quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A independência do navio negreiro




A mana Isabel fez uma compra especial
Do dinheiro surripiado do fundo estatal
É a rainha de África da soberba nacional
E imperatriz da desgraça de Portugal

Quase não se consegue pensar
E a miséria sempre a espreitar
Sei muito bem como isto vai acabar
Uma bomba social vai despoletar

Com o tempo até o capim secou
O gerente do poder tudo saqueou
A terra nunca mais se lavrou
Aos camponeses tudo se espoliou
À miséria e à fome se obrigou
E tudo o estrangeiro levou
Reduzindo a zero quem lutou
Da herança que o petróleo deixou
O grande fazendeiro Angola gamou
Somos escravos assim se sentenciou

O tuga vendeu Portugal
De Angola quer fazer igual
Do angolano povo anormal
Querem que vivamos mal

O tuga chegou como amo feliz
Faz ao angolano dano infeliz
Faz vista grossa à corrupção
Mais um pobre diabo ladrão

É necessária outra independência
Onde se valorize a sapiência
Nos labores não temos direitos
Dizem-nos escravos imperfeitos

Nas empresas o branco português
Sumariamente nos põe na rua
Porta-se como um vulgar chinês
Abandona-nos ao relento sem lua

Se não fosse a hipocrisia da oposição
Há muito que teríamos outra Nação
Não sucumbida como esta escuridão
Já nos teríamos liberto do camaleão

Neste país montanhoso de doutores
Da abundante dipanda sem literatura
Decretaram-se as perdas de valores
Da ortodoxa e infame escravatura

Nesta Nação de cegos surdos e mudos
A independência ainda não aconteceu
Angola é para os estrangeiros sortudos
Porque o libertador ainda não nasceu