segunda-feira, 20 de novembro de 2017

OS FLAGELANTES



Banana podre não tem futuro, frutátá, frutátá.
“O movimento Flagelante foi um grupo ou seita fanatista e mística cristã durante os séculos XIII e XIV, na Europa. Os seus membros defendiam que a prática da flagelação lhes permitiria expiar os seus pecados, atingindo assim a perfeição, de maneira a serem aceites no reino dos céus. Os primeiros grupos de Flagelantes apareceram em 1260 em Perugia, em Itália. Este movimento é fortemente condenado pela Igreja, que o considera contrário à fé. Os Flagelantes desfilavam em procissões nas cidades, durante 33 dias (33 porque correspondiam à idade em que se supõe que Jesus Cristo foi morto), durante os quais se flagelavam com cordas ou cintos de extremidades cortantes. Esta prática é suposta suficiente para que um fiel pudesse atingir o Paraíso, e os ritos da Igreja não seriam então necessários. Esta foi a principal razão para que a Igreja não tolerasse estas práticas. O movimento surge e ressurge muitas vezes durante os períodos conturbados, como a Peste negra ou a Guerra dos Cem Anos. Durante a Peste negra, tais práticas contribuíram para exacerbar a população e pressioná-la a perseguir os judeus e outras minorias que eram acusadas de ser a causa das epidemias ao ter envenenado os poços”. (Vikipédia)
Algures num dos perigosos bairros de Luanda – depois das vinte, vinte e uma horas, não dá para andar na rua porque a Polícia, como os funcionários públicos, só trabalha de dia e de noite dorme - um vizinho sonhou duas vezes com uma vizinha. De manhã, a pobre coitada de quarenta anos de idade é surpreendida pelos vizinhos que armados de catanas, pedras, paus e ferros lhe prometem que lhe vão torturar, matar e depois queimar, porque como lhe vocifera um jovem, “você é feiticeira porque eu sonhei contigo duas vezes, vamos-te matar.” Surge o filho de nove anos que logo leva com um ferro na cabeça e cai desamparado com o corpo entregue ao solo. A menina, também filha, leva o mesmo tratamento da flagelação do ferro na cabeça. A mãe também lhe flagelam com um ferro na cabeça e nas costas, a missão é matá-la porque está possuída pela feitiçaria. A mãe já não se consegue mexer de tanta flagelação. Já lhe preparam o pneu que lhe colocarão e de seguida incendiarão. A fogueira da inquisição angolana já está pronta, e de certeza que a infeliz encomenda a sua alma a Deus, mas Ele já está tão cansado destas coisas que de certeza absoluta, por ter os ouvidos cheios lhe entrará por um e lhe sairá pelo outro. Mas já nos últimos instantes de vida ela salva-se milagrosamente porque alguém aparece, dizem que era a Polícia. Os incendiários de feiticeiras e de feiticeiros desaparecem de cena. Durante algum tempo permanecerão por aí escondidos, mais tarde aparecerão quando a coisa já estiver esquecida. Mas aqui há uma coisa amigo leitor: será que a vítima escapou devido à intervenção divina? Será que Deus Existe? Opto por deixar isso nas mãos da Igreja, quem sabe, mais uma santa será canonizada?
“Enquanto estatísticas de pessoas desaparecidas são elaboradas para todas as outras demografias, não existe nenhuma para as mulheres Nativas Americanas.” (do filme, Wind River, Rio do Vento, 2017)
Uma mais velha inventou que o filho da vizinha lhe flagelou. Foi-se queixar na mãe dele, ela ouviu-a em silêncio e no fim disse-lhe que iria falar com o seu filho para ver como é. Falou-lhe e ele jurou que não bateu na vizinha, que era pura invenção dela, mais acrescentou que ela deve andar maluca ou fuma ou mais sei lá o quê, disse. A mãe foi falar com a vizinha flagelada, disse-lhe tal como o seu filho lhe jurou que havia aí qualquer coisa que não bate nada certo, do tipo: está a gritar à toa pra quê? Então a flagelada sai-lhe de rompante quase a roçar-lhe o rosto e disparata-lhe: “ Só quero trezentos mil kwanzas!!!” A mãe não lhe ligou e saiu em disparada, foi ter com uma vizinha que tem marido que é chefe na Polícia, pediu-lhe o número do telefone e ligou-lhe, queixou-lhe da invenção da vizinha para lhe extorquir dinheiro. Até ao fecho deste trabalho ainda não se sabe qual o desfecho de tal método de açambarcar dinheiro. Creio que ela frequentou a escola dos corruptos e teve boas notas. Também com tantos bons professores só mesmo burro é que não passa nos exames de corrupção.
“Tudo o que somos é o resultado do que pensamos. Se um homem-mulher fala ou age com um pensamento maligno, a dor o acompanhará como uma sombra. Se um homem-mulher fala ou age com um pensamento puro, a felicidade o segue, como uma luz que nunca o deixa”. (Budha, Sidharta Gautama. 563-483 a. C.)
Mas como é que os investidores vão largar dinheiro, como é que vão acreditar na recuperação económica de Angola, se o seu povo consome o tempo em festas e em mares de álcool. Uma pessoa viver num país assim, sem garantias de nada?
“A História escrevem-na os vencedores.”
Uma jovem vizinha ficou sem o carro, os intrépidos gatunos da nossa praça de armas roubaram-lho. Ela logo comprou outro, mistério, onde ela conseguiu o dinheiro? Qual foi a vítima ou vítimas masculinas que caíram na esparrela? Otário por aqui é coisa que não falta. Assim como homens que seduzem e caçam mulheres com dinheiro que lhes caiem no logro. Sim, há também muitos homens chulos que vivem à francesa. Caçam uma, esgotam-lhe o saldo, logo partem para nova caçada, ou então também largam a mulher anterior por outra com mais posses. Portanto, antes de conduzir o novo carro, a nossa jovem foi falar com o feiticeiro para lhe fazer um feitiço, para que quem o roubar fique enfeitiçado, e não o consiga roubar e morra. Um mais velho que ouvia a conversa deu-lhe vontade de rir, mas conseguiu falar sem se denunciar porque de semblante muito sério disse-lhe, “sim senhor, está certo, vá ao feiticeiro, é o melhor que pode fazer contra os bandidos.” Claro que depois dela se ir embora ele riu a bom rir.
É como o vamos mudar as pessoas e os problemas resolvem-se de imediato. Não é nada disso, porque numa economia inexistente, praticamente a refazer-se a partir do zero, isso demora muitos anos, com muitos sacrifícios, muita feitiçaria, muita mais miséria a desabar sobre a população. E sem investimentos estrangeiros, não sei não. Mas como pouco falta para que o nosso “exonerador” implacável acabe com os corruptos, para que Angola se abasteça dos valiosos e imprescindíveis dólares, então finalmente veremos os corruptos a cair e Angola a subir.
Vida do copo não dá sabedoria.
Garantem-me que ainda persistem por aí os táxis hiace a circularem à noite com motorista, cobrador e passageiros que são espíritos do outro mundo, e que quando apanham passageiros não há paragens, só param no cemitério. Amigo leitor, recomendo-lhe muita cautela porque isto está infestado de feitiçaria. Quer dizer, quanta mais miséria mais feitiçaria. E que devido a isso se mata com tanta facilidade que, é verdade, isto está de meter medo. O amanhã está uma grande incógnita. Não conheço ninguém que não fale de feitiçaria e de alguém que matou para conseguir dinheiro. As casas onde vive a família está um grande problema, pois os familiares que as pretendem usam o feitiço da morte para conseguirem apoderar-se delas.
É caso para parafrasear que dos feiticeiros fracos não reza a História.
“Persiste-se, igualmente, numa visão algo bizarra de reduzir todos os problemas nacionais (sociais, económicos, morais, históricos) a equações matemáticas de onde se extraem medidas de política supostamente adequadas e suficientes para os resolver. Como resistirão à inevitável desvalorização da moeda nacional face ao dólar americano? Empurrando o problema com a barriga, ajustando expectativas, antecipando subidas de preços que façam entrar a inflação numa espiral incontrolável?” (Alves da Rocha, Expansão 03/11/17)


