Vai para três meses que Luanda está sem energia elétrica. Entretanto, há quarenta e dois anos os que governam por direito de sucessão apostam na diversificação da economia… sem energia eléctrica. E o fumo do gerador do banco millennium-atlântico na rua rei Katyavala mata-nos. Em Luanda, matar é facturar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

PROFISSÃO: TRAPACEIRO E DEMOCRATA/OPOSITOR






República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos


Parafraseando o jornalista Orlando Castro: a lagosta ilumina os cérebros dos que nasceram no mar de petróleo. E a mandioca apaga os cérebros do exército dos sem direito a salários do outro exército de famintos. Esta mandioca é a revolta que nos sufoca.
Entretanto aguardo pela chuva de manifestações da Unita.
Se anda tudo a roubar então onde vamos parar? Levados na corrente do esgoto para o mar. Ou como na RDC acabar e na Lunda-Norte refugiar.
Os trapaceiros instituíram a terra do mal e riem-se mostrando o poder do desdém depois do dinheiro ensacado dizem como que impolutos, eis o adeus a Angola. Mas continuam na soberba que a luta pela democracia e justiça continua, que está nas suas mãos, que só eles têm esse poder. Na verdade já não se sabe quem é democrata porque a democracia está tão prostituída que está difícil saber onde reside a virtude. Sim, manos e manas, a democracia está uma vulgar prostituta. Com tal exército de trapaceiros pode Angola sobreviver? É muito claro que não. Por exemplo, a RDC está aí a rebolar no chão à procura da democracia e não a encontra. Viver sob escolhos de trapaceiros é ficar presos em nevoeiros, prisioneiros de atoleiros. Os trapaceiros são mais que o povo e por isso ele não se pode libertar.
É a cultura do enriquecer a roubar há muitos anos entranhada. Os trapaceiros têm a função lembretes nos seus telemóveis, mas mesmo assim – já nasceram sacanas – argumentam muito convictos que se esqueceram, que já não se lembram, ou o mais normal, pura e simplesmente não ligam, porque a função principal do trapaceiro é a irresponsabilidade. 
A questão é que há saturação, tanto com o partido da situação como os da oposição.
Nesta terra do mal, dizem que na África negra é geral, enquanto o génio vive da mendicidade, os trapaceiros vivem da vigarice e da sua falsa e medíocre democracia, e num ápice se fazem muito ricos.
Primeiro é limpar o lixo humano porque sem isso nada há a fazer. Parece que não, mas há muito deste lixo para varrer, é às montanhas e até ultrapassa o outro lixo, aquele que sai das nossas casas.
Neste inferno onde as chamas não param de arder porque há muito combustível humano para as manter, e a manutenção do mal mantem-nas constantemente em ebulição, e os maldosos com isso se regozijam. Gozam a vida da cultura exclusivamente só deles. Ó pobres diabos que caminhais para o suplício, porque quem as chamas ateia também se incendeia e nelas acabará, se queimará.
Há aí muitos, muitos muangolés muito precavidos, porque muito inteligentes quando engravidam a primeira mulher, logo depois engravidam a segunda, e em seguida a terceira, e finalmente a quarta, quinta, sexta mulher e por aí fora. Isto é como uma fábrica onde se fabrica miséria. Mais filhos para andarem por aí nas ruas a pedir qualquer coisa para comer, mas como as coisas estão e com o advento da grande tragédia, não sei não. Ah, eles é que sabem.
Mas que diabo de empresas são essas onde o muangolé tem muitas mulheres e assim esvai os recursos financeiros e outros desvarios nelas. Assim, o muangolé não está a gerir empresas, está a gerir mulheres. A trama fica dramática quando o muangolé ao viver intensamente no esbanjamento obriga os trabalhadores a ficarem sem salários como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. E a coisa complica-se muito mais quando se trata de democrata/opositor que lança toda a espécie de farpas ao poder vigente, “que o poder não paga aos trabalhadores mantendo-os no cativeiro da escravidão”, mas o democrata/opositor segue-lhe as pisadas e ainda dá risadas sarcásticas. Isto é a extrema podridão da grande tragédia desta nação.
E só se ouve falar de eleições e mais eleições enquanto o país se afoga na grande tragédia. Como se as eleições fossem a varinha mágica, o condão do tudo se resolve num ápice. Por favor não mintam às pessoas que após as eleições - a oposição vai vencê-las - e em seguida vem o paraíso, quando na verdade sair deste inferno demorará muitos anos, ou uma eternidade porque já sabemos muito bem como é que as coisas funcionam em África. Ainda mais com a certidão de óbito da comunidade internacional em apostar nas aventuras dos democratas/opositores.
Não havendo vocação empresarial, qualquer um alimentando-se do petróleo é genial, e insistindo nesse desaire deixa de haver tecido empresarial, fica como retalhos, resíduos nem sequer aproveitáveis, que nem dão para reciclar.
Mas que raio de eleições são estas se a fome grassa e dizima os eleitores. Então os democratas/opositores não fazem campanhas de recolha de alimentos para alimentar os eleitores de modos que eles vivam para poderem votar. É preciso ver que a população vive na condição de refugiada.
Os democratas/opositores vivem apenas para projecção pessoal, para darem nas vistas, tipo, eu sou o melhor desta bagunçada, os outros são lixo. Tais democratas/opositores não estão interessados no bem-estar das populações, o que eles querem é apanhar alguns espaços numa rádio e ditarem balelas de justiça, liberdade, democracia e outras coisas de bocós. Portanto, extremo cuidado com o democrata/opositor porque é como el-rei nosso senhor.
Uma das táticas do democrata/opositor onde é professo e confesso, consiste em atiçar a plateia para actos revolucionários e quando alguns ficam presos políticos, o democrata/opositor finge que os defende, esquece-os, abandona-os, engaveta-os no esquecimento, não levantando um dedo para os apoiar, muito menos para os libertar. Claro que também há o comité de especialidade do democrata/opositor.
E sobretudo não olvidem o que se passa na Lunda-Norte com a invasão da grande tragédia dos refugiados que na RDC já lhe chamam conflito tribal em larga escala, porque também para lá caminhamos para outra RDC. E o democrata/opositor nem a isso se refere, como se fosse coisa de somenos importância, está-lhe no sangue. O democrata/opositor preocupa-se em alcandorar-se no poder e outra ditadura fazer, acontecer. Apoiar outro Hitler, não!
Há também, como não podia deixar de ser, aqueles ou aquelas que estando fora de Angola, dão fortes sinais de oposição. Mas aqui chegados e poisados sobre os petrodólares, demitem-se das suas funções remetendo-se ao silêncio porque passam a militar no partido do paraíso do dinheiro e nele se fazem acérrimos militantes eternos… do dinheiro. Angola está no continente do garimpo e cada garimpeiro chama a si o seu dinheiro.
Noticiário da grande tragédia: “em Luanda "há empresas, sobretudo chinesas, que vão buscar adolescentes às províncias de Benguela, Cunene e Huíla", que depois acabam "quase aprisionados". "Aquilo é um trabalho de escravo", reforçou o responsável, com base num inquérito realizado pela CGSILA no ano passado. Segundo esse levantamento, as crianças são "acantonadas", sem condições de alojamento e com refeições "muito precárias", para além de terem de trabalhar como se fossem adultos. "Nós denunciamos isso, mas infelizmente as nossas autoridades não colocam um travão nisso", lamenta Francisco Jacinto. (Novo Jornal Online 16/06/17)
"Jovens angolanos tornaram-se vítimas de tráfico humano, com a maioria a ser explorada como vendedores ambulantes ilegais em grandes cidades [da Namíbia] como a capital Windhoek", escreve a publicação, acrescentando que muitos estão detidos, à espera da deportação. "Há denúncias da população de namibianos a traficar jovens angolanos para exploração em serviços domésticos, prostituição e outras actividades.” (Novo Jornal Online 19/06/17)
16/06/17, supermercado Nosso Super Express, na rua da Liga Africana, com as prateleiras vazias.
Segundo a Rádio Despertar, no hospital municipal do Cacuaco, arredores a Norte de Luanda, aos doentes e seus familiares pedem-lhes para trazerem velas e lanternas.



