terça-feira, 3 de outubro de 2017

A REPÚBLICA DE ABDERA FOI MAIS UMA VEZ A ELEIÇÕES ADMINISTRATIVAS



Abdera foi uma cidade grega na costa da Trácia, perto do rio Nestos, quase frente a Tasos. O ar de Abdera tornou-se proverbial entre os gregos antigos que afirmavam que tornava as suas gentes particularmente estúpidas. (In Wikipédia)
República de Abdera, algures no Golfo da Guiné.

Nestas eleições a oposição jurou aos seus eleitores que desta vez não haveria lugar a fraudes como nas eleições anteriores. Os votos seriam rigorosamente controlados e assim o escrutínio não teria hipótese de fraude, pois as cópias das actas seriam contabilizadas e facilmente se saberia quem seria o vencedor. Sim, já se sabia quem de antemão seria sempre o mesmo vencedor. Palavra de oposição não vale um furado tostão.
Foi dito pelo Abel da CASA que desta vez não seriam admitidas fraudes. O paladino, qual mau profeta, Isaías da UNITA, disse que haveria uma chuva de manifestações, - bom, até pode ser que esteja corecto, pois no tempo do cacimbo não há chuva, - pouco antes da publicação dos resultados que há muito já se sabiam, disse que o povo seria o juiz e soberano e que a sua decisão é que seria válida, seguida para a resolução da contenda da fraude. Mas rapidamente fazendo ouvidos de mercadores, Abel e Isaías também defraudaram os seus eleitores ao afirmarem que iriam tomar lugar no parlamento, validando assim as fraudes anteriores, isto é, tudo a ficar na mesma com a oposição a fazer a estudada figura de palhaços. O Abel, tal como no discurso das anteriores eleições, limitou-se a dizer que não tomaria lugar no parlamento para se dedicar mais aos interesses da CASA. Reforçando que na anterior fraude, ele disse precisamente o mesmo. Sou de opinião que os manos Abel e Isaías devem pedir a sua demissão e entregarem os lugares a quem os mereça, porque de continuados espantos já estamos cansados, estupidamente habituados. Aconselho-os a irem no guiché único de empresas e legalizarem um circo, porque isso sim, é algo de útil, é a vocação que têm para entreter os eleitores com as suas palhaçadas, e abandonem a política, deixem-na para os que têm aptidões para tal. Mas, como disseram, que iriam para outras formas de luta, quais… quais são?! Não sabem, porque lhes falta capacidade para tal. Dou-lhes um exemplo sem a necessidade de manifestações. As greves, e várias coisas sem necessidade de manifestações. Mas eu não sou, nem pretendo ser vosso conselheiro, era só o que faltava.
Então se a oposição conforme provas documentais apresentadas ganhou as eleições, entrega o poder de mão beijada e aceita outra vez a imposição da vassalagem? Isso também é uma fraude eleitoral aos eleitores que muito esperançados votaram na mudança… da escravidão. Isso tem um nome: mentalidade de escravos que ainda não lhes saiu das cabeças.
A actuação da oposição deixa-nos em estado de estupefação. Oh, como me sinto triste ao colocar-me no lugar dos eleitores que votaram nos partidos da oposição e viram o logro em que se meteram, porque os seus presidentes não têm qualidades que certifiquem serem defensores do povo, dos seus eleitores. Então porque é que andaram toda a hora a implorar que votassem neles, que a miséria acabaria e que a felicidade viria? Apenas para conquistarem mais alguns lugares por via administrativa no parlamento e assim conseguirem mais dinheiro para engordarem.
As eleições em Abdera são qualquer coisa assim como numa empresa onde os trabalhadores chegam e marcam a sua presença no livro de ponto.
Se antes já estava céptico, agora com estas eleições digo definitivamente adeus à democracia porque se instaura a selvajaria. Basta ouvir os noticiários e que aqui e ali diariamente os maridos matam gratuitamente as esposas… matam tudo. A violência cresce, se fortalece. É uma gigantesca avalanche que faz com que haja muitos desmoronamentos de selvajaria. Abdera está a desabar.
Com políticos ingénuos não há democracia. Oposição, mais povo abandonado, igual a, república da selvajaria.
A lei é para os pobres.
Porque será que Abdera tem muitos doutores? Pergunto isto porque nas rádios e televisões só se ouve, doutor disto e daquilo. Creio que é mais uma epidemia, ou melhor, muitos doutores e engenheiros não. Não é por acaso que chamam os abderas de estúpidos, pois só têm doutores e engenheiros não.
Hoje e todos os dias há circo, e a atração principal é os palhaços da oposição, nada mais natural, sem igual.
As sanguessugas, os abutres e os vampiros apressam-se em reconhecer os resultados eleitorais. A pilhagem está a recomeçar.
Depois de tanta propaganda à bolchevique que com a barragem de Lauca a energia eléctrica estaria definitivamente restabelecida, eis que a partir do início do mês de setembro de 2017, quase todos os dias a energia eléctrica falha. Sempre a andar para trás como um viajante do tempo que nele se perdeu. É inacreditável como Abdera funciona, mas perfeitamente aceitável pois se os seus habitantes são todos estúpidos. 
No cabeçalho da minha caixa de correio e bem carregado de vermelho: “Aviso: a Google detetou uma tentativa de roubo da sua palavra-passe por atacantes apoiados por um governo.” Não sei para quê que perdem tempo com estas coisas, pois se querem a minha palavra-passe eu dou-lha, sem makas, não tenho nada a esconder.
Já não me restam dúvidas de que há um complô internacional para a condução dos destinos de Abdera outra vez na escravidão e na colonização, sem rebelião da oposição, que destas coisas nem merece compaixão.
Povo nas eleições defraudado é povo subjugado, às gales condenado. Mas como o povo abdera é pela comunidade internacional considerado estúpido, logo fácil de dominar, de modos que mais um império colonial de quinhentos anos se vai renovar. E para isso se vai continuar a votar.
Os abderas são tratados como se não tivessem pátria, como estrangeiros, como desconhecidos que de muito longe vieram para aqui.
Haja ou não energia eléctrica, os abderas vivem sob constante bombardeamento de fumo dos geradores. Tal fumo mata, mas como são proverbialmente estúpidos deixam-se matar nas calmas como se isso fosse uma fatalidade do destino, e deixam-se estupidamente morrer, dizendo depois que isso é obra dos feiticeiros superiores e que da morte deles não se pode escapar. E as crianças que nada disso estendem? São oferecidas em sacrifícios humanos para apaziguar a ira dos deuses feiticeiros superiores? Quando é que proíbem os geradores nos terraços dos prédios? Estão à espera que morra muita gente? É exagero? Claro que não, porque apenas dois exemplos bastam: No terraço do primeiro andar do prédio da Pomobel, na rua rei Katyavala, estão posicionados doze, isso mesmo doze, geradores com reserva de bidons de combustível armazenados junto aos geradores, e também com outras coisas armazenadas. Soube por um vizinho que uma caixa de plástico dessas da cerveja, estava encostada ao gerador, começou a aquecer e antes de incendiar ele sanou como que por milagre o incêndio. Mas os outros abderas não ligam, continua tudo na mesma, pior, à espera de um incêndio de fatais proporções. Isto é nas traseiras e na parte frontal do prédio, de outros prédios, na rua em frente está também um terraço no primeiro andar do prédio do ministério da juventude e desportos que alberga também doze, sim, doze, geradores. Se rapidamente não se puser mão nisto, será pior que o incêndio de Roma no tempo de Nero. Não é necessário a Coreia do Norte lançar nem um míssil para aqui porque a cidade de Abdera tem um muito mais poderoso: milhares de geradores espalhados por todo o lado, como se fossem vários misseis armados com ogivas nucleares.
O problema é que Abdera não tem líderes, mas tem muitos falsos líderes.
A luta… continua! A vitória… é muito incerta, porque ainda não se sabe quando nascerá o messais que libertará Abdera.


