domingo, 25 de dezembro de 2011

O Sporting Club de Portugal na Tchavola



E às nossas Tchavolas havemos de voltar

O Sporting Club de Portugal na Tchavola

E chegou a Luanda para jogar
o Sporting Club de Portugal
Vai no estádio a céu aberto
da Tchavola/Tarrafal
que desencontro tão desigual

Leva oitocentos mil dólares
para ajudar os vitimados
dos 36 anos sem independência
defraudados
No campo ao ar livre
no estádio 11 de Novembro da Tchavola
abandonados

Do Governo de Angola
há uma grande campanha humanitária
para a população da Somália que padece
e para os nossos irmãos da Tchavola
nem o lixo que apodrece

O Sporting Club de Portugal
jogará com a selecção da Tchavola
a receita arrecadada será para a nossa Somália
jogar à bola
E para os miseráveis da Tchavola
nem uma esmola

E as nossas manas para conseguirem
trabalhar
o sexo do patrão estrangeiro
têm que chupar

Os nossos bombeiros chegaram
não demoraram
o incêndio assustou-se
e apagou-se

Que poços petrolíferos
muito interessantes,
muito intolerantes

Esta Pátria é obra de generais

A corte marcial do 27 de Maio continua
A irmandade têm fome

Nos desportos estamos bem
na arena internacional
Com muitos estádios de futebol
parados, abandonados
Esta Pátria é também obra de uma família
Há muitas sirenes que buzinam
Estridentes, a furarem
Têm carros blindados e seguranças
para protegerem o Grupo Santos, Sarl
Não é possível implementar seja que plano for
enquanto não se acabar com a teia
da corrupção que nos prende
nos ofende

Para que acabe o nosso padecer
que se exorcize o demónio do poder
E o nosso Augusto empareda-nos vivos
como o povo se trasladou
para a oposição
O grande líder se vingou
tudo se acabou
a água, a luz e o pão

Imagem: por favor nao fiques triste por estas,salas improvisadas vao albergar alguns ...
brisadokapangombe.blogspot.com

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Até as praias privatizaram


E a terra angolana treme
dos milhões de miseráveis
freme
que nela deambulam foragidos
pelas forças da repressão e da espoliação
reprimidos
nas imensas Tchavolas
espoliados e esfomeados
em agonia
concentrados

Arruaceiros das manifestações
o GPL-Governo da Pancada de Luanda
saúda-vos… com bastões

E os portugueses vem para Angola
trabalhar
E os angolanos vão para Portugal
passear
Lá não há trabalho, é só
desempregar

Quanto mais no tempo, no poder
mais miséria vamos ter
nos suceder
em Roma sê romano
em Angola sê corrupto
onde a ditadura se implanta
a feitiçaria suplanta-a
que a nossa vida, que está tudo a melhorar
claro, a corrupção até está no altar

Há homens que destroem lares
mas um só homem destrói uma nação

Sem energia eléctrica dão-nos o golpe final
O incremento da miséria não lhes assusta
Eles já estão habituados, programados
e têm muitos chineses
muitos estrangeiros a trabalharem
e os mwangolés?!
É para os desempregarem

Ele quer-nos mortos, humilhados
presos e executados
Nos campos da morte
fuzilados
E não podemos nem devemos
reclamar
Estão de armas aperradas
estão para nos silenciar
matar
Neste diabólico poder
a esperança que nos resta
É o morrer
Eles cada vez mais ricos
em beleza
E nós cada vez mais podres
de pobreza

§ Único. Não são permitidos honestos neste reino.
A nossa força está na corrupção.

Imagem: Luanda: Privatizada praia no morro dos Veados
patriciaguinevere.blogspot.com

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (04)


O Presidente diz:
- Em Portugal, aumenta o movimento de deserções dos soldados. Muitíssimos jovens preferem fugir do país ou correr o risco da prisão a participarem neste crime que é a guerra colonial. O MPLA inclina-se perante estes heróicos e generosos combatentes, muitos dos quais se tornaram imortais pelo sangue que derramaram nos campos. A guerra de libertação nacional que o MPLA começou a dirigir com firmeza, exige orientação, clareza de objectivos, política de acção e honestidade. A luta não poderá desenvolver-se com incitamentos ao tribalismo, à divisão, com apelos à superstição e aos instintos primários e sem claros objectivos políticos. In Agostinho Neto.1 De Janeiro de 1967. Mensagem de ano novo.
As garrafas continuam a despejarem-se, e logo prontamente substituídas por outras cheias. O ambiente está quente, tropical. O Branco pretende distrair os presentes. Grita:
- Kwanzaa! Kwanzaa!
- Já estás bêbado? O que é que estás para aí a dizer? – Perguntou o Vodka.
- Kwanzaa! Kwanzaa!
- Explica lá o que é isso. – Pediu o Vodka.
- Deve ser uma nova marca de cerveja. – Esclareceu o Hepatite.
- Está bem vou explicar. – Informou o Branco.
- Kwanzaa, é um feriado afro-americano baseado no festival africano tradicional da colheita, das primeiras colheitas. Começa no dia 26 de Dezembro e dura sete dias. A palavra Kwanzaa, também soletrado Kwanza, vem de uma frase que significa frutas em Swahili, um idioma da África Oriental. O feriado foi desenvolvido em 1966 nos Estados Unidos por Maulana Karenga, professor de estudos pan-africanos e líder cultural negro. Combina práticas africanas tradicionais com aspirações e ideais afro-americanos. O feriado centra-se ao redor do Nguzo Saba, os sete princípios da cultura negra que foi desenvolvida por Karenga. Estes princípios são Umoja (unidade), Kujichagulia (autodeterminação), Ujima (trabalho colectivo e responsabilidade), Ujamaa (economias cooperativas), Nia (propósito), Kuumba (criatividade), e Imani (fé). Cada dia de Kwanzaa é dedicado a um dos sete princípios. Pela noite, familiares iluminam uma das sete velas num kinara (castiçal) e discutem o princípio durante o dia. Elementos de muitas famílias trocam presentes alguns dos quais são caseiros. Quando se aproxima o fim do feriado, a comunidade junta-se para um banquete chamado karamu. Um karamu típico caracteriza-se na comida africana tradicional, cerimónias que honram os antepassados, avaliações do ano velho e compromissos para o novo, desempenhos, música, e dançando. In World Book. Enciclopédia da IBM.
O Almirante está encostado no seu carro. Olha para o que lhe parece ser uma praia onde acabaram de desembarcar os seus fuzileiros. Com voz triunfante declara:
- Meus fuzileiros! Sentimo-nos orgulhosos quando abandonamos o local da bebedeira e deixamos os despojos espalhados por todo o lado. Trabalho não falta porque o consumo da bebida aumenta, o lixo também.
A Treze Anos vê que o Almirante está com os copos, e aproveita:
- Estão a vender boas aparelhagens. Batem bem, só o barulho…
- Estão a vender aonde?
O Hepatite tenta explicar:
- Eu sei onde estão a vender. Bom, a… a… vai-se na direcção da grande cervejaria, depois vira-se à direita… onde está o grande bar, depois à esquerda até… chegar à cervejaria monumental. É aí.
- Isso não é cerveja a mais? – Disse a Treze Anos.
- Não, por acaso… a da monumental até é muito boa. – Elucidou O Hepatite.
- Daqui a pouco vou para Moscovo, até amanhã. – Ironizou o Almirante.
- O que é que ele quer dizer com isso? – Quis saber a Treze Anos.
- Quando quer ir para casa, diz sempre que vai para Moscovo. Tem saudades dos velhos tempos. – Insultou o Branco.
- Tenho que apanhar um terreno. – Sonhou o Vodka.
- Já apanhei um em Malanje com vinte hectares. – Disse satisfeito o Almirante.
- Suicidar as populações é preciso. – Lembrou o Branco.
- Suicídios são na África do Sul. – Declarou o Almirante.
- Os quinhentos anos foram um ensaio. Agora é que o colonialismo é a sério. – Disse o Branco.
- Isso é porque os que estão em cima são piores que os que estão em baixo. – Rematou o Filósofo.
- É por isso que somos considerados o pior país do mundo para se fazer negócios. – Declarou o Almirante.
- E no entanto temos financiamentos internacionais de biliões de dólares. – Vaporizou o Poeta.
- Os juros serão pagos com a cerveja que consumimos. – Jurou o Vodka.
A Caribenha ouviu e pediu:
- Isso é muita cerveja. Quem é que me paga os juros de uma?
- São todas iguais. – Disse convicto o Poeta.
- São como a cerveja. Todas têm o mesmo sabor. – Foi a opinião do Almirante.
- Vou votar… não vou votar. – Prometeu o Eleitor.

