terça-feira, 16 de agosto de 2016

HORIZONTES FUNESTOS



Nas senzalas
“E contudo elas não se movem”
Na república dos famintos
Eu quero ser deputado
À espera que o preço do petróleo suba
Casa das leis
Um bom espectáculo circense
Os imbecis fazem dinheiro sem dinheiro
E fugir daqueles que acreditam em deus
Defendem o seu ganha-pão
Só se ouvia
O silêncio da hipocrisia
Da totalidade da classe política
E das suas políticas
Angola faliu
Porque em cérebros não se investiu
Sem formação
Os escravos libertos estão
E de plantão
Na escravidão
Angola, o país dos políticos e dos doutores
Na classe política não dá para confiar
Só dá para desconfiar
Os palhaços políticos já estão aí
Hoje e todos os dias há circo
Do lodo do cais deste país
Levantar ferro é preciso
E a fórmula já está encontrada
Para o desenvolvimento económico e social
Viver da propaganda dos partidos políticos
Acaba-se com a miséria e a fome
É só palavras, palavras
Oh pobres coitados
Os líderes políticos abandonaram Angola
O lixo do intelecto humano supera
Em muito o das ruas
Quanta mais religião mais escravidão
Para quê acreditar
Em quem não se pode confiar
São tantas estruturas a desabar
Pesadas, não se pode trabalhar
O horrível disto
É que não há nada de positivo
Tudo se conserva negativo
No silêncio deste sepulcro
Deus é uma história para crianças
Destinada a ludibriar adultos
Tantos doutores pelos quais
Somos constantemente violados
Pela alta voltagem da hipocrisia
Nem sabem o que é um técnico de contas
Só tem macacos ainda não tem pessoas