sábado, 12 de agosto de 2017

BREVE HISTÓRIA DESTA MISÉRIA




República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos


Miséria: estado de enorme sofrimento; infelicidade, desgraça. Estado de carência absoluta de meios de subsistência; indigência, penúria. (Dicionário Houaiss)
No princípio eram as cavernas. Vivendo em grupos como animais gregários caçavam para se alimentarem e vestirem. Tudo parecia bem até que um grupo desconhecido chegou. Vinham armados com tíbias, invadiram as cavernas e não encontrando resistência logo sujeitaram o indefeso bando obrigando todos a trabalharem de borla. Isto perpetuou-se por milénios de geração em geração originando ao longo da História uma classe miserável que se mantem na miséria subjugada pelos descendentes das tibias. Já com o estatuto de classe miserável, devidamente assessorada pelas igrejas que lhe ensina como um rebanho dócil se deve comportar, nada mais resta para a miséria continuar. Precisamente a religião inventou-se para perpetuar a imbecilidade, a submissão, a superstição, a prisão do intelecto que obriga a pensar sempre na mesma e única direcção, o vazio do céu. À classe dos miseráveis se convencionou chamar mandiocas. A classe dos dominadores foi denominada lagostas.
“Meu trabalho torna-se a imagem de um reinado partido, de um estranho período de loucura e vergonha humanas - e à Igreja - A civilização jamais alcançará a perfeição até que a última pedra da última igreja caia sobre o último padre.” (Émile Zola (1840-1802).
Construindo a cidadania da miséria: as tácticas do patrão muangolé para não pagar os salários dos trabalhadores continuam. Neste ínfimo exemplo, os trabalhadores da construção civil que fazem o restauro de um apartamento estão há quase dois meses sem salários porque a patroa está de viagem… no estrangeiro. Só que alguém a viu num domingo em visita ao apartamento, assim no estilo de que ninguém me verá, ninguém saberá que estou cá. É o marasmo da gestão da miséria empresarial. Este modelo está bem inculcado no nosso empresariado. Fogem para o estrangeiro para não pagarem os salários. Com esse dinheiro que é um autofinanciamento sem juros, fazem negócios e com os ganhos, lucros, pagam os salários sem dispêndio de gastos. É miséria, só miséria. Um espécime destes com quem trabalhei chegava a deixar os trabalhadores três meses sem salários. Os kwanzas trocava-os por dólares e ia a Portugal periodicamente depositá-los. De certo modo esta prática generalizou-se, assentou arraiais e funciona como se estivesse legislada na LGT-Lei Geral do Trabalho. Ó porca miséria!
Os salários milionários do Fundo Soberano de Angola: administradores ganham 43.600 USD mensais. Trabalhadores levam para casa 3.800 USD ao fim do mês. Cada membro do conselho fiscal recebe 22.000 USD mês. Fundo angolano gasta 4,5 vezes mais do que o de Timor mas é 3,4 mais pequeno. (Expansão 04/08/17)
Contribua para a miséria, roube à vontade e jure que você não tem nada que ver com isso, o grande culpado, neste caso, culpada, é a crise.
Um grande contributo creio que o principal é o alcoolismo, essa milenar universidade de Angola. A feitiçaria é a academia de ciências sociais. Os hospitais são necrotérios. A corrupção é a tão propalada força motriz da sociedade. Só o alcoolismo nos liberta desta miséria.
“Sobre os romanos, que antes eram tão poderosos, tornaram-se escravos de prazeres corruptores e só precisam de pão e circo.” (Juvenal, entre 55-60-127)
Vê-se nitidamente nas crianças o futuro da nação da fome que as espera. Isto não é uma nação é uma infernal corrupção. Quanto mais coisas nos prometem mais desgraças nos acometem.
Sinto-me como Dante (1265-1321) quando disse que pertencia a um partido com um único membro.
Nesta miséria galopante, Angola fortemente aspira a um caixão para que o seu governo seja um cemitério.
Quando um governo age como polícia e não como gestor, creio que é isto que dá pelo nome de estado policial.
Se o colapso de Angola não for resolvido depois do dia 23 de Agosto, então a miséria ficará sem solução por tempo indeterminado. E as bichas no multicaixa aumentam, tudo é composto de bichas.
Quem é que disse por aí que é possível acabar com a miséria? A empresa Só Bandidos, Ilda, (ilimitada) é a empresa com mais funcionários em Angola. São aos milhares, aos milhões. A sua principal actividade é os assaltos. De tal modo é poderosa que logo desmantelada pela Polícia, logo surge outra sede com novos sócios e muitas sucursais, o que faz com que a sua actividade seja impossível de extinguir.
Outro aspecto revelador da miséria do novo-riquismo é as suas casas por dentro estarem muito bonitas, muito luxuosas, mas por fora estão em risco de desabar. Mais caricato é outras casas de novos-ricos que por fora estão rodeadas de esgotos ao ar livre.
Acredito que é pelo elevado número de santos, há muito que o céu está inflacionado deles, que as coisas estão como estão… no rumo de mais carnificinas. Aqui pode-se dizer que a principal actividade dos homens é a carnificina, onde todos os seus cainhos levam à mais sublime invenção: a miséria.
Civilização é os Estados Unidos da América e a Europa Ocidental, o resto é selvajaria?
Há muito tempo que nos martelam os ouvidos que com a independência o povo colonizado, e claro, escravizado, ficaria livre e feliz. Hoje esse povo abandonado morre de fome vitimado pela república das crises.
A corrupção sendo generalizada é por demais evidente que as eleições serão corruptas.
Na Rádio Despertar: Adelino João Cassoma, responsável da Unita na Lunda-Norte, (numa original campanha eleitoral) foi preso, torturado, morto e depois amarrado com uma pedra muito grande e atirado para o rio Cuango infestado de crocodilos.
No dia 07/08/17 ouvi na Rádio Despertar que em Kinshasa, capital da RDC, houve tiroteios em vários bairros com um saldo de doze mortos. Depois fiquei a pensar: que pelos noticiários há tiroteios por toda a África, como se a sua designação fosse o continente dos tiroteios. A África negra está uma catástrofe. Os governantes governam como deuses fazendo com que haja como que uma certa propensão para a miséria e a fome.
Angola está de parabéns, por mérito próprio e grande empenho, porque conquistou mais uma vez o tão cobiçado prémio da miséria do descontrolo total. Angola, como sempre, aposta nas suas capacidades inatas, aposta fortemente no futuro. A aposta da miséria é a chave para abrir as portas da felicidade. Muita miséria, povo muito feliz.
O mais velho já com sessenta e poucos anos de idade lamenta a sua miséria para uma vizinha, “tinha quatro hiaces que faziam o trabalho de táxi. Tinha quatro casas que me garantiam o sustento e me faziam levar uma vida bem regalada. Não sei onde tinha a cabeça, fiquei sem nada, estou na miséria.” O coitado faz uma pausa com as mãos na cabeça, agita-a e, “mas onde tinha a minha cabeça? O que é que eu fiz da minha cabeça?!” A vizinha condoída diz-lhe para se acalmar porque se continuar a pensar nisso acaba como muitos, com uma trombose. O mais velho foi-se embora, e uma vizinha que ouviu a conversa sem nada opinar, diz para a outra: “Esse, conheço-o bem, ele tinha muito dinheiro, tinha dez mulheres, gastava… gastava dinheiro à toa, bebia… bebia muito, andava sempre bêbado, e nas bebedeiras as mulheres conseguiram apanhar-lhe os carros e as casas. Agora, olha, chupa no dedo. Mana, vida de muangolé é mesmo assim. Quando eles têm algum dinheiro gostam de se armar em ricos, ter muitas mulheres e depois ficam sem nada. Mana, nós não damos mesmo nada porque não conseguimos sair da miséria. Por causa da nossa burrice os estrangeiros vão sempre dominar-nos, e a escravidão será o nosso emprego.”


