quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

República de Angola & Odebrecht, Sarl. Voltaire Ngola


Era um Regime muito confuso
se era uma ditadura, ninguém sabia
também não era uma democracia
porque muita gente fingia
Não era ditadura nem democracia
então o que seria?
era uma fraude, isso, toda a gente
já sabia

E o Senhor das Trevas disse:
faça-se escuridão
e houve um grande apagão
que por Luanda se adensou
e por Angola se espalhou
e o Senhor das Trevas
se contentou

O serviço na fraude eleitoral?
e o dos descarados 32 biliões?
não, ainda não chegam
para tantos ladrões
Vamos roubar mais
bem pregados aqui
mexe-te, a corrupção
precisa de ti

Que Deus abençoe
os nossos corruptos
que seria de Angola
sem eles, tão astutos
E das centralidades
das tendas da Tchavola
penitenciem-se corruptos
da venda a retalhos de Angola
porque depois não conseguirão
para onde vão, na prisão

Havemos de voltar
e água podre acarretar
quanto mais tempo no poder
mais desgraças vamos ter

E tem cubano em Benguela
e na mwangolé surrar, surrar
ela levou 23 pontos na cabeça
e quantos mais vai apanhar?
E o cubano vangloria-se
que muitos negros já matou
e que a polícia não lhe faz nada
afinal, Angola ele herdou?

E as manas para conseguirem
trabalhar
o pénis do patrão estrangeiro
têm que chupar

Têm um hino, uma bandeira
e um rei há muito residente
que nos mente
têm petróleo de sangue, diamantes
e muitas amantes
Têm campos de concentração
onde não se joga à bola
têm um muro de lamentação
na Tchavola
Imagem: escola no Lubango, Angola. João Sttatmiller

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (07) Segui as instruções enviando inicialmente 250 cópias pelo correio e o dinheiro começou a chegar!


Após lê-la várias vezes para ter absoluta certeza de que estava lendo correctamente, não pude acreditar no que meus olhos viam. Diante de mim estava uma FANTÁSTICA MÁQUINA DE FAZER DINHEIRO, não para me esbanjar nele, mas para eu quitar as minhas dívidas e poder prover as necessidades materiais de minha família e o mais importante, dizimar e ofertar a Deus, conforme Ele merece.
Eu poderia investir quanto eu quisesse para começar, sem me endividar mais ainda. Após o papel e caneta e fazer os cálculos, conclui que teria no mínimo meu dinheiro de volta. Por que não? Pior do que eu estava não poderia ficar. Segui as instruções enviando inicialmente 250 cópias pelo correio e o dinheiro começou a chegar! Vagarosamente no início. Mas, após três semanas eu estava recebendo bem mais do que eu imaginava. Após três meses o dinheiro parou de chegar. Fiz um levantamento com os extractos bancários e, realmente, totalizava em R$ 598.494,00 (quinhentos e noventa e oito mil quatrocentos e noventa e quatro reais).
Abaixo você verá os cálculos desta grande realidade que mudou a minha vida.
Paguei minhas dívidas. Comprei um carro e uma bela casa. Logo a seguir mandei mais mil cartas. Em três meses recebi R$ 2.649.180,00 (dois milhões seiscentos e quarenta e nove mil cento e oitenta reais. (Com parte deste dinheiro consegui implantar uma escolinha para crianças carentes e também comprar um sítio, onde realizamos festividades e convenções.
Por favor, leia atentamente este programa, ele poderá mudar a sua vida PARA SEMPRE!!! (Não dependemos da sorte como nas lotarias ou raspadinhas). Lembre-se disso: Ele não funcionará se não colocarmos em prática.
Esta é a GRANDE OPORTUNIDADE de sua vida. Com pouquíssimo custo, você e sua família poderão desfrutar de um futuro próspero, financeiramente. SIGA EXACTAMENTE O PROGRAMA e você estará no caminho de sua independência.
Se você está com problemas financeiros, esta é a sua hora. A crise e o desemprego estão aí e você certamente é afectado. Não deixe esta oportunidade única e honesta passar. Junte-se a nós! Siga as instruções abaixo e que Jeová, o deus de Abraão, de Isaque e de Israel (que foram abundantemente prósperos), o Criador Supremo do Universo LHE ABENÇOE!!!
COMO FUNCIONA ESTE PROGRAMA?
1. Para participar é muito fácil, o 1º passo é você ter R$ 6,00 (seis reais) e enviar a seis pessoas, ou seja: você depositará R$ 1,00 (um real) para cada uma das seis pessoas, cujos nomes e contas correntes ou poupanças, se encontram no final desta carta;
2. Você irá mandar o dinheiro da seguinte forma: na lista que segue anexa com os nomes de cada uma das seis pessoas, acompanhada do nome do banco, da agência, da conta corrente ou conta poupança de qualquer rede bancária, e depositar a quantia para as pessoas que estão na lista: o valor simbólico de R$ 1,00 (um real) para cada conta.
3. Após depositar R$ 1,00 (um real) para cada uma das seis pessoas, digitar a nova lista de seis pessoas participantes, só que nessa nova lista você deverá tirar o nome da pessoa que está na primeira posição, coloque seu nome e sua conta corrente ou conta poupança na sexta posição para que você também participe do programa (é de extrema importância respeitar essa sequência para que dê tudo certo) e usufruir deste negócio abençoado por Deus. Esta lista tem que ser feita sem conter erros para que todos possam ganhar. Não mude a posição dos nomes, não tente colocar o seu nome em lugar diferente, pois não funcionará, haja vista que seu nome tem que percorrer da sexta posição até à primeira para que você receba tudo o que o programa oferece. Se você não agir com honestidade e de acordo com as instruções, perderá seu dinheiro, seu tempo, seu trabalho e a chance de ganhar R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) ou mais.
4. Com a nova lista pronta, com seu nome incluso, junte à carta e mande 250 (duzentos) e cinquenta cópias, ou mais se desejar. Este trabalho pode ser feito em gráficas, no computador ou tirar xérox, você pode também enviar por e-mail para seus amigos cristãos, por que só cristãos? Porque são pessoas que você sabe que são honestas e que irão repassar o programa de forma correcta, e esse dinheiro é para que também você possa contribuir com a Obra de Deus. “Porque nós somos cooperadores de Deus: vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” (1 Coríntios 3.9). O infiel não dá suas primícias a favor da Obra Dele. Todas as cópias precisam ser bem feitas e legíveis, pois as pessoas que receberão a carta vão fazer cópias também e quanto mais cópias você enviar melhor será o resultado.
5. Pegue 250 (duzentos e cinquenta) nomes e endereços, ou mais, podem ser de amigos, parentes, vizinhos, de qualquer cidade ou estado, ou numa mala directa, ou divulgadores de e-mail específicos (www.divulgamail.vze.com).
6. Com as cartas prontas, é só colocar no envelope, endereçar, colar ou selar com um selo simples. Enviar via correio, ou enviar por e-mail, ou ainda, entregar em mãos em eventos gospel, congressos, saída de cultos. Dentro de noventa dias você receberá garantido R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), desde que as cópias superem a 250 (duzentos e cinquenta). OBS: você poderia receber o dinheiro via ECT (correios) mas não é seguro, pois haverá muito contacto manual e é demorado, até chegar a suas mãos. Sem contar com o trabalho que terá com volume de dinheiro, de ir até ao banco fazer o depósito diariamente de variadas quantias. Enquanto que as pessoas que aderirem a este programa, farão somente SEIS DEPÓSITOS de R$ 1,00 (um real) em cada conta que será creditado automaticamente em sua conta bancária e nas outras cinco contas constantes na carta. Faça seu depósito pelo AUTO-ATENDIMENTO evitando filas e tumulto, com mais segurança e rapidez, para seu conforto. E mais, você dará a essas pessoas a mesma oportunidade que você está tendo nesse momento, pense bem nisso! Tenha certeza, o sucesso deste programa é garantido desde que seguido correctamente. Só depende de você. Este programa não é pirâmide não é cédulas e nem corrente, muito menos marketing pessoal.
Muitas pessoas ao receberem não entenderão o programa, mas é apenas uma ajuda mútua entre os irmãos cristãos, R$ 1,00 (um real) semeado na vida de seis irmãos, irá se multiplicar, pois o povo de Deus é um povo próspero, e tem que ajudar um ao outro. Não desista se algumas pessoas não aceitarem. O sucesso depende de você. Façamos os cálculos e vejamos o quanto você, outras pessoas e eu poderão semear R$ 6,00 (seis reais), as despesas das cópias, dos envelopes e dos selos simples postais com 250 (duzentos e cinquenta) cópias, serão ressarcidas. SIGA O RACIOCÍNIO. Digamos que você tenha, por exemplo, 3% de retorno das cartas recebidas, o que é uma estimativa bastante conservadora. Nas minhas duas tentativas eu tive bem mais de 3% de retorno:
1. Quando são enviadas 250 cartas, 3% de retorno das cartas recebidas tem resultado certo e garantido;
2. Essas 6 pessoas enviam 250 cartas cada uma e 52 pessoas depositam para você R$ 1,00 cada;
3. Essas 52 pessoas enviam 250 cartas cada uma e 390 pessoas depositam para você R$ 1,00 cada;
4. Essas 390 pessoas enviam 250 cartas cada uma e 2.925 pessoas depositam R$ 1,00 cada;
5. Essas 2.925 pessoas enviam 250 cartas cada uma e 21.937 pessoas depositam para você R$ 1,00 cada;
6. Essas 21.937 pessoas enviam 250 cartas cada uma e 164.527 pessoas depositam para você R$ 1,00 cada.
7. Neste ponto o seu nome sairá da lista, mas você recebeu somado, R$ 189.838,00 (cento e oitenta e nove mil oitocentos e trinta e oito reais). Isto funciona sempre, mas depende de quantas cartas você envia. No exemplo acima, você enviou 250 cartas, mas se enviar 500 e apenas 3% der retorno, você receberá R$ 379.676,00 (trezentos e setenta e nove mil seiscentos e setenta e seis reais)!!!
QUERO LHE DAR DEZ RAZÕES PARA VOCÊ PARTICIPAR DESTE FABULOSO E ABENÇAODO PROGRAMA DE AJUDA MÚTUA ENTRE IRMÃOS.
1. Este programa não é uma lotaria ou espécie de jogo, é uma ajuda mútua entre irmãos em Cristo.
2. É um programa honesto, que não existe chefe ou director, todos os participantes são responsáveis pelo sucesso do sistema.
Perante Deus, é justificável, pois não estamos prejudicando, não estamos enganando, nem ludibriando, nem usurpando a ninguém, nem é câmbio negro, pois estamos utilizando gráficas, e até órgãos como bancos e a ECT (correios) e tudo é feito de forma explícita, nada às escuras, pois esta obra é boa, por isso, veio para a luz para que seja aprovada pelos irmãos cristãos. E todos os impostos inclusos nas transacções habilitam o programa. E é claro, é uma forma dos irmãos se ajudarem. “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hebreus. 10.24).
Imagem: Grande calor! (6). Cerca de 40° lá fora!!! Nestas alturas o espírito tende a ...
samuel-cantigueiro.blogspot.com

