segunda-feira, 24 de abril de 2017

A FATAL QUEDA NO ABISMO



Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversificação da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição ameaça sair à rua.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Divisa de um governo autoritário: só a miséria e a fome nos libertam.
Estrangeiro, se vens saquear, então junta-te aos saqueadores e serás bem-vindo.
Desde o mês de Março até hoje, 19/04/17, a fraude da energia eléctrica (EE) já nos fez 278 horas de cortes no fornecimento. Creio que há algo de muito diabólico por trás disto.  
A oposição ameaça sair à rua
As contas das grandes empresas têm o dever de serem auditadas, e a CNE também como grande empresa que é, não deve, não pode fugir à regra. Por isso mesmo as suas contas têm que passar pelo crivo da auditoria para lhe dar credibilidade. Não se trata de julgar a honestidade de quem lá trabalha, não, trata-se do elementar dever universal da bíblia da democracia.
A função do comunismo é destruir a democracia. Simplesmente destruir, arrasar tudo e impor a sociedade da fome. Creio que há um gozo psicopático em destruir a EE para que as populações não sobrevivam, para que a miséria as arraste e a fome definitivamente as leve para as valas da morte.
Há dois meses que não consigo trabalhar porque a EE desapareceu, há muito que o fez, só que agora foi definitivamente (será que a venderam aos chineses?) Claro que estou na miséria e a perseverante fome persegue-me sem dó nem piedade. Mesmo que tivesse gerador não conseguiria ter dinheiro para o sustentar com combustível. Carregado de dívidas não sei quando as conseguirei pagar. Mas não sou só eu que estou perseguido pelos demónios caídos do céu e aqui aterrados, não, são milhares, milhões de miseráveis e de famintos. Evacuado ou não penso seriamente em conseguir fugir daqui senão serei passado pela espada da fome, porque já não dá para aguentar este africanismo de mentirosos e vigaristas da miséria e da fome, que pensam que lá só porque estão no poder coroam-se de divinos, de deuses com a função de exterminar a população. De escroques depender é morrer.
Sinto-me como longe da minha terra, como se estivesse abandonado e entregue à minha sorte num planeta inóspito dominado por monstros que semeiam o terror. É, a oposição ameaça sair à rua.
“A oposição não se dá conta de estar no papel ridículo de aplaudir o teatro de fantoches cujos actores são o porco e o javali, onde as leis valem o que nada valem, os juízes fingem que julgam, mas violam as normas jurídicas e os tribunais, são, na maioria, um antro dos malandros juridicamente identificados, que absolvem os assassinos e os “gatunos de colarinho branco” alojados nos corredores do poder”. (William Tonet. In Folha 8, edição 1313 de 15/04/17)
Isto está a tomar contornos inacreditáveis. Este navio carcomido pelo tempo tem que acabar e ser substituído por outro porque tudo tem limites. Nas empresas impera o trabalho cada vez mais escravo. Apenas um exemplo: um amigo foi à consulta médica e o médico deu-lhe três dias de repouso. Mas ao segundo dia o chefe ordenou-lhe que no terceiro dia teria que regressar ao trabalho. O meu amigo recordou-lhe que tinha três dias de baixa médica, e o chefe, “nós se quisermos não aceitamos nenhum justificativo médico porque nós é que mandamos.” O meu amigo disse-me que ele faz o trabalho dos que ganham mais do que ele. Concluindo, isto está cada vez pior e como tal é necessário e urgente mudar, acabar com a escravidão em que Angola mergulhou. Quer dizer, o que era impensável aconteceu. FOMOS E CONTINUAMOS LUDIBRIADOS.
Há aqui uma psicopatia porque ficamos assiduamente sem EE. Estão a atirar-nos para o fim, é impossível viver assim. Só dá mesmo para morrer à fome. Destruir assim a vida das pessoas, não se consegue trabalhar e os poucos alimentos que conseguimos não se podem conservar. Como se houvesse, o que parece, ser intenção deliberada de aniquilar a população para que não possa votar contra. Amigo leitor, sabe-me dizer se há mais alguma coisa para saquear?
Creio que na visão da comunidade internacional fazer empréstimos a Angola é atirar dinheiro para o lixo, e que o mesmo se pode dizer em relação à África. Receio que a África ainda não descobriu o caminho do seu futuro. No caso de Angola está completamente abandonada devido à sua indefinição política e à fornalha da corrupção. E sem EE é como dizem os padrecos, “o fim está próximo.” Mas não, o fim está no fim. Destruir a economia, destruir o país, destruir a nação e depois pedir desculpas, não é possível, não dá. É como dizer a um militar armado que ele não sabe disparar, mas sabe matar. Destrói-se as vidas das modestas populações e depois pede-se desculpa. Assim como alguém matar alguém e depois pedir desculpa.
Denegrir é muito fácil, mostrar trabalho é muito difícil. Não surpreende que só incompetentes é que sabem trabalhar. Que sejam admitidos, só a militância conta, é só destruir, destruir. Governar é miséria fabricar. É conversa para o boi de Cabinda.
A Lwena tentou um kilapi na mana Filó, mas ela disse-lhe que quando foi no banco para levantar dinheiro, no seu saldo não tinha nada, roubaram-lhe o dinheiro no banco. Por isso pode-se guardar o dinheiro num livro, porque como ninguém lê lá fica bem seguro.
Rádio Ecclesia, 10/04/17, Revista da Manhã: provável delinquente é queimado, e ainda a fumegar, um cão já lhe está a decepar um braço.
Do noticiário da rua para o mano João Lourenço: “Ele tem qua andar a pé pelos bairros, pagar umas birras e uns pinchos. Doutra maneira não vejo como é que ele se vai safar”.
Neste império da fome, quantas mais igrejas, mais profetas da miséria e da fome, mais obscurantismo, mais corrupção, mais superstição, mais conflitos, mais mortes. Porque será que Deus elege ditaduras e amaldiçoa a oposição? Porque será? São milagres corriqueiros.
O que nenhum economista famoso descobriu: que a diversificação da economia faz-se com geradores, porque a EE é considerada obsoleta. Liga-se o gerador, pronto, o problema da diversificação da economia está resolvido. Só que não é possível nenhuma economia desenvolver-se tendo como EE o gerador, mas em Angola é. Angola, o único país do mundo onde o impossível é possível. Sim! Angola e África serão eternamente colonizadas? Da maneira que as coisas involuem parece bem que sim.
E quem não é do M é contra ele. Acredito que o M daria muito bem para um episódio da famosa série, The X Files. É que ficava mesmo de se lhe tirar o chapéu.
O problema não é o dia de hoje, o grande problema é o dia de amanhã. Afinal a barragem de Lauca não é para produzir EE, é para a raptar, para ficarmos primitivos.
Depois do fiasco da independência, Angola regressa às origens das trevas. O que fazer sem EE? Nada! É ver impávido e sereno o arrasar de um país que já foi uma potência africana. E querem-nos convencer que sem EE o PIB cresce, isto é demais. E ainda por cima chamam-nos de burros e carneiros.
Do correspondente da Rádio Despertar em Benguela: “o pastor da igreja nova ordem diz às crentes que se quiserem milagres têm que ter relações sexuais com ele. E quem quiser sair dessa igreja só sai morto. Uma crente confessou que para punição de um pecado levou surra na vagina.”

Até o ar que respiramos já nos roubaram porque com o uso indiscriminado dos geradores o fumo é demais. É só morte que nos comtempla.