sábado, 5 de agosto de 2017

SONHO DE MAIS UMA NOITE DE FARSA ELEITORAL



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Normalmente as eleições nos países democráticos são levadas muito a sério, localmente são transformadas em farsas porque os seus dirigentes no poder acreditam talvez por obras de adivinhos, de feiticeiros, de igrejas, que são dotados de poderes extraordinários. Acreditam piamente que foram eleitos por Deus e que só a Ele devem contas. As populações têm que se ajoelhar aos seus desejos, ou fugirem para bem longe porque tais soberanos têm poder de vida e de morte sobre elas. E quando lhes dá na real gana ordenam a excomunhão sumária de quem lhes caiu no desagrado. Tudo e todos se submetem às vontades reais que muito exigentes assiduamente exigem sacrifícios humanos para se manterem no poder. Há que satisfazer as forças ocultas que os comandam conforme os pactos secretos tramados.
Como num sonho a farsa eleitoral voa para o espectro das eleições anteriores, isto é, tudo se compõe de farsa, de pesadelos. Parece incrível como as igrejas se intrometem na farsa eleitoral, como se de outra CNE-Comissão Nacional Eleitoral se tratasse, como se Deus perdesse tempo com isso. Fazem-se promessas mirabolantes como se o barril do petróleo estivesse nos tempos áureos, e os carneiros acreditam que rapidamente a felicidade virá como um presente. Promete-se o céu, mas tão cedo o inferno não arredará pé.
A inflação já está consolidada e devido ao saque brevemente os cofres estarão vazios, depois virão os cavaleiros do Apocalipse que num galope louco estenderão bandeiras com os dizeres: Eis que vos trago a consumação dos séculos. 
Alves da Rocha no EXPANSÃO, 31/07/17: “De que forma a economia vai colapsar? A economia angolana já está a ser ameaçada por alguns meteoritos de elevado poder de destruição, tendo eu dúvidas de que nos tempos mais próximos se possa desviar a sua rota de colisão, na ausência do único carburante válido e convincente: o preço do petróleo, que continua numa rota absolutamente de estabilidade em torno de 48 USD o barril. As RIL (reservas internacionais líquidas) do país estão em níveis nunca verificados depois de 2002. Quem é que propõe, caso seja Governo, um salário mínimo equivalente a 500 USD? Um salário mínimo de 500 USD por mês (outra promessa irresponsável, quando o valor da produtividade média do trabalho, em 2016, foi de 13.000 USD) só será possível quando o PIB de Angola atingir a cifra de 250 mil milhões USD (o seu valor em 2016 não chegou aos 100 mil milhões USD).”
A empresa Só Colapsos, Sarl, apostou no colapso de Angola e conseguiu. As filas de famintos não param.
Um país que só produz miséria acaba como? É muito fácil de responder, de saber, portanto não adianta falar mais nada.
Pensava-se que a independência era andar para a frente, afinal é andar para trás, sempre. É por causa de quimeras como estas que destruímos as nossas vidas, e as famílias desaparecem como se não tivessem existido. Angola, uma completa desilusão em todos os aspectos.
Presentemente ser governante, é sem pejo declarar que para isto e para aquilo não há dinheiro devido à crise. Mas eles não abdicam de nenhumas regalias e de nenhum luxo. Quer dizer, ser governante é falar que devido à crise não se pode fazer nada.
O mais importante é pôr os motores da corrupção no máximo, porque na corrupção nunca há crise, porque desviar as verbas do erário público é fácil porque isso é a função dos corruptos.
Onde há miséria e fome não há entendimento, há violência. Parafraseando Bertolt Brecht: violenta se diz da miséria, mas não se diz violenta a fome que a oprime.
Considero que não há nada mais anedótico do que um padre a discutir política.
Como é muito triste ouvir multidões de comentadores e analistas políticos já há muito ultrapassados. Sim, é muito destrutivo.
Se a religião é uma coisa contemplativa porque é que circulam carros a publicitar os dons divinos com urros em altifalantes a anunciar a vinda do Senhor, que não vem nem nunca virá, pois ele não está para os aturar, já há muito que está fartíssimo desta grandessíssima merda, nos estrondosos berros de estremecer prédios. Pensam que o Senhor é surdo? Claro que não, o que só prova que o que existe é demasiada falsa religião.
Má política é escutar um mau político.
Há sete anos que vivo todos os dias triste.
Com o colapso, agora, estrangeiro que aqui ficar ou para aqui vier é um genuíno aventureiro ou um fanático comunista.
No minimercado Pomobel, na rua rei Katyavala em Luanda, o litro de vinho mais barato subiu repentinamente duzentos kwanzas. O colapso está de tal ordem que neste minimercado já se vende sopa cozinhada em casa.
“Três coisas não podem ser escondidas: o sol, a lua e a verdade". (Siddharta Gautama, o Buda, (563-483 a. C.)
Na campanha eleitoral, Abel Chivukuvuku da Casa-Ce, disse que se ganhar as eleições, os trabalhadores da TPA-Televisão Pública de Angola, serão despedidos.
Mensagem recebida no Facebook: Por favor não atende chamadas com os seguintes números: 91203854 / 91485030/ 90979363/ 90138988 porque estão à procura de sacrifícios humanos para os rituais deles, só a voz basta para ser sacrificado, pfvr envia essa sms aos teus amigos.
“A oposição durante toda a fase preparatória quis ser politicamente correcta (ou cobarde?), com medo de ser acusada de incitar à violência e à guerra, demitiu-se inclusive de apoiar manifestações da sociedade civil … ROUBAR É UM DEVER REVOLUCIONÁRIO … O exército dos famintos, dos pobres, desempregados e desmobilizados das guerras, não pára de crescer e, nas zonas urbanas, o ostracismo a que estão votados os quadros que não bajulam, pode propiciar a descrença no multipartidarismo, na democracia, nas eleições, por verem que nada vai mudar” (William Tonet In Folha 8 edição 1328 de 29/07/17)
“É certo que tudo isto tem custos, e não são poucos. Mas havendo tudo isto, haverá um fluxo de turismo que irá suportar não só todos estes custos como, ainda, dará para desenvolver a cidade e toda uma região envolvente.” (Eugénio Almeida, Mbanza Kongo para Dia Nacional da Cultura In Novo Jornal, edição 492, de 21.Julho.2017, página 19)
Marlon Brando (1924-2004) fez o seguinte comentário sobre a sua vida sexual em uma entrevista com Gary Carey, por sua biografia em 1976 The Only Contender: " A homossexualidade está tanto na moda que já não faz notícia. Como um grande número de homens, eu também tive experiências homossexuais e não me envergonho. Nunca prestei muita atenção ao que as pessoas pensam sobre mim. Mas se há alguém que está convencido de que Jack Nicholson e eu somos amantes, eles podem continuar a fazê-lo. Acho que é divertido. " (Vikipédia)
No Facebook: “Caros companheiros da luta, alguém conhece empresas boas de desinfestação em Luanda? Obrigado.” Respondo aqui: “há uma empresa que é muito recomendável, chama-se Mpla e por onde passa faz desinfestação geral, total e completa.”
“Não nego que as mulheres sejam tolas: Deus criou-as para que combinassem com os homens.” (George Eliot, pseudónimo literário da escritora inglesa, Mary Ann Evans (1819-1880)
Fernando Heitor, deputado da Unita: "Estou de acordo com as propostas do MPLA para a área do emprego porque entendo que é possível fazer em cinco anos aquilo que é proposto" e ainda que, “João Lourenço, que o MPLA quer ver eleito Presidente da República a 23 de Agosto, é, para Heitor "um bom líder", como o "mostrou durante a campanha" e um governante "humilde"



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Biografia de José Eduardo Agualusa





