quinta-feira, 20 de novembro de 2014

18-23Out14. República das torturas, das milícias e das demolições





Diário da cidade dos leilões de escravos

18 de Outubro
Só com discursos, fazedores de opinião, comunicados e conferências de imprensa assim se destrói um país.
Perante o que se está a passar nos últimos dias, não me restam mais dúvidas que Angola merece muito bem o estatuto de estado falhado.
19 de Outubro
Viva a corrupção em Portugal! A corrupção faz um incêndio de graves proporções em Portugal, porque o EFA- Estado Falhado de Angola, envia-lhe malas carregadas de dinheiro. Como acaba de noticiar o CMTV: “A grande fortuna em dinheiro encontrada nas malas na residência do general Bento dos Santos Kamgamba, pela Polícia Judiciária Portuguesa, era para pagamento de luvas de políticos portugueses.”
Quem brinca com a sua vida e com a dos outros, mais tarde ela cobra-lhe com juros elevadíssimos.
Todos lutamos pelo nosso pedaço do mundo que nos pertence, mas como há uma pequena porção de indivíduos que o usurparam, a nossa luta diária de milénios é essa: reivindicar o que é nosso, mas as leis deles dizem que estamos ilegais, e isso é a causa das revoltas permanentes.
Eram para aí vinte e uma horas, zona das motas, ex/ Avenida do Brasil, agora Avenida dos Massacres, um português vem com uma pasta. Muito rápidos, dois bandidos atacam-no, um dá-lhe uma rasteira, o português cai, fica indefeso, os bandidos tiram-lhe a pasta, fogem e desaparecem na noite. O português levanta-se e corre a grande velocidade para um prédio próximo onde reside.
20 de Outubro
De uma vizinha: sempre com a mania deles. Chegaram aqui há pouco tempo, alugaram o apartamento do primeiro andar e fizeram dele um escritório. Os portugueses não mudam, e se mudam é sempre para pior. Quando passam pelos vizinhos mwangolés não cumprimentam, porque nós não somos pessoas, mas se forem brancos já cumprimentam. Os brancos sempre com a mania deles.
E o Nosso Técnico conseguiu descobrir… capturar o paradeiro do português trapaceiro. Perguntou-lhe pela sexta ou décima vez: «Como é?! O dinheiro do meu trabalho?» E o português desavergonhado: «Ainda não recebi!» Pois, os portugueses fizeram morada aqui apenas para transferirem tudo o que puderem para Portugal e os mwangolés viverem sempre na condição de antanho, escravos com o apoio mórbido da nomenclatura e da comunidade internacional, que vê no africano não um ser humano, mas uma besta de carga.
Às 21.19 horas a luz foi-se.
21 de Outubro
Às 01.15 a energia eléctrica (?) regressou. Às 08.48 desapareceu e reapareceu, parece, não, é mesmo um fantasma, às 09.23 horas. Pouco depois desapareceu outra vez e veio às 10.22.
E também se importa peixe cacusso da Tailândia. Com tanto cacusso que Angola tem importa-o, assim como o limão que o extinguiram – tal como o cacusso?, – para que se possa importá-lo de Portugal. Estes planeamentos macabros nunca mais acabam, porque os povos de Angola e da África são para eternamente colonizar.
José Ferreira. In Portugueses em Angola. “Quanto os angolanos ganharem pouco é mentira”. Comentário de Chiquita Bacana Kundi. “ Pois é, pois é. Mas, não podes falar pelos teus compatriotas. Porque até os velhos, bem velhinhos vêm para Angola e relacionam-se com meninas e mulheres pobres, chegando ao ponto de fazerem filhos com as mesmas. Humilhação total! Só pelo facto desses velhos, sem carácter, aproveitarem-se dessas mulheres, só pelo facto de serem pobres. Portugal devia ter um pouco de vergonha, mandar velhos para o nosso país que já pouco ou nada podem oferecer a não ser engravidar as mesmas. Vergonha nacional portuguesa. Que horrorrrrrrrrrrr! Conheci um caso, que a irmã do velho falecido veio a Angola, buscar as crianças, porque a coitadita não tinha como sustentar as crianças.”
22 de Outubro
Das 14.51 até às 15.01 horas mais um apagão caiu-nos em cima.
Ouvi bem, ou é concorrência desleal ao nosso patrono, Bento dos Santos Kangamba? Bispos da CEAST elogiam os sucessos do nosso andebol em África.
Uma Igreja viciada na doutrina da Idade Média, não salva almas, porque insiste em enviá-las para a fogueira.
Amizades perigosas. Ela conseguiu conquistar a amizade de um casal. Já frequentava regularmente a casa. Um dia ficou lá sozinha a tomar conta das crianças. Pôs a bebé de seis meses nas costas, saiu, passou pelas vizinhas nas calmas, que como era amiga do casal ninguém lhe perguntou nada, para onde ia. Nunca mais voltou, a bebé também não.
Não se pode estacionar numa curva porque é proibido pelo Código da Estrada, mas em Luanda pode-se.
Em Angola, e particularmente em Luanda, há muitos terrorismos. Vai ser muito difícil, senão impossível, acabar com eles. E o mais perigoso terrorismo que nos faz estragos incalculáveis é o da hipocrisia que fortemente unida à corrupção, faz o futuro impensável.
23.00 horas. Terror na rua das Sirenes. Duas jovens correm perseguidas por dois bandidos desses das motas. As jovens conseguem refugiarem-se num prédio junto dos seguranças. Dois portugueses acabados de chegar e já apelidados de brancos racistas – assim chamados pelos vizinhos porque não cumprimentam mwangolés – pretendem obrigar um segurança a acompanhar as jovens tipo cavaleiro andante desses que defendem a sua dama, ao que ele se recusa afirmando para os portugueses que se quiserem eles que vão, porque ele dali não sai. E um português diz-lhe que se vai queixar no chefe dele. Vê-se logo que estes portugueses nunca estiveram em Luanda, e que se assim continuarem, problema deles. Entretanto outro português em tresloucada correria também se refugia no prédio, escapou de ser assaltado por outros bandidos. Estes e os outros bandidos vinham armados com pistolas. O português fala bem com o segurança, e assim a jeito de o dominar dá-lhe mil kwanzas para que ele o proteja. Noutro entretanto, os vizinhos já comentam que o escritório dos brancos racistas não demorará muito tempo a ser assaltado, porque os vizinhos já notam movimentos suspeitos, e como eles são racistas, também problema deles.
23 de Outubro
Quénia, Moçambique e Nigéria, já nos ultrapassaram no crescimento económico. In José Severino, no programa Vector da LAC.
Às 10.38 mais um apagão.
Os verdadeiros bandidos não são os que nos assaltam nas ruas, são os salteadores do petróleo e mais aqueles que o cheiram.
Enquanto existirem brancos racistas, o racismo nunca acabará, pois são eles que continuam a pregar esse evangelho há quinhentos anos instituído.
Luanda é o local ideal para acolher criminosos, pois aqui são sempre bem-vindos e muito bem recebidos. E os racistas têm aqui um belo santuário.
Quando uma quadrilha dirige, todas as outras se lhe juntam.
Está mais que provado: São eles que têm o direito de viver e nós não. Por isso somos abatidos com muita facilidade.
Que a miséria esteja convosco! E contigo também!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A independência do navio negreiro




