quarta-feira, 13 de julho de 2016

A BALADA DA MULHER ANGOLANA DESGRAÇADA



A Dite ficou sem casa, sem nada
Escapou de ser enforcada
Coitada
A Dite está desolada

Como o seu futuro será
Ninguém saberá
Nos caminhos incertos andará
Mas sempre sonhará

Este mundo é uma perdição
Oh, não chores mais, não
Muitos mais males te acontecerão
Não, não chores mais não

Que fazer sem dinheiro
Até acabar num pardieiro
Corruptos sempre no lugar cimeiro
A Igreja e o seu deus sempre primeiro

Já fiz quilapis, sem dinheiro
Agora é que vai ser porreiro
Nunca nenhum plano se executou
Nunca nenhuma lei funcionou

Vale mais tarde do que nunca
Mas acordar tarde tudo se trunca
Quando a corrupta Igreja acabar
Então sim haverá lugar para amar

Quem tem, tem
Quem não tem come dendém
Onde há desdém
Não se vive bem

Uma desgraça nunca vem só
A pobreza mete dó
A miséria está comovente
E a fome muito insolente

Quando se perde a esperança
Deixa-se de acreditar em nada
Resta da família a lembrança
Antes da derrocada

A intolerância está muito presente
Quem comanda está ausente
Não quer saber da gente
Nada sente

Perde-se o alento
Na tristeza do olhar desatento
À espera de algum alimento

Imagem: Ermelinda Freitas