José Eduardo Agualusa Alves da Cunha (Huambo, Angola, 13 de Dezembro de 1960) é um jornalista, escritor e editor angolano de ascendência portuguesa e brasileira.
Neto materno de Joaquim Fernandes Agualusa, Oficial da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial a 13 de Maio de 1960.[2]
Estudou agronomia e silvicultura no Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa. Colaborou com o jornal português Público desde a sua fundação; na revista de domingo desse diário (Pública) assinava uma crónica quinzenal. Escreve crónicas para a revista portuguesa LER, para o jornal brasileiro O Globo e para o portal Rede Angola. Na RDP África foi realizador do programa A Hora das Cigarras, sobre música e poesia africana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Em 2006 lançou, juntamente com Conceição Lopes e Fatima Otero, a editora brasileira Língua Geral, dedicada apenas a autores de língua portuguesa. Numa entrevista, o escritor responde a pergunta, "Quem é o Eduardo Agualusa? "Quem eu sou não ocupa muitas palavras: angolano em viagem, quase sem raça. Gosto do mar, de um céu em fogo ao fim da tarde. Nasci nas terras altas. Quero morrer em Benguela, como alternativa pode ser Olinda, no Nordeste do Brasil." Perguntado se se diverte escrevendo, Agualusa explica: "Escrever me diverte, e escrevo também, porque quero saber como termina o poema, o conto ou o romance. E ainda porque a escrita transforma o mundo. Ninguém acredita nisto e no entanto é verdade."
Obras
A Conjura (romance, 1989) - Prémio Revelação Sonangol (1989
O coração dos Bosques (poesia, 1991)
A feira dos assombrados (novela, 1992)
Estação das Chuvas (romance, 1996)
Um Estranho em Goa (romance, 2000)
Estranhões e Bizarrocos (literatura infantil, 2000)
Catálogo de Sombras (contos, 2003)
O Vendedor de Passados (romance, 2004)
Passageiros em Trânsito (contos, 2006)
O filho do vento (novela, 2006)
As Mulheres do Meu Pai (romance, 2007)
Barroco Tropical (romance, 2009)
Milagrário Pessoal (romance, 2010)
Nweti e o mar: exercícios para sonhar sereias (infantil, 2011)
A vida no céu (romance, 2013)
A Rainha Ginga (romance, 2014)
O Livro dos Camaleões (contos, 2015)
A Sociedade dos Sonhadores Involuntários (romance, 2017)
Outros: • Geração W (peça de teatro montada em Portugal em 2004) • Chovem amores na Rua do Matador (peça de teatro escrita juntamente com Mia Couto, estreada em Portugal em 2007) • Aquela Mulher (texto para monólogo teatral estrelado por Marília Gabriela e direcção de Antônio Fagundes, montado em São Paulo, Brasil, em 2008 e Rio de Janeiro, Brasil, em 2009) • Lisboa Africana (reportagem, 1993—com o jornalista Fernando Semedo e a fotógrafa Elza Rocha)
Prémios
Em 2007 recebeu o prestigioso "Prémio Independente de Ficção Estrangeira", promovido pelo diário britânico The Independent em colaboração com o Conselho das Artes do Reino Unido, pelo livro O Vendedor de Passados. Foi o primeiro escritor africano a receber tal distinção.
Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever Nação Crioula; a segunda em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa, Índia, durante três meses e na sequência da qual escreveu Um Estranho em Goa; a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austauschdienst. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu O Ano em que Zumbi Tomou o Rio. Em 2009, foi convidado pela fundação holandesa Fonds voor de Letteren a passar dois meses em Amesterdão, onde escreveu Barroco Tropical.
Recepção crítica
Pires Laranjeira descreve o autor assim: "Agualusa alia à sua capacidade de fundamentação histórica a facilidade de fluência da enunciação, cauterizadas com episódios burlescos, sentimentais e maravilhosos.”
Estudos sobre a obra de Agualusa
Karimi, Kian-Harald: "Sempre em viagem: nações deslizantes como formas do pensamento no romance ‘Nação Crioula’ de José Eduardo Agualusa." Identidades em Movimento. Construções identitárias na África de língua portuguesa e reflexos no Brasil e em Portugal (Hrsg. Doris Wieser, Enrique Rodrigues-Moura). Frankfurt/Main, TFM (Biblioteca luso-brasileira), 2015, pp. 141-172. ISBN 978-3-939455-12-7
Salgado, Maria Teresa. "José Eduardo Agualusa: Uma ponte entre Angola e o mundo." África & Brasil: letras em laços. Ed. Maria do Carmo Sepúlveda. Rio de Janeiro: Atlântica, 2000. pp. 175–196.

