terça-feira, 25 de outubro de 2016

O ESTADO SATÂNICO DE LUANDA



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Diplomacia é a arte de exterminar povos.
O jovem Francisco, com vinte e tal anos, vende chourição para se safar do que o petróleo já, nem nunca, lhe pode dar. Na companhia de outro jovem também empreendedor do chourição, estavam em plena aula laboral quando como uma rajada de vento ciclónico, polícias lhes caíram em cima. Fizeram-nos embarcar no seu carro dizendo-lhes que iam para a esquadra do Nzinga, ali para os lados do Largo Primeiro de Maio, para lhes fazerem o registo, - não, não é registo eleitoral - dos seus pertences. Assim uma espécie de auto de apreensão. Revistaram-nos de cima abaixo, ao Francisco apreenderam-lhe o chourição, o telemóvel e treze mil kwanzas. Ao seu amigo não deu para ver porque ele vendo o polícia sem porrete nem arma disse que ia à casa de banho, então começa a correr para a liberdade, mas é apanhado, retiram-lhe a roupa deixando-o completamente nu. Depois atiram-lhe água de uma mangueira e três polícias dão-lhe porretada até se cansarem. O jovem saiu de lá todo amassado. O Francisco que entrou lá às dezassete horas só saiu da prisão às vinte e três, a pé até ao Cacuaco, porque tudo os que os polícias lhe tiraram não lhe devolveram nada, distribuíram entre eles. O Francisco tem mulher e filho, e agora completamente na miséria é mais uma família que vai passar fome, juntar-se às fileiras do exército nacional dos famintos. De salientar que também nesse espaço de tempo, vinte de Outubro de 2016, deram entrada na esquadra, quatro bandidos algemados e os polícias não lhes fizeram nada, disseram-lhes que depois iriam para a esquadra da Ilha onde seriam julgados.
Porra! Mas que merda é esta!? Olho para o relógio, são três horas e trinta minutos da manhã, o barulho é daquele de estremecer tudo, incluindo o de rebentar tímpanos, fazer subir a pressão arterial, matar. Este satanismo já vai para três meses. É esta actividade da banal barbárie que os satânicos impõem nas nossas vidas. O barulho da música parece o de bater tampas dos contentores do lixo, vem da improvisada discoteca satânica instalada nas traseiras do hotel Katyavala do general Ledi, na rua rei Katyavala em Luanda. Satã está muito contente porque os seus discípulos satanizam Luanda. É caso para dizer que quem está ligado ao poder não tem problemas, é da lei deles satanizar tudo e todos. Alcoolismo e satanismo são a feliz parceria que Satã apoia. Apesar da última legislação de que quem não deixasse ninguém em paz com festas satânicas que os fiscais do Governo da Província de Luanda lhes cairiam em cima. Mas, apesar das inúmeras queixas apresentadas à Polícia, não serve de nada porque quem é do poder pode acabar com as nossas vidas conforme lhe apetecer. O M não liga aos votos que perde e isso é muito preocupante, cheira a futuro colossal esturro. Claro que isto não durará para sempre porque quando uma tribo satânica pretende dizimar as outras, acaba por perecer como que por artes mágicas que é só aguardar. Neste estado satânico de Luanda já nem dormir se pode. E o dinheiro para essas festas de alcoolismo e satanismo, onde mais velhos acompanhados de mocinhas ninfetas vem de onde? Dos nossos bolsos, claro, com os impostos, taxas e a corrupção que nos caem em cima como moscas.
Se o Ocidente abandonou a África, com o que se passa com o deixa andar das guerras eleitorais, significa que está cansado, que a África é um caso sem solução.
No noticiário da rua circula que o M tem um sistema secreto de tirar fotografias durante o acto de voto. E quem nele não votar vão-lhe matar. Povo educado pela Igreja e igrejas fica assim.