HOLOMODOR, A MORTE PELA FOME



Parafraseando Winston Churchill (1874-1965): estou na varanda da minha casa, é quase uma hora da manhã, olho para o profundo da noite e vejo que depois das eleições de 23/08/17, caiu sobre Angola uma desastrada cortina de chumbo eleitoral.
Mas vai ficar tudo na mesma? Isto é, pior? Então sirvam-se que o banquete do demónio está servido.
Eis a fome que pela força das circunstâncias do desaire económico e social, também açoitará Angola com tremenda força.
 “Apenas alguns poucos conseguiram fugir para a liberdade. A inanição soviética de 1932/33 imposta aos ucranianos é conhecida agora como “morte por fome” ou holomodor. Essa fome foi um acto de genocídio soviético direcionado contra a nação ucraniana. O verdadeiro horror dessa política intencional foi revelado somente depois da desintegração da união soviética em 1991. Em 2003 a Rússia assinou uma declaração confirmando que o genocídio custou cerca de 7 a 10 milhões de vidas ucranianas inocentes. Hoje o genocídio é reconhecido como um dos grandes crimes contra a humanidade.” (Do filme Bitter Harveste 2017, Colheita Amarga.)
Perante o consenso popular os que perdem as eleições não sabem, não querem perder.
Mantenham-se calmos porque os resultados definitivos das eleições são muito fiáveis. Porque as eleições foram exemplarmente organizadas e apenas um partido ganha sempre por maioria absoluta ou qualificada. É como se fosse um partido sem oposição para desgraça da nação. Só que no tempo presente, e antes, os eleitores votaram nos partidos da oposição porque estão fartos de aturar os vexames perpetuados do partido da desgraça da situação. Honra e glória aos eleitores que votaram na oposição porque a ocasião não mais fará o ladrão.
O lugar dos padres é nas igrejas, fora delas são demasiado vulgares cantineiros eleitorais.
Quando um partido no poder faz da população um exército de famintos, quando chega a hora do voto, claro que não vão votar nele. Mas isto é tão demasiado elementar que até um reles cão vadio, desses abandonados que farejam os caixotes do lixo, entendem. Portanto é preferível falar com um cão do que falar com tal gente.
O que é necessário é manter o exército de escravos para que os seus amos e os seus grandes amigos, os pastores das igrejas demoníacas e dignitários de alguns países enriqueçam facilmente.
Vida do ser humano é vida de guerra. Uma coisa é certa e disso tenho plena certeza: depois das eleições de 23/08/17, Angola jamais será a mesma.
É mais um povo abandonado tal e qual como foi por deus anunciado. A corrupção faz ceder os pilares desta nação. E não há ninguém que lhe ponha cobro não. São tantas as desgraças que já não dá para as contar. As eleições já deixaram a porta, mas a porta de quem? Sem votação o partido da situação proclama-se vencedor, e o povo é outra vez o perdedor.
Mas, que diabo, porque é que a África negra não sai da Idade Média? E esforça-se muito para retroceder ainda mais até à Idade da Pedra. O continente da miséria, da fome. O continente dos exércitos famintos dos assaltos, o continente dos tiros. O continente dos políticos charlatães.
Pais burros, filhos burros.
As portas deste inferno estão escancaradas para o exército de famintos. As multidões deste exército, muito rápidas entram e muito rápidas saem.
Angola está como que perdida na selva amazónica à espera que um arqueológo a descubra. Mas mesmo a esvair-se na desgraça total e completa, os abutres não param, muito pelo contrário, devoram com os seus bicos blindados os despojos finais. Para ver o futuro de Angola, basta ver a campanha eleitoral do tempo de antena dos partidos políticos na televisão bolchevique onde um deles se afirma como o detentor da verdade absoluta., que sendo o partido do dinheiro acredita que tudo e todos lhes cairão e beijarão os pés. Também isto é o estalinismo holomodor.
Se todos os empresários viviam na acolhedora sombra do bananal do petróleo e assim se formavam, quer dizer, empresários formados na fraudulenta universidade do petróleo, não têm absolutamente nada de empresários, pois limitam-se ao comprar e vender como vulgares cantineiros. Claro que obedecendo aos sãos princípios da contabilidade desorganizada, é assim que se realiza o caos de Angola. Bom, Angola depois da independência nunca teve, não tem classe empresarial. Neste aspecto a única coisa que tem é o comité de especialidade dos empresários ávidos, que oram às receitas do petróleo para que lhes caiam grossas gotas. Empresário que vive dessas receitas não é empresário, é um parasita. Angola está definitivamente troglodita. Esta nação está ao serviço da corrupção.
Creio que isto não é uma democracia, é uma morgue eleitoral.
Então se há o receio dos partidos políticos da oposição fazerem manifestações porque, como dizem, o exército e a polícia estão ao serviço dos oligarcas que se aferram ao poder como rêmoras grudadas no corpo dos tubarões, porque não temerários não ousam enfrentar o belicoso poder, então não têm, nunca pensaram, nunca estudaram uma alternativa válida para manietar, enfrentar o “inimigo”. Então, assim a democracia não sobreviverá. Torna-se por isso necessário criar uma força de contenção que enfrente de uma vez por todas a destruição da nação que se aproxima a grande velocidade, qual ciclone. É preferível morrer de fome, que aí vem com mortal força, que morrer pela democracia? Então vamos ficar como antes. Aceitam-se os resultados eleitorais para que não haja mortes, como se a democracia assim o exigisse. Vamos ficar animais de caça abatidos ao gosto dos caçadores, dos senhores dos gatilhos. Oposição cheia de hesitações é ter na democracia fechados os seus portões. Não vale a pena esperar pelas forças do Além porque de lá não virá ninguém.
A democracia é o poder do povo, só que em Angola não existe povo.
Será patético ficarmos reféns do eterno poder e da titubeante, demasiado hesitante oposição que não consegue ir além da fraude, e assim continuaremos… cada vez piores, sem solução à vista. A não ser a fuga em embarcações rumo a um porto seguro na Europa. Esta também é uma das maravilhas de Angola. Vamos ficar outra vez reféns do poder e da oposição. Só que desta vez nem os ossos nos sobrarão. Assim sendo quem é que vai acreditar em Angola? Só os aventureiros, como sempre, como se estivessem no faroeste vivendo os gloriosos tempos das coboiadas da cidade do Texas.
“A porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Júlia Ferreira, disse ontem que os resultados já divulgados, que são provisórios, e que dão uma esmagadora vitória ao MPLA, não foram produzidos apenas a partir das acta-síntese, mas também de "um conjunto de outros elementos".
(O atiçar da fogueira para a manutenção da escravidão): “O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou hoje uma mensagem de felicitação pela eleição ao Presidente eleito, João Lourenço.”
Eleições: CASA-CE admite recurso a "actos de contestação de massas", UNITA remete posição para depois de reunião de hoje
Eleições: MPLA exorta angolanos a não aderirem a tentativas de distúrbios e instabilidade.” (Novo Jornal Online 26/08/17)
Aprendi de um português que, “se estás fora de Portugal num país estrangeiro e tens dificuldades financeiras para beberes uma cerveja, então sai, vem-te embora para Portugal.”

