domingo, 23 de dezembro de 2012

As aventuras de Akalesela (05). O Mistério do Prédio Enfeitiçado





Todos a roubaram-se e na feitiçaria a matarem-se, brevemente, Angola como nação sucumbirá. Aliás já se nota a intolerância desses traços bem visíveis no desprezo que cada um retribui ao outro. A solidariedade desapareceu, evoluiu e actualmente substitui-se pelo ódio mortal. Catalogado pelo menor motivo de qualquer episódio de feitiçaria. Até o negócio se diz que foi enfeitiçado. Quando não se consegue que o negócio ande, culpa-se a idosa mais próxima, porque foi ela que trocou uma nota de cinquenta kwanzas. E o MPLA já não governa, é a feitiçaria que o comanda. E ai de quem nela e nele cair.

Ma Yuan prepara-se para sair. Akalesela faz-lhe um resumo final:
- Os corruptos e os espoliadores são louvados. Os que lutam e os que trabalham são desprezados. Os preguiçosos e medíocres espreitam a sua oportunidade. O meu pai ensinou-me para me afastar dos políticos e dos feiticeiros.
Ma Yuan já está na porta de saída, despede-se com malícia:
- Akalesela, sabes… és muito interessante.
Kakulu-Ka-Humbi perde a cabeça:
- O kamburi ketu kalê ni nzala. (O nosso carneirinho não está com fome)
Antes da porta se fechar, Ma Yuan vê uma tarântula a passear. Estremece:
- Ai meu Deus!
Akalesela sente-se animado com o primeiro cliente e trova para Kakulu-Ka-Humbi, gaba-lhe mais alguns atributos:
- Sois altiva e imponente como uma águia.
Ela sorri de satisfação. Caminha na direcção do alaúde, entrega-lho e suplica-lhe:
- Por favor, melodia-me a minha majestade.
Doce cavaleiro, as noites são longas
como este cavalgar de desgovernar tão longínquo
Já nada mais esperamos
desesperamos, nadamos nestes oceanos de feitiço
neles afogados, no refogado amor

Estás prisioneira na torre guardada por seculares guardas
e há quase meio século acorrentada
Sou fiel na tua espera, no sonho
doutro coração que é já teu
O cavaleiro eterno não sai do castelo do seu poder
Lá estão os nossos corações presos sem esperanças.