O Presidente discursou:
- É também a expressão mais vasta do desejo comum do Homem sobre a terra, de se considerar livre, capaz de se desligar das amarras de uma sociedade em que estiola e morre, como ser humano. Não pode haver outra tendência sobre a terra. O isolamento é impossível e é contrário à ideia de progresso técnico, cultural e político. Para alcançar a liberdade e sem o qual o comportamento do homem será o de quem sai de uma forma de discriminação para cair numa outra forma tão negativa como a primeira, uma simples inversão dos factores intervenientes. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
O Filósofo lembrou-se do que ouviu na rádio.
- Sabem o que é que o Justino Pinto de Andrade falou hoje? Falou que as empresas de vestuário estão a fechar em Portugal devido aos preços baixos dos tecidos Chineses, então provocou muito desemprego, e um jornalista do Jornal, O Público, disse que era a altura para virem para Angola, que podiam trabalhar na agricultura. Como são originários de um vale, o Justino opinou que podiam aqui ficar no Vale do Cavaco. O Justino também disse que são os vapores do petróleo.
- Ele bebe? – Perguntou o Vodka.
- Não.
- Ah! Se não bebe não tem interesse. Nunca será nosso amigo.
- Ele queria dizer que lá a democracia não consegue arranjar emprego para os desempregados.
- Pois não, por isso envia-os para as novas colónias em África.
O Poeta tenta impressionar a Liberdade:
Preso nos céus dos encontros/ Do centro das suas pernas/ A clamar/ Que isto é a minha beleza/ Nada há melhor que isto/ Mergulha-me no meu melhor/ É apenas isto que tenho/ Não te chega? / Que queres mais? / Isto é melhor que qualquer noite.
Ela diz-me sempre/ Ai! Minha vida! / Mas sou mais bela que qualquer noite/ Peço-te por favor/ Mergulha uma vez na noite/ Do meu ventre/ Tenta compreender/ Ao menos uma vez/ O perfume e o aroma dele/ Passa os teus lábios no meu clítoris/ E sente o desconhecido/ Da vida, do viver/ Não sabes quantos segredos/ Guarda um clítoris.
Os segredos da vida/ Do amor, das nações/ Estão secretamente guardados/ Num clítoris.
Que Deus abençoe o mel planetário/ Dos nossos clítoris.
O Presidente diz:
- Esta forma de colonização visível, clara, aberta, não impede que uma outra exista no nosso continente, outra forma de dominação mais subtil conhecida pelo nome do neocolonialismo, em que o explorador já não se identifica com o nome de colonizador, mas que actua da mesma maneira a vários níveis. Se para uns, colonialismo significou e significa trabalho forçado, para outros é discriminação racial; para outros ainda, é a segregação económica e a impossibilidade de ascensão política. Mas o roubo das terras africanas pelos colonizadores, a escravização do trabalhador, o castigo corporal, ou a intensiva exploração dos bens que nos pertencem, são formas do mesmo colonialismo. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
Imagem: Os jovens angolanos e o alcoolismo;-O limite aqui não é o chão,é o subsolo!
vencendo-o-alcoolismo.blogspot.com




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nunca tão poucos destruiram tantos


Se fosse instituído o campeonato nacional da hipocrisia, quem o ganharia? Ela, a hipocrisia, é tamanha que já ganhou foro de poluição nacional.
Fazer manifestações contínuas de apoio incondicional ao grande e incontestado líder, no tempo colonial também se fazia o mesmo, sucediam-se manifestações de apoio pela continuação das também incontestadas chefias colonialistas.
O Jornal, O País, na sua edição do dia 10 de Dezembro noticiou que por mês morrem 24, vinte e quatro pessoas devido ao uso dos geradores. Entretanto, o fornecimento da energia eléctrica vai piorando, até ultrapassarmos o zero?
Parece que não existe ninguém capaz de colocar esta coisa no caminho certo. Na realidade está tudo muito incerto. Para onde vamos? Para a queda, sem alternativa.
Eis os apagões da nossa estatal energia eléctrica alternativa, ou como o Inferno também é futuro.
12Dez 09.01 até às 01.05 do dia 13Dez 11Dez 07.49-16.26 09Dez 18.14 até às 16.56 do dia 10Dez 07Dez 10.51 até às 08.19 do dia 08Dez 06Dez 10.44-10.54 05Dez 15.49 até às 01.57 do dia 06Dez 03Dez 12.25-14-06, 16.52- 18.03 01Dez 12.18 até às 12.43 do dia 02Dez
E quem de Angola quiser fazer/ o seu amor/ e nela conseguir sobreviver/ terá que comprar um gerador.
Mesmo sem luz, todos os meses está lá a factura para pagar o que não se consumiu. Perante tanta macabra idiotice, só nos resta o sorrir com escárnio da condição leninista da transformação, do grande apagão da nossa sociedade.
Os vinte dias da manutenção dos geradores da barragem de Kapanda ainda não terminaram? Estão a negociar mais vinte dias, vinte anos?
E pelas ruas circulando em andores ouve-se o pregão: «Comprem geradores! Acabem com a escuridão, minhas senhoras e meus senhores!»
Será que também é necessário importar estrangeiros para fundarem um partido da oposição? Já nada me surpreende. São demasiadas as nuvens que obscurecem o nascer do sol da oposição.
E essa dos e das mwangoles quando no telemóvel prometem-nos: «Eu já vou ligar, ligo-te daqui a pouco. » Pobres cretinos e cretinas que desconhecem que isso é mais uma tara mental.
Escuridão? Vote no partido da vela. É o Governo a trabalhar, a nos apagar.
Quando a vigarice se instala no poder, é até arder.
Quando o poder das trevas dirige um país, os dias ficam na mais tenebrosa escuridão. Quando o petróleo é muito bruto, os cérebros embrutecem. Os barris de petróleo, de redondos, ficam quadrados na vegetação dos pobres de espírito, mas ricos na riqueza dos caudais dos filões petrolíferos. E governar na escuridão é suma destruição. Este é o fruto colhido da plantação chinesa, brasileira e portuguesa.
É a manipulação da informação, para que não se saiba que reinamos na completa escuridão. Manter a população na escuridão, é o futuro desta nação. É uma governação com os fusíveis há muito fundidos, e até agora não substituídos. É edificante, gratificante, um governo governar, obrigar a sua população a viver na mais negra escravidão? Quando se está sem rumo, de todas as direcções surgem escolhos desmedidos, e não há como evitá-los. É o naufragar no lodaçal petrolífero. E mesmo na mais retrógrada escuridão, promete-nos sempre uma nova vida, o líder da nação.
Já nos resta a sobrevivência da ténue chama de uma vela. Governar é mentir, é o ludibriar, abandonar. Muito tempo no poder até morrer, e um filho segue no poder. Permanecer por longos anos na vigarice do poder, e disso não se dar conta, abdicar, é sem dúvida um caso de patologia irrecuperável. Trinta e seis anos mergulhados na escuridão, e que no próximo ano teremos luz, mais trinta e seis? Mas quem lhes disse que governar é não nos alumiar? Ser irracional é que é o normal?
Brevemente os problemas da água e da luz serão ultrapassados, melhorados, porque há grandes investimentos nestes sectores da economia indispensáveis para o bem-estar das nossas populações.
E se virem por aí algum dos partidos políticos ditos da oposição, digam-lhes para emergirem, para a continuação da escuridão. Algumas pessoas gostam de viver na escuridão, e desgraçadamente impõem-na a todos os outros viventes. Ao insistirem na negação da luz, e nas promessas da escuridão como energia alternativa, o Poder convence-se que nos faz um grande favor.
Se eu descrevesse aqui o que realmente penso, sinto, como milhões de outras pessoas em absoluto desprezadas, creio que se assustariam. É preferível não divulger tais cogitos, porque são demasiado terríficos, mortíferos. E uma boa governação faz-se com uma óptima escuridão.
O nosso glorioso partido da vanguarda revolucionária sem energia eléctrica, nasceu, nos escureceu, para governar até à eternidade. Não surpreende pois que os nossos incontestáveis líderes sejam eternos. Como partido de vanguarda, já resolvemos os problemas candentes da saúde das nossas populações. Não necessitamos de hospitais, ou algo que se lhes compare, porque na nossa república popular… ninguém morre. E mais conquistas surgirão, porque a nossa experiência de governação é inigualável. Avante, pois com os nossos queridos e imortais líderes. E com o apoio das nossas igrejas também dominaremos os céus.
O leninismo é por excelência a única forma de governo que permite governar em paz as massas. Porque neste regime não há descontentes, há pão, água, luz e trabalho para todos. Só este sistema político permite a felicidade duradoura dos povos. Perguntem ao povo angolano se está ou não feliz. Claro que está. E não é necessária essa coisa da democracia que só complica a vida das pessoas, onde toda a gente fala e ninguém se entende. Já viram o que é gastar milhões e milhões de dólares com partidos políticos? Poupa-se muito dinheiro, não é?! O nosso querido Estado e o nosso querido Líder, sempre cada vez mais sábio, não necessita ir a universidades e mais o nosso super-estimado Politburo, garantem-nos tudo o que é necessário e desnecessário para enfrentarmos a vida. E todos os que se opõem a esta mais que provada clarividência, o local indicado é nos canis, sim são piores que os cães, sem direito a pão nem água.
E o involuir da história repete-se a cada momento quando o meu alaúde se solta e me “trova ao vento que passa”. Afinal, para alguns o viver é perseguir indiscriminadamente o seu semelhante. O petróleo simboliza a catástrofe do purgatório humano/angolano. Esta ditadura anuncia, renuncia, inicia o vento Sul da amargura. Mobiliza-nos, já nos aprontamos na formatura da Liberdade! Ordena-nos, solta as nossas asas, porque o voo da democracia, se anuncia. Eis que as nuvens da inspiração descem sobre nós, e outra Excalibur renasce, floresce, e outro ciclo, outra Távola nos desperta. Os novos paladinos cavaleiros Arturianos libertam o Santo Graal, há muito prisioneiro na fraude da ditadura, que teimosamente perdura. Basta-lhe que leve vaia, o seu palácio caia, e tudo à sua volta se desmaia.
Luanda, mas que contemplação. Vi, na rua da Angop, Rei Katyavala, a Odebrecht a asfaltar a rua. Mas, e os esgotos? Taparam-nos, e quando chover com força, ou não, como será?! É sempre a mesma coisa, arranjar de um lado e destruir do outro.
A maioria das pessoas anda com a cabeça no chão, e claro, com os pés no ar. Uma pequena minoria, que se pode contar, anda com a cabeça no ar e com os pés no chão. Será devido a isso que a terra treme muito?
Uma das coisas mais bizarras que acabo de ver em Luanda, foi um, dos muitos e muitos descendentes da luta de libertação de Angola, com um saco de plástico nas costas, UNITEL, a vasculhar nos contentores do lixo algo que se coma, coisa aliás corriqueira por aqui, apesar dos milhões de barris de petróleo que despejam diariamente também milhões de dólares. É o progresso do apoio das democracias ocidentais à nossa mediocracia.
Amigo leitor, esta é demais sobre a cor preta.
Faz-me lembrar um livro que li do Isaac Asimov (1920-1992) onde recrio uma cena muito interessante: na escola, o aluno só escrevia e desenhava tudo com a cor preta. O professor preocupou-se, claro, chamou e falou com a mãe. Acharam por bem consultarem um psicólogo ou um psiquiatra porque a criança não estava bem da cabeça. Decidiram-se pelo psiquiatra. Pegaram na criança e lá foram. Chegaram no consultório do doutor, este olha para a criança e pergunta-lhe: «Porque é que desenhas e escreves tudo com a cor preta?» A criança respondeu muito naturalmente: «Porque é a única cor que tenho.»
Entretanto, o Executivo investe em larga escala num outro empreendimento de vulto: a perseguição e caça ao opositor político, onde em prisões superlotadas, os proibidos da liberdade de expressão e manifestação se encerram em prisões, que depois de lá saírem irão directos para o cemitério, pois que a intenção é acabarem com eles através da morte lenta, isto com o apoio incondicional dos amigos chineses, brasileiros e portugueses.
Cuidado ao se libertarem de um ditador, porque outros chafurdam na forja, como as serpentes venenosas a espreitarem, a aguardarem.
Porque será que o empresariado angolano/estrangeiro, salvo raríssimas excepções, prima pela vigarice/escravidão dos seus trabalhadores?