sábado, 18 de novembro de 2017

NO TEMPO DA RECESSÃO



Que terríveis tempos estes onde um grupo de pessoas é quem mais ordena, e sós pretendem resolver, sair da crise, mas isso não é possível.
Fácil é pensar no dia de hoje, difícil é pensar no dia de amanhã.
A barragem de Lauca e os geradores
Uma nova aposta do governo: barragem hidroelétrica de Lauca construiu-se para não fornecer energia eléctrica (EE). Confesso que no princípio fiquei desorientado ao tomar conhecimento de que a falta de EE que Luanda sofria devia-se a infiltrações de água que inundaram a casa das máquinas da barragem de Lauca, obrigando ao seu desligamento. Depois, fiquei a saber que a barragem ficou com fissuras porque houve intensa chuva de vinte e dois milímetros durante cerca de dezasseis horas. É muita chuva, lá isso é. Depois de um brutal corte no fornecimento de EE que durou dezassete horas, depois outro de duas horas, seguido de outro de sete horas, e mais um de três, entro em pânico, melhor dito, entramos em pânico, porque também a água desapareceu, virou moda, tornou-se hábito, como se Angola não tivesse rios e raramente chovesse. Pensei no pior que iriamos ficar sem EE, aí por seis meses? Um Ano? Quando chove muito a barragem de Lauca não suporta muita chuva? Esqueceram-se de prever isso? A barragem foi construída sem atender a previsões? Claro que é uma gigantesca e muito complexa obra. Ou é muito bem possível que para isso acontecer a empresa brasileira Odebrecht viu-se pressionada pelos actores do governo das apostas e da falsa propagada eleitoral, provavelmente obrigaram a que se findasse o trabalho antes das eleições. Num trabalho de tamanha envergadura é no que dá, quer dizer, tinha-se que acabar de qualquer maneira. Depois foi o grande espetáculo da inauguração com honras do PR cessante. Não se olham a meios para atingir os fins. Isto é, sempre na vanguarda da permanente mentira. Depois desce do alto do seu pedestal o director da barragem a tranquilizar-nos que nas próximas vinte e quatro horas o fornecimento da EE seria normalizado. Pois, se antes uma pessoa aprendeu a estar de pé atrás com a epidemia das falsas promessas, com o que presentemente se passa com a EE e a água, de certeza que não vamos ficar com um pé atrás, não, vamos ficar com os dois pés, com todo o corpo, com tudo o mais atrás. Uma coisa é certa e disso não restam dúvidas: pouco falta para que se atinjam os cinquenta anos de independência sem que os imensos problemas da EE estejam resolvidos. Meio século de centralização económica, de desaire, de desastre económico. Do teimar sempre no que está errado e tentarem convencer-nos que assim é que se vai para o rumo certo. Quase cinquenta anos de conversa fiada do todos a vermos a grande derrocada e os iluminados líderes sempre certos, nunca erram, nunca erraram, e nós pobres coitados somos os eternos parvos que só cometemos erros porque somos bestas, burros, boçais porque não acreditamos nem perdemos tempo com o governo das apostas e apara as apostas. Aqui todos os dias são um de Abril, todos os dias são dias das mentiras. Uma pessoa quer trabalhar, estudar e sempre na mesma, não se consegue, como se a miséria nos governasse. Mas é mesmo isso, a miséria governa-nos.
Mais uma desgraça, mais miséria, fome, mais mortes. Acabo de ouvir na Rádio Ecclesia que se está a comercializar peixe contaminado nas praias de Luanda devido aos altos níveis de contaminação pelos esgotos a céu aberto do Porto Pesqueiro de Luanda. É um estudo feito pela bióloga Iracema Solange Cabral, que também no mercado do peixe a céu aberto da praia da Mabunda, quando o peixe chega às câmaras frigoríficas também está contaminado. Comemos peixe contaminado, e como disse a ministra das pescas, “isto está uma pouca-vergonha.” Mas é evidente que isto é em todas as praias, e agora no tempo chuvoso vai piorar muito mais com o arrastar das lixeiras pelas enxurradas.
“Lenine (1870-1924) considerava que centralizar a economia russa sob o controle estatal era fundamental, com - em suas palavras - "todos os cidadãos" se tornando "funcionários contratados do Estado". A interpretação de Lenine do socialismo era centralizada, planejada e estatista, com a produção e a distribuição estritamente controladas”.
Regressando à água
Antes vou passar um pouco pelos geradores: está desvendado o porquê do gerador do banco Millennium-Atlântico na rua Rei Katyavala em Luanda, que lançava fumo até formar nevoeiro que até parecia uma nuvem atómica, um banco da morte. Não é que lhe fizeram um abastecimento de combustível de duzentos litros de água misturada com gasóleo! Tiveram que limpar, despejar, drenar o depósito de combustível e fazer uma bruta manutenção no gerador. Parece inacreditável, aliás como tudo por aqui, isto também passa por uma república do inacreditável, do surreal. O certo é que as coisas se agravam e nada de se lhes fazer frente como compete na tragédia económica que não é difícil de avaliar, aliás um tanto ou quanto fácil. E com a desvalorização do kwanza que se avizinha, e o do aí decorrente, o que será da gente? Nada, porque ninguém se preocupa connosco, ninguém quer saber de nós, é o fingir que existimos.  
A água está sempre a faltar, já lá vão mais quatro dias, será do imbróglio da barragem de Lauca? Um amigo garantiu-me que a tragédia do abastecimento de água foi causada pela importação de bombas inadequadas ao serviço de abastecimento, isto é, a sua potência não aguenta, não dá para alimentar a rede adequadamente, que fica tipo EE com restrições. Mais uma grande bagunçada sem solução não se sabe para quando. A impressão que se tem é que não há a noção de responsabilidade, cada um que se vire, que se safe como puder. Então, como é que isto vai acabar? Mal! Muito mal!
Além da crise económica, da água e do disparate da barragem de Lauca, muitos estrangeiros continuam a debandar e assim vai continuar, porque a situação está mal, muito mal, e tende para cada vez piorar.
Até há pouco tempo parecia que por aqui ia chover pouco. Depois das minhas anotações que já fazem seis anos sobre o tempo, este ano a pressão atmosférica está, e continua, elevada. A chuva começa a desabar com força, fará muitos estragos porque pelo menos os causados pelas chuvas dos últimos três anos estão parados, porque não há dinheiro, isto agora serve de desculpa para tudo. Então com as obras paralisadas mais desgraça, mais miséria se abaterá pelos bairros degradantes, e com as inundações que será da vida dessa pobre gente, de todos nós.
"Para a maior parte do Mundo a globalização, como tem sido conduzida, assemelha-se a um pacto com o demônio. Algumas pessoas nos países ficam mais ricas, as estatísticas do PIB - pelo valor que possam ter - aparentam melhoras, mas o modo de vida e os valores básicos da sociedade ficam ameaçados. Isto não é como deveria ser." (Joseph E. Stiglitz)
Será possível que o poder popular ainda esteja em vigor? Pergunto isto porque uma vizinha comprou um apartamento no último andar aqui no prédio, quinto andar, remodelou-o, fez-lhe o que quis e lhe apeteceu e para terminar com chave de ouro, gradeou o corredor de tal modo que deixou apenas cerca de meio metro de espaço na porta da vizinha. Esta, disse-lhe que aquilo era usurpação de propriedade, e que nem dava para fazer entrar um plasma, e a do poder popular retorquiu que, “não tenho nenhuma satisfação a dar-lhe.” Tal e qual como no tempo do poder popular. A vizinha lesada foi-se queixar na fiscalização, vieram dois fiscais, deixaram-lhe uma convocatória que ela depois apanhou e logo de seguida rasgou em pedacinhos e atirou para o chão. E lá continua com o corredor só para ela, e não faz um gesto para retirar o gradeamento, que decerto terá de ser arrancado à força. Viva o poder popular! A luta continua! A vitória é certa! Será que estamos a voltar a esses célebres tempos? Parece que sim. Aiué de nós.
Sempre na insistência do retroceder no tempo, até não se saber em que ano do passado pararemos. Decerto no tempo da desgraça ficaremos e de lá não saberemos quando sairemos.