domingo, 30 de julho de 2017

NO PAÍS MALDITO




República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

A crise é geral, maldita, total e por isso mesmo chove miséria a cântaros.
No país maldito, creio que é prodígio uma criança crescer e chegar à idade adulta. É um milagre, dizem os religiosos. É um mistério das forças ocultas do Universo, dizem os feiticeiros.
Aqui tudo continua teimosamente a ser um problema, – muitos, muitos problemas - é uma fábrica onde se fabricam, inventam problemas.
O sentimento actual é como se uma pessoa retrocedesse no tempo e fosse parar a uma ilha cheia de monstruosidades que a todo o momento nos perseguem para nos devorar.
Quase que sinto a minha alma a arder porque convivo com gente que não tem alma, que nunca ouviu falar nisso. Meu Deus!, estão a fabricar pessoas sem alma. É por isso que são almas do outro mundo. São como plantas cuja raiz não está bem assente no solo e por isso mesmo desabam.
“Após um bom jantar estamos dispostos a perdoar a todos, até mesmo os nossos parentes.” (Oscar Wilde)
Hoje, creio que pela primeira vez exclamei: “meu Deus, tira-me daqui!” Estamos, vivemos na tragédia diária.
Parece que não, mas estão a dar cabo das crianças, antes, aos poucos, mas agora muito rápido.
E quando se nomeia uma comissão de gestão, deve ler-se: comissão de má gestão.
Deve-se legislar para que nas empresas, organismos públicos, escolas, etc., para que seja obrigatório ter pelo menos um conjunto de primeiros-socorros.
E desde quando é que cabeças no ar resolvem alguma coisa? Desde nunca!
E o famoso seriado há quarenta e dois anos que deslumbra plateias. Ganhou, criou muita fama devido às suas promessas nunca cumpridas. Falo do maior êxito de todos os tempos: OS NOSSOS ALDRABÕES.
Os sedentos de justiça há muito que estão reprimidos, depois de libertados o chão tremerá, treme sempre.
Por aqui já caiu tudo, de modos que não há mais nada para cair.
Não entendo porque é que as pessoas se surpreendem com a prostituição de menores, pois se há muito as condições estão criadas. Estão distraídas ou fingem que nada sabem, que nada veem?
Se uma pessoa é, vive abandonada, claro que não liga, despreza o que lhe dizem.
E eis as nuvens do intenso nevoeiro eleitoral que cada vez mais se adensam. Depois das eleições de 23 de Agosto, o que se aguarda com muita ansiedade é a reposição da justiça, pois que há muito que ela desapareceu deste Texas. Será possível que continue tudo na mesma, pior? No rumo da nova vida sem futuro, sem esperança?
Quando o militarismo partidário se intromete, o diálogo acaba e começa a intolerância.
Bajular é a arte de conseguir ganhar o pão sem trabalhar.
Para onde vai Angola? Para lado nenhum!
Há muitos e muitos milhares de anos nada mudou, está tudo na mesma: guerras, desgraças, fome, constantes assassinatos de crianças, ditaduras, perseguições políticas, terrorismo, etc. Que belo panorama, não é? E nos reinos da selvajaria obrigam-nos a viver como animais selvagens.
Creio que o mais terrível que nos pode acontecer é ficarmos manietados pelo poder de uma oligarquia tribal africana. A corrupção e os novos-ricos são a tribo principal e viver na subjugação de uma tribo é o fim de tudo.
Não custa nada lembrar a conhecida frase, o destino é muito cruel.
Estamos sempre na mesma, sempre a recuar. Vida de recuos é vida sem esperança, de miséria, fome.
Devidamente colonizados pela miséria e fome. Mais uma vitória total e completa. Outra frase muito conhecida, não há mal que sempre dure. Mas por aqui já há demasiado que dura, será que veio para ficar?
Eis alguns excertos da cultura que caiu no esquecimento. Se não caiu, pouco falta. É a crise geral, total, como um banco sem sistema: A audiência é pública, aberta a toda a comunidade, à excepção dos não iniciados e das mulheres em impureza menstrual. Em Angola, serve de fórum a praça aberta debaixo da mulemba, a árvore heráldica e tutelar das chefias bantus, que plantam cada vez que se inaugura uma nova chefia ou se estria uma povoação. O chefe eleito crava, diante de sua casa, várias estacas da mulemba ficus, dedicadas aos seus antepassados ilustres e como testemunho permanente da sua nobreza. Se alguma delas não pega, os antepassados não estão satisfeitos; tornam-se urgentes os sacrifícios propiciatórios de animais.
Costuma estar presente em muitos grupos, o «árbitro da justiça», «grande mestre em questão de direito», que no Nordeste angolano, se denomina «nganji». Intervém, não como conselheiro, mas como guarda legal do depósito jurídico comunitário. É um jurisconsulto, cuja sabedoria e prudência acumulam os códigos tradicionais.
Nos ordálios, o adivinho mistura o veneno com água e obriga os presumíveis culpados a pegar numa colher de e a ingeri-lo com água. Devem tomá-lo em jejum. Passado pouco tempo, um dos acusados vomita com fortes convulsões; a sua inocência está provada. Outro morre. Embora a morte seja rápida, não deixa de ser horrorosa, porque chega entre convulsões e vómitos de sangue, com a boca cheia de espuma e os olhos injectados de sangue.
Segundo os Bacongos, o homem é composto de corpo (nitu), sangue (menga) que é a sede da alma espiritual (moyo), o princípio específico do homem. O «moyo» sobrevive à morte e passa a viver com os antepassados. A alma dupla (nfumu nkutu), alguma coisa semelhante à alma sensitiva, completa a personalidade humana, pois é o princípio da percepção sensível. Reside no órgão auditivo e anima ouvidos e vista. Pode andar errante durante as síncopes e o sono. Origina a sombra que segue o homem. Desaparece à hora da morte. O nome, quarto elemento, deve mudar sempre que se dá uma mudança substancial na pessoa.
O «muxima», coração em quimbundo angolano, encerra toda a riqueza do universo pessoal do homem. «Não é a origem e o conjunto das emoções e dos afectos sensíveis, nem o motor da vontade, nem a fonte do pensamento, nem a própria pessoa na sua originalidade individual: é tudo isso de uma vez».
O «muxima» distingue-se do coração físico do homem. O delicado humanismo banto: hospitalidade, calor humano, solidariedade, agradecimento e cortesia revela o refinamento do «muxima». Por isso, a grande aspiração é possuir um «muxima» poderoso, viril, que dirige, em definitivo, define e valoriza o homem. Analisar o coração equivale a analisar a totalidade do homem.
Certos grupos bacongos asseguram que alguns génios, cujo habitat é a água, podem introduzir-se no corpo do banhista. Pela cópula encarnam e originam filhos anormais, como os albinos e gémeos. Outras vezes, atribuem o nascimento anormal à infidelidade materna, pois que um pai não pode gerar dois filhos. Os gémeos são considerados, em muitos grupos, anormais e perigosos para a sociedade. Daí as cerimónias propiciatórias exigidas pela comunidade ameaçada. A mãe dos gémeos fica sujeita a tabus especiais. Há que advertir que nem todos os grupos bantos realizam estes ritos de iniciação. Mesmo em Angola, há grupos que desconhecem e outros que a praticam parcialmente. Por isso, as nossas afirmações referem-se aos grupos que exigem os ritos de iniciação.
Os companheiros de iniciação ficam unidos para sempre por laços indestrutíveis. Ajudam-se e defendem-se uns aos outros. Nasce um sólido sentimento de fraternidade, chamam-se «irmãos». Estes laços podem prevalecer sobre os familiares e clânicos, porque os preceitos da iniciação são sagrados. Juro pela «muhanda» (nome quimbundo destes ritos de passagem), é uma expressão sagrada. O grande rito termina por juramentos solenes: «Nem à mulher com quem dormires poderás contar o que fizestes na muhanda; esconde, nega, desfigura, senão morrerás». (Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas.)