Imagem: primeira tentativa de lançar o homem na Lua.
Cartoon de Marc S.) maquinaespeculativa.blogspot.com



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (06)


O maior perigo da política é quando os declarados, conceituados idiotas decidem intervir. E como já ninguém acredita na democracia e nos seus mentores, os bancários gestores, é tudo para destruir. Não é por acaso que se fala, que se espera, o alimento do desespero da terceira guerra mundial. Porque o Triunfo dos Porcos permanece omnipotente, com os suínos bem disfarçados no poder democrático. São como as religiões que arrastam as suas multidões para os abismos da miséria e da fome. E sempre insistem que rezar é a única esperança de salvação. A fórmula dos políticos idiotas não diverge muito: «Confiem em mim que melhores dias virão.» Ou: «A nossa governação assenta nos mais grandiosos projectos das nossas centralidades, no rumo de uma nova vida e bem-estar das nossas populações. O futuro é por isso mesmo certo. Brevemente, prometo-vos que a pobreza, a fome, e a miséria das populações melhorarão significativamente.»
Os políticos idiotas são demais, em maior número, claro, têm tudo a seu favor no analfabetismo projectado, bem programado, para vencerem. Estão em todas, por todo o lado. São os senhores, os melhores em tudo, intocáveis, até deixaram de ser pessoas, são génios, deuses, os tais imortais que vindos do Olimpo se disfarçam entre nós de humanos.

Em Cuba, a partir das dezoito horas há recolher obrigatório, o policiamento entra em acção. Os estabelecimentos fecham, logo, ninguém vende nas ruas. Ainda existem destas coisas pelo mundo fora, como se fosse uma partícula que as leis da Física desconhecem.
Vontade dos príncipes jingolanos para implantarem tal saudosismo leninista não lhes falta, mas o povo jingola já jurou: leninismo nunca mais. Apenas se lamenta que a miséria prossegue e que os estrangeiros aos poucos lhes invadem a terra, e os olham como estorvos para o prosseguimento da sua ocupação total e completa. Mas, brevemente isso acabará, prometem muito convictos, os sem a escada do futuro.
Quem tomar o poder pela força, também pela força sem ele ficará.
O jingolano já aprende a manifestar-se. Quase todos os dias assim acontece. Até que mais dia, menos dia manifestar-se-á na totalidade e ninguém o conseguirá apaziguar, parar.
Reino maravilhoso, onde até vulgares contrabandistas de armas são recebidos e honrados como heróis da pátria, no navio alcoólico que nada em álcool e que depois nele se afogam.

Vinte e uma horas. Ouve-se um estrondo muito forte, tipo daqueles dos escapes das motorizadas dos nossos gloriosos malucos das motas voadoras. Espreito da varanda e vejo cinco carros danificados. O causador do infausto acontecimento é um vizinho que mal consegue sair da sua viatura. Acaba por desenvencilhar-se do interior do seu bólide alcoólico mas, mal consegue equilibrar-se. Está escravo, possesso pelo álcool, um dos carros terá que ser substituído por um novo, o motor faleceu. O álcool, tal como uma epidemia alastra-se vitorioso. É caso para dizer: contra milhões de alcoólicos – essa instituição nacional - ninguém combate. O arrasador justificou-se, alegou em sua defesa: fui encadeado pelos faróis do outro carro. Claro, do outro veículo alcoólico.

Estavam mal preparados para a guerra, que não passou de mais uma negociata, quanto mais agora para governar um país.
A única coisa que funciona é os dividendos do petróleo nas contas bancárias da nomenclatura. Esta tragédia vai passar a figurar como um acto normal. É assim como uma espécie de quarto-mundista. E uma espessa cortina de chumbo caiu sobre Jingola.
O melhor indicador da nossa pobreza é o petróleo. Quanto mais o preço sobe, também a nossa miséria. Que paradoxo, não é?!

A mãe com as duas tenras crianças, uma às costas e outra a arrastar os pés pelo chão, já sem forças, dominada pelo doentio poder do petróleo. Senta-se num pequeno muro do diminuto jardim de uma instituição bancária, ou melhor, tentou, porque um zeloso segurança sempre no cumprimento das deificadas ordens superiores, de que essa gente vem para aqui fazerem-nos feitiço, são todas feiticeiras, e as palermices habituais de quem obteve dinheiro sem trabalhar:
- É pá, não podes estar aqui!
- Porquê, vocês também compraram os passeios?
- É pá, ó senhora, é melhor bazares já, não sabes que Jingola tem dono, não é?!
- Esperem só, que a vossa hora está a chegar, vão pagar muito mal pelos males que nos fazem. O castigo será terrível.
E a espoliada até dos passeios ruada, parou mais à frente, encostou-se num pilar, relíquia do tempo colonial ainda milagrosamente viva, e deu de mamar ao mais pequenino, enquanto a outra criancinha chorava-lhe encostada no ombro da fome ainda não melhorada, nada mitigada. E os novos-ricos descem dos seus veículos luxuosos, adquiridos na corrupção petrolífera, e olham-nos, a mãe e as suas crianças como lixo humano. Como são do poder principesco, lá insistiram com os seguranças para que retirassem o estendal humano da rica paisagem petrolífera. O petróleo é a força, o rei dos poderosos, e o inimigo dos andrajosos.
Para onde olhássemos deparávamos sempre com o mesmo incomensurável cenário: um oceano de homens fardados, e outros à paisana da secreta do rei vigiavam para que a manutenção do poder se perpetuasse, porque os reis não reinam na terra mas no tempo eterno. Quer dizer, há dois tempos: um para os reis, imortais, e outro, o dos pobres mortais.
Jingola, como reino exemplar da injustiça, o seu rei marimbava-se para a justiça popular revolucionária dos pneus incendiados na cabeça dos sentenciados desgraçados, imolados. A moda estava de tal modo disseminada que dir-se-ia como os inúmeros concursos de misses disto, daquilo e daqueloutro. Era perfeitamente naturalíssimo despertar de manhã e assistir ao macabro teatro de cadáveres rodeados, queimados pela justiça do pneu queimado enfiado no pescoço das vítimas, que morriam incineradas pelos desmandos do tentarem surripiar qualquer coisa ao êxodo dos esfomeados. Era, de certo modo, uma concorrência desleal aos corruptos petrolíferos, que não cansados do espúrio das terras, dos parcos bens do outro povo. Sim, Jingola, tem dois povos. O dos que usurparam o poder e o dos que nada têm, apesar de hipocritamente lhes chamarem de, o nosso povo.

Imagem: povodearuanda.wordpress.com

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A VELA DA EDEL É A MINHA COMPANHEIRA FIEL


