domingo, 18 de agosto de 2013

20 a 26 de Julho de 2013. Diário da Cidade dos Leilões de Escravos




20 de Julho
Sobre a intervenção do jornalista Ismael Mateus na Rádio Kairos.
“Não havendo promoção do livro” e “não há hábitos de leitura”.
Não há leitura, não há literatura, não há desenvolvimento, não há país, não há futuro. Sem livros somos como o apesar de termos olhos, mas continuamos cegos. O livro não é nosso inimigo, é o nosso melhor amigo. Sem ele, é como se vivêssemos todos os dias das mossas vidas na escuridão. Sim, que interessa um dia cheio de sol se não nos apercebemos que estamos possuídos, rodeados de trevas?
21 de Julho
Bom-dia mwangolés apátridas, estrangeiros na sua Angola.
“ Isto é um processo longo” É por isso que não conseguimos sair deste processo lento.
E quando não existirem mais angolanos, extinguiram-se todos devido à sazonal miséria, a UNITA e talvez outra sazonal oposição, levantarão uma grandiosa manifestação com os seus cadáveres.
22 de Julho
O que está a acontecer nos outros países é devido à intolerância política. Afirmação do Almirante Miau, da CASA-CE, durante o debate no Parlamento sobre o projecto dos fundos públicos.
Chineses e portugueses vão nos invadindo, chegando, e a nossa pobreza aumentando. Na missão sagrada de destruírem Angola e os angolanos. Estes gajos estão a destronar tudo. Porque nem um espaço para as crianças brincarem existe, a não ser as crianças deles, ninguém liga ao bem-estar das populações, é só espoliar. As suas culturas são a imposição dos seus vícios desumanos, a que chamam civilização, mas que disso nada têm. Quando alguém se alia a estrangeiros para alienar um povo, a corrupção move-se como uma tenaz. Hoje, corrupção é democracia e vice-versa, razia.
23 de Julho
Bom-dia pobres de Kabinda ao Kunene. A nossa pobreza aumentou, a nossa miséria continua total e completa.
Não entendo a referência aos mwangolés e aos africanos de que são povos bêbados. Mas, todos os povos do mundo são bêbados.
E a mesma senda continua: Nunca tão poucos podres de ricos escravizaram milhões de escravos.
24 de Julho
Laurinda Hoygaard, alertou na LAC – Luanda Antena Comercial, no programa Elas e o Mundo, que há grandes quantidades armazenadas de sal, e que não entram no circuito de produção nacional porque se continua a importar sal.
Pessoalmente pasmo com estas coisas, pois se os discursos oficiais falam sempre no incremento, na preocupação do desenvolvimento da indústria nacional e da agricultura para a criação de empregos. Com fala-baratos não se vai a lado nenhum, razão tem o actual governador do Namibe, Rui Falcão de Andrade, que disse que é falar pouco ou nada e trabalhar mais.
25 de Julho
E lá nos contemplaram com mais um corte de energia eléctrica, desta vez das 15.54 até às 16.47 horas. E se mais geradores queres vender, mais cortes de energia eléctrica terás que fazer.
Nesta manhã, em preparação para o campeonato mundial de hóquei em patins em Luanda, os fiscais do GPL – Governo da Província de Luanda, procederam a uma campanha de limpeza na cidade. Aqui na zona da rua das Sirenes, várias senhoras foram limpas dos seus haveres. Limpeza total e completa, grandes quantidades, incluindo sacos bem atestados de produtos para comercialização, “ o comem tudo e não deixam nada”. Jovens, e as mais atacadas, as mamãs, choraram amargamente porque deixaram-nas na miséria. Pode-se dizer que: mantenham a cidade limpa da miséria, saudemos o grandioso evento do campeonato mundial de hóquei em patins. Cabe aqui uma advertência: a miséria já anda a grande velocidade, agora com mais esta actuação, a miséria move-se à velocidade supersónica. Mais assaltos, mais ranger de dentes de ódio alastrarão, mais vítimas inocentes perecerão nos assaltos. Esta cidade está perigosa de mais para nela se viver. Isto está aterrorizador. Mamãs desempregadas que fazem tudo por tudo para ganharem a vida honestamente, e como reconhecimento ainda lhes espoliam os seus haveres. Empregos? Só para estrangeiros. Isto está a ficar porreiro, está!
