terça-feira, 8 de novembro de 2016

OS PRIMITIVOS



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Fugi do país onde um só exerce todos os poderes: é um país de escravos. Todos os povos do mundo que lutaram pela liberdade exterminaram no final a seus tiranos. (Simón Bolívar (1783-1830)
Angola está mesmo acabada, primitiva, porque lhe resta um palácio, uma bandeira, um hino e uma guarda presidencial.
Os primitivos da primitiva discoteca nas traseiras do hotel Katyavala, junto ao largo Zé Pirão, continuam com a infernal algazarra. Não se consegue descansar, dormir, não se consegue estar em paz. Há meses que este inferno nos golpeia como presos inocentes numa prisão torturados. Mais uma vez com som de partir vidros das janelas, começaram às vinte horas e acabaram pelas dez horas da manhã. O Governo da Província de Luanda num comunicado disse que ia acabar com isso, mas são as habituais balelas. E os bêbados saem da discoteca e vêm mijar à vista dos moradores dos prédios. Na selva de Luanda eles gostam de viver assim. Eles são a lei… da selva. Por aqui se vê o que será Luanda nos próximos dias. Sempre a subir para as altas escarpas do abismo para depois nele, felizes, se lançarem. E que assim é que está bom, é assim que gostamos. Já não há nenhuma esperança que salve isto, excepto o apregoado primitivismo das falsas igrejas que a esperança é a última coisa a morrer. Mas como, se ela já há muito que se foi. Sim, a esperança é a invenção que permite dominar os escravos numa coisa que não existe, porque basta qualquer energúmeno religioso ou dos partidos políticos da oposição falar em Deus, que ele é a esperança, e os pobres diabos vão para o matadouro cantando hinos de louvor como faziam no holocausto das arenas romanas, agora angolanas. Sim, esta cidade tem muitos matadouros. Sim, está certo, lugar dos primitivos é nas cavernas.
E com tal primitivismo os muangolés não conseguem fazer nada. Mas são hábeis mestres em apresentar números e apostas imaginárias próprias de um reino da fantasia que inventaram. Angola parece mesmo como aquelas coisas das misteriosas cidades do oiro e das ilhas encantadas. Vende-se Angola aos chineses e pronto, os problemas dos muangolés estão resolvidos, porque eles têm uma varinha mágica, é o paraíso muangolé. Antes ludibriados que seriam livres da escravidão que afinal há quarenta e um anos que estão subjugados por outra, e a seguir com a venda de Angola a prestações aos chineses, outra severa, feroz escravidão lhes desaba como uma forte tempestade ciclónica. Sem liderança, os partidos políticos da oposição empurram a carroça da miséria e da fome. A desorientação é total, a desordem também.
O receio era mesmo esse, mais uma epidemia que já está na moda, a dos adultos violentarem crianças. E fazem-no de tal modo que os anjos, as indefesas criancinhas vão parar nos hospitais devido ao matadouro sexual em que esta cidade de Luanda dos leilões de escravos recebeu foros, sim, violentar crianças é moda. Nesta cidade maldita, os satânicos ditam ordens. Creio que a feitiçaria comanda mais este regresso às trevas. Violentar crianças ganhou também foros de desporto nacional, e tudo o mais que se diz nos órgãos de informação da cegueira nacional de que as crianças têm os direitos garantidos e que vamos criar legislação para acabar com essa actividade de liquidar o futuro de Angola, que isso tem os dias contados. Depois vem um número de telefone que não funciona e rapidamente nesta república amnésica tudo se esquece. As leis não são para se cumprir é para nos distrair. É a cidade das seis leis: roubar, violentar crianças, feitiçaria, alcoolismo, festas e corrupção.
Angola está governada por generais porque conforme os seus planos militares a população é um exército de soldados, e como está sob lei marcial pode-se matar quem bem se entender ou apetecer.
Sem líderes não há revolução, resistência e sacrifícios, há miséria e fome. Está na História. E a História é a história da hipocrisia humana. E como a África negra não quer sair da idade Média, então deixem-na ficar. 
Ainda que fosse apenas a fraude eleitoral, mas não. É uma fraude geral em que todos sem excepção participam, senão vejamos o esclarecedor advento de um amigo, “ a fraude eleitoral é já uma tradição entre nós para a vergonha das democracias africanas, infelizmente.” Uma ouvinte denunciou na Rádio Despertar que nas igrejas estão a fazer registo eleitoral ou a recolher os cartões.
É notório que na promessa de construir um milhão de casas, partiu-se um milhão de casas. Mas que satânica promessa.
Não há lei, há sim senhor, a lei faz-se a tiro.
Declaração: para os devidos e legais efeitos se declara que este declarante está devidamente abrangido pela lei da miséria e da fome em vigor, nada mais tendo a exigir ou a reclamar.
Afinal a independência foi para fazer grandes negociatas. As demolições para fins inconfessos são o exemplo mais flagrante. A independência foi uma negociata para a venda de Angola a prestações.
Quando num país enviamos mensagens por todos os meios de informação possíveis a várias personagens dos mais variados extractos sociais sobre os mais variados assuntos e ninguém nos responde, significa que é tempo de fugir desse país porque a nossa existência está em perigo. Não adianta nada pensar em futuro porque ele já não existe, porque aqueles que assim procedem não são pessoas, são genuínas monstruosidades.
Se Angola tem recursos inesgotáveis – não é isso que toda agente diz, especialmente estrangeiros, como arrombar uma porta aberta – então porque é que as populações já vivem na extrema miséria, e as portas da fome abrem-se de par em par.
Mas que interessa pagar a água e ter as contas em dia, se os vândalos da Epal chegam e cortam-na, e quando chamados à razão ficam a rir. Então não interessa pagar porque a água nos vão cortar. É de pasmar quando fico a pensar que o M ultrapassou os extremos da matumbice. Para quando o fim das tácticas estalinistas? Talvez que um dia a tal dita oposição acorde da sua hilariante hibernação. Angola é e será por vontade própria trincheira firme do estalinismo em África.
“Embaixador de Angola no Quénia acusado de "viver à grande" enquanto funcionários permanecem sem salário há cinco meses.” (In Novo Jornal, citando o jornal queniano Daily Nation.)
Carlos Rosado de Carvalho no Expansão: “seria bom que os vendedores de ilusões deste País caíssem na real e ganhassem consciência que, no curto prazo, não será possível diminuir a grande dependência do País em relação ao petróleo.”
Só no que diz respeito à Sonangol, a Rolls-Royce terá conseguido, em escassos cinco anos, cerca de 110 milhões de dólares em contratos que, agora, estão sob suspeita de terem sido conseguidos graças a esquemas de corrupção. In Novo Jornal, citando The Guardian)