terça-feira, 14 de novembro de 2017

TERRA FALIDA



Antes havia muito dinheiro, as coisas não funcionavam. Agora as coisas também não funcionam porque não há dinheiro. Uma outra coisa há: santa paciência.
Tudo faliu, tudo sumiu, e quer-se fazer crer que em pouco tempo a crise provocada pela corrupção será corrigida, melhorada, mas não, é que estas coisas demoram muitos anos. E andar de modo titubeante nas promessas de saltar as barreiras impostas perante o intocável poder da oligarquia petrolífera e demais oligarquias financeiras, não creio que se consigam atingir os resultados prometidos do novo governo. Porque está refém do grupo oligarca que de facto governa Angola, isto é, o tecido empresarial vive à margem governamental. Como se fosse dois países, dois poderes, dois pesos e duas medidas.
Sem exportações não há divisas e viver única e exclusivamente do petróleo para abastecer uma máquina administrativa pesadíssima, mais os órgãos castrenses e policiais, mais o não cumprimento das regras financeiras internacionais, do deficiente sistema bancário e sobretudo da corrupção instalada, que obvia o acesso aos dólares… Angola está falida.
Na constante diária, trabalhadores que são despedidos, empresas que declaram falência. No aspecto empresarial a coisa vai bem demais. O governo introduziu mais uma aposta, os despedimentos e as falências das empresas. Ouve-se diariamente o cortejo dos despedidos e das empresas falidas como se de um concurso se tratasse. Uma tragicomédia de famílias tendo como sustento o desemprego, o abandono, como lixo atirado para a rua. Sem garantias, sem o mínimo apoio de sobrevivência, pois neste Estado de resquícios leninistas, não existindo fundo de desemprego… não existe nada. É a terra do falta tudo, mas uma coisa não falta, aquilo que destrói nações, impõe as falsas instituições democráticas. É isso mesmo, trata-se da única coisa que funciona em todo o mundo… a corrupção.
As reservas líquidas internacionais caem imparáveis, diminuem substancialmente. É mais uma aposta, de tal modo caiem aparatosamente para não mais se levantarem. Quo vadis Angola? A miséria e a fome sabem-no muito bem. Pois, é que vai vir aí uma grande fome, o nosso holomodor.  
E no altar da corrupção as amantes safam-se esbanjando riqueza na compra ou aluguer de apartamentos, com obras de restauro no mínimo de cinquenta mil dólares, mais carro de luxo, vestuário, sapatos, tudo luxuoso, perdulário, etc. Como diz o outro: “Isto é o país do pai banana.”
E ninguém ousa atacar este mal porque todos comem do mesmo prato. Eis a solução para salvar este Estado falido: A Rádio Despertar noticiou que no mercado do Quicolo, no Cacuaco, arredores a norte de Lunda., os vendedores pagavam uma taxa semanal de mil e duzentos kwanzas. Chegou o novo administrador que exigiu o pagamento diário da quantia supracitada, sob pena de que quem não pagasse seria sumariamente despedido perdendo o direito ao seu lugar de venda. Os vendedores fizeram manifestação na administração municipal porque, claro, não têm dinheiro para pagar quantia tão exorbitante. Mas não se sabe como é que a coisa ficou, se pior ou melhor.
Ditos na rua atribuídos ao PR João Lourenço:” A partir de agora ninguém paga mais taxas de lixo. Fechem as prisões e abram os cemitérios.”
E tudo se faliu.
Três dias sem gasolina e duas semanas sem água na cidade de Luanda. E outra vez mais uma semana nas Ingombotas e arredores. Já paira no ar, isto parece que vai sair confusão por todo o lado.
Aguarda-se a todo o momento pela declaração oficial da falência do Estado. O ESTADO FALIU!
A crise da corrupção atacou-me em cheio. De tal modo que fiquei sem acesso à Net. O dinheiro vive apenas para alguns e algumas que gostam de pavonear as suas exibições de riqueza. A vulgar e ridícula matumbice de que têm dinheiro sem trabalhar. Enquanto os honestos, os únicos que trabalham e sabem trabalhar, são abandonados, motivo de chacota. Onde se vive da opressão da corrupção, há o imparável subdesenvolvimento da vitória da mortalidade infantil.
Isto está pior que f.o.d.i.d.o, até angariar recursos para a internet é um sonho. Mas estou muito convicto que piores dias virão.
E depois com uma oposição política muito fragilizada, isto não dá mesmo nada. É o descalabro moral, e muito mais doloroso, o descalabro intelectual. Quem tem o cérebro instável é demente.
Viver, depender continuamente do que nos informam através dos mais variados meios de informação partidarizados, resulta naquilo que é ver que a realidade é bem diferente.
Ai dos que se deixarem levar por discursos bonitos, de belas palavras, de promessas que a felicidade já está a chegar, já chegou, será deles o reino dos infernos.
Se não deténs conhecimento, estás vivo, mas não existes. Estás vivo porque comes e cagas, mas estás morto porque a tua cabeça é um frangalho da manipulação do poder e da religião. E quanto tentas sair do caminho caem-te em cima todos os santos de todos os dias, ou não sabes que cada dia tem um santo padroeiro? Ó alma errante, levanta-te e caminha.
Esta é a terra do falta tudo, onde na corrupção não falta nada. Onde a oposição morreu, paz à sua alma.
Porque é que nos comentários nas rádios, os comentadores são sempre homens? Onde estão as mulheres? É como se não existissem, isto é, estão totalmente, brutalmente dependentes em absoluto dos homens. Portanto, passivas e submissas. A divisa dos vencidos: fé, esperança, caridade.
Enquanto se mantiver a não separação dos poderes, legislativo, executivo e judiciário, teremos sempre esta nação adiada.
E a lei dos crimes informáticos versa mais sobre os crimes nas redes sociais?, mas o mais importante são os crimes das fraudes informáticas, que abarcam um oceano, pretende-se minorar a questão, porque lá reside a corrupção? Espero que não se fira a objetividade e que não caiamos na defesa do estabelecimento da corrupção.
"Não haverá também liberdade se o poder de julgar não estiver separado do poder legislativo e do executivo, não existe liberdade, pois pode-se temer que o mesmo monarca ou o mesmo senado apenas estabeleçam leis tirânicas para executá-las tiranicamente… Por essa razão, em um estado democrático as leis devem ser executadas com a finalidade de manutenção do bem comum, caso contrário, tal estado precisará ser dissolvido… Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda a parte… Quanto menos os homens pensam, mais eles falam… A consequência desse excesso é que os magistrados perdem sua respectiva autoridade, passando a não ser respeitados. Os senadores não são mais respeitados, os velhos também deixam de ser e, consequentemente, também acaba o respeito pelos pais. Somado a isso, a corrupção do povo a partir da igualdade extremada, aumenta quando os magistrados, também corrompidos, escondem sua respectiva corrupção ocultando sua ambição através do elogio da força e grandeza do povo. O principal objetivo do povo corrompido é o ‘tesouro público’, visto que, esse dinheiro servirá para o sustento do luxo e ‘preguiça’ desse mesmo povo. Até a eleição pode ser comprada por dinheiro, assim, o povo corre o grave risco de perder mais do que, aparentemente, ganha. As vantagens alcançadas através da liberdade proporcionada pela corrupção podem ser perdidas com o surgimento de um tirano que possuirá a reunião de todas as corrupções”. (In O Espírito das Leis, Montesquieu, 1689-1755)


