segunda-feira, 17 de abril de 2017

A DIVERSIFICAÇÃO DA ECONOMIA SEM ENERGIA ELÉCTRICA



Ano da diversificação da economia da corrupção.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

De Março até 13 de Abril de 2017 já lá vão 250 horas de cortes no fornecimento de energia eléctrica. A desumana governação não se impressiona, creio que não tem noção do que isso é. Já há vários dias que abandonei o meu frigorífico pois não tem nenhum préstimo. Sem energia eléctrica e com o calor que faz não se podem comprar frescos pois não há onde os conservar. Entretanto os minimercados estão às moscas. Empresas domésticas eram uma vez. No fundo isto é um acto criminoso, mas como isto é Africa, é o deixa andar como se não existisse país. As únicas duas coisas que funcionam, MISÉRIA E FOME.
E o maquinista da obsoleta e desgraçada locomotiva leva a população à procura de folhas das árvores e sementes para comerem. A fome vencerá.
“O ritmo do dia-M era mantido nas cidades subterrâneas de Minerva pelo simples obscurecimento da iluminação das ruas e avenidas e outros lugares públicos das Cinco Cidades. A maioria dos minervanos observava as convenções de noite e dia por razões óbvias, e práticas. Mas, independentemente da necessidade de trabalho por turnos, ou do sistema de vigilância dos geradores atómicos, das centrais de reciclagem, das centrais hidropónicas, do vasto sistema de ar-condicionado e outras unidades de apoio de vida que tinham de ser operados continuamente, havia alguns minervanos que preferiam inverter o condicionamento natural e viviam de noite. Eram na maior parte poetas, artistas, descontentes sociais – como Idris descobriu. Na Terra, em determinada altura, chamar-lhes-iam marginais”. (O Décimo Planeta, de, Edmund Cooper, 1973. In Colecção Argonauta 28.) 
Do dicionário Houaiss: Psicopatia, distúrbio mental grave em que o enfermo apresenta comportamentos antissociais e amorais sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas com laços afetivos profundos, egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência.
Não resisti quando vi uma caixa de fósforos fabricada em Moçambique, e perguntei-me porque não se vê fósforos fabricados em Angola? E copei para aqui o que estava escrito na caixa de fósforos do Índico: 40 Fósforos. PALA PALA. (Com imagem de uma palanca.) Fosforeira de Moçambique Lda. Parcela 201, Matola.
Novo Jornal 11/04/2017 O jornalista Carlos Alberto, da rádio Luanda Antena Comercial (LAC), acusa o director de informação da emissora, José Rodrigues, de o ter despedido sem justa causa, como retaliação pelo facto de se ter recusado a "censurar" matérias e a cumprir orientações partidárias: "Tinha de falar bem do MPLA".
O BD-Bloco Democrático, é um partido pequeno, mas creio que é o único partido sério e honesto que existe em Angola, isso faz dele um partido muito Grande.
“É lógico que os partidos da oposição credível sabem que, serão prejudicados pela actuação fraudulenta do partido da situação, se unam nessa batalha com todas as suas forças para evitar que as eleições se transformem num espetáculo ridículo, promotor de pseudodemocracia. Os sinais devem ser dados desde já e em associação com todos os cidadãos que já perceberam que as eleições são o momento da sua soberania e os partidos políticos, seus meros intermediários. Dizer que as eleições estão ganhas pelo partido da situação por fraude é atirar a toalha ao tapete”.
(Filomeno Vieira Lopes. Membro da Comissão Política do Bloco Democrático e Coordenador do Gabinete Eleitoral)
E o sonho/pesadelo que tive, que ia a acompanhar um doente com destino ao hospital Américo Boavida: A entrada está ladeada de capim e o solo está abandonado, como se há muito tempo não fosse cuidado. Tem as vigas e pilares mais nada. Viramos à direita e entramos num pátio nas mesmas condições. O estado de abandono manifesta-se. Quando o doente sai da ambulância de uma maca em perfeitas condições, é deitado noutra que parece retirada do lixo. Tem alguns buracos remendados e outros com ferrugem. A degradação do ambiente parece um filme daqueles de um hospital do terror, onde os doentes entram e saem de lá mortos, nenhum escapa. Claro que fiquei confuso por ter um sonho/pesadelo assim.
