quinta-feira, 18 de agosto de 2016

BOLOR NAS VEIAS



Lixo é nação
São os intelectos da ilusão
Que passeiam no calçadão
É a arte de desmobilizar militantes
É a fuga para trás
Em Angola já não existe ninguém
Em quem se possa confiar
As pobres almas caminham
Para a morte
Os cemitérios esperam-nas
Mais uma desilusão
Outra colonização
Não há quem saiba pensar
Só roubar
Políticos de meia-tigela
Cavam trincheiras
Para depois jurarem
Que a fraude eleitoral
Foi livre, justa e transparente
Depois tomam o barco choramingas
Que em Angola está tudo mal
Mas a comunidade internacional
Cansada de tantos queixumes
Diz que a fraude eleitoral
Foi livre e justa
Depois com o tempo tudo se esquece
E a oposição mais se enfraquece
Desaparece
E os fantasmas da oposição regressam
Que este governo é corrupto, ladrão
Que fez fraude na sua eleição
E sempre assim sucessivamente
O governo acena-lhes e promete
Liberdade, democracia e pão
Tudo reinará como antes
Miséria fome e corrupção
Angola mais um país em vão
Mais hipócritas e falsos políticos
Surgirão
E as mãos lavarão
Nas águas da podridão
Porque não sabem fazer mais nada
Paupérrima oposição
Sem manifestação
Os carneiros pastam
Lânguidos e serenos
Nos estatais terrenos
Armazenados em vastos currais
Esta Angola não parece um país
Assemelha-se mais
A um bando de indisciplinados pardais
Quem só sabe destruir
Jamais nada irá construir