domingo, 28 de outubro de 2012

Eleições com quase cinquenta por cento de abstenções




Tem um problema, uma preocupação, necessita de uma ideia para prosseguir com o texto que está a escrever, etc., mas não consegue, não sai nada, a sua cabeça está oca?, a solução é bem simples: pegue numa vassoura e comece a varrer o chão, e verá a catadupa de ideias que depois lhe surge.
Abrimos o nosso noticiário de hoje com as felicitações da intolerância no Facebook recebidas pela nossa colega Ana Margoso.
Ana Margoso
Os meus amigos do MPLA vão me brindando assim com a "sua vitória". Essas são algumas das mensagens que vou recebendo.
Dario Carvalho
ai agora sumiste ja, nao apareces para ameacar, e ofendrem o MPLA, façam entao confusao e ja verao o k e bom para tosse.
Mónica Lopes
AHAHAHAHAHAH... DERROTADA SUA ESTUPIDA DE MERDA.
AGORA FICA NA TOCA A LAMBER OS PAUS DA UNITA E NÃO SAIAS DAÍ SUA RATAZANA DO ESGOTO
HIBERNA VACA...VAI PARA A JAMBA FAZER FUNGE PARA OS ARRUACEIROS DA UNITA, SÓ SAI DAQUI A QUATRO ANOS TA??? Perdeste.UUUUUÓÓÓÓ...hihihihihihihih.
..
VITÓRIAAAAA.. AHAHAHAHAH SUA MERDA DE GENTE

A pior das corrupções não é aquela que desafia as leis; mas a que se corrompe a ela própria. Louis Bonald (1754-1840)