quarta-feira, 21 de junho de 2017

AINDA O RELÓGIO



Já não se sabe quem é quem
O relógio horas vai dando
Apenas horas para alguém
Dará horas até quando?

O relógio a tocar
A miséria a estalar
Farsantes da oposição
Outro fardo da escravidão

Pobres coitados
Sós e abandonados
Nas eleições esperançados
Outra vez na onda levados

O relógio dá a hora
Para os donos se irem embora
Os ponteiros em movimento
Da falsa democracia do tormento

O relógio opulento
Do condenar sem julgamento
Ó pobres coitados
De alguns opositores malvados

Bajuladores por todo o lado
Burlam-nos com o seu fado
Movem-se como centopeias
Nos castelos sem ameias

Alguns democratas estupores
Formam redes de malfeitores
Não parece, são muito perigosos
Como o vírus dos cães raivosos

Um grupo os cofres esvazia
Está-lhes de feição a maresia
Já um coro de vozes se levanta
A matilha do poder se espanta

Poder que nas armas confia
De tudo desconfia
Há que intensificar a repressão
Do poder não sairemos não

Que fazer?
Muitos copos beber
Para esquecer
Não tem que saber

Se vai para a escola com fome
O não aprender lhe consome
Na batalha do ensino perdida
É o alcoolismo da vida


sábado, 17 de junho de 2017

A CONTINUAÇÃO DA GRANDE TRAGÉDIA



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Pequena história de África: a África foi colonizada, libertou-se e foi outra vez colonizada. Depois libertou-se e outra vez foi colonizada. Voltou a libertar-se e o resto já se sabe.

Manifestação contra a corrupção? Jamais, não! A propósito, quando é que sai o imposto para pagar a corrupção?

Como costuma dizer o jornalista Orlando Castro: uma é a democracia da lagosta, a outra, a do povo, é a democracia da mandioca.

O que é que está errado aqui? Há quem continue a ir passar, apesar do tormento da miséria e da fome que nos consome, o fim-de-semana na ilha do Mussulo em casa alugada com piscina.

O que os nossos deuses ainda não sabem: “o que é necessário é um governo que governe, quadros que dirijam e trabalhadores que trabalhem.” (Assim falou, António de Sommer Champalimaud. 1918-2004)
Uma quitandeira falou assim em estilo enigmático que quando é a semana dos chineses elas ficam sem peixe. O que sugere que os chineses carregam o pescado para a China. Depois será também a vez do mar? Será que por tal andar ficaremos sem mar?
Amigo leitor, diga-me lá, ajude-me, creio que isto se parece mais com uma república dos arrotadores de postas de pescada, estou certo, não é?

A grande tragédia, sempre a grande tragédia: foi decretado que o vencimento mínimo nacional será de 16.000 kwanzas. Um salário para escravos, a reforçar que o colonialismo e a escravidão jamais daqui sairão. Quer dizer que os trabalhadores, isto é, os escravos onde trabalharem serão obrigados para sobreviverem a roubar e carregar qualquer coisa para comer porque os filhos famintos em casa os pais estão a esperar. Têm que roubar para os filhos conseguirem sustentar. Isto dá mesmo vontade de chorar. Quando e como é que esta desgraça vai acabar? Só o demónio o pode declarar.

Quando tudo está fora de lógica significa que pouco ou nada falta para a grande tragédia. Noticiário da grande tragédia: “Já há armas de fogo envolvidas na disputa político-partidária em Luanda… Perigoso! No último sábado, (10/06/17) na Maianga, jovens supostamente afectos à JMPLA, armados com armas de guerra, retiraram bandeiras que jovens da JURA estavam a colocar nas ruas daquela circunscrição administrativa... Segundo os referidos jovens afectos à JURA, os jovens que julgam pertencer à JMPLA faziam-se transportar numa viatura de caixa aberta, e traziam consigo armas de fogo e uma escada que utilizaram para retirar as bandeiras!” (Emanuel Malaquias In Facebook 13/06/17)

“Engendrando todo tipo de batota, como a de conferir, exclusivamente, ao MPLA, cerca de USD 5,00 (cinco dólares) por barril de petróleo exportado. CONFIRMADO é um roubo doloso, passível de procedimento criminal, por associação de quadrilha, cuja engenharia é a delapidação contínua de património comum...” (William Tonet In Folha 8 edição 1321 de 10/06/17)
“O exemplo mais acabado foi a arrogante e recente supressão dos canais e programas da estação televisiva portuguesa SIC da plataforma DSTV.”  “Neste país, a formação técnica e académica não são garantia de bom emprego ou de remuneração decente. Já ser sabujo ou adulador profissional é o segredo que abre as portas do sucesso e das fortunas.” (Correio Angolense)

