sábado, 16 de julho de 2016

O SUBMARINO ANGOLA (08)




República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos


Por aqui a miséria e a fome estão à espera de reforços.
Um país atolado na maldade, na hipocrisia, na falsidade e na corrupção nunca será democrático. E isso de oposição é pura fantasia. Oposição é rendição. O mais notável é a hipocrisia dessa oposição em relação aos presos políticos. Com esta oposição, não. De qualquer modo acredito na oposição, não acredito nos actuais oposicionistas.
“Naturalmente, quando um magistrado era enviado a governar uma província, habitualmente cuidava de que não todo o dinheiro que arrecadava fosse enviado a Roma. Uma parte ficava em suas mãos. Era norma que um funcionário governamental romano a quem se outorgava uma província devia enriquecer-se. Disto se segue que, em geral, as províncias eram mal governadas (nem sempre, por suposto, já que até nos piores tempos há alguns funcionários honestos).” In A República Romana. História Universal de Isaac Asimov.
No Submarino Angola um deputado comentou que devido à crise da corrupção e para prevenir os tumultos dos famintos, o melhor era começar já a andar atrás deles com armas apontadas nas cabeças para evitar o pior. Outro deputado apoiou e recomendou que nas próximas reuniões o Submarino deveria descer mais, até aos cem metros de profundidade e se necessário descer ainda mais porque o imperialismo nunca desarma, só deseja a escravidão dos povos, o imperialismo é o principal inimigo da socialização, o opressor dos povos, disse com descomunal entusiasmo lembrando-se dos anos dourados da grande revolução que era para durar séculos, milénios, mas não, quem sabe, talvez ainda seja possível. Há que lutar para isso, disse, sonhando com a nostalgia do passado, dos milhares de bandeiras vermelhas com uma estrela no meio, essa estrela sempre cintilante que guia os povos à vitória, à libertação do homem.
Todos os caminhos conduzem a Roma. Em Angola todos os caminhos conduzem à corrupção.
Famintos de Cabinda ao Cunene a corrupção saúda-vos! Em Angola todos os caminhos conduzem à fome.
Ouvi na rua que os trabalhadores da função pública vão ficar com os salários do mês de Agosto congelados. Se é verdade ou não, não sei, também não dava para perguntar porque eram pessoas desconhecidas. Não vale a pena arriscar porque nunca se sabe. Mas ainda consegui ouvir de um interlocutor que “ não sei, porém, dos executores do povo, tudo se espera.”
Entretanto o BPC, Banco de Poupança e Crédito, sem dinheiro diz aos seus clientes que vai fazer reforço.
A África não produz cientistas, produz ditadores, políticos de feira, famintos, feiticeiros e corruptos.
Amigo leitor, não perca tempo com a Igreja e as igrejas e com os partidos políticos, porque são a principal maravilha da desgraça dos muangolés.
Angola tem um imenso exército de irresponsáveis, e outro imenso exército de “espantalhos” políticos. E devido a isso Angola não sobreviverá.
Cuidado! Não vejam a Tpa, televisão dos “pacatos” de Angola, porque destrói os cérebros, isso já foi provado num estudo. Nunca se perguntaram porque é que estão assim tão burros? É da Tpa, seus burros!
Deve ter cerca de vinte anos, está bem vestida de calça preta justa tipo colante e camisola que lhe chega até aos joelhos. O cabelo postiço é da nova vaga, comprido, caído em cascata um bocado para além dos ombros. Ela tem beleza de modelo. Está grávida, pelo volume da barriga está com sete meses de gestação. Caminha com um saco plástico de cor verde-claro fechado na cabeça com coisas para vender. Facilmente se nota que a jovem não faz parte da arraia-miúda, do conjunto habitual das miseráveis das ruas. Esta é de “boas” famílias. Significa que isto está no estádio final da involução… da morte da classe média.
Há muito que faz parte do sistema, actualmente e nos próximos dias, acho que já nem merece tal designação, o correcto será chamar-lhe o fim da quimera, de mais uma utopia de governantes e governados que se convenceram de que com o dinheiro do petróleo e a corrupção não seria necessário mais trabalhar, e com o apoio militante da Igreja, Deus zelaria tal como um segurança o futuro de quem esbanjasse o dinheiro sem nada obrar. E todos eram ricos, riquíssimos e pareciam que tinham algo gravado porque das bocas lhes saía a célebre frase que tudo fazia estremecer à sua volta “cuidado não se metam comigo, não sabem quem eu sou.” E havia sempre alguém que corroborava, ainda mais amedrontava as massas populares, “sim é verdade, cuidado porque ele trabalha na presidência porque eu já o vi de lá sair algumas vezes.” O patrão muangolé, tal patronato é há dezenas de anos reincidente no abandono dos seus trabalhadores, tem vocação precoce para o empresariado, já nasceu assim, dizem, viaja para o estrangeiro, para Portugal, com as suas mulheres, ter muitas mulheres é sinal de riqueza, de homem muito macho, e hoje traz muita miséria e fome, – aqui as prateleiras do minimercado Pomobel na rua rei Katyavala quase só tem garrafas de água mineral, isso tende a espalhar-se, é mais uma epidemia da boa governação, graças ao genial plano da saída da crise – o empresário muangolé carrega o dinheiro com ele e deixa os trabalhadores sem salários, e depois quando do regresso a Luanda diz com ar mais natural deste mundo que não tem dinheiro. Da maneira que as coisas estão, vão muito piorar, qual quê, isto é que é diversificação da economia. É mera irresponsabilidade, é natural, habitual.
Contrariamente à propaganda oficial de apoio aos camponeses para a habitual propaganda oficial da diversificação da economia, se o saco de adubo está a trinta e dois mil kwanzas, claro que o camponês não tem dinheiro para comer, quanto mais para comprar adubo.
Outra vez mergulhado na causa da estapafúrdia oposição, é que não há intelectos senão vejamos: até agora não ouvi nenhum avatar da oposição explicar em detalhe a situação do caos económico, e isso, parece que não, é extremamente importante. Confesso que estou saturadíssimo de há longos anos ouvir todos os dias os mesmos discursos de que foram desviados mais milhões de dólares do erário público, a governação é péssima, corrupta, deixa morrer a população, abusar da intolerância política, que em 2017 vamos ganhar as eleições. Não dá para ouvir mais, parece a Tpa e restante família da comunicação partidária. Ó “espantalhos”políticos da oposição, então não sabem que chegados a um certo ponto cansamo-nos de os aturar?! É necessário inovar, criando outros modos de actuação, quais?, não é a mim que compete isso, era só o que faltava. Se repetem constantemente o mesmo discurso é porque não sabem dizer mais nada, não tem imaginação para criar outras formas de luta, para aguçar, despertar, para os eleitores saírem do estado hipnótico. Também é verdade que a fina flor da oposição, os seus oradores se esmeram para atraírem o povo, na verdade ludibriá-lo com discursos a insinuarem que eu sou o melhor de todos, comigo a governar não haverá mais miséria e fome. Que nós da oposição somos a chave que abrirá as portas da felicidade e jamais haverá tristeza. Portando-se como grandes homens de virtudes, muito honestos, extraordinários no apoio social, quando contactados pessoalmente, descobre-se que afinal veneram o reino da falsidade e até do desprezo. Infelizmente creio que ainda não há noção do que é oposição. Oposição é falar, falar até nos cansar, não, chega, basta! Os discursos da vaidade adormecem-nos como um narcótico.