Mas não é tudo porque também tive outro sonho/pesadelo com a ENDE, a tal empresa nacional de destruição de eletricidade. Sonhei que a albufeira da barragem de Lauca encheu, encheu até transbordar, tudo alagar. Os trabalhadores morreram afogados, mas os fantasmas ou os espíritos deles continuam a trabalhar, isto é, ligam e desligam os circuitos de abastecimento, é por isso que estamos constantemente com cortes anárquicos a qualquer hora do dia e da noite.
O multicaixa do banco Millennium-Atlântico na zona da sede da Angop em Luanda esteve mais de uma semana sem dinheiro, alegando que estava sem sistema. Mas em vários multicaixas também não havia dinheiro. Quando não há dinheiro aparece o esquema do sem sistema. Alguém comentou que o governador do BNA ordenou a redução da massa monetária em circulação para fazer baixar o câmbio das divisas nas ruas. Pessoalmente creio que é uma invenção porque a verdade é que não há dinheiro. Há-o sim senhor mas sempre nas mãos dos mesmos.
O actual M conduz Angola para o famigerado beco sem saída, para o também famigerado conflito que espero não seja de grandes proporções. A verdade é que o M ao abandonar a população e com o envolvimento dúbio da Igreja e das igrejas, uma espécie do reviver Ruanda muito parece inevitável porque a Igreja e as igrejas intrometem-se demasiado nas eleições e isso nunca acaba bem, tem acabado sempre muito mal.
Entreguei o meu curriculum vitae (CV) a uma vizinha que me garantiu que sabia de alguns colégios que estavam aflitíssimos com a sua contabilidade. No texto mencionei a minha actividade profissional por ordem cronológica. Mas o marido dela viu-o, leu-o e disse-lhe para ela que, “ não é assim que se escreve um CV, vou-lhe ensinar como se escreve.” Mais um de um comité de especialidade do M, pensei. Estava para lhe escrever a resposta mas escusei-me, pois não devemos escutar gente idiota e temos que fingir que não os vemos. Mas quando dois dias depois me encontrei com a sua esposa narrei-lhe o acontecido com um amigo meu no tempo, salvo erro, do general Venâncio Deslandes, governador-geral de Angola. O meu amigo estava indicado para chefe de gabinete do general, mas a perfídia rondava-o no grupo dos que queriam apanhar-lhe o lugar a qualquer custo, não se importando com o fabrico traiçoeiro de injúrias que faziam chegar ao general tais como, “ele não tem habilitações literárias suficientes, ele é incompetente, não sabe trabalhar, não sabe escrever um CV.” Então, o general cansado de os ouvir chamou-os ao seu gabinete e começou por perguntar-lhes: “ Esse homem tem habilitações literárias suficientes para o cargo ou não?” E eles responderam, “Tem sim meu general.” E o general continua, “ ele é competente e sabe trabalhar?” Ao que eles responderam, “sim, meu general, ele é competente e sabe trabalhar.” Então o general dá-lhes o pontapé de despedida, “então nomeiem-me esse homem, porque o que eu preciso é de homens competentes, que trabalhem e que saibam trabalhar!” Creio que é de homens assim que faltam em Angola. Talvez um dia eles apareçam.
Não há crise económica devido à baixa do preço do petróleo, o que há é crise da corrupção, pois onde ela existe em força não é possível falar de economia. A governação não conseguiu adaptar-se aos tempos modernos. Refugiando-se no marxismo-leninismo e corrompendo a Igreja e as igrejas afastando-se da população, coisa que alguém inventou pois isso há dezenas de anos que não existe, ou finge-se que existe. Mas há duas coisas que provam a sua existência, a miséria e a fome. Os portões do castelo da governação tombarão pela força das circunstâncias.
Sim, a miséria e a fome são os alimentos das almas.