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Isto é uma guerra


Enquanto a Europa já navega num bote salva-vidas, os restantes países do mundo parece marimbarem-se, como se o incêndio financeiro não os afectasse.
Entretanto, continua a imposição da invenção dos impostos sobre impostos à população que definha abandonada aos abutres financeiros.
Só às populações se exigem sacrifícios, mas ao contrário, os banqueiros, os poderosos, os ricos e muito ricos, recusam-se ao pagamento de tudo que lhes cheire a impostos.
Isto é uma guerra!

domingo, 15 de janeiro de 2012

A fonte da eterna beleza do amor




E da fonte escorria a beleza do eterno amor. E os jasmims-dos-poetas lhe rodeavam mas nunca a alvoroçavam. No ar sentia-se - ou ouvia-se? – o perfume jasmináceo que insistia, confundia, a memória colectiva dos nossos sentidos do amor. E uma borboleta-azul de voo indeciso, ora subia, ora descia, parecendo que ia poisar, mas não, só desejava voar. E por algum tempo os raios solares perfuravam os interstícios verdes e projectavam, revelavam a magia dos seus focos luminosos. E o sussurro monótono da água que escorria, não… se movia, atraía-nos as profundezas neuronais. Era o Universo da beleza da realeza da profundeza do amor. Por vezes no cenário parecia ouvirem-se vozes de crianças, o que fazia com que o nosso espírito se despistasse, porque queríamos regressar à realidade mas não conseguíamos. Um casal de beija-flores aproxima-se a trinar como que a anunciar, eis que estamos a chegar. Um pequeno bagre deslizava num ponto mais fundo e analisava, experimentava as ofertas culinárias que estavam ao seu alcance.

E o céu escureceu, a natureza enobreceu, e o dia de tão escuro como que pereceu. Alguns pingos de água caídos nos nossos rostos obrigavam-nos a recordar, para o alto do céu olhar. Despertar-nos, que afinal por cima de nós existe algo, e que só nos lembramos disso quando a chuva beija os nossos corpos. E o acampamento dos jasmins-dos-poetas sentindo-se açoitado pelas vagas ventosas que recrudesciam teimosas, agitavam-se tenebrosas. Os pobres troncos suportavam as ramagens que nos movimentos ondulados frenéticos lembravam um navio em alto-mar boxeado pelas montanhas marítimas. E a ventania redobrou de força, já se ouviam os assobios da sua orquestração. A chuva subiu e o seu tom emitiu, como no Whole Lotta Love, dos Led Zeppelin.

E o amor esconde-se no segredo do silêncio dos lábios de uma mulher. Ela é o Universo e a sua reencarnação. Nada mais valioso existe à superfície terrena, logo, planetária, do que a profundeza do terno sorriso de uma mulher. E quando ela está presente tudo se desvanece. Ela é o presente de aniversário permanente da espécie humana.
Há quem lhe alugue por algum tempo o seu amor, mas ela quando nisso apercebida depressa lhe move uma acção de despejo do seu coração.
E a tragédia do puro amor em muito suplanta a do Titanic.
Há sempre alguém muito, muito famoso, mas que soçobra na solidão, porque lhe é impossível viver sem amor no coração.
Quando o olhar de uma mulher irradia a perenidade da fortaleza da sua intimidade, tudo ao seu redor se extasia, se alumia, porque está muito para além da mística do amor.
Quando contemplamos uma flor, deixamo-nos prender pelo seu ar cândido, atraente. É assim que funciona o amor.
Não deixemos o amor entregue à sua sorte
Dizem que existe algures uma cidade perdida do amor, e que todos os apaixonados sentem-se atraídos misteriosamente por ela. E vocês? Não desejam desvendar o mistério dessa cidade?

Amar é esperar serenamente que o mar finalmente se decida enviar Ulisses para a sua deusa do amor, Penélope.
E desejo que doravante todas as mulheres do mundo se chamem Penélope. E todos os homens, Ulisses.
Ela, a mulher, é, será, e para todo o sempre permanecerá, a fonte da eterna beleza do amor, onde os sedentos de amor nela se banharão, se apaixonarão, e o amor jamais trairão.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (08)


As coisas que mais adoro? Amar uma mulher - e como isso não é possível, porque elas não concordam com os meus preceitos, do entrega-te de alma e coração, com os meus dogmas, etc, bom, o que elas desejam é fazer amor, e do resto não querem saber, tão nem aí, e eu concordo, claro, quem discordar de uma mulher, parece-me, tem os dias de sexo contados – ver um bom filme, escutar música, de preferência medieval, e escrever. Isto, se o Regime assim o entender.
Porque é que em trinta e seis anos, os deuses que sabem julgar e condenar – a nossa vanguarda revolucionária é o único canino caminho a seguir, porque só ela sabe dirigir – nunca foram julgados e condenados?! Os corruptos estão sempre acima da Lei?!

Nunca te deixes arrastar na torrente das emoções, porque a tua mente explodirá em aflições, e ao teu redor cairão corações.

Não foi decretado, mas vale como lei. Tanto as madames, lordes e algumas tchavolas com algum estatuto social, são obrigadas a trabalharem de salto alto, e em algumas igrejas também. Assim, quando chegadas nas orlas das suas casas, descalçam-se, retiram os chinelos dos seus sacos, e respiram fundo pela tortura submetida.
Na verdade vos digo meus irmãos, que a África não passa de mais um vulgar paiol de armas e munições do governo comunista Tsin.

E os emboabas vêm para Jingola
trabalhar
e os tchavolas vão para Emboaba
passear
lá não há trabalho, é só
desempregar

Onde há muitos democratas de luxo, há pouca sabedoria, pouca democracia.
A tua vida é como o mar. Ora está calma, ora agitada. Mas tens que navegar, e o teu caminho encontrar.
E todos os dias são de revolução na tua mente. Acordas com essa mensagem mas não te dás conta disso.

Em Jingola existem apenas duas classes sociais, os Lordes e os Tchavolas. Os Lordes copiaram dos britânicos o seu título, vulgares imitadores de qualquer coisa. Um lorde descobriu um líquido escuro, que logo depois um outro lorde idiota usou-o como remédio, onde ajuramentava que curava todas as doenças, depois ainda outro lorde super idiota usou-o em motores de automóveis, inventando e desenvolvendo a poluição, a desgraça da humanidade.

O nosso rei há quase quarenta anos que nunca inaugurou uma biblioteca, por isso é cognominado: o homem que não inaugura bibliotecas. O homem é terrível, odeia literatura e ainda mais de quem a escreve.

Nas cadeias de Jingola, as crianças presas são obrigadas a manterem relações sexuais anais para conseguirem alimentação para não morrerem à fome.
Nós necessitamos de cemitérios para enterrarmos as multidões de andarilhos que fabricamos, e muito especialmente para nos livrarmos e também enterrarmos as nossas bibliotecas vivas. O mais importante é aniquilar o outro, o opositor, seja ele quem for, os habituais das forças ocultas que desvendam os nossos negócios. Sim, governar é negociar. E onde não há corrupção é impossível haver boa governação. Tudo se decompõe na corrupção. É que regressámos ao tempo dos eleitos de Deus. O governante máximo não pode governar sem a bênção Dele. O governante é uma extensão do braço de Deus no céu, e investido de plenos poderes nos povos terrenos, subjugados, obedientes e tementes ao iluminado governante pelo eterno poder divino.
A literatura é o maior inimigo da ditadura. Não é por acaso que qualquer que escreva bajulação, que enalteça os feitos do ditador, é de imediato acolhido e protegido no séquito real. Com cargo no poder garantido, membro da academia de letras real, nasce mais um poetastro. E multidões de poetas surgem, como grãos de pó.
Não é, não pode ser admissível que um déspota obrigue as populações à miséria extrema e permaneça eterno no poder. Esta é a verdade, a sujeição perante o silêncio da comunidade internacional, das ditaduras democráticas, essa triste coisa da democracia ocidental que finge que existimos, e das democracias africanas. Onde há petróleo há liberdade para negociar, mas ninguém pode manifestar a liberdade de se expressar.
E todos os meios de informação/desinformação têm que obedecer a uma só voz, outra que não alinhe, que não se ajoelhe mesmo com ofertas de malas cheias de dólares, são para liquidar/silenciar.
Aqui vive-se como num campo de batalha, em que todos vão perecendo e ninguém se preocupa com isso. São apenas vítimas da guerra constante, impagável.
E as ditaduras tornam-se interessantes porque os seus militantes afirmam que são os defensores insanáveis da democracia inexistente. E de tanta permanência no poder, instaura-se a inevitável idiotice e canalhice, que identificam o soberano do estado da coisificação. E o ditador mantêm-nos sempre na escravidão das suas perspectivas, sempre sem escrúpulos cumpridas. Palavra de ditador volta sempre atrás. Um país onde é impossível viver, até nos impõem poluição, para que não possamos respirar. E nunca existem empresas privadas, porque são sempre de âmbito pessoal. E esbanjam milhões de dólares em projectos de obras também de âmbito pessoal que nada significam para as populações. Quantos mais empreendimentos faraónicos, mais miséria as populações recebem em troca.
Regra geral o jingolano não assume compromisso, fruto do quase cinquentenário conjuntural, nem acredita em nada nem em ninguém. Por aqui se vê que é impossível a coexistência pacífica. Onde não há regras não há futuro. Basta ver o dia-a-dia pela sobrevivência das populações nas ruas. Vendem qualquer coisa, seja o que for para resistirem à opressão diária dos dignos representantes da lei.
É que os cérebros há muito que estão limitados, congestionados no tempo e no espaço, onde qualquer funcionário do palácio real tem direito a paralisar o trânsito habitualmente engarrafado, e pelo poder das suas sirenes avançam, e o povo: isto é deles!!! Bem-vindos ao reino onde só os membros da família real enriquecem.
O nosso destino está na pessoa amada. Antes disso, a nossa imaginação enche-se de fantasias, de maravilhas, e fantásticas portas abrem-se e mostram-nos os segredos das afinal outras dimensões que existem. Que o amor se liberte da prisão da nossa alma. Nele principia e acaba, se revela o segredo da vida. Vive e liberta a força do amor que em ti existe.

