morte não existirá. As religiões de hoje não oferecem garantias de salvação. Muito em breve tudo terminará. OBS: Procure a Igreja Adventista do 7º dia mais próxima de si ou no seu bairro.”  
«Jason Chaffetz, congressista republicano que preside no Congresso na comissão que supervisiona os valores éticos, foi apupado em #Utah devido à sua opinião sobre as leis do ambiente e de planeamento familiar. O congressista informou o auditório que o Presidente Donald #Trump não é obrigado a respeitar as leis contra o Nepotismo e a Corrupção dos EUA, porque, como presidente, está acima da Lei.» (recebido via email from #USA) : (Onde é que já li isto?) E não foi dos States. (Eugénio Costa Almeida)
Quando jovens, e claro, inexperientes, cometemos erros porque não escutamos a experiência dos nossos pais ou dos nossos avós. Há quem prefira ir por aí na aventura de cabeça de vento e declarar que é com os nossos erros que aprendemos, quer dizer, temos que errar para aprender. Claro que este conceito do seguir em frente na estrada da vida da desgraça, essa estrada onde não se pode retroceder porque se segue a regra do: é preferível estragar as nossas vidas e as dos outros que nos são queridos, pais e avós, porque essas cabeças no ar descobriram o reino da pobreza mental. Mais tarde, esses erros pagam-se tristemente, tais erros pagam-se bem caros como se um raio nos fulminasse. Especialmente quando escolhemos uma mulher que pensamos ser aquela dos nossos sonhos, mas que depois descobrimos ser um horrível pesadelo. Sim, a mulher dos nossos sonhos é afinal um demónio, do qual nos arrependemos para o resto das nossas vidas. Por isso jovens, muita cautela porque os braços de tais mulheres são forcas nos nossos pescoços e nos nossos corações.
Um bom sacerdote serve para dizer aos crentes que o fim do mundo está próximo, e os crentes acreditam, porque esta é a função deles. Não é por acaso que é deveras importante manter de modo permanente um exército de analfabetos, pois sem eles o sacerdócio é inútil.
Está bom! Vida de otário é assim. Liberta-te do medo, da miséria, da fome e da escravidão. Se não te libertares agora dessa miséria e escravidão, depois não conseguirás, porque essas coisas são como um pântano de areia movediça que nos engole.
A notável realidade é que Angola está a formar um exército de anormais.
Ó vós que nos governais! Nós, famintos que pela lei da morte perecemos vos saudamos!
Ó república do tudo é vergonhoso e que a todos envergonhas.
Pronto, uma pessoa morre, choveu muito naquelas casas e na casa da mais velha não. Deu um rebuçado à criança, e culpam a mais velha de fazê-la adoecer, mas ela já andava doente. Vai daí acusa-se a anciã de feitiçaria, de culpada de todos os males que acontecem, ou se inventam. Os vizinhos enchem-na de pancadaria até desmaiar, despem-na, regam-na com gasolina, ateiam-lhe fogo, e pronto, aí temos a inquisição angolana em pleno funcionamento. Claro que as vítimas preferenciais para as fogueiras desta inquisição angolana da feitiçaria são pessoas indefesas. Idosos, idosas e crianças são as vítimas dos autos-de-fé. Esta é a maravilhosa aurora que nos espera, mais um projecto, mais uma aposta na nova vida.
Um povo subjugado, dominado pelo fanatismo religioso, na miséria e na fome vive feliz, porque isso até está na Bíblia, dizem. Tudo o que de mau acontece está na Bíblia. O Senhor está a vir aí, dizem, mas há mais de dois mil anos à espera Dele, e Ele não aparece. Não! Não! Ele há-de aparecer. E os incrédulos e os que não acreditam Nele, serão julgados, condenados e as portas do Inferno se abrirão e pelas suas chamas purificados serão. Mas que ditadura, hã! Vivermos e morrermos pela fome é a vontade de Deus. O que está escrito nas sagradas escrituras deve ser cumprido. Assim seja! O fanatismo é a lei que nos governa, que nos condena.
E esta! Aqui na banda, onde o vento faz a curva, uma eleitora já quase cinquentona, propagandeou que se a Unita ganhar as eleições, até as parabólicas nos vão tirar.
Aqui é proibido encontrar soluções para os milhentos problemas que nos afligem. Só há capacidade para criar problemas, somos peritos nisso, e é verdade adquirida que há uma grande capacidade para não resolver nenhum problema. Também sempre os mesmos a pensarem (?), com as engrenagens das caixas de velocidades gripadas, as ideias ficam bloqueadas porque é isso mesmo que se quer.
Tornou-se vulgar, só se ouve falar de mortandades, de pessoas assassinadas ou correlatas. O dia de amanhã apresenta-se pois muito lúgubre, de constante luto.
A quem gosta de viver na miséria, na fome, na escravidão, são gostos, e gostos não se discutem. E sob o comando do analfabetismo, unidos venceremos.
Pessoas que o único livro que leram foi a Bíblia, não dão para conversar porque são doutoradas em fanatismo, e esses são muito perigosos porque em nome da Bíblia tudo destroem porque acham-se mandatados por Deus para o fazer. Tais pessoas fanáticas são o nosso inimigo público número um.
Quem diz que anda protegido por Deus, e que num infortúnio, Deus não vai permitir isso, só pode ser com toda a certeza anormal, perito na loucura, porque o deus de Angola é o demónio.
Segundo a História Universal, quando uma família comanda e se apodera de um país, o destino final acaba em tragédia. Sublinho: está na História Universal.
Creio que no arranque do sistema operativo Windows, no lugar de “aguarde” deveria ler-se “espere para ver”.