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

AS ÁGUAS TURVAS DA LAGOA DOS CACUSSOS



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Aguardo com muita impaciência que surja a voz a anunciar que, Angola está libertada!
Os corruptos enriquecem, os honestos empobrecem.
Creio que o estafado espírito patriótico é para quem apoia a corrupção. Quem não o faz é cognominado de falta de ética e antipatriota.
A fraude eleitoral da água: “Um homem pode ser destruído mas não derrotado.” (Hernest Hemingway 1899-1961).
O M está completamente corrompido, desorganizado, derrotado. M, o paraíso do vandalismo. Ham, ham, a vizinhança… é buerere porque a Epal anda a serrar os canos da água – porquê só agora ao fim de 41 anos e porque não no início, porque não montam o pré-pago como fizeram na energia eléctrica? Porque da Idade da Pedra não querem sair e quem não estiver que se mude. Angola há muito que tem apenas um dono, o M – deixando muita gente, centenas, milhares, milhões (?) de eleitores sem água. Quem tem as contas em dia não escapa do satanismo, também lhes cortam a água, e quem faz isto não vai preso?, ah! ah! ah! ah! E tão vasto número de eleitores para dar mais raiva, agora privados de água, juram que vão votar na UNITA. Porra!, qu’esta merda não está nada boa, cada vez pior, ah, ah!, ah!
Também os restantes veículos políticos, esses pobres coitados da oposição, são incipientes e de intelectos vale sempre lembrar que só temos a família Andrade, o que sobra é uma medíocre equipa de demagogos. Mas quem é que quer este M?, ninguém, claro! Não é por acaso que M é a primeira letra da palavra miséria. É incrível como ainda há gente que vive num mundo tão incrivelmente primitivo, e tudo fazem para dele não sair. Será que estamos em presença de um mundo perdido do período mesozóico dos dinossauros? É muito bem possível. Numa terra de analfabetos, quem sabe das coisas, quem sabe trabalhar e não tem mácula, é excluído, considerado um inimigo perigoso. O detentor do conhecimento da sabedoria é um alvo a abater e para garantir a sua sobrevivência tem que exilar-se num país acolhedor. Entretanto lá vai mais um, Jacob Zuma, o presidente sul-africano vai ser ruado por corrupção.
Nos últimos dias, devido à estação das chuvas, que forte, fortemente como nunca fazia, abastecia a lagoa que estava bem gorda, bem viva, movimentada de água. No céu, nuvens escuras queriam dizer que mais água viria. Mas isso não impedia que à volta da lagoa a vida continuasse. Cada um vivia ou improvisava como podia. E os clientes da lagoa iam chegando, não em número habitual porque a chuva prejudicava os investimentos e muitos não se podiam deslocar devido à intransitabilidade das ruas que lá iam dar. No entanto, pode-se dizer que, no resto, estava tudo estabilizado. Ouvia-se (quer dizer, não se pode dizer taxativamente que se ouvia) a terrível barulheira de uma aparelhagem musical comandada por jovens que a abasteciam com a música mais horrivelmente estridente possível. De tal modo que até para falarmos tínhamos de aproximar a boca aos ouvidos uns dos outros, aos gritos, é claro. Quase deixávamos de ser pessoas, assemelhando-nos mais a animais numa selva aterradora. Falar com os jovens para que baixassem o som não adiantava. Eles ainda o aumentariam mais. Será que é isto o que resta da identidade cultural do muangolé? Até nos hábitos alimentares as coisas mudaram bastante: agora comem-se sandes com muita mostarda e muita maionese. Poucos saberão, por exemplo, os estragos que a mostarda provoca no nosso estômago. Mas isso se vê facilmente: pegamos numa moeda bem usada, daquelas que quase não se consegue ver nada das inscrições; despejamos-lhe um bocado de mostarda nas duas faces e depois enrolamo-la num papel de guardanapo e deixamo-la descansar durante uns dois minutos; depois retiramos o guardanapo e a moeda surge como que acabada de sair da cunhagem; tudo nela desaparece. Em face disso, já se pode imaginar os estragos que a mostarda faz no nosso estômago. Quando ainda jovem, depois de ver essa demonstração, nunca mais comi nada com esse condimento. Voltando à conversa dos cacussos, dizer que, com o arrastar do lixo da água das chuvadas, a lagoa também ficava afectada, turva, sem oxigenação, o que resultava na diminuição do pescado bom para se comer, uma vez que os peixes morriam antes de caírem nas armadilhas. Então, as receitas não compensavam o esforço dos pescadores como se fosse tempo de defeso. De repente ouve-se um grito estridente de uma criança: o homem olha na direcção do som e vê os seus dois filhos pequenos agitados. O mais velho, de uns seis anos, vem em sua direcção e grita: «Pai, ele me mordeu!» «Pois, tu passas a vida a fazer-lhe judiarias e o coitado enerva-se e morde-te», ralha o pai. E gritando na direcção do mais pequenino de dois anitos berra: «Ó seu bebé piranha, não mordas mais o teu irmão! Anda, vai p’ro pé da tua mãe!». Mas, como diz a sabedoria popular que um mal nunca vem só, passados alguns minutos, eis que novamente se faz ouvir a voz do filho mais velho. Todavia, desta vez, o grito é bem diferente: «Pai!!! Pai!!!». «O que é, porra?!», indaga o homem bem chateado. «Pai, são os chineses! Eles estão aí com os camiões deles para despejarem lixo na lagoa», explica o pequeno. «Oh, oh, mas que merda esta! Vai p’ra casa e fica lá com a tua mãe e o teu irmão, anda!», grita para o filho. Pouco depois, convoca uma reunião de emergência de um denominado, alto comité da buala para análise de situações. Entretanto, preparados para o pior, as mamãs, os petizes e os jovens já armazenavam pedras e outras tralhas para repelirem os invasores chineses. A reunião de emergência do alto comité decide-se pelo envio de uma comitiva para estabelecer conversações com os invasores inimigos da Natureza. A delegação chefiada pelo pai, marcha ao encontro dos chineses, que logo viram que a numerosa comitiva não estava para festejar a sua chegada. Os chineses já estavam a preparar-se com o maior à-vontade que lhes é consagrado na Constituição, para poluir a lagoa com escombros das obras de construção civil. O pai faz então o discurso de apresentação: «Quem são, de onde vêm e para onde vão?». Um chinês usa então a artimanha dos prevaricadores da Lei, que consiste em afirmar que a desconhecem e assim praticar todo o tipo de ilícitos a bel-prazer. E tenta safar-se: «Chinês não saber falar português.» Mas o pai não se deixa desarmar: «Estes chineses são o máximo. Além de fazerem da China o país mais poluído do mundo, querem fazer de Angola o país mais poluído de África». E faz um sinal com as mãos de que pode haver problemas sérios se eles não se forem embora. No entanto, o que parece ser o chefe dos chineses não desiste. Entrega um telemóvel ao pai para falar sabe-se lá com quem. O pai nega e volta a assinalar que é melhor que eles partam. Os invasores acatam o conselho, pegam nos seus camiões que desta vez eram apenas três, e bazam. Claro que foram despejar os seus detritos poluentes num outro lugar qualquer, à socapa. E é assim: num lado se constrói e noutro se destrói.

