quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O PETROCOLAPSO DE ANGOLA





“Um ano difícil” um ano impossível

O preço do petróleo está a baixar
E a nossa miséria a aumentar
Os lordes continuam a festejar
Nos preços dos combustíveis, matar

É muita festa e o estrangeiro avança
Neste país dos 40 anos de bonança
Oh! Quantos sonhos idealizados
Na ditadura repressiva jamais realizados

Neste paraíso a insegurança aumenta
Nos constantes assaltos desta tormenta
Onde se sente imenso a morte lenta
Nos sobressaltos de gente nojenta

Natal, os preços sobem sem explicação
Porque só enriquece quem é ladrão
Os chineses impõem-nos os seus lixos
Comida, quase tudo e seus crucifixos

Tudo o que é ilegal vale como lei
O estrangeiro está sempre primeiro
O nosso deus diz: Angola destruirei
Mais um levante mais um braseiro

E os poços do vosso petróleo bebereis
Das vossas extravagâncias vos fartareis
E tudo e as nossas vidas destruireis
Como um bando de abutres ficareis

Crianças educadas na violenta violência
Que depois vivem dessa dependência
Nas prisões abarrotadas de delinquência
No fim do petróleo sem sobrevivência                                                                                       

Nas mãos da ignorância e da superstição
Reside a infâmia das armas da religião
Na eternidade do poder desta mata
Qualquer um nos ordena, nos mata

Avançamos muito não para melhor
Recuamos muito sempre para pior
Prometemos muito não para melhorar
Nos nossos relatórios tudo vai piorar

Luanda a cidade da desolação
E Angola destruída pela religião
Dos padres do deus da corrupção
No estertor do petróleo da maldição

Criança diz: vou-te bater!
Nunca diz: eu quero aprender!
Angola está-se a desfazer
Porque o petróleo não ensina a ler