E os painéis gigantescos espalhados pelas ruas publicitam e enaltecem o júbilo democrático:
Aviso! Quem se manifestar vai apanhar!
Aviso! As manifestações estão suspensas indefinidamente!
Aviso! Só se aceitam manifestações do nosso movimento espontâneo!
Aviso! Só são consideradas válidas, as manifestações dos nossos comités de especialidade!
Aviso! A validade das manifestações tem que levar o visto do nosso comité superior da defesa da revolução.
Imagem: Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.Ambos existem;
meme.yahoo.com

continua

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (06)


A
Marina Paiva

- É pá! A Treze Anos está quase nua. – Observou com apetite o Vodka.
- O tecido já não chega para cobrir as pernas nuas e os seios das jovens. Mostrar a imensa nudez é o emprego que lhes resta. – Criticou o Almirante.
- Como uma sombra de tecido à volta do corpo. – Disse o Poeta.
Agora ouvem-se sirenes de motos da polícia de trânsito. – Alguém diz com sarcasmo:
- Deve ser algum embaixador.
- Hum... a esta hora deve ser o chefe numa visita privada. – Pensou o Vodka.
O Pragador acha que não:
- Quando o homem sai, não dá. Porra! Um gajo arrisca-se a levar um tiro nos cornos. Os seguranças não querem saber se é general, deputado, ou seja lá quem for. Já tomei uma decisão. Nos dias feriados ou outros iguais não saio, porque não quero morrer em vão.
O Presidente insiste nas suas citações:
- Em Dezembro de 1956, no manifesto da sua fundação, o MPLA vincava já a sua determinação de luta por todos os meios para a independência completa de Angola afirmando – o colonialismo não cairá sem luta. A luta que ainda travamos contra os lacaios do imperialismo que nesta ocasião se não nomeiam para não denegrir este momento singular da nossa história, integra-se no objectivo de expulsar os invasores estrangeiros que pretendem a neocolonização da nossa terra. Constitui deste modo preocupação fundamental do novo Estado libertar totalmente o nosso País e todo o nosso Povo da opressão estrangeira. In Agostinho Neto.11 De Novembro de 1975. Proclamação da independência.
- Acho que deve ser o tal empresário que foi procurar mais uns lucros. – Desconfiou o Vodka.
Uma garrafa de uísque já estava no cemitério. O Almirante abriu outra e dissertou:
- Primeiro o lucro, depois as pessoas. Mas o lucro está sempre em primeiro lugar, e as pessoas sempre no último. De tal modo que não há esperança para ninguém. A fome já não tem nome. As grandes empresas globalizadas substituíram Hitler. E como o mundo lhes pertence, quem poderá lutar contra elas? Aqui estão as verdadeiras origens do fanatismo terrorista. A democracia é muito bonita na Europa e nos EUA. Mas é horrível no resto do mundo. Impor a democracia ocidental na África Negra é um tremendo erro, dizem. Deviam impor, isso sim, a cultura dos quiabos, do jindungo, da mandioca, do amendoim, da castanha de caju, da jimboa, da farinha de milho, da banana assada, da casa de capim, enfim, da cultura da tanga e do arco e flecha. Isso é que é a verdadeira democracia da África Negra.
- Isso é uma grande batalha. – Achou o Vodka.
O Almirante aproveitou para dar uma lição de história:
- As batalhas, como a de Estalinegrado só acontecem uma vez na história. Jamais se repetirão. A não ser que exista alguém que confiante no seu poderio, ignore a história. Mas os factos históricos jamais se repetem, podem apenas ser coincidentes. Nunca se esqueçam de Estalinegrado.
- Não esquecer que se morria a lutar pelo marxismo-leninismo. – Não se esqueceu o Branco.
E o Almirante prossegue:
- E nós precisamos de heróis verdadeiros, não de heróis pré-fabricados ou descartáveis. Uma nação sem heróis não pode existir. Temos muitos heróis das maratonas alcoólicas. Temos que acabar com isso e criarmos monumentos aos nossos heróis. Aos verdadeiros intelectuais que inspirem a juventude a seguirem-lhes o exemplo. O tempo do herói a dar tiros já não tem nenhum significado. Isso pertence ao passado. Agora temos que pensar no futuro o mais rápido possível. Notem que estamos a entregar o país, ainda não é nação, aos estrangeiros. Temos que ter muito cuidado para que não criemos uma outra Somália.
O Presidente olha para o embondeiro.
- Os órgãos do Estado da República Popular de Angola guiar-se-ão pelas directrizes superiores do MPLA mantendo-se assegurada a primazia das estruturas do Movimento sobre as do Estado. Angola é um País subdesenvolvido. Devemos ter profunda consciência do significado deste facto. Os índices tradicionalmente usados para definir o subdesenvolvimento são plenamente confirmados em Angola. Eles dão a imagem da profunda miséria do Povo angolano. In Agostinho Neto.11 De Novembro de 1975. Proclamação da independência.
- Não sei quem é que vai conseguir conduzir o carro até a casa. O álcool não vai deixar. – Foi a preocupação do Branco.
- Quando bebo acho a condução óptima. Sinto-me mais seguro porque a estrada alarga-se. – Disse o experiente Hepatite.
- Eternamente bêbados. – Não duvidou o Vodka.
- O 4 de Fevereiro libertou-nos do colonialismo. Savimbi libertou-nos do comunismo. Agora falta alguém que nos liberte da fome. – Disse o Almirante.

- Onde moras? – Quis saber o Hepatite.
- Num campo de concentração aqui próximo.
- Procura por aí a ver se encontras algum nazi.
- Estamos em baixo. Precisamos de mais uma guerra para arranjar uns dinheiros. Comprar umas coisas para casa, não tenho mobília. Sou apenas um ser humano, ao qual não é permitido viver. Vivo com a fome. – Lamentou-se o Vodka.
- Se os governos governam mal e deixam morrer à fome o seu povo, então não servem para nada. – Criticou o Filósofo.
- Bom, mais um dia que está a findar. – Disse o Vodka.
Sim, e mais uma tragédia vai iniciar. – Previu o Filósofo.
- Sabem porque é que a Igreja era e é inimiga de Voltaire? – Perguntou o Almirante
- Não pagava os dízimos. – Respondeu o Filósofo.
- Oiçam isto:
Prezado irmão Almirante. Que a Graça e a Paz do nosso Senhor Jesus seja contigo.
Recebi por e-mail a carta abaixo, e, como estava necessitando captar recursos para terminar a construção de nosso templo e também precisava saldar algumas dívidas pessoais, ao receber a correspondência e depois de orar a analisar bem o conteúdo, prestando atenção nos detalhes, resolvi participar do programa cuja carta me fora enviada. Para minha surpresa e para a glória de Deus, 3 meses depois já tenho o suficiente para terminar a construção do nosso templo e para a honra e glória de Deus as minhas dívidas foram quitadas.
Percebi então que este programa poderia ser uma bênção na vida de muitos outros servos de Deus, inclusive a você, e por isso resolvi mandar este e-mail para alguns irmãos em Cristo.
O texto a seguir me foi enviado pelo pastor A.N., da Igreja Batista em Caxias do sul.
Leia-o na íntegra, e se você se sentir tocado por Deus a participar, com certeza serás grandemente abençoado (a).
Segue abaixo.
Quer ser financeiramente abençoado (a)? Então abra o seu coração, caso contrário não dará resultado, agora abra, leia e releia esta carta que irá mudar totalmente a sua vida! Programa de ajuda mútua entre irmãos em cristo realizada em todo o território nacional. quer ser financeiramente abençoado (a)? então leia com atençao.
amado (a) irmão (ã).
Esta oportunidade é algo que quase deixei escapar por entre os dedos. Afortunadamente algum tempo depois, orei e dei um tempo para eu pensar e estudar este programa. Meu nome é A.N. eu sou advogado, hoje aposentado e Pastor da igreja Batista de Caxias do Sul – RS. No ano passado tive problemas financeiros. Eu endividei minha família e meus amigos. Meus cartões de crédito acumularam uma dívida de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais). Que eu tinha usado para levar avante um empreendimento para sustentar a minha família de cinco pessoas. Já não suportava as intermináveis reuniões para tentar resolver os problemas. Sendo cristão, sinceramente, eu acreditava que era errado ficar devendo como eu estava. Foi então que comecei a orar fervorosamente pedindo ajuda a Deus. Porém, não me deixei abater por esta situação.
Esta carta, com certeza, irá mudar financeiramente a sua vida, basta acreditar. Pois este programa de Ajuda Mútua Entre Irmãos, não é picaretagem nem golpe, é uma maneira dos Irmãos em Jesus se ajudarem, de forma simples, óbvia, totalmente segura e honesta.
Em Dezembro de 1996 recebi este programa pelo correio. Não mandei ou pedi por isso, simplesmente alguém pegou meu nome na lista telefónica ou de alguma mala directa.
AGRADEÇO A DEUS POR ISSO!!!
Imagem: A LUZ DO DIA E DA NOITE: March 2007
luzdodiaedanoite.blogspot.com

domingo, 8 de janeiro de 2012

Bater no ferro quente (03). O cónego cavaleiro Demónio Marciano


O cavaleiro Demónio Marciano que indo nas cruzadas, espadeirava árabes do Islão em nome de um Deus sedento de sangue.
Quando os políticos falam, discursam, e o palavreado não chega, não é absorvido pelas populações, é preferível, saudável, que se calem, porque ficam como um ciclone, ou outras catástrofes naturais que tudo destroem.

