terça-feira, 6 de novembro de 2012

Rua das Sirenes dos Serviços Prisionais PRESS




LUANDA
AQUI JAZ
A ÁGUA
E A ENERGIA ELÉCTRICA
1975 – 2012
PAZ ÀS SUAS ALMAS

A Protecção das crianças
Protecção das crianças com milhares de geradores que lhes lançam nuvens densas, intensas de mortandade, que elas respiram e que a morte as enlaça nesta Luanda, a cidade do martírio, a cidade-cemitério.

O assalto ao chinês
Luanda. A acção decorreu no dia vinte e dois de Agosto nas imediações da Discoteca Valódia, próximo da Sagrada Família. Um gatuno, que até agora não conseguiu saber, nem nunca saberá o que é dinheiro do petróleo, cheirou um chinês, estes mwadiés amandam bwé de feitiço, e detectou que ele carregava basta pasta bwé de bala. Então, inicia o assalto, mas um polícia atento interveio e deu-lhe um tiro numa perna. É caso para comentar que este nosso police tem muita acertaria, mas mesmo assim o gatuno despetrolizado conseguiu fugir.

A fuga da miséria para a outra miséria
Luanda, 25 de Agosto. Eleições. Notícia acabada de chegar na nossa redacção diz que muita gente já está a vender os seus bens.

A escolta da paz e da democracia
Luanda, mais ou menos sete horas da manhã do dia 11 de Setembro de um cacimbo que nunca mais acaba, até o clima se corrompeu. Estou na casa de banho nas actividades matinais da manutenção do meu corpo, porque isso do lugar-comum da pressa e descurar o corpo para não perder tempo depois tem consequências funestas. Primeiro tratar do nosso corpo e o resto que se lixe. Vale lembrar a célebre máxima: só nos lembramos da saúde quando estamos doentes.
Ah sim, a escolta, pois, já estava na fase dois da manutenção corporal, na higiene dental, quando oiço o habitual som aterrador das sirenes que pelo barulho musical me levaram a pensar que era a escolta CRP – Comboio Rodoviário Presidencial. Oh! É o presidente de todos os angolanos a estas horas já na rua em actividade de batalha campal, presidencial? Ué, não pode, abandonei a casa de banho mais rápido que a minha velocidade, e com travagens bruscas para não chocar com os móveis consegui chegar à varanda para ver o meu querido presidente passar. Vi as primeiras motos, mas de imediato me desiludi porque eram aquelas motos que trazem dois police de farda escura. E mais me desiludi porque afinal era a escolta dos presos para julgamento. No total eram cerca de oito veículos e todos com sirenes. Agora pergunto: o porquê de imitarem a escolta presidencial? E porque fazem mais barulho que a escolta do PR que quando circula são para aí uns vinte veículos? É caso para comentar, quando o pai não sabe educar os filhos, estes na tentativa vã de o imitarem só fazem asneiras, burricadas.

A Filó
A Filó é de Benguela, decidiu-se e fugiu da paz e da democracia. Para sobreviver refugiou-se em Luanda, e criou num passeio da via pública uma empresa de venda de frutas e verduras. E como esta actividade não necessita do tal guichê único de empresa, em menos de um minuto nasce mais uma empresária dos passeios.
É sexta-feira e a Filó está aflita, parece que não conseguiu nada vender e quando chegar em casa não haverá o que comer. Ela carregou a sua banheira, subiu as escadas do prédio mesmo em frente da sua empresa e bateu na nossa porta. Mal entrou desbobinou: «Tenho aqui banana pão, olha em Luanda está difícil, é só ver a Antónia, ela não está a vender banana pão assada.» «Filó, e estes dois pepinos?» «Cada um é cem kwanzas.» «O quê, um pepino tão pequenino, tinha cerca de dez centímetros de comprimento, a Lwena, a minha esposa, refilou-lhe que isso assim não dá, não pode ser, é um abuso.» Então veio o acto da consumação: «Também há falta de pepino, os carros não estão a vir de Benguela por causa das eleições.

Conversa no Táxi, dois dias depois do infausto eleitoral.
No táxi revive-se o afresco da pintura do sapateiro eleitoral. Várias jovens entumecidas seguem os acordes da kizomba eleitoral e a mais espevitada sobressai-se: «Porra! Mas agora quando votamos sai sempre burla?!» E o motorista: «Mas vocês votaram em quem?» E elas em uníssono: «Nós votámos no CASA.»