26 de Julho
O que é que se passa com a cerveja Cuca? Não se consegue beber, de azeda que está quase parece vinagre, porquê?
Por vezes sorrio ao ver as tentativas que os falhos de imaginação fazem para se evidenciarem, copiando o que outros já disseram, e que nem sequer se dão ao trabalho de citarem fontes.
Ainda não compraram o vosso carro blindado? Não?! Estão à espera de quê?
Bruscamente no inferno presente. Mas, agora os tugas são todos angolanos? E dizem que estão na terra deles.
Continuo sem entender o porquê do construir paredes e depois derrubá-las, parti-las, será que entrámos no círculo vicioso do prazer de destruir? Uma negociata para facturar?
Parafraseando Albert Camus, 1913-1960: nunca escreverias tanto sobre o MPLA se na tua solidão da oposição, nela te manifestasses, extraísses o máximo.
E oro ao Deus do petróleo e aos seus santos e de lá não sai, não jorra nada, porque os seus sacerdotes secam tudo, incluindo as torneiras, pois delas só sai corrupção, e quem nela, corrupção, não entra, dela não recebe nada. Abençoados sejam pois os corruptos de coração santificados do petróleo e de todos os estrangeiros que o servem, pois a nós mártires do petróleo, cabe-nos apenas os deveres e dos direitos nada. A corrupção é a continuação da guerra por outros meios, mais ou menos como alguém disse.
Mas, se nesta República do petróleo existe um enxame de igrejas de religião muito duvidosa, e estão estas igrejas no apogeu das malas carregadas de dinheiro dos dízimos e de outras extorsões vigaristas, porque é que em Angola existe tanta miséria? Deus abandonou Angola porque esta gentalha nada tem a ver com Ele?
Outra coisa que me ocorre, é sobre a embaixada portuguesa em Luanda, aquilo é simplesmente horrível. Há tantos, tantos horrores de anos que funciona obrigando a quem necessitar dos seus serviços a perder a noite, e não faz distinção de idades. Por exemplo, um sexagenário, ou de mais avançada idade é tratado com o mais absoluto desprezo. E as bichas? Mais parecem uma evacuação de portugueses e de estrangeiros. Que falta de organização, que aberração de analfabetismo político de quem está no Poder. Bom, a embaixada portuguesa em Luanda não funciona, nunca funcionará, porque Portugal não funciona, também nunca funcionará?! É o Portugal e os portugueses sem futuro.
Os portugueses e os chineses a trabalhar, e nós no escravizar.
Bancos e banqueiros, o desastre da civilização.
Dizer que os portugueses são bem-vindos – qualquer um serve para transformar Angola em cinzas – e depois passar um atestado médico de insanidade mental à angolanidade, isto sim, é a mais impura incitação à “bio-violência”, uma catástrofe política, social e económica. Os bancos só funcionarão exclusivamente para transferirem o kumbú para Portugal e para os genuínos mwangolés nem uma simples moeda de um kwanza.
Arrepio-me só de pensar numa revolta popular que a qualquer momento surgirá - como o trágico maremoto de Khao Lak na Tailândia - que ultrapassará as ondas de dez metros de altura?
E o porquê deste país continuar, insistir no partir paredes e serrar ferros? Estes chineses nada têm a ver com os seus milenares ancestrais. E quando se sai das cavernas não é impondo esta vida obscura a povos pobremente dirigidos que se obtêm dividendos, mas o contrário é bem visível, e o seu final será espectacular, porque um povo oprimido acaba na luta pela conquista da sua liberdade.
E o Papa Francisco I lá vai no caminho difícil, tortuoso, na tentativa final - já pouco tempo lhe resta – de salvar a Igreja, o cristianismo das chamas do Inferno da corrupção que a envolve, enquanto o Islão avança, em todo o terreno está presente.