quinta-feira, 1 de junho de 2017

ANGOLA NA CONTAGEM DECRESCENTE DA GRANDE TRAGÉDIA




Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversão da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição ameaça sair à rua.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Nota de abertura: A Unita já ganhou as eleições! Canta a vox populi, a voz do povo na rua.
Do que eu me havia de lembrar: se em Luanda acontecer um tremor de terra de baixa intensidade, acredito que os depósitos de combustíveis espalhados por todo o lado incendiarão e se despejarão nos depósitos de água que tombarão e em chamas os combustíveis arrastarão. Uma terrível dantesca visão, não?!
Sediangane Mbimbi no programa Angola e o Mundo da Rádio Despertar de 28/05/17: “O Hospital Maria Pia (em Luanda) não tem nada, nem um livro onde os médicos passam as receitas, que são receitadas para o paciente que têm que memorizá-las.”
À noite, a mana Mónica costuma ir ao mercado dos congolenses comprar as coisas para fazer comida para depois vender. Mas teve que fugir porque os fiscais como a fome aperta cada vez mais saqueiam as vendedoras. É a lei do cerco da fome a ditar as suas regras. Mas na realidade isto passa-se em todos os mercados. E quanto mais a fome apertar muito mais há que saquear. E daqueles empresários e outros tais democratas fúteis que por qualquer motivo fútil vão para o estrangeiro, incluindo em gozo de férias, e que depois têm o desplante de dizerem que isto está muito duro, e que durante três meses, ou mais (?!) deixam os trabalhadores abandonados à fome, deixando-os sem salários porque na sua omnipotência só eles é que sabem assinar cheques. E não há lei que lhes caia em cima porque o colonialismo e a escravidão ainda não acabaram. A propósito, alguém sabe quando acabarão? Nesta sociedade sem regras, sem lei, onde qualquer dita a sua lei, como é que acabará? Outro Congo? Outra República Centro-africana?, etc.
Sentem-se fortíssimas as vibrações da destruição. Da cátedra do só formar políticos mas não homens, há o embate de colossos que tudo despedaçam. Creio que Angola tem o cenário ideal, final da sua destruição, talvez lembrando os últimos dias de Pompeia, como reza o slogan, total e completa aniquilação. É só políticos em cada berma que fazem prenunciar o que tão mal vai recomeçar. Desgraça, miséria e fome. Salvo as habituais honrosas excepções, Angola não formou ninguém, só deformou, prova-o a total dependência de técnicos estrangeiros e da sua tecnologia. Angola continua totalmente dependente do estrangeiro, como por exemplo, o continuando a importar sal, o que é revelador da tragédia sem fim. Os problemas avolumam-se como que formando montanhas. Ninguém resolve nada, é o apenas paladar habitual do desgostoso falar, porque ninguém parece capacitado para saber resolver problemas. Quando a cabeça não funciona tudo à nossa volta se desmorona. Angola é uma inigualável república de charlatães e de cambalacheiros que lutam, roubam e se devoram entre si como habilitados predadores. E por isso mesmo é o vale-tudo. E assim Angola é pátria zumbi. Esta é a Angola da população que sem o saber caminha para a sua autodestruição. Já outro réquiem se toca por ela porque de tal modo involuiu que em associações de malfeitores se uniu. De gente fingida que por fora são grandes democratas, mas que por dentro têm o vírus da maldade. Viver e depender de irresponsáveis é impossível, é ver a sociedade como um todo a se desfazer. Pois, a impressão que se tem é que Angola está refém de associações de malfeitores. Como é isto possível? Pois, onde a mediocridade humana impera os malfeitores fazem fila de espera.
Uma mãe com duas crianças, uma de colo e outra, uma menina de sete anos, que lhe implora que tem fome. Vão incertas pela rua à espera que alguém lhes dê alguma coisa para comer. A mãe pára e bate com raiva na menina que indefesa e sem compreender que afinal pedir comida significa tortura. A mana Mónica que assiste à tragédia diz para a mãe que não bata assim na criança, porque senão vai chamar a Polícia. A mãe olhou para ela e logo de seguida foi-se, escapuliu-se para outro local de outra tragédia.
Como é que uma pessoa vai aqui viver sabendo que não tem futuro. Mas que grande chatice. É proibido fazer planos para o dia de amanhã.
