quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A independência dos devorados pelos jacarés





Na ditadura os príncipes são sempre os mesmos
e o seu fim também
Na verdade não temos população
temos presos políticos

Esta independência sem liberdade sem pés
De corpos atirados aos jacarés
De juventude sem pão
A apodrecer na prisão
Estão em marcha os horrores
Do pânico dos nossos senhores
Em cada esquina um caixote do lixo
Onde o angolano fossa, é bicho
Estrangeiro vive em insegurança
Na porta tem segurança
Os chineses escravizam crianças
Aguardam-se tempos de mudanças
Os tugas em Portugal lavavam pratos
Mal desembarcados são dos generalatos
E tudo lhes corre às mil maravilhas
Na Angola das mil e uma bastilhas
Até já roubaram o emprego de estafeta
E o angolano atirado na sarjeta

Campo de concentração generalizado
esfomeado
Em Luanda edificado
Electrificado
Por alguns Idi Amins
Muito frequentado
Por chineses, destronado
De sorriso rasgado
de Idi Amins
baptizado
banqueteado
pelo grande partido
mortificado

Neste campo de tortura
onde há muito perdura
a ditadura
neste acampamento à beira petróleo plantado
no futuro da desordem desenhado
para alguns o cofre avantajado
e para milhões tudo arrombado
até um menor detido, acusado
de  preso político, aprisionado
torturado
um país do tudo enjaulado
amargurado

Kamulingue e Cassule o petróleo lhes roubou
Lhes torturou, a vida lhes levou
De um Poder que já expirou
No petróleo se afogou
Aqui nada há a esperar
Excepto o da desordem continuar
Para Tugas e chineses empregar
Campeões da corrupção
E também da prostituição
Sem lei não há nação
Há muita confusão, frustração