segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Há limites para tudo, até para o esticar de uma corda.




República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos
09 de Outubro
O que acontece em Moçambique – tentativa de extermínio da RENAMO – é o que acontecerá também com a UNITA em Angola. E para isso basta dizer que a UNITA tem paióis com bwereré de armamentos escondidos. Mas, o melhor mesmo é dizer que tem armas químicas muito bem escondidas.
O lixo chinês para Angola, sem limites. Então um vulgar ferro de engomar que consome 2.000 Watts? Basta a ficha não estar bem encostada e temos incêndio devido ao aquecimento do elevado consumo. Com um ar-condicionado ligado ao mesmo tempo, lá se vai a instalação eléctrica e a residência. E o gasto de energia eléctrica fica anormal. Agora só entra tralha em Angola? Assim não dá mesmo. O futuro está perdido, não dá mais para confiar. Um vulgar ferro de engomar de 2.000 Watts?
Penso que isto não dá para calar é mesmo para divulgar: há vários meses que um técnico chinês de construção civil faz as suas refeições, procurando algo de lenha, como tábuas, restos de barrotes, etc, que depois serra com o tal serrote eléctrico que só faz barulho e poluição. Bom, o técnico acende uma fogueira todos os dias a partir das seis e pouco da manhã, ou serrando ou rachando lenha. Imaginem como é que acordamos, nem um sono reparador nesta cidade das torturas temos direito. Como dizia, depois da fogueira acesa, com imenso fumo, se o vento vier na nossa direcção temos que fechar portas e janelas, porque – não sei se sabem – que este fumo é muito canceroso e origina doenças respiratórias graves. É que o técnico acende duas fogueiras diariamente… em cima de uma placa de um primeiro andar, no betão do tecto. Ora, estas fogueiras são proibidas pela construção civil porque danificam a estrutura, e, claro, quem lá no futuro o habitar, aquilo irá desabar, porque o fogo destrói: É tão elementar que até o técnico chinês não sabe disso, e os técnicos mwangolés que lá trabalham com ele, também desconhecem isso. Sabem uma coisa, aqui só para nós que ninguém nos ouve: desculpem mas já começo a atingir o fim do estar farto desta merda, já não acredito. Como é que hei-de acreditar se diariamente só vejo cada vez mais matumbice? Isto acontece ali no prédio do general Ledi que vai desabar, nas traseiras da Pomobel, largo Zé Pirão, Luanda. Quer dizer: Luanda a desabar e nós a festejar.
A vida vale muito, é a coisa mais valiosa que temos. Tudo depende do sentido que lhe damos. E a morte é a nossa inseparável companheira eterna.
Quem é que elegeu o Governo português de Passos Coelho? Foi o MPLA ou o povo português?
11.00 horas. O banco Millenium Angola, dependência da rua Rei Katyavala, Luanda, está sem sistema. Para que servem os bancos em Luanda, de certeza que não é para prestar serviços bancários, são bancos candongueiros, na sua quase totalidade mal dirigidos por portugueses, como se fossem jogos de futebol. Luanda é um futebol bancário, muito mal jogado.
El-Rei D. Sebastião em Portugal.
Uma amiga que esteve três meses em Portugal, regressou à sua (?) terra natal e contou que os portugueses estão a viver muito mal, muita miséria. Alguns suicidam-se. Todos querem fugir para outros países, de preferência para Angola como se ainda estivessem no tempo colonial. Os cabo-verdianos também querem bazar em força para Angola. Ela não suportou estar mais tempo lá, está mesmo muito difícil. E que os mwangolés que foram de Angola para Portugal com as suas esposas, estão a abandoná-la à sua sorte, ao salvem-se como puderem. El-Rei D. Sebastião, reencarnou em Passos Coelho, o primeiro-ministro de Portugal. A Batalha de Alcácer-Quibir repete-se.