A mana Isabel fez uma compra especial
Do dinheiro surripiado do fundo estatal
É a rainha de África da soberba nacional
E imperatriz da desgraça de Portugal

Quase não se consegue pensar
E a miséria sempre a espreitar
Sei muito bem como isto vai acabar
Uma bomba social vai despoletar

Com o tempo até o capim secou
O gerente do poder tudo saqueou
A terra nunca mais se lavrou
Aos camponeses tudo se espoliou
À miséria e à fome se obrigou
E tudo o estrangeiro levou
Reduzindo a zero quem lutou
Da herança que o petróleo deixou
O grande fazendeiro Angola gamou
Somos escravos assim se sentenciou

O tuga vendeu Portugal
De Angola quer fazer igual
Do angolano povo anormal
Querem que vivamos mal

O tuga chegou como amo feliz
Faz ao angolano dano infeliz
Faz vista grossa à corrupção
Mais um pobre diabo ladrão

É necessária outra independência
Onde se valorize a sapiência
Nos labores não temos direitos
Dizem-nos escravos imperfeitos

Nas empresas o branco português
Sumariamente nos põe na rua
Porta-se como um vulgar chinês
Abandona-nos ao relento sem lua

Se não fosse a hipocrisia da oposição
Há muito que teríamos outra Nação
Não sucumbida como esta escuridão
Já nos teríamos liberto do camaleão

Neste país montanhoso de doutores
Da abundante dipanda sem literatura
Decretaram-se as perdas de valores
Da ortodoxa e infame escravatura

Nesta Nação de cegos surdos e mudos
A independência ainda não aconteceu
Angola é para os estrangeiros sortudos
Porque o libertador ainda não nasceu









terça-feira, 18 de novembro de 2014

O PARAÍSO PERDIDO A OCIDENTE (13)



Imagem: Concelho de Alcobaça. Monumentos…

Mostrou um texto cujo título era, 101 Perguntas a um Guerrilheiro, por Alberto Bayo. Explicou que se tratava de um guerrilheiro do PAIGC que foi apanhado e interrogado pela Pide, onde os elementos fundamentais da sua acção consistiam no uso de uma corda que permitia aos guerrilheiros a sua sobrevivência. Demonstrava sobretudo que o uso dela era uma peça muito importante na luta de guerrilhas, e que Portugal seria vencido na guerra contra a Guiné. O Zé Luís acrescentou:
- Nem tudo está perdido. Resta-nos a CDE-Comissão Democrática Eleitoral do Francisco Pereira de Moura, contra a UN-União Nacional dos fascistas...
Quitério interrompe:
- A CDE nunca ganhará nada. Até já estão a invadir as suas instalações e a confiscar os panfletos. A prender e a interrogar alguns candidatos. Bom, o que resta fazer é darmos o salto para a Suécia para fugirmos à guerra colonial, e lá no exílio continuarmos a nossa luta contra o regime. Mas de qualquer modo com a actuação da CDE, eles ficam a saber que afinal existe oposição e de quem se trata. Só que depois não terão grande espaço de manobra e posteriormente serão bem vigiados e condenados a viver na miséria e na perseguição. Qualquer pretexto servirá para os eliminar.

No dia seguinte o Quitério arrastou-me, explicando que era necessário que eu o acompanhasse para que me inteirasse do que se passava no país e assim aprender a luta dos estudantes. Havia uma reunião de protesto contra a guerra colonial no Instituto Superior Técnico. Quem entrava era vigiado para detectar possíveis infiltrados da Pide. Lá dentro os oradores expunham as suas opiniões. Eram unânimes em condenar a guerra colonial e que o poder devia ser entregue a esses povos. Quatro Pides, sempre trajados à civil apareceram e encerraram a reunião. Depois de todos saírem ficaram no portão de entrada. Nos próximos dias os estudantes como forma de protesto boicotaram as aulas.

Numa tarde sem história, concentrado na leitura no café do Frederico, o Mota e o Quitério apareceram. Mandaram vir dois cafés. Depois perguntaram-me se queria ir com eles à Cidade Universitária assistir a um convívio de baladas. Claro que disse que sim.
O local onde os baladistas se exibiriam era amplo. Estava lotado. Conseguimos lugares em pé. O tema das baladas era a canção de protesto. Os primeiros a tocar foram o Duo Ouro Negro. Tocaram e cantaram duas músicas do folclore angolano. Uma delas falava de uma serpente. Alguém comentou:
- Estes gajos vieram aqui fazer o quê? Falar sobre uma serpente o que é que isso tem a ver com a nossa luta?
Creio que poucos gostaram da sua actuação. Quando surgiu Adriano Correia de Oliveira foi o delírio.