“Sonangol "em suspenso" até eleições, perde "muitos milhões de dólares de grandes companhias petrolíferas internacionais" avisa o director do Programa África do Instituto Real de Assuntos Internacionais do Reino Unido, Alex Vines. "Não vou dizer quais são, mas eu sei que há muitos milhões de dólares de investimento de grandes companhias petrolíferas internacionais que estavam reservados para Angola e que agora vão para outro lado", disse o responsável, em entrevista à agência Lusa. Segundo o especialista, essa 'fuga milionária' deveu-se ao cancelamento da ronda de licitações para um novo bloco no mês passado, desfecho que, no seu entender, "mostra que a Sonangol percebeu que não consegue atrair as licitações de que precisa". (Novo Jornal Online)

Alarmante: São cinco quinguilas que habitualmente poisam aqui na banda, mas hoje não estava nenhuma. Decidido a desvendar o mistério do desaparecimento das quinguilas consegui saber perguntando aqui e ali, não foi difícil, obtive a informação que foram todas, cada uma para o seu óbito. Isto também é para anexar ao noticiário da grande tragédia, porque as pessoas estão a morrer de tal modo que chegado o dia 23 de Agosto para a votação eleitoral, quantos eleitores sobreviverão?’ Quantos eleitores votarão?

Agora já não é impossível viver, é impossível sobreviver. A Save the Children diz que Angola é o segundo pior país do mundo para ser criança.

Sempre existirão crédulos, sempre existirão igrejas e sacerdotes que deles se servirão, e os crédulos para tal exército trabalharão. E depois quando houver aglomerado de crentes, a peregrinação, edifica-se um santuário e nele se coloca uma estátua de um santo padroeiro. Depois vem a evangelização, a civilização.

Será que esta gente ainda não sabe que caminha para a grande tragédia?  

E com isso das taxas do lixo, na ENDE, a empresa que não consegue distribuir energia eléctrica, já há preocupações devido à queda brusca das receitas, podendo inclusive levar a ENDE a ter problemas de tesouraria, pois as taxas do lixo dão pouca margem para os pagamentos dos clientes, sejam recargas do pré-pago ou não. É mais o avolumar da grande tragédia sem fim. Já na ENDE se diz que os mentores da cobrança das taxas do lixo terão que procurar outra via para a sua cobrança.

Outra vez os desmaios nas escolas: Recomeçaram na escola António Jacinto em Luanda. Cerca de cinquenta adolescentes desmaiaram num corredor devido a um forte odor e foram socorridos no Hospital dos Cajueiros. Três ou quatro em estado crítico. Até hoje esse mistério continua. Qual é a origem dos desmaios? Até agora, apesar de muitas investigações com apoio de laboratórios internacionais não se conseguiu chegar a nenhuma conclusão. Extraterrestres em Angola?

Falar, falar, e nada mais acrescentar, é como os corvos a grasnar. Tudo é utilizado para nos ludibriar. E à revelia se promete defender a causa da democracia. E em romaria marcham os democratas para o túmulo da democracia.

Os cães ferozes que despedaçam crianças continuam impunemente a circular nas ruas com os seus donos. Quer dizer que os seus donos também são animais ferozes.

Sobre os assassinatos atribuídos ao SIC-Serviço de Investigação Criminal, e agora também sobre os seis cadáveres encontrados na pedreira do Cacuaco, arredores a norte de Luanda, a Polícia diz nada ter a ver com esses crimes e que está a investigá-los. Depois disto lembrei-me da outra grande tragédia de 1992, porque, creio, os sintomas parecem os mesmos.

Oh, como os porcos estão felizes, rebolam no chiqueiro da democracia. Mais um país que embarca no cortejo fúnebre da democracia do para onde vais Angola, para onde vais África. Com tanta gente que mente, para a democracia não vai certamente. Confrange ver estupores, impostores que só nos trazem dissabores. Eis a grande tragédia que edificaram, e a democracia tramaram. Ninguém apresenta soluções, só desilusões. Qualquer gato-pingado do poder ou da oposição, na rádio e na televisão apregoam a sua vaidade, a sua exibição, a sua ambiguidade. Falam, falam, e pronto, estão os problemas resolvidos. É vê-los nas vestes de grandes democratas salvadores da pátria, libertadores da opressão que fortemente fustiga a população. É falsidade, leviandade, porque logo saídos do palco regressam à sacanagem do chiqueiro dos porcos democratas. Esta é a vinha do chiqueiro democrático onde os porcos da democracia chafurdam. Democratas em tempo de eleições e de outras aparições. Então, para onde vais Angola? Para o banho no chiqueiro democrático. Até parece que se perdeu a noção do que é e para que serve um partido político da oposição.

Mais danação não! Vão-se catar!

 



segunda-feira, 12 de junho de 2017

“ NADA IMPORTANTE ACONTECEU HOJE.”




Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversão da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição, a UNITA, fez manifestação. Porque até hoje nunca se fez uma manifestação contra a corrupção?