À primeira vista não parece, mas creio que facilmente se percebe que vivemos num potencial feudo de uma sucursal do estado islâmico.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O TELEJORNAL ESTÁ A COMEÇAR






"'Uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer”. Eu acredito que este governo não pode suportar, permanentemente, ser metade escravo e metade livre. Eu não espero a dissolução da União, eu não espero ver a casa cair, mas espero que deixe de ser dividida.” (Abraham Lincoln, 1809-1865. 16º presidente dos Estados Unidos da América)
O Tribunal Constitucional chumbou em bloco o pedido de impugnação dos partidos políticos concorrentes e perdedores das eleições, tendo entretanto as suas pretensas provas depois de uma profunda análise eivarem de fraude, de montagem por meios eletrónicos. Não sendo competência deste tribunal qualquer peritagem ou arbitragem, assim tais partidos políticos têm que se conformar com tal decisão que é soberana e como tal denega provimento cautelar, nada mais tendo a exigir ou reclamar. Está a começar o telejornal.
O cacimbo terminou, o sol voltou, o tempo da chuva recomeçou. Um casal de gralhas poisa nos beirais, embosca pardais que se refugiam nos quintais, aterrorizados, como nas actas síntese eleitorais, burlados.
Amigos telespectadores, temos nos estúdios um sacerdote do comité de especialidade de todas as igrejas que convidamos de imediato para uma análise religiosa, também política, porque não, pois quem disse que um sacerdote não se deve intrometer na política de um país? E como estamos no terceiro mundo, mais concretamente no baixo mundo, os sacerdotes são quem de facto domina porque isso é apanágio do direito canónico das igrejas que é, quanto mais burros, isto é, quanto mais analfabetos melhor, porque são presa fácil das garras das igrejas, porque mesmo a morrerem de fome entregam as suas parcas quantias aos sacerdotes para que eles façam um milagre, o que também acontece com a feitiçaria, mas isso é outra história que prometemos ficará para uma das nossas próximas edições do nosso e vosso telejornal. Muito boa-noite senhor sacerdote Céu dos Anjos da igreja dos mil templos: “Sim, muito boa-noite caro jornalista e muito grato pelo convite que me foi endereçado, o qual em nome dos mil templos agradeço do fundo da alma de Deus e dos meus mil templos e extensivo ao nosso comité de especialidade, aos quais estendo a bênção do Senhor.” 
Senhor reverendo Céu dos Anjos, como analisa a estrondosa vitória do Mpla e do seu candidato a presidente já declarados vencedores por maioria… direi que absoluta. “Caro jornalista, isso de maneira nenhuma nos surpreende porque já estava traçado na rota de Deus. Como sabe, os caminhos de Deus são sempre os de escrever por linhas tortas e compete a nós sacerdotes, desvendar, aclarar essas linhas e as endireitar. Em nome de Deus Nosso Senhor, digo que Ele nos enviou uma mensagem do longínquo céu onde ainda nenhum ser humano chegou e jamais chegará, que o Mpla e o seu candidato venceram as eleições por maioria… e que no fim da mensagem uma nota de rodapé confidenciava que não vale a pena realizar eleições porque o Mpla será sempre o declarado vencedor antecipado. Bom, como reza a práxis é de todo conveniente que haja eleições para mostrar à macacada dos partidos políticos da oposição e ao pseudológico mundo democrático que em Angola a democracia há muito que está consolidada.”
Senhor reverendo Céu dos Anjos, mas apesar da veracidade dos factos, e contra eles não há argumentos, os partidos políticos da oposição insistem em não aceitar os resultados eleitorais das eleições como livres e justos. Entretanto, amigos telespectadores o telejornal está a continuar.
“Vejo que não há aqui consideração pelo mens legis, isto é, a finalidade da lei, e por isso em nome da paz e demais actos consistórios apelo aos partidos políticos para que aceitem sem condições o reconhecer das eleições ganhas com transparência e justeza. Em nome de Deus, mais guerra não! Por favor vejam o que já aconteceu em eleições num passado de carnificina não muito distante. Insisto e os mil templos que represento também, que quem ousar se manifestar Deus vai-lhe castigar. Com Deus não se brinca e muito menos com o seu poder bélico. Na verdade vos digo meus irmãos telespectadores que quem ganhou as eleições foi o patrono Deus e que delegou o seu poder na terra de Angola aos seus humildes crentes fiéis Mpla e ao seu já proclamado presidente da república”.
Mas, senhor reverendo acha correcta a posição da oposição em contestar os resultados que por força da legis do conceituado defensor da Constituição, refiro-me mais uma vez ao Tribunal Constitucional nas vestes de Tribunal Eleitoral. Mas isto é moda, é notório, é vício, é mais uma epidemia, como se não bastassem as inúmeras que já temos em toda a África. Um partido sai vencedor e a oposição não aceita, inclusive inventa cobras e lagartos, vicia provas, etc, etc.
“Bom, aos partidos da oposição oro para que sejam humildes e se declarem perdedores. Que cumprimentem os vencedores tal como reza a democracia e que não desesperem pois esperem mais cinco anos, quem sabe talvez consigam ganhar. Quem sabe, talvez a maré de Deus se vire para o vosso lado. Democracia é saber perder, e só um pode ganhar. Se é sempre o mesmo ou não, isso depende da vontade de Deus. Rezem muito, muito, amiudadas vezes para que Deus os faça vencedores. Mas é de duvidar porque saiba até agora nenhum partido político da oposição pagou o seu dízimo devido a Deus, e Ele não gosta nada disso, é por isso que nunca ganham, nunca ganharão as eleições. Seus tolos, Deus gosta de ser corrompido”.
Senhor reverendo Céu dos Anjos, e quais são os conselhos que os eleitores devem seguir? “Os eleitores são filhos de Deus e sem Ele não podem fazer nada. O que devem seguir é absterem-se de qualquer atitude negativa que perigue o processo de paz tão duramente conquistado. Como crentes de Deus tudo devem fazer para segui-Lo. Vejam o que está na Bíblia, cito Crónicas II 20: “ E, pela manhã cedo, se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; e, saindo eles, pôs-se em pé Josafat, e disse: Ouvi-me ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e sereis prosperados.” Portanto, para finalizar, tudo o que acontece em Angola rege-se pelas leis de Deus, o supremo legislador do Céu e da Terra que tem competência para nomear presidentes, condutores de nações. E jamais se esqueçam que quem não estiver com Ele é contra Ele. Muito obrigado a todos os telespectadores e estamos juntos na graça do Senhor.”
Já há vozes agoirentas que olham para o céu e dizem que virá muita chuva, veremos.
Todos falam de democracia, mas pelos vistos ninguém a quer. E há quem diga que isso faz parte da cesta básica das coisas importadas do demo.
É necessário termos muito cuidado porque vem aí o tal olho do ciclone, uma república da selvajaria.
E os tais analistas políticos da confraria que no uso da palavra sujam de um lado e depois limpam do outro. E muito cuidado com a lavagem cerebral que estes senhores fazem.
E por força das circunstâncias, Angola é mais um país africano à mercê da pilhagem nacional e internacional. Na África da miséria, da fome, da escravatura e dos tiros. Fica-lhe muito bem o cognome de, o continente dos tiros.
Isto não é um país, é um bando de abutres. Isto não é uma nação, é um navio de piratas.
Este povo só sabe dizer: eu vou-te bater!
Vou embarcar, o navio da miséria espera-me.
Estou fodido, sinto-me só, sem ninguém, sem amigos, sem família.
“Não sei o que posso parecer aos olhos do mundo, mas aos meus pareço apenas ter sido como um menino brincando à beira-mar, divertindo-me em encontrar de vez em quando um seixo mais liso ou uma concha mais bonita que o normal, enquanto o grande oceano da verdade permanece completamente desconhecido à minha frente.” (Isaac Newton, 1643-1727)



