sexta-feira, 10 de março de 2017

ENGOLIR SAPOS, COBRAS E LAGARTOS



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

O exílio da oposição é o marasmo, como se fosse trapaça política, engolir mais sapos porque se passou para o plano B, engolir cobras e lagartos.
Não votem na morte!
Um mais velho que há muitos anos não via, só de vez em quando lhe acenava ao longe, encontrámo-nos na rua, parámos, abraçámo-nos e sai conversa interminável. A dado momento confidenciou-me que se as coisas continuarem assim, piorarem, com o M a castigar com miséria e fome os seus que lhe apoiaram e apoiam, (?) desta vez a guerra não será como antes contra a Fnla e a Unita, a guerra será Mpla contra Mpla.
A Fnla e o BD vão para a extinção? Ou não?
No Francisco do chourição, os polícias lhe apanharam outra vez ali no poiso do empreendedorismo dele. Carregaram com ele e com os seus chourições e mortadelas, convidaram-no (?) a subir para a viatura policial, andaram e um pouco mais à frente pararam, exigiram-lhe três mil kwanzas, o desgraçado só tinha mil, conseguiu que lhe emprestassem os outros dois num amigo também vendedor de rua, e safou-se, isto é, danou-se mais uma vez como se estivesse num país desconhecido.
Sonhei com um albergue de crianças onde a todas lhes faltava um braço. Como olhava fixamente para uma delas, a criança explicou-me com gestos que ficou sem o braço devido a brincadeiras violentas de torcer os braços até partir. E que isso aconteceu também às outras crianças.
A grande descoberta de um muangolé: mulher angolana não dá nada, é só para satisfazer apetites sexuais.
Para o partido no poder perder apoiantes é irrelevante, mas para a oposição perdê-los fica como erros irreparáveis.
Não vou conseguir pescar porque só consegui a cana de pesca, anzóis não há, é um sonho, pelo que tudo o que o governo e oposição prometem, é mais um fracasso, um corpo sem cabeça.
Esse Deus que deixa morrer milhões de crianças, pois são inocentes, “deixai vir a mim as crianças”, ceifadas pela fome e de outros crimes, esse Deus é um demónio.
Uma das coisas mais anedóticas que vi na minha vida, foi e é, políticos invocarem o nome de Deus. É arrepiante porque não lhes sai do coração, sai-lhes da boca como o veneno das serpentes.
Esta cidade está infestada de criminosos impunes, como é o caso do fumo do gerador mesmo a chegar ao largo do Zé Pirão para quem vem da baixa. Está num terraço de um primeiro andar, mas aquilo é um recorde de fumo, outra das maravilhas de Angola.
Miséria moral e social, por e dispor da vida como se fosse um jogo da morte. Diretora da cadeia feminina de Viana ordenou a uma reclusa que abortasse de uma gravidez de dois meses. (In programa IN, Rádio Despertar, 24/02/17.
Abandonando o espírito de solidariedade e prevalecendo a hipocrisia, com isto não é possível oposição. Fica um bando de cantores de vozes distorcidas, como cordas de violas desafinadas. Um jogo de futebol sem árbitro, uma grande pândega. 
Isto não está difícil, os corruptos é que fizeram isto difícil, e no fim ficará impossível. Fome e mais fome, mas para eles sempre fácil porque o que resta do dinheiro está em poder deles.
Que mãe é esta que gasta o dinheiro na cerveja com a amiga, e manda os seus filhos ainda crianças para a escola com pão e água. Mãe não é certamente, é mais uma demente.
E todos os literatos do petróleo serão esquecidos.
E o que se tornou anormal… é normal.
Basta ficar um bocado a observar quem passa na rua, e é com cada cena de miséria de partir o coração. É o anunciar da solução final da grande fome que se avizinha.
Onde eu me vim meter… nas garras do demónio.
Para aqueles e aquelas que merecem o inferno, não se preocupem que ele depressa chegará, e o abraço da morte lhes dará.
O fim à vista? Parece que sim, senão vejamos: armazéns que faturam sessenta milhões de kwanzas, depositam-nos no banco, como não há divisas vão ao banco levantá-los para comprarem mercadorias locais e safarem o negócio, mas o banco apenas lhes deixa levantar dois milhões de kwanzas. Uma embaixada está em vias de enviar as divisas dos seus trabalhadores para a Namíbia, porque os bancos não estão confiáveis. Segundo a Rádio Despertar, em Cabinda os trabalhadores vão ficar sem os salários do mês de Março para apoio da campanha eleitoral do M.
Na Rádio Ecclesia, as doenças no hospital dos Cajueiros: em primeiro lugar está a malária. Em segundo, as doenças respiratórias e em terceiro lugar os traumatismos devido a acidentes de viação e agressões físicas. 
Mas, o que fazer de um país devastado por alcoólicos e alcoólicas? Nada! Absolutamente nada?!
Creio, ou receio estar fortemente convicto, que os bajuladores aniquilaram Angola e os angolanos.
Manos e manas! Isto não tem nada para pensar, porque sem divisas não há importações. Sem importações não há kwanzas. E sem kwanzas é o colapso, e no colapso é a fome. Não há organização, só existe depauperação. A economia está no exilio. Angola está no exilio, tudo e todos no exilio. A orquestra da gestão desafinada no seu percurso itinerante dá o concerto de finados. Pode-se afirmar sem receio de errar, parafraseando Winston Churchill (1874-1965) que “nunca tão poucos idiotas governaram milhões de idiotas.” Eis a lição que falta nos anais da boa gestão: gerir um país é torturar a sua população.
Manos e manas, o colapso económico saúda-vos!
Miséria e fome é a palavra de ordem.
Na VOA, sobre a sobreposição de poderes de Bornito de Sousa, ministro da Administração Interna: “Parece que vamos ter cinquenta minutos difíceis de comunicação com Angola, estamos com dificuldades em ligar.” (João Santa Rita no Angola Fala Só.) Um ouvinte: “Um cão não pode levar dois ossos porque um cai.”
Entretanto, na manifestação de sexta-feira 24/02/17, dos jovens que exigiam a demissão de Bornito de Sousa, no largo Primeiro de Maio em Luanda, alguns foram mordidos por cães. Viram-se muito aflitos na procura de vacinas contra a raiva, porque estão difíceis de encontrar.
Amantes da paz e da liberdade? Não! Amantes da miséria e da fome, sim!
A economia está nos cuidados intensivos, de prognóstico médico muito reservado. Gravemente doente, sem melhoras, não se vai salvar.
Abandonados neste mar impiedoso, num barco desgovernado atraído para as rochas pontiagudas da margem adversa, o barco se desfará nas rochas e os náufragos não resistirão, totalmente indefesos sucumbirão. É esta a sorte que espera os povos que confiaram os seus destinos a uma governação que se dizia de libertação. Angola é um mar de escolhos, que rapidamente se transforma num areal de parentesco dantesco. Quem nos libertou ainda não o fez, a nossa esperança desfez.
Já a fome se exacerba, mas isso pouco ou nenhuma importância tem, porque verdade seja dita, isso não interessa a ninguém.