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

O rei Jorge III foi rei de Inglaterra quando os EUA declararam a independência em 1776. Anotou no seu diário que em 4 de Julho de 1776. “ Nada importante aconteceu hoje.”
X-Files: Os membros da sociedade «Jindungo», Cabinda, foram, na sua origem, agentes secretos do rei do Congo. Recolhiam informações, denunciavam os abusos dos poderosos e faziam abortar qualquer intento de revolta. Cobravam também as dívidas, apresentando-se mascarados na casa do devedor. (Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas)
Desgraça, escravidão, miséria e fome, a ementa desta tragédia pronta a servir que nos consome.
Mais um sinal da tragédia: o bispo do Caxito, arredores a norte de Luanda, D. António Jaka, deu a entender na Rádio Ecclésia no dia 02/06/17, que a cidade de Caxito está abandonada pelo governo.
É uma grande tragédia porque só se fala e ninguém faz nada. Mas porque não se faz manifestação contra a grande tragédia? Como que vinda do nevoeiro cerrado a grande tragédia aproxima-se.
Quando os democratas de fingir forem obrigados a fugir, então Angola terá paz, democracia e desenvolvimento social.
“Cuidado com os lobos, vão-te devorar.”
28/05/17, um amigo convidou-me para beber uns finos numa esplanada algures no Miramar. Ao sairmos do carro somos abordados por duas crianças com cerca de oito anos. Não têm ar dessas crianças abandonadas na rua porque apesar de estarem de tronco nu, estão vestidas de calças e chinelos em boas condições. Portanto não estão mal vestidas e o cabelo está penteado, não apresentam ar de abandono. Uma delas fala que a mãe lhes mandou pedir esmola porque não tem dinheiro para lhes comprar comida. Noto que as crianças falam verdade. Queria dar-lhes algum dinheiro mas estava liso, já há sete anos que ando sempre nisso, sem lisura nem transparência. Peço socorro no meu amigo se tem alguma moeda de cem kwanzas mas ele disse-me que não. Entretanto as crianças seguem-nos convictas de que conseguirão alguma coisa para comer, mas um segurança impede-lhes a caminhada e as coitadas correm em debandada. Depois fiquei a refletir que esta cidade é como um mundo-cão, um campo de concentração.
Só loucos é que se deixam dominar por outros loucos ou loucas.
Quem não pensa no dia de amanhã está f.o.d.i.d.o.
Aconteceu no Zimbabué: um pastor arrastou os seus fiéis para verem-no a caminhar sobre as águas como Jesus. Para isso preparou-se durante uma semana onde orou intensamente dia e noite. Na margem do rio onde se preparava para caminhar, alguns crentes advertiram-no que o rio estava cheio de crocodilos. Mas insensível aos apelos dos crentes iniciou a sua caminhada. Logo foi engolido pela água, afogando-se. Três crocodilos atacam-no e pouco depois viam-se na superfície restos das suas roupas interiores e o resto da camisa.
Alguns têm dinheiro para comprar relógios de quinhentos mil dólares, outros, milhões, não têm dinheiro para comprar comida. Isto é, nem a fome se pode comprar. 
Se não parece é, refiro-me à espécie de extermínio que está em curso porque constantemente os vizinhos e outras pessoas falam-me que a irmã, a tia, o irmão e outros familiares faleceram. A última foi de uma amiga que disse que a sua irmã faleceu no Lubango por falta de uma transfusão de sangue. Não parece mas isto está mesmo um morticínio. A corrupção é a bandeira desta nação. A corrupção não manda, comanda.
O Robim dos Bosques continua a fazer muita falta porque um vizinho pagou dez mil kwanzas, agora é assim com todos viva a Idade Média, para pagar as taxas do lixo que sustentam a corrupção, de Janeiro a Abril de 2017, sob a ameaça de que se não pagar não aceitam o pagamento da recarga da energia elétrica. Angola atingiu o auge da tragédia porque sem energia eléctrica não se consegue trabalhar. O tecido empresarial está descosido, desemprego, não há dinheiro, há-o para alguns, a bancarrota é visível, o caos económico é um facto consumado. Miséria e fome são as palavras de ordem que perseguem o exército de famintos. Isto que está a ser feito é para provocar a instabilidade social, tumultos e os inimagináveis assaltos. Mas que grande tragédia.
A promiscuidade é impressionante, ainda se está muito além.
Empresários do petróleo que sem ele não são ninguém.
Divisa do muangolé: Não te preocupes com a vida, ela é que tem de se preocupar contigo. No dia em que alguém em Angola se preocupar com o intelecto das pessoas, os que trabalham e sabem trabalhar, Angola irá avançar. Até lá é esperar no recuar.
Por aqui continua tudo ao contrário: semear para depois colher, não, é colher para depois semear.
Dos erros do passado ressurge a violência no futuro.
O problema não é as eleições. O problema é o votar no partido político que cumpra o que promete.
O viver na actual conjuntura obriga-nos a muitas preocupações desnecessárias. E isso dá-nos cabo da vida. É uma espécie de terrorismo social.
Continuo sem entender porque é que as igrejas intervêm nas eleições. Creio que elas actuam como partidos políticos. Quer dizer que não há separação entre o estado e as igrejas? Como se todos comessem no mesmo prato. Também isto é tragédia.
E está perigoso ficar ou andar na rua porque há quem se acompanhe de cães grandes muito perigosos, e as crianças são sempre as vítimas preferenciais. Se o peso da lei, coitada ela está cada vez mais leve, não se faz sentir sobre tal gente é porque são membros do comité de especialidade dos cães perigosos.
Ao renegar o acorde de Paris sobre as alterações climáticas, Donald Trump não vai criar mais empregos, como o reabrir de minas de carvão, não, vai é encher os hospitais de doentes. Criar um mundo de moribundos em nome do dinheiro.
Pelo que se depreende das actuais reuniões com os chineses, pretende-se que eles entreguem dinheiro tipo de mão-beijada, façam tudo através das suas empresas e os muangolés, como sempre, não fazem nada? Isto cheira a grande tragédia não é?
Tudo se define assim: quem está no poder há mais de quarenta anos, tudo fará para dele não sair, e como é evidente muita violência vai vir. É a isto que se chama também de grande tragédia.
Pelo prato do dia que nos é assiduamente servido, fico com o pressentimento de que as eleições não se realizarão. Digo isto devido à confusão diária que se instalou na arena eleitoral. As dúvidas não param, acumulam-se, até agora nenhuma se solucionou. E isso é motivo bastante para o descrédito que se sente. É o retorno forçado às eleições de 2012? Se for, então teremos o principal capítulo da grande tragédia. Os partidos políticos da oposição apontam as fraudes, a UNITA já iniciou uma manifestação contra, diz que fará mais, inclusive uma chuva de manifestações, nas creio que isso ficará como a última reivindicação verificada com a nomeação da mana Isabel para o cargo da presidência da Sonangol. Tantas manifestações judiciais se fizeram e deu, como esperado, em nada. Os mentores, segundo parece indicar, espero estar errado, cansaram-se ou desistiram. Com as manifestações contra a fraude eleitoral acontecerá o mesmo, se tal acontecer isso é como evocar a grande tragédia.
Entretanto já há relatos que as FAA-Forças Armadas Angolanas travam combates com as milícias da RDC.


Imagem: autor desconhecido

sábado, 10 de junho de 2017

O RELÓGIO




Um relógio de 500 mil dólares
É algo que não se pode esquecer
Sob silenciosos olhares
Multidões pela fome a morrer

Crise? Com tanto dinheiro?
Com tanto dólar a esbanjar
Na imensidão de tal chiqueiro
Para a riqueza ostentar

Um relógio de um benfeitor
Obtido sem esforço num leilão
Pela graça de nosso senhor
Mais relógios se comprarão

Uma desgraça nunca vem só
Escravidão, miséria e fome
Isto está de meter dó
O faminto não dorme

Já nem pão se consegue comer
Esse relógio será enfeitiçado
Isto está mesmo a arder
E pelas chamas iluminado

Crianças abandonadas nas ruas
De mãos estendidas a esmolar
O relógio das falcatruas
Na hora do reino a desmoronar

No reino do relógio milionário
Pratica-se muita filantropia
Está tudo ao contrário
As divisas somem de noite e dia

Este relógio é o símbolo da paz
E da unidade nacional
No reino do tudo se desfaz
Sem medicamentos no hospital