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

TERRA DOS ÓBITOS



Aiuééééé! Aiuééééé! Nossa Senhora da Muximééééé! Estão a vender veneno, muito conhecido por tala, por todo o lado para matar pessoas, disse a Ceast-Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé.
“Não mande um coelho para matar uma raposa.”
No óbito do Futungo, arredores a norte de Luanda, a festa está muito animada. Bebida não falta, comida, isso, não se bebe, portanto não dá, não presta. Mas a mesa está bem atestada, convida os bandidos, ou esfomeados?, que logo saltam como animais esfaimados. Assaltam a comida que num repente desaparece. Alguém cimentou que são piores que piranhas. Ninguém ousou enfrentá-los porque militantes da fome não se enfrentam, porque eles são fanáticos seguidores do imaginário partido da fome. E um conviva assinalou que “está a morrer muita gente.” E como se algo o escutasse, alguém lhe telefonou a dizer-lhe que um familiar acabou de falecer e que a sua participação era obrigatoriamente esperada. O defunto, um jovem de trinta anos, dizem que morreu envenenado pelo veneno tala, porque ele antes de morrer gritou para a mãe que uma coisa lhe subia pela perna e que depois fez uma bolha e explodiu. A mãe não teve tempo para ir no feiticeiro para lhe retirar o feitiço do veneno, e ele sucumbiu sem a assistência médica do feiticeiro. Depois é que foram elas: a família da esposa, tinha muitas mulheres, este hábito cultural nacional, reclamou que ele não tinha feito o pedido e por isso não deixavam sair o corpo para o cemitério. Logo se fez contribuição e se recolheu oitenta mil kwanzas para comprar vinho, cerveja e uísque, comida para quê, para quem. Depois abriram a porta do quintal e o morto saiu para a sua sepultura, isto que nos acontece a todos, apesar de alguns pensarem o contrário, que são imortais.
Também se fez o óbito dos partidos políticos da oposição (?) que de tão contentes que estão por participar, aceitar a fraude eleitoral por favores concedidos, o aumento de deputados no parlamento partidário. E que a partir de agora os debates serão muito acesos. Acesos?! Significa que serão à luz de potentes velas porque não haverá energia eléctrica? Não haverá nada? Só óbitos?
Só a morte revela a verdade. O seu destino une-nos e atira-nos para os braços uns dos outros. Não lhe podemos fugir.
Por falta de um prego, perdeu-se a ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, a mensagem não foi entregue. Por uma mensagem não entregue, perdeu-se a guerra. (Ditado japonês.)
É fácil dominar, as pessoas levar, porque as pessoas acreditam em qualquer gato-pingado. E aqui é tudo ao contrário, gato escaldado da água fria não tem medo. É o que diz uma das leis da feitiçaria.
Quanto aos óbitos dos militantes da Unita, isso ultrapassa a intolerância política e deixa de o ser, porque se inscreve muito bem nos rituais do assassinato político.
O trânsito também tem óbito porque estive de plantão na terça, quarta-feira, 17 e 18/10/17, durante dez minutos até às 15.15 horas, na rua onde moro o trânsito automóvel era escasso comparado com os anos anteriores onde havia muito movimento.
Quando as promessas vêm em caudal o seu cumprimento será a conta-gotas, mas como há oito dias que estamos sem água, dizem que serão duas semanas ou mais, então não haverá cumprimento de promessas.
Converso com um vizinho na rua em frente à entrada dos prédios onde residimos. Estão a deitar caixas de legumes e hortaliças estragados no contentor do lixo. Acompanhamos a cerimónia do óbito leguminoso, o vizinho, tristonho, diz-me uma coisa que eu não sabia: “sabes, ali no, nosso super express, eles quando têm alguma coisa, antes de se estragar, banana, pimentos, hortaliças e outras coisas, chamam o carro do lar das crianças e fazem-lhes entrega dos produtos… não os deixam estragar. Agora estes aqui da Pomobel, não, preferem deixar apodrecer e não fazem a entrega para esses lares que muito precisam. Isso aí está muito mal gerido.” Reflecti, e concluí que por trás disto há feitiçaria, pois, muita, até me arrisco a ir mais longe ao afirmar que a feitiçaria domina, governa Angola.
Mãe e filho: o filho, “ mãe, a violência não é a pior coisa do mundo.” A mãe, “o que é então?” O filho, “apatia.” (do filme, O Livro de Henry, 2017)
Está na hora de regressar à civilização, estou cansado de ser Tarzan desta macacada.
Para cada abelha a sua flor. Para cada desgraça o seu estupor.
Esconder a realidade é uma aberração.
Se a corrupção se combate sempre por baixo e por cima fica incólume, isso não é combater, é apoiar, e a corrupção enche-se de contentamento. E assim os corruptos unidos jamais serão vencidos.
Estejam sempre preparados para enfrentar os assaltos da maldade, porque ela campeia como as chamas do inferno.
Creio que Angola está em poder de padres e de outros correligionários, das politiquices dos políticos, das multidões de democratas, do festim dos corruptos e da fome e dos óbitos.
Não se fala de outra coisa, do queimar gatunos, do dizer com muito orgulho, “proclamar perante a África e o mundo” ontem queimámos três, há uns dias queimámos quatro, hoje queimámos um. E dito com o mais incontido sentimento do dever cumprido, “ficou bem queimado!” claro que há as vítimas inocentes como o do jovem que foi confundido com um bandido e de imediato queimado. Onde a falência da Polícia e da justiça se unem num casamento perfeito, os convivas, a população, saltam para as ruas e tomam-nas como suas, voltando aos tempos macabros dos autos de fé da Inquisição.
O prenúncio da catástrofe? Ou a fome é que comanda? Catorze indivíduos, segundo a Rádio Despertar, polícias e militares, assaltaram um armazém de alimentos em Viana, arredores de Luanda.
Eis uma prova indubitável de que o desenvolvimento económico e social de um país faz-se com… óbitos. E que tal para quando um jornal só dedicado a óbitos? Que bem será chamado de JORNAL DOS ÓBITOS.
Quando se trata de coisas mórbidas há sempre alguém onde facilmente nascem ideias. E assim alguém lançou a ideia de eleger o cemitério mais concorrido do ano. Depois do lançamento no terreno da equipa de observadores eleitorais, perdão, observadores de defuntos, elegeu-se o cemitério dos alcoólicos porque nele, como é fácil de ver, a maioria dos enterros eram de alcoólatras. Mera coincidência? Claro que não, pois numa epidemia nacional de alcoolismo nada tem de surpreendente, muito pelo contrário, pelo que a distinção foi bem merecida. E pelos vistos tal cemitério será todos os anos vencedor. Em consequência dessa inesperada, esperada, vitória uma das exigências daí resultante foi a reclamação de mais espaço para enterro de cadáveres. Claro que os especuladores imobiliários de atalaia, estão sempre nesse círculo vicioso, logo declararam que haveria expropriações porque a terra não é de quem a trabalha, é dos preguiçosos malandros do Estado, leia-se demolições, espoliações. Os óbitos também são negócio muito rentável porque dá emprego a muita gente e nesta terra de óbitos, investir e ganhar dinheiro facilmente é na morte. Neste momento este é o negócio, como se diz na gíria, é o que está a bater bem.
Mais óbitos: A fábrica de cimento do Cuanza-Sul, conforme noticiado na Rádio Ecclesia, encerrou a sua actividade porque não recebe fornecimento de combustível da Sonangol. Então, 140 trabalhadores ficaram desempregados, aguardando os óbitos que decerto não tardarão, faltarão porque a miséria e a fome são como tubarão. Aqui cogito que já me embaralho com a actividade da Sonangol: então é ou não é fornecedora de combustíveis? Que saiba não deixou de o ser. E é mais uma fábrica que acabou de perecer. Com falências atrás de falências porque não se declara a falência do Estado?
“Enquanto houver matadouros, haverá campos de guerra. Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo". (Liev Tolstói, 1828-1910)




