sábado, 6 de outubro de 2012

AS CINCO MAGNÍFICAS (15) Contém cenas eventualmente chocantes




Gastei uma quantia considerável com tudo o que era necessário para a Jandira assegurar o seu futuro. Confesso que o meu orçamento ficou apertado. Passaram seis meses e tudo corria normalmente. Todos os dias quando chegava, a primeira coisa que fazia era dar-me um beijo longo e profundo nos lábios. Sentia-me muito feliz. Tinha encontrado finalmente o verdadeiro amor. Mas, algo estranho surgiu. Ela aparecia e dizia-me apenas:
- Estou no meu período fértil.
Retirava alguma comida e saía apressadamente. Nos dias que se seguiram afirmava mais ou menos a mesma coisa. Decidido a investigar o que realmente se passava, interroguei-a:
- Jandira, parece-me que já não és a mesma pessoa.
- Porquê?
- Porque me desprezas assim? Porque não me dás atenção?
- Ando muito ocupada com os estudos. Depois de acabar as aulas vou para a biblioteca, ou para a casa das minhas amigas estudar. Aos sábados de manhã e à tarde também. Aos domingos de manhã vou à igreja, e à tarde faço revisão dos estudos para que segunda-feira quando chegar na universidade tenha a matéria bem assimilada.
Eu sabia que ela estava a mentir. Prometi a mim mesmo que nos próximos dias descobriria toda a verdade.
Havia dificuldades de estacionamento devido a uma grande festa. Deixei o carro longe, e vim por um caminho não habitual, muito mal iluminado. Um par de jovens abraçava-se e beijava-se ternamente. Nada de invulgar. Já estava a afastar-me e oiço uma voz familiar:
- Vamos para outro lado, se alguém me vê aqui posso arranjar problemas.
Senti o coração disparar. Era a voz da Jandira. Parei, e meti-me entre os carros estacionados. Escolhi um bem próximo do local onde ela estava. Fingi que estava a apanhar um objecto que caiu no chão. Esperei uns momentos para ter a certeza. Até que a jovem ficou de frente para mim. Não tinha dúvidas. Era ela.
Jandira chega a casa, beija-me e desculpa-se:
- Estou no meu período fértil.
- Acho que hoje te divertiste muito.
- Eu? Acabo de chegar, estou cansada, hoje estudei muito.
- Estudaste relações amorosas?
-Ando tão ocupada que nem tempo tenho para isso.
- Quem era aquele que estavas a abraçar e a beijar?
- Abraçar e a beijar?! Onde?!
- Na rua… vi-te claramente.
- George, queres arranjar problemas. Não era eu. Devia ser uma parecida comigo.
No outro dia fui bater-lhe à porta. Atendeu-me a prima dela. Disse-lhe que queria falar com a Jandira. Ela informou-me:
- A Jandira está lá em baixo.
Agradeci, retirei-me e decidi descer. Cheguei à rua, olhei para todo o lado. Não havia sinal dela. Um jovem vizinho com quem de vez em quando trocava impressões, e já tinha namorado com todas as jovens que aqui habitavam, estava encostado à entrada do prédio. Era a pessoa ideal para me ajudar:
- Boa noite jovem.
- Boa noite vizinho.
- Por acaso viste a Jandira?
- Não respondeu, mas apontou para um local próximo.
A cerca de dez metros havia uma pequena escada com quatro degraus que dava para um estabelecimento. A porta era suficientemente larga para esconder o corpo das pessoas. Lentamente caminhei na sua direcção. A Jandira estava de mão dada com um jovem. Estavam muito encostados um ao outro. Ela passava a mão pelas calças no local do seu sexo. Ele esfregava-lhe a vagina. Parei junto a eles e fingi que estava a observar a montra. Ela viu-me. Senti o sangue gelar-lhe o corpo. Ficou sem ar. Parecia que ia desmaiar. Afastei-me calmamente e aguardei nas escadas que ela subisse. Não demorou muito tempo. Ela sabia que eu a esperava. Senti uma raiva imensa. Apetecia-me dar-lhe duas chapadas na cara:
- Jandira?! Está tudo terminado entre nós.
- Não me faças isso!
- Faço sim senhor! Não passas de uma cabra vulgar!
- Aquele é o meu primo. Não posso estar com um primo? És muito ciumento.
Não havia mais nada a falar. Retirei-me a ouvir o seu choro. Pouco depois bate-me à porta. Vem acompanhada da sua prima e inicia a sua defesa:
- George… é um primo dela, perdoa-lhe.
não tinha mais dúvidas. Estas duas são muito perigosas. Vou já livrar-me delas. – Pensei.
- Rua, rua! Fora daqui!
Lembrei-me do jovem vizinho. Tornei a descer. Estava no mesmo local sozinho. Fiz-lhe uma proposta:
- Queres petiscar e beber alguma coisa?
- Quero, obrigado vizinho.
Fomos para um restaurante próximo. Não me apetecia comer. Fiz um esforço. Encomendei duas sandes de carne e duas cervejas. Ele não se sentia muito à vontade. Acho que estava desconfiado. Era a primeira vez que o vizinho o convidava. Já íamos na terceira cerveja. Acho que era o momento oportuno:
- O que é que sabes da Jandira?
Ficou assustado. Talvez a pensar que iriam surgir problemas. Tranquilizei-o, dizendo-lhe que não era nada com ele. Entendeu claramente. Mostrou um sorriso tranquilo:
- Ela queria namorar comigo mas eu não aceitei.
- Isso foi há quanto tempo?
- Há uns três ou quatro meses.
Senti a intranquilidade no meu coração. Preparei-me para sensacionais descobertas. Disposto a saber tudo em pormenor, fiz-lhe uma oferta tentadora:
- Dou-te cem dólares para me contares tudo o que sabes. Tens que prometer guardar segredo.
- Cem dólares? Está bem vizinho. Mas o que é que quer saber?
- Tudo.
- Está bem… a minha mãe trabalha nos bilhetes de identidade. Há um mês, ela apareceu em casa, a pedir a renovação do bilhete de identidade do seu namorado.
- Do seu namorado? Qual namorado?
- Um deles, não o conheço.
- Um deles?
- Ela tem muitos. Costuma ficar à noite ao pé do prédio com um deles.
- Anda sempre com a sua prima…
- Sim. Andam sempre as duas. Cada uma tem o seu namorado e…
- Mas ela anda a estudar ou não?
- Vizinho, ela finge que anda a estudar. Só quer é dar nas vistas. Passar por menina rica, a ver se arranja algum filho de ministro ou deputado. De manhã quando sai, ao fundo da rua está sempre um dos namorados à espera no carro.
- Então também sabes que ela vai estudar todos os dias com as suas amigas.
- Olhe vizinho, uma vez à tarde fui acompanhar a minha namorada. Encontrei-me com ela, estava a sair de uma casa de prostituição, dessas que não dão nas vistas. Tá a ver, não é vizinho?
- Sim, estou a ver muito bem. Ela disse-me que nos fins-de-semana vai à missa, na Igreja da Sagrada Família.
- Vizinho, isso é mentira. A igreja fica à direita do prédio. Ela e a prima vão em frente, e costumam parar aí nos lados da Cuca. Uma das minhas namoradas que é amiga delas, é que me contou isso. Elas fazem broche e recebem o que os clientes lhes querem pagar. Quando vão à igreja é para marcarem encontro com um homem. Aí não dão nas vistas. Algumas vezes quando voltava das festas às cinco da manhã, encontrava-me com ela. Enquanto o vizinho fica a dormir, ela e a prima saem e ficam o resto da noite com os seus namorados de ocasião.