domingo, 23 de julho de 2017

DEPOIS DAS ELEIÇÕES



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos


E depois das eleições com uma vitória arrasadora dos partidos políticos da oposição, o Mpla proclama vitória por maioria relativa ou simples (a que reúne um número de votos superior àquele dos outros concorrentes, mas inferior à maioria absoluta). A oposição contraria e mostra provas. Porém, o versado matreiro Mpla desarma argumentando que a sua vitória é por demais evidente e que não oferece dúvidas. E mais esclarece que os resultados eleitorais da oposição são uma pura invenção, mais uma fraude, pois o Mpla nunca perdeu, nem jamais perderá um pleito eleitoral, pois a esmagadora maioria da população angolana confia e segue cegamente o Mpla desde e antes dos gloriosos tempos da independência. E mais adianta que a oposição tem que se habituar a contentar-se com as suas derrotas e com a sua vulgar e reles insignificância. E a oposição em bloco contesta e diz que vai levar o pleito para o Tribunal Constitucional. E assim fez. Entretanto o Mpla esfrega as mãos de contente, pois que tal tribunal parcial há muito que é um órgão partidário e foi instituído para sempre julgar a seu favor. A oposição (mais uma vez, muitas vezes) viu contrariados os seus desejos. Depois de infindáveis dias, uma eternidade, tecnicamente falando viu o seu pedido rejeitado, mais tecnicamente viu o seu pedido indeferido. Confesse-se que nada aconteceu de anormal pois tal veredicto já era de contar, normal. Vai daí, a oposição recorre à instância máxima da Lei, o TS, Tribunal Supremo. Muito confiante aguarda que se faça justiça, pois tudo está a seu favor. De facto está mais que provado e a nação inteira sabe que a oposição derrubou o célebre contendor Mpla, pois tudo e todos estavam já demasiado fartos (isto é favor, o correto é dizer-se demasiado fartíssimos) de o aturar. Mas, para quê espantar?, o TS declarou perenptoriamente da sua suprema justiça, a injustiça de que o Mpla é de facto e de jure o aclamado, o proclamado vencedor das eleições de 23 de Agosto. Logo de seguida e perante tão flagrante injustiça, a oposição ameaça sair às ruas numa grandiosa chuva de manifestações. O Mpla aconselha que não, pois a oposição tem que felicitar o vencedor e não fazer marchas tumultuosas. A oposição tem que aceitar, se contentar com a sua derrota. O Mpla faz sair um comunicado onde nele realça que se a oposição quer fazer confusão, então o seu devido lugar é na prisão. Mas a oposição não desarma, forte, poderosa, nunca desarmou, como a isso sempre nos habituou, que fará uma surpresa, que vai mesmo sair para as ruas, porque o poder sempre esteve, lá mora. O Mpla replica que não tolerará nenhuma agressão interna e externa e invoca que um governo devidamente constituído tem o supremo direito de se defender, a si e às populações que democraticamente o elegeram. As coisas sobem de tom pois outra coisa não seria de esperar. O Mpla convoca todos os seus instrumentos de defesa e segurança e envia-os para prenderem os insurrectos e preferencialmente eliminá-los para sempre sob o escudo da acusação de células terroristas devidamente implantadas e organizadas. Mas a oposição não se deixa intimidar, porque batalhadora como nunca, pois contra qualquer injustiça sempre lutou. Começam os tumultos com barricadas nas ruas, com muitas nuvens de fumo provenientes de pneus e outras tralhas a arder. São milhões de manifestantes que não aceitam, dizem, mais o jugo do comunismo. O Mpla decide-se pela sua vitória certa, final, ordenando a todas as forças de ar, mar e terra que disparem a esmo, sem dó nem compaixão contra tudo que se mova. Sente-se no ar a pólvora e o cheiro acre dos corpos queimados pela fornalha de tão colossal metralha. Os nossos santos Bispos declaram que Angola optou pela solução da RDC, nada mais tendo a declarar ou reclamar. Como sabido, de lei, a diplomacia internacional é a arte da hipocrisia internacional. A comunidade internacional volta, faz o seu papel, cumpre o seu dever, a olhar de soslaio finge tomar conta da situação. Mostrando-se impotente deixa andar, é o deixa-andar, deixa-disso universal, excepto um não perenptório quando lhe interessa, quando os seus poderes e interesses geoestratégicos estão directamente ameaçados, retira-se sub-repticiamente e é o nascimento de mais um estado africano que cai, que se entrega à barbárie, à mais elementar crueldade onde as crianças ficam, são aos milhões, biliões?, sem UNICEF.
