quinta-feira, 9 de julho de 2015

Calomboloca, a nossa prisão de Robben Island



Minhas irmãs e irmãos
Aleluia, amém!

Nenhum poder na terra é capaz
de deter um povo oprimido, determinado
a conquistar a sua liberdade.
(Nelson Mandela)

No tempo do Salazar
Não podíamos ler
Livros sobre o marxismo
Porque isso era comunismo
E logo condenados ao ostracismo
Estavam proibidas as reuniões
Nem falar de manifestações
E das políticas associações
E abarrotavam-se as prisões
De políticos presos
Como infantes indefesos

Não havia actividade política
Excepto a do partido no poder
Tudo o mais era para prender
Livros proibidos de ler
Acusados de tomarem o poder

E acabou num golpe de estado
Em Abril
A ditadura acabou
Nada sobrou

Aqui é muita coragem para sobreviver
Pois se nem amigos conseguimos ter
No próximo cacimbo viver mais assim
Que será dos quinze, ai de mim!

E se o meu deus me ajudar
Desejo nunca mais voltar
Enquanto o santo governar
Em Calomboloca me aprisionar

E na miséria que temos para contar
Sem que ninguém nos possa ajudar
E enquanto vamos rezando
Os chineses nos vão colonizando

Já o toque de finados da democracia
Nas celas dos quinze se previa
Na clausura da noite e do dia
Mais presos políticos se anuncia

Em pleno funciona a lei da mordaça
Os seus mentores felicitam a desgraça
De porta em porta se acerca o terror
Sem piedade nos persegue o Senhor!