Quando um povo perde a noção do que é informação, está apto a ser dominado por qualquer um que lhe prometa qualquer coisa, mesmo as habituais mentiras, porque nem isso sabe o que significa. E Deus e as suas inúmeras igrejas dão-lhe uma excelente ajuda em quem deve votar. Angola está de facto inundada de charlatães, como aqueles que naquele tempo vendiam, e ainda vendem petróleo, e que garantiam que curava tudo, incluindo a queda do cabelo.
Eis o prémio do Minoritário, agora Varredor, aos antigos combatentes: Segundo a Rádio Ecclesia, 13 de Agosto, na cidade do Lubango, os antigos combatentes lutam nos caixotes do lixo para sobreviverem.
Ditoso petróleo este que tens a cor do abandono e da fome.
Por mais que queiramos, jamais abandonaremos o navegar das recordações do tempo passado. No fundo é isso que nos faz fortes e nos anima para lutarmos, o que é viver.
Povo abandonado é povo revoltado.
As fotos são documentos muito importantes que retratam a vida, a História de um povo. Se andarmos aí pelas ruas a fotografar os derrames da miséria petrolífera sobre as populações vem um zelador do glorioso Varredor no cumprimento do dever e prende-nos neste tempo, porque a era da democracia ainda não chegou.
E um sacerdote da maiuia teve uma ideia genial, divina, porque vinda de Deus. Só os sacerdotes à toa têm contactos permanentes com Deus. Têm um telemóvel especial fabricado nas nuvens do Céu e comunicam com Deus e Ele responde-lhes. Às vezes não, isto sucede quando recorrem às nossas duas operadoras, quando as linhas de Deus estão congestionadas, imaginem milhões de pessoas e Deus a atendê-las todas ao mesmo tempo. E o nosso sacerdote expôs a Deus a sua ideia: «Meu Deus tive uma grande ideia…» «Já sei, sabes que eu sei tudo, mas diz lá.» «Falei com o meu Governo da terra e concordámos em fazer, melhor, construir de um poço de petróleo uma catedral e nela jorrar petróleo dia e noite. Diremos que foi um milagre, e claro, os povos vão acreditar, eles acreditam em tudo, também com o ensino que lhes ministram.» «Sacerdote, acho uma divina ideia, é a melhor maneira de se safarem, pois como sabes, isso da religião anda muito por baixo, é só ateus declarados, e as receitas estão do piorio. Já ninguém acredita em nós. Então em mim, é só fugir, como se eu fosse o demónio.» «Meu Deus… vamos inventar uma outra religião, mas tudo dentro da filosofia cristã, o Petrolismo. Já tenho o aval do Governo na condição de conseguirmos milhares, milhões de militantes… perdão meu Deus, fiéis. São milhões de dólares meu Deus, colossal fortuna, e como nós não trabalhamos, a única função que nos compete é enganarmos as pessoas, é como se costuma dizer, cai do Céu.» «Avancem então com isso. Só uma coisa me deixa estarrecido, Eu, Deus, nunca compreenderei o porquê de me usarem a favor das ditaduras.» 
Promiscuidade política: no mês da propaganda eleitoral o Minoritário corta-nos a luz, e a água parece ser só para feiticeiros políticos, é a concepção política da nossa miséria. E o Minoritário ainda cinicamente promete que vamos voltar ao tempo do bem-estar do homem novo, do qual nunca fomos abastecidos.
Ouvem-se, aproximam-se perenes, ei-las, são elas as sirenes. Que no raiar de todos os dias anunciam-nos como as trombetas do Apocalipse, o Inferno da nova nossa vida. São também as trompetes solitárias das cidades fantasmas erguidas por outros fantasmas.
Angola é um Estado do Direito Metafísico porque está muito para além da metafísica. É que quem o acusar de corrupção com provas irrefutáveis, o seu mandatário decreta que o acusador passe a acusado, porque a corrupção e os seus defensores espontâneos, os bajuladores, gozam do direito de que quaisquer acusações consideram-se como crimes contra a segurança do Estado, logo torna-se intocável, isto é, tem o direito de aniquilar quem se lhe opor.
E o povo angolano de Cabinda ao Cunene, felicíssimo agradece os feitos, o fim da miséria, a concretização do sonho de ter água, luz, habitação, casebres não, emprego, etc, que os nossos revolucionários iluminados conseguiram com muito trabalho e muita paz ao longo de quarenta anos. Viva o nosso Partido do Trabalho!
Este petróleo é forte, faz alguns milionários e a desgraça de muitos milhões. Os chineses e demais internacionalistas são a alavanca, a catapulta do nosso desenvolvimento. Os estrangeiros a trabalhar e nós a descansar… no cangaço.
A questão fundamental reside apenas em: quem é a favor da democracia e quem é contra ela. E onde há democracia de milícias não há eleições, isto é, impor o voto sob a violência das milícias, isso é fraude eleitoral anunciada.
E os objectivos do milénio foram conseguidos. É só ver o cortejo dos beneficiados na recolha dos prémios nos caixotes do lixo.
E em Luanda nasceu um novo movimento cultural: o movimento cultural de vanguarda parte paredes e serrar ferros.
Com tanta intolerância e política que propõe violência, onde qualquer um prende, tortura, mata, não pode haver paz, há desgraça, descontrolo. E tudo o que seja oposição é para eliminar, é possível realizar eleições? E já estamos na República dos Tumultos de Angola? Quais são os planos da oposição ao apoio declarado dos países da “Santa Aliança” na escravidão do povo angolano? Em Angola, o poder, a liberdade e a democracia ganham-se nas ruas e não nas urnas de votos?
E o chinês sempre a serrar ferros, embrutece, empalidece esta incipiente democracia.
Ó Angola! Ó inditosa Pátria que deixas os teus filhos sem petróleo, com nuvens de corruptos, e enxames de populações a padecerem, à fome.
O péssimo governante destrói o seu país, o seu governo, o seu povo, e claro, a si próprio e à sua família.
Despeço-me com uma ode aos nossos poetas da vanguarda petrolífera.
Poetas do acaso deslumbrados pelo brilho da riqueza petrolífera. Poetas que vivem na opulência das suas palavras vazias, mas cheias de dólares enquanto as populações desdenham no deserto da fome. Poetas dos imensos cemitérios por eles construídos nesta imensa Angola que de repente restou na pequenez de quem já há muito está cego e não o sabe. Poetas das barras de ferro que nelas estrebucham, e nelas tudo desaba, mas tentam a todo o custo continuarem nas maratonas sem futuro. Entre poetas leninistas de meia-tijela e a democracia, esta triunfará. Poetas que cantam, que louvam a morte dos punhais da selvajaria dos castelos assombrados repletos de cadáveres que deambulam, e os inspiram. Poetas do passado extinto mas que insistem revivê-lo. Poetas do ódio que como vampiros deliciam-se no correr do sangue, e fazem-lhe poesias de contentamento. Poetas no tempo final, sem esperança, a vida foge-lhes, presos nos curto-circuitos neuronais. Poetas que desejam, que fazem guerra, convencidos de que é fácil ganhá-la, mas não, uma estrondosa derrota vos espera.