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
E o vento nada me diz

Uma poesia tão elucidativa. Bem tocada e cantada que encantava os nossos corações, e as nossas almas sedentas de justiça e liberdade. E noutra composição.

- E as armas não lavram terra…

Todos batemos muitas palmas. Agradecemos e incentivámos a sua luta por um Portugal livre da opressão.
A seguir… Zeca Afonso. O barulho com que foi recebido parecia que o edifício desabaria. Já o conhecia pela balada do Menino de Oiro dos seus tempos de Coimbra. Mas Zeca já não era o mesmo. As suas composições agora eram um desafio directo ao regime. Extremamente vigiado pela Pide receei que a polícia de choque surgiria e nos atacasse à bastonada como era hábito. Quando isso acontecia comportavam-se como verdadeiros cães raivosos. Mas estranhamente não apareceram. E o Zeca a avisar:

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras.

Zeca, claro, era muito inteligente, senão vejamos o coro:
Pam pará pi pam pam. Pam pará pi pam pam. Que traduzido significa: Vão parar à Pide vão. Vão parar à Pide vão, vão vão vão! O Zeca achincalhava o regime sem que eles se dessem conta. As suas actuações eram efectuadas em segredo, sem publicidade, porque senão toda a polícia de choque aparecia em força e o espectáculo não seria realizado. Assim como veio, também foi discretamente.
Isto deu-me uma ideia. Porque não criar uma antologia pessoal da canção de protesto? Comprei alguns cadernos escolares e escrevi neles tudo o que se relacionasse com tal tema. A certa altura dei-me conta que os cadernos que comprei já não chegavam. Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cilia, Manuel Alegre, Fiama Hasse Pais de Brandão, Manuel Freire, Padre Fanhais etc.

A surpresa veio com o meu pai. Um passageiro conhecido vindo de Paris, perante a insistência do meu progenitor entregou-lhe uma encomenda, os Fados de Adriano Correia de Oliveira. Inicialmente o meu pai pensou que eram de facto os tais fados do nosso ancestral sebastianismo do qual não conseguimos nem ousamos sair, como que petrificados no tempo, acariciados pelas trovas do vento que passa. Mas quando verificou que os fados eram outros, entregou-me o LP. Corri a informar os meus amigos. O primeiro, claro, foi o Quitério. Convocou a maralha dizendo que era uma surpresa. O seu quarto era pequeno. Passámos vários dias a escutar os “fados”. O som não podia estar muito alto porque era um disco proibido e todo o cuidado era pouco. Depois outra surpresa. Pela mesma via veio os Cantares do Andarilho, do Zeca Afonso. Quitério como sempre explicava.
- Este também está proibido. Temos também de o ouvir com muito cuidado. O Zeca é o homem mais vigiado deste país de merda. Sabem como é que ele gravou este disco? Foi na sua casa. Colocou cobertores nas paredes por causa do som. Foi gravado às escondidas.
Alguém interrompe:
- Ele é um grande comunista!
- Sim é verdade, é um grande comunista. Mas que nos interessa isso? Ele é um grande poeta e um grande músico. Percorre o país. Até sobe montanhas para recolher músicas do nosso folclore. Nunca se esqueçam que as ditaduras são um perigo para a civilização e os impérios nascem e morrem. – Finalizou o Quitério.








domingo, 16 de novembro de 2014

A paisagem das crianças abandonadas sem lugar assombra-me o cavalgar



A tempestade era intensa e as ondas do mar pareciam um corcel sem domador. Mas mesmo assim embarcámos no nosso navio do amor dispostos a enfrentar os poderes da Natureza, pois há muito sabíamos que nada, ninguém vence o poder do amor. Sim, os poderes da natureza e do amor são invencíveis. 