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mia Couto
E esta adaptação de António Aleixo, (1899-1949) adequa-se perfeitamente ao nosso Estado da Nação: Se conheces um corrupto/ e o pretendes enfeitiçar/ chama-lhe honesto/ se o pretendes dominar.
Há trinta e seis anos que se fazem estudos para resolver o problema da energia eléctrica, da água e da habitação. O estudo para combater a pobreza é muito complicado devido às assimetrias abrangentes a jusante e a montante do sistema, o que implica uma menos-valia macroeconómica. O único estudo que se fez até agora e se cumpriu, cumpre, a cem por cento como todos sabemos, e que funciona em pleno é a corrupção. É impossível uma manifestação a exigir o fim imediato dos cortes na energia eléctrica? Da água, da miséria e da fome? Quem não nos consegue abastecer de energia eléctrica e água, ainda nos faz mais promessas? É que não podemos viver como se estivéssemos assolados por terramotos, vulcões, ciclones e todas as intempéries conhecidas e desconhecidas. O que não falta por aí é gente capaz, competente, para dirigir os actuais incompetentes que apenas adquiriram o mestrado da corrupção sem diploma passado, claro, quem sabe se até o têm.
E o que dizem os nossos donos eternos? «O MPLA governa e dirige Angola desde a independência». E mais nos garantem: «Temos que aprofundar a democracia». «E o ocidente impôs-nos a democracia». Claro, em mediocracia nunca pode coexistir a democracia.
E a célebre invenção, invasão leninista: O MPLA tem responsabilidades históricas, da paz e justiça social, do desenvolvimento económico. O MPLA conseguiu a independência de Angola. Não devemos copiar os outros, isto aqui não é nenhuma primavera. Mas já foi um Inverno/Inferno russo/cubano e agora chinês/brasileiro/português/Eternos. No nosso mais que perfeito leninismo ninguém necessita de alimentação, de água e energia eléctrica, pois que o Estado garante-nos as trevas que nos sustentam adequadamente.
Luanda. Falência do sistema da rede eléctrica: Conforme temos vindo a alertar ao longo dos últimos anos, que o fornecimento de energia eléctrica à cidade de Luanda acabaria no caos, devido principalmente às novas centralidades (?), prédios, condomínios, e demais construções anárquicas da nomenclatura que nunca são demolidas, e aí está… um notável desaire devido ao incremento da especulação imobiliária desenfreada. Temos um partido/estado que move gigantescos empreendimentos imobiliários sob exigência de uma classe que: ou fazem o que queremos ou então não há empréstimos nem apoios.
Em declarações à RNA – Rádio Nacional de Angola, no noticiário central das vinte horas, 23 de Setembro, o engenheiro João Barradas da ENE – Empresa Nacional de Electricidade, confessou que Luanda continua com um défice no fornecimento de energia eléctrica. Mais informou que também prossegue a manutenção (?) nas centrais de Capanda e Cambambe, e os projectos de recuperação das turbinas a gás. Lá para Dezembro estará a situação regularizada. Resta comentar que estamos perante mais uma avantajada vigarice para apascentar ao tal milhão de promessas?
No tempo colonial, o da miséria, a electricidade e a água não nos faltavam. E agora, finalmente libertados, essas coisas desaparecerem. Então, libertaram-nos do quê?!
Essas tias novas centralidades que no fundo não passam de meras negociatas, deviam contemplar as províncias, para que Luanda se descongestionasse. Mas não, é precisamente o contrário. Luanda congestionasse ainda mais, até rebentar de vez, sem electricidade e sem água. Isso dos geradores eléctricos, outra grande negociata, é uma utopia, um veneno. Luanda, novas centralidades em execução. A partir das 19 horas os “desperados” assaltam os sacos das senhoras. Enquanto isso os chineses trabalham dia e noite nos projectos imobiliários do Grupo Abençoado, Sarl. O mwangolé desempregado vive do cangaço. Mais um projecto nova-rica. O palmarés da corrupção lança-nos as suas garras. É como a energia eléctrica da fraude, em que se segue mais um apagão. É impressionante como uma família, um grupo de pessoas mantém Angola sobre permanente estado de sítio, isto é, sem energia eléctrica e sem água, como se de sitiados se tratassem, mas é que estamos mesmo sitiados. Mas esta governação nunca mais se acaba, apaga? A Dilma Roussef disse que Angola está no caminho certo, então ela e o Brasil estão no caminho errado? A quadriga do Poder arrasta-nos para a arena deste circo romano, sem bóia de salvação. Sofremos mais uma interrupção no fornecimento de energia eléctrica, coisa muito normal, pois há mais de trinta anos parece que estamos em guerra. E manter-nos no ciclo reprodutivo sem água, sem energia eléctrica, sem direito a nada, apenas com a garantia da miséria, e entregar-nos as almas aos estrangeiros. Pensam e decidem em tudo. Mas esquecem-se que Angola tem população. O dinheiro do petróleo sobra em demasia na minoria. E nunca chega, nunca beneficia a grande maioria. Quando se houve muito estardalhaço sonoro das escoltas policiais, buzinas sempre estridentes no dia-a-dia deste caos irremediável, são os nossos governantes muito apressados, estressados, muito preocupados na resolução dos problemas do nosso sofredor e infeliz, mártir povo.
E a oposição não consegue uma manifestação nacional para a reposição do sinal a todo o espaço da República do Petróleo de Angola. Porque sem informação é impossível acontecer, a oposição sobreviver.
Isso de que a nossa vida vai melhorar… os preços sobem desordenadamente. Está certo, isto é o diabolismo, porque a nossa vida (?) está a piorar. Eles estão a nos infernizar. Este é o trânsito da nossa política engarrafada. Com duas rádios e dois jornais e restrições na internet, estamos no totalitarismo absoluto, absolutismo.

A água para todos e para ninguém.
E vi uma doença que afligia muito os nossos novos-ricos. Derrubavam paredes e voltavam a edificá-las, e tornavam a parti-las e outra vez as erguiam e repetiam esta desgraça, incansáveis. E compreendi o porquê deste mal que tanto os aflige. É que o dinheiro do petróleo é tão imenso nos bolsos deles. Que além do harém concubino, não sabem como o gastar. E assim justificam-no no parte/derruba paredes. É o secador, apagador das nossas vidas. Eu quero governar sem parar. E a água, a energia eléctrica lhes vou tirar.
Uma invasão de mercenários estrangeiros e de bancos da razia com esquemas de nos afastarem e demolirem as nossas casas para construírem os seus prédios. A energia eléctrica e a água estão também nestas condições de espoliação. Roubam-nos os empregos para eles, para as suas famílias e amigos empregarem. Tudo o que é feito com base na trapaça, vigarice, a mentira, corrupção, origina que fiquemos sem o mais importante: a energia eléctrica e a água. Que em Angola nada funciona? Dizem, mas a corrupção abunda em força.

Haverá alguma solução para trinta e seis anos sem soluções?
Que fique bem claro: o insulto infundado é a arma dos imbecis e dos canalhas.
Em Angola não existe ditadura, o que existe de facto é uma feroz repressão, mas ditadura, isso não. No fundo são como os islamitas, não deixam construir igrejas cristãs, nem tão pouco praticar o culto, mas disseminam as suas mesquitas por todo o lado. O clima adensa-se, está carcomido, e será devorado pela sua intolerância política. O nosso futuro e o nosso destino estão traçados na nossa luta correcta rumo ao paraíso celestial que o nosso partido da vanguarda há muito nos traçou. O nosso rumo é só um, o nosso e mais nenhum.
A nossa vanguarda revolucionária segue os trilhos dos grandes líderes mundiais, aqueles que ofereceram as suas vidas pela causa justa das lutas dos povos sofredores, e agora finalmente libertados. Na nossa Pátria, Angola, edificámos finalmente o socialismo científico, a ciência dos povos oprimidos, e o nosso povo caminha feliz rumo ao desenvolvimento. O nosso líder máximo, eleito naturalmente pelas massas está atento, e qualquer tentativa de desvirtuar a nossa revolução, será severamente punida. Vivam os povos oprimidos de todo o mundo! Viva a classe operária e camponesa!

Martelo demolidor ataca sites angolanos
O martelo demolidor arrasou o Club-K, Angola24horas, e a makaangola do Rafael Marques, foram demolidos para nos seus lugares se edificarem novas centralidades com dinheiros públicos. Estas medidas estão enquadradas no novo plano de reconversão da informação angolana recentemente aprovado pela mais alta estrutura da Nação, com o apoio dos habituais amigos estrangeiros.
Depois do término destas centralidades por construtoras chinesas, brasileiras e portuguesas, a informação em Angola dará saltos muito qualitativos, antevendo-se uma mais-valia significativa no bem-estar das populações.
É o Governo de Angola a trabalhar para o nosso bem-estar. Só quem não o compreende o pode insultar, sempre pelos mesmos mal-educados, invejosos, arruaceiros que não desejam o bem do povo angolano. Este povo tão escravizado, tão torturado, tão espoliado, das casas desalojado pelo sempre mesmo imperialismo internacional e seus lacaios internos que nunca desarmam.
Angolanos e angolanas, não se deixem levar pelas falsas informações que esses vende-pátrias lhes promovem. A liberdade e a democracia vivem num só partido: O partido de sempre, aquele, o tal da vanguarda revolucionária. Muitas vitórias nos esperam. E a principal delas, a pobreza, em poucos dias terminará.
A coisa está feia, até as praias privatizaram.

sábado, 10 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (03)


O Hepatite e a Qualquer Um Serve desconversam. O Hepatite pergunta-lhe:
- Acreditas em Deus?
- Sim, dá aí mais uma cerveja, põe na conta Dele. E unidos beberemos.
-A grande epidemia nacional. As crianças também são incentivadas pela família a beber. – Comenta o Vodka.
- As festas costumam acabar em pancadaria e tiros. – Acrescentou o Almirante.
A senhora da cerveja trouxe mais uma caixa. A orientação que tinha era quando a cerveja acabasse, que a renovasse. Claro que estava sempre atenta. O Almirante bebeu e tagarelou:
- Isto não tem nada de extraordinário. Há quinhentos e tal anos que praticamos este desporto tradicional. Claro que agora exageramos. Somos o que resta da nossa civilização, e como o nosso tempo está a acabar, nada melhor do que acabarmos em beleza com a nossa raça. Temos pouco tempo para beber porque o nosso fim está próximo. Queremos acabar com a nossa existência bebendo dia e noite… morrendo felizes.
- Um copo para todos e todos para um copo. – Apoiou o Vodka.
- Boa noite dedicados apóstolos. Como adoro esta magia, este feitiço nocturno.
- Boa noite querido Pragador. – Respondeu a Caribenha.
- Pelas sete pragas que nos afligem. Só uma pessoa me saúda?
- Nunca ouvi falar dessas pragas. Prefiro estas maravilhas. Observou o Almirante olhando para as cervejas.
- Sabem quantas maravilhas existem no mundo? – Perguntou o Pragador.
- Não, ninguém sabe. Se fossem marcas de bebida. – Respondeu o Hepatite.
- Eu sei, são sete. – Afirmou o Filósofo.
- Não, são oito. – Explicou o Pragador.
- Duas fábricas de cerveja, uma grande garrafeira, as maratonas, as festas de aniversário e casamentos, as importações de bebidas, e uma grande cervejaria. E sabem qual é a oitava? É a fome! As sete maravilhas da nossa desgraça são: a malária, a Sida, a doença do sono, a tuberculose, o sarampo, acidentes de automóvel e o álcool. Uma praga especial que origina as outras é as comissões.
- Tem muita razão. – Concordou a Caribenha.
- Como lhes prometi, já acabei de compor a minha versão do Pragador. Se me derem licença gostaria de lê-la em primeira…
O Pragador é interrompido por gestos nervosos do Vodka. Este olha para a esquerda e para a direita. Diz:
- Agora não, noutro dia, noutra noite.
- Pelas sete pragas que nos afligem. – Praguejou o Pragador.