Chegou a hora do almoço. Além do pai, a esposa e os dois filhos, não estava mais ninguém à mesa. Isto sem contar com os três cães e quatro gatos que habitualmente montavam guarda quando a piroga voltava da faina da lagoa, pelo menos pareciam saudáveis. Aliás, o segredo da longevidade da gataria é comer peixe fresco. Quanto aos vira-latas qualquer coisa lhes serve, mas também estavam bué fixes. Era esta reduzida família que se abastecia à mesa porque normalmente ninguém mais aparecia, porque pobre é assim, ninguém o visita. O pai que tencionava fazer uma oração de graças ao Senhor pela comida concedida acaba por discursar contra a invasão aos seus domínios: «Pois é, andam práqui estrangeiros a dizer que querem fazer da nossa lagoa uma estância de turismo, dando-me como compensação dois barcos a motor, combustível e salários para quem neles trabalhar. Mas, se saio daqui, vou mais trabalhar aonde? E a manutenção dos motores? Não, isso não é aposta segura para nós». No íntimo, decide-se então a resistir até aonde for possível ao assédio dos estrangeiros para deixar o seu torrão. E pergunta à mãe: «Já mandaste comprar gasóleo para o gerador? Possas, sabes quando é que vamos ter energia eléctrica da rede pública?». Claro que ela diz que não, que revolução à africana é assim, e que nem sabia sequer o que era isso de rede. O pai lembra-se então que faltava algo para completar o almoço. Chama o filho e ordena: «Ó menino vai à cantina do ‘sênê’ e lhe diz que o pai pediu dois litros de vinho. Mas, lhe diz que é para pôr no kilapi. Vai, faz rápido, que a comida vai esfriar!». E enquanto esperava pelo tintol, foi chegando à amarga conclusão de que Angola, por esse andar, sem liderança, outros colonizadores se instalam para substituir os anteriores. São assim de facto e de jure as independências africanas porque os seus políticos são formados nas melhores universidades da demagogia.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SEM LIDERANÇA NÃO HÁ RESISTÊNCIA E A FOME AVANÇA