Bater no ferro corrupto, ainda quente do cónego Demónio Marciano.
E moldá-lo a nosso contento, para que salvemos mais uma alma desalinhada e a tornemos útil à sociedade carente. E lhe batermos na forja e já forjado, o desbastemos das hastes malfazejas. Bater no ferro ainda em brasa é a missão salvadora. É para isso que a forja trabalha. E o mestre da forja já sabe o seu labor. Quanto mais bater no ferro quente mais ele se embeleza, se enobrece. E como é belo ver a cor em brasa do metal, transformado na cor da beleza do sangue.
Este cónego, segundo a santa liturgia, não admite o direito do contraditório, por isso se invoca, se admite o direito da retaliação, a Sharia do Santo Islão.
A facção dos cristãos leninistas corrompe a Igreja: será que dos trinta e dois biliões caiu algum? Claro que caiu. Agora até a Igreja virou circo de palhaços.
Nunca a Igreja se vendeu por tão pouco. E depois, devido a este e outros pobres diabos, preocupam-se pelo avanço do islamismo que engole a igreja da pedofilia e também da corrupção.
E o cónego Demónio Marciano é o chefe incontestado do bureau político de uma seita da Igreja. Um santo homem, o único canonizado em vida.
E sua santidade prega-nos: «O nosso Deus é marxista-leninista, o nosso Deus é um Deus da guerra, da divisão, da escravidão do nosso povo.»
Qual é a diferença que existe entre um cónego e a perseguição que o governo chinês faz aos cristãos? E na Nigéria? E antes, no Rwanda? Aqui, não foi outro Demónio Marciano que lhe originou a matança? E em Angola também acontecerá o mesmo? Claro, com acéfalos destes na religião. Uma coisa: mas não existe controlo sobre a idoneidade mental de quem está na Igreja? Qualquer mera merda lhes serve? Este cónego do Demónio, como os outros, é também um instigador, inspirador das matanças dos cristãos?
Mas que diabo de teologia é esta? Mais um frustrado da Igreja? O beato sem mosteiro, mundano, instiga ao ódio. Então e a miséria extrema das populações? E a corrupção que se agiganta como o vulcão Pinatubo?
Estou convencido que dentro em breve, Rafael Marques apresentará, denunciará na PGR – Procuradoria-geral da República, uma queixa-crime contra o nosso Marciano pelo apoio declarado e usufruto da corrupção.
E assim segue a igreja em Angola: a Igreja do Politburo, e a Igreja do Vaticano.
Decididamente, só uma Igreja leninista nos libertará.
Sempre no jogo do pau de dois bicos: um de Deus, e o outro do Diabo.
Esta é a Igreja da desagregação da sociedade.
Afinal pode-se servir a dois senhores: um na Terra, o da maldade e das ditaduras, e o outro lá no Céu, inacessível, inatingível. Um deus para os ricos e poderosos, e outro para os miseráveis.
Até tu ó Igreja! Um cónego corrupto expande a corrupção de Angola e da sua religião.
Quando um cónego/partido está dezenas de anos no poder e não se consegue adaptar aos tempos modernos, o tempo se encarregará de o desabar do doentio altar.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Bater no ferro quente ferrugento da corrupção (02). Voltaire Ngola


Dizem que vão enviar o processo FOLHA8 para o TPI – Tribunal Penal Internacional, sob a acusação de crimes contra a informação nacional de Angola.
O Jornal de Angola, a TPA, a RNA, a LAC, e os jornais recentemente adquiridos com fundos do erário público, praticam a isenção do jornalismo? “Aquilo” é jornalismo? Claro que também não. Então se não é jornalismo, o que é? Bom, só o nosso querido Politburo o sabe.
O Ministério da Informação ordenou ao órgão sob sua tutela, o CNCS – Conselho Nacional da Comunicação Social, e agora o nosso Politburo mandatou o cónego Apolónio Graciano para invocar o castigo divino. Como rezam os ditames: a Igreja sempre ao lado do Poder.
O CNCS nunca condenará os órgãos estatais da informação, verdadeiros departamentos revolucionários do processo também revolucionário sempre em curso.
Mas, a Rádio Nacional de Angola ainda é um órgão do Conselho da Revolução, e do DIP- Departamento de Informação e Propaganda?
O cónego Apolónio Graciano, como militante mais destacado do célebre facho sempre aceso, e em representação condigna de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, humilhou, ou homiliou, de forma carismática os santos ensinamentos e sacramentos da Santa Madre Igreja. Devidamente paramentado para a recepção de mais um poço de petróleo na sua conta, pois esta horripilante cópia de Lutero da Igreja de Angola também recebe alvíssaras. Bom, pelo menos temos a divina representação da facção da Igreja Leninista de Angola também a condenar o FOLHA8. Ah! Pedro, mas que fraco pastoreio este, e de tão satânica teologia. Quem não sabe fazer mais nada vai para a Igreja leninista. Que tempos egrégios estes em que até um simples cónego consegue transformar Jesus Cristo no milagre do petróleo. Isto é, Jesus fez o milagre do vinho, o nosso cónego partidário transformou Jesus em petróleo, que logo em seguida se transformou em dinheiro. Este cónego é muito milagreiro. Ainda será canonizado como santo petrolífero da Igreja dos poços de petróleo de Angola.
Este nosso cónego é o santo padroeiro dos jornalistas angolanos. E sendo assim, aproveito para lhe fazer um pedido: ó meu santo milagreiro e padroeiro da nossa informação, fazei com que o teu cérebro se apague e que Deus Nosso Senhor e Jesus Cristo tenham piedade de vós. Pois seguramente ireis para o Inferno. E não te deixes cair na tentação dos dólares do petróleo, pois Angola não é de meia dúzia de pessoas. Não é por acaso que os crentes abandonam a Católica e se refugiam nas outras igrejas e demais seitas. Um cónego a tecer considerações sobre o jornalismo em Angola? Por este andar a Igreja de Angola chamar-se-á, Jornal de Angola e a sua Igreja Estatizada, órgãos ao serviço de Deus.
E quem for contra nós, é contra Deus, e logo será amaldiçoado, excomungado e entregue ao nosso Braço Secular, que lhe dará o destino conveniente, devidamente torrado nas nossas fogueiras da Inquisição em vigor.
Vivam os ensinamentos da Nossa Igreja do Senhor Jesus Cristo na terra de Angola! Viva!!!
Viva a facção leninista da Igreja de Angola! Viva!!!
Imagem: ... relacionados a esse aumento", afirmou Salas. Corrupção, igreja, dinheiro
pvpd.blogspot.com

Bater no ferro fundido, ferrugento da corrupção (01)


O Folha8 não fez nenhuma fotomontagem. Ela já existe há muito tempo, quem a produziu foi o Projecto Quissonde.
Tal como no anterior 27 de Maio de 1977, agora já há outro, 05 Janeiro de 2012. Iniciado como no antanho, restaura-se com um comunicado do bureau político do quaternário teimoso poder, logo de seguida vai para a Rádio Nacional de Angola, a emissora oficial do partido da massificação, depois para o lídimo Jornal de Angola, o órgão oficial leninista que detêm o uso da verdade exclusiva de toda a informação que circula em Angola, e agora também o CNCS – o isento Conselho Nacional da Comunicação Social, a Associação dos Repórteres de Imagem de Angola, o Ministério da Informação, e todos os comités de especialidade ou não dos poderosos do petróleo, que até agora, pasme-se, nunca responderam nem foram julgados pelas várias acusações de corrupção fundadas e devidamente fundamentadas que lhes estão movidas. Um dos quais é o processo inconfesso dos trinta e dois biliões de dólares que descaminharam.
Também o iminente sociólogo Paulo de Carvalho, ao serviço do poder, não aborda a corrupção, está proibido. Arregimentado pela campanha da Rádio Nacional de Angola, dá também lições de jornalismo. Mas porque omitem sistematicamente a corrupção que grassa incontrolável, a ponto de nos tornarmos noutro México? Ou pelas reivindicações populares, outra Síria com a duração de algumas semanas? Sim, o Estado é, somos todos nós, isto é, eles. Em Angola qualquer um do executivo é, ou lecciona jornalismo.
A miss, a locutora, a secretária, etc, são jornalistas, é tudo jornalista. É por isso que o jornalismo angolano é dos mais evoluídos do mundo. Muitos, milhares de crimes que até agora continuam impunes. Como podem exigir a legalidade do ilegal, da corrupção de biliões de dólares?
A democracia diabólica?
Pelo editorial atirado para o ar na RNA, no noticiário das vinte horas, cujo fraseado segue o do BP de JES-MPLA, os canhões estão apontados para o Folha 8. No perfeito seguimento dos editoriais contra os fraccionistas do 27 de Maio de 1977, Bater no Ferro Quente, vê-se claramente a incitação ao derrube e assassinato de quem trabalha no Folha 8, e aproveitarem a oportunidade para varrerem de uma vez por todas, David Mendes, Rafael Marques, etc?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Na lavandaria, mais 32 biliões. Voltaire Ngola


foram para os lobbies, lobões

Estes lobbies pagam-se
a peso de ouro
e da Nação (?) angolana
que grande estouro
As clericais reverências
ao nosso santo que esmola
cónego Apolónio Graciano
o Lutero da Igreja de Angola

Portugal o dinheiro da corrupção
a lavar
e os corruptos de Angola
a descansar
E contra 32 biliões
ninguém combate
nem reparte
A corrupção deu
mais um grande salto
e a Nação voa
mais alto

Corruptos angolanos, UNI-VOS!

E de escada em escada
lá vamos para o final
da derrocada
Nunca tantos biliões de dólares
contemplaram milhões de esfomeados

Tão abençoados, aconchegados
no vilipêndio da corrupção
nos cofres da religião
também no clero estão
E na Tchavola
está a continuação
jaz a maldição
da sagrada corrupção

E havemos de voltar
e voltaremos pois então
aprisionaram-nos nos bancos
nos bandos da corrupção
E de bilião em bilião
nasce, faz-se Nação
nos javardos do petróleo
da corrupção

Manos e manas pois então
há muito na desespera
mais um ano de corrupção
nos espera
Ah! Campos do petróleo
da espoliação
que das suas torneiras
jorra corrupção
Nas contas do petróleo
da corrupção
se fortalece a revolta
da população

E nas chamas da corrupção
arde esta Nação

Corruptos angolanos, UNI-VOS!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

OVNIs invadem Angola?


