sábado, 13 de abril de 2013

04 a 10 de Abril de 2013. Diário da cidade dos leilões de escravos






04 de Abril
Serviço bancário à chinesa? Decididamente a nossa (?) banca conseguiu o estatuto da Idade da Pedra: Uma minha amiga não consegue levantar o seu vencimento no banco BAI. Os funcionários estão com muitos truques reveladores da espoliação dos dinheiros particulares. A BANCA ESTÁ FALIDA OU NÃO?! E ainda exigem que as operações das companhias petrolíferas sejam efectuadas nos bancos angolanos? ESTÃO LOUCOS OU QUÊ?! É que não há banca, não há nada!
Surpreende-me imenso, é estonteante, a não intervenção, explicação pública do que se passa no actual colapso bancário em Luanda - Angola o que é isso? – não são bancos, são entidades do Além que se limitam na destruição das vidas dos cidadãos, refiro-me aos economistas: Justino Pinto de Andrade, Vicente Pinto de Andrade, Filomeno Vieira Lopes, Fernando Heitor e Alves da Rocha, será que aguardam pela derrocada final?
05 de Abril
O general Ledi continua nas suas aventuras de destruir edifícios. O seu hotel (?) Katyavala, que mais não passa de uma vulgaríssima pensão construída pelos chineses e que das torneiras saíam dejectos do cano de esgoto, pois os chineses ligaram-lhe a canalização, continua embargado. Mas o homem não desiste e nas traseiras do hotel/pensão insiste nas aventuras prediais, um prédio fantasma, ilegal. Bom, o busílis da questão é que quando alguém parte lá uma parede, coisa que sucede todos os dias, mas o que é que um general percebe de engenharia de construção civil?, enfim. Pois, o homem, mais um daqueles dos milhares de espertalhões que por aqui fazem morada, decidiu encostar os pilares às paredes dos três prédios da sua pensão/hotel, para quê? Para que a sua pensão/hotel e prédio fantasma não desabem, pois a construção está em risco de desabamento porque alguns pilares estão vigarizados, coisas dos chineses, então quando alguém lá bate, chineses incluídos, com uma marreta ou um simples martelo, os prédios tremem, prontos para desabarem. Não é por acaso que de vez em quando cai um pedaço deles, simples como isso. Coisas do Totalitário que nunca mais acabam, o que esperamos sejam breves, porque em destruição o Totalitário é imbatível.
13.35 horas. Ali para os lados da ANGOP sai uma tremenda barulheira musical, daquela de partir vidros e estremecer edifícios. Pobres drogados das maratonas, parvalhões, acéfalos, pobre Totalitário que caminhas, mas não sabes para onde vais.
06 de Abril
O Nelo escolheu a profissão de lavador de carros na via pública e moço de recados, porque são as únicas profissões que o Totalitário oferece à juventude - oferece não, obriga – e vai daí já com alguma notoriedade, isto é, já com alguma bufunfa decidiu, e bem, que uma mulher é o melhor caminho para o êxito e tranquilidade de um ser humano, conquistou uma mulata igual á idade dele, dezoito anos, e começaram, se aventuraram nos amores do Romeu e Julieta versão angolana. Eram muito encantadores, apesar do Nelo ter como centralidade apenas a entrada do prédio para acasalarem. O Nelo bebia o seu copo, na verdade ia muito para além disso, e era vulgaríssimo ouvi-lo a gritar da sua bebedeira de todas as noites. Mas a multa era muito compreensiva, e qual é a angolana que não o é? – coitadas que se obrigam a suportar os jovens e muito adultos bêbados, não é por acaso que elas também embarcam no navio alcoólico em que se doutorou a sociedade angolana – e acarinhava-o, ria, e também bebia, anunciava o destino da fatalidade da juventude angolana. E o Nelo, felicíssimo da vida, não é qualquer jovem bêbado que consegue uma mulata, dormia extremamente sossegado nos onze anos de paz abençoados por todas as nossas santas igrejas. E o Nelo esforçava-se, trabalhava mais do que nunca, lavava carros dia e noite, amealhava o kitari no seu banco de confiança, uma pequena pastinha que andava sempre com ele, porque isso de confiar o nosso dinheiro nos bancos, Jesus Nosso Senhor nos salve disso, ainda mais que parece que a partir de um de Outubro os nossos bancos, deles, sem sistema, farão as operações bancárias das companhias petrolíferas, mais uma tragédia anunciada, como é que bancos sem sistema executarão operações bancárias (?) e o Nelo já nas quatro, cinco horas da manhã cantava, berrava as suas melodias de amor para embalar a sua Julieta, a dormir nos vapores não petrolíferos, mas alcoólicos. E o Nelo, muito feliz da vida pelo bwé de bufunfa trabalhada, amealhada, cansado, foi para o seu casebre, os mwangolés não têm direito a casas, mas antes banhou-se, perfumou-se, vestiu-se de indumentária pobre, mas decente, entra na sua alcova pronto para saltar em cima da sua garina para mais um ensaio de autógrafos vaginais, e a sua querida… não está lá, deitada. Não está lá ninguém, Nelo, desconfiado, a primeira coisa que faz é ir na direcção da sua pastinha onde guardava as suas economias. Nada, invisível, então Nelo segura a cabeça com as mãos, senta-se, deixa-se cair na enxerga e facilmente conclui que a mulata fugiu-lhe, e fugiu com o dinheiro. Afinal ela queria apanhar-lhe a bufunfa. Coitado do Nelo, que durante algumas semanas se convenceu que a felicidade lhe tinha conquistado.