Mais portugueses chegaram no prédio, os mwangolés alugaram-lhe o apartamento por um ano. Restam quatro apartamentos para que a tomada do prédio se efective.
10 de Outubro
Neste mundo há poucos com muita riqueza, e muitos com muita pobreza. A pobreza é a mão-de-obra da riqueza.
O jovem jornalista Coque Mukuta, é o actual convidado de honra da DNIC - Direcção Nacional da Investigação Criminal, será mais uma grande vedeta na entrevista do programa dos crimes selectivos, GESTAPO. Convém de todo salientar que este famoso espectáculo está no ar desde os tempos de Estaline. As declarações de Coque Mukuta decerto iluminarão as ciências políticas judiciais marxistas-leninistas. Este petróleo é marxista-leninista, e quem o enfrenta está na sua lista.
Esta cidade está muito estúpida, porque só se ouve o barulho de sirenes, serrar ferros, partir paredes e prender quem manifeste críticas. À noite ouve-se apenas o ladrar de alguns cães, aqueles que ainda escaparam das garras dos chineses.
11 de Outubro
Em Luanda só é jornalista quem for convocado pela DNIC – Direcção Nacional da Investigação Criminal, os outros que não o forem não são jornalistas, são meros funcionários públicos.
Alguém me consegue explicar o que é isso de movimento de libertação nacional?
A TV-CABO funcionava muito bem, agora parece que está como a água e a luz, vai e vem, aparece e desaparece. Garantem-me que os portugueses que estão lá passam a vida deles a mexer, a mexer, a destruir. Luanda – Angola já não existe - com milhares de técnicos estrangeiros cai no sismo do descalabro. Qualquer estrangeiro continua a intitular-se de engenheiro, e eis-nos na desgraça total e completa sob o beneplácito dos clérigos das santas igrejas. Negociar, enriquecer, todos proclamando que são extremamente sinceros amigos do povo angolano, que é muito generoso.
Angola é uma mina de ouro onde qualquer mineiro escava e lhe retira, acumula um bocado. Assim, nos próximos tempos nada lhe restará, apenas mãos generalizadas famintas, estendidas, na mais horrível escravatura que a passos largos se aproxima.
Que o demónio nos ajude: dois meses depois recebo no meu telemóvel, proveniente da Movicel, a mensagem: «5 chamadas não atendidas.» Ih! Por aqui se vê qual o destino que nos espera. Simplesmente horroroso.
A escola onde aprendemos o abc funciona com interrupções, mas na escola da vida temos aulas todos os dias.
12 de Outubro
Virgílio de Fontes Pereira, o presidente da bancada parlamentar do Minoritário, lembrou que “o MPLA nasceu em 1956 e outros vieram depois, proclamou a Independência em Luanda, em 1975, mas que os outros quiseram imitar o MPLA no Huambo e foram mal sucedidos, bem como o partido no poder fez a guerra para acabar com a guerra, mas que os outros fizeram a guerra contra o povo angolano.” E o Minoritário fundou a corrupção, e os outros imitam-no. Tudo o que é negativo, foi fundado pelo Minoritário, e os outros imitam-no. E já não temos barco para navegar, vamos a nado para Lampeduza. Hoje, podemos considerar que as independências selvagens são o desastre da África. Lampeduza testemunha-o.
Luanda está como um mar infestado de sanguessugas.
Não é com milhares de chineses mineiros e com milhares de portugueses candongueiros que Angola cria empregos. Pelo contrário, é o alastrar do desempregar. Também os do Minoritário isto não conseguem discernir, que pena, é só mentir.
Vejam como isto é muito engraçado, desgraçado. O Minoritário põe Angola de rastos – a sua missão principal, a tal irresponsabilidade histórica acrescida – os estrangeiros chegam e dizem que em Angola há muita coisa para fazer. Que Angola não tem infra-estruturas, a oração do costume, que o povo angolano está muito atrasado, a poesia do costume. Estamos nas cavernas.