domingo, 1 de outubro de 2017

OS LAGOSTAS E OS MANDIOCAS



O que as mulheres dizem na rua, “nós agora só queremos homens do Mpla, porque só eles é que têm dinheiro.”
Depois de uma vida inteira de sonhos, de lutas, de sacrifícios para manter, dar felicidade à família, uma pessoa chega ao ponto de não acreditar em nada, porque afinal de contas é tudo uma grande macacada. E que tudo aquilo em que acreditávamos era um fosso de ilusões.
A riqueza dos Lagostas destrói o mundo, a pobreza dos Mandiocas edifica-o.
A justiça tarda a chegar, mas quando chega começa muito violenta.
Os Lagostas não deixam os Mandiocas sobreviver porque este mar de petróleo é só deles.
Os Lagostas facilmente tomaram o poder porque os pobres dos Mandiocas deixavam-se levar por qualquer promessa. Os Lagostas em plena campanha de tomada do poder afirmavam que sob domínio Lagosta nenhum mandioca precisava de trabalhar, porque a nação Lagosta era riquíssima de petróleo. Até alguns Lagostas, daqueles mais esclarecidos, africanavam que até o céu da nação Lagosta jorrava petróleo. E para os Mandiocas viverem na felicidade plena, só o petróleo chegava e sobrava, não sendo necessário investir em mais nada, e como era uma matéria-prima eterna, outros da nata dos Lagostas ludibriavam os Mandiocas convencendo-os, o que era muito fácil pois mais burros que os Mandiocas não existia, nem jamais existiu sob a face da Terra, que as reservas petrolíferas dariam para um bilião de anos, ou mais. E os Mandiocas antevendo os lucros do petróleo logo organizaram festas, daquelas que duravam meses, ou mais, pois eles nisso eram altamente especializados. Com quilápis daqui e dali, claro que altamente se endividaram, pois os Lagostas puseram-lhes rios de dinheiro à disposição, assim tipo como os chineses fazem, o pior é depois. Aliás, este provérbio chinês, creio que se adapta muito bem a tal imbróglio: “Se o problema não tem solução, não canse a cabeça. Se o problema tem solução, não canse a cabeça.”
E como os Mandiocas não tinham, não conseguiam, nem jamais conseguiriam pagar os astronómicos empréstimos dos Lagostas, aconteceu o trivial, o que sempre acontece nestas coisas. Os Lagostas penhoraram todos os bens dos Mandiocas, a começar pelas terras que passaram a reservas fundiárias do Estado Lagosta. Espoliados de tudo, inclusive das suas mulheres que passarem a concubinas dos Lagostas, os Mandiocas viram-se forçados à escravidão na sua terra. “O autor havia publicado uma série de ensaios sobre o tratamento que os árabes recebiam por parte dos franceses na Argélia, pois os árabes não eram considerados cidadãos franceses e portanto eram subjugados por um governo no qual nem ao menos podiam votar. Crianças árabes morriam de fome, não tinham atendimento médico. Camus dizia com frequência que nada era mais escandaloso do que a morte de uma criança e nada mais absurdo do que morrer num acidente de automóvel”. (Albert Camus 1913-1960)
 A água deslizava como que sorrateira acariciando as pedras e caía parecendo um volumoso fio de prata, que a cerca de dez metros de altura libertava-se formando um lago sempre rejuvenescido. O lago estava ladeado por mangueiras que vaidosas ostentavam suculentas mangas, e aves viuvinhas passeavam, saltavam de ramo em ramo brincando tranquilamente.
Do lado oposto estava como que encomendada uma saliência de pedra natural que servia para dar mergulhos tipo prancha de piscina, para sentar, descansar ou admirar tão magnífica paisagem que obrigava os sentidos a se enfeitiçar.
Depois de uns mergulhos, os jovens, Lukeni e Mita, sentados na saliência conversavam ao mesmo tempo que balançavam as pernas que pendiam no vazio. Pararam de balançar e acto contínuo decidiram os corpos encostar. Lukeni segredou no ouvido dela, “és mesmo tu que eu quero, jamais te esquecerei, jamais o teu amor abandonarei. Prometo amar-te para sempre. Prometo que serás para sempre a fonte da juventude do nosso eterno amor que jamais secará.” E ela sentindo arrepios de amor por todo o corpo, esfregava as pernas e acariciava o corpo entregando-o à irresistível lascívia. Abraçaram-se e beijaram-se convictos de que para eles o tempo parou, e que o mundo era só deles como se fosse uma gigantesca ilha, a aldeia global do amor.
Era no tempo da estação quente. O apogeu do calor incomodava os corpos, Lukeni e Mita caminhavam de mãos entrelaçadas no início da tarde na direcção de um grande lago abundante de cacussos (Tilapia rendalli). Lukeni retirou a sua pequena cana de pesca previamente anzolada, iscou-a e lançou-a para o sorteio da água. Não demorou quase nada e logo um cacusso se prendeu num anzol. Pescou mais um, encostou-o ao outro e passou-lhes pelas bocas um fio de tecido vegetal. Continuaram a caminhada, colheram da terra fecunda duas brutas batatas-doces garantindo o maná do dia. Mita, esticou as mãos e colheu duas orgulhosas mangas.
De repente, como que por magia o céu escureceu, nuvens escuras moviam-se rapidamente, não tardaria e a chuva presente se faria. Correram para o refúgio de um casebre estrategicamente edificado para o efeito, instalaram-se e viram o dia a se transformar em noite, tal era a intensidade do breu. Antecedendo a chuvada, o vento assobiava e soprava de tal modo que parecia que tudo pelo ar voaria. Parecia uma procela, era tal o ímpeto da chuva que fazia lembrar o déjà-vu. Mita começou a preparar os cacussos com a água da chuva, enquanto Lukeni preparava a fogueira com a lenha seca retirada do improvisado aprovisionamento. Depois de saciados deitaram-se bem colados, sentia-se frio porque a temperatura baixou. Taparam-se com uma manta a tresandar a pó. A chuva continuava a bater forte e sem se darem conta adormeceram profundamente.  
A Aldeia do Lago era muito pacífica, os seus habitantes viviam em – pode-se dizer – harmonia absoluta. O sustento diário estava garantido, miséria e fome eram totalmente desconhecidos, e talvez também porque não existiam partidos políticos nem feitiçaria, porque as contendas eram geridas pela jurisprudência do Sábio do Lago, assim cognominado porque vivia no penedo do lago. Ele também educava as crianças e os adultos dando-lhes instrução primária, secundária e até superior, porque era da tradição e ele detinha os conhecimentos do legado dos antepassados.
Lukeni e Mita cedo se levantaram e já pela aldeia circulavam a distribuir os bons-dias pelos aldeãos. De mãos entrelaçadas iam para o seu poiso habitual, o Lago da Cascata.     
Já lá estavam quando de repente o céu foi abalado por um barulho muito conhecido, ouvia-se distintamente o som característico de hélices de helicópteros. Eram três que de imediato se fizeram a terra, enquanto vários camiões estacionavam e deles saíam tropas especiais, e dos helicópteros desembarcavam paraquedistas. Pela movimentação a aldeia ficou pejada de pó, como se de um nevoeiro apocalíptico se tratasse. Estranhamente, a cena lembrava o filme Apocalipse Now de 1979, do célebre realizador Francis Ford Coppola, só lhe faltava o napalm. Um militar com um megafone em punho fazia-se ouvir muito estridente “petróleo à vista!” Os aldeãos em pânico corriam de um lado para o outro sem saberem o que fazer, acreditando piamente que as suas vidas chegaram ao fim.  
Antes dizia-se “terra à vista!” agora é “petróleo e outras riquezas à vista!”
Creio que uma das principais funções dos Lagostas é destruírem os paraísos dos povos, ainda há quem lhes chame de descobertas, mas descobrirem o quê? Mas como se pode dizer que se descobriu um país, um povo? E indo nessa, serve-lhes de jurisprudência para colonizarem outros povos, alegando que eles são inferiores, que andam vestidos com um pequeno pano a tapar-lhes os órgãos sexuais, alcunhando-os de pagãos e com a tenaz da religião e a união de uma ditadura, estão lançados os dados da jurisprudência para a anexação subtil ou não desses países e povos. Modernamente usa-se o paradigma da cooperação vantajosa e a amizade entre países e povos.
“As folhas de uma árvore são muitas, mas a raiz é uma só. (Provérbio chinês.)