Quando o amor se solta ninguém o prende
E parece que até hoje isso ninguém aprende
Receio que muito poucos saibam amar
Porque o amor não está nos copos de um bar

Quando estamos presentes todos os dias na companhia da pessoa amada o amor fica como de abalada. Mas quando nos ausentamos, do nosso amor nos afastamos, carregamos o peso da nostalgia dessa pintura e ao olharmos para as paisagens que nos rodeiam facilmente vemos que elas nos acenam com tristeza. Há como que uma intensa actividade eléctrica que em tudo interfere. Quando os circuitos do amor se interrompem não há fusíveis que os reponham pois facilmente se fundem. Do amor não nos podemos afastar demoradamente, pois se o fizermos ele nos repudiará premente.

No amor sem carris os comboios não circulam
Ficam pejados de corações que neles deambulam
Como um navio que sulca o desconhecido mar
Navio fantasma com passageiros do além-amar

O vento forte dos promontórios agita a tua beleza enquanto o teu cabelo ondula oprimido. Escuta-se o tremor da água que furiosa quer libertar-se dos carcereiros das prisões das paredes de pedra. Há milénios que o fragor desse som nos persegue, nos apela que salvemos as ondas que desejam às outras dos seus amores no alto mar se juntar.

Há muitos tempos que não te vejo
Conservo incólume o nosso desejo
Estou num castelo muito distante
Como Lancelot no amor errante

Muitas crianças assombram-me o cavalgar
Dos seus corpinhos abandonados sem lugar
Vítimas dos abates dos funestos caçadores
Com hipocrisia lhes chamam meus amores

Foto: Carmen dos Santos (Carmen Cardin)