upanixade@gmail.com

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A ILHA DO TUBARÃO



Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

É um país numa ilha que antes estava dominado por um tubarão que conseguiram matar, mas que depois como numa linha de sucessão logo foi substituído por outro muito mais perigoso, terrivelmente poderoso. Grande, terrivelmente assustador. Até ganhou laivos de adoração como se fosse um deus enviado por Neptuno. E o tubarão ia fazendo vítimas, quem ousasse aproximar-se a modos como que de manifestação, apanhava, pois o tubarão já dera sinais de que tal não seria permitido nos seus domínios. Atacava sem dó nem piedade e num ápice devorava os desrespeitadores das suas ordens superiores. Os partidos políticos da oposição bem protestavam e nos tribunais se queixavam, mas qual quê, tudo ficava em banho-maria. Perante tal paralisia política o tubarão atacava com à-vontade, fazia o que queria, o que bem lhe apetecia. Na contabilização dos desmandos facilmente se verificou que eram de tal monta que a oposição decidiu que já não engolia mais sapos, desconhecendo-se qual anfíbio anuro a seguir se engoliria. Mas numa reunião muito importante – porquê que todas as reuniões são sempre muito importantes?, - depois de longos debates decidiu-se que não se engoliriam – agora desta vez - mais rãs, porque já não havia sapos.. Sinceramente que sinto imensa pena destes pobres anfíbios anuros que não fazem mal a ninguém, mas como é o país das epidemias, tudo é para extinguir. E a oposição decidiu finalmente que com a imposição de engolir rãs que seriam tomadas medidas drásticas. Claro que ninguém sabe que medidas serão. Casais revolucionários de uma casa assim como uma espécie de divorciados apostavam que como alguém disse, um político tipo incendiário que, “tinham tudo para ganhar”. Mas também não se sabe o quê, talvez uma barbatana do tubarão para fins afrodisíacos. Era simplória conversa de descasa, porque tinha, vinha de fracos alicerces. Mas, ao tubarão ninguém atacava, ninguém ousava, só se conversava e daí não se passava. Ninguém tomava iniciativa porque o tubarão reagia com força muito repressiva. De longe os mirones contemplavam o tubarão e chamavam-no de todos os nomes: que era corrupto, grande adepto do nepotismo, porque passou a ilha para os seus filhos dando-lhes plenos poderes, que dali jamais sairia porque como tubarão na água se sentia. Até uma estação de rádio despertou e muito do tubarão falou, a população lá nessa rádio muito badalava, nunca se cansava. E nada se resolvia, logo nada se decidia, o tubarão ninguém vencia. De todos os pontos do país/ilha vieram muitos revolucionários e sacerdotes que pregaram a revolução ao tubarão, mas ele agitava fortemente o mar fazendo altas ondas que invadiam a praça dos pobres diabos oposicionistas obrigando-os à debandada geral. Depois da fuga iam para a rádio apelando à população que despertasse pois isso não compete aos líderes da oposição é obrigação da população. Mas, um iluminado contra-argumentou que assim não dá porque é uma singularidade isolada, e que assim não se resolverá nada, porque com cabeça de carneiro tresmalhado tudo é esfumado. Ninguém sentia a democracia, ou disso quase ninguém sabia, o que isso significaria. Todos queriam o poder, mas não sabiam o que dele fazer. E os verdadeiros intelectos deles se afastavam porque com gente assim não pactuavam. Sem liderança não há democracia, não há resistência, não há revolução, não há esperança. Ser corrupto é ser patriota, tudo o mais é antipatriota. Numa sociedade corrupta até as moscas são corruptas, é o ambiente ideal para os revolucionários de meia-tigela. Quem está no poder é a miséria e a fome, e a oposição fecha os ouvidos.