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ESTADO DE SÍTIO, OU O ADEUS DE ANGOLA À DEMOCRACIA



“A diferença fundamental entre as duas religiões da decadência: o budismo não promete, mas assegura. O cristianismo promete tudo, mas não cumpre nada.” (Nietzsche, 1844-1900)
São seis horas e cinquenta minutos do dia 05/08/17, o locutor de serviço na Rádio Despertar diz que antes de chegar viu pelo caminho muitos polícias, e que junto à emissora estavam dois carros com polícias. Pensativo, ele perguntou se a cidade estava sob estado de sítio.
A mana Manuela também disse que junto ao quintal da sua casa e mais adiante estavam grupos de dois polícias disfarçados, assim tipo como quem não quer a coisa.
Claro que toda a gente se perguntava como é possível tal aparato policial se o partido eternamente maioritário mais uma vez ganhou facilmente as eleições, também mais uma vez sem oposição que lhe faça frente. Então se toda a gente votou nele, então esse tanto medo é medo de quê, de quem? Não ouvi, nem tive conhecimento de alguém aqui na banda que festejasse a vitória esmagadora da consagração do partido em que toda a gente nele vota. Estou convicto que este partido tem muita magia, muita feitiçaria, será que fez um pacto com o demónio? Compra tudo e todos com o seu dinheiro, e parece que desta vez conseguiu comprar todos os sacerdotes das igrejas, tal era o infindável número deles que desfilava na passarela da TPA, televisão do poder de Angola, a célebre televisão que por isso mesmo também lhe chamam o partido do dinheiro. Foi dito que eles receberam como pagamento vindo do céu, pois o partido que eles elegeram e defenderam receberam ordens divinas as quais zelosamente cumpriram. Deus M pagou-lhes principescamente carros e casas, como dito por alguém que não me lembro do nome, na Rádio Despertar. Sem dúvida nenhuma que estas eleições foram uma orgia, uma pornografia eleitoral.
Angola continua sem líderes. Todos o querem ser, mas ninguém o é, o consegue ser, porque não têm estaleca para tal. Então, é o marasmo. Perto, ouve-se o som de gralhas e isto faz lembrar os partidos políticos. É só gralhar, gralhar, vacilar, vacilar. Muitas gralhas, muita vozearia, muitos políticos nocturnos.
Um político tem que ser como um bom escritor que nunca escreve para o presente, escreve sempre para o futuro.
E depois de quarenta e tal anos ver tudo a esfumar-se como se nada mais restasse.
Quando uma pessoa não tem acesso à Internet, a isso chama-se o ultrapassar do cume da miséria, quer dizer, muito para além dos primitivos que viviam nas cavernas.
Estou na varanda do prédio, olho para a rua e vejo um pobre cão que coxeia a levar pancada com o resto de uma tábua retirada do lixo. O pobre animal esquelético sob a imposição do poder da fome, que diga-se de passagem é o poder mais poderoso do mundo, quase que não se pode mover. Olha piedosamente para que lhe deem algo para comer, por isso se aproximou de um caixote do lixo, e lá só tem pancada de desumanos que se sentem muto felizes em ver o sofrimento de animais indefesos. Mais pancada leva de todos os que passam por ele. Que desumana sociedade que tal gente não merece. Claro que quem mata selvaticamente um pobre animal também mata pessoas. Se a selvajaria domina, o futuro torna-se inexistente porque se mata gratuitamente. É tão simples como isto. Cão, o melhor amigo do homem, mas o homem é o pior inimigo dele.  
Pai maluco, mãe maluca, os filhos sofrem. E ainda dizem que somos todos iguais, em quê? Sim, as propagandas alienantes têm razão quando dizem que somos todos iguais. Sim, somos todos iguais na idiotice mas na inteligência não, jamais seremos iguais.
É um banco ou uma cantina? Banco Millennium Angola na rua rei Katyavala em Luanda: um amigo contou-me que foi lá na hora do almoço, fizeram-lhe esperar meia hora para o atender porque estavam todos a comer. Para conseguir o cartão do multicaixa teve que esperar oito dias. 
A solução para o povo angolano já está pronta, é a morte pela fome.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       
O certo é que estou encalhado nesta trampa e não sei como me desencalhar, me limpar. E tudo isto ruiu.
O povo muamgolé tem muitos pastores, logo tem muitas igrejas. É um povo de pastores e de analistas desportivos. Tem também muitos políticos, mas técnicos e engenheiros rareiam.
Isto está de tal maneira que até parece que os dias estão doentes. Onde ninguém respeita a lei, onde qualquer é lei, não é possível realizar eleições.
Quando nem os filhos se aproveitam, o que resta da esperança desaparece e a escuridão reaparece. Vítima da perfídia humana, tudo em que acreditei, tudo ruiu. Ainda me custa a acreditar que isto seja verdade, mas já não restam dúvidas. O sonho terminou.
Com tal exemplo eleitoral não dá para acreditar na África. Só dá vontade para rir.
E a jogar na extrema miséria já ganhei o campeonato. Vivo de esmolas dos vizinhos mas eles já me começam a fugir porque já estão cansados de me aturar porque já para eles sou mais uma mosca para enxotar.
Aqui para resolver alguma coisa, é muto simples: não se resolve nada.
A mana Mónica confidenciou que uma quinguila morreu, e que em vida enriqueceu porque matou a família seguindo instruções do feiticeiro. A mana Mónica também disse que um moço para não atropelar uma velha desviou-se tragicamente, o seu carro capotou, ainda conseguiu rastejar e pedir ajuda. Mas os que dele se aproximavam metiam-lhse as mãos nos bolsos, roubaram-lhe o telemóvel e mais o que conseguiram roubar. Ele insistia no pedido de socorro mas ninguém se preocupava e lá morreu abandonado. 
Porque será que a vulgar epidemia de cólera não sai de África? Não se consegue vencer? Só isto dá muito ou pouco que pensar. Oh, não tem nada para pensar.
Quando os políticos falam demasiado e se entram pela constante repetição, as pessoas tendem a afastar-se deles porque o enfado das palavras torna-se monótono e da monotonia surge a perda de confiança, o descrédito. Sempre as mesmas vozes de serviço num país assim é a agonia da democracia.
Há quarenta e tal anos que o líder que levará Angola à democracia ainda não nasceu. Até lá, qual rei Artur com a sua espada mágica Excalibur, ou melhor, quando o nosso Ulisses nascer, nascerá nação, um líder campeão. Por quantos mais anos continuaremos descomandados sem líder? Ninguém o sabe, e tudo a seguir se exacerbará, e esta nação se extinguirá?
“Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos-de-ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como, Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.” (Almeida Garrett 1799-1854)


HÁ NOVE, DOZE ANOS

 

Adeus viajantes da eternidade.
Recordo-me com muita emoção dos meus entes queridos que estavam vivos e comigo conviviam e depois faleceram, mas jazem eternamente nas profundezas do meu coração. E envio-lhes o meu mais nostálgico abraço.
Creio que não morreram, renasceram nos nossos netos e bisnetos.
Morrer é os nossos entes queridos não mais ver, e das suas recordações viver.
O mais terrível que nos pode acontecer, e sem dúvida nos acontece, é perder aqueles que nos são mais queridos, aqueles que mais amamos, aqueles que moram nos nossos corações, e que nada nem ninguém os pode substituir.
Aqueles que mais amamos, os que se foram embora, aqueles que não nos conseguimos despedir pessoalmente.
Creio que a morte é como uma coisa muito estranha. As pessoas morrem e os que ficam, os vivos, claro, passam o tempo das suas vidas a viver das recordações dos que partiram e já não voltam. Quer dizer, morrer é não mais ver. É a tristemente famosa viagem de ida sem regresso.
Onde estão vocês, minha avó, oh, minha avó. Minha mãe, oh minha mãe, meu pai, oh meus pais, ai, ai!
Tudo desaparece, fica a recordação de que nada foi em vão. O que é bom permanece no nosso coração. O que é mau sente-se, vê-se a ilusão.
Éramos jovens, crescemos e vocês envelheceram e depois veio a infalível morte. Mais tarde nós também envelhecemos e também somos levados pela morte, enquanto os nossos filhos estão jovens, sempre assim sucessivamente. Assim mais uma vez creio que a vida não tem nenhum sentido, porque é nascer e morrer.
Ver o pai, mãe, meus netos, é como se o meu filho, os filhos regressassem à idade de crianças. Portanto, os netos são a continuação dos nossos filhos, o que significa que não morremos, neles renascemos.
A morte é não vermos mais a pessoa amada, e viver apenas, muito das suas recordações.
Somos imortais porque reencarnamos nos nossos filhos, nos nossos netos, nos nossos bisnetos.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A OPOSIÇÃO GANHOU AS ELEIÇÕES