sexta-feira, 14 de novembro de 2014

11-17Out14. República das torturas, das milícias e das demolições


Diário da cidade dos leilões de escravos

11 de Outubro
07.31 horas. Está a cacimbar. O cacimbo ainda não acabou, quando acabará? Vinte e um graus à sombra e oitenta e dois por cento de humidade.
Outra vez o colapso da energia eléctrica. Das 06.43 até às 08.15, e das 14.13 até às 14.33 horas a energia eléctrica abandonou-nos.
SOS ONU. Lei do terror em Luanda.
22.30 horas. De um mwangolé atento: Em Luanda, aí há dez anos a esta hora viam-se muitos carros e muita gente na rua. Agora há muitos carros e mais gente e quase não se vê carro passar e pessoas também.
22.54 Horas. De uma vizinha: os gatunos já estão a assaltar os prédios.
Cuidado com os trapaceiros: o Nosso Técnico reparou o computador de um português e entregou-lho devidamente operacional. Como se conheciam já há quase um ror de anos o Nosso Técnico confiou que o português honraria a dívida como uma pessoa civilizada. O português assegurou-lhe que na próxima semana lhe pagaria. Nem na próxima, nem nas próximas semanas pagou. Furtava-se sacanamente como é norma, pois Angola e os mwangolés continuam no imparável saque. Já encostado na parede o tuga desculpou-se que estava para ir no banco levantar o dinheiro, mas descobriu – são sensacionais nas descobertas – que perdeu o cartão de crédito. Poucos dias depois o Nosso Técnico vai a casa dele já de ultimato na mão – não, não, sem AKM – mas o português já lá não está, mudou de casa de caxexe. Veio-se a saber depois que o tuga fugiu das dívidas do conto do vigário. Mais mwangolés andam no seu encalço e quando lhe descobrirem, lhe apanharem onde mora, vão-lhe surrar e carregar-lhe coisas de casa como boa cobrança. Mas parece que ele fugiu para Portugal, o eterno refúgio dos crimes coloniais.
Sem o rigor contabilístico, sem contabilidade organizada, a corrupção alastra-se e desta nação apenas restam ruínas. Se não a pararem, aniquilarem, ela mata-nos. A corrupção é como o ebola.
Há quarenta anos que vivemos escuros e secos. Mas o nosso Governo, nos próximos dias normalizará o abastecimento da energia eléctrica e da água.
12 de Outubro
Hoje ao acordar fiz uma grande descoberta. Estou neocolonizado! Só vejo por todo o lado capatazes do petróleo, e chineses e portugueses em grandes quantidades como uma bruta tempestade que depois nos inunda. Com os seus chicotes desembainhados a chicotearem-nos enquanto gritam desalmadamente como no apogeu colonial: «Estamos aqui para vos ajudar, para vos transmitir os ensinamentos da nossa avançada civilização do homem branco! Portanto só vos resta obedecer-nos.»
“Isto não será outro Moçambique!” Pois não, isto será muito pior. Não adianta perder tempo com eleições já antecipadamente ganhas, porque não existe democracia. A luta pela democracia terá que se efectuar por outras vias. Os nossos esforços têm que ir no sentido de evitar por todos os meios o regresso às cavernas coloniais.
Pergunto-me o porquê da existência na nossa praça de muitos analistas internacionais, que escalpelizam todos os acontecimentos internacionais, dão palpites, etc. Mas analistas nacionais são raríssimos, estão com certeza proibidos. E claro, é também raríssimo um analista nacional dar palpites sobre a corrupção. Questão: porque será que faz quarenta anos e nunca se prendeu um único corrupto?
E as igrejas uniram-se às forças da opressão. A Igreja não pode abusar do santo nome de Deus para apoiar a corrupção em Angola e dela usar e abusar. Um cristianismo corrupto jamais parará os radicais islamitas.
E os chineses e portugueses ao apoiarem também a corrupção facilmente enriquecem. Mesmo à custa das próprias vidas. Ou não sabem, ou fingem não saber que são os mentores dos tumultuosos dias da necrologia.
13 de Outubro
Há alguns anos no Futungo de Belas, um mwangolé criou um jacaré desde pequenino. Ele já estava bem crescido, e o mwangolé continuava a alimentá-lo servindo-lhe comida na mão. Tudo ia bem até que um dia o jacaré comeu a comida e a mão do seu dono.
A pior coisa que pode acontecer a um povo é ter um governo democraticamente eleito, que depois vende o país e o seu povo ao desbarato a qualquer estrangeiro.
E quem não for vermelho e preto vai para o matadouro.