segunda-feira, 23 de outubro de 2017

TERRA CORRUPTA



Todos os anos havia um concurso de corrupção na terra corrupta, e claro que a ele só podiam candidatar-se corruptos, daqueles famosos, e outra vez, claro, que só um corrupto o podia ganhar. E foi anunciado o vencedor, era quase sempre o mesmo, e a imprensa corrupta falada, escrita, televisionada, na Net, teceram rasgados elogios ao corrupto que conseguiu tal feito. Que isso, usando o conhecido slogan, “isto não é para quem quer, é para quem merece.” E o vencedor corrupto, parece que pela vigésima vez, agradecia: “Estou muito grato a todos os que votaram em mim, a todos os que acreditaram em mim. Muito obrigado a todos pela confiança que em mim depositaram. Não há futuro sem corrupção. Aproveito para dar uma sugestão a todos os corruptos nacionais e internacionais: Que tal mais uma cadeira no nosso ensino, ou melhor, criar universidades para o ensino da corrupção? Saibam que professores, e dos melhores, não faltam por aqui e por esse mundo fora. Muito grato pela vossa atenção. Viva a corrupção!”
Vamos diversificar a economia! Qual economia?!
Ocorre-me que a corrupção é como um iceberg, onde só se vê um pouco à superfície e por baixo não se vê nada.
“Renunciar à tarefa de reformar a sociedade é renunciar à responsabilidade de um homem livre.” “O único que tem o poder totalmente é o amor, porque quando um homem ama, não busca o poder, e portanto o tem todo.” (Alan Paton, escritor sul-africano anti-apartheid, 1903-1988)
Enquanto a corrupção não acabar, não haverá economia… não haverá nada. Nada de nada.
E fatalmente terminámos na prisão da poluição política.
Será possível que um governador não saiba o que se passa nos bancos da sua província? Por exemplo, na Rádio Despertar foi anunciado que funcionários do BCI-Banco de Comércio e Indústria, em Benguela, torturaram um empresário porque ele teve a coragem de denunciar a máfia de divisas praticada por esse banco.
O dinheiro não está difícil, vai ficar impossível.
Nos noticiários da corrupção noticiam-se as desgraças pelo mundo fora, enquanto por aqui as notícias dizem-nos que vivemos num mar de felicidades. Omitir a carga de infelicidades que já não se pode mais suportar, isto é fazer a corrupção. Custa a acreditar que com tantos e notáveis avanços científicos conquistados ainda existam impérios da corrupção. E isto, parece que não, é um acto de desestabilização nacional, mundial.
O mistério de Samakuva continua a atormentar-me quando ele disse num discurso para os seus correligionários, “conquistámos mais lugares no parlamento.” Até agora ainda não consegui decifrar este mistério. Quer dizer, penso que os partidos políticos nos desiludiram porque afinal não cumpriram nada do que prometerem na campanha eleitoral. Se constantemente reiteram que desta vez não haverá fraude, então porque a aceitaram e se acomodaram? Mas, bem visto, isto também é fraude, não é amigo leitor?
Onde há escravidão, miséria, fome, não há patriotismo. A sociedade desaparece porque fica sem regras. Fica a luta pela sobrevivência, a lei da estafada selva, salve-se quem puder, a selvajaria, que já demoniacamente se instalou.
E quando há qualquer problema, seja ele qual for, as igrejas mandam rezar. Sim, rezar, há mais de dois mil anos que mergulhamos nisto, atolados na oração. Quanto mais se reza há um fortalecimento da desgraça que sorridente agradece. É mais este absurdo que comanda a vida humana.
Quando o muangolé um dia souber o que é um democrata, distinguir o verdadeiro de um falso democrata, então sim haverá democracia.
Se não derem condições à massa cinzenta e estrangeiros residentes devotados aos interesses de Angola, não vale a pena pensar Angola como país do futuro. Vale mais pensar em país sem futuro. E não é isso que há muito acontece? Caminhamos para a falência do Estado?
Sem contabilidade a corrupção é um êxito.
Até parece que a principal actividade dos serviços secretos angolanos é a implacável perseguição a jornalistas. Aconteceu com o “pobre” jornalista do Folha 8, Pedro Teca, que cobria a tomada de posse do PR João Lourenço. O “coitado” ficou como que preso, interdito, durante um tempo por ser jornalista do Folha 8. Há interesses obscuros em acirrar os ânimos? Voltamos ao tempo dos bolcheviques (maioria) e mencheviques (minoria? Se disto não passaremos ao dia de amanhã não chegaremos. Se não se pode suportar, se não se pode ter opiniões divergentes, críticas e coisas similares, então continuaremos com os estatutos de Lenine.   
Orgulhosamente sós, não, orgulhosamente sempre acompanhados pela nossa inseparável amiga corrupção.
Vamos combater a corrupção! Dizem, mas não se sente nenhum mecanismo para a combater. Isto quer dizer que é só para muangolé ver.
Já vai para um mês que não consigo assistir, (a única coisa que restava) ao rodapé dos noticiários da TPA-Televisão Pública de Angola. Definitivamente, TPA nunca mais. Isto está a ficar bonito, está.
A minha última descoberta: Angola ainda não tem classe política. Por enquanto tem uma classe de palradores políticos.
Para manter a corrupção sempre no activo há que afastar os indesejáveis, isto é, os opositores e os críticos.
Principal regra de um bom corrupto: lutar pela corrupção é fazer revolução. Como as cosias andam sob o domínio completo da corrupção, há, como já dito atrás, que declarar a falência do Estado, da nação.
Outra coisa que não se entende é o deixar as lâmpadas acesas noite e dia nas residências. Será isto mais um caso de saúde mental? Inclino-me que sim, e é mais uma epidemia de débeis mentais, onde a corrupção é lei. E quem mais sofre, sempre, são as crianças que ficam como que abandonadas em campos da morte. Toda a gente sabe disto, fazem-se os habituais belos discursos… e nada mais.
Quem se manifesta contra as arbitrariedades de um incapaz regime, cai-lhe em cima a acusação de perturbador contra a ordem pública. De sublevação contra a autoridade constituída. Isto para que a corrupção continue impune, num Estado não de facto, num Estado não de direito. Uma nação envolta em corrupção, nada nos tem para dar, não.
Trabalhadores do Porto do Lobito em greve à Rádio Ecclesia: “não têm dinheiro para nos pagar, mas têm dinheiro para pagar aos estrangeiros.”
Custa a crer mas é a pura verdade. Na Rádio Despertar, ouvi um membro da Omunga de Benguela em entrevista na DW, que os professores no Bocoio, em Benguela, estão a ameaçar de morte as crianças nas escolas porque os seus pais são da Unita. Francamente, então o que é que as indefesas crianças têm a ver com isso? Estamos em presença de tribalismo político? Para onde vai Angola? Pelos vistos vai para o desterro político. Mas tem mais: foi acrescentado que a Omunga recebe dinheiro dos americanos para desestabilizar a população. E que o governador se mantém indiferente Claro que fiquei, estou muito apreensivo porque isto me faz lembrar aqueles tempos em que mostrar uma nota de dólar ou vestir uma camisola com a bandeira dos EUA, era logo acusado de agente do imperialismo. Assim a desagregar-se para onde é que Angola vai? Sempre para o partido único? Sempre com os mesmos ideólogos e logo sempre com a mesma ideologia? Não se pode pensar a não ser de acordo com o pensamento oficial das estações de rádios, de televisões e jornais da lavagem cerebral, da alienação total? Os azares estão lançados, diria hoje o célebre romano Júlio César. Vai haver mais perseguições, mais purgas políticas? Pelos vistos creio que sim.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ILUSÕES