As horas o relógio irá soar
Nas igrejas os crentes vão rezar
Em tragédia isto vai acabar
Maldito o relógio vai ficar

Relógio da democracia de fingir
E dos arautos da falsa oposição
Paspalhos que deles é fugir
Que fazem da política profissão

E neste ambiente de relojoaria
Da financeira engenharia
O relógio desperta a lavandaria
Mais catástrofe se anuncia















quinta-feira, 1 de junho de 2017

ANGOLA NA CONTAGEM DECRESCENTE DA GRANDE TRAGÉDIA




Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversão da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição ameaça sair à rua.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Nota de abertura: A Unita já ganhou as eleições! Canta a vox populi, a voz do povo na rua.
Do que eu me havia de lembrar: se em Luanda acontecer um tremor de terra de baixa intensidade, acredito que os depósitos de combustíveis espalhados por todo o lado incendiarão e se despejarão nos depósitos de água que tombarão e em chamas os combustíveis arrastarão. Uma terrível dantesca visão, não?!
Sediangane Mbimbi no programa Angola e o Mundo da Rádio Despertar de 28/05/17: “O Hospital Maria Pia (em Luanda) não tem nada, nem um livro onde os médicos passam as receitas, que são receitadas para o paciente que têm que memorizá-las.”
À noite, a mana Mónica costuma ir ao mercado dos congolenses comprar as coisas para fazer comida para depois vender. Mas teve que fugir porque os fiscais como a fome aperta cada vez mais saqueiam as vendedoras. É a lei do cerco da fome a ditar as suas regras. Mas na realidade isto passa-se em todos os mercados. E quanto mais a fome apertar muito mais há que saquear. E daqueles empresários e outros tais democratas fúteis que por qualquer motivo fútil vão para o estrangeiro, incluindo em gozo de férias, e que depois têm o desplante de dizerem que isto está muito duro, e que durante três meses, ou mais (?!) deixam os trabalhadores abandonados à fome, deixando-os sem salários porque na sua omnipotência só eles é que sabem assinar cheques. E não há lei que lhes caia em cima porque o colonialismo e a escravidão ainda não acabaram. A propósito, alguém sabe quando acabarão? Nesta sociedade sem regras, sem lei, onde qualquer dita a sua lei, como é que acabará? Outro Congo? Outra República Centro-africana?, etc.
Sentem-se fortíssimas as vibrações da destruição. Da cátedra do só formar políticos mas não homens, há o embate de colossos que tudo despedaçam. Creio que Angola tem o cenário ideal, final da sua destruição, talvez lembrando os últimos dias de Pompeia, como reza o slogan, total e completa aniquilação. É só políticos em cada berma que fazem prenunciar o que tão mal vai recomeçar. Desgraça, miséria e fome. Salvo as habituais honrosas excepções, Angola não formou ninguém, só deformou, prova-o a total dependência de técnicos estrangeiros e da sua tecnologia. Angola continua totalmente dependente do estrangeiro, como por exemplo, o continuando a importar sal, o que é revelador da tragédia sem fim. Os problemas avolumam-se como que formando montanhas. Ninguém resolve nada, é o apenas paladar habitual do desgostoso falar, porque ninguém parece capacitado para saber resolver problemas. Quando a cabeça não funciona tudo à nossa volta se desmorona. Angola é uma inigualável república de charlatães e de cambalacheiros que lutam, roubam e se devoram entre si como habilitados predadores. E por isso mesmo é o vale-tudo. E assim Angola é pátria zumbi. Esta é a Angola da população que sem o saber caminha para a sua autodestruição. Já outro réquiem se toca por ela porque de tal modo involuiu que em associações de malfeitores se uniu. De gente fingida que por fora são grandes democratas, mas que por dentro têm o vírus da maldade. Viver e depender de irresponsáveis é impossível, é ver a sociedade como um todo a se desfazer. Pois, a impressão que se tem é que Angola está refém de associações de malfeitores. Como é isto possível? Pois, onde a mediocridade humana impera os malfeitores fazem fila de espera.
Uma mãe com duas crianças, uma de colo e outra, uma menina de sete anos, que lhe implora que tem fome. Vão incertas pela rua à espera que alguém lhes dê alguma coisa para comer. A mãe pára e bate com raiva na menina que indefesa e sem compreender que afinal pedir comida significa tortura. A mana Mónica que assiste à tragédia diz para a mãe que não bata assim na criança, porque senão vai chamar a Polícia. A mãe olhou para ela e logo de seguida foi-se, escapuliu-se para outro local de outra tragédia.
Como é que uma pessoa vai aqui viver sabendo que não tem futuro. Mas que grande chatice. É proibido fazer planos para o dia de amanhã.
Luanda, a cidade do santuário da corrupção. Luanda, a cidade dos mártires da neocolonial repressão. Nunca sabemos se amanhã temos água, energia eléctrica, nunca se sabe o que nos vai acontecer porque vivemos no constante terror de sermos assaltados fora ou dentro de casa. Mais uns anos assim governados e nem uma raiz de capim vai sobrar.
É do meu conhecimento que numa empresa – claro que existem mais, por exemplo, as da nomenclatura ou não, é norma – exige que os seus trabalhadores trabalhem sábados e domingos sem lhes pagar horas extraordinárias. Com a agravante de também não lhes pagar o subsídio de férias. E é verdade sim senhor que não existe sindicatos, há sim senhor alguns pobres diabos que dizem que são sindicalistas. Estão claramente sob comando, empregados das ordens superiores. A relação entre empregados e patrões lembra a de capataz com escravos. Aqui creio que Angola ainda não acabou com a escravatura e o colonialismo. A liberdade não se decreta. A democracia e a liberdade conquistam-se. Quem nada na miséria afoga-se. Isto está uma grande trapalhada, e como tal ninguém entende nada. E onde tudo é a fingir, torna-se impossível discernir.
“Famílias despejadas no condomínio do Banco de Poupança e Crédito: Questionado sobre o local onde vão ser alojadas as mais de 100 pessoas expulsas a partir de segunda-feira, (29/05/17) Luís Canje respondeu que "não é responsabilidade da administração arranjar lugar para abrigar estas famílias". (Gaspar Faustino. In Novo Jornal 26/05/2017)
Tens que te livrar do monstro senão ele vai-te devorar.
“Artur Pestana “Pepetela”, que, numa premonição impressionante, para além da diabolização, previram todo o cenário posterior. Pepetela é um escritor reconhecido no exterior, aqui mesmo, em Portugal, ganhou prémios, mas tem as mãos manchadas de sangue, por ele passaram muitos atirados para os campos de fuzilamento, pois foi um dos ideólogos da célebre Comissão das Lágrimas. Não lhe ficava mal, pelo contrário, um pedido de desculpas às vítimas e aos filhos, sobre a sua nebulosa participação no genocídio.” (William Tonet in Folha 8 edição 1319 de 27/05/17)
Economicamente a coisa pode ser vista assim: se um banco não tem um bilião de dólares, então está falido.
Parece não haverem dúvidas o porquê de ninguém já confiar nos bancos da maiua. Há fugas nos depósitos em kwanzas e em divisas porque o dinheiro entra nos bancos, mas depois para o levantar é um grande problema. Por isso se prefere que o dinheiro fique guardado em casa. E por isso mesmo se diz que os bancos estão falidos. A mana Ema vive momentos de aflição, porque há mais de um mês que não consegue movimentar a sua conta bancária em divisas para viajar e fazer tratamento médico num país da Europa. O mano Dito também está na mesma situação. O seu jovem filho está com problemas, necessita de uma intervenção médica no estrangeiro e não consegue movimentar a sua conta bancária.
Assim sendo, manos e manas, os vossos filhos serão a obra-prima da burrice muangolé sempre à mercê de estrangeiros que trazem os avanços tecnológicos que os muangolés ainda não alcançaram porque por aqui nós nessa matéria é só recuos. Vale lembrar que a actual tecnologia muamgolé é: alcoolismo, feitiçaria e correpção. E um cliente de uma quinguila disse-lhe que arranjar kwanzas está muito difícil. Claro que está, pudera com tantos comités de especialidade que mais parecem igrejas, outra coisa não será de esperar. Se não se acabar urgentemente com a corrupção, isto vai ficar um massivo comité de especialidade de esfomeados.
Os sinais perturbadores, reveladores já existem: está muito raro, acabou, o tempo de quem carregava sacos com muita comida. Isso acabou. Os cantineiros aqui da banda estão de prateleiras vazias. Há muitos portugueses com muitos meses que não conseguem apanhar divisas para transferirem para Portugal. Estão convictos que a intenção é correr com eles.
E pode-se dizer que as eleições que se aproximam a passos muito rápidos serão eleições das trevas porque Angola está entrevada.



