quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A REPÚBLICA DOS CAIXÕES

 


República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.

Para um exército de esfomeados, um exército de caixões.
Pelo andar da fome até parece uma grande negociata de caixões.
Oh! Como é belo contemplar a miséria e a fome, a principal maravilha de Angola.
Na guerra do Vietname, quem a ganhou foi o rei do aço. Na guerra da fome quem a ganha são os negociantes de armas e de caixões.
É preciso salvar as crianças da fome. Na RDC já há vandalismo contra as igrejas católicas. São três milhões que estão a morrer de fome e que estão a ser abastecidos por uma ponte aérea. No Sudão do Sul são cem mil, dentro de um mês serão um milhão, e dentro de alguns meses serão três milhões de famintos. E em mais alguns países o cenário é mais ou menos idêntico. Em breve o flagelo chegará a Angola, na África do continente da pandemia da fome.
Sobre as crianças que sem misericórdia são abandonadas à fome: Eu vos amaldiçoo pelo mal que me têm feito, e pelo mal que fazem às crianças.
Desvanece-se a esperança, dela só resta uma ténue lembrança. Os dias passam como que céleres, muito tristes, a aguardarem pelos momentos mais tenebrosos, cruciais, mortais e nada mais, dos caixões aos montões. Do Novo Jornal, “A revisão da legislação cambial e do sistema bancário nacional, anunciada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, para regular a movimentação de divisas, deverá passar pela redução considerável de utilização de moeda física. Segundo fonte do BNA, as operações com divisas deverão ser garantidas entre instituições bancárias, sem que os clientes tenham acesso à moeda estrangeira, como sempre aconteceu. "Vamos ser mais rigorosos na cedência de divisas. Quem precisar de dinheiro poderá requerer uma transferência bancária interna ou externa", explicou um dos administradores do banco central. A outra forma de utilização de divisas prevê a massificação dos cartões de crédito para "facilitar a vida", sobretudo, de quem viaja”.
Economista Precioso Domingos na DW. “Até já existem rumores de que provavelmente o nível de reservas internacionais que o país possui talvez não seja o que o Banco Nacional de Angola (BNA) vai divulgando. E isso depois vai se evidenciando também pela apatia do BNA em vender divisas.”
Homem que arranja mulher maluca, francamente, com tantas mulheres que há por aí, também é maluco, muito mais maluco que ela.
“Quando nasci, perdi a maior parte da minha visão porque aplicaram um colírio errado nos meus olhos. Na adolescência, fiquei totalmente cega e entrei em depressão profunda.” – Paqui, uma mulher de meia-idade cujo marido também é cego. (Despertai! Novembro de 2015)
Apesar das apostas feitas, o reino das mentiras da energia eléctrica continua. Hoje, 15/02/17, aqui na banda foram oito horas sem a tal popularmente chamada de luz.
O alcoolismo, a grande aposta do muangolé. Um cunhado recebeu em kwanzas o equivalente a três mil dólares do aluguer de uma casa. Ligou-me, só o faz quando está bêbado, e sempre, claro, de conversa incoerente, pediu para passar o telefone na irmã. Fiz-lhe sinal para quando ela acabasse de falar me passasse o telefone. Pedi no meu cunhado um modesto empréstimo, uma vez que ele está balado e nós na desgraça acentuada. Respondeu-me que “ não tenho nada que ver com isso.” (!!!) Vai ser bebedeira de uísque todos os dias até o dinheiro acabar, ou ele acabar com a vida, pois da última vez esteve quase. De salientar que conheço muangolés que alugam as casas e que também passam a vida a beber até morrer, como aconteceu a dois jovens que eram vizinhos. Quer dizer, vida de muangolé é beber.
Disseram-me que abriu aí uma igreja onde lá as mulheres grávidas, os seus filhos não conseguem nascer.
Enquanto tivermos um governo de capatazes de escravos, a nossa escravidão não terminará.
Louvo os taxistas porque com eles os escravos de Luanda e arredores, leia-se Angola, fazem com que consigamos sobreviver aos esclavagistas que nos governam.
Não parece, mas é a dura realidade: Angola também tem um impressionante exército de bajuladores que obriga por todos os meios a que haja também um exército de burros. E deste exército nasce outro: o exército dos analfabetos, a matéria-prima de quem reina sem oposição.
Presidiárias da cadeia de Viana estavam a receber cursos, de repente ficaram sem eles porque lhes estão a exigir que façam relações sexuais. (In Revista da Manhã. Rádio Ecclesia, 17/2/17)  
Como só temos políticos que falam da boca para fora, de nada adianta ter esperança que isto melhore.
O Governo de Angola é muito jogador porque aposta em tudo … e tudo perde.
E todas aquelas que destroem a felicidade dos outros, que as portas do inferno se abram e as chamas as devorem, mas antes disso têm que sofrer muito.
Só mesmo em Angola: quem emite opinião contrária é porque é da oposição.
Como se pode falar de economia real se ela é irreal.
Comício de um pai para a sua esposa e filhos: “aqui, quem não votar no Mpla, mato-o, porque não quero perder o meu emprego.”
O filho de uma madrinha de uma vizinha queria viajar, mas foi proibido de o fazer porque não tem cartão de eleitor. Aflito, já foi tratar de o obter. Aqui ponho uma questão: se ele não quer tratar do cartão de eleitor, apesar de ser obrigatório, é porque não quer votar, não vai votar, pelo que não se entende tal medida coerciva.
A corrupção não se altera, actualiza-se.
Corruptos a lutarem contra a corrupção?! De nada adianta ter esperança que isto melhore.
Sempre os mesmos, sempre a fazerem a mesma coisa, sempre tudo permanece na mesma, excepto os esfomeados que não param de aumentar.
Em conversa captada na rua ouvi que as mulheres no São Paulo que guardam as coisas para venderem, decidiram também deixar lá o dinheiro com receio do comité de especialidade dos assaltantes, a instituição nacional dos assaltos, os bandidos que as esperam no regresso das suas casas. Mas, segundo elas, os polícias assaltaram o quintal, ou quintais, e levaram-lhes tudo. Algumas não suportando a perda do negócio, a única coisa que lhes resta para sobreviver, desmaiaram. Quanto aos haveres e dinheiro nada há a fazer, pois lei sem lei da sentença não se pode recorrer, não se pode defender.
19/02/17, 22.55 horas. Um pavoroso grito masculino de pessoa adulta que durou alguns segundos, um grito antes do estertor da morte? Não, não era nenhum filme por aí, porque a esta hora a cidade fica uma cidade fantasma.

A mais velha tem sessenta e tal anos, cortaram-lhe a água, vive num quarto andar e faz sacrifícios para a carregar porque as suas pernas estão quase paralíticas, pouco falta. Vive da caridade dos vizinhos prometendo que quando o seu marido, filho, só tem um, ou irmãos, quando receberem pagará a dívida. Na televisão só falam do Mpla e dos outros partidos não, até lhe sublimam que isso é fraude. Mas ela defende o seu Mpla dizendo que quando os outros forem para o poder também farão o mesmo. Já conseguiu o cartão de eleitor e apesar da miséria em que se encontra diz para os seus mais próximos que vai votar no seu Mpla, no seu grande amigo.