Isto aqui não dá para suportar tanta maldade vinda de todos os quadrantes. E na noite alta, a miséria e a fome são péssimas conselheiras. Aumenta o número de jovens, pode-se dizer quase crianças, que assediam os caixotes do lixo na azáfama de lá encontrarem algo para comer, ou qualquer utensílio que ainda tenha utilidade ou que mesmo estragado dê para recuperar. No zango 4 em Viana, arredores a Norte de Luanda, o meu neto de cinco anos estava a brincar no largo próximo de casa com outro neto de dez anos, irmão, quando quatro miúdas se atiram no neto de cinco anos e o arrastam. O neto mais velho em socorro do irmão levou chuva de pedras, mas com sorte saíram ilesos. “Olhe o lobo com pele de cordeiro. Já te devorou!”
Quatro horas da manhã, oiço o gritar horroroso que pela voz é de uma criança, talvez de seis a oito anos, misturado com palavras que se não conseguem perceber, próprio de quem está a ser torturado, ou vai para um matadouro. Levanto-me e corro na direcção da varanda para ver o que se está a passar, mas oiço ao longe o grito que desaparece na noite. Quer dizer que ia num carro.
Segundo o doutor Maurilio Luiele que falou na Rádio Despertar, sobre o vírus Zika com três casos em Angola, que é a ponta do icebergue – o ministro da saúde doutor Luís Gomes Sambo, disse que Angola está vulnerável, eu diria, muito vulnerável, a epidemias – porque a ponta do icebergue será de trezentos a quinhentos casos. E que Angola continua com a mais alta taxa de mortalidade infantil do mundo. Já agora, a epidemia da cólera está esquecida? Porque não se divulgam números diariamente?
No programa Angola Fala Só, da VOA-Voz da América, do dia 03/02/17 dedicado à infâmia das Lundas, os contactos telefónicos foram cortados, “não se consegue falar com Angola” disse Santa Rita.
Amigo leitor, pode e deve acompanhar as minhas três séries que estou a publicar no meu blogue gilgoncalves.blogspot.com, porque no Folha8 não há espaço para as publicar, ei-las: A Economia Sem Mercado. Ficção Científica As Crónicas do Marcos, e A Ocidente do Paraíso Perdido, não perca.
“Sempre faça tudo que você pede daqueles que comanda.” (George Smith Patton 1885-1945)
No mês de Janeiro de 2017, aqui na área tivemos um total de dezasseis horas sem energia eléctrica.
Isto é tudo deles, por isso têm o direito de nos matar. Disse um cidadão, que devido à ingestão de milhares de sapos ganhou uma grave indigestão, e que está em risco de apoplexia por causa da intensa propaganda da TPA-Televisão Pública de Angola.
Sapos, mais uma espécie em vias de extinção porque a Unita, e não só, mas porém, todavia, engoliu-os todos. Creio que a seguir serão os lagartos que seguirão o mesmo caminho da extinção.
“Nem o MPLA, que é o Estado, tem manifestado vontade política, nem a oposição, que está paralítica, nem a sociedade civil, que está sufocada, têm revelado possuir capacidade e fôlego para dar um murro na mesa e desalojar as raposas que assaltaram e se apoderaram do nosso galinheiro.” (Gustavo Costa no Novo Jornal 04/02/2017)
Ruptura na CASA-CE: Coligação desmente comissário que acusa Chivukuvuku de pagar milhões de Kz para manter liderança. "O companheiro Abel, para evitar a crise, tinha de tomar uma posição. Então chamou algumas pessoas que achou conveniente para discutir a preocupação dos partidos que suportam a CASA. Chegaram à conclusão que cada presidente tinha de receber 500 mil kwanzas por mês e os partidos, outros 500 mil", garante o dissidente, para quem a liderança de Chivukuvuku está "presa a esses acordos secretos, que nunca vão permitir que a CASA se transforme em partido". (Novo Jornal 06/02/17). A grande fortuna que William Tonet gastou e gasta na CASA já é do domínio público. Entretanto, foi dito na Rádio Despertar que Lindo Bernardo Tito foi ruado do partido PRS por desvio de fundos.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