O jovem com quinze anos veio do Lubango para Luanda e ficou em casa dos tios. No início tudo bem, – é sempre assim – os dias passam e começam os problemas. O tio e a sua esposa queixam-se de que ele não faz nada, e logo se torna num empecilho. Falam-lhe, falam-lhe mas ele não liga. O tio fala com ele, diz-lhe que vai pagar a viagem de regresso ao Lubango e dar-lhe mais algum dinheiro para a viagem. Mas o jovem foge e ruma para casa do avô, mas este já sabedor da situação também não o aceita. O jovem passa a dormir na entrada do prédio junto com os seguranças alegando que já é tarde, e por isso não quer incomodar o avô. Anda por aí ao sabor das aulas da rua, mais um que tira o curso intensivo da bandidagem. Quando num país as famílias se desmoronam nada mais resta, como um navio que encalhou num baixio e lá espera o seu irremediável afundamento.
Os chineses impõem-nos as suas leis, os portugueses também. Angola é um feudo de países. E o mwangolé escorraçado daqui e dali sem direito ao seu quinhão de Angola, só lhe resta o feudo dos assaltos.
14 de Outubro
Que mundo atroz este, onde uma pessoa tem que lutar sozinho contra a maldade e contra a democracia que afinal é nossa inimiga.
Perante a hipócrita democracia que oprime os povos para fazer comércio, não surpreende que o EI-Estado Islâmico, avance, avance e avance e depois que os terroristas se expandam por todo o lado. A actual democracia corrupta é a empresa ideal donde saem milhões de terroristas bem formados, bem-educados.
Onde há corrupção institucionalizada, há constante violência, crime e morte.
Há uma infinidade de programas educativos e religiosos em todos os meios de informação, mas as crianças estão cada vez mais violentas. Há muitos psiquiatras, mas as sociedades estão muito doentes. Há muitos economistas e as economias não funcionam, estão também muito doentes, etc.
“Pode até ser que consigamos convencê-los que torturar não mata ideias, que o terror é insuficiente para a manutenção da ordem. Precisamos tentar convencê-los. Eu continuo tentando.” In Dom Hélder Câmara.
15 de Outubro
Enquanto ontem estiveram a ver o debate político na TV-Zimbo, - se notarem é sempre a mesma coisa, só mudam as palavras, parece mais um jogo de futebol - optei por ver o filme sobre a vida da Coco Chanel. Creio que fiz boa gestão do uso do tempo.
“Lavar as mãos com sabão é uma das ‘vacinas’ mais baratas e eficazes contra doenças virais. Se a isso conseguir juntar a lavagem mental, será perfeito.” (Orlando Castro)
16 de Outubro
Ó Amélia de Aguiar, do programa Vector, da LAC-Luanda Antena Comercial. “Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena.” Não é do Camões, é do Fernando Pessoa.
“A força é construída pelos fracassos e não pelos sucessos.” (Coco Chanel)
Comentário de Chiquita Bacana Kundi no Facebook.“ Tudo isso?! E o angolano recebe o quê?????? Os salários desses espertinhos deverá ser igual ao do angolano. Ninguém os chamou, eles é que estão a entrar sem pedir licença. Ainda por cima com certificados duvidosos e vistos falsos.”
17 de Outubro
As malas com dinheiro provenientes do BESA – Banco Espírito Santo Angola, invadem Portugal e os bancos dos empresários governantes. Arruínam Angola, Portugal e os seus povos. Na reciprocidade de vantagens e a coberto dessa corrupção, os portugueses estão autorizados a invadir Angola. E por isso mesmo o Governo português e os seus bancos são perigosamente corruptos. Portugal perde a sua soberania e os portugueses passam à reles condição de ciganos em Angola e no mundo, como párias. Os chineses financiam Angola e obrigam o Governo a esbanjar dinheiro em obras sem nenhuma utilidade, realidade para a população. A China obriga Angola a entrar no clube da alta corrupção, e depois cinicamente diz que não se intromete nos assuntos internos dos outros países. Em contrapartida Angola recebe a invasão chinesa. Isto faz com que Portugal e a China sejam os principais responsáveis da sangrenta repressão contra qualquer manifestação pacífica. Por trás das marionetes da governação angolana estão os portugueses e chineses que de facto e de jure governam Angola. E como um mal nunca vem só, o preço do petróleo já caiu trinta por cento.
No momento do discurso do PR sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional, preferi ver o filme, Coco Before Chanel, de 2009, mais um filme muito inspirador da gloriosa vida da imortal modista francesa de alta-costura, Coco Chanel. Estou convicto de que o PR concorda comigo.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A REPÚBLICA DO TERROR POLÍTICO