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Silêncio é desprezo.
Ao anunciar resposta violenta à manifestação da UNITA, prometida por Samakuva, pelo professor universitário de direito e deputado João Pinto, do M, um homem que antes falava muito mal do M e que agora procura a qualquer custo protagonismo para alcançar um alto lugar para grandes voos alçar, então proibir qualquer manifestação da oposição, excepto as do partido M, então estamos presidiários num campo de concentração nazi. Creio que há a intenção do nosso extermínio pelos métodos de Estaline. Mas há ou não graves irregularidades no registo eleitoral?! Pelo que se ouve aqui e ali há sim senhor. Partir milhares de casas e lançar populações para a miséria e fome, isso é que é subverter a ordem. O brutal e desumano aumento da recarga de telemóvel de 900 para 1.250.00 kwanzas também merece uma mega manifestação. Não podemos ser como porcos neste matadouro executados. O tratamento que é dado às pessoas diariamente se exaspera até fatalmente rebentar porque tudo tem limites, tem um fim. Colocar as pessoas na indigência e ter que se manter no silêncio de escravo, NÂO, NÂO, BASTA! Um governo da repressão e para a repressão, não, os tempos mudaram, estão sempre a mudar, e quem neles não quer entrar da democracia forçosamente tem que sair. Quer dizer que nós não temos direitos, o único direito que temos é a morte praticada por monstros. Como é possível neste caos económico e social onde empresas atrás de empresas a falirem ou a atirarem para o olho da rua desempregados, vão pagar o quê? Então como é possível um exército de desempregados pagar impostos, taxas e subidas anárquicas de preços que surgem tipo, última hora. Mas ser pirateados pela desgraça do piorio da extrema má governação, é só mesmo num campo de concentração nazi. Pelos vistos parece que a guerra ainda não acabou, recomeçou. Estão a arrasar-nos tudo incluindo a vida. 
No dizer de Maria Luísa Abrantes, os partidos políticos são tribalistas e todos parecidos: a propósito, alguém viu por aí o BD-Bloco Democrático? Hibernou? Desfaleceu, morreu, desmaiou? Paz à sua alma.
Do M nada há a dizer, aldraba-nos, passa o tempo a fazer-nos promessas que nunca cumpre. É o campeão mundial da corrupção e da hipocrisia.
A CASA aparece de vez em quando, lança umas bocas, o refrão, que depois das eleições tudo será resolvido. Usa uma política confusa, débil, não convence, parece a política dos políticos sem escrúpulos. Há vários anos que a UNITA promete fazer manifestações, mas depois desmarca-se. Garante que depois das eleições será o paraíso. Mas até lá os eleitores perecerão pela fome estalinista. Cito o mano Samakuva, que disse que pensava que as irregularidades do início do registo eleitoral se deviam à inexperiência dos jovens brigadistas. Fiquei estupefacto porque o mano Samakuva ainda desconhece (?) a metodologia de trabalho do M. Uma coisa é certa, pelos vistos o partido da fome vencerá as eleições, pois quando um partido gasta os seus recursos financeiros na defesa e segurança nada há a fazer, é tudo para f.o.d.e.r, e a oposição quixotesca se render. FNLA e PRS, de partidos só têm as siglas, nada mais havendo a acrescentar. Enfim, é uma trapalhada generalizada.
Se começassem pelos corruptos tinham o meu apoio incondicional, mas como não é o caso, nunca o será, discordo com todas as forças contra este moderno estalinismo. Por incrível que pareça, mas não o é, já em período eleitoral, porque a barbárie comanda, partem-se casas, espoliam-se os haveres das populações, mata-se impunemente, carrega-se a fundo no acelerador da destruição, da morte permanente. Quarenta e um anos depois selvaticamente serraram as tubagens da água por falta de pagamento. Porque é que não começaram logo após a independência? Porque diziam que no comunismo, numa república popular, o Estado é que paga. Nesta pátria estalinista onde se extermina pelo desemprego e logo pela fome que se lhe segue, como é possível exigir dinheiro aos que não o têm. Excepto os corruptos e seus comités de especialidade ninguém mais tem dinheiro. Tentei explicar que apenas por menos de dois anos que estou em falta devido à invasão dos estrangeiros patrocinada pelo M que saqueiam esta m.e.r.d.a. Roubaram-me o emprego, e que até um vizinho português do terceiro esquerdo é mula, está de viagem constantemente para Portugal carregar malas com dólares e decerto recebe os seus cinco por cento de comissão, ainda tentei explicar ao batalhão da Epal, oito funcionários e uma jovem para serrarem tubos de água?! Tão mal fizeram o serviço que no rés-do-chão deixaram água a pingar, a entrada do prédio está sempre alagada. Danificaram um contador e uma torneira por não saberem trabalhar. Pois, neste e nos próximos tempos vou agradecer intensamente ao M.
Oh! Como é horrível viver, saber que o dia de amanhã será igual ou pior ao de hoje. Certamente que será mais um dia de miséria e de fome.
A igreja não moraliza, desmoraliza.
Sem líderes, os famintos estão isentos de revolução, sacrificados pela fome não têm hipótese de resistência. Resta-lhes pois a gloriosa morte da fome.
Se a corrupção desaparecer as divisas vão aparecer.
Muito brevemente, isto é, finalmente o caos!
Rui Manuel Manuel: “é tudo verdade é uma dificuldade tremenda para tratar de qualquer assunto no BAI e BPC. Xana Gonçalves:  ...em qualquer Banco hoje em dia. Está feia a situação!!!  Renata Micaello Rodrigues: Eu no Atlântico, após 3 semanas sem cartões multicaixa, lá tive a sorte de ir a um balcão que tinha. Duas horas de espera e cartão na mão... Ufff... Maravilha. CONCLUSÃO: já passaram 3 semanas e o cartão não está ativo. RESPOSTA DO BANCO: tem de aguardar. Lol”

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Frases de Aimé Césaire (1913-2008)



Quem não me compreenda não compreenderá o rugido do tigre.

Assassinei a Deus com minha preguiça minhas palavras meus gestos e meus cantos obscenos.

A poesia nasce com o excesso, a desmesura, com a busca perseguida pelo vedado.


Não me enterro num particularismo estreito. Mas tampouco quero perder-me num universalismo descarnado. Há duas maneiras de perder-se: por segregação amuralhada no particular ou por dissolução no “universal”. Minha concepção do universal é a de um universal depositário de todo o particular, depositário de todos os particulares, profundeza e coexistência de todos os particulares.

África já não é, pelo diamante do infortúnio, um negro coração que se estria; nossa África é uma mão fora do guante do púgil, uma mão direita com a palma até adiante e os dedos muito juntos; é uma mão tumefacta, uma-ferida-mão aberta, estendida, brancas, morenas, amarelas, a todas as mãos, a todas as mãos feridas do mundo.

E sobretudo corpo meu e também alma minha, ficar de cruzar os braços na atitude estéril do espectador, porque a vida não é um espectáculo, porque um mar de dores não é um proscénio, porque um homem que grita não é um urso que baila…

Sou o que canta com a voz algemada no suspiro dos elementos. É doce ser nada mais que um pedaço de madeira, uma cortiça, uma gotita de águas torrenciais do começo e do fim. É doce abandonar-se no coração destroçado das coisas.

Se os negros não fossem um povo, digamos, de vencidos, um povo de desventurados, um povo humilhado, etc.; se, se invertesse a História e se fizesse deles um povo de vencedores não existiria a negritude. Eu não defenderia a negritude, me pareceria insuportável.

