sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CRÓNICA DE MAIS UM ESTADO FALHADO



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.
Apelo aos nossos bispos para que orem intensamente para que Deus nos liberte deste comunismo.

Quando Angola conseguir uma liderança como Simon Bolívar, Emiliano Zapata, Fidel Castro, Che Guevara, etc., então será verdadeiramente livre e independente. Até lá é pelo milagre aguardar, e falar, falar, falar… e morrer de fome.
Muangolés! Cuidado! O ordens superiores vigia-vos dia e noite.
Característica fundamental de um estado falhado: Há cerca de vinte e poucos dias fiz uma recarga na Net da Unitel de 500Mb e só me carregaram 250Mb. Quinze dias depois fiz outra recarga e aconteceu a mesma coisa, só me carregaram 250Mb. Reclamei mas até agora nada, limparam-me 500Mb. Um amigo disse-me que lhe limparam saldo. E um familiar que carregou o seu telemóvel com 1.250.00 kwanzas com direito a bónus de cem por cento, mas era mentira. Esse familiar garantiu-me que está toda a gente a fugir da Unitel. A Unitel terá que mudar a sua publicidade para: Unitel, o saque mais próximo.
Quando falta a energia eléctrica, o banco millennium-atlântico na rua Rei Katyavala, em Luanda, liga um gerador industrial instalado nas traseiras e demonstra o que é um estado falhado, porque inunda as traseiras de fumo e nos prédios têm que se fechar portas e janelas, proibindo-nos de trabalhar, de viver. As crianças estão em perigo permanente de morte. Apesar das inúmeras reclamações, nada, é o deixa andar, o que interessa é eles trabalharem e abastecerem-se de dinheiro por cima dos nossos cadáveres, porque estamos também numa república de cadáveres. Se isto não é incitamento à violência e à revolta, então é o quê?! Caramba! Então na condição de escravos em que nos encontramos, temos o direito à revolta porque sentimos a morte dos que querem facturar, dos que querem nos matar. Somos condenados como hereges porque ainda estamos no tempo da maldita Inquisição.
A energia eléctrica está outra vez de rastos, são interrupções, pode-se dizer, todos os dias, que demoram várias horas ou vinte e tal horas. Não se consegue planear seja o que for, destruindo as esperanças de recuperação da miséria que aumenta drasticamente deixando-nos na escravidão como outra vez no colonialismo, se é que alguma vez ele daqui saiu, muito pelo contrário, vai de mal a pior. Apesar de ao longo de quarenta e um anos sempre nos impingirem que a energia eléctrica se vai normalizar, coisa que já ninguém acredita, começa o nosso cérebro a chamar-nos a atenção de que temos que fugir daqui porque as nossas vidas acabarão tristemente. A água é sorte consegui-la, e quando isso acontece tem que se pagar o transporte, o que implica duas despesas, uma da Epal e outra dos que a carregam, levando-nos para a indigência.
Se só a corrupção funciona, então é mais um estado falhado.
Se as manifestações estão devidamente consagradas e autorizadas na CEA, Constituição dos Escravos de Angola, e depois se reprimem com violência, prisão e perseguição estalinista sobre os manifestantes, isto é uma prova mais que evidente de mais um estado falhado.
Parafraseando Galileu Galilei (1564-1642): a corrupção, a miséria, a fome, e contudo elas se movem.
Diariamente aprofunda-se o abismo da bancarrota de Angola, onde já não há dinheiro para pagar a militares, como acontece em Luanda com mais de quatrocentos militares do PCU, posto de comando avançado, que foram sumariamente despedidos.
Em presença de imbecis e loucos, há somente um caminho para mostrarmos nossa inteligência: não falar com eles. (Schopenhauer, 1788-1860)
Quem não está do lado dos manifestantes, com certeza está do lado dos corruptos. (Autor desconhecido)
Ao empurrarem para os chineses a solução dos seus problemas, os muangolés provam a sua notória incapacidade, até ser um provérbio, ou melhor, já é proverbial.
Fiquem atentos, isso mesmo, mantenham-se vigilantes, ditadores africanos, fujam, que Donald Trump está a chegar, preparem os sacos do que resta do erário público, está na hora de bazar.
E a miséria e a fome ganharam o estatuto de utilidade, e como tal instituíram-se como forte instituição de utilidade pública.
Uma coisa é certa, o muangolé já da escravidão não consegue sair.
Comemorou-se mais um ano de independência, o 41º, de esperança perdida, de miséria extrema sempre renascida, o próximo aniversário será comemorado por ossadas humanas que não resistiram à fome, mas quem é que resiste à fome?
Oito horas da manhã de céu a prever chuva, assim falam as nuvens, não é que um carro da poluição sonora religiosa de mais uma seita satânica, a propósito, vale lembrar que estas seitas são o suporte da corrupção. Com um altifalante montado no tejadilho do carro, dele saem poderosos berros para os famintos se acalmarem, não desesperarem porque o fim da fome está próximo, aliás Deus já tem as covas preparadas, e são tantas, tantas que ninguém as consegue contar porque esse é um trabalho que compete a Deus controlar, mas Ele está tão ocupadíssimo a contar a mortandade de Angola que como Omnipotente não o consegue fazer, tal é a grandiosidade da tarefa que O ultrapassa. O altifalante berra, berra e os famintos param como se daí viesse a sua salvação, “a vida é curta, cuidado com a feitiçaria.” Quando a falsa religião, qual é a verdadeira? prega que o dia do juízo final está próximo, e que se preparem que Deus está a chegar, mas porque cargas de água Ele não chega, porquê?!, pois entreguem tudo o que têm para Ele e da morte se salvarão.  A África negra é a desgraça das religiões porque qualquer uma se impõe e se legaliza. È caso para dizer que qualquer seita religiosa governa a África negra.
Um mais velho branco está na esplanada de um café. Sentado, admira a paisagem dos famintos que não pára de crescer conforme o enunciado mais elementar da lei da corrupção. Enquanto aguarda que o sirvam, encostam-se duas lascivas trintonas, uma, chocolate escuro, e outra de café com leite que quase lhe segredam: “Ó senhor!, dá-nos o número do teu telefone.” E ele deu.
E aqueles que se entregaram de corpo e alma pela causa da independência, mais tarde ela abandonou-os. Mas que independência sacana, malvada, sem carácter. Uma independência que só olha para corruptos, e que ainda se defendem dizendo que isso são calúnias.
M, o grandioso líder dos famintos, o promotor do desemprego e da fome.
Entretanto, um ou outro porta-estandarte dos partidos políticos da oposição vai-nos dando alguns salpicos de democracia. É melhor que nada.
A tirania gera a iniquidade.
Na Rádio Despertar, no programa Angola e o mundo em sete dias: Elas procuram trabalho nos condomínios e também se oferecem para, “se o chefe também quiser uma rapidinha também aceito.” São esposas e mães que os maridos e filhos desesperados aguardam em casa que elas tragam algo para comer.
Esta selva tem muitos papagaios políticos.

Só andando é que se conhece o caminho.