Para a Lúcia
Com muito amor

É quase meia-noite
O vento sopra com força
As folhas secas das árvores voam
Da chuva miudinha
O vento continua a soprar as folhas
Que perdidas se espalham
Nas crateras das ruas
É a crise que faz isso
Não ter valores não é da crise
É a mediocridade que o determina
Só os desfiles de armas têm valor
Os da paz não
A ética e a moral baixam-se
A perversidade eleva-se
Com valores tão baixos
A baixeza ergue-se
Perturba-se o silêncio da noite
É uma voz alcoólica
Que jura não beber mais
E também se ouve forte tossir
De alguém que jura não fumar mais
Mas tudo cai no vazio
Porque nos dias que correm
Ninguém respeita a honra
Parece que ninguém se lembra
De que lugar de palhaço é no circo
O som de um tiro
Fere o silêncio da noite
Tudo tão habitual, tão anormal

A mediocridade vê-se avançar
Sem que ninguém a ouse enfrentar
Parar
Os decretos-lei são para queimar
Ainda se ditam ordens
Mais desordens
Desde que dê para saquear algum dinheiro
É sempre porreiro
Serve bem ao aventureiro, justiceiro
Viver é enfrentar as injustiças
Dos abundantes esgotos
Onde nascem democratas putrefactos
Tantos revolucionários que vi
E nada senti
Deles fugi
Me afligi
São perigosos
Os presunçosos










quarta-feira, 4 de outubro de 2017

GLÓRIA, ALELUIA! ABDERA JÁ TEM UM PRESIDENTE ELEITO




Abdera foi uma cidade grega na costa da Trácia, perto do rio Nestos, quase frente a Tasos. O ar de Abdera tornou-se proverbial entre os gregos antigos que afirmavam que tornava as suas gentes particularmente estúpidas. (In Wikipédia)
República de Abdera, algures no Golfo da Guiné.

“Não é possível destruir uma opinião com a força, porque isso bloqueia todo o desenvolvimento livre da inteligência." (Che Guevara, "Il piano i gli uomini", Il Manifesto n° 7, deciembre del 1969 p. 37.)
Pessoalmente estou deveras embaralhado com este estado de coisas: Se os partidos políticos da oposição aceitam a eleição e governação do partido do Senhor, é porque não houve fraude eleitoral. Então está tudo legal e de acordo com a Constituição. Houve ou não fraude eleitoral? Parece que não porque está tudo acomodado, no parlamento sentado.
Glória, aleluia, bendito seja o Senhor porque Abdera conseguiu um presidente eleito democraticamente. E foi eleito por Deus porque Ele não é intolerante, porque tanto apoia as ditaduras como as democracias. Ainda temos muito que aprender com Ele. A palavra do Senhor é amor e bendito seja o seu nome.
O exército de padres foi até ao céu em carruagens celestiais conduzidas por anjos. Lá chegados pediram audiência a Deus que logo os fez entrar para o seu gabinete divino, porque Ele tem como prioridade do seu governo celestial tudo o que se passa em Abdera. Aliás, Ele já muito antes advertiu os arcanjos seus ministros que os assuntos de Abdera são prioritários. Ele até nomeou um arcanjo como ministro-presidente para os assuntos abderas. Já sentados em poltronas rodeadas de anjos para os servirem, a delegação de padres abderas abriu a sessão com o consentimento de Deus. Com as mãos em oração rogaram ao Santo dos santos, ao Rei dos reis, ao Presidente dos presidentes, que desse a vitória eleitoral por maioria absoluta ao partido do Senhor. Convém notar que esse era o único ponto da agenda de trabalhos. Deus deixou transparecer um certo aborrecimento porque isso há muito já estava decidido, isto é, como fez recordar aos prelados que desde as primeiras eleições a vitória eleitoral seria sempre do mesmo partido. E o exército de padres do Senhor partiu de Abdera com mais um documento divino que testificava mais uma vez, e sempre, a vitória nas eleições para o partido eleito do Senhor. Já em Abdera foram dadas instruções rigorosas a todas as igrejas da congregação cristã ou não, que havia boas maquias, lautas fatias monetárias a quem mais arregimentasse votos para o partido do Senhor que abria desmesuradamente os seus cordões da bolsa, o tal chamado saco azul. Mesmo que os cofres públicos secassem isso não seria problema porque se culparia a crise, e dir-se-ia que se conseguiria angariar divisas na agricultura sem investimentos em divisas. Assim que os cordões da bolsa se rebentaram, os padres chegaram nas igrejas e vá de ameaçar os fiéis, que se não votassem no partido do Senhor seriam excomungados das igrejas… escorraçados e que seriam atirados para o inferno. Também ameaçaram os crentes que se não votassem no partido do Senhor, Ele depois saberia porque mandou instalar câmaras de vigilância que filmariam quem e onde escreveria o X do voto. Chegada a hora da contagem dos votos que o Senhor previamente tinha contabilizado fácil foi achar o vencedor. Ninguém podia tecer dúvidas sobre os resultados eleitorais do Senhor, porque a ira Dele cairia como aquelas brutas chuvadas no tempo das chuvas de Abdera. E depois da proclamação do vencedor tudo voltou à normalidade, à anormalidade, como antes… e sempre.
Abdera tem muitos políticos que falam muito e não resolvem nada. E usando o lugar-comum: de promessas está o inferno cheio.
“Serás um grande líder, um dia. Pensa nos outros antes de pensares em ti.” (In, filme Drácula, a história não contada, 2014.)
Entretanto Abdera moderniza-se, agora os mortos são enterrados com os seus telemóveis para no caso de algum deles despertar, pega no telemóvel, liga e salva-se.
E lá estamos sempre com o dedo na mesma tecla, isto é: isto não mostra ponta por onde se lhe pegue. Não acredito em autodidatas, dizem-me. Não acredito em falsos letrados, digo-lhes.
É sempre assim, então o que é que se há-de fazer. Há pessoas que no princípio nos parecem leais, sinceras e honestas. Mas algum tempo depois verificamos que tais pessoas são o oposto, mostram-nos que não têm dó nem piedade. Nem sequer têm noção que estas coisas existem. Imaginemos por um pouco tais pessoas com as rédeas do poder nas suas mãos. É uma coisa terrível, não é?
É domingo, quinze horas, do cacimbo que há cerca de quase um mês se foi. Afastada do mar, uma gaivota poisa num caixote de lixo e com o seu bico agita-o. Apanha qualquer coisa, que devido à distância não dá para ver o que é. Levanta voo e poisa numa árvore, pois lá está segura dos outros animais de duas pernas. Tudo leva a crer que está nessa vida porque lhe ocuparam o seu habitat natural. Mas por aqui ninguém se preocupa com isso porque as pessoas também estão a ficar sem o seu habitat natural. Está tudo demolido, porque as inteligências vivem para patrocinar o mal.
Abdera tem um gigantesco complexo industrial que produz miséria ininterruptamente.
Em Abdera é assim, os cães ladram e a caravana passa porque os escravos têm muito medo dos cães.
Eis os doutores abderas, que em vez de dizerem: tal como está escrito, dizem, ipsis litteris. Textualmente, dizem, ipsis verbis. Pelo próprio facto, dizem, ipso facto. Por força da lei, dizem, ipso jure. Creio que são as novas regras da imposição da democracia.
Vivemos sempre no eterno problema ainda não resolvido, que é o trabalhar e o patrão não pagar.
“ O mal caça o fraco, pois teme o forte.” (provérbio colombiano.)
A selvajaria consolida-se. Nas traseiras do prédio apareceu um gato morto com as patas amarradas. Os adeptos da selvajaria apanharam o gato, amarraram-no e atiraram-no para a morte. Para a agonia da morte lenta. O terrorismo está por todo o lado.
E este povo está tão fanatizado pela religião que em qualquer conversa logo surge o nome de Deus e de Jesus, fazendo com que seja impossível qualquer debate de ideias. E cada vez mais os abderas impressionam, porque são pastores, reverendos ou padres. Por todo o lado se prega a Deus, mas a palavra Dele está adulterada, como lixo já muito vasculhado. E na multidão de pregadores há mais que um exército de impostores. Religião e alcoolismo misturaram-se como um coquetel e em consequência muitos maus ventos sopram por aqui, originando violentas tempestades religiosas. Pobres tresloucados que gritam demoniacamente a palavra incendiária em nome do Senhor, enquanto na mão arremessam a Bíblia como arma mortífera. Tal Deus não é vida, é morte.
As jovens de Abdera não gostam nada que lhes falem em público dos seus filhos, porque isso é muito prejudicial para a vida da caça ao homem. O destino da mulher é embarcar, para os seus sonhos realizar.
Porra! E conseguiram atirar com este povo para as profundezas da Idade Média.
Uma coisa é certa: com a maldade implantada, isto não vai dar em nada.
Quanto mais o tempo passa, mais aumenta a nossa desgraça.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

A REPÚBLICA DE ABDERA FOI MAIS UMA VEZ A ELEIÇÕES ADMINISTRATIVAS



Abdera foi uma cidade grega na costa da Trácia, perto do rio Nestos, quase frente a Tasos. O ar de Abdera tornou-se proverbial entre os gregos antigos que afirmavam que tornava as suas gentes particularmente estúpidas. (In Wikipédia)
República de Abdera, algures no Golfo da Guiné.

