sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Frases de Aimé Césaire (1913-2008)



Quem não me compreenda não compreenderá o rugido do tigre.

Assassinei a Deus com minha preguiça minhas palavras meus gestos e meus cantos obscenos.

A poesia nasce com o excesso, a desmesura, com a busca perseguida pelo vedado.


Não me enterro num particularismo estreito. Mas tampouco quero perder-me num universalismo descarnado. Há duas maneiras de perder-se: por segregação amuralhada no particular ou por dissolução no “universal”. Minha concepção do universal é a de um universal depositário de todo o particular, depositário de todos os particulares, profundeza e coexistência de todos os particulares.

África já não é, pelo diamante do infortúnio, um negro coração que se estria; nossa África é uma mão fora do guante do púgil, uma mão direita com a palma até adiante e os dedos muito juntos; é uma mão tumefacta, uma-ferida-mão aberta, estendida, brancas, morenas, amarelas, a todas as mãos, a todas as mãos feridas do mundo.

E sobretudo corpo meu e também alma minha, ficar de cruzar os braços na atitude estéril do espectador, porque a vida não é um espectáculo, porque um mar de dores não é um proscénio, porque um homem que grita não é um urso que baila…

Sou o que canta com a voz algemada no suspiro dos elementos. É doce ser nada mais que um pedaço de madeira, uma cortiça, uma gotita de águas torrenciais do começo e do fim. É doce abandonar-se no coração destroçado das coisas.

Se os negros não fossem um povo, digamos, de vencidos, um povo de desventurados, um povo humilhado, etc.; se, se invertesse a História e se fizesse deles um povo de vencedores não existiria a negritude. Eu não defenderia a negritude, me pareceria insuportável.

Nós, homens de cor, neste preciso momento da evolução histórica, tomados pela possessão, na nossa consciência, de todo o campo de nossa singularidade e estamos prontos para assumir em todos os planos e em todos os domínios as responsabilidades que se derivam desta tomada de consciência.

Fazei de mim o executor destas altas obras que chegou o tempo de lutar como um homem valente mas fazendo-o, coração meu, livra-me de todo o ódio, não façais de mim esse homem de ódio para quem só tenho ódio.

Ao morrer o amanhecer… move-te, diz-lhe, focinho de polícia, focinho de vaca, move-te, detesto os lacaios da ordem, às abelhas da esperança.

Fonte: apanhado na Net
Imagem: http://saintheron.com/featured/black-history-month-musings-aime-cesaire/