A caminhar calmamente aproxima-se mais um apóstolo. De fato e gravata, sapatos pretos que brilham com a luz das velas acesas das vendedoras. Cabelo bem penteado. Muito altivo e sereno. O seu corpo e os óculos que usa lembram alguém muito conhecido, muito admirado. Cumprimentou com voz firme:
- Boa noite camaradas!
- Boa noite camarada Presidente. – Entoaram todos.
Entretanto, o Almirante explica em voz baixa ao Vodka, que o recém-chegado não bebe, e que as suas conversas são sempre citações do falecido presidente Agostinho Neto, daí o nome de camarada Presidente, ou simplesmente Presidente. Costuma citar que haveremos de voltar a assumir os destinos do País. Quando fala os presentes ficam muito pensativos, e escutam-no também com muita atenção. O Presidente diz:
- Juramos-te camarada Presidente, que levantaremos cada vez mais alto o facho aceso do teu exemplo, da tua determinação e perseverança lutando para merecer cada vez mais a honra de pertencer ao destacamento de vanguarda da classe operária que tu tão fielmente dirigiste. In 15 De Setembro de 1979. Juramento do Comité Central do Mpla.
Uma zungueira corre pela rua a gritar O alguidar baloiça-lhe na cabeça, as coisas no interior querem saltar. Um carro da polícia persegue-a, pára e descem dois agentes. Atiram-se à zungueira e roubam-lhe o alguidar. A Caribenha prepara-se para auxiliá-la, mas o Almirante segura-a. O carro arranca veloz na companhia da noite. O Almirante comenta:
- Isto é uma república das bananas.
- República da selva. – Diz o Filósofo.
- República sem bananas. – Acrescentou o Vodka.
- República dos bananas. – Insultou o Branco.
- Deixa lá que no teu país… – Não terminou o Hepatite.
- No meu país?! O povo gosta muito de votar num partido em que se ganha dinheiro sem trabalhar. A actividade principal é assistir a jogos de futebol. Por causa disso abandonam o trabalho. A outra labuta é falarem muito. Votam muito num candidato que lhes promete que ganhar dinheiro é fácil. É o fardo do fado. São todos fadistas. Carregam o embalar dessa nostalgia, à espera que o nevoeiro se dissipe, e chegue o Desejado. Os desejos são poucos. Sem enfado do vinho, aprecia-se um bom fado.
O Presidente finaliza:
- Em Angola vive-se um clima de mobilização geral. Os colonos estão armados e organizados em milícias como em 1961; o período de prestação de serviço militar foi prolongado para 4 anos e o orçamento português prevê 42% do seu total para as despesas com a guerra colonial: mais de 6.000 milhões de escudos! O inimigo procura também desmobilizar o Povo com a corrupção e com algumas concessões às reivindicações do nosso Povo. Sem dúvida que a alguns sectores da nossa população foram concedidas melhores condições de vida, mas não se modificou certamente a base material em que vive a grande maioria. In Agostinho Neto.1 De Janeiro de 1967. Mensagem de ano novo.
- Bom, vamos bebendo as nossas cervejas. – Disse o Vodka.
- Bebem e não comem. Isso faz mal. – Criticou o Branco.
- Prefiro gastar o dinheiro na bebida. – Desabafou o Hepatite.
Ouve-se como que uma só voz saída das habitações. Um oooh!, muito longo.
- Mais uma falha de luz para nos confundirmos com a noite. – Falou o Filósofo.
- Porra!. Nem se consegue ver a telenovela! – Disse uma jovem na janela.
- Vai lavar a loiça. – Disse um vizinho.
- Hoje não é o meu dia, seu atrevido. – Esclareceu.
Sentia-se como que numa vitória o aumento do caudal das latas e garrafas espalhadas pelo chão. As mamãs ao amanhecer cuidarão devidamente do local.
A Treze Anos, é este o nome devido à sua idade, grita.
- Quem me dá o saldo? Quem me dá o Saldo?
- Aqui não há ninguém com saldo. Já perderam a tesão por causa da cerveja.
- Seu mal-educado. Saldo para o telemóvel, o prazo termina hoje.
- E o que é que me dás em troca?
- És muito interesseiro.
- Vou-te dar o saldo, mas depois vais dar uma volta comigo.
- Está bem.
O Eleitor repete sempre a mesma coisa.
- Vou votar… não vou votar.
Um grupo de jovens aproxima-se do embondeiro. Estão agitados.
- O que é que se passa aí com os jovens? – Pergunta o Almirante.
- Não sei. – Respondeu o Vodka.
Um jovem sobe pelo embondeiro, enquanto outros aguardam em baixo na expectativa. Em seguida um camaleão cai no chão. Um jovem dá-lhe um pontapé. Outro apanha-o e coloca-o numa caixa de papelão. O Almirante fala-lhes:
- Não façam mal ao animal, é inofensivo, só come insectos.
- Puseram-no aqui para nos fazer feitiço. – Informou o jovem.
- Ó jovem chega aqui. – Ordenou o Almirante.
- Sim pai.
- Conta lá bem como é que foi isso.
- Os escuteiros colocaram o camaleão no embondeiro e ele subiu muito devagar até esconder-se lá em cima, num ramo. Estava muito verde. Os escuteiros tiraram-lhe muitas fotografias, até o filmaram. Disseram que estavam a contribuir para o equilíbrio da natureza. Era grande, tinha mais ou menos quarenta centímetros de comprimento. Depois dos escuteiros saírem alguém começou a dizer que isso era para fazer feitiço. Depois começamos a sentir medo.
O Almirante perde a calma, enerva-se, a sua voz parece um trovão:
- Aqui temos as taras mentais, os sindromas da guerra. Tão cedo não nos libertaremos disto. Um grande manicómio é o que somos. Um ser humano que mata um animal inofensivo por pura maldade, por pura selvajaria, não merece viver. O seu lugar é na selva, junto com os animais mais ferozes. São piores que eles. Têm instintos de maldade, matar, matar seja o que for. Sempre protegidos pela impunidade. Creio que nem daqui a cem anos ou mais conseguiremos ressuscitar os nossos belos costumes perdidos. Se Deus realmente existe, o que duvido, Ele deve ser terrível.
- Porquê? – Perguntou intrigado o Vodka.
- Deve sentir-se muito contente com a maldade, que é o que mais se vê, porque bondade também não se vê. Uma sociedade educada na maldade acaba sempre em escombros. Como se costuma dizer, nem os sapatos se aproveitarão.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A renovação da nossa desgraça nos meses de Novembro, Outubro e Setembro


Um país superdesenvolvido como Angola, não necessita de energia eléctrica, porque o nosso Governo finalmente decidiu-se, inventou um sistema revolucionário que permite extrair energia eléctrica das nuvens. Isso mesmo: então as nuvens não estão carregadas de partículas eléctricas? E depois? É isso mesmo, com uma bruta antena e com um dispositivo inventado pelos nossos cientistas, com o apoio incondicional do nosso Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Ciência, conseguimos. Ainda em fase experimental, a coisa promete. Tanto é assim que o nosso Governo promete-nos que a partir de Dezembro, cortes, apagões, nunca mais. Viva o nosso Governo!

Entretanto:
Novembro, apagões eléctricos:
30Nov 04.38-05.43 28Nov 07.34-09.34, 10.19-11.35 24Nov 18.26 até às 17.23 horas do dia 25Nov 21Nov 02.20 até às 10.52 do dia 23Nov 18Nov 17.58 até às 19.56 do dia 19Nov 15Nov 20.14 até às 04.28 do dia 17Nov 14Nov 00.13 até às 04.10 do dia 15Nov 10Nov 09.47-10.38 07Nov 00.14 até às 09.27 do dia 10Nov 06Nov 10.32-10.42 03Nov 09.34 até às 17.10 do dia 05Nov 01Nov 19.37-21.06

Pagámos dois mil e tal kwanzas e no mês seguinte quase seis mil. Então, se estamos desligados, não temos luz, como é que a factura subiu assim astronomicamente? E não vale a pena reclamar porque o sistema leninista vai-te ameaçar, apagar.

Desmaios/apagões da energia eléctrica Outubro
31Out 12.09 até 17.43 do dia 01Nov 29Out 16.41- até às 11.50 do dia 31Out 27 Out 10.19-11.25 18.27- até às 20.55 horas do dia 28Out 26Out 04.00-06.20 25Out 10.42-13.14 24Out 06.49-16.13 23Out 18.30-19.55 20Out 16.01-17.17 17Out 07.57-19.50 15Out 06.35-16.28 e das 17.59-19.34 11Out 06.23-08.29 e das 13.10-14.54 06Out 10.53-11.45 05Out 13.31-23.58 04Out 15.01-16.19 02Out 18.52-05.42 01Out 06.15-17.23

Desmaios/apagões da energia eléctrica Setembro
27Set 13.53-15.35 25Set 08.16-16.29 24Set 05.52-17.10 23Set 03.08-03.51 22 set 08.13-10.32 11.12-12.14 20Set 10.53-11.02 11.05-11.16 17.44- até ás 04.00 dia 21Set 18Set 22.04-23.44 17Set 18.33 até às 09.06 de 18Set 10Set 07.03-18.11 04Set 06.10-09.41

A água, essa miragem neste deserto.
O prédio da nomenclatura recentemente inaugurado tem piscina no terraço. Os povos juram que é da nossa princesa Isabel dos Santos. Não dá para muito comentar porque decerto vem me matar. Como é que a água nos há-de chegar? Até a água é só para eles. E até as praias privatizaram.

A água a secar no mês de Novembro
08Nov. Não foi só um dia não, porque isso é impossível, mas como perdi o registo, paciência.

Desmaios/apagões da água Outubro
17Out 14Out 11Out 10Out 08Out

Desmaios/apagões da Água Setembro
30Set 29Set 13Set 11Set

INTERNET
A Internet é a ferramenta dos evoluídos e como nós estamos ao contrário, na involução, a ela não temos acesso, isto é, a informação está condicionada, autenticada pela repressão da informação. E com o apoio das democracias ocidentais brancas, porque há duas democracias: a branca e a negra. Então, é como a magia: branca e negra.
Então, como os lucros petrolíferos são um bolo demasiado apetitoso, há que queimar, silenciar, interromper, destruir a informação contrária, do contra, para que os dividendos dos lucros se encaminhem sempre para os mesmos. Há que camartelar com inaudita força os raios lazer sobre os sites inimigos, Club-k.net, angola24horas, e até, imagine-se, o makaangola, do Rafael Marques de Morais. Quer dizer, quanto mais silenciares a informação mais depressa soçobrarás. Porque o silêncio da informação origina o derrube da opressão.