Nestas eleições a oposição jurou aos seus eleitores que desta vez não haveria lugar a fraudes como nas eleições anteriores. Os votos seriam rigorosamente controlados e assim o escrutínio não teria hipótese de fraude, pois as cópias das actas seriam contabilizadas e facilmente se saberia quem seria o vencedor. Sim, já se sabia quem de antemão seria sempre o mesmo vencedor. Palavra de oposição não vale um furado tostão.
Foi dito pelo Abel da CASA que desta vez não seriam admitidas fraudes. O paladino, qual mau profeta, Isaías da UNITA, disse que haveria uma chuva de manifestações, - bom, até pode ser que esteja corecto, pois no tempo do cacimbo não há chuva, - pouco antes da publicação dos resultados que há muito já se sabiam, disse que o povo seria o juiz e soberano e que a sua decisão é que seria válida, seguida para a resolução da contenda da fraude. Mas rapidamente fazendo ouvidos de mercadores, Abel e Isaías também defraudaram os seus eleitores ao afirmarem que iriam tomar lugar no parlamento, validando assim as fraudes anteriores, isto é, tudo a ficar na mesma com a oposição a fazer a estudada figura de palhaços. O Abel, tal como no discurso das anteriores eleições, limitou-se a dizer que não tomaria lugar no parlamento para se dedicar mais aos interesses da CASA. Reforçando que na anterior fraude, ele disse precisamente o mesmo. Sou de opinião que os manos Abel e Isaías devem pedir a sua demissão e entregarem os lugares a quem os mereça, porque de continuados espantos já estamos cansados, estupidamente habituados. Aconselho-os a irem no guiché único de empresas e legalizarem um circo, porque isso sim, é algo de útil, é a vocação que têm para entreter os eleitores com as suas palhaçadas, e abandonem a política, deixem-na para os que têm aptidões para tal. Mas, como disseram, que iriam para outras formas de luta, quais… quais são?! Não sabem, porque lhes falta capacidade para tal. Dou-lhes um exemplo sem a necessidade de manifestações. As greves, e várias coisas sem necessidade de manifestações. Mas eu não sou, nem pretendo ser vosso conselheiro, era só o que faltava.
Então se a oposição conforme provas documentais apresentadas ganhou as eleições, entrega o poder de mão beijada e aceita outra vez a imposição da vassalagem? Isso também é uma fraude eleitoral aos eleitores que muito esperançados votaram na mudança… da escravidão. Isso tem um nome: mentalidade de escravos que ainda não lhes saiu das cabeças.
A actuação da oposição deixa-nos em estado de estupefação. Oh, como me sinto triste ao colocar-me no lugar dos eleitores que votaram nos partidos da oposição e viram o logro em que se meteram, porque os seus presidentes não têm qualidades que certifiquem serem defensores do povo, dos seus eleitores. Então porque é que andaram toda a hora a implorar que votassem neles, que a miséria acabaria e que a felicidade viria? Apenas para conquistarem mais alguns lugares por via administrativa no parlamento e assim conseguirem mais dinheiro para engordarem.
As eleições em Abdera são qualquer coisa assim como numa empresa onde os trabalhadores chegam e marcam a sua presença no livro de ponto.
Se antes já estava céptico, agora com estas eleições digo definitivamente adeus à democracia porque se instaura a selvajaria. Basta ouvir os noticiários e que aqui e ali diariamente os maridos matam gratuitamente as esposas… matam tudo. A violência cresce, se fortalece. É uma gigantesca avalanche que faz com que haja muitos desmoronamentos de selvajaria. Abdera está a desabar.
Com políticos ingénuos não há democracia. Oposição, mais povo abandonado, igual a, república da selvajaria.
A lei é para os pobres.
Porque será que Abdera tem muitos doutores? Pergunto isto porque nas rádios e televisões só se ouve, doutor disto e daquilo. Creio que é mais uma epidemia, ou melhor, muitos doutores e engenheiros não. Não é por acaso que chamam os abderas de estúpidos, pois só têm doutores e engenheiros não.
Hoje e todos os dias há circo, e a atração principal é os palhaços da oposição, nada mais natural, sem igual.
As sanguessugas, os abutres e os vampiros apressam-se em reconhecer os resultados eleitorais. A pilhagem está a recomeçar.
Depois de tanta propaganda à bolchevique que com a barragem de Lauca a energia eléctrica estaria definitivamente restabelecida, eis que a partir do início do mês de setembro de 2017, quase todos os dias a energia eléctrica falha. Sempre a andar para trás como um viajante do tempo que nele se perdeu. É inacreditável como Abdera funciona, mas perfeitamente aceitável pois se os seus habitantes são todos estúpidos. 
No cabeçalho da minha caixa de correio e bem carregado de vermelho: “Aviso: a Google detetou uma tentativa de roubo da sua palavra-passe por atacantes apoiados por um governo.” Não sei para quê que perdem tempo com estas coisas, pois se querem a minha palavra-passe eu dou-lha, sem makas, não tenho nada a esconder.
Já não me restam dúvidas de que há um complô internacional para a condução dos destinos de Abdera outra vez na escravidão e na colonização, sem rebelião da oposição, que destas coisas nem merece compaixão.
Povo nas eleições defraudado é povo subjugado, às gales condenado. Mas como o povo abdera é pela comunidade internacional considerado estúpido, logo fácil de dominar, de modos que mais um império colonial de quinhentos anos se vai renovar. E para isso se vai continuar a votar.
Os abderas são tratados como se não tivessem pátria, como estrangeiros, como desconhecidos que de muito longe vieram para aqui.
Haja ou não energia eléctrica, os abderas vivem sob constante bombardeamento de fumo dos geradores. Tal fumo mata, mas como são proverbialmente estúpidos deixam-se matar nas calmas como se isso fosse uma fatalidade do destino, e deixam-se estupidamente morrer, dizendo depois que isso é obra dos feiticeiros superiores e que da morte deles não se pode escapar. E as crianças que nada disso estendem? São oferecidas em sacrifícios humanos para apaziguar a ira dos deuses feiticeiros superiores? Quando é que proíbem os geradores nos terraços dos prédios? Estão à espera que morra muita gente? É exagero? Claro que não, porque apenas dois exemplos bastam: No terraço do primeiro andar do prédio da Pomobel, na rua rei Katyavala, estão posicionados doze, isso mesmo doze, geradores com reserva de bidons de combustível armazenados junto aos geradores, e também com outras coisas armazenadas. Soube por um vizinho que uma caixa de plástico dessas da cerveja, estava encostada ao gerador, começou a aquecer e antes de incendiar ele sanou como que por milagre o incêndio. Mas os outros abderas não ligam, continua tudo na mesma, pior, à espera de um incêndio de fatais proporções. Isto é nas traseiras e na parte frontal do prédio, de outros prédios, na rua em frente está também um terraço no primeiro andar do prédio do ministério da juventude e desportos que alberga também doze, sim, doze, geradores. Se rapidamente não se puser mão nisto, será pior que o incêndio de Roma no tempo de Nero. Não é necessário a Coreia do Norte lançar nem um míssil para aqui porque a cidade de Abdera tem um muito mais poderoso: milhares de geradores espalhados por todo o lado, como se fossem vários misseis armados com ogivas nucleares.
O problema é que Abdera não tem líderes, mas tem muitos falsos líderes.
A luta… continua! A vitória… é muito incerta, porque ainda não se sabe quando nascerá o messais que libertará Abdera.