Nós, homens de cor, neste preciso momento da evolução histórica, tomados pela possessão, na nossa consciência, de todo o campo de nossa singularidade e estamos prontos para assumir em todos os planos e em todos os domínios as responsabilidades que se derivam desta tomada de consciência.

Fazei de mim o executor destas altas obras que chegou o tempo de lutar como um homem valente mas fazendo-o, coração meu, livra-me de todo o ódio, não façais de mim esse homem de ódio para quem só tenho ódio.

Ao morrer o amanhecer… move-te, diz-lhe, focinho de polícia, focinho de vaca, move-te, detesto os lacaios da ordem, às abelhas da esperança.

Fonte: apanhado na Net
Imagem: http://saintheron.com/featured/black-history-month-musings-aime-cesaire/


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O HINO DAS CRIANÇAS DO ZANGO DE VIANA


A fome vence as crianças de Angola
Porque é isto que se lhes deve dar
Porque elas merecem
Toda a desgraça para as crianças
E em constante desengonço
Se diz que as crianças
Têm futuro

Sim, se até nos caixotes do lixo
Procuram qualquer coisa
Para comer
Portanto nada mais há
Para esclarecer

E com tal país que só aposta
Nas derrotas
Vitórias ninguém sabe
O que isso é
A única aposta que se lhes
Concede como solução
É a benzida corrupção

A pátria da criança angolana
É a rua
Da fome
Da miséria
Estado que abandona crianças
Abandona tudo

Criança só tem nevoeiro
Primeiro
Nem tem palheiro
Criança é matéria-prima
Da morte que não se importa
Se exporta
Nunca se esgota

Eis o seu hino

“Angola avante revolução
Pelo arroz com feijão

Levantemos nossas tropas
Com chapada
Pela glória dos povos africanos
Mas temos combatentes angolanos

Liberdade dos povos europeus
Sabório de revolução
Pelo arroz com feijão

Batata frita
Massa com frango
Vou comer com uma boa gasosa”



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

RÉPLICA AO DISCURSO SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO



Os desempregados estão
De plantão
Os corruptos roubam-lhes o pão
E dizem que é assim na nação

Os desempregados o que farão
Para se libertarem da corrupção
Maltratados sob a imposição
Do poder da escuridão

Morte à população
Ordenou o patrão
Há muito na solidão
No palácio da exterminação

Os políticos da oposição
Falam, vociferam em vão
O poder os afugentarão
Cão que ladra não é salvação

A Igreja desfia o seu sermão
Despeitada pelo corte do quinhão
Já não consta da lista do filão
A santa pedofilia beatificarão

Faminta a criança estende a mão
E o corrupto: sai daqui, senão!
A Polícia arrasta-a para a prisão
E no navio dos escravos a soldarão

O preço do petróleo subirá
Mas como, se descerá
Por completo a nação falirá
E tudo isto se espatifará

O poder as eleições ganhará
A corrupção vencerá
A repressão não descansará
Angola juncada de cadáveres estará

Se já se sabe quem é o vencedor
Então para que serve o eleitor?
Para engrandecer o seu senhor
È outro Cristo nosso salvador

Greve a oposição não consegue fazer
Após as eleições tudo se vai resolver
Uma vida maravilhosa vamos ter
E que até os cegos vão ver

Angola está condenada
Dela não se espera mais nada
As empresas estão em debandada
Sem cérebros é uma palhaçada