E a exemplo dos anos anteriores, desejo-lhe, amigo leitor e eleitor, e a todo o povo angolano, um ano novo repleto de corrupção.
Aos 2012 chegarás, dos 2012 não passarás.
Agora, o Quénia e a Nigéria estão no abraço do glorioso Islão radical? E depois seguir-se-á o que resta de África, radicalmente islamizada?
Primeiro que tudo há que saber o que são OVNIs, por isso aqui vai um pouco de história. Socorrendo-me da Internet, de lá garimpei do site HowStuffWorks: O que são OVNIs? Em meados do séxulo XX, a Força Aérea dos EUA (em inglês) inventou a expressão "OVNI" como termo geral para qualquer "objeto voador não identificado" - luzes e objetos desconhecidos vistos no céu. Mas entre os ufólogos (pesquisadores e entusiastas dos OVNIs), o termo se tornou sinônimo de espaçonave alienígena. O falecido astrônomo J. Allen Hynek (em inglês) definiu um OVNI como: "A aparente percepção de um objeto ou luz visto no céu ou na terra; o aparecimento, a trajetória, a dinâmica geral e o comportamento luminescente de algo que não suscita uma explicação lógica e convencional e que, além de ser misterioso para quem o viu, permanece não identificado depois de exame cuidadoso de todos os indícios disponíveis por pessoas tecnicamente capazes de fazer uma identificação lógica, se isso for possível". Na maioria das vezes, descobre-se que os OVNIs são algo conhecido: um balão meteorológico ou luzes de um avião, por exemplo. Mas em 5 a 10% dos casos de OVNIs, o objeto continua sendo um mistério. As aparições de OVNIs estão associadas às chamadas abduções por alienígenas, em que as pessoas dizem ter sido transportadas para uma nave espacial extraterrestre e submetidas a vários exames físicos - até mesmo experimentos de cruzamento com alienígenas.
Em Angola, como não podia deixar de ser, talvez devido à sua localização geográfica, os OVNIs andam, melhor dizendo, deslizam, voam, muito activos, e por estranho que pareça, exercem a sua actividade única e exclusivamente na abdução de astronómicas quantidades monetárias do nosso erário público. O mais curioso é que toda a gente, ou todo o mundo?, sabe quem é, quem são esses OVNIs, mas ninguém consegue apanhá-los porque se furtam habilmente com os mais dispares truques ilusionistas, isto é, afastam-se como que por feitiçaria a velocidades incríveis deixando os observadores atónitos, especados, no mais usual, com caras de parvos. E na realidade continuamos a sê-lo, uma cambada de parvalhões.
E o que mais nos interessa na actividade OVNI angolana é precisamente as abduções verificadas ao longo de quase quarenta anos. É que estes OVNIs só abduzem dinheiro, sentem uma estranha atracção por dólares, biliões de dólares. Nos últimos dias conseguiram, abduziram trinta e dois biliões de dólares, e não deixaram rasto, como sempre. Um caso para o famoso detective Sherlock Holmes? Porque não, ele não é a pessoa indicada? É que… são incontáveis, insondáveis as quantias até ao momento raptadas que já perfazem certamente triliões de dólares? Angola está a ser saqueada por OVNIs. Mas porquê o gosto tão doentio, a selecção só por dólares? Algures no espaço existe um planeta que deve estar a abarrotar de dólares. Um planeta do paraíso fiscal dos dólares.
Se não estão interessados na contratação do Sherlock Holmes, porque é que até agora as nossas autoridades de direito, isto é, versadas, inteiradas na matéria astral, não contratam um ufólogo? É muito estranho, não há nada como realmente.
Mais um caso de OVNIs? José Kaliengue, do jornal O País, disse na Rádio Ecclesia, que a empresa ALFA 5 tem as contas congeladas nos bancos porque está carregada de dívidas. E que a TPA também está em greve.
Entretanto, o nosso quotidiano prossegue o mais anormalmente possível. Os seguranças protegem a insegurança dos bens dos novos-ricos. Os bajuladores com as suas espadas enferrujadas desembainham a retórica dos seus discursos da bazófia bolorenta, de pacóvios políticos. A prostituição está tão descarada e escancarada, que até já dá muito bem para organizar o concurso nacional da miss prostituição. As nossas centralidades erguem-se e colidem com a arquitectura mais desorganizada, numa vã tentativa da lavagem dos dinheiros auríferos petrolíferos. Em tudo o mais continua o fingimento de que tudo vai melhorar, quando a realidade nos demonstra que tudo está a piorar. Chineses e vietnamitas desempregados - a China também está na crise da depressão mundial, só Angola é que não – inventam trabalho construindo de um lado e destruindo do outro.
O Poder cerca-nos, encosta-nos à parede, pronto para mais uma solução final de Heinrich Himmler. E por isso mesmo encurralados, exaustos de milhões de promessas como areia atirada sobre os nossos olhos, eis que as reivindicações e manifestações se expandem na exigência do mais elementar. Democracia, liberdade, emprego e dignidade.
Lá porque um país está bem representado no clube da democracia, vai a votos regularmente para eleger os seus representantes preferidos para defenderem os anseios democráticos de quem neles votaram. Mas, isso não significa que a democracia funciona. Vejam-se por exemplo os casos de Portugal, Angola e RDC – República Democrática do Congo, onde os seus povos continuam mais miseráveis que nunca. Quer dizer, por estas bandas a democracia é como o socialismo científico, é uma intenção, uma parvocracia.
De facto, Deus nunca se esquece de nós. Basta ver as guerras que se arrastam pelo mundo, a miséria, e muito especialmente a corrupção dos lobbies em Angola.
Luanda, segunda-feira, 26 de Dezembro, oito horas e nove minutos. Olho para a rua e vejo o trânsito como num domingo, sinal de que o feriado do Natal ainda não acabou.
Luanda, 27 de Dezembro, oito horas e vinte e dois minutos. A “greve” continua. Ainda parece domingo, dia do Natal, o trânsito automóvel escasseia, denotando que a grande “farra” ainda não acabou. Mas que militância mais desgraçada.
Quando se empurra um povo para outro país por motivos económicos e sociais, Portugal está na falência, tem cem mil pessoas na pobreza extrema, Angola, já com problemas internos graves, uma nomenclatura que oprime e mantém na miséria forçada as populações, e se juntarmos a isto também a invasão chinesa, vietnamita e brasileira, isto é sem dúvida um imprevisível rastilho bombástico. Esses países que apoiam a nomenclatura estão-se marimbando se nós morremos de fome ou não. Esses governos apoiam incondicionalmente a repressão da nomenclatura, não se importando com as nossas vidas, a exemplo do que se passa na Síria. Compete aos presidentes dos partidos políticos na oposição e movimentos da juventude encetarem manifestações a exigirem o fim do neocolonialismo, que é o que na realidade acontece.
O vulcão Angola entrou em forte erupção, a lava alastra-se por todo o país.
A vida não é para nela passear, mas para a desfrutar. Afinal as ondas do mar estão sempre a trabalhar. E, importante, é quando nos damos conta que já se gastaram cinquenta anos na nossa vida, e perguntamo-nos? E agora? O que fiz para ser feliz? Afinal perdi a maior parte do meu tempo com coisas supérfluas que não me facilitavam a vida, mas muito pelo contrário, a complicavam. A partir de agora é que vou viver o resto da minha vida, porque encontrei o caminho da felicidade.
Xanax, ou outro tranquilizante para quê? Eu, nós, por aqui quanto temos insónias, ligamos a TV no canal da TPA, ou lemos, ou escutamos um discurso de um qualquer dirigente da nomenclatura, e repentinamente adormecemos. Garanto-lhe amigo leitor que é um bom tranquilizante, e melhor ainda, não provoca efeitos secundários.
O cúmulo do desplante: descaminham com o maior à-vontade biliões de dólares e ainda se lamentam que nas suas empresas a situação é: «Como sabe, a situação económica não é boa, por isso não lhe podemos dar os quinhentos dólares prometidos, assim, o seu vencimento é decrescido.» Isto não é ficção, é a realidade da corrupção descarada dos bilhões de dólares do erário público angolano, e com o apoio incondicional dos amigos revolucionários estrangeiros.
Sobre os últimos desaparecimentos dos milhares de milhões de dólares da República dos OVNIs: se isto acontecesse num país democrático, a primeira coisa que a oposição faria, seria a exigência da demissão imediata de todo o elenco governativo. Mas, como ainda não conseguimos a democracia, nem sei quando isso será possível, vamos assistindo aos comentários de quando em vez da nossa oposição, sem posição, atrapalhada. O meu receio é quando o povo vier para as ruas, o que não tarda muito.
A cada dia vou ficando mais apreensivo: acabo de comprar uma tomada exterior eléctrica de 10 amperes e reparo no, made in China. Não, não é por isso do ser fabricado na China, é que quase tudo o que tenho comprado é, made in China. Preocupado? Pois claro que estou, é tudo clonagem de má qualidade, como essa da triste imitação, uma infantilidade, da clonagem da célebre cola Patex, que não vale nada, é lixo, a que os chineses lhe deram o nome de Betax, com a embalagem exactamente igual à da cola Patex. A minha dúvida é a seguinte: por este andar a nossa governação também será made in China?!
Imagem: Dizer que os OVNIs são naves alienígenas é arriscado e altamente ...
ronaldolima.eti.br

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na demanda do Santo Graal (07)