Internet
Comunicado sobre as Interrupções do Portal Angola24horas
NOTA DE IMPRENSA
Cordiais saudações
O Gabinete de Comunicação e Marketing, do órgão acima citado, serve-se da presente Nota, para dar a conhecer aos seus leitores, que a semelhança de outros meios de Comunicação Social Online, o portal ANGOLA24HORAS, tem sido alvo de forma continua e incessante de vários ataques cibernéticos, (Hackers), informamos igualmente, que desde o passado dia 10 de Outubro do corrente que os nossos serviços têm sido violentamente afectados.
Entretanto, o Gabinete de Comunicação e Marketing, vem por este meio, denunciar à Comunidade Nacional e Internacional esta prática que em nada dignifica um Estado que se quer de Direito e Democrático, privando o direito de informar e de ser informado de todos os cidadãos que se revejam num portal como, o nosso que está comprometido com a verdade e a dignidade da pessoa humana.
Pelo que apelamos ainda aos nossos estimados leitores, fiéis ao ANGOLA24HORAS, compreensão e ponderação prometendo estar de volta o mais breve possível, isto é, tão logo ultrapassamos tais dificuldades que nos foram impostas por quem pretende simplesmente matar a liberdade de expressão e opinião, mas alertamos desde já que, não nos vamos render aos caprichos de quem quer que seja.
ANGOLA24HORAS - INFORMAR COM RESPONSÁBILIDADE É O NOSSA DESAFIO!
Luanda, 31 de Outubro de 2011
Angola24horas.com


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Rádio Ecclesia está de aniversário


Os anos, cinquenta e seis, os aniversários vão passando e a Rádio Ecclesia se vai implantando.
Aproveito para felicitar a sua jovem direcção, e os seus colaboradores pelo excelente trabalho que desenvolvem na abertura das portas sociais a toda a população angolana.
Lamento que até agora a nossa Rádio Ecclesia ainda não chegue às populações ansiosas pelo seu sinal rádio até agora (trinta se seis anos), interdito por um Poder que receia a sua evangelização. Mas brevemente a democracia se consolidará definitivamente e a nossa Rádio Ecclesia brilhará com força como um planeta que do céu nos ilumina fortemente.
Só a verdade da informação nos liberta.
Parabéns!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (02)


A
Marina Paiva

- Muito interessante é escutar um secular alaúde. – Sentenciou o Branco, como se estivesse numa aula de música
O Trovador gostou do que ouviu, tocou e cantou: Todos os partidos/ falam em eleições/ não falam no bem do povo/ querem ser mandões/ não ensinam o povo/ que quer ler/ todos querem/ o poder/ Os deputados estão a pensar bem/ querem aumento de vencimento/ enquanto os esfomeados da Tchavola/ dormem ao relento.
- Esse tipo trova de mais. – Provocou o Vodka.
- Já está bêbado. – Disse convicto o Almirante.
- Gosto muito do som do alaúde. – Aplaudiu o Branco.
- São instrumentos musicais dos brancos. Não tem nada a ver com a nossa cultura. – Retorquiu o Vodka.
- Se não gostam, deixem ouvir quem gosta. – Redarguiu o Branco.
O Trovador notou que alguém gostava de o ouvir tocar. Ajeitou-se e recomeçou:
- Neste país sem fim, canto de província em província,
Há mais de quinhentos anos/ com o meu alaúde e uma tela/ toco os sons e retoco as cores/ do que ainda se chama Benguela.
Ruínas vi, só vejo ruínas/ e um rei que governa a ralé/ os mortos e os esfomeados/ aguardam-no no Bié.
Lá começou o Reino do Congo/ parecia uma história linda/ agora dele só resta uma riqueza/ o petróleo para o novo Rei de Cabinda.
Muito lá no fundo muito esquecidos/ como os conquistados de Marraquene/ abandonados na selva perdida/ estão sem reino os do Cunene.
Trinta anos de celeiros vazios/ nem dá para viver do escambo/ as vozes da oposição terminaram/ não há futuro para o Huambo.
Considerada a beleza do Universo/ mulher e gloriosa mumuila/ já nem para turismo servem/ as abandonadas da Huíla.
Também andei pela Argentina/ e de lá trouxe um tango/ temos que mudar a dança/ nas terras do Kuando Kubango.
Vi populações que nascem/ sofrem sem nenhuma sorte/ um destino cruel sem futuro/ no quilombo Kwanza Norte.
Parei no Wako e no Sumbe/ parece que o mar ainda é azul…
O Vodka gostava, ou melhor odiava, pouco de poetas, de filósofos e nada de trovadores. Levantou-se do assento que era uma tábua em cima de dois tijolos. Mostrou o seu corpo alto e muito forte. Ameaçou:
- Mandem calar esse gajo senão ainda vamos presos. Estamos aqui para nos divertir e beber o nosso copo. Essa conversa não nos interessa. Não quero saber de política nem de discussões intelectuais. Vamos beber o nosso copo que é o único amigo em quem confio.
Surgem três indivíduos desconhecidos, provavelmente da secreta, que cercam o Branco. O Almirante pergunta ao Vodka:
- Sabes quem são?
- Não.
Vodka aproxima-se das personagens e exclama-lhes:
- Boa noite! Aqui somos todos militares!
- Sim boa noite. Não há problemas. – Respondeu um deles.
- Ó Branco! Fica aqui no meio de nós. Assim ficas protegido. – Aconselhou o Almirante.
No centro do sítio do Pauauschwitz estava um embondeiro com muitos anos de vida. Lembrava a majestade de uma estátua de elefante. Como não havia onde descansar o trabalho que os rins fazem depois de beberem muito líquido, neste caso cerveja, era o local adequado onde todos urinavam nas muitas dezenas de anos ingloriamente terminados, pelo ataque da urina a destruir a terra onde as raízes humanas da vegetação não resistiriam por muito tempo. E havia alguém que habitualmente gritava:
- É hoje, vou matá-los, vou matá-los!!!
- É pá! Chegou o Parricida. – Alarmou-se o Almirante.
- E está com os olhos muito vermelhos. – Corroborou o Vodka.
- Ninguém se meta com ele. Quando está assim faz confusão com toda a gente. Vou falar-lhe – Disse a Liberdade preocupada.
- Ó Parricida... vem cá meu querido.
- Ninguém gosta de mim.
- Eu gosto.
- Não confio em mulheres, não confio em ninguém.
- Não gostas da Liberdade?
- Não.
- Então és um caso perdido.
- Sou.
- Não gostas de mim?
- Já disse que não. A minha Liberdade é as minhas livres bebedeiras. Hoje vou matá-los. Filhos da puta de pais, hoje vou acabar com eles.
- Pai só há um.
- Filho também.
A Liberdade viu o seu tempo perdido. Apelou para o Almirante. Ele viu a questão devido ao olhar que ela lhe lançou. Ele é o mais culto dos apóstolos. Alto e magro, sempre resolve calmamente qualquer contenda. No tempo colonial era professor do sétimo ano. Os assessores militares estrangeiros sentiam-se envergonhados, inferiores, perante reuniões de estudo às quais comparecia. E falou, ou melhor, dissertou:
- Parte dos meios justificam alguns fins. É um desejo reprimido, frustrado. Como não consegue o que quer, isto é, enriquecer facilmente como toda a gente nesta sociedade, imagina… quer uma mulher e colocá-la em casa… mas os pais estão lá. Então para conseguir isso, bebe para lhe dar alento à selvajaria primária e matar os pais para ficar com a casa. Posteriormente vendê-la e gastar o dinheiro em infindáveis noites com mulheres pouco claras, no aspecto de vida social. Depois tentará o suicídio, insistirá e acabará inevitavelmente com a vida.
- Explicar o suicídio é assim tão simples? – Espantou-se a Liberdade.
- Sim. Não tenhamos ilusões. Em qualquer sociedade o suicídio existe. As regras são muito rígidas. Entre nós é a miséria. E quem não consegue adaptar-se, o único caminho é acabar com a vida.
- Entendo, são os tais alienados.
- Precisamente.
- Almirante, acho que as democracias aumentam o número de suicídios, porque será?
- Acredito que uma das falhas se deve, com o tempo, ao esquecimento das minorias. No início a democracia surge como defensora de pequenos grupos, mas ela de facto não têm nada para lhes dar, ficam a viver à margem da sociedade, e só são lembrados em tempo de eleições. Como sentem que a sociedade os abandonou, resta-lhes esse caminho. O cume é quando surge o suicídio colectivo, como por exemplo o que sucede em todas as épocas porque quando o ser humano não encontra o caminho do seu interior, avança, escolhe o mais fácil, a morte em grupo comandada por um qualquer que afirma que encontrou o caminho para o reino do Céu. Como o que acontece amiúde... não pretendem matar os pais, ao invés, incendeiam carros e desmandos conexos. É um alarme. Se as coisas continuarem, e não forem encontradas soluções, como por exemplo a revisão da democracia para os tempos da globalização, acredito que os suicídios serão uma epidemia mundial.
- Pior que a Sida?
- Acho que sim. O nosso modo de viver é mais preocupante, porque perdemos a noção mais fundamental da nossa existência, que é a família.
O Parricida olha para o embondeiro e começa a falar com ele.
- Ó embondeiro dos seculares segredos. É hoje, vai ser hoje. Vou apunhalar esses malditos pais. Depois vou enterrar o punhal com o sangue nas tuas raízes, para que o parricídio seja lembrado. Malditos pais que me geraram. E maldita seja a sombra cúmplice da tua hipocrisia.
Imagem: ... Blake ilustrando O sonho de uma noite de verão de William Shakespeare.
peregrinacultural.wordpress.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (01)