terça-feira, 25 de outubro de 2016

O ESTADO SATÂNICO DE LUANDA



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Diplomacia é a arte de exterminar povos.
O jovem Francisco, com vinte e tal anos, vende chourição para se safar do que o petróleo já, nem nunca, lhe pode dar. Na companhia de outro jovem também empreendedor do chourição, estavam em plena aula laboral quando como uma rajada de vento ciclónico, polícias lhes caíram em cima. Fizeram-nos embarcar no seu carro dizendo-lhes que iam para a esquadra do Nzinga, ali para os lados do Largo Primeiro de Maio, para lhes fazerem o registo, - não, não é registo eleitoral - dos seus pertences. Assim uma espécie de auto de apreensão. Revistaram-nos de cima abaixo, ao Francisco apreenderam-lhe o chourição, o telemóvel e treze mil kwanzas. Ao seu amigo não deu para ver porque ele vendo o polícia sem porrete nem arma disse que ia à casa de banho, então começa a correr para a liberdade, mas é apanhado, retiram-lhe a roupa deixando-o completamente nu. Depois atiram-lhe água de uma mangueira e três polícias dão-lhe porretada até se cansarem. O jovem saiu de lá todo amassado. O Francisco que entrou lá às dezassete horas só saiu da prisão às vinte e três, a pé até ao Cacuaco, porque tudo os que os polícias lhe tiraram não lhe devolveram nada, distribuíram entre eles. O Francisco tem mulher e filho, e agora completamente na miséria é mais uma família que vai passar fome, juntar-se às fileiras do exército nacional dos famintos. De salientar que também nesse espaço de tempo, vinte de Outubro de 2016, deram entrada na esquadra, quatro bandidos algemados e os polícias não lhes fizeram nada, disseram-lhes que depois iriam para a esquadra da Ilha onde seriam julgados.
Porra! Mas que merda é esta!? Olho para o relógio, são três horas e trinta minutos da manhã, o barulho é daquele de estremecer tudo, incluindo o de rebentar tímpanos, fazer subir a pressão arterial, matar. Este satanismo já vai para três meses. É esta actividade da banal barbárie que os satânicos impõem nas nossas vidas. O barulho da música parece o de bater tampas dos contentores do lixo, vem da improvisada discoteca satânica instalada nas traseiras do hotel Katyavala do general Ledi, na rua rei Katyavala em Luanda. Satã está muito contente porque os seus discípulos satanizam Luanda. É caso para dizer que quem está ligado ao poder não tem problemas, é da lei deles satanizar tudo e todos. Alcoolismo e satanismo são a feliz parceria que Satã apoia. Apesar da última legislação de que quem não deixasse ninguém em paz com festas satânicas que os fiscais do Governo da Província de Luanda lhes cairiam em cima. Mas, apesar das inúmeras queixas apresentadas à Polícia, não serve de nada porque quem é do poder pode acabar com as nossas vidas conforme lhe apetecer. O M não liga aos votos que perde e isso é muito preocupante, cheira a futuro colossal esturro. Claro que isto não durará para sempre porque quando uma tribo satânica pretende dizimar as outras, acaba por perecer como que por artes mágicas que é só aguardar. Neste estado satânico de Luanda já nem dormir se pode. E o dinheiro para essas festas de alcoolismo e satanismo, onde mais velhos acompanhados de mocinhas ninfetas vem de onde? Dos nossos bolsos, claro, com os impostos, taxas e a corrupção que nos caem em cima como moscas.
Se o Ocidente abandonou a África, com o que se passa com o deixa andar das guerras eleitorais, significa que está cansado, que a África é um caso sem solução.
No noticiário da rua circula que o M tem um sistema secreto de tirar fotografias durante o acto de voto. E quem nele não votar vão-lhe matar. Povo educado pela Igreja e igrejas fica assim.
Há muitos, muitos bairros em Luanda que não têm registo eleitoral, e nas províncias também. Sdiangane Mbimbi
De um bajulador de serviço na RNA, Rádio Nacional de Angola, justificando o apocalipse de Angola, “estamos a aprender democracia.”
De certeza absoluta que isto nada tem a ver com Angola, “satisfação e motivação no trabalho são a base de tudo.”
Adalberto Costa, da Unita, “ há três meses que os partidos políticos com assento parlamentar não recebem os seus subsídios.”
“Dizia um ministro francês, a propósito dos levantamentos populares, que antes de se procurarem os chefes se procurassem as ideias que sugeriam esse movimento. A luta do constitucionalismo com o despotismo foi ferrenha e canibalesca; propagavam-se as ideias à cacetada, calavam-se os descontentamentos com a forca, e era normal o confisco dos bens dos que seguiam princípios opostos aos dos que usavam do poder. As ordens religiosas, absorvendo cada vez mais a riqueza territorial pelas doações do fanatismo, apoderavam-se das inteligências educando-as no sentido das doutrinas que mais convinham à sua associação egoísta. Reinava a mediocridade nos espíritos e a estupidez nas multidões. O povo, idólatra há dois dias, é hoje filósofo, daquela filosofia da ignorância e de corrupção, que vós e só vós lhe ensinastes. Se continuarmos a caminhar assim por esta estrada de perdição, o lio mais forte da sociedade, o sacerdócio, desaparecerá; o templo do Crucificado cairá em ruínas, mas a nação ficará esmagada debaixo delas. Ai dos que abominam a cruz, porque a cruz é eterna. E o professor de certa Academia célebre, que dava a razão de serem as viagens do Brasil mais demoradas de lá para cá, do que de cá para lá, do seguinte modo: – Meus senhores, forçosamente assim há-de acontecer, porque para lá desce-se; e para cá sobe-se. Quando nas altas regiões do poder se desmente por tal modo as regras mais triviais do bom governo; quando se tolera que os instrumentos da ordem pública se convertam impunemente em instrumentos de anarquia; quando assim estalam os laços da vida civil, ao homem honesto, mas inabilitado pela sua condição social para obstar a esses abusos extremos, só resta encerrar-se no santuário da vida privada e deplorar a ruína da república.” (In A Vida de Alexandre Herculano, de, Teófilo Braga. História do Romantismo em Portugal II)
A cliente mais velha e de longos anos de um minimercado conversa com a sua chefe, vê as prateleiras vazias e observa-lhe que isso se deve à crise. Mas a chefe argumenta que para eles, do M, não há crise porque eles têm dinheiro. Então termina com a pergunta, “qual crise?”
Pelo que se ouve daqui e dali, sugere que há fraude no registo eleitoral e que está generalizada em todas as províncias. Entretanto, a instabilidade política e social também alastra em todas as províncias. E mais entretanto, um militante do M afirma categoricamente que sob nenhuma circunstância o M deixará o poder.
E a oposição fala, fala… o M vai ganhar outra vez folgadamente as eleições e tudo vai ficar como dantes, isto é, muito, muito pior.
A seis dias do fim do mês de Outubro de 2016, já vamos aqui na buala com dez cortes de energia eléctrica. De salientar que esta área estava muito privilegiada mas pelos vistos deixou de o ser. Não se entende como a governação insiste em que a energia eléctrica à cidade de Luanda não teria mais problemas, excepto um ou outro corte de vez em quando, mas não é o caso. Lá vamos outra vez, sempre, para a desgraça, para a república das falências. Uma dúvida me assalta e que necessita de esclarecimento: Luanda caminha para a Idade Média ou para a Idade da Pedra? Pelos factos verificados do fingir que tudo funciona, é mais uma aposta governamental. Como disse André Mingas, “é nacional, eu gosto, é bom.” Quer dizer, só haverá contentamento quando tudo estiver destruído. Bem hajam!
Há duas Angolas, uma dos palácios e outra da Idade Média, do desemprego, da miséria, da fome, etc.


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SEITAS SATÂNICAS



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Angola só tem reservas líquidas para 183 dias de importação.