As Tchavolas desordenavam-se pelas ruas confundindo-se com o chão, já faziam parte dele, pois as suas vidas dependiam em absoluto do que vendessem ao ar livre, e o seu estatuto de indígenas indigentes ainda estava em vigor, apesar de que o rei lhes prometia há mais do que uma eternidade a nova vida, um milhão de centralidades e outros absurdos. Afinal, é fácil de verificar que reinar é escravizar. E as Tchavolas olhavam para todos os lados, pois que os fiscais não lhes davam tréguas - Jingola parecia, apesar do rei e seus parasitas bajuladores avançarem que não, um teatro de guerra – porque há nove meses que não recebiam, então lançavam-se como tubarões sobre as suas presas, que indefesas e amarradas na protecção das suas crianças, choravam o infortúnio da melhoria das condições de pobreza. Os polícias também aproveitavam, também saqueavam. Jingola estava a saque. As esposas dos polícias revoltavam-se porque eles nem um biquíni e um sutiã lhes conseguiam comprar. Era caricato ver polícias e fiscais espoliarem e vandalizarem as esposas dos colegas, e elas lamentavam-se-lhes: «Hum, afinal foi você que me assaltaste, me roubaste! Hum, afinal vocês são todos bandidos.»
Os Lordes, os senhores todos poderosos de Jingola limitavam-se a observar as suas esposas que para não morrerem de tédio, passavam o interminável tempo a limarem as unhas, a experimentarem biquínis, sutiãs e baby-dolls. Tinham várias criadas, vários motoristas, e então chateavam o tempo a darem desordens nas criadas e a circularem nos carros sempre a esgotarem os estoques das casas de modas, que depois amontoavam num improvisado armazém das suas casas, pois que também tinham mais que uma.
Os Lordes mantinham o seu passatempo preferido, que consistia no arrebanhar das esposas Tchavolas. Como as suas amadas não davam nada para o sexo devido à sua condição existencial, eram muito frígidas, eles então assediavam as Tchavolas que facilmente aceitavam o estatuto de amantes. Os Lordes juravam por entre o tilintar de várias garrafas de uísque que fazer sexo com as Tchavolas era a coisa mais deliciosa do mundo. Elas, afirmavam eles sem pudor, eram como gazelas na cama, e quentes como o sol abrasador da estação do calor.
Os Lordes aumentavam os seus pecúlios constantemente porque usurpavam dos Tchavolas o seu petróleo, diamantes e todas as demais riquezas de Jingola, incluindo a água. O petróleo jorrava e incendiava as contas dos Lordes, que para não darem nas vistas, abriam contas bancárias em nome das suas esposas, dos filhos e das concubinas. Sim, o petróleo não parava, até demais circulava e nos bolsos dos Lordes chafurdava.
Os Lordes tiveram uma ideia genial - aliás todas as ideias deles primam pela genialidade e originalidade – que culminou na importação desenfreada de chineses e vietnamitas que trabalhando como escravos – ainda disso não se libertaram – davam graças aos seus senhores, os Lordes, por lhes proporcionarem o paraíso na terra – agora também do Celeste Império - Jingola. Trabalhavam e deixavam-se recompensar por tuta-e-meia, o que magnificava os cofres dos Lordes, mas miserava os Tchavolas no desemprego e chamava, cultuava Spartacus. Jingola ensombrava-se, tumultuava-se, mas os Lordes marimbavam-se, tinham mais que fazer, para o atroz sofrimento dos Tchavolas que ruminavam planos de revolta, e que a qualquer momento surgiria. Mas os Lordes esperavam-nos com helicópteros, mísseis, tanques, cães, mercenários e todo o tipo bélico deste e do outro mundo.

A capital de Jingola – aliás como em todo o reino – fervilhava de actividade missionária. Por todo o lado e em todas as portas se pregava o santo evangelho e as santas escrituras. Os sacerdotes escrutinavam, descortinavam o fim do mundo que há mais de dois mil anos estava cada vez mais próximo. E as desordenadas ovelhas Tchavolas deixavam-se ir na conversa de que depois do fim do mundo o Senhor os esperava para lhes abençoar e oferecer-lhes uma casa que em Jingola era coisa impossível, porque um dos passatempos do rei consistia em derrubar-lhes, transformar-lhes as casas em pó. Provavelmente era para cumprimento da profecia bíblica de que ao pó voltarás.

Em Jingola, por incrível que pareça existiam mais de mil seitas religiosas. O tal negócio da China. Um bom negócio, diga-se de passagem, pois bastava observar a riqueza fácil que os bispos conseguiam, inventando coisas sobre Jesus Cristo e Deus. E invocavam a promessa habitual aos seus fiéis de que todos ficariam ricos se seguissem os seus ensinamentos, pois eles eram os representantes, os eleitos de Deus e de Jesus Cristo na terra. O rei apoiava-os, pois que dominavam e embaralhavam as suas populações, incutindo-lhes a superstição de que quem se revoltasse, caluniasse, injuriasse, ou até fizesse uma simples greve contra o rei, Deus lhes enviaria pesados castigos. E davam-lhes exemplos: a falta de água e energia eléctrica, a fome, não eram já castigos mais que suficientes? E os Tchavolas refugiavam-se no temor. E o exército sacerdotal de bíblia sempre nas mãos, lá vagueava. E um cónego se destacava, imitava muito mal Lutero, pois que militava do lado contrário. Isto é, defendia, elogiava e bajulava os Lordes, que agradecidos uns barris de petróleo lhe ofertavam.
Como habitualmente o nosso confessor está no seu hábito, no seu púlpito a oficiar na sua capela da Igreja de Nosso Senhor do Kremlin. Nas preces que faz ao seu deus leninista, e sempre consequente no cumprimento de ordens superiores, corrompe-o desmesuradamente com quantias incomensuráveis. Qual é o deus que não se deixa corromper por astronómicas quantias monetárias? Vá, digam-me um que não o faça. Todos os deuses adoram as riquezas terrenas, e de tão corrompidos que estão, debandaram todos para Jingola. É por isso que o céu está tão despovoado, tão imigrado.
E um deus que se preze, ama, chama a juventude para o seu partido – se calhar não sabem, ou fingem, que a religião também é um partido político – com promessas de vida no além mundano, de carros e chorudas quantias de dólares existentes num saco pessoal dos ritmos petrolíferos. A juventude acorria-lhe depois da desgraça das contínuas maratonas em saudação disto e daquilo. Festas partidárias em saudação aos santos leninistas de cada dia do ano, aos aniversários dos chefes, das suas esposas, dos seus filhos, filhas e dos altos e baixos funcionários que atapetavam a casa real.
E depois das maratonas os jovens lá acorriam ao nosso bom cónego missionário na esperança de que caísse alguma coisa generosa para, conforme confessavam, organizarem as suas vidas. O cónego missionário ligava do seu telemóvel e rapidamente chegava uma mala bem atestada de dólares. E o padre interrogava-os, porque quem dá dinheiro a alguém sem mais nenhuma explicação, é porque exige, espera algo em troca: «Bom, eu vou-lhes dar algum, mas já sabem como é.» «Sim, senhor missionário, como é o quê?» «Já tem o cartão da LORDE/JOTA?» «Já!» «Ai é, então mostrem!» Exigia o missionário desconfiado. E os jovens não tinham outra alternativa senão a de se sujeitarem, irem para a capela ao lado e lá registarem-se e obterem o cartão da LORDE/JOTA, que lhes daria, abriria as portas para tudo e mais alguma coisa que fosse necessário ou desnecessário. E se denunciassem todos aqueles do contra, os arruaceiros, os que falassem mal do eterno delfim, os opositores, em troca receberiam uma considerável quantia determinada pelo serviço prestado. Aqui convém esclarecer que alguns cidadãos da nossa praça estão consideravelmente ricos devido a esse expediente do centralismo democrático.
E a Igreja do Kremlin continuava, labutava no ardor, no louvor ao seu senhor. A fama do missionário da juventude já ultrapassava fronteiras, devido há sua proverbial magnanimidade. Quando questionado sobre a proveniência de tantos fundos monetários, o nosso bondoso missionário nem pestanejava, pelo contrário, olhava para o céu, enlaçava as mãos e orava: «Obrigado meu santo leninista pelos desvios milagreiros que fazes do céu jorrar e nas minhas mãos aterrar.»
Num belo momento o missionário recebeu uma missão especial. A conversão de jovens manifestantes/arruaceiros que não aceitavam corromperem-se pelo deus leninista. Intrigado, o sacerdote dirigiu-se à prisão onde os desgraçados se encontravam e abordou-os, melhor, interrogou-os: «Meus irmãos, estais aqui porquê?» «Não sabemos, ninguém sabe.» «Hum! Não é difícil de saber. Manifestaram-se com cartazes a falar mal do nosso deus?» «Sim padre, é isso!» «Logo vi. Bom, vamos dar um jeito nisso. Tenho poderes de como influenciar o Juiz polémico que condenou os nossos irmãos, a converter as penas dos dezassete presos em multas… passando assim todos à liberdade… e prometo-lhes ainda outros bens materiais. Vocês sabem que eu sou o divino empresário da juventude.» Os jovens mantinham-se num silêncio irredutível, até que um deles quebrou-o: «Não somos arruaceiros, xibados, ganzados, kuachas, guerrilheiros, ou outro epíteto pejorativo que insistem em atribuir-nos.» E o eclesiástico sem rodeios elucidou-os a modos de pregação: «Se eu tivesse mandado alguém, podem ter a certeza que nem sequer teriam saído do bairro».
Só que o generoso missionário não se deu conta, não desconfiou, nem tão pouco suspeitou que a conversa foi gravada, e posteriormente denunciada por todos os meios de informação, exceptuando os órgãos estatais do clero leninista. Mas mesmo assim o ministrador da Igreja leninista pregou os santos sacramentos dos cânones da praxis: «Só um partido leninista é que está apto a conduzir os destinos do maravilhoso povo jingolano. Os outros partidos são fantoches, e se não seguirem os paradigmas leninistas estarão condenados ao fracasso. Só um verdadeiro partido condutor de massas garante estabilidade e paz. E com o tenaz apoio internacionalista dos partidos, governos, e de todos os países amigos que seguem a mesma senda - o rumo do desenvolvimento - a vitória é certa. Os povos amantes da paz e da liberdade vencerão. E os nossos inimigos figadais em qualquer esquina tombarão e abandonados lá repousarão.» E um dos arruaceiros tchavolano destaca-se sobranceiro: «Não confiemos nas igrejas, elas estão ao serviço do deus nosso senhor dos Lordes.»