Há muitos, muitos bairros em Luanda que não têm registo eleitoral, e nas províncias também. Sdiangane Mbimbi
De um bajulador de serviço na RNA, Rádio Nacional de Angola, justificando o apocalipse de Angola, “estamos a aprender democracia.”
De certeza absoluta que isto nada tem a ver com Angola, “satisfação e motivação no trabalho são a base de tudo.”
Adalberto Costa, da Unita, “ há três meses que os partidos políticos com assento parlamentar não recebem os seus subsídios.”
“Dizia um ministro francês, a propósito dos levantamentos populares, que antes de se procurarem os chefes se procurassem as ideias que sugeriam esse movimento. A luta do constitucionalismo com o despotismo foi ferrenha e canibalesca; propagavam-se as ideias à cacetada, calavam-se os descontentamentos com a forca, e era normal o confisco dos bens dos que seguiam princípios opostos aos dos que usavam do poder. As ordens religiosas, absorvendo cada vez mais a riqueza territorial pelas doações do fanatismo, apoderavam-se das inteligências educando-as no sentido das doutrinas que mais convinham à sua associação egoísta. Reinava a mediocridade nos espíritos e a estupidez nas multidões. O povo, idólatra há dois dias, é hoje filósofo, daquela filosofia da ignorância e de corrupção, que vós e só vós lhe ensinastes. Se continuarmos a caminhar assim por esta estrada de perdição, o lio mais forte da sociedade, o sacerdócio, desaparecerá; o templo do Crucificado cairá em ruínas, mas a nação ficará esmagada debaixo delas. Ai dos que abominam a cruz, porque a cruz é eterna. E o professor de certa Academia célebre, que dava a razão de serem as viagens do Brasil mais demoradas de lá para cá, do que de cá para lá, do seguinte modo: – Meus senhores, forçosamente assim há-de acontecer, porque para lá desce-se; e para cá sobe-se. Quando nas altas regiões do poder se desmente por tal modo as regras mais triviais do bom governo; quando se tolera que os instrumentos da ordem pública se convertam impunemente em instrumentos de anarquia; quando assim estalam os laços da vida civil, ao homem honesto, mas inabilitado pela sua condição social para obstar a esses abusos extremos, só resta encerrar-se no santuário da vida privada e deplorar a ruína da república.” (In A Vida de Alexandre Herculano, de, Teófilo Braga. História do Romantismo em Portugal II)
A cliente mais velha e de longos anos de um minimercado conversa com a sua chefe, vê as prateleiras vazias e observa-lhe que isso se deve à crise. Mas a chefe argumenta que para eles, do M, não há crise porque eles têm dinheiro. Então termina com a pergunta, “qual crise?”
Pelo que se ouve daqui e dali, sugere que há fraude no registo eleitoral e que está generalizada em todas as províncias. Entretanto, a instabilidade política e social também alastra em todas as províncias. E mais entretanto, um militante do M afirma categoricamente que sob nenhuma circunstância o M deixará o poder.
E a oposição fala, fala… o M vai ganhar outra vez folgadamente as eleições e tudo vai ficar como dantes, isto é, muito, muito pior.
A seis dias do fim do mês de Outubro de 2016, já vamos aqui na buala com dez cortes de energia eléctrica. De salientar que esta área estava muito privilegiada mas pelos vistos deixou de o ser. Não se entende como a governação insiste em que a energia eléctrica à cidade de Luanda não teria mais problemas, excepto um ou outro corte de vez em quando, mas não é o caso. Lá vamos outra vez, sempre, para a desgraça, para a república das falências. Uma dúvida me assalta e que necessita de esclarecimento: Luanda caminha para a Idade Média ou para a Idade da Pedra? Pelos factos verificados do fingir que tudo funciona, é mais uma aposta governamental. Como disse André Mingas, “é nacional, eu gosto, é bom.” Quer dizer, só haverá contentamento quando tudo estiver destruído. Bem hajam!
Há duas Angolas, uma dos palácios e outra da Idade Média, do desemprego, da miséria, da fome, etc.