E eis-nos governados de Cabinda ao Cunene pelo Estado das seitas satânicas.
Há governos que actuam como se fossem seitas satânicas.
Escondidos nas igrejas sob o disfarce de sacerdotes, eis os satânicos que exercem as suas actividades em nome de Deus, a CEAST, Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, chama-lhes igrejas satânicas.
Sinto-me como um judeu num campo de concentração de Satã. Também me sinto satanizado pela invasão das igrejas satânicas.
O satanismo comanda a nossa vida.
De um transeunte ao telemóvel, “mas como é que ele vai despedir quarenta e sete trabalhadores sem indemnização? Ele não pode despedir assim!” Claro que não porque isso é satanismo.
Espero que perguntar não ofenda, o que parece que por aqui ainda é um risco, como de repente ser arrastado pela areia movediça da intolerância, mas, porque só a Unita faz réplica do discurso sobre o estado da nação e os outros partidos não o fazem porque não têm “capacidade” para tal?
No zango 4 em Viana, arredores de Luanda, e creio que nos outros também, há inundações constantes porque há moradores que deixam as torneiras abertas e quando a água chega inunda tudo. No início os funcionários da EPAL acreditavam que isso fosse da chuva, mas depois de desconfiarem que não, investigaram e descobriram a causa. Quando o vizinho perguntou ao outro o porquê das torneiras abertas vinte e quatro sob vinte e quatro horas nas calmas ele respondeu que, “ eu pago a água que consumo.” Como alguém disse, “eles gostam assim.” São muitos a destruir Angola e muito poucos que a constroem. Eles gostam assim.
A grande desgraça de Angola chama-se petróleo, e a sua inseparável amiga chama-se corrupção.
As poderosas vias do desenvolvimento de Angola são o alcoolismo e a feitiçaria, que têm como assessora a corrupção.
Ler é sobreviver.
Durante quase a última semana da crise sem água, um português pediu a um segurança para lhe comprar água mineral. Como ele estava a lavar um carro, encheu algumas garrafas de água do balde, entregou-as ao português que lhe pagou e pouco depois exclamou, “um gajo tem que ficar esperto, tem que saber abrir o olho!”
“Os pobres farão a guerra dos ricos.”
Há os presos políticos e há os presos da política da fome.
África, o continente das farras.
Conversa de bancários: “ o défice, ano após ano mantêm-se negativo, depois aguarda-se pela desvalorização e está o problema resolvido.”. 
Um jovem foi apanhado em flagrante a roubar um vulgar frasco de vinagre no minimercado Pomobel. Chamaram os polícias que rápidos apareceram. Carregaram o jovem para a esquadra mas pouco tempo depois reapareceram. Obrigaram o jovem a sentar-se em frente do estabelecimento, algemaram-no, depois obrigaram-no a ajoelhar-se, pontapearam-no várias vezes, e em seguida fotografaram-no e reconduziram-no à esquadra.
Hoje entrei em profunda amargura porque o meu pequeno rádio de pilhas, o meu fiel companheiro de há vinte e cinco anos deixou de funcionar, isto é, o som como que borbulhava. Agora é que estou bem lixado, vou ficar sem ouvir os noticiários da Rádio Despertar, sem mais nada para me informar. Desmontei-o, vi as peças com uma lupa e conclui que aparentemente estava tudo bem. Desapertei o parafuso do botão do potenciómetro, atirei-lhe com um cheirinho do penetrol da Sonangol, recoloquei o botão no lugar, esperei algum tempo, experimentei, estava tudo ok, mas não, voltou ao passado. Então, desliguei e liguei várias vezes o botão do som para que o penetrol limpasse a sujeira e a humidade… e resultou, voltei a ter rádio.
A maior desgraça de Angola foi mentir aos angolanos que seriam independentes. Já lá vão quarenta e um anos e a independência continua um satânico pesadelo. 
A desinformação é como o álcool, embebeda as mentes. E por isso mesmo não surpreende nada que Angola seja uma nação alcoólica.
Miséria e fome são o que resta deste latifúndio.
Há angolanos que de angolanos não têm nada, muito longe disso. Fingem que o são para espoliarem os verdadeiros angolanos.
Sdiangane Mbimbi denunciou que em muitos bairros de Luanda não há registo eleitoral.
Não é o povo angolano que é burro, os políticos é que são burros.
Até ao dia 03 de Outubro de 2016, o banco Millennium-Atlântico, esteve mais de vinte e quatro horas sem sistema. Será que serve de desculpa porque não têm dinheiro? É o que dizem por aí.
Creio que já não existem pessoas porque não respondem às mensagens que lhes enviamos por todos os meios de comunicação.
Está tudo muito cinzento, vê-se muito nevoeiro.
Numa vontade corrupta não há vontade política.
Angola não tem cérebros, só tem políticos e um exército de doutores e de bajuladores.
Agora é a epidemia da dengue, e depois qual epidemia se seguirá? A de que Angola fixou sem sistema?
Entre comadres: “O nosso presidente José Eduardo dos Santos é muito bom, gosta muito de nós. Havia praí um movimento com uma potente bomba para nos matar, quer dizer, ninguém ia escapar, e ele conseguiu salvar-nos. Ele é mesmo bom, não é?”
E creio que há por aí muita boa gente que está na política apenas para passatempo.
Com um exército de desempregados cujas fileiras não param de aumentar, para conseguir dinheiro só por artes mágicas, o dinheiro não chega para sustentar os preços da comida que não param de subir, como é possível pagar mais impostos e taxas que todos os dias se inventam. Uma coisa é certa, sem produção interna é fingir que há diversificação da economia. Angola vai para a bancarrota, ai vai, vai!
E Deus votou em nós do M, elegeu-nos para mais um mandato. E quem Deus faz vencer é invencível, não há forças políticas que o domem, que o derrubem porque quem Deus faz governar é eterno.
Uma das minhas vizinhas tinha um minimercado que também funcionava como mini bar. Não aguentou, faliu porque conforme disse, como se não bastasse estar às moscas devido à crise, os empregados roubavam-lhe os produtos e, coitada, fechou as portas. É mais um estabelecimento comercial que se perde, é mais miséria acumulada e demais gente desempregada.