A suave brisa matinal atrai-nos. Já atingimos finalmente o pôr-do-sol onde o amor guarda secretamente os nossos desejos. Nas espumas das marés transparentes e irreverentes dos ciclos que parecem repetitivos, caminhamos incertos nas buriladas areias que escorrem, deitam-se ondeadas. A suave brisa matinal atrai-nos para os confins da irreversibilidade do tempo do amor. O murmúrio dos ancestrais fósseis invade as nossas memórias do início do primeiro amor. E rejubilamos porque finalmente reencontramos o amor perdido, e dele não desejamos mais sair, porque receamos desmaiar nos insondáveis caminhos dos olhares de paixão não retribuídos, não compreendidos. Como na ascensão e queda das ditaduras.

Não acredito em escritores, poetas e demais livreiros ao serviço e galardoados pela corte palaciana dos Lordes. Porque quem apoia a escravidão dos rendimentos do petróleo, neles naufraga. É como no tempo dos pescadores de homens, onde havia, coexistiam intelectuais que compunham odes, liras, enquanto nos campos de concentração milhões de almas eram sacrificadas em nome de um poder eterno… das cinzas. Como se fosse possível um país viver comandado apenas por um grupo de águias de rapina. Os mestres da conspiração diziam que primeiro estava tudo bem, mas que agora caminhamos para o desastre global. Quer dizer que estamos a ser governados por víboras.

As ditaduras vão caindo dos seus poleiros como aves no gélido frio invernal.

Os poemas dos poetas da corte Jingola enlevam-nos nas teias da corrupção. Onde há muito petróleo, também há muitos poetastros desbotados nas turbulentas correntes submarinas das jazidas petrolíferas. Não sabemos como será o nosso futuro. Que faremos sem os nossos melhores amigos ditadores que um a um vão desaparecendo. O cão é o melhor amigo do homem, o petróleo é o seu pior inimigo. Este petróleo atrai muita miséria. E imprimir a tolerância zero, é reduzir as finanças a zero, zerar tudo. Quanto mais tempo demorarem com as reformas profundas que a população exige, mais o incêndio tumultuoso se propagará. Não é hora de se perder tempo, adiar, fingir implementar promessas que nunca se cumprem. Isto está a complicar-se, a descontrolar-se. A literatura de Lenine continua presente.
Jingola é pois um estado pirata, o local ideal para todos os piratas mundiais.
Quanta mais a pobreza mental de quem nos governa, mais a pobreza guerreira aumenta.
continua

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE TROPICAL (05)


- A minha alma sente-se inundada com tanta cerveja. – Vaporizou o Filósofo.
- A Ilha do Cabo, a Marginal de Luanda e a Ilha do Mussulo vão desaparecer, vão ficar cobertas de água. – Alertou o Branco
- Bom negócio para as cervejeiras. – Previu o Almirante.
- Porquê?
- A água é de borla. A cerveja quase que é só água, os refrigerantes também. A privatização das cervejeiras vai ficar com a equipa.
- Pelas sete pragas que nos afligem. – Praguejou o Pragador.
- Ó senhora traga mais cerveja, mas não aumente a conta porque estamos a controlar. – Preveniu o Vodka.
- Não dá, vocês são os nossos melhores clientes. São os que dão vida ao lugar do Pauauschwitz.
Mais uma festa ia começar, de arrombar. O barulho da música era insuportável. Para ouvir o que conversávamos, elevávamos a voz, quase gritávamos. Dizer aos jovens para baixarem o som não era aconselhável. Isso significaria uma provocação e muito provavelmente garrafas voariam, não se sabendo onde aterrariam. Chegam alguns carros com jovens. Depois deles saídos nota-se que estão muito agressivos. Dirigem-se para a festa. Ouvem-se muitos gritos. Começa a pancadaria habitual. Garrafas são partidas. As suas namoradas vestidas com um calção muito curto, rasgado, partem garrafas e atacam. Parecem piores que leoas. O vidro da montra de um estabelecimento com sapatos resiste à tentativa da pilhagem. Vizinhos ligam para a polícia, mas esta virá mais tarde, ou não virá. Os elementos componentes desta quadrilha estão armados. Se a polícia aparecer no momento crítico será um brutal tiroteio. Depois da demonstração dos filhos da revolução, os apóstolos da violência entraram nos seus carros e abandonaram o local.
- Estamos no ano da grande matança. – Observou o Almirante.
- Porquê? – Quis saber o Vodka.
- Nunca se viu tanta gente morrer. O mundo está dominado pelo terror. Está enfeitiçado.
O Almirante chamou um jovem marinheiro que estava no seu carro. Era, podia-se dizer, um guarda-costas. Ordenou-lhe:
- Ó marinheiro… vai a bombordo do meu navio terrestre e retira de lá umas garrafas… umas cargas de profundidade. Depois faz o mesmo na ré.
O marinheiro chega e faz a entrega de três garrafas de uísque. O Almirante recomenda-lhe:
- Leva uma e guarda-a. Temos que ficar com munições de reserva.
- Parecem as cápsulas de bazucas, ou melhor dito, de mísseis. – Comparou o Vodka.
- O comunismo lixou-nos a vida. Este país está a ficar impossível para viver. – Provocou o Branco.
- Pior que este não há. – Disse convicto o Almirante.

O Presidente acrescenta:
- A Grã-bretanha, por exemplo, país que possui em Angola o maior volume de capitais investidos, ou os Estados Unidos da América com crescentes interesses na economia e ansiando dominar a posição estratégica do nosso país, assim como outros países da Europa, da América ou da Ásia, concorrem para a dominação do nosso Povo e a exploração dos bens que nos pertencem. Muitas vezes se confunde o inimigo da África com o branco. A cor da pele ainda é um elemento que para muitos determina o inimigo. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
Meteorologia para hoje. O céu será azul, o dia claro, a noite será amarela devido ao luar, soprará vento do mar. Boas perspectivas para maus negócios. – Previu o Filósofo.
- Vou votar… não vou votar. – Disse indeciso o Eleitor.
- Tive um sonho. Que a nossa moeda era preferida ao dólar e ao euro. Era a mais forte do mundo. - Sonhou o Poeta.
- Isso não é um sonho, é um grande pesadelo. – Advertiu o Almirante.
- O director geral do FMI chegou e disse: vamos investir três biliões de dólares porque finalmente atingiram a perfeição. – Noticiou o Poeta.
- Isso saiu aonde? – Perguntou o Vodka.
- Na informa com a verdade.
- Uns bons copos de uísque ajudam-nos a sonhar. – Aconselhou o Almirante.
- Para viver tenho que roubar algumas vezes. – Disse desmoralizada a Liberdade.
O Branco começa a beber uísque. Comenta:
- Cerveja com uísque? Parece-me que desta noite não passamos.
Depois de alguns uísques, o Branco sente uma inspiração repentina. Continua:
- A independência era uma intenção, e ainda continua a ser. Não basta um governo, um soberano, com uma guarda, policia e um exército. Povo não existe. Nem é necessário. Basta copiar os modelos feudais, e nasce mais um país, um reino. Basta ter o nome de independente, e já está. Perderam por completo a consciência e voltaram ao estado primitivo. Estão à procura da centelha divina que desapareceu.
O Vodka olha para a Liberdade. Diz-lhe:
- Sobre, o para viver tem que se roubar, lembro-me de um caso caricato. Foi assim: Um segurança acompanhou o gatuno junto com a polícia. Mas os polícias vendo que o segurança tinha dinheiro, consideraram que ele era o gatuno. O gatuno aproveitou, saltou um muro e fugiu.
- Quando Deus criou Adão e Eva eles estavam muito felizes. Mas Deus criou mais alguém para lhes fazer companhia. – Disse enigmático o Filósofo.
O Almirante contra-ataca:
- A questão é: onde estão os nossos intelectuais? Simplesmente quase não os temos. Fugiram, porque só podia existir um. Os que ficaram tornaram-se mordomos. Hoje restam apenas uns poucos. Portanto não temos intelectuais. É verdade que num país onde abunda a ignorância, aparecem sempre milhares de poetas e doutores, que incentivam o aparecimento de falsos profetas. É por isso que é um bom negócio montar uma igreja numa qualquer esquina. Descrentes não faltam.
O Filósofo agita-se. Prepara-se convenientemente para a contenda despejando mais uísque no seu copo. Desfere:
- O que interessa é honrar a memória do nosso herói nacional. Na verdade somos todos revolucionários. É por isso que nos inspiramos na bebida. É ela que nos dá a força e o espírito, porque não temos mais nada que nos inspire. Somos os gloriosos sonhadores das noites tropicais. Sonhar é preciso, desde que haja alguma coisa para beber. Só que não conseguimos concretizar os nossos sonhos, talvez que se acabassem com a bebida…
O Hepatite não vai na conversa:
- Isso nunca, nunca. Perderíamos a nossa liberdade para sempre. Voltaríamos a ser escravos. Somos livres porque bebemos quando e onde nos apetecer a quantidade que desejarmos. Não se esqueçam disto, porque daqui depende a nossa sobrevivência. Somos considerados seres humanos porque bebemos
O Presidente com os olhos tristes, olha para longe e cita:
- A sociedade criada pelos colonialistas, criou vários mecanismos de defesa racial, postos ao serviço do colonialismo. O mesmo camponês pobre, miserável, oprimido e explorado na sua terra, é alvo de atenção especial quando se fixa numa das suas colónias. Ele não é só imbuído de mitos patrioteiros, como também começa a gozar de privilégios económicos e sociais de que nunca pôde dispor antes. Assim, entra no sistema. O colonialismo começa a servir-lhe o apetite e passa a ser o cão de guarda dos interesses da oligarquia fascista. In Agostinho Neto. 7 De Fevereiro de 1974. Discurso na Universidade de Dar-Es-Salam, Tanzânia.
Ao longe ouve-se a sirene de uma ambulância. – O Poeta aproveita para lembrar:
- Enquanto espero a ambulância que me vai transportar, pelas ruas onde os carros estão parados. Não vou chegar ao hospital, nem a lado nenhum, pois morrerei pelo caminho. Mas os nossos nobres escapam porque enviam as motos da polícia de trânsito, e logo a seguir um carro equipado com polícias armados para que o nobre chegue rapidamente à sua clínica privada.
A Qualquer Um Serve, olha para uma garrafa plástica de água, vazia. Dá-lhe um nobre pontapé para outro local, como se estivesse a limpar o sítio. Apenas a mudou de posição.
Imagem: Imagem de Stock: Sonho tropical. pt.dreamstime.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Associação Angolana dos Inimigos da Democracia