Ele deixou-se adormecer. Pouco depois acordou sobressaltado. Pediu-lhe socorro:
- Vai-lhes dizer para fazerem pouco barulho, que queremos dormir.
- Já lhes falei, e ainda fazem pior. Dançam como uma manada de elefantes furiosos. Acho que o tecto vai desabar.
- Vamos dormir no ginásio, naqueles dois colchões de espuma estreitos.
Ela lastima-se:
- Etu ki tu atu azediua etu. (nós não somos pessoas felizes)
Ele esmorece:
- A política e o poder são duas coisas que condizem muito bem a quem delas faz uso. Os políticos são muitos, a concorrência é elevada. E são sempre poucos os lugares vagos no poder.
Ela ouve barulho lá fora, espreita à porta da varanda e contenta-se:
- A única coisa que funciona até ao momento é o carro da recolha do lixo.
Akalesela levantou-se muito cedo, ela continuava a dormir. Bebeu café e foi para o computador. Colocou o CD da enciclopédia World Book da IBM. Procurou pela mitologia africana e elucidou-se:
Uma variedade larga de mitologias desenvolveu-se entre muitos povos que habitam na África a sul do Saara. Algumas destas mitologias são simples e primitivas. Outras são organizadas de modo complexo. A maioria dos povos africanos adora características proeminentes da natureza, como montanhas, rios, e o sol. A maioria destes povos acredita que quase tudo na natureza contém um espírito. Alguns espíritos são amigáveis, mas outros não são. Espíritos podem viver em animais, plantas, ou objectos inanimados. Os adoradores rezam ou oferecem presentes aos espíritos para ganharem o favor deles e obterem benefícios particulares.   
As formas de adoração aos antepassados fazem parte de muitas mitologias africanas. Muitos africanos acreditam que depois da morte, as almas dos antepassados renascem em coisas vivas ou em objectos. Por exemplo, os Zulus recusam matar certos tipos de cobras porque eles acreditam que as almas dos antepassados vivem nelas. Os rituais mágicos têm um papel principal nas religiões tradicionais de África. Os feiticeiros têm grande influência entre muitos povos africanos porque se acredita que eles têm poderes mágicos. Muitos africanos usam encantamentos para se protegerem dos males.   
De acordo com várias mitologias africanas, muitas divindades moram em casas temporárias na terra chamados fetiches. Fetiches variam de simples pedras a imagens esplendidamente esculpidas. Alguns grupos africanos acreditam que fetiches protegem-nos dos feitiços do mal e que lhes trazem sorte. Os Ashantis compõem o grupo nativo maior no Gana, um país pequeno na África ocidental. Em muitas formas, a mitologia dos Ashantis ilustra a mitologia africana em geral. Muitos Ashantis acreditam que um deus supremo chamado Nyame criou o universo. Nyame encabeça um grupo grande de divindades, em que a maioria descende dele. Algumas destas divindades servem como protectoras de aldeias específicas ou regiões. Outras representam características geográficas. Os Ashantis consideram os rios como a característica geográfica mais sagrada. Eles também associam muitas divindades com ocupações específicas e artes, como cultivar e trabalhar o metal.   
Só entre as divindades dos Ashanti, à deusa da terra, falta um fetiche específico. Os Ashantis acreditam que a própria terra é o fetiche da deusa da terra. Um grupo de feiticeiros supervisiona a adoração de fetiches. Os Ashantis acreditam que os feiticeiros deles possuem certos poderes especiais. Por exemplo, de acordo com eles, os feiticeiros podem persuadir um fetiche para falar pelos lábios de um ser humano, um médium. Um feiticeiro normalmente serve como médium para o fetiche.
Entretanto, ela aproxima-se com alguma cerimónia:
- Dormiste bem? Olha, já sabes bem como é, tens o chá com bolachas.
- Isso é comida para mulheres.
- Claro meu querido, tenho que manter as minhas garras esbeltas.
- Não há um pacote desses das sopas rápidas?
- Não.
- Temos quiabos?
- Sim.
- Faz um caldo. E desinteresso-me por garras alimentadas por alimentos estrangeiros, ainda por cima importados.
- Não sou produto nacional para venda exclusiva a estrangeiros, como as outras manas fazem.
Ele preferiu emudecer. Ela sentiu que devia retirar-se. Ele voltou a teclar, desta vez na feitiçaria:
Feitiçaria está geralmente definida como o uso de poderes mágicos que se admite influenciarem as pessoas e os fenómenos. Neste sentido, conhece-se como a feitiçaria fez parte do folclore de muitas sociedades durante séculos. Desde o meio-1900, a feitiçaria também recorreu a um conjunto de convicções e práticas que algumas pessoas consideram uma religião. Seus seguidores às vezes chamam-lhe, a Arte, ou a Religião Velha. Porém, muitas pessoas, cristãos particularmente conservadores, não consideram a feitiçaria uma religião.   
Convicção na feitiçaria existe no mundo e varia de cultura. Historicamente, as pessoas associam feitiçaria com o mal e normalmente consideram uma bruxa como alguém que usa magia para prejudicar outros, causando acidentes, doenças, azar, e morte. Porém, algumas sociedades acreditam que as bruxas também usam magia para fazer bem, enquanto executam tais acções como enfeitiçando para obter amor, saúde, e riqueza. As pessoas ao redor do mundo continuam praticando feitiçaria, enquanto reivindicando usar a magia para o bem ou para o mal.   
Ao contrário, esses que praticam feitiçaria como seus seguidores só acreditam em magia praticante para propósitos benéficos, não para prejudicar. Eles adoram uma divindade masculina com aspectos femininos, mas eles enfatizam a fêmea, ou Deusa, o lado da divindade.   
O termo bruxa vem da palavra wicca do inglês antigo que é derivado do wic de raiz germânica que significa alterar ou mudar. Acredita-se que uma bruxa muda ou possa mudar acontecimentos usando magia. Hoje, a palavra bruxa pode ser aplicada a um homem ou mulher. No passado, foram chamados também os bruxos masculinos, de feiticeiros.   
Como funciona a feitiçaria
Acredita-se que as bruxas são os mestres do mundo sobrenatural no folclore ao redor do mundo. Elas suplicam supostamente e comandam espíritos. Elas podem invocar espíritos especiais que ajudam a chamar familiares que levam a forma de animais particularmente gatos, cobras, corujas, e cachorros. Em algumas sociedades tribais, envolve um tipo de feitiço com quem a bruxa está familiarizada. Neste tipo de feitiço, a bruxa instrui o familiar a levar a cabo tal instrução como entregando um feitiço a uma vítima.   
Algumas culturas acreditam que as bruxas têm o poder de se transformarem em animais. Este poder para mudar a forma delas permite-lhes viajar secretamente até se aproximarem. Também é dito que as bruxas podem voar. Elas podem voar sob o próprio poder delas, utilizando ferramentas como vassouras ou ancinhos, ou em animais mágicos.   
Supõe-se que elas podem controlar o tempo. Elas às vezes são culpadas por tempestades que danificam habitações ou colheitas.   
Imagem: Ermelinda Freitas