sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

05-15Dez14. República das torturas, das milícias e das demolições





Diário da cidade dos leilões de escravos

05 de Dezembro
Às 11.30 horas, barril do petróleo cotado nos 66.81 dólares. O xerife de Nottimgham já prepara as suas tropas para a chuva de impostos.
Quando num país se autoriza, legaliza a invasão de estrangeiros, e regra geral aventureiros da pior espécie, esse país acaba sempre por gerar uma violenta resposta de libertação da sua população condenada à mais elementar servidão. Esta invasão estrangeira rapina tudo, incluindo as vidas da população. A repressão acelera-se, há uma perseguição constante sobre as vozes que exigem justiça e liberdade. Para os incautos é bom lembrar sempre que onde há violenta repressão, há também luta de libertação, revolução. Angola, pode-se dizer, está em chamas. Qualquer pobre de espírito e de “pobreza” aqui ordena e daqui rapina a riqueza. Os abutres coloniais devoram Angola e obrigam as suas populações ao acantonamento. Inundam a população de bebida para depois sarcásticos zombarem que os mwangolés são alcoólicos. Roubam-lhes os empregos e depois apregoam que esta gente é preguiçosa, não gosta de trabalhar. E servindo-se deste slogan mandam cartas de chamada para familiares e amigos, sempre sob a troça constante de que: «Estes povos estão muito atrasados.»
19.56 horas. Impressionante, o minimercado Pomobel na rua rei Katyavala está a atirar com o seu lixo para o prédio mais próximo, para indicar que o lixo não lhe pertence. Isto já acontece há muitos anos, que mais se espera numa cidade sem lei? Absolutamente nada! Sim senhor, impressionante como se mantém a impunidade destas quadrilhas empresariais que fazem o que querem. E ninguém tem coragem para lhes fazer frente. Luanda/Angola, adeus terras de ganguesteres.                                                                                              
06 de Dezembro
09.02 horas. Petróleo a… 65.84 dólares. Vivam para sempre as conquistas revolucionárias do nosso glorioso partido marxista-leninista do petróleo. Depender em absoluto do petróleo é uma conquista revolucionária.
07 de Dezembro
Se o nosso presidente de todos os angolanos foi eleito por Deus – assim o bestificam as congregações deificadas de toda a espécie – porque é que os angolanos vegetam na miséria? A explicação é muitos simples: mais uma vez Deus errou! Sim, esta entidade inventada é a que mais erra e a que mais se presta aos desígnios demoníacos dos sacerdotes do Deus demoníaco.
08 de Dezembro
Os tugas até fazem cartões-de-visita. Coisa mais que corriqueira, pois há muito é produção dos mwangolés. Até este emprego lhes roubam?! Tudo lhes serve para provocar confusão, é assim que funciona o ladrão!
“Não vamos fazer da fome do sul de Angola um caso político.” Disse o político Vitor Fontes. Ele até tem razão porque não é um caso político. É muito mais grave do que isso. É mais um caso da corrupção administrativa.
09 de Dezembro
E a chinesa continua todos os dias a carregar o grande saco cheio de kwanzas para depositar no banco. E os pobres mwangolés na penúria alimentar, na arquitectura da fome lamuriam: «Mas como é que ela consegue arranjar tanto dinheiro?!»
A empresa mandou o jovem levantar dinheiro no banco, mas ele não regressou porque os bandidos assaltaram-no e deram-lhe um tiro na cabeça.
10 de Dezembro
E neste dia da fundação do partido sem estruturas – esqueceram-se dos pilares e por isso o edifício desabou mas eles até agora não se deram, nem nunca se aperceberão disso – o nosso glorioso partido da vanguarda do cântico dos abutres, soma derrotas, batalhas perdidas, nunca ganhou uma. Vai cantando os feitos da glória das receitas petrolíferas, dessa coisa efémera.
11 de Dezembro
17.09 horas, petróleo a 60.94 dólares. Mais uma grande chuva de miséria se aproxima.
Atenção! Muita atenção! O índice de hipocrisia está elevadíssimo, não dá para confiar em ninguém. Isto vem a propósito da prisão há alguns dias em local incerto do jovem Nito Alves. A outra é a invasão de estrangeiros que fará com que brevemente teremos um presidente estrangeiro. Este deixa andar está como uma infiltração de água num apartamento que não sustida, reparada a tempo, fará com que se alastre e depois surja uma cratera, uma ravina de vastas proporções.
12 de Dezembro
14.10 horas, petróleo a 59.95 dólares. Que belos tempos, que paraíso nos espera. Que tempos de maravilhas se anunciam. Os idiotas da Igreja e das igrejas dizem que este é o tempo das maravilhas, do tempo da chegada do Senhor… da miséria. Mais um. São tantos os senhores do Deus da miséria que não é possível contabilizá-los.
Quando um governo para a manutenção de um simples passeio na rua contrata estrangeiros, esse governo não nos merece a mínima credibilidade. Não é um governo é um caso perdido.    
13 de Dezembro
O petróleo às 14.20 horas… 57.81 dólares. Vão subir os preços dos combustíveis… vão subir tudo para que isto rebente, acabe de vez. Quem poderá mais sustentar este comunismo demasiado primitivo? NINGUÉM! Nem sequer eles!
Brevemente teremos anúncios – ou já temos – de restaurantes especializados em iguarias de cães e gatos à escolha do cliente. Abatidos e confeccionados pelos melhores especialistas chineses. É por isso que antes víamos cães e gatos a circularem por aqui e de repente desapareceram. É mais por isso que quando os mwangolés se enfrentam com chineses a fritarem carne logo denunciam: «Aquela carne é dos gatos e dos cães que andavam aí e nunca mais ninguém os viu!»
14 de Dezembro
A mana Paulina vai fazer operação ao osso do ouvido na África do Sul. Foi o marido, um chefe da Polícia que lhe bate bwé, deu-lhe um monte de socos, coisa habitual nesta arrepiante cidade das mulheres escravas, martirizadas, e ela não tem como se queixar pois que eles são a lei e resolvem tudo a tiro, quer dizer, o marido vai-lhe encher de balas sem problemas.
Estimado leitor, em Luanda estão-se a formar quadrilhas de crianças. Pelas noites, aí a partir das vinte e duas horas é vê-las nos roubos de sobrevivência. Aproximam-se sorrateiramente de qualquer pessoa distraída e roubam-lhe. Chegam a formar bandos de doze crianças e na zona do Hotel Alameda uma outra criança que vendia bolos teve que fugir, ficou sem nada porque há que matar a fome, e quem assim está nada o detém. As pessoas fugiram da área incluindo as kinguilas. Isto está muito, muito difícil porque os planos da miséria programada dos nossos defensores dos direitos humanos se legitimou, e a fome transformou em ratos aqueles que nada beneficiam das riquezas de Angola. E assim caminhamos para o estado de sítio da cidade policial, como se isso resolvesse alguma coisa. Se não se acabar com a imposição da pobreza, os nossos dias serão de extrema incerteza.
15 de Dezembro
Estão a badalar que o feitiço era nas Lundas, porque agora já está em Luanda. E que o feitiço em Luanda está a matar muita gente porque todos querem ficar ricos de um dia para o outro.
“Olha ao nosso redor… prostitutas, hermafroditas e bajuladores. Este é o nosso exército, agora. Isto… é o que nos resta.” Marco António para Cleópatra, perante a derrota iminente comandada pelo jovem Octávio, o César. In último episódio da série televisiva, Roma.