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A DIVERSIFICAÇÃO DO CAOS ECONÓMICO



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Angola só tem reservas líquidas para 182 dias de importação.

Se ninguém tem ideias ninguém se entende.
Onde há muita cobardia a opressão faz razia.
Há governantes que são hábeis criadores de abismos, e neles se extasiam quando para lá atiram as populações.
E aquele idoso a pensar que quando deu a sua juventude em defesa da pátria, trabalhou imenso, sábados, domingos e feriados, estudou imenso para se formar bem profissionalmente, dedicou-se inteiramente à sua profissão com zelo e muita dedicação, e agora chegado na velhice é abandonado por aqueles que juraram que a miséria e a fome nunca mais, que a liberdade e a democracia seriam efectivas e exemplares. Isto dá para lançar uma espécie de maldição: que todo o mal que fizeram, as vossas vidas muito pior acabem. Que nunca tenham paz, ámen!
fonte da Sonangol, adiantando que, depois de ter aberto uma linha de crédito de 15 mil milhões de dólares, o CDB-China Development Bank recusou-se a proporcionar um novo empréstimo. O semanário português diz ainda que o mesmo tinha acontecido com bancos norte-americanos.
Na má política o que é necessário é apresentar falsas promessas para depender de falsas ilusões para criar falsas expectativas. O que interessa é apoiar para saquear.
Dizem os amigos da nomenclatura angolana, muito em especial o português Paulo Portas que, “os problemas de Angola competem aos angolanos resolver.” Claro que aprendeu com os chineses, só pode. E eu acrescento que, “ o saque de Angola não compete aos angolanos resolver.”
Finalmente já consegui decifrar a frase do Apocalipse bíblico, de que o fim está próximo. Na realidade significa que o fim de Angola está muito próximo.
E o executivo mesmo em período eleitoral continua com a sua façanha de demolir casas e outras demolições como as económicas e financeiras, criando feroz descontentamento nas populações. Mas o executivo está muito tranquilo porque sabe de antemão, quem não sabe?, que as eleições estão antecipadamente ganhas pela folgada margem dos quase cem por cento de votos. Viva o M! Viva!
Há pois, são sempre os mesmos a falar da mesma coisa.
Digam-me como é possível num país totalmente dominado pela corrupção ter eleições livres e justas. E não há ninguém que explique isso aos “pitosgas pataratas” da oposição?
E a tal propalada crise devido à baixa do preço do petróleo, isso não é verdade porque a crise deve-se à corrupção. Existindo corrupção existirá sempre crise.
Como é possível um país ter apenas um herói nacional. Em Angola é possível.
Nos mercados, os fiscais partem as bancadas de venda das mulheres, porque ávidos de dinheiro, sitiados pela fome ela aperta o cerco sem dó nem piedade, é a vingança contra quem não lhes pode dar dinheiro, devido à crise que há quarenta anos persiste, e ninguém sabe quando e como acabará. É a vida de festas, mulheres, álcool, querer ser chefe, feitiçaria e corrupção. Perante tal cenário o angolano isola-se cada vez mais do investimento estrangeiro, deita-se nas mãos do dinheiro chinês que não tem problema nenhum, quer também carregar o espólio colonial muito rápido antes que venha a tal revolução da libertação. E o angolano irremediavelmente só prepara-se para a morte, a única garantia de vida que lhe resta.
Com rádios, televisões e jornais de falsas propagandas não admira que a população seja analfabeta. Mas é assim mesmo que se pretende, quanto mais burros melhor, para governação pior. Parece que não, mas ainda se vive sob a bandeira ideológica do comunismo, porque o partido faz o que quer, não dá cavaco a ninguém. O povo não existe, e quem o tenta despertar é-lhe dada ordem para o caçar.
Na realidade estamos sob o chumbo de três poderes: um partido dos homens que não largam o poder, o poder da Igreja e das igrejas e o poder dos estrangeiros, e isto é escravidão a mais.
Creio que parece uma loucura total e completa, não faz sentido, é totalmente incompreensível, sem produção interna, nem um botão se produz, agora é a recarga do telefone de 900, passou para 1.250.00 kwanzas. Aumentar os preços de tudo com taxas disto e daquilo. Sem produção interna é impossível, só dá para uma minoria, sempre a mesma. Os despedimentos continuam porque as empresas estão na falência. Quem ainda consegue trabalhar para receber o seu salário é um problema. E quando o salário chega já não dá para pagar as dívidas. Depois deste caos económico vem a ruína de algo que se chamava Angola.
No cemitério o morto foi enterrado, e os acompanhantes da sua última morada saíam dando a última despedida. Restaram apenas dois senhores e uma senhora que não arredava pé. Intrigados os dois senhores perguntaram porque ela não saía, porque não se ia embora, ao que ela respondeu que, “ estou aqui à espera que vão todos embora para eu apanhar ossos do cadáver, moê-los e juntá-los na minha fuba para que ande, se venda bem.
Convém também lembrar que a mandioca amarga, a kaluenda, pode levar à morte.
Onde há muitos sacerdotes, há muita miséria espiritual, moral e social, e sobretudo muita fome, porque os sacerdotes a isso incentivam porque é o melhor caminho que lhes permite sobreviver. Melhor dizendo, sem essa miséria que eles fabricam não sobrevivem. E pregando o nome de Deus aos carneiros, qualquer patife disfarçado de sacerdote enche o seu estômago e o da sua casa.
A melhor aposta da independência de Angola foi o apostar na miséria humana. Mantêm-se a indiferença pelas banalidades das carnificinas que depois da guerra do Vietname, a extinção dos africanos, etc., não, não há indiferença, há é uma abismal falta de liderança. Os cérebros das pessoas não funcionam, estão comandados, hipnotizados por controlo remoto.
Diversificar a economia é diversificar o saque de Angola. Corrupção e saque comandam Angola.
Economista Alves da Rocha no Lubango: “ não há diversificação da economia.”