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

As eleições em Angola estão como fazer compras numa cantina. Angola é de facto e de jure uma cantina eleitoral. Quer dizer, o eterno partido cantineiro vai à sua cantina e compra uma votação de maioria qualificada.
O que actualmente se passa em Angola com as eleições é um retrocesso a 1975.
“Temendo tanto as críticas científicas quanto as religiosas, Darwin (1809-1982) passou décadas desenvolvendo as suas teorias evolutivas quase sempre em segredo. (Wikipédia)”
Angola, o mergulho no inferno. Ó pobres coitados que engrossais o exército de irresponsáveis, como nos metem dó.
Atenção! Aqui faz-se justiça por mãos próprias. Depois do dia 23/08/17, Angola despede-se do clube das nações porque vai numa viagem sem regresso para o inferno do desconcerto das nações.
Bom, está mais que claro que água que a oposição venceu as eleições. Mas como a situação o exige aqui se renova a minha “profecia” da qual suplico ao meu deus que não a ponha em prática. Mas como, sinceramente desculpem-me, como as eleições na África negra são como… são atípicas, um atentado à tribo dos partidos no poder que dele não querem descer, e é muito claro que: E depois das eleições com uma vitória arrasadora dos partidos políticos da oposição, o Mpla proclama vitória por maioria qualificada, relativa ou simples, sempre de encomenda (a que reúne um número de votos superior àquele dos outros concorrentes, mas inferior à maioria absoluta). A oposição contraria e mostra provas concludentes, convincentes, sem lugar a dúvidas. Porém, o circo romano do tempo dos césares e dos augustos do Mpla desarma argumentando que a sua vitória é por demais evidente e que não oferece dúvidas. E mais esclarece que os resultados eleitorais da oposição são uma pura invenção, mais uma fraude, pois o Mpla nunca perdeu, nunca defraudou as expectativas do martirizado, sofredor povo angolano, nem jamais perderá um pleito eleitoral, pois a esmagadora maioria da população angolana confia e segue cegamente o Mpla desde e antes dos gloriosos tempos da independência. E mais adianta que a oposição tem que se habituar a contentar-se com as suas derrotas e com a sua vulgar e reles insignificância. E a oposição em bloco contesta e diz que vai levar o pleito para o Tribunal Constitucional. E assim fez. Entretanto o Mpla esfrega as mãos de contente, pois que tal tribunal parcial há muito que é um órgão partidário e foi instituído para sempre julgar a seu favor. A oposição (mais uma vez, muitas vezes) viu contrariados os seus desejos. Depois de infindáveis dias, uma eternidade, tecnicamente falando viu o seu pedido rejeitado, mais tecnicamente viu o seu pedido indeferido. Confesse-se que nada aconteceu de anormal pois tal veredicto já era de contar, normal. Vai daí, a oposição recorre à instância máxima da Lei, o TS, Tribunal Supremo. Muito confiante aguarda que se faça justiça, pois tudo está a seu favor. De facto está mais que provado e a nação inteira sabe que a oposição derrubou o célebre contendor Mpla, pois tudo e todos estavam já demasiado fartos (isto é favor, o correto é dizer-se demasiado fartíssimos) de o aturar. Mas, para quê espantar?, o TS declarou perenptoriamente da sua suprema justiça, a injustiça de que o Mpla é de facto e de jure o aclamado, o proclamado vencedor das eleições de 23 de Agosto. Logo de seguida e perante tão flagrante injustiça, a oposição ameaça sair às ruas numa grandiosa chuva de manifestações. O Mpla aconselha que não, pois a oposição tem que felicitar o vencedor e não fazer marchas tumultuosas. A oposição tem que aceitar, se contentar com a sua derrota. O Mpla faz sair um comunicado onde nele realça que se a oposição quer fazer confusão, então o seu devido lugar é na prisão. Mas a oposição não desarma, forte, poderosa, nunca desarmou, como a isso sempre nos habituou, que fará uma surpresa, que vai mesmo sair para as ruas, porque o poder sempre esteve, lá mora. O Mpla replica que não tolerará nenhuma agressão interna e externa e invoca que um governo devidamente constituído tem o supremo direito de se defender, a si e às populações que democraticamente o elegeram. As coisas sobem de tom pois outra coisa não seria de esperar. O Mpla convoca todos os seus instrumentos de defesa e segurança e envia-os para prenderem os insurrectos e preferencialmente eliminá-los para sempre sob o escudo da acusação de células terroristas devidamente implantadas e organizadas. Mas a oposição não se deixa intimidar, porque batalhadora como nunca, pois contra qualquer injustiça sempre lutou. Começam os tumultos com barricadas nas ruas, com muitas nuvens de fumo provenientes de pneus e outras tralhas a arder. São milhões de manifestantes que não aceitam, dizem, mais o jugo do comunismo. O Mpla decide-se pela sua vitória certa, final, ordenando a todas as forças de ar, mar e terra que disparem a esmo, sem dó nem compaixão contra tudo que se mova. Sente-se no ar a pólvora e o cheiro acre dos corpos queimados pela fornalha de tão colossal metralha. Os nossos santos Bispos declaram que Angola optou pela solução da RDC, nada mais tendo a declarar ou reclamar. Como sabido, de lei, a diplomacia internacional é a arte da hipocrisia internacional. A comunidade internacional volta, faz o seu papel, diz que as eleições foram livres, justas e transparentes, quer dizer, atirou com uma montanha de achas para a fogueira de Angola, retira-se, abandona Angola e embarca nos aviões rumo ao idílio do dever cumprido, das janelas do avião olha de soslaio, finge tomar conta da situação. Mostrando-se impotente deixa andar, sim é o deixa-andar, deixa-disso universal, excepto um não perenptório quando lhe interessa, quando os seus poderes e interesses geoestratégicos estão directamente ameaçados, retira-se sub-repticiamente e é o nascimento de mais um estado africano que cai, que se entrega à barbárie, à mais elementar crueldade onde as crianças ficam, são aos milhões, biliões?, aguardando pelos comunicados do… sem UNICEF.
“A pobreza e a miséria formam o artista.” (Dostoiévski (1821-1881)
Na Natureza nada é feito ao acaso.
Angola, onde em cada esquina um maldoso nos espera. Por isso mesmo, Angola é também a república das esquinas da maldade. E quando não houver mais nada para roubar, vão fazer o quê?
De alguém na RNA-Rádio Nacional de Angola, que apanhei de fugida, 21/08/17, “Angola é muito rica e as suas potencialidades não estão a ser aproveitadas.”
O Bernardo, lavador de carros, um tarefeiro, disse que o seu amigo residente em Luanda, mandaram-lhe votar em Benguela. Quantos e quantos mais não estão na mesmice situação?
No noticiário da hora do almoço da TPA-Televisão Pública de Angola do dia 21/.08/17, no rodapé só se viu propaganda do Mpla. Dos outros partidos nada, é como se não existissem.
Quem não lê ou não gosta de ler, facilmente é dominado. Basta ver o exemplo de Angola, é muito elucidativo não é?
Onde há intensa miséria e fome as epidemias não faltam, e há quem lhes chame deficiências do meio ambiente.
Depender do outro é manter-se na escravidão.
Partido político e mais quem estiver ultrapassado fica na prateleira bem armazenado, definitivamente chumbado.
É necessário ter muito cuidado porque infelizmente este povo está refém do vírus da selvajaria em todos os domínios. O objectivo para atingir o caminho certo da selvajaria é o deficiente, inexistente ensino, a irresponsabilidade que conduz à selvajaria. E quem está, adquiriu a selvajaria extingue-se.
 “Neste momento de crise financeira e económica exige-se decoro e comprometimento com o povo cuja maioria vive em condições-sub-humanas … mas também os outros Partidos Políticos que podem ser Governo, a estas matérias dizem nada … com excepção dos 500 USD de salário mínimo nacional prometidos pela UNITA e que, do meu ponto de vista, e já o escrevi, não tem nenhuma viabilidade económica”. (Alves da Rocha, In Expansão, 12/08/17)