Crónica de uma morte eleitoral: “Todos os intervenientes do processo eleitoral afirmam que querem um processo eleitoral livre e justo, implicando por conseguinte um processo transparente. Para falarmos de transparência necessariamente temos de exigir o cumprimento da lei. É exactamente nesta questão (do cumprimento da Lei) que a CNE tem deixado muito a desejar. Neste momento, faltando 38 dias para o pleito eleitoral, o plenário da CNE quer agora aprovar o Regulamento sobre a Organização e Funcionamento dos Centros de Escrutínio, estabelecendo a lei que "A Comissão Nacional Eleitoral deve estabelecer e publicitar no prazo de 30 dias a contar da DATA DA CONVOCAÇÃO DAS ELEIÇÕES, a estrutura, a organização e o funcionamento dos centros de escrutínio, bem como os sistemas de transmissão e tratamento de dados e os procedimentos de controlo a utilizar nas actividades de APURAMENTO e ESCRUTÍNIO, em conformidade com os artigos 116.º e 117.º da Lei Orgânica Sobre as Eleições Gerais". Estive a citar o número 1 do artigo 30.º da Lei n.º 12/12, de 13 de Abril - Lei Orgânica sobre a Organização e
O Funcionamento da Comissão Nacional Eleitoral Não cumpriram com a lei de propósito e agora querem a correr aprovar um regulamento que viola a Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais no que à transmissão das actas diz respeito, pois pretendem que essa transmissão seja feita a partir das ADMINISTRAÇÕES MUNICIPAIS e não das Assembleias de Voto (será que querem adulterar os resultados????? E já agora por que razão escolhem as Administrações Municipais e não as Comissões Municipais Eleitorais???). POR FAVOR CUMPRAM SÓ COM A LEI!!!!” (Mihaela Webba, deputada da Unita)
Propaganda eleitoral da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Luanda: “ministérios da criança. “Convite. O ministério da Criança convida-o a participar na semana de oração infantil que acontecerá de 15 ao 22 de Julho na Igreja Central de Luanda. Será uma semana repleta de bênçãos celestiais. Participe! Traga a sua visita. Abrace este ministério!”
Viver no reino da mentira é permanentemente viver na miséria e assim continuando acaba-se no reino do inferno da fome. Antes era o colonialismo, agora é o colonialismo. “O estrangeiro vem, tem emprego. O português vem, tem emprego. O brasileiro vem, tem emprego. O chinês vem, tem emprego. O angolano anda aí na rua a vender a jinguba. (Isaías Samakuva, em Ondjiva, Cunene)
A crise não é de agora, já vem de longe, já há quarenta e dois anos que nos invade.
Em Angola chove muito, há quarenta e dois anos que as casas estão inundadas de miséria, pelo mar, pelo dilúvio de fome.
A coisa mais pavorosa que me é dada a observar, é o ver exércitos de famintos que a única riqueza que têm, claro, é a fome. E ver alguns novos-ricos a desfilar com os seus carros de luxo, ostentando e esbanjando o que ilicitamente conseguiram e conseguem. Creio que isto é sem dúvida alguma a essência da revolta e do terrorismo que eles provocam. Este é um Estado declarado de expropriados.
No país dos expropriados a terra não é de quem a trabalha, é de quem a rouba com metralha. E o mais importante é criar pretextos para fazer cortes de energia elétrica e com isso vender mais alguns geradores. É que a diversificação/diversão/desertificação da economia resolve-se com o uso massivo de geradores. Com o sistema de geradores domésticos ou industriais, dentro de pucos meses esta economia será imparável. Até qualquer bajulador do FMI declarará que ela inigualável será.
E esta torpe sociedade vai evoluindo com festas muito barulhentas a qualquer hora do dia ou da noite. Beber até desmaiar, até morrer, até não mais levantar.
Trabalhar é criar, inovar. Quem isto não faz, não trabalha, desfaz. Está a brincar, é como um autómato teledirigido.
É bazar porque não deixam, é impossível pensar, trabalhar. Quando quiserem, deixarem pensar e trabalhar, então é hora de voltar. Mas receio que seja demasiado tarde.