Prefácio
A
Marina Paiva

A ideia para escrever este trabalho surgiu-me pela caterva de pesadelos ao vivo dos grupos de jovens, que marginalizados pelo despertar das manhãs, em algazarras o mais possível desordenadas, isto é, no cumprimento do dever de despejarem cerveja, vinho e depois uísque pelas goelas abaixo, entregando o país nas mãos de Baco. Creio que é a maior das epidemias que os nossos jovens enfrentam nesta também jovem, incipiente, dolente e dormente democracia.
Curiosamente quase que não existem debates, ou números que nos alertem sobre esta invasão que irá destruir o que em tão pouco tempo foi alcançado, o fim da guerra. Exceptuando os debates das maratonas patrocinadas pela governação, nada mais até agora foi tentado com êxito. Mas os esforços prosseguem… em vão.
A juntar a isto, e creio que tem uma relação, são duas expressões muito utilizadas agora no quotidiano: «depois telefono, amanhã falamos.» Que significam: não vou assumir nenhum compromisso. Alarmado pelo rumo que o nosso futuro está a tomar, já tomou, decidi escrever sobre a grande instituição nacional: o alcoolismo.
O regresso ao deus da mitologia romana, Baco. O bacanal dos alcoólicos que afogam a sua revolta na bebida.
Actualmente quando não se tem espaço em casa para a última despedida de um defunto, ocupa-se o passeio, e depois a rua principal. A maioria dos frequentadores, espectadores, são jovens, meninos e meninas que bebem, melhor, ou pior?, encharcam-se em álcool sem desmamarem/descansarem.
G.G.

Os projectos são elaborados por agências situadas no exterior, às vezes na capital do país, em Bissau. Para um projecto de um milhão de dólares destinado ao desenvolvimento rural, por exemplo, cerca de 15% já são consumidos por taxas administrativas da agência de execução, seja ela a FAO ou outra qualquer. A agência de execução recrutará peritos para executar o projecto, já que os técnicos são raros no país. Estes técnicos custam actualmente algo da ordem de 7.000 dólares por mês. Antes de chegarem os técnicos, é claro, há missões sucessivas: missões de identificação de projectos, missões de estudo de factualidade, de estudos de execução técnica. Durante o projecto há missões de acompanhamento de execução. É normal a metade dos recursos fornecidos ser consumida neste processo, voltando assim o dinheiro oferecido para os países ricos, sob a forma dos salários elevados dos técnicos. Depois, vem o equipamento: os carros para o pessoal do projecto, o equipamento de campo, fotocopiadoras, máquinas de escrever, frequentemente instalações de conforto mínimo – mínimo do ponto de vista Norte – que podem perfeitamente comer mais um quarto do financiamento. Caso tudo se passe bem, teremos cerca de 25% dos fundos fornecidos que chegarão ao destinatário oficial, o camponês, sob forma de assistência técnica, de apoio moral, ou às vezes de insumos concretos. In Ladislau Dowbor. Guiné-Bissau. A busca da independência económica. Editora Brasiliense-1983.

Rua das Sirenes, Luanda, Angola.

Na Rua das Sirenes, os doze magníficos apóstolos da cerveja estão reunidos no sítio do pau. Um pequeno largo de terra que chega e sobra para receber os amáveis bebedores. O número tende a aumentar, mas não consegue ultrapassar as noites, porque estas são eternas, eles não. O nome de sítio do pau surgiu devido ao que sobrou de uma árvore, apenas o tronco. Como os ramos incomodavam os vizinhos, optou-se pelo mais fácil, o corte, a destruição. Mais uma noite será consumida. Chegam as primeiras cervejas.
- Senhora traga mais uma dose, esta noite está muito quente. – Pediu o Vodka.
O Almirante chega sempre com a camisa solta. Os três primeiros botões são esquecidos, como se não existissem. O Vodka chama-lhe a atenção com o olhar. Ele encolhe os ombros e diz:
- Não liguem, estou de acordo com a actual conjuntura.
Bebe uma cerveja, sente-se satisfeito e prossegue:
- Já bebi uns bons uísques, acho que estou com os copos. Daqui a pouco estaremos todos bêbados neste campo de concentração do Pauauschwitz. Os campos de concentração onde as pessoas morrem à fome ainda não acabaram. Pelo contrário, aumentaram. Estão espalhados por todo o mundo. O seu comandante é o Presidente das Nações. Não queremos mais campos de concentração. A hipocrisia não tem limites. Milhões de esfomeados a morrerem à fome em todo o mundo. Isto não é campos da morte? Não é o ressuscitar da solução final nazi? Exterminar pela fome as raças inferiores, e proclamar a raça superior, não se nota nenhuma diferença. Tive o cuidado de prevenir. Estamos bêbados porque não temos Liberdade.
- Boa noite Almirante.
- Boa noite Liberdade… deixa-me acabar.
- Como dizia… uma imagem abre-nos o caminho para todas as outras. O que distingue as cores de duas ou mais pessoas são os nossos olhos. Se o nosso cérebro visse uma só cor, não existiriam raças. Se visse tudo escuro, não conseguiria distinguir a noite do dia. Se visse tudo claro, não conseguiria distinguir a noite. E ao surgir um grande incêndio numa noite muito escura, não distinguiria a cor das chamas. Morreriam todos, os claros e os escuros. A palavra Deus aqui é proibida. Assim acaba de falar o Almirante Zaratustra.
- Que poder de retórica, tão eloquente é este nosso amigo. – Elogiou a Liberdade.
- A nossa melhor amiga é a bebida. VIVA A NOSSA LIBERDADE! – Acrescentou o Almirante.
O Vodka e o Almirante olham com reprovação para alguém que se aproxima.
- Pronto, está tudo estragado, chegou a merda do Poeta. – Disse o Vodka.
O Poeta com a inspiração das cervejas escreveu alguma poesia. Começa a gritar:
- Isto é para a minha querida Liberdade.
A sua cor quase escura (chocolate) / melhor que a noite/ como luzes nela perdidas/
Contudo dia e noite/ mostra-me sempre a beleza/ Tenta falar-me/ e mostrá-la/ mas não consigo encontrar/ a luz clara das suas noites/ e entra-me sempre com a sua beleza/ Caminha sempre na minha direcção/ fico sempre com receio/ das tempestades/ porque ela vem sempre abrigar-se/ e mostra-me a sua beleza/ melhor que a claridade/ das noites
Apenas uma pessoa bate palmas. É a Liberdade. Nota-se algum mal-estar nos presentes.
- Gostei muito meu querido Poeta. – Disse a Liberdade.
- Ainda não acabei, tenho mais. – Lamentou o Poeta.
- Nós também gostámos, mas preferimos a poesia arrebatadora da cerveja. – Disse o Almirante.
- Só faltam o Trovador e o Filósofo. – Lembrou-se o Vodka.
- Parece que adivinham, acabam de chegar. – Anunciou a Liberdade.
- Boa noite meus senhores e preciosa Liberdade. – Cumprimentou o Trovador.
- Muito tempo ausente. – Lamentou o Almirante.
- Andei em campanha pelas províncias. Trovei muito. As pessoas riram bastante e perguntaram donde é que este maluco saiu. - Historiou o Trovador.
- A tocares com um alaúde parece que viestes de outro mundo. Aqui ninguém liga a essas coisas. - Esclareceu o Almirante.
Deixem-me cumprimentar o que resta da nossa Liberdade. – Pediu o Filósofo.
- Estão sempre a pensar em mim. – Entristeceu-se a Liberdade.
- Estou a referir-me à cerveja. – Elucidou o Filósofo.
Este pega numa cerveja e quase a acaba. Fica pensativo, claro, e diz:
- É estranho. Quanto mais dialogamos com a Liberdade, mais nos sentimos sós. Quanto mais entramos no seu mais profundo, menos a compreendemos. Será por ser feminina?
- Apesar de ela ser bela, mostrar a sua beleza e isso é indiscutível. – Acrescentou o Almirante.
- É sempre bela como a noite que chega e depois se desvanece. – Continuou o Filósofo.
- Quanto mais trabalham a sua beleza mais desgraça nos trazem. – Ajudou o Vodka.
- Nunca consegui perceber porque é que ela aprecia aparecer no brilho da noite. – Intrigou-se o Almirante.
- Gosta da noite quanto mais escura melhor, não sei bem porquê. – Filosofou o Filósofo.
- Mulher sem usar perfume não tem valor. Trovou o Trovador.
A Liberdade observava os seus companheiros enquanto bebia uns copos. Disse:
- Parece que sou a única pessoa que existe. Não se cansam de falar de mim.
- És uma Liberdade muito oprimida. – Disparatou o Filósofo.
- Opressores são os seres humanos. Terão todo o tempo que vos prometi. Aguardem que lhes mostrarei toda a verdade. Terão toda a verdade que procurais. Aguardem que conhecerão tudo. Todas as pessoas que encontrarem serão aquelas que lhes envio, para lhes ajudarem a conhecerem a verdade. Não as desdenhem, elas são os meus anjos disfarçados de pessoas vulgares. O mais importante na nossa vida é conhecer a alma das pessoas.
Ouve-se o som agradável do alaúde do trovador. Apresenta-se mais um apóstolo.
- Boa noite divinos apóstolos!
- Boa noite ó Branco. – Cumprimentaram em uníssono.
- Pago uma caixa de cerveja! – Prometeu o Branco.
- Isso é bom para clarear as nossas ideias. – Afirmou o Almirante.
- Estou de acordo, até porque as pessoas despertam-me sentimentos desconhecidos. – Disse o Branco.
- Só faltava a aula de retórica. – Aborreceu-se o Vodka.
Imagem: minhavidanaarte.spaceblog.com.br

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Alguns respigos do nosso jornalismo


Assim vão os nossos locutores/jornalistas
No noticiário da LAC das dezanove horas do dia 1 de Dezembro:
«Deslizamento de terras na Indonésia devido às chuvas… a sul da Somália.» Creio que o nosso locutor/jornalista queria referir-se à ilha de Sumatra.