Luanda, a cidade do santuário da corrupção. Luanda, a cidade dos mártires da neocolonial repressão. Nunca sabemos se amanhã temos água, energia eléctrica, nunca se sabe o que nos vai acontecer porque vivemos no constante terror de sermos assaltados fora ou dentro de casa. Mais uns anos assim governados e nem uma raiz de capim vai sobrar.
É do meu conhecimento que numa empresa – claro que existem mais, por exemplo, as da nomenclatura ou não, é norma – exige que os seus trabalhadores trabalhem sábados e domingos sem lhes pagar horas extraordinárias. Com a agravante de também não lhes pagar o subsídio de férias. E é verdade sim senhor que não existe sindicatos, há sim senhor alguns pobres diabos que dizem que são sindicalistas. Estão claramente sob comando, empregados das ordens superiores. A relação entre empregados e patrões lembra a de capataz com escravos. Aqui creio que Angola ainda não acabou com a escravatura e o colonialismo. A liberdade não se decreta. A democracia e a liberdade conquistam-se. Quem nada na miséria afoga-se. Isto está uma grande trapalhada, e como tal ninguém entende nada. E onde tudo é a fingir, torna-se impossível discernir.
“Famílias despejadas no condomínio do Banco de Poupança e Crédito: Questionado sobre o local onde vão ser alojadas as mais de 100 pessoas expulsas a partir de segunda-feira, (29/05/17) Luís Canje respondeu que "não é responsabilidade da administração arranjar lugar para abrigar estas famílias". (Gaspar Faustino. In Novo Jornal 26/05/2017)
Tens que te livrar do monstro senão ele vai-te devorar.
“Artur Pestana “Pepetela”, que, numa premonição impressionante, para além da diabolização, previram todo o cenário posterior. Pepetela é um escritor reconhecido no exterior, aqui mesmo, em Portugal, ganhou prémios, mas tem as mãos manchadas de sangue, por ele passaram muitos atirados para os campos de fuzilamento, pois foi um dos ideólogos da célebre Comissão das Lágrimas. Não lhe ficava mal, pelo contrário, um pedido de desculpas às vítimas e aos filhos, sobre a sua nebulosa participação no genocídio.” (William Tonet in Folha 8 edição 1319 de 27/05/17)
Economicamente a coisa pode ser vista assim: se um banco não tem um bilião de dólares, então está falido.
Parece não haverem dúvidas o porquê de ninguém já confiar nos bancos da maiua. Há fugas nos depósitos em kwanzas e em divisas porque o dinheiro entra nos bancos, mas depois para o levantar é um grande problema. Por isso se prefere que o dinheiro fique guardado em casa. E por isso mesmo se diz que os bancos estão falidos. A mana Ema vive momentos de aflição, porque há mais de um mês que não consegue movimentar a sua conta bancária em divisas para viajar e fazer tratamento médico num país da Europa. O mano Dito também está na mesma situação. O seu jovem filho está com problemas, necessita de uma intervenção médica no estrangeiro e não consegue movimentar a sua conta bancária.
Assim sendo, manos e manas, os vossos filhos serão a obra-prima da burrice muangolé sempre à mercê de estrangeiros que trazem os avanços tecnológicos que os muangolés ainda não alcançaram porque por aqui nós nessa matéria é só recuos. Vale lembrar que a actual tecnologia muamgolé é: alcoolismo, feitiçaria e correpção. E um cliente de uma quinguila disse-lhe que arranjar kwanzas está muito difícil. Claro que está, pudera com tantos comités de especialidade que mais parecem igrejas, outra coisa não será de esperar. Se não se acabar urgentemente com a corrupção, isto vai ficar um massivo comité de especialidade de esfomeados.
Os sinais perturbadores, reveladores já existem: está muito raro, acabou, o tempo de quem carregava sacos com muita comida. Isso acabou. Os cantineiros aqui da banda estão de prateleiras vazias. Há muitos portugueses com muitos meses que não conseguem apanhar divisas para transferirem para Portugal. Estão convictos que a intenção é correr com eles.
E pode-se dizer que as eleições que se aproximam a passos muito rápidos serão eleições das trevas porque Angola está entrevada.