sábado, 10 de junho de 2017

O RELÓGIO




Um relógio de 500 mil dólares
É algo que não se pode esquecer
Sob silenciosos olhares
Multidões pela fome a morrer

Crise? Com tanto dinheiro?
Com tanto dólar a esbanjar
Na imensidão de tal chiqueiro
Para a riqueza ostentar

Um relógio de um benfeitor
Obtido sem esforço num leilão
Pela graça de nosso senhor
Mais relógios se comprarão

Uma desgraça nunca vem só
Escravidão, miséria e fome
Isto está de meter dó
O faminto não dorme

Já nem pão se consegue comer
Esse relógio será enfeitiçado
Isto está mesmo a arder
E pelas chamas iluminado

Crianças abandonadas nas ruas
De mãos estendidas a esmolar
O relógio das falcatruas
Na hora do reino a desmoronar

No reino do relógio milionário
Pratica-se muita filantropia
Está tudo ao contrário
As divisas somem de noite e dia

Este relógio é o símbolo da paz
E da unidade nacional
No reino do tudo se desfaz
Sem medicamentos no hospital

As horas o relógio irá soar
Nas igrejas os crentes vão rezar
Em tragédia isto vai acabar
Maldito o relógio vai ficar

Relógio da democracia de fingir
E dos arautos da falsa oposição
Paspalhos que deles é fugir
Que fazem da política profissão

E neste ambiente de relojoaria
Da financeira engenharia
O relógio desperta a lavandaria
Mais catástrofe se anuncia