07 de Abril
Dicionário mwangolé
Mwangolé: indivíduo escravo, que como tal, está sempre doente.
O Pai do Céu
O Pai do Céu é um biscateiro, qual mwangolé não o é?, muito solicitado, com uma facturação diária considerável, não fossem as garrafas e os sacos plásticos do MAU  UÍSQUE, decerto embarcaria na galeria dos nossos milionários destacáveis, neste caso ele é milionário descartável. E conseguiu uma bruta mulata, dessas de bruta minissaia que fazem travar os carros, e assim o casal vivia em paz e na harmonia do senhor de todos os santos. Até que ele começou a sentir-se mal, fraco, magro, facilmente descobriu que estava com a SIDA. Da sua querida nada, fugiu-lhe. Afinal a mulata anda por aí sidosa a espalhar o mal, como milhares de outros e outras que espalham a SIDA por vingança.
08 de Abril
Vendo!
Canoas e barcos de borracha, devidamente testados para as enxurradas produzidas pelas chuvas. Não aceito Kilapi!
09 de Abril
A professora mandou os deveres de casa para os alunos do primeiro nível do analfabetismo, só pode, não é?!. Entre outros erros, como por exemplo os do plural, «faz alguns círculo, faz alguns quadrado, e desenha uma buneca.» Analfabetos formam analfabetos? É isto que o Totalitário almeja, programar, formar analfabetos.
16.50 horas. Luanda está em guerra!
Na rua das Sirenes passaram dezenas de carrinhas e alguns camiões carregados com tropas da UGP – Unidade da Guarda Presidencial.
10 de Abril
A promiscuidade e a corrupção criaram um vendaval de tal modo pantanoso, que facilmente se deduz que uma convulsão social brotará, terrível, como nunca sonhada.
Nunca é demais recordar e publicar, o que o já muito mais-velho director da MABOR me disse nos anos 80 sobre as chuvas em Luanda: “Diga-lhes para não mexerem nas terras, deixem-nas estar como estão, porque quando as chuvas vierem arrastarão tudo.”
Neste momento as chuvas acabam o que o Totalitário começou, arrasou.
NÃO HÁ DINHEIRO?!
Já antes abordei esta questão e vou relembrá-la:
O camarada PR, José Eduardo dos Santos, falou no bairro Cazenga em Luanda, e abordou o tema financeiro que explica a nossa mendicidade e escravidão. Deu a entender claramente que não há dinheiro porque os recursos são exíguos para a sua demanda. Bom, isto é muito fácil de explicar: mesmo que se facture com o petróleo, muitos e muitos biliões de dólares, nunca serão suficientes porque o clã Totalitário deposita-os nas suas contas bancárias pessoais. O dinheiro está em poder deles, e claro nunca há dinheiro. Ademais, todas as obras que se fazem, em pouco tempo se autodestroem, para voltarem a fazê-las e mais dinheiros espoliarem dos cofres pessoais do Estado sem Estado. ORA, ASSIM SENDO, A SITUAÇÃO É EXTREMAMENTE DRAMÁTICA.