HOLOMODOR, A MORTE PELA FOME



Parafraseando Winston Churchill (1874-1965): estou na varanda da minha casa, é quase uma hora da manhã, olho para o profundo da noite e vejo que depois das eleições de 23/08/17, caiu sobre Angola uma desastrada cortina de chumbo eleitoral.
Mas vai ficar tudo na mesma? Isto é, pior? Então sirvam-se que o banquete do demónio está servido.
Eis a fome que pela força das circunstâncias do desaire económico e social, também açoitará Angola com tremenda força.
 “Apenas alguns poucos conseguiram fugir para a liberdade. A inanição soviética de 1932/33 imposta aos ucranianos é conhecida agora como “morte por fome” ou holomodor. Essa fome foi um acto de genocídio soviético direcionado contra a nação ucraniana. O verdadeiro horror dessa política intencional foi revelado somente depois da desintegração da união soviética em 1991. Em 2003 a Rússia assinou uma declaração confirmando que o genocídio custou cerca de 7 a 10 milhões de vidas ucranianas inocentes. Hoje o genocídio é reconhecido como um dos grandes crimes contra a humanidade.” (Do filme Bitter Harveste 2017, Colheita Amarga.)
Perante o consenso popular os que perdem as eleições não sabem, não querem perder.
Mantenham-se calmos porque os resultados definitivos das eleições são muito fiáveis. Porque as eleições foram exemplarmente organizadas e apenas um partido ganha sempre por maioria absoluta ou qualificada. É como se fosse um partido sem oposição para desgraça da nação. Só que no tempo presente, e antes, os eleitores votaram nos partidos da oposição porque estão fartos de aturar os vexames perpetuados do partido da desgraça da situação. Honra e glória aos eleitores que votaram na oposição porque a ocasião não mais fará o ladrão.
O lugar dos padres é nas igrejas, fora delas são demasiado vulgares cantineiros eleitorais.
Quando um partido no poder faz da população um exército de famintos, quando chega a hora do voto, claro que não vão votar nele. Mas isto é tão demasiado elementar que até um reles cão vadio, desses abandonados que farejam os caixotes do lixo, entendem. Portanto é preferível falar com um cão do que falar com tal gente.
O que é necessário é manter o exército de escravos para que os seus amos e os seus grandes amigos, os pastores das igrejas demoníacas e dignitários de alguns países enriqueçam facilmente.
Vida do ser humano é vida de guerra. Uma coisa é certa e disso tenho plena certeza: depois das eleições de 23/08/17, Angola jamais será a mesma.
É mais um povo abandonado tal e qual como foi por deus anunciado. A corrupção faz ceder os pilares desta nação. E não há ninguém que lhe ponha cobro não. São tantas as desgraças que já não dá para as contar. As eleições já deixaram a porta, mas a porta de quem? Sem votação o partido da situação proclama-se vencedor, e o povo é outra vez o perdedor.
Mas, que diabo, porque é que a África negra não sai da Idade Média? E esforça-se muito para retroceder ainda mais até à Idade da Pedra. O continente da miséria, da fome. O continente dos exércitos famintos dos assaltos, o continente dos tiros. O continente dos políticos charlatães.
Pais burros, filhos burros.
As portas deste inferno estão escancaradas para o exército de famintos. As multidões deste exército, muito rápidas entram e muito rápidas saem.
Angola está como que perdida na selva amazónica à espera que um arqueológo a descubra. Mas mesmo a esvair-se na desgraça total e completa, os abutres não param, muito pelo contrário, devoram com os seus bicos blindados os despojos finais. Para ver o futuro de Angola, basta ver a campanha eleitoral do tempo de antena dos partidos políticos na televisão bolchevique onde um deles se afirma como o detentor da verdade absoluta., que sendo o partido do dinheiro acredita que tudo e todos lhes cairão e beijarão os pés. Também isto é o estalinismo holomodor.
Se todos os empresários viviam na acolhedora sombra do bananal do petróleo e assim se formavam, quer dizer, empresários formados na fraudulenta universidade do petróleo, não têm absolutamente nada de empresários, pois limitam-se ao comprar e vender como vulgares cantineiros. Claro que obedecendo aos sãos princípios da contabilidade desorganizada, é assim que se realiza o caos de Angola. Bom, Angola depois da independência nunca teve, não tem classe empresarial. Neste aspecto a única coisa que tem é o comité de especialidade dos empresários ávidos, que oram às receitas do petróleo para que lhes caiam grossas gotas. Empresário que vive dessas receitas não é empresário, é um parasita. Angola está definitivamente troglodita. Esta nação está ao serviço da corrupção.
Creio que isto não é uma democracia, é uma morgue eleitoral.
Então se há o receio dos partidos políticos da oposição fazerem manifestações porque, como dizem, o exército e a polícia estão ao serviço dos oligarcas que se aferram ao poder como rêmoras grudadas no corpo dos tubarões, porque não temerários não ousam enfrentar o belicoso poder, então não têm, nunca pensaram, nunca estudaram uma alternativa válida para manietar, enfrentar o “inimigo”. Então, assim a democracia não sobreviverá. Torna-se por isso necessário criar uma força de contenção que enfrente de uma vez por todas a destruição da nação que se aproxima a grande velocidade, qual ciclone. É preferível morrer de fome, que aí vem com mortal força, que morrer pela democracia? Então vamos ficar como antes. Aceitam-se os resultados eleitorais para que não haja mortes, como se a democracia assim o exigisse. Vamos ficar animais de caça abatidos ao gosto dos caçadores, dos senhores dos gatilhos. Oposição cheia de hesitações é ter na democracia fechados os seus portões. Não vale a pena esperar pelas forças do Além porque de lá não virá ninguém.
A democracia é o poder do povo, só que em Angola não existe povo.
Será patético ficarmos reféns do eterno poder e da titubeante, demasiado hesitante oposição que não consegue ir além da fraude, e assim continuaremos… cada vez piores, sem solução à vista. A não ser a fuga em embarcações rumo a um porto seguro na Europa. Esta também é uma das maravilhas de Angola. Vamos ficar outra vez reféns do poder e da oposição. Só que desta vez nem os ossos nos sobrarão. Assim sendo quem é que vai acreditar em Angola? Só os aventureiros, como sempre, como se estivessem no faroeste vivendo os gloriosos tempos das coboiadas da cidade do Texas.
“A porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Júlia Ferreira, disse ontem que os resultados já divulgados, que são provisórios, e que dão uma esmagadora vitória ao MPLA, não foram produzidos apenas a partir das acta-síntese, mas também de "um conjunto de outros elementos".
(O atiçar da fogueira para a manutenção da escravidão): “O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou hoje uma mensagem de felicitação pela eleição ao Presidente eleito, João Lourenço.”
Eleições: CASA-CE admite recurso a "actos de contestação de massas", UNITA remete posição para depois de reunião de hoje
Eleições: MPLA exorta angolanos a não aderirem a tentativas de distúrbios e instabilidade.” (Novo Jornal Online 26/08/17)
Aprendi de um português que, “se estás fora de Portugal num país estrangeiro e tens dificuldades financeiras para beberes uma cerveja, então sai, vem-te embora para Portugal.”

À primeira vista não parece, mas creio que facilmente se percebe que vivemos num potencial feudo de uma sucursal do estado islâmico.