PR aprova crédito adicional de 43,7 milhões USD  para Casa de Segurança e Polícia Nacional (Novo Jornal Online 08/08/17)

sábado, 12 de agosto de 2017

BREVE HISTÓRIA DESTA MISÉRIA




República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos


Miséria: estado de enorme sofrimento; infelicidade, desgraça. Estado de carência absoluta de meios de subsistência; indigência, penúria. (Dicionário Houaiss)
No princípio eram as cavernas. Vivendo em grupos como animais gregários caçavam para se alimentarem e vestirem. Tudo parecia bem até que um grupo desconhecido chegou. Vinham armados com tíbias, invadiram as cavernas e não encontrando resistência logo sujeitaram o indefeso bando obrigando todos a trabalharem de borla. Isto perpetuou-se por milénios de geração em geração originando ao longo da História uma classe miserável que se mantem na miséria subjugada pelos descendentes das tibias. Já com o estatuto de classe miserável, devidamente assessorada pelas igrejas que lhe ensina como um rebanho dócil se deve comportar, nada mais resta para a miséria continuar. Precisamente a religião inventou-se para perpetuar a imbecilidade, a submissão, a superstição, a prisão do intelecto que obriga a pensar sempre na mesma e única direcção, o vazio do céu. À classe dos miseráveis se convencionou chamar mandiocas. A classe dos dominadores foi denominada lagostas.
“Meu trabalho torna-se a imagem de um reinado partido, de um estranho período de loucura e vergonha humanas - e à Igreja - A civilização jamais alcançará a perfeição até que a última pedra da última igreja caia sobre o último padre.” (Émile Zola (1840-1802).
Construindo a cidadania da miséria: as tácticas do patrão muangolé para não pagar os salários dos trabalhadores continuam. Neste ínfimo exemplo, os trabalhadores da construção civil que fazem o restauro de um apartamento estão há quase dois meses sem salários porque a patroa está de viagem… no estrangeiro. Só que alguém a viu num domingo em visita ao apartamento, assim no estilo de que ninguém me verá, ninguém saberá que estou cá. É o marasmo da gestão da miséria empresarial. Este modelo está bem inculcado no nosso empresariado. Fogem para o estrangeiro para não pagarem os salários. Com esse dinheiro que é um autofinanciamento sem juros, fazem negócios e com os ganhos, lucros, pagam os salários sem dispêndio de gastos. É miséria, só miséria. Um espécime destes com quem trabalhei chegava a deixar os trabalhadores três meses sem salários. Os kwanzas trocava-os por dólares e ia a Portugal periodicamente depositá-los. De certo modo esta prática generalizou-se, assentou arraiais e funciona como se estivesse legislada na LGT-Lei Geral do Trabalho. Ó porca miséria!
Os salários milionários do Fundo Soberano de Angola: administradores ganham 43.600 USD mensais. Trabalhadores levam para casa 3.800 USD ao fim do mês. Cada membro do conselho fiscal recebe 22.000 USD mês. Fundo angolano gasta 4,5 vezes mais do que o de Timor mas é 3,4 mais pequeno. (Expansão 04/08/17)
Contribua para a miséria, roube à vontade e jure que você não tem nada que ver com isso, o grande culpado, neste caso, culpada, é a crise.
Um grande contributo creio que o principal é o alcoolismo, essa milenar universidade de Angola. A feitiçaria é a academia de ciências sociais. Os hospitais são necrotérios. A corrupção é a tão propalada força motriz da sociedade. Só o alcoolismo nos liberta desta miséria.
“Sobre os romanos, que antes eram tão poderosos, tornaram-se escravos de prazeres corruptores e só precisam de pão e circo.” (Juvenal, entre 55-60-127)
Vê-se nitidamente nas crianças o futuro da nação da fome que as espera. Isto não é uma nação é uma infernal corrupção. Quanto mais coisas nos prometem mais desgraças nos acometem.
Sinto-me como Dante (1265-1321) quando disse que pertencia a um partido com um único membro.
Nesta miséria galopante, Angola fortemente aspira a um caixão para que o seu governo seja um cemitério.
Quando um governo age como polícia e não como gestor, creio que é isto que dá pelo nome de estado policial.
Se o colapso de Angola não for resolvido depois do dia 23 de Agosto, então a miséria ficará sem solução por tempo indeterminado. E as bichas no multicaixa aumentam, tudo é composto de bichas.
Quem é que disse por aí que é possível acabar com a miséria? A empresa Só Bandidos, Ilda, (ilimitada) é a empresa com mais funcionários em Angola. São aos milhares, aos milhões. A sua principal actividade é os assaltos. De tal modo é poderosa que logo desmantelada pela Polícia, logo surge outra sede com novos sócios e muitas sucursais, o que faz com que a sua actividade seja impossível de extinguir.
Outro aspecto revelador da miséria do novo-riquismo é as suas casas por dentro estarem muito bonitas, muito luxuosas, mas por fora estão em risco de desabar. Mais caricato é outras casas de novos-ricos que por fora estão rodeadas de esgotos ao ar livre.
Acredito que é pelo elevado número de santos, há muito que o céu está inflacionado deles, que as coisas estão como estão… no rumo de mais carnificinas. Aqui pode-se dizer que a principal actividade dos homens é a carnificina, onde todos os seus cainhos levam à mais sublime invenção: a miséria.
Civilização é os Estados Unidos da América e a Europa Ocidental, o resto é selvajaria?
Há muito tempo que nos martelam os ouvidos que com a independência o povo colonizado, e claro, escravizado, ficaria livre e feliz. Hoje esse povo abandonado morre de fome vitimado pela república das crises.
A corrupção sendo generalizada é por demais evidente que as eleições serão corruptas.
Na Rádio Despertar: Adelino João Cassoma, responsável da Unita na Lunda-Norte, (numa original campanha eleitoral) foi preso, torturado, morto e depois amarrado com uma pedra muito grande e atirado para o rio Cuango infestado de crocodilos.
No dia 07/08/17 ouvi na Rádio Despertar que em Kinshasa, capital da RDC, houve tiroteios em vários bairros com um saldo de doze mortos. Depois fiquei a pensar: que pelos noticiários há tiroteios por toda a África, como se a sua designação fosse o continente dos tiroteios. A África negra está uma catástrofe. Os governantes governam como deuses fazendo com que haja como que uma certa propensão para a miséria e a fome.
Angola está de parabéns, por mérito próprio e grande empenho, porque conquistou mais uma vez o tão cobiçado prémio da miséria do descontrolo total. Angola, como sempre, aposta nas suas capacidades inatas, aposta fortemente no futuro. A aposta da miséria é a chave para abrir as portas da felicidade. Muita miséria, povo muito feliz.
O mais velho já com sessenta e poucos anos de idade lamenta a sua miséria para uma vizinha, “tinha quatro hiaces que faziam o trabalho de táxi. Tinha quatro casas que me garantiam o sustento e me faziam levar uma vida bem regalada. Não sei onde tinha a cabeça, fiquei sem nada, estou na miséria.” O coitado faz uma pausa com as mãos na cabeça, agita-a e, “mas onde tinha a minha cabeça? O que é que eu fiz da minha cabeça?!” A vizinha condoída diz-lhe para se acalmar porque se continuar a pensar nisso acaba como muitos, com uma trombose. O mais velho foi-se embora, e uma vizinha que ouviu a conversa sem nada opinar, diz para a outra: “Esse, conheço-o bem, ele tinha muito dinheiro, tinha dez mulheres, gastava… gastava dinheiro à toa, bebia… bebia muito, andava sempre bêbado, e nas bebedeiras as mulheres conseguiram apanhar-lhe os carros e as casas. Agora, olha, chupa no dedo. Mana, vida de muangolé é mesmo assim. Quando eles têm algum dinheiro gostam de se armar em ricos, ter muitas mulheres e depois ficam sem nada. Mana, nós não damos mesmo nada porque não conseguimos sair da miséria. Por causa da nossa burrice os estrangeiros vão sempre dominar-nos, e a escravidão será o nosso emprego.”


