quarta-feira, 20 de abril de 2016

DIÁRIO DE UM FAMINTO (06)



António Guterres, ex/primeiro ministro de Portugal, veio a Angola na prática do saque político para pedir apoio para se candidatar a secretário-geral da ONU. Em troca apoia a miséria, a fome, os hospitais/matadouros e o incremento das acções contra os presos políticos. É muito triste ver mais um português a fossar na lama rodeado e aplaudido por corruptos.

A feroz mortandade de epidemias e da fome, é a perplexidade da política do não te rales, do quem morreu, morreu.
Ao apelarem à população para que reivindique os seus direitos contra os actos da péssima governação, os partidos políticos da oposição (PPO) demitem-se das suas funções, porque é a eles que compete o papel de dirigir e defender os seus eleitores que neles votaram. Por exemplo, os PPO têm muito medo de convocar manifestações, e sem elas não há democracia. Passar as suas responsabilidades para os seus eleitores, isso é oposição incipiente, de fraca liderança ou apenas vaidade de dirigir. Outro exemplo: creio que há pouco empenho na luta da denúncia contra a fome. Oposição que apenas pretende colocar o seu presidente no poder, e que se está marimbando para os seus famintos eleitores, faz lembrar estranhamente a actuação do espectro do partido no poder. Portanto, passar a bola para a população significa que a oposição não funciona, tem medo. Basta ver o fraco apoio que os PPO dão aos presos políticos. Nesta terra já a ficar ensombrada de fantasmas tudo se confunde com igrejas e confrarias.

Os hospitais/matadouros de Luanda
Quantos mais mortos menos eleitores.
Anúncio colocado à entrada dos hospitais/matadouros: ANIMAIS/PACIENTES, SEJAM BEM-VINDOS AOS NOSSOS HOSPITAIS/MATADOUROS. A EFICIÊNCIA DA NOSSA MORTE SAÚDA-VOS.
Esta cidade é obra de carniceiros.
O comité de especialidade dos carniceiros dos hospitais/matadouros está reunido para implementar a morte do que já chamam os campos de extermínio da população angolana, tal como a solução final nazi. O carniceiro-chefe auto-eleito ressalta que - uma prática constante, as eleições são de fingir, e a oposição aceita-as, aceita tudo o que é ilegalidade e depois vem com versos choramingas para ludibriar o eleitorado – a avidez por cadáveres é intensa, porque há que alimentar um exército de governantes vampiros. O carniceiro/chefe diz que isso é fundamental, importante para apoiar a terra, fertilizá-la para a estratégia contra a crise da diversificação da economia. Os cadáveres são o garante do desenvolvimento da agricultura. O comité da morte exulta, porque mais e mais animais/pacientes vão chegando à solução final e logo sumariamente abatidos pelo pelotão de fuzilamento dos cuidados intensivos.
É por isso que não existem medicamentos, só corrupção.
Depois da reunião terminada com a habitual ovação ao arquitecto da descomunal catástrofe angolana, dizem que Angola está a morrer, mas não, já morreu, os carniceiros lavam as mãos, há quarenta anos que o fazem e não há nenhum produto no mercado que consiga desencardir as suas mãos de tanta corrupção acumulada. Os carniceiros levantam as mãos para o voto secreto, culpando as intensas chuvas como as degoladoras das mortes. Assim como uma espécie da derrota do exército nazi atribuída ao intenso frio do inverno russo. Quando na verdade foi uma catastrófica derrota devida à irresponsabilidade do comandante-chefe nazi, tal e qual como em Angola. E os animais/pacientes chegam como nas câmaras de gás nazis. A morte abraça-os e dá-lhes a extrema-unção. A morte está felicíssima por estar em Luanda, pois cadáveres não lhe faltam.
Quantos mais mortos memos eleitores.
No ar sente-se o medo, a angústia, o horror de adoecer. As crianças são o alvo principal da morte, pois famintas e esqueléticas, a morte prefere-as porque indefesas não dão preocupações de maior. Um animal/paciente antes da despedida final disse para um carniceiro que do TPI – Tribunal Penal Internacional não escaparão, porque mais este genocídio está mais que provado e documentado.
E os bajuladores de Cabinda ao Cunene cantam hinos de louvor, que estão solidários com a carnificina conduzida pela eterna sábia liderança, e que a matança está devidamente controlada, como sempre. E a Igreja e as igrejas possuídas de corrupção demoníaca lavam as mãos, afirmam que isso se deve à crise religiosa. Sem dinheiro, inundados de corruptos e logo de famintos, a morte é certa.
Muitas mortes, menos eleitores. É isso que a parva da oposição tem que ver, que decidir, porque oposição cega afunda a democracia. Mas pelos vistos não adianta, não se espera nada de novo. Isto é África onde ninguém sabe resolver problemas. Onde os estrangeiros dominam sob a protecção de uma minoria nacional, é nisto que dá, neste entretanto da crise: “Jorge Augusto: Boa tarde. Estou a procurar um carro até 3.000.000 kz, semi-novo, automático. Se conhecerem alguém por favor informem-me. Obrigado!”