segunda-feira, 17 de julho de 2017

DESTRUIR TAMBÉM É UMA ARTE



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

 

Sim, destruir também é uma nobre arte. Assim o afirmam os destruidores de tudo, incluindo as nossas vidas. Convém notar que também se destaca muito bem a actividade de destruir o outro, tornando-se assim o elemento chave da destruição física ou não. O jogo da intolerância encaixa-se muito bem nisto porque quando o diálogo não funciona devido à fraqueza do intelecto, a intolerância salta para fora com força em cima do outro. Pois, ser intolerante é a disciplina principal que nos causa muito mal. Tal uso sistemático de destruir é o principal pilar que sustenta a desgraça, a escravidão, a miséria e a fome que são os filhos da destruição.

Povo abandonado é povo renegado. 

Sonhei que estava preso. Na prisão declarava a todo o momento que fui preso por engano mas ninguém me dava atenção. Insistentemente perguntava qual era a acusação, mas também ninguém me respondia. Parecia que eram todos surdos e mudos. Mais tarde alguém foi ter comigo e disse-me que fui preso por engano. Que seria imediatamente solto o que aconteceu. Foi-me apresentado um pedido de desculpas. Ainda no sonho, declarei em gritaria que, Angola para mim acabou!!!, não quero mais ouvir esse nome. Amigo leitor, não é difícil de imaginar quando acordei com tal pesadelo bem fresco ainda a pesar-me na mente. O chato é que se parece com uma coisa tão real que é passível de nos acontecer.