1ª Guerra Mundial. A INFANTARIA CANADENSE NO SOMME




Trecho de uma carta do soldado William H. Gilday, 82º Batalhão da infantaria canadense, a sua irmã, descrevendo suas experiências na Batalha do Somme: Nós fomos à linha de frente uma noite. Os “Fritz” nos bombardearam enquanto avançávamos e, claro, acertaram alguns dos nossos homens. Nós ficamos na trincheira até de manhã, sem ser muito incomodados e, em seguida, os atiradores entraram em ação. Eu imagino que, se colocássemos uma moeda um pouco acima do parapeito e eles pudessem vêla, eles a derrubariam. Perto do meio-dia, recebemos a ordem para ir até o topo. E assim fizemos. Eu sei que você acha que as pessoas correm, berram, gritam e
esse tipo de coisa, mas não é assim. Pelo menos não foi assim naquela ocasião, pois nós andamos muito discretos e silenciosos. Eu só posso falar por mim, pois, até eu chegar ao arame farpado, minha mente só ficou parada. Eu não pensava em nada. Alguma coisa me atingiu na perna e rasgou a minha calça. Aí a minha mente funcionou ao máximo. O barulho era enlouquecedor, as balas passavam zunindo por mim, cantando sua canção de morte, estilhaços gritavam acima e a artilharia estourava em todas as direções. O ar estava cheio de ferro e chumbo e praticamente todos os meus companheiros morreram. Eu não consigo, de jeito nenhum, imaginar como eu escapei. Eu não sei como alguém poderia ter sobrevivido. No entanto, vários outros, assim como eu, atingiram as trincheiras alemãs, mas só tinha uns poucos “hunos” ali. Nós não tínhamos oficiais, apenas o sargento ferido e oito homens, então, não
sabendo o que fazer, preservamos aquela ponta, pois os homens à nossa esquerda nunca chegaram à trincheira. Fiquei lá por horas, tremendo de medo e esperando ser o próximo a cada minuto. Naquela tarde, eu entrei em outra trincheira com mais alguns homens e uns oficiais. Perto da meia-noite, de novo nos deram ordens de subir até o topo. Mais uma vez, eu consegui chegar com
segurança, mas, como antes, havia apenas uns “hunos” para nos saudar. Eles correram deixando tudo, até mesmo os seus fuzis. Estávamos lá há três dias e três noites, e eu escapei por pouco de alguns tiros. Deus certamente fez um bom trabalho cuidando de mim, pois eu me sentia bem doente. Eu gostaria de poder lhe contar tudo o que aconteceu, mas você nunca iria entender como as coisas são. Eu recebi uma bala bem no meu bolso esquerdo, e ela passou pela minha caderneta de pagamento e algumas fotos. Estou mandando junto uma
das fotos que foi perfurada, para que você possa guardar de lembrança. A bala nunca me tocou. A fotografia perfurada era do irmão de Gilday, Clem, dos Engenheiros Canadenses, que foi morto em ação na França, no final daquele mês.

A Primeira Guerra Mundial. Lawrence Sondhaus
Imagem: http://www.rusmea.com/2014/06/a-frente-ocidental-parte-2-primeira.html
Fonte: Publicado inicialmente no Calgary Daily Herald, 6 de novembro de
1916, disponível em
www.canadiangreatwarproject.com/transcripts/transcriptDisplay.asp?
Type=L&ld=27.