Parece que o tribalismo africano está bem vivo em Angola.
Os angolanos da Unita, como outros quaisquer filiados num qualquer partido da oposição, compareceram nos hospitais/matadouros de Luanda. No matadouro municipal do hospital Central de Luanda, no matadouro municipal do Hospital Josina Machel, no matadouro municipal do Hospital Américo Boavida, etc., para doarem sangue. Mas o Mpla recusou-lhes esse elementar direito à vida. Creio que o Mpla constituiu-se também num comité de especialidade das células das testemunhas de Jeová. Ao recusar a doação de sangue dos militantes da Unita, o Mpla atiça o ódio tribal, a “guerra” fratricida entre o Norte e o Sul de Angola. O Mpla quer a todo o custo incendiar o conflito tribal do que ele chama de sulanos. Parece que o que se pretende é criar um rastilho que lhe sirva de pretexto para aniquilar os sulanos, e sem eles, com a sua aniquilação ganhar a ilusão de outra corrupta eleição. Angola segue os trilhos da destruição africana e pouco lhe falta para outra espécie de Nigéria, ou mais um dos vários países africanos que apostam na luta fratricida. O lema para a África pode-se resumir assim: Em África bem destruir é bem governar. Em Angola e na África a vida não tem nenhum valor e por isso mesmo, é matar, matar! E como militantes promovedores do ódio das populações, incluindo o mais terrível, o ódio tribal, creio que no futuro próximo tudo o que seja Mpla será destruído. Pois, pois, chamem-me de maluco.

Com a energia eléctrica aos trambolhões, asfixiados pelo fumo mortal dos geradores, como o do banco millennium na rua Rei Katyavala, que funciona como uma câmara de gás nazi, isto do matar e depois não querer ser morto é demais, como nos regimes em que a vida humana não tem nenhum valor, corrupção conforme os ensinamentos da santa mãe igreja. Miséria, fome, desemprego massivo, salários de miséria, hospitais/matadouros. Não se pode comprar nada porque os preços estão elevadíssimos. A qualquer momento corremos o risco de sermos assaltados. Saque de Angola generalizado. Nas empresas os trabalhadores são tratados como escravos, atingindo o cúmulo nas empresas chinesas. Excepto a nomenclatura ninguém mais se pode manifestar O degradante julgamento de presos políticos com hilariantes acusações. Lixo por todo o lado. Mortes, mortes e mais mortes por todas as esquinas como os novecentos dias de Leninegrado. Música com o som muito alto que nos impede de dormir e de nos arruinar a saúde, de nos matar. Selvajaria total e completa, etc. Então não querem que as pessoas se revoltem? Claro que as pessoas têm o direito de se revoltarem, de se manifestarem. Estão todas as condições criadas para uma revolta. E quando Angola tiver partidos políticos da oposição talvez as coisas mudem.

“A diferença entre uma ditadura e uma democracia, no que diz respeito à corrupção, é que numa democracia os corruptos nem sempre conseguem dormir, com receio de que polícia lhes entre em casa a meio da noite, enquanto numa ditadura são as pessoas honestas que não conseguem dormir — com receio de que a polícia lhes entre em casa a meio da noite”. (José Eduardo Agualusa)