terça-feira, 12 de novembro de 2013

Primeiro livro da Tempestade



A pior coisa que pode suceder a um homem é ficar com todos os poderes em si e para si.
Um poder de ilegalidades costuma desabar em cima do seu mentor.
Um poder de generais é como a religião, está cheio de imagens.
Devemos seguir os exemplos dos homens honestos e íntegros, mas os desonestos e corruptos batem-nos à porta.
O poder nunca deve estar concentrado em apenas um homem, porque ele manda matar quem quiser e lhe apetecer.
A força dos homens está nas palavras e não nas armas.
Jamais se deixem arrastar pela religião porque – tal como a ditadura - perderão a liberdade de expressão.
O homem que chama a si todo o poder, não está bom da cabeça, porque um homem são nunca o fará.
Pelo olhar das ruas de um país se conhece a sua miséria.
Quando os corruptos tomam o poder é porque não existem intelectos para os deter.
As armas, o poder e a corrupção são os campeões da destruição.
Quando os padres vos acenarem para o paraíso do céu, os vossos bolsos ficarão vazios.
Há muitos democratas que se escondem quando um ditador ataca a democracia.

PRIMEIRO LIVRO DA TEMPESTADE
No princípio, criou Tempestade o petróleo
E a espoliação de Angola
E disse Tempestade: Haja petróleo
E houve petróleo
E disse Tempestade: Haja espoliação
E houve espoliação
E viu Tempestade que era bom o petróleo
E separou-o do povo
E encheu-se de cofres e contas pessoais
E viu Tempestade que era boa a espoliação
E espadeirou o povo
E fez Tempestade a corrupção
E separou-a, camuflou-a
De democracia
Para que se legalizasse
A monumental razia
E Angola encheu-se de corruptos
E Tempestade os abençoou
E Tempestade deu por acabada
A sua obra
Que nunca iniciou
E Tempestade viu
Que não era bom o homem estar só
Faltava a prostituição
De avião
E Tempestade enviou emissário especial
Às terras das mulheres despidas
E contratou-as para que concubinassem
Na corte dos paços reais
Pagas a peso de ouro
Das suas petrolíferas e diamantíferas
Minas gerais
E plantou Tempestade
O jardim do Éden da prostituição
E houve muita aceitação
E muito avião
Eis o dinheiro do petróleo
Gasto em vão
Na prostituição
E Tempestade ordenou aos estrangeiros
A invasão da terra mwangolé, que exultaram
E viu que isso era bom
E os estrangeiros tudo rapinaram