quarta-feira, 31 de maio de 2017

O PRÓXIMO ABISMO MAIS PRÓXIMO




Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversão da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição ameaça sair à rua.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

X-Files: C. Estermann assegura que o chefe de Evale tinha poderes mágicos para atrair a chuva. Mas os conseguia se sacrificava uma jovem mãe cujo filho era entregue a outra mulher. Juntamente com a vítima, sacrificavam também uma vaca negra, antes do sacrifício, o leite da mulher e o da vaca eram aspergidos várias vezes por terra, como prenúncio da chuva. A mulher era assassinada com um golpe de lança e, com o seu sangue, aspergiam as árvores da chuva. O seu cadáver ficava insepulto e ninguém podia chorar a sua morte nem guardar luto. (Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas)
O fumo dos geradores mata! E a destruição não pára porque há quase três meses que nos aterrorizam com 447 horas de cortes no fornecimento de energia eléctrica e ninguém sabe dizer quando é que isso vai parar. Aqui ninguém sabe de nada e de ninguém. É a isto que se chama patriotismo. 
Quem trabalha e sabe trabalhar, aqui não tem lugar, mandam-no passear. Onde só uma cabeça pensa, as outras se dispensa. É tudo crescimento negativo, e contudo o PIB cresce, eh!eh!eh!
Têm problemas económicos? Financeiros? Quer diversificar a economia? Quer apostar na elevação do PIB? Não se preocupe, ligue o seu gerador e veja o salto que Angola dá na aposta do pleno desemprego.
A propaganda comunista diz que a fome aguça a inteligência, é por isso que a África é o continente da fome e dos refugiados e nada em cérebros inteligentes. E como não podia deixar de ser, Angola, claro, segue-lhe o exemplo.
Agora é que isto vai ficar bom de mais, porque vamos assistir à vanguarda das movimentações humanas das taxas do lixo político.
Por incrível que pareça não se resolve problemas, é o seu avolumar que prevalece. E onde não se resolve nada, tudo se complica acabando na inevitável explosão, da qual já no seu início estamos, ultrapassamos. Para já é como se estivéssemos confinados num campo de concentração com preocupantes semelhanças nazis. Estamos, vivemos no país onde se discursa muito mas ninguém resolve nada porque a política também é negócio. Pouco já falta para que ninguém se entenda, pois de quem é abandonado nasce o revoltado. O homem é um animal social, em Angola transformou-se num ser irracional. A força das circunstâncias assim o formou. Este é o governo que não se cansa de formar bandidos para as ruas onde os relatos dos assaltos são assustadores. E sobre isso há um como que silêncio sepulcral.
Todos os caminhos desta eterna conjuntura conduzem-nos para a miséria e fome. Sente-se que há intenso prazer em ver tanto sofrimento fabricado pela fábrica da república das desgraças, como se ele nunca tivesse existido, como se a vida terminasse. Por aqui nada é realizável, tudo é condenável. Aqui só o negativo funciona, tudo destrona. A promoção da mediocridade é a única verdade. Da corrupção desalmada não se espera mais nada., espera-se grande trovoada.
O enredo do teatro eleitoral está montado de tal forma que de antemão já se sabe quem é o partido vencedor da eleição. De certo modo com vozes de comando categóricas insinuando que a vitória está no papo, que é canja.
AVISO! Nós, há quarenta e dois anos mandatados, avisamos que neste paraíso fiscal não queremos contabilidade.
Péssimo governar é entregar o navio da governação aos escolhos e rezar para que nada lhe aconteça. Assim como os pais e mães que actualmerte com a galopante miséria abandonam os filhos à sua sorte, isto é, à morte.
Quando um país entra em crise económica e dela não consegue sair é porque está muito mal gerido. Economia diversificar, é gerador ligar. Sem energia eléctrica há bem-estar, vida salutar. Onde há muita corrupção, há muita bajulação. Angola é só para quem procura o eldorado, isto é, o moderno Santo Graal. Bom, isto não tem ponta por onde se lhe pegue. Sem oposição não há nação. Já não há consideração por ninguém, creio que já não há pessoas, só animais ferozes que se devoram entre si. Quem se mete com demónios acaba no inferno. Quanto mais o tempo passa mais a miséria nos ultrapassa. Não é possível corruptos jurarem que vão acabar com a corrupção.
Há muito que virou moda, tudo virou político, profissionais políticos, a única preocupação é ser político. Mas, e a gestão do país quem a faz? Sem gestão não se pode caminhar. Ah sim! Os políticos resolvem tudo. Viva o caos… político.
É muito simples como isto: não existindo contabilidade organizada, não há economia, há fantasia.
Como é, se as coisas estão a piorar e há quem tenha o desplante de dizer que isto vai melhorar.
Contado exactamente como ouvi: a mana Mónica conversa com a mana Luena e chama-lhe a atenção, “olha, Luena, uma langa disse-me que o seu recém-nascido estava a chorar, o pai chegou e não queria ouvir o choro. Retira-o do colo da mãe e atira-o no chão, o pobre anjinho calou-se. Em seguida dá surra na mãe e vai-se deitar. O pobre coitadinho do anjinho que parecia morto tinha os olhos muito vermelhos. Como que por milagre salvou-se.”
E se os cortes de energia eléctrica continuam, significa que a água da barragem de Lauca evaporou-se e há que fazer recarga. O abismo próximo, outro mais próximo.
A violência para se passarem por superiores: Os seres inferiores utilizam a violência da repressão para se considerarem superiores. E quanto mais inferiores mais violentos são.
Muito cuidado com os pastores das igrejas que conduzem as suas ovelhas para o precipício, porque o seu inferno está próximo.
Tomei conhecimento de três casos de muangolés cassados com brancas que lhes fugiram porque eles bebem desalmadamente e depois dão-lhes surra. Uma delas já foi, ou está quase a ir para Moçambique. A coitada até era arrastada pelos cabelos. Outra, o filho é que correu com o pai de casa porque ele com a bebida era só surra. Os pobres coitados andam por aí magros. A triste verdade, na actualidade o pior problema do muangolé é que não se sabe conter e bebe até desmaiar. Quer dizer, o muangolé está numa crise e adquiriu outra, talvez bem pior.
E que a actualização do salário mínimo não dá porque a economia não suporta. Pois, se em quarenta e dois anos Angola nunca teve economia.
Um sindicalista do comité de especialidade dos sindicatos disse que já existe estabilidade económica devido ao apoio às pequenas e microempresas.
Quando as igrejas começam a ser assaltadas é o sinal de que o grande incêndio começou.
Quarenta e dois anos da grande marcha para a grande desgraça.
“Nenhum partido político da oposição tem acesso a uma cópia do arquivo do processo eleitoral, mas o MPLA tem uma cópia.” (Miahela Webba, jurista e deputada da bancada parlamentar da Unita.)
As manas estão a vender no mercado. O negócio de uma anda bem, o da outra anda mal, ninguém lhe compra nada. A outra pergunta-lhe porque é que o negócio anda bem e o seu anda mal. A que vende bem disse-lhe para a acompanhar para lhe explicar o segredo. Foram até à casa de um feiticeiro e vinda do nada surge uma forte luz. Depois um embondeiro abriu-se e mostrou muita gente lá dentro. Eis outra de feitiçaria: um senhor vivia com uma mulher mas não sabia que ela era feiticeira. Um dia ela levou-o a um local que ela muito frequentava e uma luz muito forte apareceu. O senhor durante vários dias ficou maluco. Depois já um tanto ou quanto recuperado fugiu, abandonou a mulher, não a quis mais.