O mistério das sirenes
Luanda, domingo 21 de Outubro, 12.50 horas
Dois batedores da Polícia de Trânsito, um, depois o outro, super rápidos, desbravam caminho, abrem novos mundos ao mundo da desgraça, da anarquia instituída, muito estridentes como lhes compete por lei. Pelo aparato é com toda a certeza alguém muito importante, quem será?! Os olhos ficam atentos à espera do cortejo que será vasto a tão tonitruantes sirenes. Mas um pormenor salta: é que a rua está deserta, melhor, de vez em quando circula um carro, portanto não se compreende tamanha azáfama. A personalidade tem que ser necessariamente alguém muito importante, o presidente?
E a frota automóvel aproxima-se veloz, devem ser para aí umas dezenas de carros, e começa a contagem deles: um, dois, três, quatro… jipes de vidros fumados… e uma carrinha de caixa aberta com cerca de uma dúzia de sacos plásticos escuros, desses vulgares utilizados nas compras. Alguém consegue desvendar este mistério? (será que transportavam kumbú?)

O fumo tóxico do neocolonialismo
E depois não há regras. O vizinho coloca um tubo de escape e envia o fumo para o outro vizinho ao lado. Outros são a barulheira intensa. Até nisto, e em tudo o mais, não há regras. A única lei que funciona com êxito é aniquilar o próximo.
Por exemplo, o gerador do português da Teixeira Duarte SA, no terraço encostado ao edifício da Angop lança toneladas de fumo, porque ele sabe que em Luanda, em Angola, não há lei, incentiva-se o crime, e assim ele goza de impunidade.
E com o fumo dos geradores, o Invencível Minoritário é também o grande promotor do cancro em Luanda. E assim o Invencível Minoritário prossegue com a sua infindável destruição de Luanda.

A política dos geradores do Invencível Minoritário
O Supermercado Alimenta em Viana, foi-se, desapareceu nas chamas. Volatilizaram-se vastos milhões de dólares. Sem a energia eléctrica da rede não adianta investir em grandes, nem em pequenas superfícies porque serão pasto das chamas dos geradores do Invencível Minoritário.
E onde será o próximo grande ou pequeno incêndio?
E o que é que o INADEC – Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, tem a dizer sobre a Idade Média em que estamos, sem água nem luz’ Não dá né? O INADEC é todo partidarizado?
Para reparar uma estrada o governador de uma província de Angola depende do Governo Central. Tudo depende dele, do Governo Central, até nós, claro, isto é ou não é um Estado leninista?

José Severino
Segundo, José Severino, presidente da AIA, 15 de Outubro na Rádio Ecclesia, para que não acontecesse o actual desastre, foram avançadas pela AIA a proposta de grupos térmicos para a estação de água de Kifangondo e Kikuxi, que naturalmente não foram aceites pelo Poder. Igualmente também centrais térmicas para resolução do desastre da energia eléctrica, que o Poder também não aceitou. Talvez José Severino desconheça que o Poder não aceita sugestões de ninguém, pois ele é demasiado clarividente. Entretanto, José Severino afirmou que devido a estes dois desastres, os preços subirão astronomicamente, o que não será novidade. Também afirmou que mesmo depois do nível normal da água na barragem de Kapanda, os apagões vão continuar. Caminhamos para uma sociedade canibal?

Para concluir nada melhor do que a resenha lúdica dos cortes de energia eléctrica. Com tanto “bombardeamento” dirigido, concentrado sobre a barragem de Kapanda… não há barragem que resista. Luanda, a cidade com biliões de petrodólares e sem energia eléctrica. Apagões Outubro:

30Out 07.42-20.28 horas do dia 31Out, 27Out 10.34-09.36 do dia 28Out, 26Out 07.36-23.29, 25Out 07.49-06.00 do dia 26Out, 24Out 17.18-00-28 do dia 25Out,23Out 07.56-17.31, 22Out 13.21-14.43, 21Out 10.41-00.20 do dia 22Out, 20Out 13.06-03.51 do dia 21Out, 19Out 07.35-17.03, 18Out 08.29-11.18, 15Out 18.55- 06.00 do dia 18Out, 14Out 07.24-10.50, 13.20- 09.21 do dia 15Out, 12Out 00.58- 05.36 do dia 13Out, 10Out 08.45-1746, 08Out 08.45-22.40 do dia 09Out, 07Out 20.10-20.42 06Out 06.15-09-05, 04Out 13.10-14.07, 03Out 12.24-19.24, 02Out 15.56-01.26 do dia 03Out