terça-feira, 11 de agosto de 2015

DIÁRIO DE UM PRESO POLÍTICO (01)


 Sedrick de Carvalho, um dos dezasseis presos políticos de Angola.

INTRODUÇÃO

“A violência aparece onde o poder está em risco, mas deixada a seu próprio curso, conduz à desaparição do poder.”
(Hannah Arendt, 1906-1975)

Quando um país é uma empresa privada
A população vive desempregada
Os presos políticos são abundantes
Porque muitas são as vozes discordantes

Onde o poder da corrupção se espalha
Tudo vive na grandeza da bandalha
O poder auto eleito é ilimitado legitimado
E mais um preso político é algemado

Onde há fraca oposição há férrea ditadura.
Pelo andar das ditaduras, este mundo será uma prisão de presos políticos.
Um regime altamente corrupto corrompe a comunidade internacional e qualquer voz que o denuncie é acusada de tentativa de golpe de estado. E qualquer pretexto serve para encher as prisões de presos políticos.

Não me lembro de quem me disse que a humanidade caminhava a passos firmes e seguros para a democracia.
Mas é com profunda preocupação e tristeza que verifico a todo o momento o ressurgir das feras adormecidas que despertam das trevas e disfarçadas de seres humanos vão tomando de assalto o poder e com as suas garras impõem-nos regimes sanguinolentos. A asfixia dos regimes democráticos segue o seu curso, porque tudo já é composto de absinto.
A democracia oscila e é exactamente isso que os regimes ditatoriais, vampíricos, executam. O assalto comunista ortodoxo ao poder revigora-se perante o silêncio e o sorriso sarcástico de quem se julga seguro dentro das suas fronteiras. De um lado o assalto totalitarista, do outro, o assalto das hordas radicais islamistas. O Ocidente adormecido que - ninguém sabe quando definitivamente despertará – desperta de vez em quando, e o comunismo ortodoxo martela nas nossas cabeças que só com ele nos libertaremos da miséria e da escravidão, quando é exactamente o contrário, pois nele a população serve-o como escrava, caindo moribunda no chão amontoado de cadáveres. Os islamistas da ferocidade radical também se servem da estratégia do terror estalinista para atingirem o poder. O Ocidente mantêm-se na eterna espera de que estas duas forças com o tempo se aniquilem, desapareçam como um vírus sazonal. Foi assim com Hitler e não resultou. As muralhas do Ocidente abrem brechas que se alargam dia após dia, porque não é possível combater nenhum invasor com um exército de hipocrisia.

E a minha nação vê-se engolida: de um lado o monstro do comunismo e do outro o monstro islamista. E a África não sobreviverá, um monstro  após outro a devorará, a afogará nas chamas da fome.
Continuo profundamente abalado com o saque da Europa dos quinhentos anos, e da continuação de outros quinhentos. A Europa branca segue hipocritamente no saque do Continente Negro. Nem o mínimo sentimento tem pelos bebés, pelas crianças que a todo o momento são vitimadas por balas e por catanas importadas. As meninas e mulheres são usadas como caça fácil da prostituição infantil, juvenil e adulta. E a Igreja e as igrejas reinauguram a sua inquisição e quem protestar e não quiser rezar será para queimar. A Igreja e as igrejas são os veículos preferidos das ditaduras africanas. Porque quem mata por elas será para sempre abençoado no jardim do paraíso das mil delícias esperado. Onde há ditadura a Igreja e as suas irmãs vivem numa ilha paradisíaca abençoada pelo diabo. Pois, onde corre sangue, mais cedo ou mais tarde tudo será queimado, o crucifixo será desmontado, pois quando a Igreja e os seus anjos demoníacos apoiam a morte indiscriminada dos seus fiéis alegando que foi Deus quem o ordenou, estamos na presença das duas ditaduras mais ferozes do Universo: a ditadura de Deus e a dos ditadores terrenos, os seus legítimos representantes na Terra.
Nos primórdios da humanidade, a Igreja disse que os africanos não eram pessoas, e por isso mandou-os queimar para que ficassem negros, da cor do demónio. E ainda hoje isso continua. Negro é o demónio, branco é o Deus. Em troca de umas míseras alvíssaras, a Igreja apoia a prisão, a perseguição e a tortura dos presos políticos

A Igreja é a desgraça das nações, a benfeitora dos conflitos, porque obriga os seus crentes a seguirem fielmente a escravidão do chicote dos governos ditatoriais, enquanto os seus sacerdotes se enchem do absinto do petróleo. Enchiam-se, porque o dinheiro do petróleo acabou, a Igreja se esfumou. Essa Igreja do Deus ditador que afirma que todo o ditador é por ela eleito, pois enquanto o petróleo dá, colhe-se o seu maná. E quando o petróleo não der, abraçaremos outro ditador que nos convier. Igreja com democracia é pura hipocrisia, é demonologia
E na África negra a mensagem que se pretende passar é que os negros são incapazes de governar, são alguém que não se pode confiar. E por isso mesmo, negro é para escravizar, para chicotear, para queimar, para chacinar. E os estrangeiros apoiam fortemente a ideia que já se decretou: vamos chacinar os negros para que tenhamos carta-branca para espoliarmos Angola. Para que cada um fique com o seu latifúndio.
Todos os dias o terror recebe homens e crianças-bomba, e o Ocidente alega que não os pode combater, pois que se movem como lobos solitários. Ora, tudo tem uma origem e as ditaduras são a colmeia dos grupos de abelhas suicidas, porque a Europa ao fechar-se, ao apoiar as ditaduras africanas, ou quaisquer outras, alimenta as ditaduras mundanas.
Os presos políticos são a solução adequada para impor a cruzada contra a democracia. Perante a hesitação da democracia, todos os dias são maus dias.
Se a Europa não acabar com as ditaduras ao redor do mundo, elas acabarão com a Europa. Aguardar por um mundo onde a única solução é ver cadáveres de seres humanos empilhados por todo o lado, como outra solução final, isso é dizer que a história universal é um livro de mortos. Um conto onde desde as nossas origens nos matamos uns aos outros.
Os estrangeiros estão felicíssimos porque podem saquear à vontade, porque quem denunciar a roubalheira é acusado de tentativa de golpe de estado, e como tal de imediato detido sem acusação formada, sem julgamento e encarcerado na prisão dos presos políticos.

Chegou o saque chinês!

“Se os homens são puros, as leis são desnecessárias; se os homens são corruptos, as leis são inúteis.”
(Thomas Jefferosn)