sábado, 5 de agosto de 2017

SONHO DE MAIS UMA NOITE DE FARSA ELEITORAL



República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Normalmente as eleições nos países democráticos são levadas muito a sério, localmente são transformadas em farsas porque os seus dirigentes no poder acreditam talvez por obras de adivinhos, de feiticeiros, de igrejas, que são dotados de poderes extraordinários. Acreditam piamente que foram eleitos por Deus e que só a Ele devem contas. As populações têm que se ajoelhar aos seus desejos, ou fugirem para bem longe porque tais soberanos têm poder de vida e de morte sobre elas. E quando lhes dá na real gana ordenam a excomunhão sumária de quem lhes caiu no desagrado. Tudo e todos se submetem às vontades reais que muito exigentes assiduamente exigem sacrifícios humanos para se manterem no poder. Há que satisfazer as forças ocultas que os comandam conforme os pactos secretos tramados.
Como num sonho a farsa eleitoral voa para o espectro das eleições anteriores, isto é, tudo se compõe de farsa, de pesadelos. Parece incrível como as igrejas se intrometem na farsa eleitoral, como se de outra CNE-Comissão Nacional Eleitoral se tratasse, como se Deus perdesse tempo com isso. Fazem-se promessas mirabolantes como se o barril do petróleo estivesse nos tempos áureos, e os carneiros acreditam que rapidamente a felicidade virá como um presente. Promete-se o céu, mas tão cedo o inferno não arredará pé.
A inflação já está consolidada e devido ao saque brevemente os cofres estarão vazios, depois virão os cavaleiros do Apocalipse que num galope louco estenderão bandeiras com os dizeres: Eis que vos trago a consumação dos séculos. 
Alves da Rocha no EXPANSÃO, 31/07/17: “De que forma a economia vai colapsar? A economia angolana já está a ser ameaçada por alguns meteoritos de elevado poder de destruição, tendo eu dúvidas de que nos tempos mais próximos se possa desviar a sua rota de colisão, na ausência do único carburante válido e convincente: o preço do petróleo, que continua numa rota absolutamente de estabilidade em torno de 48 USD o barril. As RIL (reservas internacionais líquidas) do país estão em níveis nunca verificados depois de 2002. Quem é que propõe, caso seja Governo, um salário mínimo equivalente a 500 USD? Um salário mínimo de 500 USD por mês (outra promessa irresponsável, quando o valor da produtividade média do trabalho, em 2016, foi de 13.000 USD) só será possível quando o PIB de Angola atingir a cifra de 250 mil milhões USD (o seu valor em 2016 não chegou aos 100 mil milhões USD).”
A empresa Só Colapsos, Sarl, apostou no colapso de Angola e conseguiu. As filas de famintos não param.
Um país que só produz miséria acaba como? É muito fácil de responder, de saber, portanto não adianta falar mais nada.
Pensava-se que a independência era andar para a frente, afinal é andar para trás, sempre. É por causa de quimeras como estas que destruímos as nossas vidas, e as famílias desaparecem como se não tivessem existido. Angola, uma completa desilusão em todos os aspectos.
Presentemente ser governante, é sem pejo declarar que para isto e para aquilo não há dinheiro devido à crise. Mas eles não abdicam de nenhumas regalias e de nenhum luxo. Quer dizer, ser governante é falar que devido à crise não se pode fazer nada.
O mais importante é pôr os motores da corrupção no máximo, porque na corrupção nunca há crise, porque desviar as verbas do erário público é fácil porque isso é a função dos corruptos.
Onde há miséria e fome não há entendimento, há violência. Parafraseando Bertolt Brecht: violenta se diz da miséria, mas não se diz violenta a fome que a oprime.
Considero que não há nada mais anedótico do que um padre a discutir política.
Como é muito triste ouvir multidões de comentadores e analistas políticos já há muito ultrapassados. Sim, é muito destrutivo.
Se a religião é uma coisa contemplativa porque é que circulam carros a publicitar os dons divinos com urros em altifalantes a anunciar a vinda do Senhor, que não vem nem nunca virá, pois ele não está para os aturar, já há muito que está fartíssimo desta grandessíssima merda, nos estrondosos berros de estremecer prédios. Pensam que o Senhor é surdo? Claro que não, o que só prova que o que existe é demasiada falsa religião.
Má política é escutar um mau político.
Há sete anos que vivo todos os dias triste.
Com o colapso, agora, estrangeiro que aqui ficar ou para aqui vier é um genuíno aventureiro ou um fanático comunista.
No minimercado Pomobel, na rua rei Katyavala em Luanda, o litro de vinho mais barato subiu repentinamente duzentos kwanzas. O colapso está de tal ordem que neste minimercado já se vende sopa cozinhada em casa.
“Três coisas não podem ser escondidas: o sol, a lua e a verdade". (Siddharta Gautama, o Buda, (563-483 a. C.)
Na campanha eleitoral, Abel Chivukuvuku da Casa-Ce, disse que se ganhar as eleições, os trabalhadores da TPA-Televisão Pública de Angola, serão despedidos.
Mensagem recebida no Facebook: Por favor não atende chamadas com os seguintes números: 91203854 / 91485030/ 90979363/ 90138988 porque estão à procura de sacrifícios humanos para os rituais deles, só a voz basta para ser sacrificado, pfvr envia essa sms aos teus amigos.
“A oposição durante toda a fase preparatória quis ser politicamente correcta (ou cobarde?), com medo de ser acusada de incitar à violência e à guerra, demitiu-se inclusive de apoiar manifestações da sociedade civil … ROUBAR É UM DEVER REVOLUCIONÁRIO … O exército dos famintos, dos pobres, desempregados e desmobilizados das guerras, não pára de crescer e, nas zonas urbanas, o ostracismo a que estão votados os quadros que não bajulam, pode propiciar a descrença no multipartidarismo, na democracia, nas eleições, por verem que nada vai mudar” (William Tonet In Folha 8 edição 1328 de 29/07/17)
“É certo que tudo isto tem custos, e não são poucos. Mas havendo tudo isto, haverá um fluxo de turismo que irá suportar não só todos estes custos como, ainda, dará para desenvolver a cidade e toda uma região envolvente.” (Eugénio Almeida, Mbanza Kongo para Dia Nacional da Cultura In Novo Jornal, edição 492, de 21.Julho.2017, página 19)
Marlon Brando (1924-2004) fez o seguinte comentário sobre a sua vida sexual em uma entrevista com Gary Carey, por sua biografia em 1976 The Only Contender: " A homossexualidade está tanto na moda que já não faz notícia. Como um grande número de homens, eu também tive experiências homossexuais e não me envergonho. Nunca prestei muita atenção ao que as pessoas pensam sobre mim. Mas se há alguém que está convencido de que Jack Nicholson e eu somos amantes, eles podem continuar a fazê-lo. Acho que é divertido. " (Vikipédia)
No Facebook: “Caros companheiros da luta, alguém conhece empresas boas de desinfestação em Luanda? Obrigado.” Respondo aqui: “há uma empresa que é muito recomendável, chama-se Mpla e por onde passa faz desinfestação geral, total e completa.”
“Não nego que as mulheres sejam tolas: Deus criou-as para que combinassem com os homens.” (George Eliot, pseudónimo literário da escritora inglesa, Mary Ann Evans (1819-1880)
Fernando Heitor, deputado da Unita: "Estou de acordo com as propostas do MPLA para a área do emprego porque entendo que é possível fazer em cinco anos aquilo que é proposto" e ainda que, “João Lourenço, que o MPLA quer ver eleito Presidente da República a 23 de Agosto, é, para Heitor "um bom líder", como o "mostrou durante a campanha" e um governante "humilde"