Que mais posso eu querer
Eu quero é ficar no poder
É um facto consumado
Quero ver tudo arrasado

Proibiram o limão nacional
Para que se importe de Portugal
Para ficar como antigamente
Ao sabor das regras colonialmente

Angola é outro Zimbabué
Com petróleo, não é?!
Também tem um presidente
Que preside eternamente

Angola está em estado terminal
Seguindo o exemplo de Portugal
Aqui não se confia em ninguém
E nos partidos políticos também

O mal e a hipocrisia encontraram
E os pobres coitados se suicidaram
É notável o baixo nível intelectual
Da oposição, outro estado terminal

Funciona em pleno a corrupção
Um país de gatunos jamais será nação
Angola rui na dupla nacionalidade
Isto é o que se chama angolanidade

Enquanto a corrupção governar
Nada sobreviverá, nada vai mudar
Os populistas e demagogos cairão
Estas hordas a bem ou mal sairão

Os contabilistas vão ter Ordem
Não funcionarão nesta desordem
Sem energia eléctrica nada se faz
E Angola… tu não és capaz!

Em Benguela a morte está demais
São abundantes os cemitérios ilegais
Corpos abandonados nos cemitérios
Só lhe falta a criação do ministério

Dizem: a guerra ficou para trás
Viver na corrupção não é paz
Em Luanda o crime compensa
E os criminosos recebem recompensa

Os cabos eléctricos sempre a queimar
O postos de transformação a incendiar
E a oposição faz comunicados
De apoio ao partido dos crucificados