Ao que chegámos! Por incrível que pareça, os “governos” democraticamente eleitos são os garantes da instabilidade política, económica e social. É que os ardilosos conseguiram o disfarce da frágil capa da democracia.
Sobretudo, seja um indivíduo culto, esforce-se, pois sem isso o futuro é-lhe muito incerto, leia o Jornal de Angola.
E os aventureiros das guerras vão deixando, vão semeando cadáveres pelos campos. É isto que agora se chama agricultura.
E a literatura do petróleo está bem servida, guarnecida pelos génios escritores, poetas e outros campos de prospecção petrolífera/literária, pois, sem petróleo jamais existiria tal imensidão de génios ligados às artes.
Há homens que fundam a democracia, outros afundam-na.
Não será nada mau se em Angola existirem dois ou três democratas.
Por mais que se tente evitar a escalada da desgraça angolana, Angola não é igual nem melhor que os outros países africanos mergulhados na debandada dos seus povos como errantes, como farrapos humanos.

Há mais de quarenta anos que o governo está em testes, e até agora não passou em nenhum, e parece que nunca vai passar, porque comete sempre os mesmos erros. Quem no erro reincide nada decide e sempre na mesma aposta apostar é delirar.

Não dá mesmo viver com um povo prisioneiro da feitiçaria. Não, não é possível.

Implementar a corrupção é a chave para a diversificação/desertificação da economia.

Aqui nunca há descanso porque todos os dias são o inferno.

Há constituições que são como uma casa muito bonita por dentro, mas por fora cai aos pedaços, vai desabando.

Aqui vive-se como se estivesse numa sessão de tortura numa prisão.

Uma coisa notável que tenho visto é a fuga generalizada do pessoal à responsabilidade. Assumem os compromissos mas muito raramente os cumprem. Sempre de cabeças no ar, os únicos compromissos que assumem são os da feitiçaria. Povo na feitiçaria é epidemia, é razia. Assim não dá para se safarem, e como já é demasiado tarde para o fazer, é óbito que vamos ter.

Seguindo o exemplo de África, Angola também aposta na produção da fome: Cerca de 38% das crianças angolanas apresentam malnutrição crónica.” Mas acredito que seja o dobro.

… coincidiu com a recepção de um email onde nos era apresentada publicidade de um casting, imaginem os nossos leitores, um casting para a escolha de candidatas e candidatos que participem na "1ª edição do concurso Miss e Mister Literatura Angola"... !!! Inqualificável? Absurdo? Inacreditável? Não. Entre nós, tudo é possível... Como escrevemos atrás, há fronteiras que têm de ser urgentemente delimitadas. Há urgência em pôr um travão em desmandos como o atrás contado. Angola não é esta gente nem pertence a estes espécimes, cuja actividade cerebral não é certamente igual à da esmagadora maioria da nossa população. (Editorial, In Novo Jornal 07/07/17)
Entretanto Angola, África, ardem. Por incrível que possa parecer a África só serve para saquear, não serve para mais nada, e as elites políticas são um desastre. Isto não é nada de novo, toda a gente sabe, mas nunca é demais lembrar, a desgraça anunciar.
Quando as igrejas se intrometem na política como entidades privilegiadas, e Angola tem muito disso como se fosse tradição. O país retrocede mostrando as nuvens brumosas do passado da corrupção inquisitorial.
E o mais preocupante que pode acontecer a um país, é as igrejas servindo-se do nome de Deus e de Jesus, manobrarem os políticos para conseguirem algo em troca. Isto é o que se pode chamar de divina corrupção. Pois, é a diversificação/desertificação da economia angolana. 
Oh! Oh! Oh! Como é assustador ver os jovens fugirem de África, mas é bom confessar que não fogem de África, fogem do inferno sem esperança sem liderança, fogem do continente do presente sem futuro, do agigantar dos problemas sem solução. Os tagarelas não resolvem, não decidem nada, incitam à desordem, criam a violência no enxame africano, como se fosse uma milenar maldição.
Então a África vive e vai vivendo de doações como se fosse lei aprovada por um parlamento. Ah! África sempre de celeiros vazios. E não se avista algo que ponha fim a isto. Portanto, em África nada melhora, tudo piora.
Esclarecimento: fome também é guerra, por isso não adianta falar que estamos em paz, que a guerra acabou, etc.
Quando se mistura política com comércio… estamos em Angola.
Mas cavam-se tantas sepulturas para quê?, para quem? Não se preocupem porque em breve verão satisfeitas as suas preocupações.
“Nos Camarões, damos alguns exemplos, e na Nigéria recordam certas mulheres que dirigiram migrações, fundaram e conquistaram reinos. Ainda permanecem na galeria dos heróis nacionais. No antigo Ruanda, a mãe do Mwami, a «Umu-Gabe-Kasi», era corresponsável no governo. São famosas as rainhas Jinga de Angola, Anima dos Haussas, Aura Pokú de Bule, Lovedu na África do Sul, a rainha viúva de Baganda e as celebradas amazonas do Benim, temíveis guerreiras que se lançaram em guerras de conquista e resistência, apesar de os monarcas do país costumarem exercer tiranias extremas. A «Mafo» dos Bamiliké era considerada mulher-chefe. Entre os Bemba, a «Caudamukulo», parente uterina mais velha do rei, gozava de grande poder político; fazia parte do conselho dos anciãos e regia numerosas aldeias. No reino Ngoyo, Cabinda, as princesas gozavam de estatuto especial. Eram livres na escolha do marido, que não podia recusar, pois passava à condição de semiescravo; saía sempre guardado à rua. Em Angola, como em outros países bantus, encontram-se mulheres-chefes. Assim as Sobasmmaholo e as Muangana luenas; também aparecem com frequência entre lundas e ksokwes. Os cuanhamas recordam as rainhas Nekoto e Hanyanha.” (Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas.)