Intimidação no registo eleitoral e voto?
Um jornalista militante da Angop faz a sua propaganda eleitoral:
«Quem não se registar e quem não votar, vai-se arrepender, sofrerá as consequências.»

Jornalismo cómico.
«Depois da manutenção, o segundo gerador entrará em funcionamento neste mês de Dezembro.» In RNA

Para terminar mais um devaneio de um dos nossos governantes na RNA:
«O milhão de casas, não foi possível a sua construção devido à conjuntura económica mundial desfavorável.» Bento Souto, director do gabinete da requalificação dos bairros Cazenga e Sambizanga.»
Pobres bairros, descartáveis (?) pois que a conjuntura económica mundial está-nos cada vez mais muito desfavorável.



O Senhor dos geradores


Nunca espero nada de um soldado que pensa. Bernard Shaw (1856-1950)
E de Malthus (1766-1834) que "os pobres vivem do esbanjamento dos ricos".
A criação do céu e da terra e de tudo o que neles se contém
No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã o dia primeiro. In Génesis, 1,2,3,4 e 5.
E o Senhor dos geradores compreendeu a mensagem bíblica, que por sinal não é assim tão difícil, tão ocultista, tão para estudo como os leigos apostam. E vai daí, na sua mente fez-se luz. E sentindo-se que descobriu algo de novo na Bíblia, é sempre assim, como um enviado de Deus, que com Ele têm visões maravilhosas, veio-lhe uma ideia incrível, própria de grandes chefes, grandes líderes, sábios condutores de povos. E como uma centelha divina, mais uma, que lhe penetrou, iluminou no âmago do seu pensamento, eis que a verdade, mais uma vez, emergiu à superfície como talvez alguém em risco de afogamento e que conseguiu salvar-se por milagre, e de imediato chamando os permanentes publicadores de decretos, decretou-lhes: «Finalmente, descobri o modo mais simples e eficaz de iluminar a nossa pátria e a nossa população e demais comunidades… vamos importar geradores aos milhares, aos milhões. Apressem-se na criação das empresas nacionais necessárias, as do costume, e mandem carregar navios, aviões, os oceanos com geradores. A questão da energia eléctrica está definitivamente sanada. Se todos os problemas fossem como este, viveríamos no Universo em paz, em felicidade. Com geradores instalados nos terraços, nas varandas, no interior dos prédios, nas ruas, em todos os cantos e fora deles, a felicidade do nosso povo está garantida. Vendam-nos a crédito porque as eleições aproximam-se. Decreto que a partir desta data a felicidade e harmonia do nosso povo são um facto.»
E o PIB cresceu tremendamente, com a venda dos geradores, claro. Atingiu-se o que há muito se procurava em vão, o desenvolvimento económico e social. E todos os povos do mundo nos copiaram. Abandonaram os métodos tradicionais de energia eléctrica e vá de rompante para os geradores. Vivam os geradores e os seus mentores. Avante, povos de todo o mundo!
É evidente que estes gloriosos pressupostos não duraram, aguentaram muito, porque o que no princípio está errado, no fim sai erradíssimo, isto é, as habituais situações catastróficas dos erros crassos da governação, que só pensa no ambiente político e na corrupção a seu proveito. O sonho desmoronou-se porque eram incêndios, mortes e destruições constantes por todo lado. Nem ao menos se lembraram, parece que o mais importante dos governos é incendiarem as suas populações, da poluição porque o que interessa é vender, vender, morra quem morrer.
Pelos vistos desconhecem o fenómeno humano. O que por aqui se passa é a mais pura originalidade e naturalidade dos sentimentos humanos visíveis em todas as latitudes, longitudes, na terra, mar e ar. Quem não se sente humano, ou ainda não o descobriu, então que se ponha em debandada, isto é, estratégica retirada.
Há homens que fingem lutar pela democracia, e por isso mesmo se perdem nas nuvens e ninguém mais os encontra. Mas, pelo contrário, há homens que lutam, manifestam-se abertamente contra as ditaduras e nos abrem as portas da Democracia e da Liberdade. O seu lugar no Panteão da História da Democracia está assegurado, conquistado. Sem democracia e liberdade jamais haverá paz.
E o Senhor dos geradores encaminha-nos para o único degrau da escada partida, que ele partiu, que nos resta, o grande tombo final do catálogo da irreversibilidade do tempo.
Não necessitamos de políticos, podemos e devemos seguir o nosso futuro sem intermediários. Já viram os gastos para manter a classe política? Como se fossem sacerdotes das mais de mil e uma religiões que aqui fazem morada e dela não querem sair porque são os intermediários entre o Poder e Deus. O povo tem que decidir o seu rumo certo, e não caminhar no incerto rumo dos abutres.
E a campanha publicitária que o Regime faz a William Tonet, catapulta-o facilmente para se candidatar à Presidência da República, e além disso, se ele decide pela criação de um partido político, imaginem os estragos, isto é, a reviravolta que a política angolana ganhará.
Não há nenhum argumento que justifique a permanência no poder de quase quarenta anos. São inimagináveis os estragos causados nos nossos intelectos. Estamos parados, bloqueados no tempo da informação tal como o Club-K e o Angola24horas, sem saída para nenhum local, apenas a forçada, desesperada nomenclatura que estrebucha, sente no chão algo fugir-lhe, o desespero. Presos num túnel do tempo, num temporal sem bibliotecas inauguradas. É impossível manter por tempo indeterminado uma sociedade sob tensão política e social permanente. O seu motor explode, é inevitável. E nós como que ficamos, como que continuamos na selva?
E o futuro da Nação, o exército da prostituição infantil avança pelas ruas ainda não libertas da corrupção. Para quem não saiba, ou não se lembre, a corrupção extrema é a mãe do pai da corrupção. Um casamento perfeito.
E se a oposição o povo quer conquistar no seu seio deve morar, estar. Montem delegações em tendas à Zango, no centro, no interior dos bairros, no âmago da miséria. Então, todos os santos (?) dias centenas, milhares de factos políticos acontecem. É isto a democracia. Mais, na democracia as palavras de pouco valem sem acções, mas quando elas mostram factos então tornam-se muito valiosas. No fundo, é isto que faz a democracia acontecer, viver.
O que complica a vida é a complexidade e a bestialidade de alguns seres humanos. No fundo, não esquecer que ainda somos os animais há pouco saídos das cavernas, na verdadeira acepção da palavra. Basta olharmo-nos num espelho quando nos iramos.
Mais um plano diabólico do nosso poder das trevas? Sem energia eléctrica para acabar com a oposição e entregar mais ainda de bandeja Angola ao imperialismo chinês, ao subimperialismo brasileiro e safar Portugal e os portugueses da bancarrota? É o anátema do rebentar com tudo? As empresas mwangolés não resistirão a mais este diabólico plano de arrasar os que tentam salvar-se da hecatombe da centralidade leninista.
Os amantes do imperialismo interno não desarmam e utilizam o seu principal braço armado, os apagões, para destruírem as inúmeras conquistas obtidas com gigantescos esforços, isto é, sem pão, sem água, sem luz, sem mandioca, sem batata-doce, sem milho… SEM NADA!
Os nossos seguidores do imperialismo, catalogados como o inimigo número um de todos os tempos, o Nero da Humanidade, ousam como lhes é peculiar destruir, derrubar, dezenas e dezenas de postes de alta tensão que, mesmo com o esforço abnegado de todos, demorarão pelo menos metade de um ano, até Dezembro, se eles não os voltarem a destruir, e como são teimosos, não duvidamos que o façam. Vejam os enormes sacrifícios que esta Pátria bem-fadada tem que consentir para que um dia alcancemos a paz, a prosperidade e a felicidade do nosso povo. Não, não, felizmente não estamos sozinhos. Os povos amantes da paz e da liberdade prosseguem no auxílio generoso do internacionalismo proletário. Prova disso é o apoio que a classe operária e os seus partidos de vanguarda e os seus povos, que numa invasão popular internacionalista já quase cobrem toda a extensão da nossa querida Pátria. Eles são a nossa retaguarda segura, a nossa protecção no caso de alguma tentativa de golpe de Estado contra a nossa jovem Nação popular, como essas oposições que andam para aí disfarçadas de partidos políticos. Eles são os guardiães da nossa revolução. Não tentem mais uma vez oprimir-nos, ou verão a força descomunal de um partido comunista da classe operária em acção.
Vamos fazer mais uma manifestação de apoio ao nosso querido partido e seus santos líderes, os guardiões dos cofres da nossa jovem democracia popular.
E louvemos e glorifiquemos as mensagens das imagens do amor. Sem ele não subsistiremos, nada faremos e nesta Angola não venceremos. Deixem-se possuir pelo amor porque ele é sempre o vencedor. Amem as nossas mulheres e, sobretudo, amem-se.
Há um falso amor que usa tentáculos para nos prender, arrebatar. Quando mais tarde descobrimos o logro, sentimo-nos imensamente infelizes. Por isso, ama o amor, e não os seus tentáculos.
Em todos os momentos se desvendam perante os nossos olhos os segredos das mutações constantes que originam a vida. Tudo é composto de mutações, mas o amor não, é imutável.
Nos muros do amor as chamas dos desejos acorrentados invadem as nossas almas e os nossos corações sedentos, nunca saciados de amor.
A vida parou, abandonou-nos e o amor também. Para quê tecer considerações supérfluas, se o amor perdido jamais volta, jamais se reencontra.
Por todo o lado se vê o desespero daquilo em que acreditámos durante as aspirações das nossas vidas. Até no amor que não nos deixou sobras.
Oh! Como são vitalícios os inenarráveis caminhos, esconderijos do amor. Assim como as plantas crescem e florescem, assim o amar o amor se rejuvenesce.
Mulher angolana, minha deusa. A tua beleza arrasta-me até aos confins do Universo. Mas prefiro ficar contigo nos meus braços e nos limites da nossa amada terra.