terça-feira, 26 de julho de 2016

O SUBMARINO ANGOLA (10)



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Uma senhora foi beber, depois como não tinha dinheiro para pagar, deixou lá o filho menor como pagamento.
De um comentador da Rádio Despertar, “a Assembleia Nacional é um teatro e a oposição fica a assistir.”
E em Viana, arredores de Luanda, no porto seco, foram despedidos anarquicamente cento e quinze trabalhadores sem direito a indemnizações. (Denúncia de um ouvinte na Rádio Despertar)
Não há nada que aqui se faça que não tenha máfia.
Há quarenta e um anos sempre a viver com as calças nas mãos, é o fim meus irmãos.
O mais interessante do Submarino Angola era a sua colecção de desaires ostentada a bordo como num museu de grandes naufrágios. Que interessa falar, noticiar nos meios de informação exclusivos que projectam o ridículo do que não se fez e do que se aposta fazer, ou que se poderá fazer, parangonas sem nenhum significado apenas para iludir a quem, pois se já ninguém acredita em tal propaganda política. Mas a teimosia em publicitar coisas que não existem mais apoiava o grande naufrágio do Submarino. Sem infra-estruturas é a mesma coisa que uma universidade sem professores. Tudo se afundou, ninguém notou, ninguém escapou.
Justino Pinto de Andrade é muito bom como intelectual, mas como político é uma nulidade.
Um português sem vinho é um homem morto.
Do jornal Expansão: “Sem qualquer justificação, o BNA deixou de divulgar as vendas mensais de divisas e a sua distribuição por bancos, casas de câmbio e de remessas. Mais. Retirou do site as vendas mensais até Março anteriormente disponíveis.”
Para a oposição: tudo o que é repetitivo é cansativo. É como aquela palavra de ordem do partido dos intelectuais: “ Vamos diversificar a nossa economia.” E estão certíssimos, porque a economia é de uso exclusivo deles.
Este país só vive de actividades políticas, de actividades económicas não, economia, o que é isso?!
A Igreja e as igrejas não fazem socialização, fazem corrupção.
Mais de trezentos trabalhadores da empresa de recolha do lixo de Luanda, ELISAL, foram sumariamente despedidos. E parece que têm direito a uma irrisória indemnização.
Com a economia no caos, como é possível diversificar a economia? Se antes com montanhas mágicas de dinheiro não foi possível diversificar a economia, agora sem dinheiro não é possível diversificar seja o que for, excepto a corrupção que essa está sempre apta a corromper qualquer circuito. E com os mesmos que nunca conseguiram fazer nada, agora farão o quê?!, absolutamente nada. Não dá! Isto precisa de mudanças urgentes, mas atenção, mudar para pior não.
“Era habitual, desde logo, que os governadores se enriquecessem por meios ilegais. Logo, quando terminavam as suas funções e os provincianos apresentavam juízo contra eles ante o Senado, era habitual que este fizesse vista grossa. Todo senador esperava a sua oportunidade para fazer uma boa operação ou já o havia feito. Mas o saque devia de estar dentro de certos limites, Verres não conhecia limite algum. Bateu todos os recordes de vilania. Seus roubos eram incríveis e até roubou a mesma cidade de Roma, pois se embolsou com o dinheiro que se lhe havia dado para pagar os barcos carregados de cereais que os transportavam de Sicília a Roma.” In A República Romana. História Universal de Isaac Asimov.
Ricardo Lobo: “Olá a todos. Procuro casa, terreno, imóveis, viaturas em Portugal. No continente ou nas ilhas. Em qualquer estado. Pago em kwanzas. Obrigado e um bom haja a todos.”
O Submarino Angola continuava desgovernado e mergulhava numa espécie de fossa abissal económica e social, sem ninguém que o colocasse no rumo certo porque em Angola os intelectos parece que também desapareceram. Só se fala até à exaustão mas para resolver os problemas não, ninguém não. Todos falam a mesma coisa mas ninguém é capaz de salvar o Submarino Angola e trazê-lo à superfície e o salvar da grande e bizarra tragédia marítima, fazendo crer que só o caos interessa. O Submarino Angola tem muitos milionários mas eles preferem abandoná-lo à sua sorte, até já há quem o chame de, república da miséria e da fome de Angola. Todos se empenham nos seus assuntos pessoais como se em Angola já não existisse população. Os políticos da praça dão a impressão que estão num campeonato de política, e que vença o pior, o incrível é que todos dos partidos políticos da oposição dizem a mesma coisa como se fossem telecomandados, e não se apercebem disso. Fica bonito falar de política porque eu sou o bom desta tralha, o imbatível em retórica o resto que se lixe. Que não resolvam muito rapidamente o maremoto dos famintos que se aproxima depois contem-me como foi.
Já não há nada a fazer pelo Submarino Angola que repousa bem fundo no apocalipse de Angola.
Amigo leitor, não perca na próxima edição do Folha, a série, O Apocalipse de Angola.