República democrática dos geradores, algures no Golfo da Guiné.
E sem democratas se faz democracia.
Como é possível o BNA – Banco Nacional de Angola, afirmar que a taxa de inflação está a desacelerar, se todos os meses os preços sobem?
São surpreendentes os olhares de desprezo que os nossos novos-ricos lançam sobre os que espoliaram, e espoliam despudoradamente.
E o comité de especialidade das épocas de caça declara que: até que enfim, já é oficial. A partir de hoje e de sempre, abriu a época de caça ao opositor político. Assim, e durante os próximos tempos os nossos caçadores podem premir os gatilhos das suas armas e dispararem à vontade, estão legais. O número de peças a abater é ilimitado. Podem, e devem, eliminar as peças de caça que quiserem.
Restaurante Kremlin, prato do dia: em alusão à abertura oficial da caça ao opositor político, o nosso célebre Cozinheiro-chefe recomenda vivamente a caça efectuada pelos seus caçadores privativos/furtivos.
E um novo horizonte de esperança nasceu, com a fundação de mais um órgão político: o comité de especialidade dos desterrados e espoliados. E logo outro se lhe seguiu: o comité de especialidade dos sem-terra.
A nossa vanguarda revolucionária continua a assestar golpes demolidores nos arruaceiros e demais oposição. E como a Rádio Ecclesia se ufana, aos nossos inimigos nem um mastro de antena, porque o direito à informação apenas é garantido, está há muito estabelecido, patenteado ao partido revolucionário que guia, comanda a nossa sociedade. E por isso mesmo o nosso querido, ferido e martirizado povo está muito bem informado, e como tal não necessita de democracia. Isso de liberdade democrática há muito que está consagrado na nossa gloriosa Constituição que, como todos sabem, elaborámos, porque só nós sabemos o que o nosso povo deseja. Ele já está muito maduro, e não necessita de apanhadores de fruta. Ninguém se pode arrogar na libertação do nosso povo. E só um partido, o da classe operária e camponesa, pelas gloriosas e inesquecíveis batalhas em prol da luta de libertação encetada, continuada e terminada pelo mais clarividente partido político que dirige a nau popular, de vitória sobre vitória. Uma pátria leninista daqui jamais sairá. E aos incautos políticos sem experiência de governação, pois nunca rodaram o leme do destino do nosso povo, advertimos que a nossa vigilância canina, equídea, e demais forças estão aptas, devidamente super apetrechadas para desferirem qualquer golpe quando se achar necessário, ou desnecessário.
Bom, parece-me que já conseguimos mais um feito notável: é a Angola da China, a Angola do Brasil, de Portugal, dos vietnamitas, dos novos-ricos, e Angola dos mwangolé? Nada, pois claro, a não ser a Angola dos desterrados. Quando a corrupção se avantaja e definitivamente se instala nos tronos, não há rei nem reino que não soçobre. Eles com o petróleo, com tudo, até as praias privatizaram, e nós sem nada, excepto o direito de vivermos ao ar livre, no relento do morticínio, como os campos da morte da Tchavola. Direito a manifestação, não!!!
A nossa vanguarda revolucionária permanece no rumo, somos muito teimosos o que é que querem?, do centralismo democrático, daí a origem das novas centralidades. Faremos de Angola, não um canteiro de obras, mas uma plantação de centralidades. O nosso povo finalmente terá o direito, a dignidade de uma habitação. É verdade que existem esses da Tchavola, dos Zangos, das tendas, devido aos nossos projectos da especulação imobiliária nacional e internacional, e agora com a recessão/depressão mundial a bater forte, fortemente na China no sector imobiliário e outros, há que apostar seriamente no emprego chinês, então há que ocupar muitos, muitos milhões de chineses nas moderníssimas centralidades e nas muitas barragens três gargantas, e Angola será betonada de Kabinda ao Kunene. Angola será centralizada numa nova, República das Centralidades dos Kilambas.
É proibido ter ideias, porque os nossos amos aniquilam-nas e aniquilam-nos. E com arruaceiros se faz história, liberdade, democracia e independência. Dos corruptos não reza a História. Neste sempre tristonho, medonho memorial leninista assalta-me sempre a mensagem da anunciação da imorredoura prisão em que mergulhados no tempo, nas agonias dos dias, trespassados pelas ditatoriais profecias de um Poder que nos abrasa e escurece o ser, como no testemunho bíblico do meu amigo António Setas: «Olha, por aqui está fresquinho, há falta de luz todos os dias e água já nem se pode dizer que falta, pois há quase um ano que não a temos na Corimba.»
E restou-me responder-lhe: «Como estou? Olha, receio que por aqui o amor já acabou, e que dele apenas resta a extinção da chama de uma vela de fabrico chinês.»
Porque será que em Angola existem “milhares” de analistas internacionais? Será porque quem não sabe fazer mais nada, segue esta profissão?!
A nossa querida e revolucionária liderança há muito que luta pelo bem-estar e anseios mais prementes das nossas populações. Apesar de longos anos de luta ainda não conseguiram sair da miséria, porque será? É bem simples: o inimigo imperialista externo e interno não desarma. Agora vem com as promessas de democracia e liberdade… de libertação do nosso povo da opressão, vejam só. O que eles querem é a continuação da pilhagem das nossas riquezas e neocolonizarem-nos, mas o nosso povo já é mais que suficientemente, isto é, tem muita maturidade forjada nos longos anos de lutas sabiamente conquistadas pela nossa sábia liderança. Só os nossos chefes entendem o que é isso de dirigir, e quem nunca dirigiu, governou um país, não está minimamente preparado para governar seja o que for. Agora andam com essa da corrupção, que a nossa veterana equipa é toda corrupta, ninguém escapa, se safa do TPI – Tribunal Penal Internacional. Digam-me uma coisa, e o nosso povo é o melhor juiz, quem é que não é corrupto em Angola? Quem? Apontem só uma pessoa. E no Mundo, também existe alguém que não seja corrupto? O que faz avançar as sociedades modernas rumo ao desenvolvimento económico e social não é a corrupção? Não?! Então o que é, e quem é?! Sem corrupção não é possível existir bem-estar e felicidade na nossa Nação.
Quem retira a essência cultural de um povo, a sua música e os seus cantares, retira-lhe tudo, que é o que está a acontecer. E depois resta-nos a amostragem no jardim zoológico como espécie em vias de extinção? É evidente que estamos a ser invadidos pelo neocolonialismo em todas as suas vertentes, e quase já nenhum espaço de manobra temos, pois que estamos inexoravelmente a sermos empurrados, encurralados em Babaorum, o único reduto que nos resta.
Comentário de um segurança: a esta hora, vinte e duas horas, há bairros em que já não entras por causa dos tiroteios.
Existe alguma diferença entre políticos e banqueiros?
Em Roma sê romano, em Angola sê angolano.
Segundo informação de um familiar, cidadãos brasileiros sentindo-se inseguros fogem do Lubango. Entretanto a invasão chinesa/vietnamita prossegue.
Entretanto, o neocolonialismo avança imparável? Há uns poucos de anos estava numa boate e o canal da TV estava no "Black Music" e um português exigiu à empregada que mudasse para outro canal. Claro, que eu não queria acreditar. Temos que pôr ordem na nossa casa, senão daqui a pouco vamos para o olho da rua, o que aliás já nos acontece.
Quando um governante vê, mas ele não consegue ver, que não consegue fazer o mínimo pelo seu povo, deve demitir-se. Aliás neste momento para que é que nos servem os políticos e os banqueiros?
Na Rádio Ecclesia, 16 Dezembro, ouvi uma senhora pelo telefone que se lamentava da compra de uma viatura a uma empresa portuguesa da qual resultou em vigarice. E mais informou que não tem onde se queixar.
Humor negro: Oh! Não imaginam as imensas saudades que sinto dos constantes cortes de energia eléctrica, a beleza de tantos apagões. Mas como agora já temos (?), teremos (?), centrais térmicas que dão mais energia. Camarada Lenine, não lhes perdoe porque eles sabem o que sabem.
Incitar à corrupção não é incitar à violência? Porque onde há muita corrupção, também há muita violência. A corrupção só é possível, porque vive da violência. Resumindo: Angola é uma gigantesca mina, onde uma família e um partido nela garimpam. Portanto, temos uma família e um partido de garimpeiros.
Pacientes de tuberculose são internados numa pocilga de porcos, no Centro de Tratamento de Tuberculosos Santa Teresinha do Menino Jesus, a quinze quilómetros da cidade de Benguela. In Rádio Ecclesia. Bom, depois de muita luta conseguimos finalmente o cobiçado, aprovado, estatuto social de porcos. Que outro estatuto mais social nos espera?! O da porcaria?! Será que o lixo se tornou mais valioso que nós, porque se recicla, dá dinheiro? E se mais tempo demorar, aonde vamos chegar?!
Neste Natal meus amigos, como lhes desejar um Natal feliz porque sei que isso é impossível. É mais um Natal dos miseráveis que vivemos, cada vez pior, sem que se aviste solução. Um Natal é sempre um sonho sentado numa nuvem. Sonhamos que atravessamos a nuvem e do outro lado deparamo-nos com a realidade do pesadelo que é a vida… desumana angolana. E de tão surpresos desejamos regressar para a nossa nuvem, como a criança que anseia amiúde reentrar no ventre da sua mãe. As nossas devoções encontram-se numa simples folha de uma qualquer planta. É lá que está a nuvem e o sonho, é lá que se realizam os tesouros inexplorados da nossa vivência. E ao explorá-los, é assim que nascem/renascem as palavras que se transformam em poemas de liberdade, em livros, em suma, a literatura angolana que nos falta.
Feliz Natal para os próximos anos, e que as nossas palavras por dias melhores se estabeleçam na fortaleza do nosso amor. Porque unidos venceremos!
Imagem: estrada-para-democracia-em-angola-road-for-democracy-
gazetadeluanda.com