A mana Isa já sessentona, arrancou e foi para a tuga, vai lá ficar seis meses. Quando lhe falam de Angola, ela responde que, “eu não quero ouvir mais falar de Angola”.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A GUERRA ACABOU OUTRA COMEÇOU




A guerra acabou
Outra começou
Miséria, fome estourou
A guerra voltou

Depois de tanto caminhar
De cansado parar
Para balancear
A tragédia que vai ficar

A oposição
Vence a eleição
Acusam-na de rebelião
E vai para a prisão

Uma pacífica manifestação
Afinal é rebelião
Neste enxame de corrupção
Para os corruptos não há prisão

O Apolónio Graciano chegou
A televisão se desligou
O Diabo o olho esfregou
Toda a gente bazou

E nesta vida incerta
A miséria é certa
A porta da fome aberta
O cerco da tragédia aperta

As imagens adorar
Os crentes enganar
Religião é facturar
As almas salvar

Que é preciso ter fé
Para ficar em pé
Os corruptos com fervor
Na fé do dinheiro do pavor

Damos um passo em frente
O poder lentamente
Dá passos para trás, mente
Demente

Políticos flibusteiros
Com os seus companheiros
Armados de morteiros
Assediam os carneiros

Que esta cidade
Vive bem sem eletricidade
Há mais de 40 anos não é novidade
É boçal anormalidade


sexta-feira, 19 de maio de 2017

ANGOLA, A GRANDE TRAGÉDIA



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversão da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição ameaça sair à rua.

Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e cometa a mentira. (Apocalipse, 22,14). É como se sentisse que estamos a viver os últimos dias de Angola. Depois as trevas dominarão.
A aposta do governo na miséria e na fome faz crescer o número de mães com filhos na rua a pedirem esmola. Não deixemos que as ruas fiquem inundadas de crianças pela fome moribundas.
Viva o PIT-Produto interno bruto da tragédia.
Mas que oposição é esta? Será que em Angola há oposição? Isto é mais uma tragédia com que Angola não contava. As eleições estão a tornar-se uma vulgaridade tal que receio se lhe perca o interesse. Sdiangane Mbimbi disse que, “Angola está ma tragédia.” A miséria, a fome, a morte são sistematicamente omitidas, silenciadas pelos órgãos de informação do poder. De facto Angola está numa tragédia sem solução. Angola atingiu o fundo do abismo e logo outro se abriu e nele Angola definitivamente sumiu. SALVEM ANGOLA!
“Mesmo que não queiramos dar conta disso, a verdade é que, a vários níveis, o nosso Reino se está a desmoronar. Alguém se lembra de ter admitido no passado que teríamos hoje a maioria dos Ministérios a funcionar a meio gás por não terem luz? nalguns Ministérios não há dinheiro para carregar os tinteiros das impressoras. Noutros Ministérios estamos a assistir à distribuição de resmas de papel A3 para serem cortadas e transformadas pelos funcionários em resmas de papel A4.” (Gustavo Costa. In Novo Jornal 14/05/17)
“Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um óptimo trabalho. E a única maneira de fazer um óptimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando.” (Steve Jobs (1955-2011)
De Março até hoje 17/05.17, a desgraça da energia eléctrica (EE) já vai em 413 horas de apagões. É a trágica grande aposta do governo. Em Angola sobreviver é morrer. Sem (EE) é governação sem energização. É demasiado notório a incapacidade de estabilizar o rumo de Angola. Todos a querem devorar e a população abandonar. A situação está complicadíssima, gravíssima. É como se ainda vivêssemos sob o jugo comunista e marxista-leninista. Como explicar então se já não se consegue conservar comida na arca-congeladora.
A morte espreita-te!
Em cada esquina um gerador, em cada lar dor, morte, o estertor. Já se nota a revolta. Esta governação é como a rataria que tudo esvazia. Angola do é só roubar, e a população taxar. Se os dinossáurios continuarem no poder, muita mais merda vamos ter. O preço do petróleo baixou, a corrupção aumentou. Partos à luz de candeeiro, no hospital pardieiro. Quem não tem cabeça pensa com os pés. Com a EE a faltar, ninguém no governo vai votar. Se te queres libertar, o poder tens que desarmar. O navio-negreiro da governação encalhou, a população se amotinou. As leis não são para cumprir, são para destruir. Nesta prisão, deste campo de concentração, se gaseia a população. A desgraça espreita pela janela, Angola que será dela? Neste reino da desolação, não digam mais sim, digam não. Não há mal que sempre dure, não há ditadura que sempre perdure. Este é o país do um contra todos, e todos contra um. Está o trânsito complicado, no poder do passado. Nota-se pelo estrebuchar, que o poder está a findar. Um grupo empresarial faz a gestão, põe Angola na escravidão, e nas morgues a população. Se gostas de viver assim, vida mais que ruim, no pasquim, vão, vão para longe de mim. Esta terra está um pardieiro, um palheiro. Povo resignado é povo esfomeado. No poder sem dó, uma desgraça nunca vem só. Olho na confusão à minha volta, e o rei grita “Isto é uma revolta?” Poder macabro é descalabro.
Há cinco dias sem água e EE. Sem lâmpadas acesas, arcas-congeladoras e frigoríficos que fingem que funcionam nesta república das miragens. Às quatro da manhã desligam a EE, o gerador do banco millennium-atlântico, (BMA) na rua rei Katyavala lança muito fumo que mata. E não dá para nos queixarmos porque sendo um banco com personagens do poder a balança da justiça pende para eles sempre, sempre. Claro que esta tragédia vai acabar, tragicamente vai mudar. Com a janela fechada o fumo penetra no quarto onde dele há que fugir. Associado a isto há também a questão dos mosquitos que não interessa acabar com eles porque há interesses inconfessos para negociar, isto é, facturar milhões em medicamentos. No tempo colonial circulava o carro da tifa que pulverizava, os mosquitos matava. Significa que não se abandona a política do matar. Há um constante afazer para a população desaparecer. Como quem diz, só sabem é ludibriar. Só não entendo o seguinte: mas, sem EE todos os projectos morrem à nascença preferindo-se a especialização do caos, e nisto especialistas não faltam. Só se vê o galopar da miséria, da fome, do todos a soçobrar ao pó voltar. Mas a Tpa, a Rna e o Jornal de Angola sempre publicitam que Angola é um paraíso por excelência abençoado por Deus. O tal jardim à beira-mar plantado, mas há muito tempo abandonado. As maravilhosas cidades do ouro. A eterna fonte da juventude. Falam, apresentam muitas promessas, muitos projetos, mas sabemos que se trata de meras ilusões de ótica, de mentiras, de coisas sem consistência, sem suporte humano e técnico. Impossíveis de realizar, para engavetar. Falsas promessas que se vão afundar. É a isto que chamam governar.
Viver a respirar fumo de gerador é morrer. Na prática, depender na totalidade do gerador não resolve nada, só complica. Veja-se o último caso de uma longa série: quatro geradores do Hotel Trópico incendiaram, acabaram. Por sorte não houve vítimas. A seguir será onde? Só quem governa o saberá, ou então resta a feitiçaria que faz razia. Este povo é muito feiticeiro e acredita fanaticamente na feitiçaria. De tal modo que lhe é impossível viver sem ela. Mas povo feiticeiro é povo prisioneiro. E tudo que vá contra as regras da feitiçaria não se cumpre. Finge que se cumpre porque quem dita as ordens é a feitiçaria. Qualquer coisa que surja de mal, malária por exemplo, logo se diz que por trás disso há feitiço. Outro exemplo, que se destaca entre todos, é o de não se conseguir ganhar dinheiro sem feitiço. Se o negócio não anda é porque há feitiço. Não há nada que não se faça sem o cumprimento rigoroso dos rituais do feitiço.
Que me interessa a publicação doentia na TPA com pormenores técnicos sobre a barragem de Lauca, se as lâmpadas não acendem, a arca-congeladora também não. Se não consigo trabalhar, arrastando todos – alguns não, sempre os mesmos no mesmo diapasão – para a miséria. Que Lauca é uma das maiores barragens, de Capanda diziam o mesmo. A nossa saúde periga com o fumo dos geradores e nenhum dinossáurio até agora se referiu a isso. Estão a encher os nossos pulmões de fumo, como se fosse intencional. Suspeito mais uma vez da negociata dos medicamentos, como no caso do abandono da tifa. A nossa morte é premeditada. É caso para dizer que o que se sabe fazer é aniquilar. Há um incrível somatório de injustiças que até agora não receberam o devido tratamento judicial. O reportório é de tal monta que os carentes de justiça rangem os dentes de tanto ódio acumulado. Fruto disto, os famintos passaram à acção com fartos episódios de bandidagem que crescem estupidamente, incontroláveis, onde se lamenta a falta de acção policial. Mas, é que a Polícia não pode funcionar de metro a metro, é impossível. A solução é outra, é governamental, a Polícia não pode ser responsabilizada pela ineficácia governativa. Este clima reinante leva-nos para as portas da guerra civil com os famintos-bandidos contra a população, a atacarem por todo o lado. Havendo grande produção excedente de miséria e de fome, as cabeças deixam de pensar normalmente, ficam como que possessas do demónio, sobrenaturais. É que já é lugar-comum o assalto seguido de morte, revelando ódio?, revolta e desprezo para com o próximo. Os “mentores” discursam que está tudo sob controlo, lembrando-nos que estamos na paradisíaca república do fingir. Mas como no X-Files, nós sabemos que a verdade está lá fora. Pelo seu modo de estar, de funcionar, a CNE-Comissão Nacional Eleitoral, lembra um capataz e os partidos políticos da oposição os seus escravos, mantendo a doença da imposição do partido único.
A TRAGÉDIA ESTÁ AÍ!